E já que estamos no assunto, não nos resta outra opção senão continuar com a discografia de Os Mutantes, um dos projetos brasileiros mais duradouros e mundialmente reconhecidos. Depois de um hiato, Os Mutantes retornaram em 2009, ainda que em um formato bem diferente. Sergio Dias foi o único membro original, com vários novos colaboradores. Dois deles, Tom Zé e Jorge Ben, músicos que colaboraram com o grupo na década de 1960 e que ajudaram a dar a vitalidade que o álbum tanto precisava, para completar a criação de um álbum que mais uma vez soa progressivo, mas com uma nova sonoridade. Pode não ser um álbum de clássicos da banda, mas definitivamente não é ruim e serve para completar a discografia de um dos projetos fundamentais do rock brasileiro. E depois de tanto falar deles, vamos a uma entrada curta para não entediar vocês...
Artista: Os Mutantes
Álbum: Haih... Ou Amortecedor...
Ano: 2009
Gênero: Rock progressivo psicodélico
Duração: 49:02
Referência: Discogs
Nacionalidade: Brasil
Letras engraçadas, irônicas, às vezes vazias, às vezes críticas, mas sempre inusitadas. Às vezes conseguindo um som Carlos Santana , às vezes muito rock, às vezes muito teatral, há também momentos psicodélicos, às vezes há boas passagens instrumentais, e geralmente há grandes ideias que às vezes são levadas a bom termo, sempre com excelente execução técnica e com boa qualidade de gravação onde podemos ouvir novamente uma rara banda dos anos 70 que ainda preserva seu estilo e nunca se deixou levar pela indústria comercial.
Como sempre digo, é melhor você ouvir, e o vídeo a seguir é para isso...
E para encerrar o tópico, vamos a um comentário de terceiros, mas em português:
Um novo álbum dos Mutantes, cheio de músicas inéditas, acaba de chegar às lojas. Não ouvíamos uma frase como essa há 33 anos, desde que a mitológica banda paulistana, então contando apenas com o guitarrista Sergio Dias em sua formação original, lançou a música "Mutantes ao Vivo" (1976) — que, apesar de "viva", não repetia o antigo repertório.
A ansiedade gerada por um produto com esse toque, o mais importante da história do rock brasileiro, funciona contraditoriamente a favor e contra seu lançamento. Ao mesmo tempo em que só Mutantes abre portas em todos os cantos do planeta, é preciso ser forte e poderoso ao extremo para fazer o que se espera dele. E espere muito.
É justamente desse mal que sofre "Haih... ou Amortecedor", o novo álbum da banda — que, desta vez, conta com a participação de Sergio Dias e do baterista Dinho Leme dos Mutantes originais.
Lançado apenas no mercado americano e sem previsão de ganhar edição nacional, poderia ser considerado um ótimo álbum se sua camada de verão recebesse o nome de outra banda.
Mas vemos a marca sagrada dos Mutantes e, pobre coitado, é preciso responder ao legado tropicalista de alguns dos dois momentos mais geniais de Rita Lee, de Arnaldo Baptista e do maestro Rogério Duprat.
De jeito nenhum, "Haih..." está repleta de referências aos Mutantes em seus melhores momentos, entre 1967, quando estreou no Festival do Disco ao lado de Gilberto Gil, e 1972, último ano de Rita na banda.
Mas esses elementos estéticos, todos característicos daquele momento histórico-cultural, aparecem com certa obsessão no álbum de 2009. Parecem ter sido buscados, milimetricamente calculados e traçados do passado glorioso até os dias atuais.
Como o gênio maligno de Arnaldo Baptista estava ausente (e indisponível para ele), os novos Mutantes se viram atrás de outro gênio maligno para colaborar nas letras. Tom Zé trabalha seis dias 11 neste emprego. E dois clones vêm e desfilam.
A mesma atmosfera psicodélica "caipirrock" de "2001", em parceria com Rita, gravada em 1969, está novamente sem disfarces em "2000 e Agarraum" - agora lançada com Dias.
A brincadeira de "Qualquer Bobagem", outra parceria original de Tom Zé com os Mutantes em 1969, retorna em "Anagrama".
Agora é só gaguejar as últimas sílabas de cada verso.
A batida do coração de "Cantor de Mambo" é autoplagiada em "Samba do Fidel". “Nada Mudou” refere-se diretamente a “Fuga nº 2” (1969); "Neurociência do Amor", até "Tempo no Tempo" (1968).
Não há equivalente para "Minha Menina", ou samba rock de Jorge Ben que lançou a banda, como autor do violino, em 1968. Entra aqui "O Careca", do próprio Jorge Ben - agora Jor.
Os novos Mutantes, é claro, gostam muito dos dois Mutantes originais. Só falta o principal: originalidade.
Você pode ouvir no Spotify:
https://open.spotify.com/intl-es/album/3wkm8JdH4BKiyrrn9KJ4m0
Track List:
1. Hymns Of The World P.1 (Intro) (0:32)
2. Querida Querida (4:13)
3. Teclar (3:11)
4. 2 E Agarrum (3:21)
5. Baghdad Blues (5:17)
6. O Careca (3:55)
7. O Mensageiro (3:59)
8. Anagrama (4:12)
9. Samba Do Fidel (5:31)
10. Neurociência Do Amor (4:09)
11. Nada Mudou (5:15)
12. Gopala Krishna Om (3:38)
13. Hymns Of The World P.2 (Final) (1:50)
Line-up:
- Fabio Recco / vocal, piano de cauda
- Bia Mendes / vocal, percussão
- Sérgio Dias Baptista / elétrica, Violões de 12 cordas e acústicos, oud, violoncelo, Hammond, gaita, percussão, voz, arranjos orquestrais, produtor
- Vitor Trida / guitarras elétricas e acústicas, violão "Caipira", violino, violoncelo, flautas, clarinete, teclados, voz, arranjos orquestrais
- Henrique Peters / voz, piano de cauda, Hammond, teclados
- Vinicius Junqueira / baixo
- Ronaldo Leme (Dinho) / bateria, percussão, voz
Com:
Simone Sou / sonoplastia
Vladimir Putin / discurso para o Exército Russo (1)



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