
Resenha
Hour Of Restoration
Álbum de Magellan
1991
CD/LP
Um daqueles álbuns que pode até não impressionar, mas consegue ser agradável da primeira à última música
Eis um nome que me foi apresentado tem pouquíssimo tempo – e que pelo que vi, já estava cadastrado no site tem anos. Então que, como curioso e insaciável quando o assunto é consumir música que sou, eu já tratei em dar uma visitada em toda discografia da banda – que tem um total de 7 discos -, ou melhor, da dupla, já que se trata de um projeto idealizado pelos irmãos Gardner – infelizmente, ambos já falecidos, com Wayne cometendo suicídio em 2014 e Trent morrendo por razões desconhecidas dois anos depois. Mas durante a carreira, eles sempre estiveram com músicos convidados em seus discos, sendo que em Hour of Restoration, Hal Stringfellow Imbrie tocou baixo em todas as faixas, além de entregar alguns backing vocals, enquanto os demais instrumentos ficaram com os irmãos. O que eu senti ao ouvir esse disco pela primeira vez? Alegria, sim, a música encontrada aqui me despertou sentimentos, por exemplo, de alegria e felicidade, embora eu tenha certeza que a intenção deles não tenha sido essa - lembrando que falo apenas musicalmente. A banda não entrega algo necessariamente impressionante, mas não deixa de ser muito interessante. Ao ouvir Hour of Restoration, vários nomes podem ir surgindo à mente, tais como, Genesis, Yes - principalmente pelos vocais -, Emerson, Lake & Palmer - principalmente em relação alguns teclados, ainda que passe longe de soarem com a mesma agressividade e técnica de Keith -, um pouco de Dream Theater em seu disco de estreia, Rush - devido algumas estruturas e atmosferas -, Enchant - embora essa só iria lançar o seu primeiro disco dois anos depois desse -, Kansas - também por algumas linhas vocais e melodias - entre outros. Enfim, podemos perceber que o leque é bastante amplo, então fica aquela pergunta: eles conseguiram usar esse tanto de nomes como influência e ainda soar de forma coerente? Digamos que eles se saíram bem. “Magna Carta”, o disco já inicia com sua maior peça, um épico de quase 15 minutos. Logo de início é possível sentir um pouco de Dream Theater, mas que não demora para a música se direcionar para um progressivo de roupagem mais clássica. Quando os vocais entram pela primeira vez, eles estão em um estilo melódico. Conforme vai avançando, a sensação da música de estar ficando mais metálica se torna eminente. Com várias mudanças, em determinado momento, a peça cai para um interlúdio de teclado, sendo que em seguida segue por um processo de construção musical bastante lento e gradual, sendo que mais à frente vai ficando novamente mais frenética e intensa. Vale mencionar também, o último segmento da peça, pois é muito intrigante, ficando primeiramente mais metálico e depois caindo para alguns tons atmosféricos até chegar ao fim. “The Winner”, ao contrário da anterior, aqui temos uma peça bastante curta, com pouco mais de 2 minutos, porém, ainda assim é bastante forte, com boa influência no Yes e até mesmo pinceladas de Gentle Giant. “Friends of America”, os primeiros segundos me fizeram lembrar um pouco do início de “Battlefield”, 6º movimento de “Tarkus” do Emerson, Lake & Palmer. Mas a grande dose que temos aqui é de AOR, podendo ser uma faixa que facilmente poderia ter sido escrita pelo Asia. “Union Jack” começa por meio de um arranjo feito pelo teclado sob algumas vozes eletrônicas. A música então vai se construindo com os demais instrumentos, e aos poucos, a deixando mais encorpada. Às vezes é possível perceber um pouco de Emerson, Lake & Palmer, além de elementos de algumas outras bandas 70’s do gênero. Há uma pausa para uma fala de Winston Churchill, onde acontece uma mudança intrigante, com a música entrando em uma passagem mais frenética até que ela retorna aos segmentos anteriores. Essa música é uma verdadeira excursão progressiva de excelente qualidade. “Another Burning” é mais melódica e menos freneticamente dinâmica, digamos assim, do que boa parte das outras faixas do disco, porém, mesmo assim, não deixa de entregar a sua parcela de mudanças de andamento, que inclui uma caída para um curto segmento na linha de uma balada liderada por piano elétrico, antes de regressar para o seu ritmo central. “Just one Bridge”, com pouco mais de dois minutos, é mais uma das peças mais curtas do disco. Quando ouvi o arpejo inicial pela primeira vez, lembrei levemente de “Call of Ktulu” do Metallica. Possui um ar sombrio e embora seja curta, consegue ser uma música muito forte e intensa, fluindo muito bem para a peça seguinte. “Breaking These Circles”, inicialmente, a primeira coisa que pensamos quando escutamos o seu começo, é que se o Chris Squire tivesse lançado um disco solo com alguns acenos para o AOR, mas sem perder o seu lado progressivo, provavelmente teríamos algumas músicas dessa natureza no álbum. Começa sinfônica e depois se inclina mais para o metal, porém, a quantidade de mudanças a deixa sempre interessante e nem sempre metálica, deixando o ouvinte perceber também algo de Yes e Emerson, Lake & Palmer. “Turning Point”, com menos de um minuto e meio, é a menor e a música que encerra o disco, é basicamente uma música construída por meio de teclados atmosféricos sobrepostos com vocais. O que faz de Hour Of Restoration um disco muito bom, não é a sua infinidade de influência e que vai fazer o ouvinte lembrar várias vezes de alguns dinossauros do rock progressivo, mas sim, a maneira com que eles entregam uma musicalidade envolvente. Um daqueles álbuns que pode até não impressionar, mas consegue ser agradável da primeira à última música.
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