sábado, 4 de abril de 2026

“Moving Pictures”: O álbum mais bem sucedido do Rush completa 45 anos

 


O clássico “Moving Pictures” do Rush é mais conhecido no Brasil pela faixa “Tom Sawyer” que fazia parte da abertura de MacGyver: Profissão Perigo, seriadinho para divertir a família que passava aos domingos pela manhã na Rede Globo.

Mas “Moving Pictures” vai muito além! Aqui estão faixas tão complexas como “YYZ”, a longínqua “The Camera Eyes”, as contínuas inserções da banda no reggae feito por brancos do The Police em “Vital Signs”.

Nessa época, o plano da banda era lançar um disco ao vivo, afinal Permanent Waves foi um sucesso! A prova disso era que a turnê deste álbum foi a primeira a gerar lucro real para o Rush.

Mas quis o destino que tudo mudasse de figura quando Cliff Burnstein, responsável por levar o Rush para a Mercury Record, plantou a semente em Neil Peart que a banda passava por um momento de criatividade único e parar eles para fazer um álbum ao vivo seria um desperdício. Não foi difícil para que Alex LifesonGeddy Lee comprassem também a ideia.

Desafio aceito, a banda se tranca em Stony Lake em Ontario para estruturar as ideias já desenvolvidas durante as passagens de som na turnê anterior e logo em seguida seguiram para o Le Studio em Quebec, conhecido por ser o Abbey Road do Rush.

A aposta não poderia ter dado mais frutos. “Moving Pictures” é o álbum mais bem sucedido da banda com vendas superiores a 5,7 milhões de cópias entre EUA, Canadá e Reino Unido. Foi 5x certificado de Platina pela RIAA (EUA), 4x Platina no Canadá e certificado de ouro no Reino Unido.

Além disso, atingiu o 3° lugar na Billboard 200 dos EUA, ocupa a 3° posição de melhor álbum de prog e 379° posição de melhor álbum de todos os tempos pela Rolling Stone.

Mas o que impressiona mais é que mesmo sendo um álbum intrincado com progressões sonoras complexas, ele é capaz de conquistar um público que está acostumado com a simplicidade das melodias pop. Geddy Lee faz duas mudanças profundas nesse álbum que o tornam ainda mais palatável (para os moldes Rushianos). O primeiro, o mais nítido, é que ele diminui o agudo nas canções. E o segundo, que você percebe buscando informações sobre o disco, é a troca do clássico baixo Rickenbacker por um Fender Precision. Essa troca de instrumento diminui o ataque dos agudos e acentua o lado grave do som.

Análise das faixas

“Tom Sawyer”

O disco abre com “Tom Sawyer” com seus teclados futuristas, letras baseadas no romance de Mark Twain de mesmo nome, com uma entrada marcante, uma levada meio-tempo e arranjos maravilhosos de teclado, baixo, guitarra e bateria. Ela é a música do álbum capaz de capturar a atenção do ouvinte do início ao fim.

“Red Barchetta”

Precedida de “Red Barchetta”, uma ode ao carro da Ferrari que foi fabricada no final dos anos 40 início do 50. Outra baseada em literatura, nesse caso em um conto de ficção científica “A Nice Morning Drive” de Richard S. Foster. Musicalmente, um início envolvente com a guitarra lenta dando o andamento inicial. Novamente a banda acerta nas melodias, Lee canta num tom não tão alto, a progressão de acordes é bem típica do Rush, mas sem deixá-la complexa para ouvintes normais.

Até aqui, fica claro a paixão de Neil Peart pelo universo das letras. Não é à toa que tomou para si essa missão, a de ser o principal letrista da banda.

“YYZ”

Chega a hora da instrumental “YYZ”, essa sim, mais intrincada e para ouvidos menos treinados talvez possa ser um desafio, mas é incrível a percepção da banda para o mundo a sua volta, como qualquer situação pode inspirá-los. No caso dessa música, “YYZ” é o código internacional de identificação do Aeroporto Pearson de Toronto, e Neil Peart teria ouvido em um voo pilotado por Alex Lifeson.

Antigamente, quando não havia instrumentalização por GPS, os pilotos se guiavam por ondas de rádio. Quando próximos a algum aeroporto, o mesmo tocava em código morse a sua identificação. E entre as viagens conduzidas por Lifeson surgiu a ideia, visto que a banda sabia que estava chegando em casa.

“Limelight”

Na sequência vem a linda “Limelight”, uma trilha sonora deliciosa e esperançosa. Liricamente é uma música muito pessoal de Peart que aqui desbrava a ideia da ilusão sobre viver a fama, viver nos palcos e como lidar com isso sem perder a cabeça. Nessa faixa, o guitarrista Alex Lifeson brilha. Muitos consideram o solo mais bonito da carreira dele comparando a David Gilmour. A comparação é justa pela visão poética, solo profundo, daqueles que com poucas notas se resolvem.

“The Camera Eyes”

Se falamos a pouco sobre a música mais curta do álbum, a contraposição agora nos recebe em “The Camera Eyes”. Outra que tem um clima futurista inicial, mas que desenrola em uma progressão maravilhosa de Lifeson e companhia. Como tantas músicas do Rush é difícil e complexa descrevê-la, mas os arranjos da cama de teclado deixam ainda mais deliciosa as transições de suas partes. Liricamente, mais uma vez Peart mostra que é um ávido leitor. Aqui ele é inspirado pela técnica de escrita de John Dos Passos e sua famosa Trilogia U.S.A., composta pelos livros The 42nd Parallel, 1919 e The Big Money.

Explico: John Dos Passos deixa a narrativa convencional por alguns minutos e aprofunda o olhar observador a sua volta, sobre a cena que acontece e é exatamente essa técnica que Neil Peart toma para si, relatando os movimentos das cidades de Manhattan e Londres.

“Witch Hunt”

“Witch Hunt” é a prova cabal da capacidade genial de Peart sobre a arte de escrever letras. Ela é a terceira parte da trilogia “Fear” criada por ele. Não bastava a trilogia ter sido entregue ao público de trás pra frente, aparecer em outros discos, ou seja, ser amarrada durante discos consecutivos, ela ganhou ainda uma quarta parte anos depois.

E a banda não para por aí. Se você perceber, a Parte I termina com um fade out, a Parte II começa e termina com fade, a Parte III termina abruptamente e a Parte IV completa o ciclo.

Para você não ficar perdido sobre a série “Fear”: a parte um é a “The Enemy Within” do álbum “Grace Under Pressure” (1984). A parte dois, “The Weapon” do álbum “Signals” (1982). Parte três, “Witch Hunt” do “Moving Pictures” (1981) e anos depois a parte quatro, “Freeze” em “Vapor Trails”.

Liricamente, “Witch Hunt” nunca esteve tão atual como agora em épocas de xenofobia e guerras.

Uma curiosidade é que ela foi gravada no dia do assassinato de John Lennon. O clima estava estranho no mundo, será que isso ajudou a deixar ela com esse ar obscuro?

“Vital Signs”

Pra fechar o álbum e mostrando toda sua versatilidade, a banda mergulha na vibe positiva do reggae. Quem será que andou ouvindo muito The Police por lá? Ok, não é a primeira vez que eles molham os pés nesse lago, a investida já tinha acontecido no álbum anterior. Mas é legal ver como eles possuem repertório amplo sem soar um pastiche.

“Vital Signs” é gostosa de ouvir, uma música pulsante que ainda tem elementos de sequenciadores dando a ela um ar futurista, um retrato dos anos 80 e a influência new wave. Liricamente, Neil Peart mostra sua preocupação com fugir à norma e ao padrão. O refrão deixa bem claro, “Everybody got to deviate from the norm” (Todo mundo tem que se desviar da norma), um chamado a não conformidade social.

Um álbum obrigatorio para qualquer fã de música!



Melômano Discos relança “Journey to the Centre of the Eye” do Nektar em vinil


Journey to the Centre of the Eye”, álbum de estreia lançado em 1971 pela banda inglesa de rock progressivo Nektar, ganha agora um relançamento em vinil pela Melômano Discos. A edição chega ao público nas versões splatter e vinil preto, ambas em capa dupla, acompanhadas de encarte em português com texto assinado por Bruno Ascari. Concebido como uma ópera espacial de 42 minutos, o álbum se apresenta como uma peça musical única e contínua. Trata-se de um trabalho conceitual em que todas as faixas se interligam para narrar a jornada cósmica de um astronauta rumo a Saturno, tendo como pano de fundo a iminência de uma guerra nuclear na Terra. O disco foi amplamente testado ao vivo antes da gravação e registrado praticamente de forma direta no Dierks Studios, preservando a fluidez e a intensidade da execução integral.

A narrativa acompanha o astronauta interceptado por alienígenas, que o convidam a viver em outra galáxia. Ao aceitar, ele passa por uma profunda expansão de consciência, abandona a visão física e entra em contato com o “Olho Que Tudo Vê”, tornando-se parte dele. Essa jornada espiritual e psicológica culmina em um retorno solitário ao espaço, onde ele observa a Terra se autodestruindo, reforçando o caráter filosófico e existencial da obra.

Musicalmente, o álbum transita com elegância entre atmosferas cósmicas, tensas, melancólicas e grandiosas, explorando sutis variações de clima, colagens sonoras e passagens instrumentais de forte impacto. Destacam-se os teclados, o órgão e o Mellotron, em diálogo expressivo com a guitarra e os efeitos vocais, recursos que ajudam a dar forma às personagens e às sensações que permeiam a narrativa.

Curiosamente, embora britânica, a banda Nektar foi formada em Hamburgo (ALE) em 1969, o mesmo ano em que o homem chegou à Lua. Assim, inserido em um contexto histórico em que o fascínio pelo espaço alcançava seu auge, impulsionado pelo sucesso da missão Apollo 11, o álbum absorve e traduz esse espírito de exploração e deslumbramento cósmico. Como foi pensado para ser ouvido do início ao fim, “Journey to the Centre of the Eye” entrega uma experiência imersiva, unindo rock progressivo, psicodelia e narrativa sci-fi. Trata-se de uma única viagem sonora criada por Roye Albrighton (guitarra e vocal principal), Derek “Mo” Moore (baixo, Mellotron e vocal), Ron Howden (bateria e percussão) e Allan “Taff” Freeman (teclados e vocal), além de Mich Brockett, responsável pela iluminação e peça fundamental na construção do impacto visual.



Progressivamente Fascinante: Um pouco da história do rock progressivo


rock progressivo, muitas vezes chamado simplesmente de “prog”, é um gênero musical notável por sua complexidade, ambição artística e disposição para explorar novos horizontes sonoros. Surgindo no final dos anos 1960 e atingindo seu auge na década de 1970, o rock progressivo redefiniu os limites da música popular, introduzindo elementos do rock, música clássica, jazz e até mesmo música folclórica em suas composições.

Vamos tentar mergulhar nas épocas douradas do rock progressivo e apresentar alguns álbuns-chave que marcaram esse período. Desde os pioneiros do gênero até os subgêneros e o impacto global, o objetivo é dar a você uma visão abrangente dos álbuns que contribuíram para a grandeza do rock progressivo.

As origens do rock progressivo

O rock progressivo tem suas origens na década de 1960, um período marcado pela efervescência da experimentação musical e cultural. Naquela época, várias bandas e músicos estavam ansiosos por desafiar as convenções das estruturas tradicionais do rock, seu objetivo era criar algo que transcendesse a simplicidade do gênero e oferecesse uma experiência musical mais complexa e intelectualmente estimulante. Uma das bandas pioneiras a abraçar plenamente essa abordagem foi a banda King Crimson. Em 1969, eles lançaram um álbum que se tornaria um dos pilares fundamentais do rock progressivo, intitulado In the Court of the Crimson King. Este álbum, conhecido por faixas emblemáticas como 21st Century Schizoid Man e Epitaph, deixou uma marca indelével na música. Combinando elementos de rock pesado com nuances clássicas e letras profundas, o álbum imediatamente cativou ouvintes de todo o mundo. Ele representou um marco importante na evolução do gênero, moldando o caminho para uma era de experimentação musical e inovação lírica que definiria o rock progressivo.

A ascensão

À medida que os anos 70 avançavam, o rock progressivo alcançou o seu auge, foi uma era marcada por uma significativa inovação e experimentação musical, liderada por bandas icônicas como Yes, Genesis e Pink Floyd. Em destaque, o álbum Close to the Edge do Yes, lançado em 1972, é frequentemente reconhecido como um marco do gênero. Com apenas três faixas extensas, incluindo a monumental Close to the Edge, o álbum demonstra a extraordinária habilidade instrumental da banda e sua capacidade de criar paisagens sonoras complexas e enfeitiçantes. A faixa-título, em particular, com suas várias seções, mistura elementos de rock, jazz e música clássica, exemplificando a tendência do rock progressivo em transcender os limites convencionais da música. Este período também viu a ascensão dos álbuns conceituais, com o Genesis elevando este conceito a novas alturas com The Lamb Lies Down on Broadway em 1974. Este álbum duplo, que narra a odisseia surreal de Rael, um jovem imigrante em Nova York, combina músicas intricadas com letras profundas, tornando-o uma experiência auditiva memorável e simbólica, refletindo temas como identidade, alienação e transformação.

Os anos 80

Enquanto os anos 70 se aproximavam do fim, o rock progressivo começou a diversificar-se em vários subgêneros, mostrando sua influência contínua e adaptabilidade.

Nos anos 80 o rock progressivo passou por uma fase de transformação e adaptação, refletindo as mudanças culturais e tecnológicas da época, enquanto a década anterior foi marcada por composições longas, complexas e muitas vezes conceituais, nos anos 80 viram o gênero se ajustar ao cenário musical em evolução, influenciado pelo surgimento da música eletrônica, do new wave e do pop.

Muitas bandas de rock progressivo dos anos 70 adaptaram seu som para se enquadrar mais no mercado mainstream da década de 80 e isso frequentemente significava músicas mais curtas, estruturas mais diretas e uma ênfase maior na melodia e no apelo comercial. Por exemplo, o Genesis, que começou como uma banda de rock progressivo nos anos 70, encontrou grande sucesso comercial nos anos 80 com um som mais orientado para o pop, especialmente após Phil Collins assumir como vocalista principal.

Nos anos 80, emergiu uma nova geração de bandas de rock progressivo, muitas vezes referidas como neoprog. Essas bandas buscaram reviver o estilo e a abordagem do rock progressivo clássico, mas com uma sensibilidade moderna. Bandas como Marillion, Pendragon e IQ são exemplos deste movimento. O Marillion, surgindo na década de 80 com um estilo conhecido como neoprog, é um exemplo notável dessa evolução. Seu álbum de 1985, Misplaced Childhood, com faixas marcantes como Kayleigh e Lavender, apresenta um som mais melódico e emocionalmente ressonante, atraindo uma nova geração de ouvintes e demonstrando a habilidade do gênero em evoluir e manter sua relevância.

Foi um período de inovações tecnológicas significativas, especialmente no campo da música eletrônica. Sintetizadores e sequenciadores tornaram-se ferramentas comuns em muitas gravações de rock progressivo, permitindo aos músicos explorar novas texturas sonoras e paisagens musicais. Bandas como Rush e Yes incorporaram essas novas tecnologias em seus álbuns, como evidenciado em trabalhos como Power Windows (1985) de Rush e 90125 (1983) de Yes.

O rock progressivo dos anos 80 também foi marcado por uma maior fusão de gêneros. Elementos de jazz, música clássica, e até música eletrônica foram incorporados, criando sons únicos e inovadores. A experimentação continuou a ser um pilar do gênero, embora muitas vezes de maneiras diferentes das longas jam sessions dos anos 70. Apesar de algumas bandas de rock progressivo não terem alcançado o sucesso comercial massivo de seus contemporâneos do pop e do rock, elas deixaram um legado duradouro. O neoprog, em particular, ajudou a manter vivo o espírito do rock progressivo, influenciando as gerações futuras de músicos e mantendo uma base de fãs dedicada.

Em resumo, os anos 80 foram uma época de redefinição para o rock progressivo. Enquanto algumas bandas se adaptavam ao mainstream, outras mantinham o espírito original do gênero, todas contribuindo para a rica tapeçaria da história do rock progressivo.

O legado do rock progressivo continua a ser sentido até hoje, exemplificado de forma mais proeminente por The Dark Side of the Moon do Pink Floyd, lançado em 1973. Este álbum, que não apenas definiu o gênero, mas também influenciou uma ampla gama de estilos musicais, continua sendo uma obra-prima atemporal. Com sua mistura de experimentação sonora, letras introspectivas e técnicas de produção inovadoras, The Dark Side of the Moon permanece como um testemunho do poder e da versatilidade do rock progressivo, admirado por gerações sucessivas de ouvintes e músicos. A influência duradoura deste álbum no cenário musical sublinha a importância e o impacto contínuo do rock progressivo na história da música.

O rock progressivo é um gênero inovador e revolucionário, que continuamente desafia as convenções musicais, proporcionando experiências auditivas profundamente memoráveis e enriquecedoras. Os álbuns mencionados são apenas uma pequena amostra da vastidão e diversidade que o rock progressivo tem a oferecer, representando uma era de experimentação audaciosa e criatividade sem limites. Ao celebrarmos os melhores álbuns de rock progressivo de todos os tempos, é crucial reconhecer que a jornada em busca de inovação e excelência musical está longe de terminar. Novas gerações de músicos e ouvintes continuam a ser profundamente inspiradas por esta rica tradição musical, assegurando que o legado do rock progressivo não apenas permaneça vivo, mas também continue a se expandir e evoluir, influenciando a música contemporânea de maneiras imprevistas e emocionantes. É uma jornada sonora que transcende o tempo, celebrando a ousadia, a complexidade e a expressão artística que definem o coração do rock progressivo.

Discos essenciais de rock progressivo

A ordem colocada não tem nenhum critério especial, mentira, dark side tinha que ficar em primeiro

– Pink Floyd – The Dark Side of the Moon (1973): Este álbum é uma obra-prima do rock progressivo, conhecido por sua exploração de temas como a saúde mental, a ganância e o envelhecimento. Sua produção inovadora e o uso de efeitos sonoros e sintetizadores definiram um novo padrão para a música conceitual.

– Yes – Close to the Edge (1972): Composto por apenas três faixas longas, este álbum é um tour de force de musicalidade complexa, incluindo a faixa-título de 18 minutos, que é uma das mais aclamadas da banda, exemplificando a habilidade dos músicos e a complexidade do gênero.

– Genesis – The Lamb Lies Down on Broadway (1974): Um álbum conceitual narrativo, centrado em torno da jornada surreal de Rael. Este trabalho é altamente teatral e é considerado um dos álbuns mais ambiciosos da banda.

– King Crimson – Red (1974): Album conhecido por sua abordagem intensa e experimental ao rock progressivo, com uma mistura de jazz, música clássica e rock pesado. É frequentemente citado como um precursor do movimento do metal progressivo.

– Emerson, Lake & Palmer – Brain Salad Surgery (1973): Este álbum combina rock, música clássica e eletrônica, destacando-se pela faixa Karn Evil 9, que ocupa quase todo o segundo lado do LP original.

– Jethro Tull – Thick as a Brick (1972): Apresentado como uma longa faixa contínua, este álbum é um exemplo quintessencial de um álbum conceitual, com letras satíricas e complexas composições musicais.

– Rush – “2112” (1976): O álbum é conhecido pela sua faixa-título, uma suíte de 20 minutos baseada em uma história de ficção científica. Ele marca uma virada significativa para a banda em direção a uma abordagem mais progressiva.

– Mike Oldfield – Tubular Bells (1973): Famoso por sua composição instrumental e pelo uso inovador de sobreposições de som, este álbum é um marco na música instrumental e progressiva.

– Pink Floyd – The Wall (1979): Tecnicamente no final dos anos 70, este álbum teve um grande impacto nos anos 80 e além. É um épico álbum conceitual que explora temas de isolamento e perda, conhecido por faixas como Another Brick in the Wall e Comfortably Numb. Este trabalho é uma fusão poderosa de música progressiva e storytelling.

– Rush – Moving Pictures (1981): Frequentemente citado como o trabalho mais acessível de Rush, com um equilíbrio perfeito entre o rock progressivo e o hard rock, destacando-se pela faixa Tom Sawyer.

– Marillion – Misplaced Childhood (1985): Este álbum é um pilar do neoprog, conhecido por suas letras poéticas e estruturas musicais complexas. Ele apresenta sucessos como Kayleigh e Lavender.

– Yes – 90125 (1983): Marcou uma mudança significativa no estilo da banda, com um som mais moderno e orientado para o pop, incluindo o hit Owner of a Lonely Heart.

– Genesis – Duke (1980): Este álbum inclui elementos de pop, ele mantém as raízes progressivas da banda com faixas mais longas e complexas, representando um ponto de equilíbrio na transição da banda para um som mais mainstream.

– King Crimson – Discipline (1981): Marcou uma reinvenção da banda com uma abordagem mais minimalista e influências de new wave e world music, destacando-se pela faixa Elephant Talk.

– Peter Gabriel – So (1986): Conhecido por sucessos pop como Sledgehammer, este álbum mantém elementos de rock progressivo, particularmente em sua abordagem de produção e estruturas musicais.

– Camel – Nude (1981): Album conceitual do grupo britânico Camel, conhecido por sua abordagem melódica e instrumentação sofisticada. Nude é baseado na história de um soldado japonês encontrado em uma ilha anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, acreditando que a guerra ainda estava acontecendo. Com uma mistura de instrumentais impressionantes e faixas mais orientadas para a letra, Nude destaca-se por sua capacidade de contar uma história coerente e emocionante através da música.

Perguntas Frequentes sobre Rock Progressivo

Como surgiu o rock progressivo?

O rock progressivo surgiu no final dos anos 1960 e início dos anos 1970, combinando elementos do rock com a música clássica, jazz e experimental. Bandas britânicas como Pink Floyd e King Crimson foram pioneiras nesse gênero, criando músicas complexas e conceituais. Essa mistura de estilos trouxe novas texturas e narrativas ao rock, ampliando os horizontes musicais da época.

Quem é o pai do rock progressivo?

Embora não haja um único “pai” do rock progressivo, muitos creditam bandas como The Moody Blues e King Crimson por pavimentarem o caminho do gênero. King Crimson, especialmente, com seu álbum “In the Court of the Crimson King” de 1969, é frequentemente mencionado como um marco inicial do prog rock. Esses artistas influenciaram uma geração de músicos a explorar novas direções sonoras.

O que vem a ser rock progressivo?

Rock progressivo é um gênero musical que busca expandir os limites do rock convencional por meio de composições complexas, experimentação sonora e temáticas líricas elaboradas. Caracteriza-se por longas faixas, mudanças de tempo e instrumentação diversificada. É uma verdadeira jornada musical que desafia as fórmulas tradicionais, levando o ouvinte a novas experiências auditivas.

Qual o significado de rock progressivo?

O termo “rock progressivo” reflete a intenção de progressão e evolução dentro do gênero rock. Ao contrário das canções pop tradicionais, que seguem estruturas previsíveis, o rock progressivo se propõe a inovar e explorar territórios musicais desconhecidos. É um gênero que valoriza a criatividade e a complexidade, buscando sempre “progredir” musical e artisticamente.

Como identificar rock progressivo?

Para identificar o rock progressivo, preste atenção em arranjos intrincados, mudanças de ritmo, letras conceituais e uma fusão de estilos musicais. Instrumentos como sintetizadores e guitarras elétricas são comuns, assim como solos extensos e passagens instrumentais. Se uma música parece levar você por uma jornada ou contar uma história elaborada, é provável que seja prog rock!



Mundo Melhor (1976), de Beth Carvalho, é um álbum marcante do samba


Mundo Melhor (1976), de Beth Carvalho, é um álbum marcante do samba que ajudou a consolidar sua carreira. O disco reúne composições de grandes nomes como Cartola e Nelson Cavaquinho, destacando-se pela valorização do samba de raiz.
Entre as faixas, “As Rosas Não Falam” ganhou grande importância por ser a primeira gravação da canção. Com arranjos tradicionais e interpretações expressivas, o álbum reforça o papel de Beth como uma das principais vozes do samba e divulgadora de grandes compositores.



O disco “Yoyo” (1987), da banda Bourgeois Tagg, é um trabalho que representa bem o pop


O disco “Yoyo” (1987), da banda Bourgeois Tagg, é um trabalho que representa bem o pop sofisticado do final dos anos 80. Produzido por Todd Rundgren, o álbum traz uma sonoridade mais refinada e ambiciosa, combinando elementos de pop rock com arranjos elaborados e forte cuidado na produção.
Musicalmente, o disco transita por diferentes estilos, incluindo synth-pop, funk e influências de new wave, criando um clima variado e dinâmico. As músicas alternam entre momentos mais dançantes e outros mais introspectivos, com destaque para as harmonias vocais e os arranjos ricos, que dão ao álbum uma identidade única dentro da época.
O maior destaque é “I Don’t Mind at All”, uma balada elegante que acabou se tornando o principal sucesso da banda. Mesmo sem grande impacto comercial geral, “Yoyo” conquistou status cult ao longo do tempo, sendo lembrado como um disco criativo e diferenciado dentro do cenário pop dos anos 80.



O LP “Elasticity”, de "Serj Tankian", lançado em 2021, é um trabalho que nasce de ideias originalmente pensadas para um possível retorno do System of a Down


O LP “Elasticity”, de "Serj Tankian", lançado em 2021, é um trabalho que nasce de ideias originalmente pensadas para um possível retorno do System of a Down. Como esse material acabou não sendo desenvolvido em conjunto com a banda, Tankian decidiu moldá-lo em carreira solo, preservando a intensidade e o espírito crítico que marcaram sua trajetória.
Musicalmente, o disco equilibra peso e experimentação, trazendo guitarras fortes e estruturas próximas do metal alternativo, mas também momentos mais atmosféricos e melódicos. Faixas como “Elasticity” e “Your Mom” carregam aquela energia caótica e politizada típica do vocalista, enquanto outras exploram arranjos mais sutis, mostrando sua versatilidade como compositor.
Liricamente, o EP mantém o tom engajado que é marca registrada de Tankian, abordando temas sociais, políticos e existenciais com uma abordagem direta, porém artística. “Elasticity” funciona quase como uma ponte entre o universo do System of a Down e a liberdade criativa de sua carreira solo, sendo uma obra curta, mas intensa, que reforça sua identidade única dentro do rock contemporâneo.



UNBURIER – As Time Awaits EP

 

Quando se trata de exibir os aspectos mais técnicos de seu som, os ingleses do Unburier, mestres do death metal, não perdem tempo. A introdução da faixa principal deste EP, "Continuum", começa com uma assinatura de tempo que muda constantemente, levando a extrema intensidade da banda para longe das raízes tradicionais do death metal e para o território de uma fusão de death metal progressivoA música se mostra uma ótima vitrine para a banda , destacando o baterista Kim Hughes, que transita com facilidade entre riffs potentes e ritmos pesados ​​e envolventes. A inclusão de algumas pausas inesperadas acentua ainda mais a abordagem progressiva da banda.

Adentrando o cerne da música, as guitarras gêmeas de Ben Champion e Blake Hibberd ganham muito mais destaque, adotando uma abordagem clássica de thrash metal. Como as mudanças de compasso continuam interessantes, a música oscila de forma brilhantemente perturbadora sob o rugido vocal de Ben. Neste ponto, por mais que o foco esteja nos aspectos mais progressivos do som do Unburier, aqueles que não curtem death metal provavelmente começarão a se desligar. Seria uma pena, pois Ben e Blake também equilibram a intensidade em outros momentos com alguns solos absolutamente matadores, que pendem um pouco mais para o metal tradicional, dando a "Continuum" um núcleo melódico maior – pelo menos em termos relativos. A abordagem brilhantemente inquieta do Unburier significa que o final de uma música já excelente apresenta sons ainda mais intensos quando a sonoridade pneumática dá lugar a um riff thrash clássico, que sublinha um dos solos já mencionados, e uma breve explosão de riffs pesados ​​e profundos sugere que a banda é capaz de coisas ainda mais pesadas. Há tanta coisa condensada nesses cinco minutos, mas nunca de uma forma que faça o Unburier parecer disperso . Esses caras são entrosados, e se algo aqui chamar sua atenção, com certeza você vai querer continuar ouvindo.

'Abyssal Uncertainty' – um título clássico de thrash/death metal, diga-se de passagem – começa com um riff à la Slayer antes de mergulhar num grindcore puro digno da lendária banda Death, intercalado com uma bateria pneumática ao estilo Suffocation. O vocal hardcore de Ben continua sendo uma escolha mais interessante do que a típica voz de death metal , e com um ótimo trabalho de guitarras gêmeas quebrando os aspectos mais pesados ​​de um arranjo complexo, a faixa rapidamente se mostra tão interessante quanto a de abertura. Embora os timbres limpos das guitarras gêmeas se destaquem bastante e se tornem um dos elementos mais dominantes, uma audição mais atenta revelará uma ótima interação entre Kim (que continua arrasando na bateria) e o baixista Stan Mitchell, além de mostrar como o Unburier consegue lidar bem com passagens de death metal mais "tradicional". Há menos influência progressiva nesta faixa em geral, mas o trabalho inventivo de guitarras solo garante que a performance ainda tenha potencial para alcançar um público mais amplo. Tudo é executado de forma brilhante, mas em termos de pura força, as passagens de death metal mais puro dentro desta apresentação são difíceis de superar.

Por fim, 'Survive The Venom' leva toda a banda a um frenesi, primeiro martelando uma mistura de groove e death metal que soa como uma referência à era 'New American Gospel' do Lamb of God, depois se inclinando para seus sons de death metal progressivo preferidos, mas eventualmente chegando a um ponto que compartilha uma mistura extrema de metal progressivo – coroada por solos absolutamente incríveis – e death metal melódico que consegue jogar todas as influências do Unburier em um arranjo realmente interessante que raramente se aquieta, mas ao mesmo tempo parece insanamente focado.

Em certos momentos, 'As Time Awaits' se aproxima mais de um som de death metal progressivo complexo do que do death metal puro, e nenhuma das faixas se baseia em vocais guturais extremos, então é improvável que agrade aos puristas ou àqueles que preferem um death metal com uma pegada mais retrô. No entanto, o que o álbum faz, faz com maestria, e o desejo da banda de misturar riffs extremos com um toque (relativamente) melódico cria algo com um som clássico próprio. Para o fã de metal extremo com gostos um pouco mais ecléticos, esta é uma audição curta que provavelmente será considerada tempo muito bem gasto.

Destaque

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