terça-feira, 10 de junho de 2025

Astor Piazzolla - Tango Nuevo: Hora Cero (1986)

 



O maestro Astor Piazzolla retorna ao navio. Desta vez, ele apresenta o que o próprio Astor considerou a melhor obra de sua carreira artística. Juntamente com seu quinteto Tango Nuevo, Piazzolla oferece sete joias originais do tango que mergulham no mundo sombrio da "Hora Zero", que se estende entre a meia-noite e o amanhecer.

Em 1986, Astor Piazzolla já era uma figura de renome mundial. Carregava nos ombros, ora com orgulho, ora com pesar, um peso absurdo: era o maior inovador do tango, o que lhe rendeu inimigos ferozes em sua própria terra e panegíricos incondicionais no exterior, como se cumprisse aquele decreto bíblico de que "ninguém é profeta em sua própria terra". O
marplatense fez com aquela música o que ainda faltava: extrair do tango sua fabulosa riqueza musical, retirando-o da categoria de mero artefato de dança, preservando, ao mesmo tempo, sua essência áspera, suja e malévola.
Seguindo esse objetivo, Astor começou como bandoneonista de Aníbal Pichuco Troilo e terminou nas grandes salas de concerto do mundo, tornando-se aluno de Nadia Boulanger (antes disso, havia sido aluno de Alberto Ginastera) e formando grupos de vários tamanhos e essências. Sim: Astor experimentou trios, quartetos, octetos, nonetos. Com instrumentos puros ou conectado. Com todos eles, ele fez maravilhas. Mas manteve uma preferência: o quinteto, formação com a qual talvez tenha alcançado seus maiores momentos.
É por isso que Tango: Zero Hour é um álbum de maturidade refinada. Lançado quatro anos antes de seu derrame, fez parte de dois álbuns consecutivos que ele gravou com Kip Hanrahan como produtor no selo Nonesuch-American Clavé (o outro, La Camorra, homenageou o início da era do tango).
Este álbum apresenta algumas partituras antigas que Piazzolla aperfeiçoou incansavelmente e outras inéditas e profundas, sem falta de humor e vigor. Ele é acompanhado por uma seleção de músicos que fizeram do período final de Piazzolla uma lenda: Fernando Suárez Paz (violino), Pablo Ziegler (piano), Horacio Malvicino Sr. (guitarra) e Héctor Console (contrabaixo).
O jornalista Fernando González, na capa interna do CD, define com precisão essa formação: "O quinteto já refletia o espírito de seu líder. Este foi um Astor cosmopolita e "erudito e apaixonado, elegante, mas também vigoroso. Às vezes, no contexto de uma única apresentação, Piazzolla e seu grupo podiam sugerir um conjunto de câmara, e outras vezes soar com a potência de uma orquestra de clube de bairro."
O catálogo de Piazzolla é imenso e, felizmente, continua a crescer, acompanhando o prestígio inabalável do músico em todo o mundo. Embora seja difícil ter uma perspectiva completa, não seria surpreendente nomear Tango: Zero Hour como a melhor gravação de Astor entre todas as que ele fez, mesmo acima daquelas com Agri como violinista ou daquelas da década de 1970. 
O veredito não é caprichoso, é preciso dizer, mas sim responde ao que o próprio Astor Piazzolla pensava e que aparece como epígrafe na contracapa do CD: "Esta é, sem dúvida, a melhor gravação que já fiz em toda a minha vida. Colocamos nossas almas nesta gravação." Palavras de Astor.

Fernando G. Toledo (oidofino.blogspot) 
 
 
Quinteto Tango Nuevo (com Oscar López Ruiz substituindo Horacio Malvicino)
 
 
Membros:
 
Astor Piazzolla: Bandoneon, arranjos
Horacio Malvicino: Guitarra Elétrica
Fernando Suárez Paz: Violino
Pablo Ziegler: Piano
Héctor Console: Contrabaixo 

Tópicos:

01- Tanguedia III
02- Milonga del Ángel
03- Concerto para quinteto
04- Milonga loca
05- Michelangelo '70
06- Contrabajíssimo
07- Mumuki



senha: naveargenta.blogspot




 

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