terça-feira, 14 de abril de 2026

Monk's Dream (Columbia Records, 1963), The Thelonious Monk Quartet

 


Em 1963, quando Monk’s Dream chegou às lojas, Thelonious Monk (1917-1982) já não era um nome emergente do jazz, mas tampouco podia ser considerado um artista de massas. Desde os anos 1940, sua figura excêntrica e sua linguagem pianística singular — cheia de dissonâncias, silêncios calculados e ataques abruptos ao teclado — haviam transformado o pianista em uma lenda viva do bebop. No entanto, ao longo de quase duas décadas, sua música ainda era vista como “difícil”, reservada a iniciados. O contrato com a Columbia Records, assinado no início dos anos 1960, mudou esse destino. A gravadora tinha experiência em transformar gênios aparentemente herméticos em artistas de público amplo. Com Monk, o desafio era dar forma a esse “sonho” de reconhecimento. 

Monk’s Dream foi o primeiro disco do pianista para a Columbia. Gravado em outubro e novembro de 1962 e lançado em fevereiro de 1963, trouxe Monk em seu estado mais puro e, paradoxalmente, mais acessível. Não havia concessões: era a mesma escrita angulosa, os mesmos fraseados desconcertantes, as mesmas harmonias que pareciam tropeçar umas nas outras para, no instante seguinte, revelar uma lógica cristalina. Mas havia também a produção caprichada, a distribuição maciça e o selo Columbia estampado na capa. Esse casamento entre ousadia artística e aparato comercial fez de Monk’s Dream o álbum mais vendido de sua carreira. 

Até o final dos anos 1950, Thelonious Monk era respeitado por colegas como Charlie Parker (1920-1955), Dizzy Gillespie (1917-1993) e Bud Powell (1924-1966), mas visto pelo grande público como uma espécie de excêntrico do Village Vanguard. Tocava com chapéus estranhos, levantava-se do piano no meio das músicas para dançar em círculos e tinha fama de recluso. O contrato com a Riverside Records, ainda nos anos 1950, lhe permitiu gravar álbuns fundamentais — como Brilliant Corners (1957), mas não lhe deu projeção ampla. 

Foi apenas em 1961, quando Monk assinou com a Columbia, que a narrativa começou a mudar. O selo sabia trabalhar jazzmen complexos, como já havia feito com Miles Davis (1926-1991) e Dave Brubeck (1920-2012). O lançamento de Monk’s Dream não foi apenas uma estreia em nova casa, mas um marco estratégico: a partir dele, Monk se tornaria capa de revista, convidado de televisão e um nome reconhecível mesmo para quem nunca tinha ouvido um acorde seu. 

O talentoso e execêntrico pianista Thelonious Monk.

O álbum foi gravado no estúdio da Columbia em Nova York com o quarteto clássico de Monk: Charlie Rouse (1924-1988) no saxofone tenor, John Ore (1933-2014) no baixo e Frankie Dunlop (1928-2014) na bateria. Essa formação, estável desde 1959, já era conhecida pela coesão e pela química quase telepática. Rouse, em especial, foi um dos saxofonistas que melhor compreendeu o idioma “monkiano”, equilibrando-se entre a dureza das frases e a maleabilidade melódica. Dunlop, com seu senso rítmico elástico, e Ore, com um baixo de pulsação firme, davam ao pianista a plataforma ideal para suas idas e vindas pelo teclado. 

A escolha do repertório mesclava composições antigas de Monk com standards revisitados. A ideia era apresentar ao público da Columbia uma síntese de seu universo: o compositor original, o intérprete de baladas e o arquiteto de improvisos angulares. 

“Monk’s Dream”, faixa que dá nome ao álbum, abre o trabalho como um enigma: tema singelo, quase infantil, mas cheio de armadilhas. Monk joga acordes como pedras na água, cada impacto espalhando ondas tortas. Charlie Rouse responde com um solo que se alonga como fumaça, enquanto Frankie Dunlop recorta o espaço com pratos secos. O sonho é inquieto, sem repouso. 

Em “Body and Soul”, standard imortalizado por Coleman Hawkins (1904-1969) em 1939, Monk desmonta a música tal qual um pintor cubista numa tela, girando pedaços da melodia em ângulos impossíveis. O lirismo não desaparece, apenas se fragmenta em pausas carregadas de silêncio. Tradição e subversão convivem em tensão permanente. 

Monk demonstra seu apreço pela tradição do jazz de New Orleans em “Bright Mississippi”, mas filtrada por sua lógica particular. O tema é uma reconfiguração de “Sweet Georgia Brown”, clássico do repertório popular. O quarteto avança com energia, adaptando-se à lógica caprichosa do pianista. Rouse se equilibra como trapezista em pleno voo, encontrando sentido no caos. 

Thelonious Monk e o saxofonista Charlie Rouse numa apresentação ao vivo.

“Five Spot Blues” é uma homenagem ao clube Five Spot, em Nova York, onde Monk se apresentou inúmeras vezes no final dos anos 1950. O clima é íntimo, groove marcado por baixo e bateria, e o piano fala como em conversa noturna. Blues sim, mas cheio de desvios irônicos, sempre fora da linha reta. 

“Bolivar Blues” traz humor ácido. O título evoca viagem, mas a música é caricatura sonora, feita de dissonâncias zombeteiras. Rouse corta o espaço com frases secas, enquanto o piano insiste em torcer o blues até arrancar gargalhadas. 

Em “Just a Gigolo”, Monk veste a canção popular de ironia. Trata-se de um standard vienense dos anos 1920, transformado em hit americano e aqui reinventado pelo pianista. A melodia aparece distorcida, cada acorde como piscadela cínica. O resultado é teatro sonoro, mais paródia do que homenagem. 

“Bye-Ya” é uma das composições mais rítmicas de Monk. A faixa traz elementos de música latina em sua cadência. O piano trabalha com batidas repetitivas, quase percussivas, enquanto Dunlop reforça os ares de rumba. O solo de Rouse parece deslizar sobre ondas, e a faixa explode em cores tropicais. 

A faixa “Sweet and Lovely” põe ponto final ao álbum trazendo ternura áspera. Monk cuida da melodia, mas nunca a entrega sem fissuras. Os silêncios pesam tanto quanto as notas, e a balada se torna despedida elegante, desconfiada. Encerramento perfeito para um disco que transforma cada tema em território torto, onde o belo nunca se separa do estranho. 

O baterista Frankie Dunlop reforça ares de rumba da faixa "Bye-Ya".

O lançamento de Monk’s Dream foi acompanhado por uma campanha de divulgação intensa da Columbia. Monk apareceu em programas de televisão, foi capa da revista Time em 1964 — apenas um ano após o disco — e passou a ser reconhecido como um dos grandes inovadores do jazz. O álbum vendeu mais de 100 mil cópias em seu primeiro ano, algo raro para um músico considerado “difícil”. 

A crítica da época, em geral, reconheceu o disco como acessível e vibrante. Alguns críticos mais puristas acusaram a Columbia de “domesticar” Monk, mas essa visão não resistiu ao tempo. Hoje, Monk’s Dream é visto como um dos grandes portais de entrada para sua obra. 

Monk’s Dream não é necessariamente o álbum mais radical de Thelonious Monk, mas é o que melhor equilibra sua linguagem inovadora com a possibilidade de diálogo com o público amplo. Foi o disco que o tirou da condição de cult e o colocou no panteão dos gigantes do jazz para o grande público. 

Ele abriu caminho para outros registros da Columbia, como Criss-Cross (1963) e Underground (1968), e consolidou a formação com Charlie Rouse como a mais longeva e reconhecida de sua carreira. Mais do que isso, marcou a chegada de Monk ao mainstream sem que ele perdesse sua essência. 

Hoje, ao revisitar Monk’s Dream, não estamos apenas ouvindo um álbum de jazz: estamos testemunhando o momento em que um artista radical, por meio de sua integridade absoluta, conseguiu sonhar junto com o mundo.

 

Faixas

Todas as faixas foram escritas por Thelonious Monk , exceto onde indicado.

 

Lado 1

  1. "Monk's Dream"                  
  2. "Body and Soul" (Edward Heyman, Robert Sour, Frank Eyton, Johnny Green)      
  3. "Bright Mississippi"              
  4. "Five Spot Blues"                  

 

Lado 2

  1. "Bolivar Blues"                      
  2. "Just a Gigolo" (Julius Brammer, Irving Caesar, Leonello Casucci) 
  3. "Bye-Ya"                   
  4. "Sweet and Lovely" (Gus Arnheim, Harry Tobias, Jules LeMare)

 

Thelonious Monk Quartet: Thelonious Monk (piano), Charlie Rouse (saxofone tenor), John Ore (baixo) e Frankie Dunlop (bateria).


Oiça na íntegra o álbum Monk's Dream

Al Di Meola Pursuit Of Radical Rhapsody (2011)

 

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Quando os vi em concerto há alguns anos, a banda atual de Di Meola me pareceu estar em um limbo. Acordeão + guitarra elétrica alta? Bateria pesada + sem baixo ou teclados? Era um som e uma combinação estranhos, e senti que o material novo deles se beneficiaria com a adição de alguns músicos e orquestração para dar vida às músicas. "Pursuit of Radical Rhapsody" faz isso... e muito mais.

Eu diria que este é um disco intransigente, inventivo e artístico, que surge após um hiato de cinco anos sem gravações de estúdio de Di Meola. Vou tentar explicar.

Assim como Pat Metheny, Di Meola gravou muitos discos excelentes onde, além de grande habilidade instrumental, a música soa como um disco de pop ou rock em termos de produção. Pode-se chamar de "mainstream" ou "comercial", se quiser. Isso tem um lado positivo e um negativo: o positivo é a grande musicalidade (em um nível superior ao que os artistas de pop/rock conseguem oferecer), o negativo é que a música ou as melodias podem soar um pouco familiares demais ou "ansiosas para agradar", mesmo que evitem a monotonia do chamado "smooth jazz".

Alguns dos melhores discos de Di Meola nos últimos 20 anos foram álbuns da série "World Sinfonia", como este, mas esses discos, embora não fossem "convencionais", tinham um som facilmente reconhecível, ou "familiar", devido à sua forte presença de obras de Astor Piazzolla. Em contraste, não há nenhuma música de Piazzolla neste álbum. Em vez disso, além de duas versões cover, há 13 composições originais, todas elas surpreendendo o ouvinte com reviravoltas na composição, improvisações e orquestrações que não lembram nada além de uma única obra.

Digo isso como alguém que ouviu todos os álbuns de Di Meola e muito mais. Se este disco me lembra de alguma outra gravação, talvez seja "Ultimate Adventure", de Chick Corea, ainda que apenas por sua abordagem livre, imaginativa e aberta, mas acho que "Pursuit of Radical Rhapsody" supera em muito aquele álbum em termos de profundidade composicional e desenvolvimento musical inventivo, sem jamais ser repetitivo. Não há um único momento preguiçoso neste álbum, seja em termos de conteúdo ou estilo.

O álbum foi gravado, mixado e produzido de forma brilhante. Há uma quantidade igual de guitarra elétrica e acústica neste álbum, e é estritamente um som acústico puro de cordas de nylon e um som elétrico limpo (o que me agrada, particularmente, já que Di Meola às vezes depende um pouco demais de efeitos MIDI para o meu gosto). Acho que este álbum representa a crescente maturidade e desenvolvimento de Di Meola como músico em mais de um sentido.

Por um lado, considero este o álbum solo de Di Meola com a sonoridade mais jazzística até hoje, e ainda assim, ele é caracterizado por estilos já consagrados (mesmo que não necessariamente jazzísticos) de Di Meola, como a delicadeza no violão de cordas de nylon (presente desde meados dos anos 80) e as reviravoltas rítmicas, não exatamente "swingadas", envolvendo caixas pesadas e guitarra elétrica de corpo sólido (presentes desde meados dos anos 70). Apenas na faixa 10 aparece uma melodia em compasso 4/4!

A combinação dos três fatores funciona de fato, a tal ponto que este é um disco musicalmente estimulante, desafiador e, ao mesmo tempo, caloroso e ricamente harmônico. Este último ponto merece destaque, pois com todos esses elementos contrastantes, a música poderia ter se tornado cacofônica, o que não acontece, ou tão rígida a ponto de faltarem improvisações jazzísticas, o que também não ocorre.

Em suma, diria que este é o melhor álbum de Di Meola desde 'The Grande Passion', e em termos de conteúdo melódico, supera aquele álbum em pelo menos um aspecto: a sua não dependência de uma única frase musical 'tradicional' e 'familiar' do início ao fim. Se a chave para a genialidade artística é criar algo que nunca nos faça lembrar de nada nem de ninguém, talvez possamos dizer que Di Meola tenha realmente alcançado seu potencial artístico com este álbum, que proporciona uma experiência auditiva muito original.




Al Di Meola Land of the Midnight Sun (1976)

 

Este cara simboliza a perfeita demonstração do ditado "nunca julgue um livro pela capa", porque se você encontrasse o barbudo Al na rua, provavelmente pensaria que ele era um professor de matemática da faculdade local, em vez de um dos melhores guitarristas de jazz rock/fusion de todos os tempos. Talvez se ele se parecesse mais com John Petrucci, seria um ícone mais reconhecido, mas isso não vem ao caso. Aqueles de nós que ouviram e se maravilharam com sua performance nos vários LPs do Return to Forever no início dos anos 70 sabiam que ele era um músico supertalentoso que parecia não ter limites para o que podia fazer, então, quando lançou seu primeiro álbum solo em 1976, a maioria de nós esperava ficar completamente impressionada. Acontece que ele ainda não tinha encontrado seu estilo, mas para um trabalho de estreia, "Land of the Midnight Sun" foi mais do que satisfatório, para dizer o mínimo.

Cercar-se de músicos de primeira linha certamente ajuda, e a faixa de abertura de Mingo Lewis, "The Wizard", não perde tempo em impor um ritmo frenético, com Mingo detonando as congas como um raio e ninguém menos que o fabuloso Steve Gadd arrasando na bateria. Lewis também contribui com um ótimo trabalho nos teclados. É uma das faixas mais melódicas do álbum e dá a Al ampla oportunidade para mostrar que ele domina a guitarra como ninguém. Esse cara é RÁPIDO! A música funciona bem como uma introdução para prender a atenção do ouvinte, com certeza. A faixa de nove minutos "Land of the Midnight Sun" tem a sonoridade familiar de Return to Forever, em grande parte devido à participação de Lenny White na bateria. Como todas as excelentes músicas de rock com influência de jazz, essa faixa apresenta mudanças de humor constantes, com passagens suaves deslizando entre os segmentos mais agitados. Al demonstra sua técnica ágil de abafamento de cordas com perfeição em sua primeira passagem, e em seguida acelera o ritmo para entregar um solo feroz e estridente que lembra o estilo agressivo de John McLaughlin em sua segunda passagem. No geral, é uma peça musical altamente intrincada e complexa, muito impressionante.

Em seguida, vem uma mudança de ritmo de 180 graus, com DiMeola interpretando a "Sarabanda da Sonata para Violino em Si Menor" de Bach no violão. É uma maneira breve, porém eficaz, de demonstrar sua ampla versatilidade. "Love Theme from 'Pictures of the Sea'" é outra composição curta onde ele revela seu lado mais calmo e sensível. Além de Stanley Clarke no baixo, Mingo Lewis na percussão e o vocal de apoio etéreo de Patty Buyukas, tudo é obra de Al, desde as múltiplas guitarras aos sintetizadores, passando pelo vocal principal e até mesmo os sinos. Infelizmente, é também a faixa mais fraca do álbum, então o fato de ter menos de dois minutos e meio de duração é um de seus pontos fortes.

“Suite – Golden Dawn” está mais de acordo com o que esperávamos ouvir, pelo qual pagamos com tanto esforço. A batida contagiante e os riffs complexos de “Morning Fire”, juntamente com os toques mais leves de “Calmer of the Tempests”, rapidamente te levam ao groove selvagem e incrivelmente funky de “From Ocean to the Clouds”, onde a interação inteligente entre Al e o baixista extraordinário Jaco Pastorius vai te deixar de queixo caído. Segue-se uma jam session eletrizante com DiMeola trocando solos com o tecladista Barry Miles, mas é bem óbvio que este último não tem a menor chance de acompanhar a velocidade vertiginosa dos solos de Al. Quando eles passam para uma seção onde Barry tem a oportunidade de solar sozinho em seu Mini-Moog, ele se sai muito melhor. Depois de mais alguns solos com as cordas abafadas, Al abre o som da sua guitarra e manda um solo arrasador, simplesmente incrível. Esse cara está pegando fogo! Uma nota grave e monótona do sintetizador surge e serve como uma transição graciosa daquela fúria para a requintada "Short Tales of the Black Forest", onde DiMeola no violão e Chick Corea no piano executam um dueto cintilante. É uma peça de arte inspirada e fluida que cresce e cresce até um belo clímax. A única maneira de descrevê-la é dizendo que são dois virtuosos excepcionais falando a mesma linguagem cósmica que só pode ser traduzida como música magnífica. Al guardou o melhor para o final.

Embora o álbum apresente alguns pequenos deslizes, é importante lembrar que este foi o primeiro trabalho de DiMeola e representou uma experiência de aprendizado em vários sentidos. Se você aprecia os solos de guitarra pelos quais ele é famoso, encontrará aqui muito o que absorver com prazer.




Esvedra - Proyecto Siddhartha (2013)

 

Redescobrimos o álbum de uma banda peruana que discutiremos com mais detalhes nos próximos dias. É o álbum de estreia do Esvedra, que, assim como o Yes e muitos outros, busca retratar musicalmente o conceito do renomado romance de Hermann Hesse, "Siddhartha". Uma obra repleta de sutilezas, que reflete uma busca constante pela perfeição e experimentação, resultando em uma pequena joia do rock progressivo latino-americano. Este trio vem criando trabalhos verdadeiramente fascinantes, que discutiremos e descreveremos nos próximos dias. Por enquanto, você pode apreciar esta pequena obra-prima, disponível gratuitamente na página deles no Bandcamp.


Artista: Esvedra
Álbum: Proyecto Siddhartha
Ano: 2013
Gênero: Rock Progressivo
Duração: 26:20
Nacionalidade: Peru



E partimos para o Peru para apresentar a vocês o primeiro trabalho desta banda, uma adaptação conceitual da obra literária "Siddhartha", de Hermann Hesse, que inspirou trabalhos como "Close to the Edge", do Yes , e existe até uma banda (acho que alemã, se não me falha a memória) com o mesmo nome do grupo.
E já que estamos falando sobre a relação entre literatura e rock progressivo, podemos ler em Manticornio:

Uma das características do rock progressivo que considero muito importante é a influência de outras artes, particularmente a literatura, na composição de muitas de suas maiores obras. Há inúmeros exemplos que demonstram a estreita relação entre a literatura e o rock progressivo como fonte de inspiração. Em outro texto (Os Primórdios do Movimento do Rock Progressivo), já discutimos as origens socioeconômicas do rock progressivo, o que nos ajuda a explicar essa relação entre música e literatura. Nesta seção, apresentaremos comentários sobre alguns exemplos bastante claros.
Em relação ao autor do livro, refiro-me a Hesse. Suas obras literárias serviram de inspiração para inúmeras coisas, como a canção "Journey from Mariabronn", do álbum homônimo da banda Kansas , inspirada em "Narciso e Goldmund", ou o conceito geral de "Infância Deslocada", já que Fish se inspirou na psicologia alucinatória dos protagonistas de "Demian".
Sobre a relação entre as obras de Hesse e sua inspiração para o rock progressivo, podemos ler em Manticornio:
Durante a Primeira Guerra Mundial, Hesse, um pacifista, mudou-se para a Suíça. O desespero e a desilusão provocados pela guerra e por uma série de infortúnios pessoais, juntamente com sua busca por uma espiritualidade universal que lhe proporcionasse respostas satisfatórias às questões da existência humana, tornaram-se o tema central de seus romances posteriores. A partir de então, seus romances tornaram-se cada vez mais simbólicos e aproximaram-se da psicanálise. Por exemplo, "Viagem ao Oriente" (1932) examina as qualidades místicas da experiência humana. "Siddhartha" (1922) reflete seu interesse pelo misticismo oriental, resultado de uma viagem à Índia. Esta novela, que evoca liricamente a relação entre um pai e um filho, é baseada na vida do jovem Buda e foi a principal fonte de inspiração, juntamente com "Viagem ao Oriente", para "Close to the Edge", de Jon Anderson. Por exemplo, os versos cantados no coro dizem "Perto da margem, junto ao rio", seguidos por "as estações passarão, eu me levanto, eu desço". Essas palavras se referem ao rio que, no romance de Hesse, desempenha um papel importante na educação espiritual de Siddhartha. É evidente que os sons dos pássaros e da água corrente ouvidos no início e no fim da suíte são a imagem sonora desse rio, mais especificamente, de sua margem. A novela exerce uma influência ainda maior sobre "Perto da Margem", mas uma análise detalhada está além do escopo deste espaço (além disso, diversas análises já estão disponíveis online).
Martín Hernández

E como se tudo isso não bastasse, agora chegam esses caras do Peru para dar continuidade à saga. Vamos lá...


Esvedra compôs um álbum com canções que nos levam a uma jornada de reflexão e autodescoberta. Trata-se de uma proposta baseada no rock progressivo puro. O álbum, composto por oito faixas, é bastante curto, com menos de meia hora de rock instrumental puro, porém extremamente rico... ouça a faixa no vídeo para ter uma ideia...
A busca constante pela perfeição e a experimentação em diversos estilos musicais não comerciais os conduziram por infinitos universos musicais, e essa é uma das razões por trás da criação de "Proyecto Experimental Siddhartha" (o primeiro álbum da banda, produzido pela Sonidos Latentes). Este projeto intimista apresentou uma adaptação conceitual baseada em Siddhartha, de Hermann Hesse, obra literária que narra a história de um hindu em busca de sabedoria.
Assim, neste álbum, o grupo, que se inspira na literatura mundial, nos leva a uma jornada maravilhosa através das palavras do livro. É por isso que eles criam uma fusão mágica de história e literatura musicada, resultando em mais uma obra altamente recomendada que temos o prazer de compartilhar com vocês, disponível para download gratuito no Bandcamp.
E agora, o comentário perspicaz e envolvente do nosso colunista sempre presente, ainda que involuntário:
Hoje, vamos falar sobre a banda peruana ESVEDRA, da cidade de Huancayo. Huancayo, nos arredores de Lima, a capital peruana, é um dos mais vibrantes polos do rock no país, e o ESVEDRA representa uma iniciativa progressiva que merece atenção. O grupo é um power trio formado pelo guitarrista Gonzalo Escobar, o baixista Édgar Gutiérrez Mayta e o baterista/percussionista Luis Ángel Sarapura Carrillo. Psicodelia, metal e hard rock tradicional são os três ingredientes essenciais que o grupo combina para criar seu som progressivo único. Sem dúvida, eles foram uma das revelações mais agradáveis ​​da vanguarda peruana em 2013, e essa revelação se manifesta concretamente em seu curto álbum conceitual, "Proyecto Siddhartha", inspirado no romance "Siddhartha", de Hermann Hesse.
Com quase três minutos de duração, "El Halcón" abre o álbum com uma demonstração de vitalidade ácida e sofisticada que transita com fluidez tanto pelas passagens cruas quanto pelos temas subjacentes. Após essa reveladora introdução, a sucessão de "El Camino" e "La Orbe" desenvolve uma transição de uma exploração onírica de paisagens exóticas para uma atitude de olhar atento para um firmamento luminoso, uma transição que oscila gradualmente entre a introversão e a expressividade inquieta. "Kamala" inclina-se para uma melancolia contemplativa em uma veia blues-rock que remete aos clássicos de Jeff Beck e Led Zeppelin, mantendo sempre um ar de sutileza no núcleo melódico da peça.
Nenhum contraste nos aguarda quando "El Humano" entra em cena, já que essa faixa assume o controle, dando ao clima contemplativo um toque etéreo: mais uma vez, o conjunto faz bom uso da sutileza na criação dessa peça em particular. 'Karma' recaptura a aura exótica que anteriormente definia a estrutura de 'El Camino', desta vez expandindo-a através de elementos de prog-metal que se concentram em nuances em vez de pirotecnia. 'El Río', por sua vez, nos leva de volta à vibração contemplativa presente em algumas faixas anteriores, desta vez sob a influência do Pink Floyd, ou seja, com um ar de languidez cósmica que remete ao paradigma de 'Echoes' (e todos os outros inspirados por este ponto de referência essencial da cena do rock progressivo old-school). O álbum encerra com 'Redención', uma breve reprise do riff central de 'El Halcón'.
Tudo isso foi "Proyecto Siddhartha", uma excelente apresentação de uma cena do rock peruano localizada fora da capital: Esvedra se revela como uma banda que vale a pena acompanhar.
César Inca


Gostei muito deste álbum; é uma excelente demonstração de vitalidade e criatividade musical, e não tenho outra opção senão recomendá-lo de todo o coração. É uma pequena (devido à sua duração) joia de puro rock progressivo e narrativa magistral, combinadas numa obra verdadeiramente notável.
 
Você pode ouvir e baixar o álbum na página deles no Bandcamp...
https://esvedra.bandcamp.com/album/proyecto-experimental-siddhartha

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Lista de faixas:
1. El halcón
2. El camino (Meditación samana)
3. La orbe
4. Kamala
5. El humano
6. Karma
7. El rio
8. Redención

Formação:
- Luis Sarapura / bateria
- Edgar Gutiérrez / baixo
- Gonzalo Escobar / guitarra e sintetizador





Edensong - The Fruit Fallen (2008)

 

Vamos revisitar o álbum de estreia de uma banda que eu realmente gosto e que considero subestimada, em nossa seção dedicada a álbuns menos conhecidos, mas altamente recomendados. Este será o ponto de partida para explorar toda a discografia da banda. Seu estilo é uma rara mistura de prog sinfônico e folk-pastoral-metal; é como se o Jethro Tull tivesse se modernizado e começado a ouvir Dream Theater, onde a flauta não é apenas um enfeite; ela assume o protagonismo em muitos momentos. Junto com o violoncelo e os violinos, ela confere aquele toque "pastoral" que contrasta com as guitarras pesadas. Dentro dessa visão musical única, este é um tesouro que pavimentou o caminho para o que viria a seguir, onde a música transporta você para uma floresta medieval, mas com uma produção do século XXI. Ideal para quem sente falta da era de ouro do Kansas ou do Gentle Giant, mas com um som mais atual e "afiado", consegue ser muito complexo sem ser tecnicamente tedioso. Se você curte a mistura de flautas, guitarras distorcidas e arranjos orquestrais, este álbum é imperdível.

Artista: Edensong
Álbum: The Fruit Fallen
Ano: 2008
Gênero: Progressivo Eclético / Heavy Prog
Duração: 75:05
Nacionalidade: EUA



Vamos falar sobre um álbum peculiar. E digo "peculiar" porque ninguém parece concordar: é horrível ou genial? Se você der uma olhada nos comentários online, verá que são todos contraditórios e variados. Afinal, opiniões são como traseiros: todo mundo tem um... mas será que os traseiros são realmente tão diferentes uns dos outros? E... todos servem ao mesmo propósito, mas alguns são gordos e outros magros, alguns planos, outros redondos, alguns carnudos, outros com celulite, e por aí vai. E sim, os comentários sobre este álbum estão seguindo o mesmo caminho. Droga, quer dizer, minha resenha deste álbum está ficando péssima.
Mas vamos começar do começo, ou melhor, vamos tentar escrever uma resenha que agrade mais ou menos a todos e que seja representativa deste álbum, se eu conseguir.
Vamos começar com a história da banda:
Edensong é uma banda americana fundada no outono de 2002 por James Byron Schoen (guitarra e vocal) e Matt Cozin (bateria) na Universidade Wesleyan, em Connecticut. Após se conhecerem, recrutaram o guitarrista Ben Wigler, com quem James Schoen havia tocado na banda Echoes of Eden. Outros músicos se juntaram à banda, incluindo Ian Carbone (baixo), Aurora Maoz (flauta) e Asa Sourdiffe (violino e teclados). Os dois últimos foram posteriormente substituídos por Rachel Kiel (flauta) e Mike Drucker (violino). Após uma turnê que serviu principalmente para aumentar sua visibilidade, a banda começou a trabalhar no material que eventualmente se tornaria seu álbum de estreia, "The Fallen Fruit". Durante a gravação deste álbum, Arthur Sugen se juntou à banda no piano e órgão, e Ian Carbone foi substituído por TD Torres no baixo.
Em 2005 e 2006, a banda realizou uma extensa agenda de shows ao vivo para uma base de fãs crescente, mas na primavera de 2006, o estresse das turnês levou ao fim completo da banda.
James Byron Schoen se viu sozinho e se concentrou no lançamento do álbum. Para isso, todo o material gravado enquanto a banda ainda estava junta foi mixado e remixado. Em outubro de 2007, "The Fallen Fruit" foi masterizado por Bob Katz e o projeto foi lançado em 2008. Após o lançamento, James começou a trabalhar na formação de uma nova banda para fazer turnês com o material e promover o álbum. Recentemente, ele lançou um novo material chamado "Echoes of Edensong", sobre o qual ainda não temos muitas informações. O que podemos dizer é que o primeiro trabalho é interessante e, quanto à música do Edensong, é uma mistura de rock progressivo pesado e sinfônico com alguns elementos de folk progressivo.
Excalibur


Edensong
 desenvolveu um estilo que evoca uma infinidade de adjetivos: essa mistura de elementos estranhos, orquestrais, acústicos, acessíveis, góticos e impactantes é como se o álbum tivesse sido criado pela combinação de ritmos cativantes. Na verdade, foi exatamente isso que fizeram.
Para começar, é importante destacar que a banda possui influências claras dos clássicos do rock progressivo dos anos 70, mas as mescla com sons mais modernos e até mesmo com elementos de metal progressivo, resultando em um álbum repleto de atmosferas mutáveis, elementos de rock sinfônico, inúmeras flautas e violinos entrelaçados com órgãos e teclados em diversas faixas acústicas, seguidas por momentos mais intensos e pesados, uma seção rítmica poderosa e um estilo de guitarra preciso, tornando-o particularmente eclético e atemporal. Há instrumentação variada, texturas vocais e instrumentais equilibradas e intensas, além de proficiência técnica.
E devo dizer que, quando o álbum começa, eu o considero incrivelmente bom. As primeiras músicas são fantásticas, e o álbum vale a pena ser ouvido só pelas faixas de abertura. No entanto, à medida que o álbum avança, a qualidade declina e encontramos seções repetitivas que poderiam facilmente ter sido omitidas deste extenso disco, o que teria melhorado drasticamente sua qualidade geral.
De modo geral, o álbum apresenta uma alta concentração de diferentes elementos progressivos, do início ao fim, tornando difícil para qualquer fã do gênero resistir. As composições são repletas de instrumentos elétricos e acústicos, combinando sons pesados ​​e suaves, mas sempre conduzidas pelo elemento melódico como protagonista.

Assim, ao longo do álbum, encontramos elementos que remetem a bandas tão diversas quanto Pain of Salvation, Genesis, Jethro Tull, Rush, Yes, Pink Floyd, Tool e Coheed and Cambria — tudo com uma forte influência do rock progressivo escandinavo, além de alguns elementos pop e bucólicos para completar esta interessante obra.
 



Para concluir minha análise do álbum, trata-se de uma obra original e complexa, com um bom equilíbrio entre seus diferentes elementos, demonstrando um verdadeiro refinamento na composição: uma tapeçaria complexa de canções executadas com paixão.

"The Fallen Fruit" resgata as joias do passado e as recria com uma sonoridade rica e inovadora. Alguns podem gostar, outros não, mas não posso deixar de aplaudir a coragem de empreender algo assim, já que esse "risco" é uma das coisas que mais amo nas bandas de rock progressivo, quase o único estilo musical que abraça tal compromisso com a aventura como parte essencial de sua essência. E esses caras realizaram um projeto muito arriscado, caminhando na corda bamba, independentemente de você gostar ou não do resultado, e só por isso já merecem uma salva de palmas. De qualquer forma, é um exercício musical mais do que interessante, com momentos excelentes e um resultado geral mais do que satisfatório. Ouça e tire suas próprias conclusões.
 

Você pode comparar e/ou ouvir o álbum completo aqui: edensong.bandcamp.com/album/the-fruit-fallen

edensongtheband.com
 

Lista de faixas:
1) Water Run
2) The Baptism
3) Reflection
4) The Prayer
5) Nocturne
6) The Sixth Day
7) One Breath To Breathe
8) The Reunion


Formação:
- Matt Cozin / bateria
- TD Towers / baixo
- Michael Drucker / violino
- Eve Harrison / flauta (1, 2, 4, 6)
- Rachel Kiel / flauta (3, 5, 7, 8)
- Arthur Sugden / piano, órgão
Contribuições adicionais:
Ben Wigler / guitarra elétrica (2, 4, 5, 6, 8)
Kerry Prep / piano, órgão (1, 4)
Sam Baltimore / violoncelo (2, 4)
Joe Swain / violino (1, 4)
Anthony Waldman / bateria (5), percussão (2)
Ben Doleac / vocais de apoio (3, 6)
Azalea Birch / tabla (3)
Hannah Goodwin-Brown / violoncelo (7)
Joaquin Cotler / percussão africana (2)
Neely Bruce / órgão de igreja (2)
Steve Devita / percussão (2)
Adam Bernier / programação de sintetizador










Astroverse Dimensions - Beta Shell (2025)

 

Uma viagem de skate pela Via Láctea. Começamos a semana viajando até a Alemanha para apresentar um dos melhores álbuns do ano passado. Este é o segundo álbum completo de uma dupla verdadeiramente especial, que cria mundos sonoros que misturam imensidão cósmica com precisão técnica, fundindo o calor analógico com uma arquitetura sonora futurista: um universo musical em constante expansão que gerou bastante repercussão entre aqueles que o ouviram (inclusive eu). Então... coloque seu capacete, aperte o cinto e prepare-se para flutuar em alta velocidade! Porque esta é uma viagem só de ida em uma nave espacial equipada com sintetizadores e guitarras do futuro. Astroverse Dimensions representa uma interpretação moderna do rock progressivo, inspirada pelos pioneiros do gênero, mas firmemente focada no futuro. Instrumentação virtuosa, estruturas complexas de canções e paisagens sonoras cinematográficas se unem à produção precisa e à profundidade conceitual, tudo isso se combinando para criar um excelente álbum que vai impressionar muitos amantes da música. Isso automaticamente o torna um dos nossos álbuns menos conhecidos, mas altamente recomendados, e estamos começando a semana com ótima música!

Artista:  Astroverse Dimensions
Álbum:  Beta Shell 
Ano:  2025
Gênero: Heavy Prog
Duração: 41:48
Referência:  Progarchives
Nacionalidade:  Alemanha



Os nomes da banda e do álbum não são brincadeira. Eles realmente evocam "dimensões do universo astronômico" e uma espécie de "invólucro tecnológico" (o famoso Beta Shell). É música instrumental de alta qualidade, mas com muito groove. Como multi-instrumentista, compositor e produtor, Alexander Merl estabelece as bases para o Astroverse Dimensions. Sua versatilidade na bateria, baixo e guitarra, combinada com seu apurado senso de produção equilibrada, confere profundidade e energia dinâmica às composições. Christian Schnarr, nos teclados e sintetizadores, contribui com as camadas atmosféricas que tornam o som da banda verdadeiramente singular: etéreo, complexo e profundamente emotivo.

É como se o velho e adorado Vangelis tivesse tomado uns cafés turbinados com os caras do Dream Theater . Os teclados criam atmosferas espaciais incríveis, mas não daquele tipo chato que dá vontade de tirar uma soneca; pelo contrário, são envolventes e épicos, fazendo você se sentir o protagonista de um filme de ficção científica. Mas, ao contrário de outros projetos de "space rock" meio mornos, as guitarras aqui são afiadas como navalha, e quando aqueles riffs pesados ​​entram, te trazem de volta à realidade com um baque. Elas vão de passagens super limpas e melódicas a distorções que te farão bater cabeça mesmo se você estiver flutuando em gravidade zero. Por outro lado, a seção rítmica é o que impede que tudo se torne um delírio incompreensível. É precisa e pulsante. As mudanças de andamento são frequentes, mas fluem tão bem que não te deixam tonto.

Em suma, um álbum perfeito para amantes do som moderno com alma dos anos 70. É complexo, sim, mas funciona de verdade. Mas vou parar de explicar e vocês devem ouvir por si mesmos...



"Beta Shell" é um álbum fantástico, perfeito para começar a semana no blog, especialmente para quem procura texturas espaciais combinadas com a potência do metal progressivo e do space rock moderno. É uma música que oxigena o cérebro no vazio do espaço. Incrível...

Você pode ouvir a música na página deles no Bandcamp:
https://astroversedimensions.bandcamp.com/album/beta-shell


Lista de faixas do site oficial
: 1. Dying Cosmos (8:09)
2. Passage (5:36)
3. Liquid Glass (4:57)
4. New Cycle Chapter 1 A Flicker of Will (9:00)
5. New Cycle Chapter 2 Metamorphosis (5:34)
6. New Cycle Chapter 3 Ghost of Gravity (8:32) 

Formação:
- Alexander Merl / bateria, baixo, guitarras, vocais
- Christian Schnarr / órgão, theremin, sintetizador, teclados, vocais


FANTASIA ● Fantasia ● 1975

 

Artista: FANTASIA
Paíse: Finlândia
Gênero: Eclectic Prog
Álbum: Fantasia
Ano: 1975
Gravadora: Hi-Hat
Duração: 34:50

Músicos:
● Roul Helantie: teclados, violinos e guitarras
● Hannu Lindblom: guitarras e vocais
● Harri Piha: baixo
● Karl-Erik Rönngård: bateria e percussão

FANTASIA foi formada em 1972, com o nome de “ST. MARCUS” e tocava Blues Rock. Com o passar do tempo a banda foi se tornando mais experimental, trocou seu nome para FANTASIA e, influenciada por GENESISKING CRIMSONCAMELYES e MAHAVISHNU ORCHESTRA, passou a tocar um refinado e eclético Rock Progressivo, conseguindo relativo sucesso nos anos 70 em seu país. Inicialmente a banda era formada por Jukka “Juki” Halttunen (guitarra), Markku Lönngren (baixo), Paavo Osola (teclados) e Karl-Erik Rönngård (bateria). No final de 1973, o line-up da banda definiu-se com Roul Helantie (teclados, violino e guitarra) Hannu Lindblom (guitarra e vocais), Harri Piha (baixo) e Karl-Erik Rönngård (bateria). A banda conquistou o campeonato nacional de Rock da Finlândia de 1974, (Kulttuuritalo, Helsinque), e por consequência, publicidade, muitos shows e inclusive a assinatura de um contrato com a "Hi-Hat Records", uma nova gravadora criada pelo selo "Finnlevy", que foi uma das poucas gravadoras de grande porte que dominaram a indústria fonográfica finlandesa na época, como tentativa de abocanhar um pedaço do jovem mercado da música Progressiva dominado pela "Love Records".

O álbum homônimo “Fantasia” saiu no final de 1975, produzido pelo baterista do WIGWAM, Ronnie Österberg, e Mikael Wiik. Foi gravado no estúdio "Finnlevy" e incluídos músicos adicionais, Mikael Wiik, que interpretou o solo de guitarra em “Depressio”, e o saxofonista Pekka Pöyry, do TASAVALLAN PRESIDENTTTI. A revista da University of Turku descreveu o álbum como: “Uma abordagem honesta e idiomática, o disco deseja criar impressões, aumentar a consciência social e fazer as pessoas ouvirem e desenvolverem as suas relações com a música”. O álbum "Fantasia", é hoje um item de colecionador, muitas vezes valorizado em centenas de euros.

disco traz influências do som jazzístico do WIGWAM, sem dúvida, mas é mais na veia de Classic Prog em termos de estruturas. Na verdade, é um Prog Rock suave, arranjos detalhados e várias fontes de inspirações com os elementos jazzísticos dominando a música, mas também há espaço para texturas psicodélicas. Fusão de partes e até alguns teclados sinfônicos leves no processo. As influências variadas levaram a um fundo instrumental profundo, que incluiu órgão, sax, sintetizadores e piano elétrico, eventualmente criando músicas com muitas variações e diversos ambientes. Principalmente instrumental, este explora o lado mais suave do Rock Progressivo com uma seção rítmica impressionante, girando em torno de padrões jazzísticos e batidas mais groovy e psicodélicas, rodeado pelas cuidadosas execuções de guitarra de Hannu Lindblom, em algum lugar entre Pekka Rechardt e Jan Akkerman, e os belos movimentos de teclado de Roul Helantie, caracterizado por sintetizadores atmosféricos, orgão suave, piano elétrico jazzístico e mais Fusion e flashes intrincados. A atmosfera é bem onírica, ficando ainda mais etérea com o uso de sax e violino em algumas faixas, e os arranjos são sempre agradáveis ​​e impecável, embora menos enérgico do que o esperado. Vendeu cerca de 2.000 cópias, o que não era o número esperado pela administração da gravadora "Hi-Hat". Assim o FANTASIA nunca realizou um segundo álbum. Eles ainda fizeram turnê na União Soviética em 1976, mas mudanças nos estilos e formações levaram a resultados musicais infrutíferos e eles se separaram em 1979, dando à luz novamente a ST. MARCUS BLUESBAND e seu som Blues mais sólido e acessível.

Faixas:
01. Pilvien Takaa (4:27)
02. Unikuva (3:38)
03. Huutokauppa (2:54)
04. Suihkuliidolla (3:49)
05. Hautausmaani Rannoilla (3:08)
06. Tulen Pisara (5:52)
07. Agressio (2:41)
08. Härmä Jazz (1:30)
09. Depressio (6:51) 



FAR EAST FAMILY BAND ● The Cave Down To The Earth ● 1975

 

Artista: FAR EAST FAMILY BAND
Paíse: Japão
Gênero: Space Prog
Álbum: The Cave Down To The Earth
Ano: 1975
Gravadora: Mu Land Records
Duração: 53:42

Músicos:
● Hirohito Fukushima: vocal, guitarra
● Fumio Miyashita: guitarra, teclados
● Akira Ito: teclados
● Masanori Takahashi (Kitaro): teclados, percussão
● Akira Fukakusa: baixo
● Shizuo Takasaki: bateria

Com:
● Mitsuo Miyamoto: arranjos de cordas

Sob o nome de FAR OUTo guitarrista e tecladista Fumio Miyashita junto à outros músicos lançou um único disco em 1973 chamado "Nihonjin". Após o lançamento desse trabalho, Fumio criou um novo projeto que teria agora o nome de FAR EAST FAMILY BAND que contaria com o tecladista e compositor, Kitaro, que no futuro foi um grande nome do gênero New Age. A sonoridade da banda tem predominância no uso de teclados, flertando muito com os gêneros Space Rock e Ambient Rock, com longas composições e sendo comparados à TANGERINE DREAM e PINK FLOYD do início de carreira.

O álbum de estréia da FEFB pode ser facilmente considerado o segundo álbum do FAR OUT, já que o grupo utilizou praticamente a mesma fórmula. Aqui, o sexteto, dois guitarristas e dois tecladistas (entre os quais as futuras superestrelas New Age Kitaro e Akira Ito), desenvolveram um Space Rock muito interessante e por  vezes empolgante, que teve a inteligência de não exagerar.

Esse primeiro álbum é conceitual, já que "The Cave" está chegando ao nosso planeta, e o grupo geralmente celebra as belezas da natureza. Obviamente fortemente influenciado pelo FLOYD (da era "Atom Heart Mother" à "Dark Side of the Moon"), o grupo estabelece alguns ambientes muito críveis que até o FLOYD poderia ter conseguido. Claro, as semelhanças não são acidentais, porque as guitarras muitas vezes soam como as de Gilmour, enquanto alguns teclados poderiam facilmente ter sido de Richard Wright. O álbum desliza suavemente, mas não despercebido, porque são momentos suficientemente deliciosos para fazer você perdoá-los por suas influências óbvias. "Transmigration" de 11 minutos mostra mais harmonias vocais de MOODY BLUES sobre uma paisagem sonora de PINK FLOYD, tudo sublinhado por um Mellotron e terminando com o choro de um recém-nascido antes de recomeçar.

O lançamento de "The Cave Down To The Earth" vai chamar a atenção de Klaus Schulze que irá colaborar com a FEFB em seu próximo álbum (uma releitura dos destaques dos dois primeiros álbuns para o mercado europeu) "Nipponjin" e novamente para "Parallel World". Nesse ínterim, esse álbum costuma ser esquecido, mas merece totalmente a atenção do proghead, tanto quanto o lançamento do FAR OUT..

NOTA: o lançamento pela TRC Records, possui uma arte rearranjada pegando apenas partes do pôr do sol da capa original do LP, que quase evita nomear a banda, exceto por um pequeno logotipo quase invisível no o canto inferior esquerdo.

Faixas:
01. Undiscovered Northern Land (2:53)
02. Birds Flying To The Cave (4:33)
03. The God Of Water (1:53)
04. Saying To The Land (8:22)
05. The God Of Wind (2:21)
06. Moving, Looking, Trying, Jumping (1:40)
07. Wa, Wa (0:48)
08. Mystery Of Northern Space (5:56)
09. The Cave, Down To The Earth (8:18)
10. Four Minds (5:55)
11. Transmigration (11:03)



FERMÁTA ● Fermáta ● 1975

 

Artista: FERMÁTA
País: Eslováquia
Gêneros: Jazz-Rock, Fusion
Álbum: Frmáta
Ano: 1975
Duração: 39:29

Músicos:
● Frantisek Griglák: Guitarra
● Tomás Berka: Piano elétrico, órgão, sintetizador
● Anton Jaro: Baixo, percussão
● Peter Szapu: Bateria, percussão

Esse álbum de estreia do FERMÁTA pode ser considerado uma obra-prima por si só, mas para Frantisek Griglak, esta não foi uma estreia, já que ele passou pelo COLLEGIUM MUSICUM de Brastislava e, antes disso, pelo PRUDY. O FERMÁTA é definitivamente o veículo para Griglak e o tecladista Tomas Berka, mas, sem dúvida, a seção rítmica nunca fica atrás, já que o baixista Anton Jaro e o baterista Peter Szapu também são excelentes.

O quarteto toca um Jazz-Rock impecável que pode ser comparado à MAHAVISHNU ORCHESTRA ou o espanhol ICEBERG. A faixa de abertura, "Romanian Rhapsody", é uma composição típica do FERMÁTA, que pode resumir a maioria das características do grupo, mas, por outro lado, quase o mesmo pode ser dito de todas as faixas deste álbum. Neste primeiro álbum, é difícil dizer qual líder compõe qual faixa, pois a composição é consistente e muito uniforme. Embora não seja exatamente inovador, é uma agradável surpresa descobrir que Música Progressiva tão excelente não só existiu (o que era de se esperar) do outro lado da Cortina de Ferro durante a Guerra Fria, mas também foi razoavelmente bem produzida e gravada.

Faixas:
01. Rumunská rapsódia (Roumanian Rhapsody) (5:52)
02. Perpetuum II (10:27)
03. Postavím si vodu na čaj (I'll Put The Kettle On) (4:20)
04. Valčík pre krstnú mamu (Waltz For Godmother) (7:03)
05. Perpetuum III (11:47)

Destaque

The Chambers Brothers - A New Time-A New Day (1968)

  A side A1.  I Can't Turn You Loose  ( Otis Redding ) A2.  Guess Who  ( Jesse Belvin, JoAnn Belvin ) A3. Do Your Thing ( Brian Keenan ,...