segunda-feira, 23 de março de 2026

Macondo - El Eterno Retorno (2011)

 

Do Peru, em nossa jornada pela melhor música rock daquele país, revisitamos o primeiro álbum do Macondo, banda formada no coração de Lima, capital peruana, em 2005. Ao longo desse tempo, o grupo forjou um estilo focado em um rock complexo e poderoso, assumidamente psicodélico e magnificamente permeado por influências progressivas. Eis mais um capítulo no grande livro da música independente latino-americana que, como acontece em todo o mundo, sempre gera grande repercussão. 

Artista: Macondo
Álbum: The Eternal Return
Ano: 2011
Gênero: Progressivo / Pós-hardcore / Pós-rock Psicodélico
Duração: 46:01
Nacionalidade: Peru



Macondo
 é um grupo que leva muito a sério sua missão de fazer rock, em suas próprias palavras, "com um espírito urgente, inquieto e experimental". A banda possui um repertório considerável, bem conhecido por seus fãs dedicados, construídos ao longo dos anos: parte desse repertório está presente em seu álbum de estreia, "El Eterno Retorno" (O Eterno Retorno). Atualmente, o grupo está planejando o lançamento físico do álbum, mas por enquanto, vamos analisá-lo sem mais delongas.
 
A gravação foi realizada em três longas sessões, distribuídas ao longo de três anos, devido à passividade, apatia e letargia do povo macoês na época. Este álbum é o primeiro fruto do trabalho, dedicação e paixão de Macondo. 
 

E para nos falar sobre este álbum, temos as palavras do nosso sempre presente e involuntário comentarista, que nos diz o seguinte...

 Logo no início de 'SW Bebop', a aspereza dos arpejos gêmeos de guitarra nos coloca em alerta imediato para o ataque feroz que está por vir . De fato, o quarteto se entrega completamente, demonstrando agilidade na alternância entre passagens agressivas e mais contidas, articulando variações rítmicas inteligentes à medida que o desenvolvimento sofisticado dos temas se desenrola: essa eletrificação psicodélica estabelece fortes laços com o pós-metal. A segunda faixa, 'Retorno' (Retorno), começa com uma calma acinzentada, aparentemente lânguida, mas que na realidade esconde uma fúria que logo emergirá de forma sólida e clara: os vocais ajudam a ancorar essa fúria. O grupo reforça sua essência psicodélica adicionando nuances de ruído à mistura, bem como um toque de pós-punk na passagem instrumental final. A primeira faixa ambiciosa do álbum é 'Realidad / En Las Puertas Del Infierno' (Realidade / Nos Portões do Inferno), uma peça de 12 minutos. Seu som é poderoso, diretamente relacionado às influências pós-metal já presentes em 'SW Bebop', amplificando sua explosividade e empregando riffs e nuances inspirados no stoner rock com uma pulsação firme e uma força incandescente. Um híbrido de Isis, Guru Guru e Black Sabbath com participações especiais de Lee Ranaldo e Steve Hillage ? Parece ser assim que podemos descrever a estrutura formal do que se desenrola nesta faixa. Após essa conflagração sonora hiperbólica e intensa, é sempre bem-vindo que 'Antes De Partir (Memorias De La Batalla)' (Antes de Partir (Memórias da Batalha)) ofereça uma mudança para tons um pouco mais leves. A faixa se concentra em uma vibe rock direta, habilmente conduzida pela estrutura rítmica sustentada pela dupla Jiménez-León. Os vocais são ferozes, completando uma paisagem sonora com afinidades pós-punk subjacentes. Os últimos 13 minutos e meio do álbum são ocupados por "Crônicas de um Doce Naufrágio", uma faixa que se desenrola através de uma intrigante combinação de diversos motivos, que vão da psicodelia pesada a um espírito furioso de stoner rock, juntamente com uma passagem lisérgica e voltada para o pós-rock no primeiro terço, servindo como uma espécie de incubação para o que se segue. A banda parece confortável em se deter no clímax final, estendendo-o consistentemente até uma conclusão sombriamente relaxante.
Esta resenha só pode ser concluída expressando uma mensagem de satisfação com a maneira impressionante com que eles mantêm a frescura e um senso de surpresa em sua vontade de abraçar a linguagem do rock como uma aventura dentro da cena peruana atual. Macondo é uma banda que merece ser levada a sério pelo público e pela imprensa especializada em rock.
César Mendoza

Você pode ouvi-la na página deles no Bandcamp:


Lista de faixas:
1. SW Bebop
2. Return
3. Reality / At Hell's Gate
4. Before I Leave (Memoirs of the Battle)
5. Chronicles of a Sweet Shipwreck

Formação:
- Alonso Jiménez / bateria e percussão
- Iván León / baixo e vocais
- Ricardo Barreto / guitarras
- Camilo Uriarte / guitarras, teclados e vocais


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