O grupo original foi formado em 1967. John Renbourn e Bert Jansch, que dividiam uma casa em St John's Wood (região nobre de Londres), já eram músicos populares na cena Folk britânica, com vários álbuns solo cada e um LP em dueto, "Bert e John" (de set/66). O uso de partes complexas com violões interdependentes, chamadas de "Folk barroco", tornou-se uma característica distintiva da música da dupla. Ambos tinham fama de inovadores com canções e ideias musicais notavelmente originais.
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| John Renbourn e Bert Jansch |
Danny Thompson (baixista) e Terry Cox (baterista) eram conhecidos como músicos de Jazz e já haviam tocado juntos na banda de Alexis Korner. Em 1966, ambos faziam parte do Duffy Power's Nucleus (uma banda que também incluía um John McLaughlin antes da fama, na guitarra elétrica). Thompson era bem conhecido de Renbourn por suas aparições no Les Cousins e por ter trabalhado com ele num projeto para TV. Em 1967, o empresário escocês Bruce Dunnet, que recentemente havia organizado uma turnê para Jansch, montou um night club no Horseshoe Hotel, na Tottenham Court Road, e o chamou para tocar. Jacqui McShee logo se junto como vocalista e, em mar/67, Thompson e Cox foram anunciados como parte da banda. Renbourn contou depois ter sido o "catalisador" que uniu a banda, mas que foi de Jansch a ideia de "fazer a banda tocar em um lugar regular, para colocá-la em forma".
Embora nominalmente um grupo de British Folk, todos passaram a compartilhar gostos pessoais e influências. McShee tinha uma base na música mais tradicional, Cox e Thompson um amor pelo Jazz, Renbourn um interesse crescente pela música antiga e Jansch um gosto pelo Blues e artistas contemporâneos como Bob Dylan. O primeiro concerto público do Pentangle foi uma apresentação com ingressos esgotados no Royal Festival Hall, em 27/mai/67. Mais tarde naquele ano, eles realizaram uma curta turnê pela Dinamarca - na qual foram desastrosamente considerados uma banda de Rock'n'Roll - e uma curta turnê pelo Reino Unido, organizada por Nathan Joseph, da Transatlantic Records. Nessa fase, a associação com Bruce Dunnett havia terminado e, no início de 1968, passaram a ter Jo Lustig como empresário. Com a sua influência, eles passaram dos clubes para salas de concerto e a partir de então, como resumiu Colin Harper, "o progresso desorganizado/despreocupado do Pentangle se tornaria uma máquina aerodinâmica de propósito e eficiência".
O Pentangle assinou contrato com a Transatlantic Records e seu LP de estreia homônimo foi lançado em mai/68. Este álbum totalmente acústico foi produzido por Shel Talmy, que afirmou ter empregado uma abordagem inovadora para gravar violões e entregar um som "semelhante a um sino" muito brilhante. No encarte, uma apresentação do DJ John Peel. O resultado era mais uma mistura de Folk-Jazz-Blues do que Folk-Rock. Havia as batidas e ritmos, havia eletrificação/amplificação de instrumentos, havia as harmonias vocais, havia ousadia/aventura e o espírito irreverente que os conectava ao público do Rock (que logo constituíram a maioria do público do Pentangle). Havia nesta estreia algo emocionante, como se testemunhássemos uma banda rumo à grandeza. Igualmente confortáveis com faixas mais tradicionais, ou outras instrumentais e em seu próprio material autoral, a banda buscou colocar ali sua essência. É claro que as reputações de Bert Jansch e John Renbourn precederam a banda, mas a seção rítmica jazzística e os espaços para solos extensos deu-lhes algo diferente. A cantora Jacqui McShee completava o quebra-cabeças deste som estratificado, combinando luz e sombra, atmosferas, arranjos espaçosos, belo uso do estéreo (com a guitarra de Jansch de um lado e a de Renbourn do outro). Um álbum quase perfeito com uma espécie de atualização da música Folk inglesa. No final de jun/68, eles se apresentaram no Royal Festival Hall de Londres. As gravações desse show fariam parte do segundo álbum, "Sweet Child" (lançado em nov/68), um LP duplo composto por gravações ao vivo e de estúdio. Era o auge do Pentangle e muitos consideram este trabalho o mais representativo da carreira da banda. Demonstrava o quão versátil ela era em sua construção única de música a partir do Folk inglês, do Jazz, da música Celta, do Blues e do Pop. Alguns covers tocados ao vivo eram deslumbrantes. Os encantadores vocais de McShee, a tapeçaria virtuosa das guitarras/violões de Renbourn/Jansch e a base jazzística da dupla Cox/Thompson. As faixas de estúdio também eram excelentes num álbum encantador e sublime.
Neste contexto, surgiu "Basket Of Light", de out/69, que se tornaria o maior sucesso comercial deles (alcançou o Top 5 inglês). Embora "Sweet Child" realmente seja usualmente citado como o nível mais alto alcançado pelo grupo, "Basket Of Light" trouxe-os no seu aspecto mais Prog e excitante. Havia o surpreendente hit "Light Flight", que se tornaria muito popular pelo seu uso como música-tema da série "Take Three Girls", da BBC (primeira série dramática dela a ser feita à cores, para a qual o grupo também forneceu música incidental). Havia a comovente versão para a tradicional canção Folk "Once I Had a Sweetheart", havia a reinvenção do sucesso Girl Group "Sally Go Round The Roses" (das The Jaynetts), havia "Springtime Promises" - uma das melhores composições próprias deles, havia toda a dinâmica jazzística, enfim era o Pentangle no topo de sua popularidade. Eles fizeram trilhas sonoras, um monte de aparições em programas de TV e várias turnês pelo Reino Unido (incluindo participação do Isle of Wight Festival, em 1970) e até um concerto no famoso Carnegie Hall, nos EUA. "Basket Of Light" permanece como uma obra-prima, na qual a banda criou um perfeito equilíbrio entre as canções Folk tradicionais revisitadas e as composições autorais no melhor estilo Jazz-Folk-Blues. Um trabalho de beleza atemporal.









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