sexta-feira, 18 de abril de 2025

Os Mutantes - Zzyzx (2020)

 

E sim, se tivermos que falar de bom rock brasileiro, temos que mencionar obrigatoriamente Os Mutantes, a inefável banda tropicalista psicodélica que fez as mentes de David Byrne, Kurt Cobain, Beck, Devendra Banhart e uma lista interminável de grandes músicos voarem. E poderíamos citar qualquer um dos seus álbuns, mas... aqui estamos, justamente, citando o seu décimo primeiro álbum, o mais recente, digamos assim, que é do... ano passado! E é isso... Os Mutantes estão de volta! Ou eram na época do lançamento deste disco, o último (até agora) da banda que em 1966 fez parte da musicalização do rock no Brasil, anos rebeldes onde o grupo formado por Arnaldo Baptista, Rita Lee e Sérgio Dias criou uma identidade brasileira para um rock com doses bem articuladas de devassidão e psicodelia. E o que resta deles está aqui novamente.

Artista: Os Mutantes
Álbum: Zzyzx
Ano: 2020
Gênero: Tropicália
Referência: Discogs
Nacionalidade: Brasil


Convenhamos que a fase mais progressiva de Os Mutantes , nos anos 1970, é adorada por muitos progheads, mas, a rigor, discos como "Tudo é pelo sol", de 1974, já não tinham mais nada a ver com o som que lhes deu fama e glória. E o resto é conhecido; A banda se desfez em 1978 e voltou a se reunir nos últimos dias de 2006. Desde então, com Zélia Duncan como vocalista, Sérgio Dias mantém o grupo focado em nichos do universo pop. E desde então, a banda lançou álbuns de estúdio.

Convenhamos que desde a saída de Rita em 1972 e a dissidência de Arnaldo em 1973, após a gravação do álbum psicodélico "OA e o Z" (que trouxemos para o cabeçalho do blog), a banda passou por diversas mutações, sempre com o guitarrista Sérgio Dias à frente. Este álbum com o nome estranho de "Zzyzx" é outro deles. E uma das mais estranhas, por sinal. Pela arte, parece que o grupo poderia ser chamado de "Las Mumias Justicieras" (As Múmias Justicieras), em homenagem ao lutador Martín Karadagian. Sobre o álbum em si, devo dizer que as opiniões são variadas, e vou deixar as minhas de lado porque não consegui terminar de ouvir o álbum. Eu não gostava muito de pop psicodélico com refrãos contagiantes e previsíveis, mas além disso (nunca pretendo estar certo, principalmente considerando que minha audição não condiz com a média da maioria das pessoas, e não digo isso como algo passível de "superioridade", mas simplesmente que não consigo me colocar como referência, em nada, e muito menos musicalmente).

É por isso que é melhor recorrermos aos comentários de terceiros, que nos dizem o seguinte:

Antes de mais nada, preciso deixar uma coisa clara: a música do Zzyzx é tão identificável conosco que, da forma mais dócil possível, nos deixamos levar por ela diretamente para paisagens psicodélicas e felizes fora deste planeta. Porque cada segundo do último álbum deste brasileiro é um pop psicodélico que de alguma forma parece ser tocado por uma banda interestelar: o clássico Os Mutantes.
Após o incrível reencontro de Os Mutantes em 2006, é um prazer saber que Sérgio Dias, que manteve vivo o nome desta lenda como o último integrante original depois que Arnaldo Baptista decidiu dar um tempo e não fazer mais parte de uma banda tão grandiosa, apresenta um terceiro álbum de sua autoria, de tamanha qualidade.
Agora, de uma explosão de corpos estelares, matéria, espaço e tempo foram criados. Depois de eras, as micropartículas daquela explosão encheram-se de vida e hoje, precisamente, muitas dessas micropartículas estão a ouvir “The Last Silver Bird”, faixa número três de Zzyzx, o aguardado álbum de Os Mutantes, que nos relembram as nossas origens com o seu refrão mágico: “Stardust, we're nothing but stardust”.
Não é nenhuma surpresa que, da primeira faixa até o final de Zzyzx, Os Mutantes nos mostrem que não perderam sua magia, nem um pouco. Além disso, parece que a experiência de Sérgio Dias foi refinada a níveis cósmicos e ele agora faz coisas muito bem pensadas; desde a criação, execução e produção, pois são muitos os detalhes e embelezamentos que se complementam para aproveitar o álbum em diferentes dimensões.
O único problema é que há muita energia e muita inventividade, mas parece faltar aquele elemento surpresa que te deixa louco, algo que eles tinham no começo. Talvez eles tenham comprometido a experimentação por meio de arranjos meticulosos. Talvez seja só eu que considero essa banda uma das minhas experiências musicais favoritas e, portanto, exijo muito dela. O álbum soa muito mais maduro e é muito bom, mas nos anos 60, durante a revolução ideológica da Tropicália, Os Mutantes tocavam com notas descontroladas, ritmos nada convencionais e muita diversão com personagens subversivos como Gilberto Gil, Gal Costa ou Caetano Veloso… E aí vem a pergunta:
Hoje sabemos que seu irmão Arnaldo Baptista não tem a menor intenção de voltar a Os Mutantes e Rita Lee tem uma carreira gigante sozinha no Brasil, então há muito pouca esperança de um álbum com as três mentes originais nos surpreendendo com sons descontrolados. Embora depois da COVID, eles possam abrir seus corações para um reencontro. O que aconteceria se Sérgio Dias decidisse montar a grande banda que ele tem agora e tentar uma reunião com aqueles antigos companheiros revolucionários? Minha alma derrete só de pensar nisso, mas talvez seja apenas um sonho.
Mas seja como for, só podemos agradecer a Sérgio Dias na guitarra e voz, Esméria Bulgari na percussão e voz, Henrique Peters nos teclados e voz, Claudio Tchernev na bateria e voz, Vinícius Junqueira no baixo e Camilo Macedo na guitarra e voz; por nos dar algo tão bom para ouvir nestes tempos loucos.

Tlaloc Ruiz 


 






Bom, agora minha opinião. Acho que "Zzyzx" é diferente de tudo que a banda já fez. Ao mesmo tempo, apenas o nome Os Mutantes e a presença de Sérgio Dias conectam estreitamente a banda de 2020, Os Mutantes apresentam onze músicas inéditas no álbum "Zzyxz", quase todas cantadas em inglês, sendo "Zzyzx" o nome da estrada na Califórnia que leva à famosa Área 51. No repertório irregular desse OVNI fonográfico, Os Mutantes alinham múltiplas referências em detrimento da unidade discal, que não é nada homogênea.
Há exuberância instrumental em algumas faixas, seja no baixo de Junqueira, na guitarra de Dias ou na conjunção dos músicos em geral, mas o problema é que eles parecem sempre buscar refúgio em algum lugar do passado, ou no padrão musical ianque, ou no som dos Beatles com alguma outra faixa um pouco mais próxima do universo musical de Os Mutantes em seu primeiro passo neste mundo. E embora o nome seja o mesmo, é difícil identificar no grupo de 2020 a banda que fez história na música brasileira entre 1968 e 1972.

Mas é claro que a melhor coisa a fazer diante desses comentários díspares é ouvi-los você mesmo e tirar suas próprias conclusões.



Lista de faixas:
1. Beyond (4:24)
2. Mutant's Lonely Night (4:37)
3. The Last Silver Bird (3:57)
4. Candy (2:48)
5. Gay Matters (2:51)
6. We Love You (3:43)
7. Window Mirrors (
3:50) 8. Por Que Não (3:20)
9. Tempo E Espaço (3:41)
10. Zzyzx (3:49)
11. Void (2:50)

Formação:
- Sergio Dias Baptista / voz, guitarra
- Esmeria Bulgari / voz, percussão
- Vinicius Junqueira / baixo
- Camilo Macedo / guitarra, voz
- Claudio Tchernev / bateria
- Henrique Peters / teclados




Sem comentários:

Enviar um comentário

Destaque

We All Together - We All Together 2 (1974)

  Continuamos com o rock peruano e todas as suas joias escondidas, agora em um estilo à la Beatles, algo que você já pode perceber pela capa...