domingo, 5 de março de 2023

Resenha Hark! The Village Wait Álbum de Steeleye Span 1970

 

Resenha

Hark! The Village Wait

Álbum de Steeleye Span

1970

CD/LP

Música folk tradicional inglesa executada por meio de arranjos muito bem elaborados e de muito bom gosto, além de pitadas prog e belíssimos vocais

Em poucas palavras, Hark! The Village Wait, pode ser definido rapidamente como doze ótimas canções de folk elétrico inteligente, delicado e muito bem tocado em instrumentos de rock padrão, aumentados com porções generosas de instrumentos menos convencionais para o gênero, como bodhrán, mandola, banjo, concertina, dulcimer e bandolim, porém, isso não seria uma resenha de verdade, então vamos falar mais um pouco. Cada faixa é uma canção folclórica tradicional, com a banda criando leituras obviamente respeitosas desses trechos de sua herança inglesa, mas o efeito geral foi ao mesmo tempo, na época de seu lançamento, bastante contemporâneo. Vale mencionar também que a banda foi formada pelo ex-baixista da Fairport Convention, Ashley Hutchings, que queria explorar mais as raízes do folk britânico do que a Fairport Convention estava disposta. Ele teve a sorte de reunir uma banda de grandes músicos e cantoras, lançando então o primeiro de uma longa série de álbuns muito bem aceitos pelo grande público.  

Um dos ingredientes mais atrativos desse disco é a dupla feminina de vocalistas, Maddy Prior e Gay Woods, suas vozes são simplesmente majestosas e colocam um ar de elegância incrível no disco, sem contar que combinam muito bem com a voz masculina mais nasal de Tim Hart – que inclusive faz a voz principal em uma das peças - e Terry Woods – marido de Gay - e seus backing vocals muito bem acentuados. Além disso, outro ponto a ser frisado é o quanto a grande variação de instrumentos dá à música do álbum uma sensação autêntica e de muito frescor.  

“A Calling-On Song” começa o disco por meio de um rico arranjo coral sem a companhia de qualquer instrumentação, sendo uma peça puramente à capela. “The Blacksmith” é um folk rock com pinceladas da música psicodélica. Os vocais de Maddy, como sempre, deixam a identidade folk na música. Muito elegante, possui algumas passagens musicais intrigantes. As múltiplas camadas de vocais do refrão é um dos destaques da faixa. “Fisherman's Wife”, Gary Woods assume o vocal principal pela primeira vez. As harmonias vocais criadas entre Woods e Prior são extremamente eficazes e criam até mesmo uma sensação levemente de assombrada na peça. 

“Blackleg Miner” é a única música do disco em que o vocal principal é masculino. Começa por meio de um canto à capela em um ótimo equilíbrio entre Tim Hart cantando por cima e Woods e Maddy ao fundo. A entrega aqui é de uma peça folk clássica com alguns lampejos progressivos. “Dark-Eyed Sailor” apresenta um grande equilíbrio entre o rock e a música folk. Mais uma vez tudo é feito com muita elegância, mas sem a mesma autenticidade das anteriores, sendo um tipo de som que poderia tranquilamente ter feito parte do disco Liege &Lief da Fairport Convetion. “Copshawholme Fair”, se for para escolher a música do disco mais orientada para o “progressivo”, daria esse título a essa – na verdade fico na dúvida entre essa e a última. Possui uma vibração folk rock bastante forte, assim como as linhas psicodélicas bem definidas.  

“All Things Are Quite Silent”, os vocais tristes dessa música me fizeram prestar atenção no seu tema, o que parece se tratar de um homem que foi arrancado do seu amor para servir os fuzileiros. Musicalmente é suave e tocada de forma discreta quase todo o tempo, subindo um pouco o volume nos refrãos em que Maddy e Woods juntas criam uma harmonia vocal lindíssima. “The Hills Of Greenmore” é uma peça que soa mais elétrica e menos acústica, porém, sem perder a sua essência celta e folk, além de ser distintamente baseada na música progressiva. “My Johnny Was A Shoemaker”, assim como a primeira música do disco, também possui pouco mais de um minuto e também é uma peça à capela. As múltiplas vozes femininas fazem um trabalho brilhante, me dando uma sensação de estar sendo abraçado pela música.  

“Lowlands Of Holland” é uma lindíssima e triste canção. Um folk rock com algumas inclinações progressivas e psicodélicas executado de forma sublime, enquanto Maddy canta sobre mulheres que choram pela morte de seus amores marinheiros mortos em ação. “Twa Corbies” é mais uma música em que a interação entre vocal masculino e feminino funciona muito bem. É derivada de uma canção tradicional chamada, “Three Ravens”, sendo quase mais um número à capela se não fosse pelo harmônio ao fundo. “One Night As I Lay On My Bed” é a peça que encerra o álbum. Mais um folk rock com acenos progressivos, considero essa a música mais dinâmica e complexa, obviamente, dentro do que foi feito no restante do disco, com uma excelente interação instrumental e ótimas texturas musicais.  

Então que eu termino primeiramente com uma simples pergunta: você tem interesse em ouvir uma música folk tradicional inglesa executadas por meio de arranjos muito bem elaborados e de muito bom gosto, com direito a algumas cores progressivas e de belos vocais? Se a resposta for sim, não espere muito para ir atrás dessa pérola.  


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