segunda-feira, 30 de março de 2026

Resenha de cd: Bob Dylan - Tempest (2012)

 



Quando um cara chega na casa do sessenta anos todo mundo se pergunta ou pergunta será que não está na hora de se aposentar curtir o netos, já está cheio de grana e portanto não é mais necessário trabalhar. No meio de todos esses pensamentos absurdos ninguém se questiona e o amor pela música e a vontade continuar já que tudo conspira a favor e permite o cara a prosseguir na sua carreira. Bob Dylan é um cara único dentro do cenário e cultuado pelo músico e pela pessoa que é. 



O cara viveu intensamente os anos 60 e 70, no engajamento pelos direitos civis, contra a guerra do vietnã suas inúmeras músicas de protesto sobrevivem até hoje porque embora os tempos sejam outros os anseios e os desejos das pessoas ainda são aqueles, mas com pessoas e nomes diferentes. Isso somente isso pode explicar a relevância dele na música e assim como os Beatles e os Rolling Stones ele também pode ser considerado um dos grandes responsáveis pela mudança de paradigma da juventude e sim ele é um contestador. E para aqueles que pensam da forma como descrevi no começo deste pequeno e breve texto e hoje onde estão os contestadores, a modernidade não cumpriu o que prometeu e as sucessivas revoluções industriais deixaram e ainda deixam um grande rastro de miséria por onde passaram. 

Embora o tema aqui não seja política e nem história é inevitável não entrar nestes terrenos por vezes espinhosos e olhando para Bob Dylan que é um cara histórico e também político é um dever tanger mesmo que de forma efêmera essas duas disciplinas. Mudando de assunto e voltando ao que de fato interessa ao longo dos anos da carreira o cara acumulou uma série de discos memoráveis, mas em contra partida contratou-se com momentos de baixa com álbuns que não foram bem vistos pelos fãs e etc..

Acontece que o Dylan já está na terceira idade e já está na casa dos 70 anos, e em 2012 o cara surpreendeu ao anunciar de uma hora para outra um novo álbum, eu sinceramente nem esperava que isso fosse possível, mas assim como muitos quebrei a cara, ainda bem! Em 2006 o cara soltou um dos melhores álbuns de sua carreira Moderm Times e o blues e o folk suas marcas registradas estavam lá como sempre para ressoar profundamente na cabeça de nós ouvintes. 

   
Pelo menos da minha parte a expectativa em torno deste lançamento sempre foi muito grande, aliás fã é sempre fã em qualquer ocasião. Quando chegou o dia 10 de setembro, eu já fiquei em polvorosa e como sei que no Brasil os álbuns demoram mais para sair dessa vez eu preferi não recorrer a internet e esperei chegar o original e para a minha infelicidade as minhas condições financeiras não permitiram o adquirir logo de cara, mas pronto no final consegui compra-lo e assim fechei 2012, como um ano excelente do ponto de vista das minhas compras de discos. 

Em Tempest parece que todas as músicas foram feitas para serem tocadas ao vivo e a sonoridade blues, folk e uns traços de jazz estão presentes por todo o álbum. A voz sempre limpa e impecável foi substituída por um tom mais rouco e mais forte e as palavras saem rápidas como se fossem navalhadas prontas para arrancar um pescoço fora. As músicas cujos arranjos, as letras e todo o instrumental e o tempo das músicas parece ter sido programado e por isso disse que é proposital para se tocar ao vivo. As letras são diferentes e entram no lado pessoal do cantor e também de algumas atualidades e se tratando de Dylan reflexões é o que não faltam aqui.

Considerando o conjunto da obra, Bob Dylan acertou a mão em Tempest, pois as músicas vão crescendo e as histórias contadas vão tomando formas diferenciadas e toma nos seus braços a responsabilidade sobre o álbum e os demais músicos aparecem como coadjuvantes para executarem o set do álbum e também cobrir os buracos, ou seja, as deficiências de Bob Dylan o que não é nenhuma vergonha e mostra que o cara tem uma banda de apoio muito competente e o guitarrista Sexton é um exímio guitarrista e também brilha e não é pouco. 


Dizer qual faixa que é melhor fica impossível dizer até porque Tempest não é um disco fabricado para alcançar as posições mais altas da Billboard e suas divisões. Trata-se de um álbum forte e pessoal também e nesse esquema o que menos se precisa é de um hit já que o álbum é um conjunto que se interliga de faixa para faixa e aqui todas estão no mesmo nível e por isso é indispensável destacar uma, duas três ou mais neste álbum que apenas dez faixas que se alternam entre as mais longas e as mais curtas e independente do tamanho todas tem identidade e poderes próprios de seduzir e cativar o ouvinte catapultando-o para dentro do mundo de Bob Dylan. 

Não só na minha opinião como na opinião de muitos fãs e críticos, Tempest, foi eleito como o melhor álbum de 2012 ou apenas apareceu na lista dos dez melhores de muitas pessoas ao redor do mundo. A verdade que este álbum ilustra bem o sentido de uma carreira e revela o que deve ser a música no pleno sentido, enfim honesta, cativante e emocionante capaz de transportar as pessoa para um diálogo entre o ouvinte e o artista e é o que justamente acontece aqui quando paramos para nos deleitar com mais de uma hora e oito minutos de música.  Tem algo importante nisso a ser ressalvado é que Dylan apesar do passado que trás na sua bagagem não se apoia neles muito pelo contrário nem é necessário e as semelhanças remetem aos álbuns mais recentes, mas não se engane meu caro não existe espaço para repetição.  

O álbum, Tempest explica em pormenores porque os artistas das "antigas" ainda conseguem se manter na ativa com relevância e fazendo sucesso ofuscando os mais jovens. Se você quiser uma referência de boa música e gostar de blues e folk está nas suas mão optar por um trabalho deste porte cujo único objetivo é coopta-lo e mostrar algo que hoje anda perdido por ai e por isso está ai uma dica que te ajudará a enxergar e questionar uma série de coisas inclusive a si próprio, coisa que atualmente a vaidade não permita que aconteça e o resultado é a vulgaridade que predomina. 

Lista de músicas: 

01 Duquesne Whistle 
02 Soon After Midnight 
03 Narrow Way 
04 Long And Wasted Years 
05 Pay In Blood 
06 Scarlet Town 
07 Early Roman Kings
08 Tin Angel 
09 Tempest 
10 Roll On John   






Álbuns Fundamentais: Wishbone Ash - Wishbone Ash (1970)

 



A Inglaterra na década de 1970 sagrou-se a capital do rock pesado e funcionava como uma espécie de Meca, o negócio era estar lá. Todas as bandas tinham grandes diferenciais entre si e todas elas possuíam um charme especial, mágico e arrebatador.  No interior do país, na cidade de Devon, província de Torquay, no ano de 1969, iria surgir uma das bandas mais inovadoras e o principal conceito introduzido, as guitarras gêmeas que formaria escola.


Os fundadores: Martin Turner (baixista e vocalista) e Steve Upton (baterista) começaram a empreitada, em 1969, e o primeiro membro a acompanhá-los foi o irmão de Martin Turner, Glenn Turner que não permaneceu por muito tempo e retornou a sua terra natal. O empresário do grupo, Milles Copland III, fez uma longa e exaustiva pesquisa em busca de guitarristas e o resultado final lhes trouxe a dupla: Andy Powell e Ted Turner.


As características sonoras adotadas pelo grupo passam pelo blues, progressivo e assemelham-se ao Krautrock, estilo praticado na Alemanha, e uma influência e inspiração para os britânicos era o Allman Brothers Band, mas só que tudo nos britânicos soava muito diferente por causa das duas guitarras e de suas intenções. Reza a lenda, que o contrato com a MCA aconteceu quando Ritchie Blackmore, do Deep Purple estava aquecendo-se no palco, e Andy Powell aproveitou o momento subiu no palco e começou a tocar junto com ele, e posteriormente Blackmore os havia indicado para a Decca/MCA Records.

Com o contrato assinado para registrar a sua estréia, o Wishbone Ash entrou no De Lane Lea Studios, em Londres, no mês de setembro ao lado do produtor Derek Lawrence, e saiu de lá com uma bolacha curta pelo número de faixas, mas grande pelo tempo de todas as faixas, e as guitarras com o seu trabalho incansável dando um toque de leveza, peso e melancolia eram à base de sustentação do trabalho ali registrado. Os fãs de rock pesado puderam conhecer o álbum, no dia quatro de dezembro. As composições são todas de autoria do quarteto: Martin Turner, Ted Turner, Andy Powell & Steve Upton.


A sonoridade empregava o Hard Rock, Rock Progressivo e assimilou também algumas partes do psicodélico, e, além de tudo caia num som pesado recheado por camadas e camadas ébrias de guitarras cheias de sentimentalismo e uma boa dose de melancolia embalada numa roupagem muito especial, pois ali tudo cativa desde o início, e é impossível querer resistir aos encantos da sonoridade nova e vigorosa, que apesar de ser muito complexa dizia muito sobre o futuro do rock e da banda.

O álbum começava a sua epopéia com “Blind Eye” um tema bem pesado e carregado de blues. Em “Lady Whiskey” a faceta mais pesada aparece com a longa instrumental, que assemelha-se a uma jam session. Em clima de balada, mas só que pesada entra em cena a reflexiva “Erros of My Way” com um clima melancólico carregada de sentimentalismo expressado pela dupla Ted e Powell. Outra faixa interessante é a curta “Queen of Torture” bem pesadona e recheada de solos de guitarras gêmeas e a habilidade de Martin e Upton marca presença também.


Temos dois temas longos e recheados de improvisos, no lado B: A primeira é a faixa “Handy”, cujo andamento é bem complexo e a sonoridade enfumaçada se funde perfeitamente a letra reflexiva, e fazem dela um dos grandes momentos do álbum com as guitarras gêmeas atacando e atacando, e debulhando os ouvidos alheios. Fechando o álbum aparece um dos grandes temas (obrigatório ao vivo) da história do grupo, “Pheonix” onde as guitarras gêmeas deixam claro, o que estava por vir no futuro não obstante. As guitarras gêmeas parecem quedas de água escorrendo montanha abaixo se desmanchando em uma rede complexa de solos e mais solos misturados a riffs pesados e distorcidos, enfim pura virtuose ensandecedora.       

O single extraído para promoção foi “Blind Eye” no lado A, e no lado B foi à faixa “Queen of Torture”. O álbum foi bem sucedido e mostrava uma nova opção para os fãs da música pesada, e com ele o grupo entrava para hall das bandas mais populares da década de 1970. Pouco tempo mais tarde ainda nos anos de 1970, bandas como Thin Lizzy e Judas Priest seguiram a cartilha apregoada pelo Wishbone Ash, e também colocaram as suas brilhantes duplas de guitarras gêmeas para conquistar suas multidões de fãs. A riqueza sonora dos britânicos ainda renderia muitos frutos e os álbuns posteriores como: Philgrim (1971) e Argus (1972) seriam os sintomas mais elevados e profícuos de uma banda brilhante, que figurou nos jovens corações de seu tempo e provou que o rock estava além de sua santa trindade.     

Lista de Músicas: 

A1. Blind Eyes 
A2. Lady Whiskey 
A3. Errors of my Way 
A4. Queen of Torture 

B1. Handy 
B2. Pheonix 




The Fall – Fall Heads Roll (Expanded Edition) (2026)

 

…apresenta o álbum original, além de gravações de estúdio, lados B, um show ao vivo da época e um disco completo de demos do Chapel Studios.
Depois de terem descarregado a raiva suficiente para duas bandas em seu instável lançamento "Interim", o The Fall relaxa sua atitude, aprimora sua execução e entrega um álbum de rock que se apoia fortemente em seus melhores momentos. Felizmente, há muitos deles, a maioria impactando com a força do single "Sparta FC" ou do álbum "Light User Syndrome ". "Pacifying Joint" é um exercício contundente de refrões cativantes e brilho, "What About Us" é um Mancabilly sarcástico da mais alta qualidade, e "Blindness" hipnotiza e conquista seu lugar entre as 25 melhores faixas originais do The Fall de todos os tempos. O destaque de todos é, sem dúvida, um cover arrebatador do hino hippie do The Move, "I Can Hear the Grass Grow"...

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…uma adaptação animada para cantar junto que traz doces lembranças da versão do grupo para “Victoria”, dos Kinks. A segunda parte inclui as habituais divagações intelectuais como “Bo Demmick” e “Youwanner”, além da contagiante “Clasp Hands”.

Canções menos ambiciosas e números peculiares como o reggae caipira "Ride Away" e a preguiçosa e acústica "Early Days of Channel Führer" completam bem o álbum, mas algumas sobras dignas de lado B, adicionadas ao final, impedem que ele seja um Dragnet — ou um Country on the Click , aliás. Em vez de simplesmente roubar o riff, "Breaking the Rules" funcionaria melhor se realmente se transformasse em "Walk Like a Man", e "Trust in Me", sem Mark E. Smith, é uma faixa razoável que mistura Placebo com Comsat Angels, mas que está terrivelmente deslocada aqui. O vocalista/czar do Fall, Smith, está compondo e cantando com bastante propósito até este ponto, e se você ignorar o final equivocado, Fall Heads Roll prova que eles ainda podem fazer jus à sua lenda

Alva Noto – Xerrox Vol. 1 (reMASTER) (2026)

 

Xerrox Vol. 1 marcou um ponto de virada crucial na arte multimídia processual de Alva Noto, quando esta se transformou de um minimalismo pulsante e preciso para estados difusos de atmosfera cinematográfica. Na época de seu lançamento, em 200, Carsten Nicolai já havia passado mais de uma década conquistando aclamação por suas obras de glitch requintadas e metódicas, incluindo clássicos contemporâneos em duo com Ryuichi Sakamoto.
Mas Xerrox Vol. 1 alteraria radicalmente a estética de seu trabalho, afastando-o da gramática microscópica e pontilhista para explorações de uma fascinação textural mais exuberante e em tela ampla, amostrando e deslocando sistematicamente sons familiares do cotidiano – jingles publicitários, tons de espera telefônica, trilhas sonoras de filmes – dentro de estruturas sinfônicas crescentes que existem…

 320 ** FLAC

…em estados paradoxais de estase glacial e caos ruidoso, sintético e orgânico, possivelmente semeando as sementes para seu trabalho que acompanharia a cinematografia suntuosa de 'O Regresso' anos depois.

O álbum de 14 partes provavelmente ainda exerce um fascínio nostálgico inexplicável sobre qualquer pessoa que o tenha adquirido em 2007, ou desde então, já que Nicolai parece se inspirar na sensibilidade de seu colaborador Sakamoto para a melancolia nostálgica ao longo do conjunto, resultando em peças que remetem ao auge de Fennesz em 'Haloid Xerrox Copy 111', ou certamente lembram ecos antecipados das silhuetas lânguidas de Romance em 'Haloid Xerrox Copy 3 (Paris)', ou panoramas urbanos modernos à la Michael Mann em 'Haloid v Copy 11', passando pela tensão que mistura Kevin Drumm com John Carpenter em 'Haloid Xerrox Copy 9'

Sarah Kirkland Snider & Metropolis Ensemble – Forward Into Light (2026)

 

Como indica o título, Forward Into Light é um álbum esperançoso, sugerindo que a história está se inclinando para algo mais luminoso e positivo. Essa atitude pode estar em falta nos dias de hoje, mas sua raridade a torna ainda mais essencial. As faixas de abertura e encerramento são cuidadosamente escolhidas: o álbum começa com uma peça inspirada no movimento sufragista feminino nos EUA, que acabou triunfando, e termina com uma “meditação sobre resiliência” que pode ser aplicada a diversas nações e situações, da Ucrânia a Gaza e outros lugares distantes. Essas peças, intituladas “Forward Into Light” e “Something for the Dark”, trabalham em conjunto para identificar a luta espiritual e especular sobre seu desfecho. A imagem de Snyder como um suplicante banhado por um raio de luz…

320 ** FLAC

…sugere revelação, senão intervenção divina.

A faixa-título de quinze minutos começa suavemente, para depois explodir. O Metropolis Ensemble, sob a regência de Andrew Cyr, demonstra precisão e controle, liberando sua energia em incrementos. Cada explosão de energia é seguida por uma recessão, como se refletisse os passos para frente e para trás no caminho rumo ao sufrágio feminino. A mensagem do movimento (trocadilho intencional) é a de continuar avançando, pois o progresso raramente é uma linha reta. O tom é nobre, honrando aqueles que perseveraram. As notas agudas dos metais são universalmente triunfantes, enquanto as cordas giram, atacam e, por fim, alçam voo. Mantendo o drama do início ao fim, a peça se desenrola como uma aventura. Mesmo sabendo que a luta terminará em vitória, o ouvinte se interessa em descobrir o que se esconde a cada esquina sonora.

“Drink the Wild Ayre” apresenta Noël Wan na harpa e ganha liberdade para ser mais lúdica e descontraída. Originalmente escrita como a última encomenda para o Emerson String Quartet, a peça agora se encontra delicadamente transformada. O romance dá lugar à celebração à medida que a obra se desenvolve, caminhando rumo a uma conclusão feliz. A peça em oito movimentos, “Eye of Mnemosyne”, começa com acordes sombrios e melancólicos, uma lembrança do tema geral do álbum. Originalmente uma obra multimídia, a composição reflete sobre “memória, inovação e cultura” e, nesse contexto, pode ser ouvida como um réquiem para histórias que foram esquecidas ou, pior, apagadas. O segundo movimento, “Wheels of the Muses”, é uma pausa para reflexão – propositalmente, “Mori Memory of the Dead” é ainda mais humilde. Desvinculada de sua conexão original com a fotografia, a peça ainda consegue transmitir o poder do testemunho; O sexto movimento, “Nostos War Story”, contém os momentos mais impactantes do álbum, sustentados pelo som de tambores militares, enquanto os violoncelos do epílogo retomam o primeiro movimento e carregam o maior peso emocional. Nada mudou? Tudo mudou?

A tensão se estende a “Something for the Dark”, que se desenrola em dois movimentos, “The Promise” e “Of Rise and Renewal”. Os timbres de metais da abertura retornam, sugerindo que o que aconteceu então – luta, resistência, resiliência, triunfo – pode acontecer novamente. O turbilhão imponente de cordas no quarto minuto de “The Promise” é como um exército de anjos, uma guerra nos céus, escuridão e luz colidindo em um estrondo de proporções bíblicas. O segundo movimento é o rescaldo sereno: não o fim do conflito, mas o platô sobre o qual se pode descansar enquanto se prepara para retomar a luta. É isso que Sarah Kirkland Snider oferece: não a garantia de que tudo ficará bem, mas que a resistência é resiliência, independentemente do resultado. 

New Age Doom featuring H.R. – Angels Against Angels (2026)

 

Para uma banda que sempre cultivou um som único e peculiar, o New Age Doom parece ter dominado completamente sua arte em  Angels Against Angels . O álbum demonstra um domínio seguro de arranjos e atmosfera, orquestrando taticamente diversos elementos musicais e integrando múltiplos gêneros com perfeição. Ao mesmo tempo, transmite uma mensagem espiritual enraizada na igualdade, no amor e na verdade.
Repleto de elementos de jazz, experimental, eletrônico, rock progressivo e dub, o disco é ainda mais elevado pelos vocais inconfundíveis e pelo lirismo de HR (Human Rights), vocalista da lendária banda Bad Brains.  Angels Against Angels desenterra texturas sonoras díspares e as funde de forma intrincada com uma mistura de ludicidade e...

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…e precisão. Ao desafiar as noções convencionais de como a “música espiritual” deveria soar, o New Age Doom, juntamente com o HR, mistura metal, hardcore, punk e reggae em uma unidade coesa.

Historicamente, o New Age Doom construiu uma discografia extensa, moldada por uma ampla gama de colaboradores, incluindo Andy Morin, do Death Grips, e Alina Petrova, do Pussy Riot, no violino elétrico. Para o seu álbum mais recente, vários músicos retornaram ao grupo: Tim Lefebvre na guitarra elétrica, o trompetista Dan Rosenboom, o saxofonista Gavin Templeton, a baterista Benedicte Pierleoni, o DJ CrookOne e Cola Wars nos teclados. Embora cada músico traga uma sensibilidade distinta, juntos eles se harmonizam em um coletivo fluido, esculpindo um álbum multifacetado, revigorado por seu som dinâmico.

Angels Against Angels  começa com uma transição imediata da melancolia para o punk em 'Life On The Other Side'. Mergulhando em riffs de guitarra em câmera lenta, a batida se intensifica com crescente força antes de a faixa se esgotar na metade, desacelerar novamente e se expandir em um espaço onde os elementos do rock ecoam e cintilam, em um firmamento aparentemente infinito.

'We're All The Same' começa com um caleidoscópio giratório de sons borbulhantes e retrofuturistas que evocam a sensação de viajar por um vasto cosmos. Uma batida constante e pulsante se sobrepõe ao fundo de um violino, enquanto HR vocaliza como um mantra, deslizando pelo cosmos.

Considerado em sua totalidade, o álbum assemelha-se a um mosaico cuidadosamente montado, ou a uma colcha de retalhos, de fragmentos contrastantes unidos por elementos recorrentes que servem como fio condutor. Tal como uma trilha sonora que revisita motivos familiares para guiar o ouvinte de volta ao seu âmago, existem elementos compartilhados em algumas canções que soam como reminiscências de outras. Liricamente, o álbum incorpora o caos e a esperança, e a paisagem que explora traça um paralelo entre os dois extremos, que se intensificam mutuamente pelo contraste, buscando, em última instância, um equilíbrio entre eles.

Em certos momentos, atingindo pontos de desespero insistente (como no final de 'Life On The Other Side Pt. 2' e 'Angels Vs. Angels'), a música também flutua em uma suspensão espacial e leve ('Radio On', 'We're All The Same'). O álbum consegue unir, no ponto médio, cada um desses extremos. No final, como ouvinte, seus desejos por lentidão e rapidez são igualmente satisfeitos. Nada aqui segue um padrão. Tudo parece espontâneo e não segue uma trajetória que você poderia antecipar a partir de seus movimentos anteriores. Angels Against Angels é um álbum que te mantém em alerta.

Ensiferum - Dragonheads (2006)

 



Style: Folk Metal/Melodic Death Metal
Origin: Finland

Tracklist:
1. Dragonheads 05:21
2. Warrior's Quest 04:53
3. Kalevala Melody 01:47
4. White Storm 04:56
5. Into Hiding (Amorphis cover) 03:49
6. Finnish Medley 05:09





Ensiferum - From Afar

 



Style: Folk Metal/Melodic Death Metal
Origin: Finland

Tracklist:

1. By The Divining Stream
2. From Afar
3. Twilight Tavern
4. Heathen Throne
5. Elusives Reaches
6. Stone Cold Metal
7. Smocking Ruines
8. Tumman Virran Taa
9. The Longest Journeys (Heathen Throne Part II)






Ensiferum - Hero in a Dream (Demo 1999)

 



Style: Folk Metal
Origin: Finland

Tracklist:
1. Intro 01:01
2. Hero in a Dream 03:41
3. Eternal Wait 05:21
4. Battle Song 03:36
5. Guardians of Fate 03:26






Ensiferum - Iron (2004)

 



Style: Folk Metal/Melodic Death Metal
Origin: Finland

Tracklist:
1. Ferrum Aeternum 03:28
2. Iron 03:53
3. Sword Chant 04:44
4. Mourning Heart (Interlude) 01:23
5. Tale of Revenge 04:30
6. Lost in Despair 05:37
7. Slayer of Light 03:10
8. Into Battle 05:52
9. Lai Lai Hei 07:15
10. Tears 03:19







Destaque

Y&T: 1976 - Yesterday and today

A banda Yesterday & Today  surgiu no início dos anos setenta em Oakland, Califórnia; e sua primeira formação praticamente estável consis...