
O que é hype? No cenário atual, é algo mais importante que a música em si. A promoção extrema de algo que ninguém ainda ouviu, de algo inédito, levando a uma expectativa gigantesca que produz opiniões definitivas e exageradas antes mesmo de o tal disco em questão ver a luz do dia. Hoje, as pessoas não ouvem mais música como ela deve ser ouvida. Não dão tempo para que a música aconteça. Ao clicar no botão de download e baixar um álbum, já elaboram a sua opinião sobre ele antes mesmo de escutar o trabalho com atenção. Nos dias de hoje, onde a maioria vive à velocidade da luz, tem acesso a tudo mas não tem recheio e conteúdo algum, importa muito mais o significado de dizer que está ouvindo, que gosta, que curtiu - ou odiou - tal disco, no lugar do que deveria realmente importar: ouvir a música pelo que ela é.
É aí que chegamos em ... Like Clockwork, o novo álbum do Queens of the Stone Age. Desde que foi anunciado há alguns meses, o novo trabalho da banda liderada pelo vocalista e guitarrista Josh Homme é tratado como a nova vinda do Messias, o retorno do escolhido, o ó-do-borogodó. Antes de ouvi-lo, diversos jornalistas e formadores de opinião, a princípio sérios, já haviam decretado que tratava-se do disco do ano. Só que a coisa não é bem assim.
O sexto álbum do Queens of the Stone Age, produzido pelo próprio Homme, é um anti-climax, um balde de água fria, um disco descendente. Começa de maneira matadora com a ótima “Keep Your Eyes Peeled”, mas depois desaba ladeira abaixo como um carro desgovernado. “I Sat by the Ocean”, por exemplo, é uma composição infantil. “The Vampyre of Time and Memory” esbanja pretensão, mira o infinito mas só acerta o tédio. “If I Had a Tail” devolve um pouco a esperança, mas basta escutá-la algumas vezes para perceber que, quando muito, trata-se de uma composição apenas mediana.
O desfile de equívocos segue exuberante. “My God is the Sun” é rock alternativo genérico produzido por quarentões que acreditam que ainda têm vinte anos. “Kalopsia” vem vestida com uma suposta atitude que se revela inócua, sensação acentuada pelos longos trechos mais calmos - onde o ouvinte pode até mesmo tirar uma soneca, se preferir. “Fairweather Friends” traz um certo acento Beatle escondido no meio da distorção, mas não sobrevive se confrontada com um mínimo de exigência. “Smooth Sailing” é tão artificial quanto músicos bem sucedidos brincando de serem alternativos - e a pergunta é: alternativos a que, ao que e a quem? A eles mesmos? “I Appear Missing” não acrescenta nada, nem para o bem e nem para o mal.
No entanto, o encerramento com a faixa-título traz a tona o que não se ouve durante todo o disco. Nela, há sentimento, melodias bem construídas, um clima bem feito de melancolia que dá à faixa um sentido que, com exceção à música de abertura, está totalmente ausente nas demais composições.
As inúmeras participações especiais que batem ponto em ... Like Clockwork - a saber, nomes como Dave Grohl, Alex Turner, Trent Reznor, Elton John, Mark Lanegan e vários outros - dão ao Queens of the Stone Age o ar de uma espécie de plataforma que deveria transmitir autenticidade a todos os envolvidos. Porém, o tiro sai pela culatra, já que o decepcionante resultado final do trabalho não agrega nada a história de ninguém.
O que é o hype? O hype é vender, e acreditar cegamente, que um disco que você nunca ouviu na vida é a cereja do bolo que irá “salvar o rock” do momento “chato” em que ele está. O hype é acreditar no que o Pitchfork, o Consequence of Sound, a NME e outros sites e publicações “descolados” publicam como uma verdade absoluta e acima de qualquer discussão. O rock não precisa ser salvo. O rock não anda chato. O rock não está repetitivo. Quem precisa ser salvo é quem se contenta com pouco, se dá por satisfeito com discos como esse. Quem precisa ser salvo é aquele seu amigo indie, moderninho e que não gosta das bandas clássicas, antigas, somente porque elas são clássicas e antigas. É esse vazio, essa opinião falsa baseada não no que se gosta, mas no que se “deve” gostar, no que os outros dizem do que você precisa gostar para parecer um cara legal.
... Like Clockwork é um disco fraco, vendido como a salvação da lavoura, mas que não se sustenta em pé.
Josh, na boa, que balde de água fria ...
Faixas:
1 Keep Your Eyes Peeled
2 I Sat by the Ocean
3 The Vampyre of Time and Memory
4 If I Had a Tail
5 My God is the Sun
6 Kalopsia
7 Fairweather Friends
8 Smooth Sailing
9 I Appear Missing
10 Like Clockwork
É aí que chegamos em ... Like Clockwork, o novo álbum do Queens of the Stone Age. Desde que foi anunciado há alguns meses, o novo trabalho da banda liderada pelo vocalista e guitarrista Josh Homme é tratado como a nova vinda do Messias, o retorno do escolhido, o ó-do-borogodó. Antes de ouvi-lo, diversos jornalistas e formadores de opinião, a princípio sérios, já haviam decretado que tratava-se do disco do ano. Só que a coisa não é bem assim.
O sexto álbum do Queens of the Stone Age, produzido pelo próprio Homme, é um anti-climax, um balde de água fria, um disco descendente. Começa de maneira matadora com a ótima “Keep Your Eyes Peeled”, mas depois desaba ladeira abaixo como um carro desgovernado. “I Sat by the Ocean”, por exemplo, é uma composição infantil. “The Vampyre of Time and Memory” esbanja pretensão, mira o infinito mas só acerta o tédio. “If I Had a Tail” devolve um pouco a esperança, mas basta escutá-la algumas vezes para perceber que, quando muito, trata-se de uma composição apenas mediana.
O desfile de equívocos segue exuberante. “My God is the Sun” é rock alternativo genérico produzido por quarentões que acreditam que ainda têm vinte anos. “Kalopsia” vem vestida com uma suposta atitude que se revela inócua, sensação acentuada pelos longos trechos mais calmos - onde o ouvinte pode até mesmo tirar uma soneca, se preferir. “Fairweather Friends” traz um certo acento Beatle escondido no meio da distorção, mas não sobrevive se confrontada com um mínimo de exigência. “Smooth Sailing” é tão artificial quanto músicos bem sucedidos brincando de serem alternativos - e a pergunta é: alternativos a que, ao que e a quem? A eles mesmos? “I Appear Missing” não acrescenta nada, nem para o bem e nem para o mal.
No entanto, o encerramento com a faixa-título traz a tona o que não se ouve durante todo o disco. Nela, há sentimento, melodias bem construídas, um clima bem feito de melancolia que dá à faixa um sentido que, com exceção à música de abertura, está totalmente ausente nas demais composições.
As inúmeras participações especiais que batem ponto em ... Like Clockwork - a saber, nomes como Dave Grohl, Alex Turner, Trent Reznor, Elton John, Mark Lanegan e vários outros - dão ao Queens of the Stone Age o ar de uma espécie de plataforma que deveria transmitir autenticidade a todos os envolvidos. Porém, o tiro sai pela culatra, já que o decepcionante resultado final do trabalho não agrega nada a história de ninguém.
O que é o hype? O hype é vender, e acreditar cegamente, que um disco que você nunca ouviu na vida é a cereja do bolo que irá “salvar o rock” do momento “chato” em que ele está. O hype é acreditar no que o Pitchfork, o Consequence of Sound, a NME e outros sites e publicações “descolados” publicam como uma verdade absoluta e acima de qualquer discussão. O rock não precisa ser salvo. O rock não anda chato. O rock não está repetitivo. Quem precisa ser salvo é quem se contenta com pouco, se dá por satisfeito com discos como esse. Quem precisa ser salvo é aquele seu amigo indie, moderninho e que não gosta das bandas clássicas, antigas, somente porque elas são clássicas e antigas. É esse vazio, essa opinião falsa baseada não no que se gosta, mas no que se “deve” gostar, no que os outros dizem do que você precisa gostar para parecer um cara legal.
... Like Clockwork é um disco fraco, vendido como a salvação da lavoura, mas que não se sustenta em pé.
Josh, na boa, que balde de água fria ...
Faixas:
1 Keep Your Eyes Peeled
2 I Sat by the Ocean
3 The Vampyre of Time and Memory
4 If I Had a Tail
5 My God is the Sun
6 Kalopsia
7 Fairweather Friends
8 Smooth Sailing
9 I Appear Missing
10 Like Clockwork

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