Como indica o título, Forward Into Light é um álbum esperançoso, sugerindo que a história está se inclinando para algo mais luminoso e positivo. Essa atitude pode estar em falta nos dias de hoje, mas sua raridade a torna ainda mais essencial. As faixas de abertura e encerramento são cuidadosamente escolhidas: o álbum começa com uma peça inspirada no movimento sufragista feminino nos EUA, que acabou triunfando, e termina com uma “meditação sobre resiliência” que pode ser aplicada a diversas nações e situações, da Ucrânia a Gaza e outros lugares distantes. Essas peças, intituladas “Forward Into Light” e “Something for the Dark”, trabalham em conjunto para identificar a luta espiritual e especular sobre seu desfecho. A imagem de Snyder como um suplicante banhado por um raio de luz…
…sugere revelação, senão intervenção divina.
A faixa-título de quinze minutos começa suavemente, para depois explodir. O Metropolis Ensemble, sob a regência de Andrew Cyr, demonstra precisão e controle, liberando sua energia em incrementos. Cada explosão de energia é seguida por uma recessão, como se refletisse os passos para frente e para trás no caminho rumo ao sufrágio feminino. A mensagem do movimento (trocadilho intencional) é a de continuar avançando, pois o progresso raramente é uma linha reta. O tom é nobre, honrando aqueles que perseveraram. As notas agudas dos metais são universalmente triunfantes, enquanto as cordas giram, atacam e, por fim, alçam voo. Mantendo o drama do início ao fim, a peça se desenrola como uma aventura. Mesmo sabendo que a luta terminará em vitória, o ouvinte se interessa em descobrir o que se esconde a cada esquina sonora.
“Drink the Wild Ayre” apresenta Noël Wan na harpa e ganha liberdade para ser mais lúdica e descontraída. Originalmente escrita como a última encomenda para o Emerson String Quartet, a peça agora se encontra delicadamente transformada. O romance dá lugar à celebração à medida que a obra se desenvolve, caminhando rumo a uma conclusão feliz. A peça em oito movimentos, “Eye of Mnemosyne”, começa com acordes sombrios e melancólicos, uma lembrança do tema geral do álbum. Originalmente uma obra multimídia, a composição reflete sobre “memória, inovação e cultura” e, nesse contexto, pode ser ouvida como um réquiem para histórias que foram esquecidas ou, pior, apagadas. O segundo movimento, “Wheels of the Muses”, é uma pausa para reflexão – propositalmente, “Mori Memory of the Dead” é ainda mais humilde. Desvinculada de sua conexão original com a fotografia, a peça ainda consegue transmitir o poder do testemunho; O sexto movimento, “Nostos War Story”, contém os momentos mais impactantes do álbum, sustentados pelo som de tambores militares, enquanto os violoncelos do epílogo retomam o primeiro movimento e carregam o maior peso emocional. Nada mudou? Tudo mudou?
A tensão se estende a “Something for the Dark”, que se desenrola em dois movimentos, “The Promise” e “Of Rise and Renewal”. Os timbres de metais da abertura retornam, sugerindo que o que aconteceu então – luta, resistência, resiliência, triunfo – pode acontecer novamente. O turbilhão imponente de cordas no quarto minuto de “The Promise” é como um exército de anjos, uma guerra nos céus, escuridão e luz colidindo em um estrondo de proporções bíblicas. O segundo movimento é o rescaldo sereno: não o fim do conflito, mas o platô sobre o qual se pode descansar enquanto se prepara para retomar a luta. É isso que Sarah Kirkland Snider oferece: não a garantia de que tudo ficará bem, mas que a resistência é resiliência, independentemente do resultado.
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