quarta-feira, 4 de março de 2026

Koan – Med of Poetry (2026)

Koan – Med of Poetry (2026)

Tracklist:
01 – Paints of Emptiness, Pt. 1
02 – Völuspá
03 – Ride of the Valkyries, Pt. 1
04 – Ride of the Valkyries, Pt. 2
05 – Senua’s Saga
06 – Besseggen (Remix)
07 – Yggdrasil, Pt. 1
08 – Dorothy and Emerald Mysteries
09 – Oz [Prequel]
10 – Yggdrasil, Pt. 2
11 – Besseggen
12 – Paints of Emptiness, Pt. 2
13 – Valheim
14 – Affect
15 – Járnviðr
16 – Niflheimr

Earthling – Echo On My Mind Part II (2026)


Earthling – Echo On My Mind Part II (2026)

Tracklist:
01 – Echo On My Mind Part II (Radio Edit)
02 – Echo On My Mind Part II (Main Mix)
03 – Echo On My Mind Part II (Original Mix)
04 – Echo On My Mind Part II (Starmix)
05 – Echo On My Mind Part II (Bonus Beats)


Fever Ray – The Lake / Wrong Flower (From “The Bride!”) (2026)

Fever Ray – The Lake / Wrong Flower (From “The Bride!”) (2026)

Tracklist:
01 – The Lake (Cinematic)
02 – Wrong Flower (Cinematic)
03 – The Lake
04 – Wrong Flower

Madonna – Celebration (Remixes) (2026)

Madonna – Celebration (Remixes) (2026)

Tracklist:
01 – Celebration
02 – Celebration (Oakenfold Remix)
03 – Celebration (Benny Benassi Remix)
04 – Celebration (Oakenfold Remix Dub)
05 – Celebration (Benny Benassi Remix Edit) (2022 Remaster)
06 – Celebration (Johnny Vicious Club Remix)
07 – Celebration (Benny Benassi Dub)

POEMAS CANTADOS DE CAETANO VELOSO


Vaca Profana

Respeito muito minhas lágrimas
Mas ainda mais minha risada
Escrevo, assim, minhas palavras
Na voz de uma mulher sagrada

Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada

Ê, ê, ê, ê, ê
Dona de divinas tetas
Derrama o leite bom na minha cara
E o leite mau na cara dos caretas

Segue a movida Madrileña
Também te mata Barcelona
Napoli, Pino, Pi, Pau, Punks
Picassos movem-se por Londres

Bahia, onipresentemente
Rio e Belíssimo Horizonte
Bahia, onipresentemente
Rio e Belíssimo Horizonte

Ê, ê, ê, ê, ê
Vaca de divinas tetas
La leche buena toda en mi garganta
La mala leche para los puretas

Quero que pinte um amor Bethânia
Stevie Wonder, andaluz
Mas do que tive em Tel-Aviv
Perto do mar, longe da cruz

Mas em composição cubista
Meu mundo Thelonious Monk's blues
Mas em composição cubista
Meu mundo Thelonious Monk's blues

Ê, ê, ê, ê, ê
Dona das divinas tetas
Quero teu leite todo em minha alma
Nada de leite mau para os caretas

Sou tímido e espalhafatoso
Torre traçada por Gaudi
São Paulo é como o mundo todo
No mundo, um grande amor perdi

Caretas de Paris e New York
Sem mágoas, estamos aí
Caretas de Paris e New York
Sem mágoas, estamos aí

Vaca das divinas tetas
Teu bom só para o oco, minha falta
E o resto inunde as almas dos caretas

Mas eu também sei ser careta
De perto, ninguém é normal
Às vezes, segue em linha reta
A vida que é meu bem, meu mal

No mais, as ramblas do planeta
Orxata de xufa, si us plau
No mais, as ramblas do planeta
Orxata de xufa, si us plau

Ê, ê, ê, ê, ê
Deusa de assombrosas tetas
Gotas de leite bom na minha cara
Chuva do mesmo bom sobre os caretas


Vai Levando (part. Chico Buarque)

Caetano Veloso

Mesmo com toda a fama
Com toda a brahma
Com toda a cama
Com toda a lama

A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando essa chama

Mesmo com todo o emblema
Todo o sistema
Todo o problema
Toda Ipanema

A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando essa gema

Mesmo com o nada feito
Com a sala escura
Com um nó no peito
Com a cara dura
Não tem mais jeito
A gente não tem cura

Mesmo com o todavia
Com todo dia
Com todo ia
Todo não ia
A gente vai levando
A gente vai levando
Vai levando
Vai levando essa guia



Que fim levaram? Mike Joyce e Andy Rourke (do The Smiths)

 

Andy Rourke e Mike Joyce
Mike Joyce
: Michael Adrian Paul Joyce nasceu em jun/63, em Manchester, Inglaterra, e foi o baterista da banda The Smiths entre out/82 até jul/87. Embora tenha sido com os Smiths seu primeiro e maior sucesso, ele já havia tocado bateria na banda "The Hoax", de Manchester, e no grupo de Punk irlandês "Victim". Imediatamente após o fim dos Smiths, Joyce e seu companheiro de base rítmica da banda, Andy Rourke, tocaram com Sinéad O'Connor. Eles excursionaram com ela na primeira metade de 1988. Aliás, a dupla mais o guitarrista-base Craig Gannon, também forneceu seção rítmica para dois singles do cantor Morrissey ("The Last Of The Famous International Playboys"/""Lucky Lisp" + "Michaels Bones", de jan/89, e "Interesting Drug"/""Such a Little Thing Makes Such a Big Difference", de abr/89), ambos depois do lançamento do álbum de estreia solo dele, "Viva Hate" (de mar/88). Joyce trabalhou com o Suede (1990), com os Buzzcocks (1990-91), com o Public Image Limited (1992), Julian Cope (1992), P. P. Arnold (1995) e Pete Wylie (1996-98). Joyce, Rourke e Gannon também estiveram reunidos num projeto junto com o guitarrista (também de Manchester) Aziz Ibrahim (que havia tocado com os Stone Roses e com o Simply Red), com Bonehead (ex-Oasis) e Vinny Peculiar. Em 2007, Joyce e Rourke lançaram "Inside The Smiths", um DVD contando suas experiências dentro da banda. Em out/2007, Joyce excursionou pelo Reino Unido tocando bateria para Vinny Peculiar com Bonehead no baixo. Em paralelo a sua carreira musical, Joyce trabalhou como DJ e apresentador na BBC Radio 6 Music. Ele também apresentou programas na East Village Radio, uma estação via internet. Desde out/2017, ele tem apresentado um programa semana na rádio XS Manchester e outro na ITV Granada no qual cozinha direto de seu apartamento. Joyce é descendente de pais católicos irlandeses, é casado com Christina Riley desde 1994, é vegetariano, torce para o Manchester City. Em 1996, ajuizou uma famosa ação contra seus colegas de The Smiths, Johnny Marr e Morrissey, buscando uma divisão igualitária nos direitos e royalties. Joyce ganhou o caso e recebeu indenização de cerca de £ 1 milhão de Morrissey e Marr. De acordo com Morrissey, que apelou sem sucesso das reivindicações de Joyce, Joyce processou Morrissey e Marr, pela primeira vez, em 1989, por 25% dos royalties de gravação dos Smiths. Em 1996, Joyce ganhou o caso com base na "Partnership Act", de 1890.
Rourke, Morrissey, Marr e Joyce
Andy RourkeAndrew Michael Rourke nasceu em jan/64, em Manchester, e ficou muito conhecido como baixista do The Smiths. Era filho de pai irlandês e mãe inglesa (Rourke foi o único membro dos Smiths que não tinha ambos pais irlandeses). Considerado um dos melhores de sua geração, ele tinha um approach melódico e funkeado. Ele entrou na banda após o primeiro show deles. Era amigo do guitarrista Johnny Marr desde a escola primária (onde se conheceram aos 11 anos de idade e compartilharam interesses por música). Após a escola, Rourke passou por uma série de empregos braçais e tocou guitarra/baixo em várias bandas (inclusive numa chamada "Freak Party", junto com Marr). Ele se envolveu com heroína, um vício que sairia de controle quando os Smiths passaram a fazer muito dinheiro. Após o fim da banda, tocou com Sinéad O'Connor (ele aparece no segundo álbum dela, "I Do Not Want What I Haven't Got"), no início dos anos 90. Tocou nos singles já comentados de Morrissey (ele também tocou baixo em outras canções do cantor: ""November Spawned a Monster", de abr/90; ""Piccadilly Palare", de out/90; "Yes, I Am Blind", de nov/89; "Girl Least Likely To" e ""Get Off the Stage", da mesma época). Em 94, foi baixista de sessões de gravação dos Pretenders aparecendo em seis faixas do álbum "Last Of The Independents". Trabalhou com o Killing Joke, Badly Drawn Boy (com quem excursionou por dois anos), Aziz Ibrahim (ex-Stone Roses) e Paul "Bonehead" Arthurs no projeto "Moondog One". Em 2001, tocou na banda veterana em Manchester, Jeep. Em 2005, tocou/gravou com Vinny Peculiar. Foi baixista da banda solo de Ian Brown (vocalista dos Stone Roses) na turnê de seu quinto álbum, "The World Is Yours", de 2007. Foi membro do supergrupo Freebass (que consistiu em três baixistas: Andy Rourke, Peter Hook e Gary "Mani" Mounfield, mais o cantor Gary Briggs), da banda "D.A.R.K." (projeto alternativo formado em NYC no início de 2009 junto com Olé Koretsky e Dolores O'Riordan, dos Cranberries) e do "Blitz Vega" (junto com o guitarrista Kav Sandhu, dos Happy Mondays). Co-fundou a série de concertos "Manchester x Cancer" para levantar grana para pesquisas. Teve carreira na rádio (passou pela XFM ManchesterEast Village Radio etc.). Rourke morreu de câncer de pâncreas em mai/2023 aos 59 anos.

Grandes álbuns do Prog-Rock: Chris Squire - "Fish Out Of Water" (1975)

Christopher Russell Edward Squire (mar/48 - jun/2015) foi o grande baixista do Yes, membro fundador e participante de todos os álbuns lançados entre 1969-2014. Ele é reconhecido como um dos maiores baixistas em todos os tempos, tendo influenciado gerações com seu som incisivo e linhas de baixo melódicas e elaboradamente contornadas. Seu nome é totalmente associado com seu instrumento marca-registrada, o Rickenbacker 4001. Chris Squire nasceu em Londres (região noroeste de Kingsbury), cresceu por lá e regiões vizinhas (Queensbury e Wembley). Seu pai era motorista de taxi e sua mãe era secretária. Jovem, desenvolveu gosto pela música e participou do coral da igreja e da escola. Ele não pensava em carreira musical, até o estouro da Beat Music no início dos anos 60 e o surgimento dos Beatles. Foi um colega de escola quem o indicou o baixo como instrumento ideal para ele por conta de seu corpo alto e mãos grandes. Squire, então, comprou seu primeiro baixo, um Futurama, barato, porém bom para aprender a tocar nele. Em 1964, o diretor da escola suspendeu Squire e um amigo por usarem o cabelo comprido demais. Squire foi para casa e nunca mais voltou. Sua mãe o levou à uma agência de empregos, na qual ele pediu trabalho relacionado à música e conseguiu um vendendo isntrumentos na loja Boosey & Hawkes, na Regent Street. Lá, ele usou um desconto para funcionários e comprou um baixo novo, um Rickenbacker 4001, em 1965.
Sua primeira banda se chamou "The Syn", na praia do R&B, tocando covers, mas depois mudando de direção para o Psych Rock. Uma formação contando com Peter Banks nas guitarras conseguiu uma vaga semanal no Marquee Club, no Soho, seguida por um contrato de gravações com a Deram Records. Chegaram a abrir para o Jimi Hendrix Experience no Marquee e lançaram dois singles ("Created By Clive"/"Grounded" e "Flowerman"/"14 Hour Technicolour Dream"), antes de se separarem. Squire gostava de usar LSD e frequentava o UFO Club sextas à noite até que, numa dessas idas lá em 1967, teve uma "bad trip", ficou desorientado, acabou num hospital por vários dias sem saber quem era, o que era e nada mais. Aquilo o marcou muito. Squire passou vários meses no apartamento de sua namorada com medo de sair na rua. Entretanto, enquanto isso, praticava seu instrumento, o que resultou em seu estilo bem próprio (ele já citou em entrevistas John Entwistle, Jack Bruce, Paul McCartney, Larry Graham e Bill Wyman como suas primeiras influências).
Em set/67, Squire ingressou no Mabel Greer's Toyshop, uma banda psicodélica que incluía o guitarrista Peter Banks, o cantor Clive Bayley e o baterista Bob Hagger. Eles tocaram no Marquee Club e, no La Chasse, bar próximo, Squire conheceu Jon Anderson, um funcionário da casa. Anderson havia tentado ser vocalista da banda "The Gun" e artista solo, porém sem sucesso. Os dois descobriram que tinham interesses musicais comuns (incluindo Simon & GrafunkelThe Association e harmonias vocais). Nos dias seguintes, desenvolveram "Sweetness", canção depois incluída no primeiro álbum do Yes. Squire e Anderson trouxeram o baterista Bill Bruford, o tecladista Tony Kaye e o guitarrista Peter Banks para os ensaios. Era o fim do Mabel Greer's Toyshop e o início do Yes, nome dado por Banks.
Banks, Kaye, Bruford, Squire e Anderson
O primeiro show como Yes foi em ago/68. Squire falou: "Eu não conseguia funcionar bem em outras bandas, porque a maioria dos músicos odiava meu estilo. Eles queriam que eu tocasse algo muito mais básico. Começamos o Yes como um veículo para desenvolver os estilos individuais de cada um". Em jul/69, a banda lançou seu álbum de estreia no qual Squire recebeu crédito por ter composto quatro das oito canções.
Depois que Bruford deixou a banda e foi substituído por Alan White em jul/72, Squire alterou sua forma de tocar para se adequar à mudança na seção rítmica da banda. Ele sentiu que estava "tocando notas demais, embora eu nunca tivesse certeza. Com Bill, as coisas que eu fazia pareciam certas... Com Alan, descobri que era capaz de tocar um pouco menos do que antes e ainda assim tocar transversalmente". Chris Squire se tornaria o único membro a tocar em cada um dos vinte e um álbuns de estúdio lançados pelo Yes entre 1969-2014. Ele passou a ser visto como uma das principais forças por trás da banda e talvez seu membro mais enigmático. Enquanto a maioria das letras era escrita por Anderson, Squire co-escreveu a maior parte da música junto com o guitarrista Steve Howe (que entrou em jun/70, quando o segundo álbum, "Time and a Word", já estava gravado - capas posteriores alternativas mostram uma foto de Howe na formação, mas ele não tocou no disco). Ao longo dos anos, Squire concentrou-se totalmente na música do Yes e produziu pouca coisa solo.
Seu primeiro álbum próprio foi "Fish Out Of Water", de nov/75. No início daquele ano, entre as datas nos EUA e no Reino Unido da turnê de promoção do álbum "Relayer" (de nov/74), do Yes, todos os integrantes concordaram em dar uma parada geral para que cada um gravasse um trabalho solo (Alan White gravou "Ramshackled"; Steve Howe gravou "Beginnings"; Patrick Moraz gravou "The Story Of I" e Jon Anderson gravou "Olias of Sunhillow"). Squire procurou Andrew Pryce Jackman, um amigo de infância e ex-parça de The Syn, que também era tecladista e compositor para ajudá-lo na concepção do álbum, composições e orquestrações (sua participação foi tão significativa que Squire ofereceu-lhe a divisão dos créditos, mas Jackman recusou). "Fish Out Of Water" foi gravado na primavera e no verão de 1975, em dois estúdios, o New Pipers (estúdio caseiro em Surrey do próprio Squire) e no Morgan Studios, em Londres. Alguns dos músicos que Squire utilizou para o projeto foram o baterista Bill Bruford, o tecladista Patrick Moraz, o saxofonista Mel Collins e o flautista Jimmy Hastings (da cena Canterbury). O título escolhido para o álbum era uma referência ao apelido de Squire, "Fish", sendo que "out of water" (fora d'água) era uma referência a ele fazer música fora do Yes pela primeira vez. O álbum foi composto de cinco faixas: "Hold Out Your Hand" (4:13), "You By My Side" (4:59), "Silently Falling" (11:26), "Lucky Seven" (6:54) e "Safe (Canon Song)" (14:56). A introdução de "Hold Out Your Hand" era feita num órgão de tubos da Catedral de St. Paul (tocado pelo organista Barry Rose, outro chapa de infância da dupla Squire/Jackman). Aliás, o órgão seguia por toda a faixa refletindo as experiências dos dois juntos como corista de igreja/escola. O título "Lucky Seven" era uma referência ao ritmo 7/8 (mais usado na música erudita). Uma melódica passagem de "Close To The Edge" aparecia no final da faixa "Safe (Canon Song)". Aliás, o final desta canção era tocado no baixo de uma guitarra de dois braços (guitarra + baixo) usando só os captadores. Pense num mítico álbum perdido do Yes: sim, "Fish Out Of Water" foi o melhor álbum solo que qualquer dos membros da banda já produziu (muitos o consideram melhor que os dois primeiros de Rick Wakeman, "The Six Wives of Henry VIII", de 73, e "Journey to the Centre of the Earth", de 74). Embora nele não participem Jon Anderson e Steve Howe, a maneira como Squire lidou com todas as tarefas (inclusive os vocais e guitarras) demonstra quão essencial ele era para toda a estrutura do Yes. Talvez, você possa pensar: ué, se todos os membros do Yes gravaram álbuns solo como uma saída para as suas canções que não se encaixavam na banda, por que Squire fez um álbum "100% Yes"? Bem, o não criar um disco "diferente" provavelmente apenas revele todo o seu aspecto central na sonoridade do Yes. Então, se você nunca ouviu este álbum, prepare-se, pois trata-se de um trabalho de musicalidade excelente totalmente semelhante ao Yes, com canções excelentes, Prog puro, rico, brilhante, melhor do que metade da discografia da própria banda. Arranjos orquestrais, vocais de Squire no melhor estilo Yes, baixo desbundante, um desfile de músicos de alto calibre. Não espere exibições virutuosísticas de baixo, mas sim qualidade de composições primeira classe. Belas faixas, algo majestosas, permitindo que Squire explore possibilidades confortavelmente. Na época, "Fish Out Of Water" foi o mais aclamado entre aqueles esforços solo, mas ao longo das décadas passou a ser visto como uma obra-prima (soando absolutamente ótimo até hoje) e um disco obrigatório para fãs do Yes




Grandes canções: Crosby Stills Nash & Young - "Almost Cut My Hair" (1970)

"Almost Cut My Hair", canção do grupo Crosby Stills Nash & Young, foi originalmente lançada no segundo álbum "Déjà Vu", de mar/1970. Ela foi gravada no Wally Heider Studios, em 9/jan/1970. Foi o primeiro deles no formato quarteto com a inclusão de Neil Young. "Déjà Vu" foi direto ao nº. 1 das paradas e gerou três singles Top 40 ("Woodstock", "Teach Your Children" e "Our House"). Um dos maiores álbuns de todos os tempos certificado sete vezes "disco de platina" só nos EUA. Até hoje já vendeu mais de 8 milhões de cópias. Aliás, é o álbum de maior vendagem da carreira de cada um dos artistas que nele participaram. As gravações do álbum se deram entre jul/69 e jan/70 com produção dos quatro membros. Foram muitas e muitas horas de estúdio e isto fica claro meticulosa atenção aos detalhes em cada faixa. Curiosamente, a maioria das canções (exceto "Woodstock", "Almost Cut My Hair" e "Helpless") foram gravadas em sessões individuais com os demais contribuindo aqui e ali com o que fosse necessário e pudesse ser acordado. Neil Young apareceu apenas em metade das faixas (Nash contou que ele geralmente gravava suas canções sozinho em Los Angeles e depois as trazia para o estúdio para que todos os outros colocassem suas vozes e depois as levava para mixá-las). Stephen Stills comentou ter sido um álbum muito difícil de fazer e que houve canções após canções que não funcionavam (por exemplo, a faixa "Déjà Vu" teve cerca de 100 takes). Durante essas sessões Crosby teve momentos de muito choro por causa da então recente morte de sua namorada, Christine Hinton (em 30/set/69, aos 21 anos, num acidente de carro no qual ela bateu num ônibus escolar enquanto levava seus gatos para o veterinário - 'David foi identificar o corpo e nunca mais foi o mesmo', contou Nash ao fotógrafo Dave Zimmer). Além disso, Nash e Joni Mitchell haviam se separado, Stills e Judy também. Por tudo isso, o clima das gravações foi muito diferente daquele do primeiro álbum com tudo bem sombrio. Os quatro também não estavam se dando mais tão bem, criticando as contribuições uns dos outros, causando atritos (Crosby contou à revista Rolling Stone: 'eu mantive 'Almost Cut My Hair' lá apesar dos protestos de Stephen, que não a queria pois considerava aqueles vocais ruins').
Vocais ruins? Como assim? "Almost Cut My Hair" tem uma performance vocal de David Crosby das maiores de todos os tempos! Isto só pode ser birra entre eles. Ela descreve um dilema da vida real enfrentado por muitos hippies: cortar o cabelo em um comprimento mais prático ou deixá-lo comprido como símbolo de rebeldia. Composição toda de Crosby com o restante da banda juntando-se a ele nos instrumentos (e sem as harmonias vocais que eram tão características do grupo). Foi toda gravada no estúdio com todos juntos, mais Dallas Taylor (bateria) e Greg Reeves (baixo). Embora a noção de cabelo comprido como uma espécie de "marca de marginal" (pessoa fora da sociedade) já existisse, a canção de Crosby institucionalizou a ideia como símbolo deliberado e visível da personalidade do usuário (filiado à contracultura e opositor dos valores estabelecidos). A canção também evoca a paranóia que existia ao ver a polícia e, mais do que qualquer outra canção da época, ela capturou até que ponto a divisão na sociedade americana havia se transformado em violência e terror. Tornou-se uma das canções marca-registrada de Crosby e provavelmente sua canção política mais importante. O próprio Crosby disse: "Foi o conjunto de letras mais juvenil que eu escrevi... mas tem um certo impacto emocional, não há dúvida sobre isso"
Almost Cut My Hair / Quase Cortei Meu Cabelo
Almost cut my hair / Quase cortei meu cabelo
Happened just the other day / Isso aconteceu outro dia
It's gettin' kind of long / Está ficando meio longo
I could've said it was in my way / Eu poderia ter dito que estava me atrapalhando
But I didn't and I wonder why / Mas eu não cortei e me pergunto o porquê
I feel like letting my freak flag fly / Sinto como se deixasse meu lado doido aparecer
And I feel like I owe it to someone / E eu sinto como se eu devesse isso a alguém

Must be because I had the flu this Christmas / Deve ser porque eu tive gripe nesse Natal
And I'm not feeling up to par / E eu não estou me sentindo tão bem
And increases my paranoia / E isto aumenta minha paranoia
Like looking in my mirror and seeing a police car / Como se olhasse no espelho e visse um carro de polícia
But I'm not, i'm not giving in an inch to fear / Mas eu não, não vou ceder nem um centímetro ao medo
Cause I've promised myself this year / Porque eu prometi à mim mesmo esse ano
I feel like I owe it to someone / Eu sinto como se devesse isso a alguém

When I finally get myself together / Quando eu finalmente me recompor
I'm gonna get down in that sunny southern weather / Eu vou descer para o clima ensolarado do sul
I'm goin' find a space inside a laugh / Eu vou encontrar um espaço dentro de uma risada
Separate the wheat from some chaff / Separar o bom do ruim
I feel like I owe it to someone / Eu sinto como se devesse isso a alguém




Tesouros perdidos ( Agitation Free - Alemanha - 1972/1973)

 

Agitation Free - Alemanha - 1972/1973

Em termos musicais, o movimento hippie e a psicodelia, aliados à luta por uma sociedade mais igual e libertária, especialmente na reta final dos anos 60, na América, teve impactos diferentes em cada canto do globo. Numa Alemanha que ainda vivia a ressaca do pós guerra (afinal a reconstrução de um país devastado por uma guerra leva muito mais tempo do que podemos imaginar), a falta de identidade cultural era tremenda. Artistas de todas as áreas se exilaram ou desapareceram no período pré e durante a 2ª Guerra . Com isso, a cultura local foi infestada pelo estrangeirismo. O krautrock foi uma reação espontânea. Ao absorver valores e elementos do que acontecia no mundo, a nova geração de músicos criou uma identidade própria, à base de muito experimentalismo. O grupo Agitation Free é um dos principais frutos desse panorama.

Assim como outros pioneiros, como Kraftwerk, Guru Guru, Neu e Tangerine Dream, o Agitation Free fazia uso da eletrônica para criar colagens interessantes com instrumentos “normais” de uma banda de rock, especialmente a guitarra, que conduz a sonoridade inspirada do quinteto. Até a gravação do primeiro disco, transitaram no conjunto músicos que depois se estabeleceriam no Guru Guru e no Tangerine Dream, ou seja, o Agitation foi uma usina dentro do krautrock. Com dois guitarristas, Lutz Ulrich e


Surgido no final dos anos 60, o nome foi tirado aleatoriamente do dicionário. Mas após algumas apresentações, descobriram que já existia um grupo com o mesmo nome. Adicionaram, então, a palavra free, que daria a conotação de concerto livre, algo muito comum naqueles tempos, aliado ao fato de que o som do grupo tinha como base livres improvisações. O primeiro disco foi lançado em 1972 e recebeu o nome de Malesh, inspirado na turnê que  haviam acabado de fazer por Egito, Grécia e Chipre.

No ano seguinte lançam 2nd, um álbum mais conciso e melódico. Disco climático e muito prazeroso de se ouvir. Repleto de experimentações e sons estranhos, está longe de ser entediante por ser muito equilibrado e melódico. Destaque total para as guitarras, que deixam o som rico e estimulante, algo como viríamos muito depois em bandas como Radiohead. Em Laila partes I e II temos o grande momento do álbum, com todos os instrumentos se entrecortando com brilho, valorizados pelos belos e longos solos de guitarra.


O Agitation Free recebeu muito mais atenção na França do que em seu país de origem. Com menos sucesso comercial do que seus conterrâneos, o grupo encerrou as atividades em 1974. O lançamento do terceiro álbum, devidamente intitulado como Last, aconteceu com a banda já inexistente. O reconhecimento aconteceu posteriormente e vários álbuns foram lançados por gravadoras independentes, a maioria com apresentações ao vivo e outtakes. Em 1998, voltaram a se reunir para uma tour europeia e o lançamento de um novo disco. River of Return saiu em 1999 sem qualquer repercussão. Quem se interessa pela riqueza e história do krautrock não deve deixar de conhecer esse interessante conjunto, especialmente seus dois primeiros discos.




Destaque

Koan – Med of Poetry (2026)

Artist: Koan Album: Med of Poetry Genre: Electronic Released: 2026 Tracklist: 01 – Paints of Emptiness, Pt. 1 02 – Völuspá 03 – Ride of th...