A julgar pelas poucas informações que consegui reunir sobre este álbum, ele não está exatamente ocupando nenhum dos primeiros lugares na lista de "Melhores do AON" de nenhum de seus admiradores, e não é difícil entender o porquê.
Se Who's Afraid? representou a banda nos dias de sua juventude rebelde, In Visible Silence os mostrou como jovens de vinte e poucos anos um pouco mais responsáveis, e In No Sense os apresentou como filósofos ultra-sérios e quase ridiculamente maduros da cultura avant-pop, então Below The Waste é a senilidade em ação. Contido, livre de excessos, fortemente influenciado tanto pela world music quanto pela crescente cena ambient, é a antítese por excelência de tudo o que foi Who's Afraid?.
Mas, caramba, eu gostei — a ponto de declará-lo meu segundo álbum favorito do AON. Se você procura inovação e revolução, procure em outro lugar; e, pensando bem, seria difícil imaginar o AON alcançando algo verdadeiramente revolucionário depois de abalar o mundo com seu álbum de estreia. Eles tentaram, com certeza, mas não foi nem de longe tão engraçado ou empolgante. Em Below The Waste, eles nem tentam.
Contudo, chamar este disco de uma sequência desiludida ou sem inspiração do exagerado In No Sense também não seria exatamente correto; esta não é uma sequência “obrigatória”, nem sinto qualquer falta de inspiração. O que sinto é uma sensação de “voltar ao normal”. De colagens desafiadoras, mas essencialmente sem sentido (tanto intelectual quanto emocionalmente), Dudley & Cia. retornam a um estilo mais básico de fazer música, onde cada composição, seja ela inovadora ou conservadora, deve servir a um propósito específico. E eles permanecem assim.
Não é um disco magnífico, mas é bem feito. O single foi "Yebo!", um hino techno com batidas africanas, no qual eles colaboraram com músicos africanos; pessoalmente, acho tão sólido quanto qualquer coisa que eles tenham feito antes. Dançante, cativante e – para nossos ouvidos europeus pouco civilizados – bastante engraçado. Quanto à sua espiritualidade, bem, deixo isso ao gosto de cada um; minha impressão é que os sons proto-techno do AON não diminuem em nada a essência africana, assim como as guitarras metálicas genéricas dos anos 80, usadas com moderação. Mais tarde, a world music retorna nos três minutos de "Chang Gang", que na verdade é mais techno do que étnica, mas ainda assim faz sentido.
O que torna difícil escrever sobre isso é que a maior parte é apenas "música ambiente", não necessariamente ambient, mas muito voltada para o prático, se é que me entende. "Yebo!" talvez seja a única faixa aqui que demonstra alguma ambição. Já "Catwalk" mescla um pouco de canto étnico com uma base instrumental – em sua maior parte – disco (baixo disco, guitarra funky, orquestração à la "Saturday Night Fever", todos os requisitos necessários), o que a torna totalmente dispensável; mas tem uma boa melodia. "Dan Dare" parece querer soar como um hino universal, mas nunca decola de verdade ou oferece ao ouvinte um clímax glorioso – em vez disso, funciona apenas como algo para relaxar confortavelmente em uma manhã ensolarada e tranquila, enquanto toma seu Martini na varanda da sua aconchegante casinha nos arredores de Honolulu, com as ondas quebrando suavemente na praia dourada e tudo mais… ah, desculpe, categoria errada aqui. Deixa pra lá.
Ainda não faço ideia do porquê de terem decidido fazer um cover do tema de James Bond – talvez o relativo sucesso de 'Dragnet' os tenha convencido de que valia a pena repetir a dose. Bem... em certo nível de percepção, não há nada de errado nisso. Eu gosto do tema de James Bond, e se for para arrasar numa trilha sonora que não seja de Bond, o Art of Noise certamente se qualifica como uma boa escolha para interpretar essa música.
Novamente, surge a questão da integridade artística: obviamente, não é preciso ser o The Art Of Noise para fazer um cover do tema de James Bond, especialmente quando se faz isso de forma tão superficial e quase mecânica, sem sequer um "posso dizer algo?" no meio do caminho. Mas lembre-se, já concordamos que esta banda não tem nada a ver com o Art Of Noise "clássico", não é? Que são apenas um grupo de bons artistas fazendo música intrincada e divertida, mas nada desafiadora? Certo? Como assim, não concordamos? Quanta atenção você está disposto a dedicar à leitura destas resenhas?
A única outra faixa que chamou a atenção foi "Island", uma instrumental New Age expansiva com muita orquestração suave e pianos que pareciam pertencer a algum drama sentimental e estiloso, no estilo de "Sintonia de Amor" ou qualquer equivalente desse filme de 1989. Aliás, todo o álbum soa como uma trilha sonora, e imagino que, se fosse uma trilha sonora de verdade, teria sido recebida com um pouco mais de entusiasmo. Mas sempre tratei trilhas sonoras com justiça (ou seja, sempre que me permiti resenhar uma), e esta pseudo-trilha sonora não deve ser exceção.
Em particular, gosto bastante de 'Island'. E posso até citar diretamente uma das principais razões pelas quais gosto de 'Island': sua atmosfera minimalista. Sim, é uma música ambiente sentimental, mas não tem nenhum daqueles sintetizadores "angelicais" estridentes que são a principal praga da música adulta contemporânea, e o tema principal de piano com um toque de jazz suave é tão fresco e tão bonito que não vejo por que eu não deveria me sentir esteticamente satisfeito com ele.
Por fim, se vamos defender a diversidade, não podemos esquecer a ameaça "brutal" de "Back To Back", com seus riffs metálicos ásperos e arranjos orquestrais pomposos. Também não é exatamente memorável, mas entre a etno-techno de "Chang Gang" e a faixa com influência caribenha "Spit", funciona muito bem. Assim como a valsa leve de "Robinson Crusoe" (!). Hehe. Resumindo, gostei deste disco. Aliás, não consigo imaginar como um álbum como este, com objetivos tão modestos, poderia soar melhor.
E foi uma maneira discreta, porém honesta, da banda se despedir – afinal, para onde se deve ir depois de chegar à fase da senilidade?

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