
“Em terra de cegos, quem tem olho é rei” – o provérbio popular que dá nome e corpo ao single dos mutu que representa sucintamente a mensagem deste tema: numa sociedade cada vez mais seccionada por classes, o “peixe graúdo come o miúdo”.
O sonho da conquista da liberdade pelo dinheiro leva o “peixe miúdo” pela corrente dos contratos laborais cada vez mais exigentes, tanto a nível de carga horária como mental e/ou física. Apresentamos, hoje, um nível de desgaste pós-laboral sem precedentes, que nos deixa inertes perante todas as outras dimensões da nossa existência: negligenciamos a família, amigos, passatempos e sonhos pela eterna busca do conforto financeiro, que tende a tardar ou a nunca chegar.
Encurralados nas leis do capital, procuramos um pouco de conforto nos nossos mundos virtuais, nos dispositivos, nas compras, nas coisas vazias que nunca nos chegam a preencher.
O personagem do videoclipe “Terra de Cegos” encontra-se neste estado de instrumento laboral, na sua caixa com as suas coisas, a sua boa aparência e o seu auto-encarceramento sufocante.
O videoclip foi produzido pela DOC Narrativa e realizado pela Juliana Ramalho.
Com uma forte componente identitária, num registo musical contemporâneo, “A Morte do Artista”, o primeiro trabalho discográfico dos mutu mistura os diferentes percursos dos músicos envolvidos. A esse cruzamento de influências juntam-se mensagens que pretendem despertar no ouvinte pensamento crítico sobre problemáticas sociais dos dias de hoje.
“A Morte do Artista” vai ser editado no dia 28 de Abril.
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