
Stevie Wonder nunca viu a capa deste álbum, o que talvez seja melhor assim.
Segundo um artigo da revista New Yorker, Stevie Wonder começou a trabalhar em Conversation Peace em 1987. Nessa época, Wonder lançava músicas em um ritmo mais lento do que nos anos 70 e se adaptava aos estilos pop dos anos 80, trabalhando com a mais recente tecnologia de sintetizadores. Isso se provaria um sucesso para ele em faixas como "I Just Called to Say I Love You" (1984), seu maior sucesso, e "Part-Time Lover" (1985), que alcançou o primeiro lugar na Billboard. Menos bem-sucedido e menos comentado é o álbum Conversation Peace finalizado , que foi lançado não nos anos 80, mas na mesma semana que eu, em março de 1995.
Diversas fontes atestam que Wonder escreveu todo o álbum Conversation Peace em Gana, mas aparentemente esse é um país que ele visitou pela primeira vez em 1993, anos depois de começar a trabalhar no álbum. Independentemente de a maior parte ter sido escrita lá ou não, o país não parece ter tido um impacto perceptível na música. Em termos de produção, Stevie encontra aqui sua essência New Jack Swing, com a faixa de abertura “Rain Your Love Down” dando o pontapé inicial como uma música do Boyz II Men, e uma ótima, por sinal. “Edge of Eternity” é, apesar do título sombrio, uma música animada e sensual, com Wonder cantando: “Garota, eu vou te pegar como se nunca tivesse sido pega antes!”. Caramba!
Minha música favorita aqui é provavelmente “Treat Myself”, um hino proto-autocuidado que vibra sobre flautas de pã sintetizadas e slap bass (terminando com o clássico solo de gaita do Stevie). Se isso parece muita coisa, é porque realmente é, e você precisa se entregar ao som elástico dos anos 90 do álbum para apreciá-lo de verdade. A batida de “Sorry” soa como uma sobra da trilha sonora de Mario Kart 64. Mas esses elementos também são o que fazem de Conversation Peace uma joia esquecida na discografia de Stevie Wonder. “My Love Is With You” tem um refrão construído no modelo de “As”, de Songs in the Key of Life : rítmico, circular e verdadeiramente emocionante.
Um dos fatores que impedem este álbum de se tornar um clássico é o conteúdo lírico. O tema da paz é abordado com uma banalidade quase infantil, como se vê nas faixas de abertura e encerramento, e neste verso particularmente estranho de "Take the Time Out": "Há um homem numa casa onde vendem crack / Mas ele tenta ser forte / Mas quando perdido no mar da desesperança / Ele precisa ser salvo do mal". O quê? Além disso, as letras são, em sua maioria, simplistas demais ou desajeitadas.
A música mais grandiosa e marcante do álbum, "For Your Love", reflete com precisão o espírito de Conversation Peace como um todo. Há um verso um tanto desajeitado: "Um diamante que brilha / Como uma estrela no céu / Não é nada para se contemplar / Pois minúscula é qualquer luz / Se não puder, como você, iluminar minha alma". Mas ainda assim é uma ótima canção, sem dúvida, pois é maravilhosamente composta musicalmente, e Stevie Wonder é um cantor incrível. Pode não ter toda a genialidade de suas maiores obras, mas poucas gravações a possuem, e Conversation Peace vale a pena ser ouvido.
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