Black Oak Arkansas é o álbum de estreia da banda norte-americana de mesmo nome, logicamente, a Black Oak Arkansas. Seu lançamento original aconteceu em março de 1971, através do selo Atco. As gravações ocorreram nos estúdios Paramount Recording Studios e Gold Star Studios, ambos em Hollywood, nos Estados Unidos. A produção ficou por conta de Lee Dorman e Mike Pinera.
Hoje o site traz a estreia da banda Black Oak Arkansas. Conforme se faz há mais de 10 anos por aqui, vai-se tratar das origens do grupo para depois se ater ao disco propriamente dito.
Origens
O grupo surgiu, conforme seu próprio nome sugere, em 1963, na cidade de Black Oak, Estado norte-americano de Arkansas, com colegas de escola do ensino médio. O primeiro nome do conjunto foi The Knowbody Else.
Os membros fundadores do conjunto foram Ronnie Smith (vocal), Rickie Lee Reynolds (guitarra), Stanley Knight (guitarra), Harvey Jett (guitarra), Pat Daugherty (baixo) e Wayne Evans (bateria).
Pouco tempo depois, a banda e Ronnie "Chicky Hawk" Smith encontraram em um amigo em comum, chamado James "Jim Dandy" Mangrum, um líder e vocalista melhor, enquanto Smith concordou que ele próprio seria um manager de produção (e de palco) melhor.
O primeiro sistema de PA da banda foi roubado da Monette High School. Os membros do grupo foram acusados à revelia de furto e condenados a 26 anos na Tucker Prison Farm, uma sentença que foi posteriormente suspensa. O fato levou os caras a se retirarem para as colinas do centro-norte rural do Arkansas, onde viveram da terra e refinaram seu estilo musical.
Eles também moravam em Long Beach, no Mississippi, e tocavam no teatro/salão de dança local e em um lugar chamado "The Black Rainbow". Algumas de suas influências musicais durante esse período eram Beatles e Byrds.
| Jim Dandy |
Disco e fracasso comercial
A banda The Knowbody Else se mudou para Memphis, no Tennessee, em 1969, e assinou um contrato de gravação com a Stax Records. Seu álbum de estréia autointitulado foi totalmente ignorado pelo público.
Durante esse tempo, a banda se interessou pela psicodelia e pelo espiritualismo oriental que, combinados com a educação batista do sul dos Estados Unidos, contribuiriam para a formação do seu som.
Novos rumos
Depois de várias idas e vindas para Los Angeles, Califórnia, em 1970, a banda assinou contrato com a Atco Records e decidiu mudar seu nome para Black Oak Arkansas, em clara referência a suas origens.
Segundo o contrato, o seu álbum de estréia autointitulado, Black Oak Arkansas, deveria ser lançado em 1971.
| Harvey Jett |
O disco foi gravado na Califórnia, com produção de Mike Pinera (que ficaria conhecido como guitarrista do Alice Cooper) e de Lee Dorman (baixista do Iron Butterfly, banda que já abordamos no site). Os estúdios usados foram o Paramount Recording Studios e o Gold Star Studios, ambos na Califórnia.
A capa, simples, é obra de Eve Babitz. Vamos às faixas:
UNCLE LIJIAH
“Uncle Lijiah” abre o álbum com as influências sulistas (dos EUA) no Rock do Black Oak Arkansas, em um claro flerte com o Country.
A letra remete aos clássicos do Blues em que eram comuns letras com pactos com o demônio:
Outside he heard the rattle of chains
And he ran from someone
He thought insane
As he heard the devil
Callin' out his name
The devil grabbed his suspenders well
And he trembled
As he felt the hand from hell
And he let out with a hairy yell
MEMORIES AT THE WINDOW
“Memories at the Window” é uma bela balada, com um ritmo leve, suave e cativante, com uma letra comovente.
A letra é em tom de despedida:
I went to the window
To look for some memories we had
But it seemed that the window
Had lost all its meaning
That's sad
I gazed thru the window
But things didn't look like before
For the things I used to see
I know I'll see them no more
THE HILLS OF ARKANSAS
“The Hills of Arkansas” é uma música bem divertida, novamente com uma pegada bem Country.
A letra é apaixonada:
Oh lucky days and lovely nights
We saw the beauty
From the mountainsides
There came a fall
There came a spring
There came our love
Can ya hear it sing
I COULD LOVE YOU
Fortíssimos ecos do poderoso Cream estão na excelente “I Could Love You”.
A letra é simples e em tom entusiasta:
If you're feelin' what I'm feelin'
It would be all right
But if you're feelin'
What I'm dealin'
Then we're high high high
HOT AND NASTY
A pesada e dançante “Hot and Nasty” é um clássico inconteste do grupo.
A letra é bastante divertida:
When I come a knockin' at your door
Let me in and I'll tell you some more
No two men are ever the same
And they tell me
Jim Dandy is my name
SINGING THE BLUES
A divertida versão para “Singing the Blues” é um blues rock competente.
A letra é um blues doloroso:
I never felt more like cryin' all night
When every things wrong
and nothin' is right without you
Ya got me singin' the blues
A canção é uma versão para o clássico “Singing the Blues”, regravada incontáveis vezes por inúmeros artistas, mas originalmente composta por Melvin Endsley.
LORD HAVE MERCY OF MY SOUL
“Lord Have Mercy of My Soul” possui guitarras afiadas e bons vocais de Dandy.
A letra é sobre culpa:
I hope I've done the right things
For both your sake and mine
I preach in what I live for
My only fear is fear of time
I wanted to look logical
to both my "Maker" and his host
But this trip of life must be complete
or my cards will be lost
WHEN ELECTRICITY CAME TO ARKANSAS
A instrumental “When Electricity to Arkansas” encerra o disco em um clima de improvisação.
Considerações Finais
Embora contenha alguns clássicos do Black Oak Arkansas, seu álbum de estreia ficou apenas com a modesta 127a posição da principal parada norte-americana de discos.
Jim Newson, do site AllMusic, dá uma nota 3 (em 5) ao trabalho, apontando: “Produzido por Lee Dorman e Mike Pinera do Iron Butterfly, Black Oak Arkansas introduziu uma tempestade de três guitarras sustentando os assustadores rosnados graves profundos do vocalista Jim "Dandy" Mangrum. Este era um som diferente de qualquer outro na então nascente cena do Southern Rock”.
Newson conclui: ”Embora o som rapidamente se tornasse caricatural nos lançamentos subsequentes, esse lançamento inicial continha a centelha do novo e diferente”.
O registro apresenta clássicos eternizados do grupo, como "Hot and Nasty", "Lord Have Mercy On My Soul", "Uncle Lijiah" e "When Electricity Came To Arkansas", esta última, foi acusada por grupos religiosos fundamentalistas de conter "mensagens satânicas" mascaradas (possivelmente por conta de uma apresentação ao vivo da música em que Mangrum pronuncia "dog si eh" e "natas" três vezes).
A banda saiu em turnê extensivamente, ganhando uma reputação como um bom show ao longo do início dos anos 1970 por todo os EUA, e até mesmo na Europa.
Keep the Faith, segundo disco da banda, saiu em 1972.
Formação:
Jim "Dandy" Mangrum - Vocal, Washboard
Rickie "Ricochet" Reynolds - Guitarra rítmica de 12 cordas
Pat "Dirty" Daugherty - Baixo
Harvey "Burley" Jett - Guitarra, Banjo, Piano
Stanley "Goober" Knight - Guitarra Solo, Steel guitar, Órgão
Wayne "Squeezebox" Evans – Bateria
Faixas:
Todas as faixas creditadas a Mangrum/Reynolds/Daugherty/Jett/Knight/Evans, exceto onde é apontado:
1. Uncle Lijiah - 3:17
2. Memories at the Window - 3:05
3. The Hills of Arkansas - 3:45
4. I Could Love You - 6:10
5. Hot and Nasty (Daugherty/Jett/Knight/Reynolds/Smith/Stone) - 2:55
6. Singing the Blues (Endsley) - 2:17
7. Lord Have Mercy on My Soul - 6:15
8. When Electricity Came to Arkansas – 4:26
Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: https://www.letras.mus.br/black-oak-arkansas/
Opinião do Blog:
A estreia do Black Oak Arkansas é um bom exemplo do que é o chamado “Southern Rock”.
O disco traz em sua sonoridade uma proposta de misturar a música tradicional norte-americana com o Rock ‘n’ Roll. As influências mais evidentes são, obviamente, o Country e o Blues, mas até mesmo ecos de ‘gospel’ podem ser sentidos no trabalho.
Assim, as misturas de musicalidades mais suaves com abordagens mais agressivas das guitarras ganham um toque particular com os vocais rasgados de Jim Dandy, os quais acabam combinando perfeitamente.
Isto é perfeitamente evidente em faixas como “Lord Have Mercy on My Soul” e “The Hills of Arkansas”. A pegada mais rock se torna mais explícita em “I Could Love You”, que traz o Cream à mente de modo imediato e é a melhor do disco, junto ao clássico “Hot and Nasty”, esta, um resumo do que é o Southern Rock.
As letras são por vezes divertidas e combinam com o ar mais descontraído da banda, embora letras com um fundo de ‘pregação’, como “Lord Have Mercy on My Soul” me incomodem.
Concluindo, Black Oak Arkansas é um álbum que traz a estreia da banda de mesmo nome fazendo bonito. Apesar de pouco comentado, o disco apresenta músicas muito boas e com muita identidade própria, sendo uma ótima pedida para fãs deste tipo de abordagem e até mesmo para ouvintes ocasionais.
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