Xerrox Vol. 1 marcou um ponto de virada crucial na arte multimídia processual de Alva Noto, quando esta se transformou de um minimalismo pulsante e preciso para estados difusos de atmosfera cinematográfica. Na época de seu lançamento, em 200, Carsten Nicolai já havia passado mais de uma década conquistando aclamação por suas obras de glitch requintadas e metódicas, incluindo clássicos contemporâneos em duo com Ryuichi Sakamoto.
Mas Xerrox Vol. 1 alteraria radicalmente a estética de seu trabalho, afastando-o da gramática microscópica e pontilhista para explorações de uma fascinação textural mais exuberante e em tela ampla, amostrando e deslocando sistematicamente sons familiares do cotidiano – jingles publicitários, tons de espera telefônica, trilhas sonoras de filmes – dentro de estruturas sinfônicas crescentes que existem…
…em estados paradoxais de estase glacial e caos ruidoso, sintético e orgânico, possivelmente semeando as sementes para seu trabalho que acompanharia a cinematografia suntuosa de 'O Regresso' anos depois.
O álbum de 14 partes provavelmente ainda exerce um fascínio nostálgico inexplicável sobre qualquer pessoa que o tenha adquirido em 2007, ou desde então, já que Nicolai parece se inspirar na sensibilidade de seu colaborador Sakamoto para a melancolia nostálgica ao longo do conjunto, resultando em peças que remetem ao auge de Fennesz em 'Haloid Xerrox Copy 111', ou certamente lembram ecos antecipados das silhuetas lânguidas de Romance em 'Haloid Xerrox Copy 3 (Paris)', ou panoramas urbanos modernos à la Michael Mann em 'Haloid v Copy 11', passando pela tensão que mistura Kevin Drumm com John Carpenter em 'Haloid Xerrox Copy 9'
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