terça-feira, 25 de julho de 2023

Resenha Jorge Cabeleira E O Dia Em Que Seremos Todos Inúteis Álbum de Jorge Cabeleira e o Dia em que Seremos Todos Inúteis 1995

 

Resenha

Jorge Cabeleira E O Dia Em Que Seremos Todos Inúteis

Álbum de Jorge Cabeleira e o Dia em que Seremos Todos Inúteis

1995

CD/LP

Após assistir um vídeo no canal do Gastão Moreira dedicado ao movimento "Manguebeat", eu, curioso que sou por música, logo sai pesquisando as bandas citadas. Já conhecia Chico Science & Nação Zumbi, mas uma em especial me chamou a atenção: Jorge Cabeleira. Quando ouvi aquilo, mal pude acreditar nesse crossover de punk rock e hardcore com baião, forró e outras músicas nordestinas. 

Aqui vai um aviso: quem gosta de ver estilos brasileiros misturados com o rock, não pode deixar de ouvir esse disco! É um prato cheio.

"Bóra" aos destaques:

O disco abre com "12 Badaladas". A música começa com uma pegada meio soturna, com badaladas de sino, guitarra e um quê de mistério no vocal. Baita abertura e com um solo de guitarra no final que é show de bola. "Sol e Chuva" é o primeiro ponto alto, na minha opinião: começa com um riff de guitarra abruptamente substituído por um baião daqueles! É uma quebra de expectativa sonora que torna a música ainda melhor. "Carolina" é uma ode a Luiz Gonzaga. Hardcore pesado, rápido; que mistura duas músicas do mestre forrozeiro: "Carolina" e "Xote das Meninas". Te garanto que uma versão dessas você nunca ouviu. Ficou demais! "Silepse" é um "rockão" visceral, mas que possui outros elementos especiais: É possível observar que o triângulo está presente a todo momento, provando que essa união entre ritmos e estilos é o maior trunfo deles, sem dúvida. "Recife" narra as mazelas do povo nos sertões e favelas. É sério, deveriam emoldurar essa música e transformá-la em um padrão de como juntar elementos da música nordestina com rock. Tudo nela acontece ao mesmo tempo! Incrível. Psicobaião é outra música maravilhosa, com todos os temperos já citados.

É um trabalho de excelência em uma fase muito rica em termos culturais, principalmente no Recife com o movimento manguebeat. Tem muito rock cantado com o sotaque pernambucano "arretado", muita música raiz nordestina, letras de protesto e poesia. Que achado incrível! Mais uma vez a tal da curiosidade musical foi premiada.


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