Peter Tosh
Winston Hubert McIntosh, conhecido mundialmente como Peter Tosh, (Grange Hill, 19 de outubro de 1944 — Westmoreland, 11 de setembro de 1987), foi um cantor, compositor e multi-instrumentista jamaicano. Ao lado de Bob Marley e Bunny Wailer,[2][3][nota 1][nota 2] foi um dos membros fundadores do grupo The Wailers, desempenhando um papel crucial na globalização do Reggae.[4][5][6] Tosh é amplamente reconhecido por seu ativismo político radical, sua defesa da legalização da maconha e sua postura implacável contra o sistema opressor, que ele frequentemente denominava "The Babylon System".[7]
Início da Vida e The Wailers

Nascido em Westmoreland, Jamaica, Tosh mudou-se para Trenchtown, em Kingston, ainda jovem. Lá, aprendeu a tocar violão e piano sozinho, desenvolvendo uma técnica distinta.[nota 3] Em 1963, formou o grupo The Wailing Wailers.[8]
Peter Tosh nasceu em Grange Hill, na Jamaica.[9] Aos quinze anos de idade, sua tia morreu e Tosh se mudou para Trenchtown, em Kingston.[8] O jovem McIntosh começou a cantar e a tocar guitarra bem cedo, inspirado pelas estações americanas que ele conseguia sintonizar em seu rádio.[10] No começo dos anos 1960, ele conheceu Bob Marley e Bunny Livingston, formando o grupo Wailing Wailers.[9] Depois que Marley retornou dos Estados Unidos em 1966, os três passaram a se envolver com a religião rastafári, mudando o nome da banda para The Wailers.[11][nota 4]
Ele lançou seu disco solo em 1976 pela CBS Records, Legalize It: a faixa-título logo tornaria-se o hino do movimento pró-maconha, além da favorita nos shows de Tosh.[nota 5] Também se tornou o single mais vendido do país, a despeito da proibição de que tocasse nas rádios. Sempre mostrando seu lado militante, ele lançou o álbum Equal Rights em 1977, tentando ao mesmo tempo obter o reconhecimento das massas e manter seu ponto de vista militante, mas não foi muito bem sucedido, principalmente se comparado com o sucesso obtido por seu ex-parceiro Bob Marley. Enquanto Bob Marley trazia uma sensibilidade melódica ao grupo, Tosh era o pilar da rebeldia e da militância. Sua voz de barítono e seu estilo de guitarra rítmica, o "skank", tornaram-se assinaturas do som da banda. Durante este período, ele compôs e interpretou clássicos como "400 Years" e "Get Up, Stand Up", este último co-escrito com Marley.[12]
No final dos anos 1970, lançou os discos Bush Doctor e Mystic Man e, em 1981, lançou Wanted Dread And Alive, álbuns que não foram muito aclamados pelo público. Os três álbuns foram lançados pela gravadora dos Rolling Stones, a Rolling Stones Records.[13] Mick Jagger e Keith Richards, dos Rolling Stones, participaram das gravações de Bush Doctor, incluindo o dueto de Jagger com Tosh Don't look back, uma regravação de um sucesso de 1965 do grupo vocal estadunidense The Temptations.[14] Em 1981, Tosh atuou no videoclipe da música Waiting on a friend, dos Rolling Stones. Depois do lançamento de Mama Africa em 1983 (onde está incluído o seu maior sucesso, a regravação da canção clássica do roqueiro norte-americano Chuck Berry, Johnny B. Goode), ele entrou num autoimposto exílio, procurando auxílio espiritual de curandeiros africanos enquanto tentava se livrar de um contrato de distribuição de seus discos na África do Sul.[15]
Desavenças com a Atlantic Records e a saída do The Wailers
O incidente ocorrido entre o músico jamaicano Peter Tosh e Ahmet Ertegun, cofundador e então presidente da Atlantic Records, é um dos episódios mais citados na história da indústria fonográfica para ilustrar o choque cultural e ideológico entre o movimento Rastafari e o corporativismo musical de Nova Iorque.
Em 1978, Peter Tosh havia assinado com a Rolling Stones Records, um selo distribuído pela Atlantic Records. Após o sucesso do álbum Bush Doctor, Tosh começou a trabalhar em seu sucessor, Mystic Man (1979). Diferente de outros artistas da época, Tosh era conhecido por sua postura intransigente em relação às suas crenças religiosas e políticas, frequentemente referindo-se ao sistema estabelecido como "Babylon".[16] A "confusão" central ocorreu durante uma reunião formal nos escritórios da Atlantic Records em Manhattan. Ahmet Ertegun, uma das figuras mais poderosas da música mundial, solicitou uma audição das novas faixas. O conflito escalou devido a dois fatores principais, o comportamento de Tosh, durante a reunião, Peter Tosh manteve uma postura de desafio às etiquetas corporativas. Relatos da época indicam que Tosh acendeu um "spliff" (cigarro de maconha de grandes proporções) dentro do escritório climatizado de Ertegun, em um gesto de afirmação ritualística e desdém pelas normas locais.
Ertegun expressou preocupações de que o conteúdo das letras era "militante demais" e que a produção precisava de um apelo mais voltado ao mercado pop e R&B norte-americano para garantir o sucesso comercial. Ao ouvir as críticas e a sugestão de que o álbum fosse alterado para soar mais comercial, Tosh teria se levantado e confrontado Ertegun diretamente. De acordo com biografias como "Steppin' Razor: The Life of Peter Tosh", o músico declarou que não era um "produto" e que sua música era um instrumento de "iluminação espiritual", não apenas entretenimento. Tosh frequentemente utilizava o termo "pajé" ou "curandeiro" para descrever seu papel, entrando em choque direto com a visão de Ertegun, que via o disco como uma mercadoria que precisava de retorno sobre o investimento.
Apesar da resistência inicial da gravadora e do desconforto pessoal de Ertegun, o álbum Mystic Man foi lançado em 1979 sem alterações significativas na mensagem de Tosh, o episódio marcou o início do fim da relação de Tosh com os grandes executivos da distribuição nos EUA.[17] A percepção de Tosh como um artista "difícil" ou "inatingível" pelos padrões de marketing da época contribuiu para sua gradual marginalização na indústria mainstream em comparação a Bob Marley, o embate é hoje analisado por historiadores da música como um momento de resistência cultural, onde um artista do Terceiro Mundo recusou-se a diluir sua identidade étnica e religiosa para satisfazer as exigências do mercado fonográfico ocidental.
Carreira Solo e Ativismo
Em 1974, devido a tensões internas e à busca por maior autonomia criativa, Tosh deixou o grupo para seguir carreira solo.[18] Seu álbum de estreia, Legalize It (1976), tornou-se um hino global para os defensores da cannabis e consolidou sua imagem como o "Stepping Razor" (Navalha Amolada) — um apelido que refletia sua língua afiada e atitude destemida.[19][20]
Tosh era conhecido por suas performances performáticas e simbólicas.[21] Um de seus símbolos mais potentes era sua guitarra personalizada em formato de Fuzil M16, que ele utilizava para simbolizar que a música era sua arma contra a injustiça.[18] Ele também era um mestre do monociclo, frequentemente entrando no palco equilibrando-se em apenas uma roda.[18]
Morte e Legado
Em 1987, a carreira de Peter Tosh parecia estar voltando a fazer sucesso; naquele ano, recebeu um Prêmio Grammy de Melhor Performance de Reggae por No Nuclear War.[22] No entanto, no dia 11 de setembro, logo após Tosh retornar à Jamaica, uma gangue de três homens invadiu sua casa exigindo dinheiro.[23] Tosh disse que não tinha, mas os três homens não acreditaram nele e permaneceram por várias horas na casa, torturando Tosh.[nota 6] Quando amigos de Tosh começaram a chegar à casa para cumprimentá-lo pelo seu retorno, a gangue ficou ainda mais nervosa e terminou por disparar, matando Tosh e os deejays Doc Brown e Jeff "Free I" Dixon. O líder da gangue era Dennis "Leppo" Lobban, um homem de quem Peter Tosh havia ficado amigo e ajudado até mesmo a encontrar um emprego, depois de cumprir uma longa sentença na prisão.[nota 7] Peter foi sepultado no seu mausoleum no dia seguinte. Leppo se entregou para as autoridades, foi julgado e condenado à morte por enforcamento, porém sua sentença foi alterada para prisão perpétua em 1995 e ele continua preso até hoje.[17] Nenhum de seus dois cúmplices foram jamais identificados.[23][24]
Diferente de muitos contemporâneos que focavam em temas espirituais ou românticos, Tosh era um defensor fervoroso do Pan-africanismo e da libertação dos povos oprimidos.[19] Ele foi um crítico ferrenho da brutalidade policial, tendo sido vítima de espancamentos severos por parte das autoridades jamaicanas ao longo de sua vida.[nota 8]
Sua frase icônica — Citação: "I don't want no peace, I need equal rights and justice" (Eu não quero paz, eu preciso de direitos iguais e justiça)[21] — resume sua filosofia de que a paz sem justiça é apenas um controle forçado. A vida de Peter Tosh foi tragicamente interrompida em 11 de setembro de 1987, quando ele foi assassinado durante um assalto em sua residência em Kingston. Seu legado permanece vivo não apenas na música, mas como uma voz perene de resistência. Tosh foi postumamente condecorado com a Ordem do Mérito da Jamaica em 2012, em reconhecimento à sua contribuição inestimável para a cultura e a música mundial.[19]
Discografia
Álbuns de estúdio
- 1976: Legalize It
- 1977: Equal Rights
- 1978: Bush Doctor
- 1979: Mystic Man
- 1981: Wanted Dread And Alive
- 1983: Mama Africa
- 1987: No Nuclear War
Álbuns ao vivo
- Captured Live (1984)
- Live at the One Love Peace Concert (JAD) (2000)
- Live & Dangerous: Boston 1976 (2001)
- Live at the Jamaica World Music Festival 1982 (JAD) (2002)
- Complete Captured Live (2002)
- Live at My Father's Place 1978 (2014)
Compilações
A lista inclui coletâneas contendo material inédito fora da Jamaica.
- The Toughest (Capitol) (1988)
- Honorary Citizen (1997)
- Scrolls of the Prophet: The Best of Peter Tosh (1999)
- Arise Black Man (1999)
- Black Dignity (Early Works of the Stepping Razor) (2001)
- I Am That I Am (JAD) (2001)
- The Best of Peter Tosh 1977–1987 (2003)
- Can't Blame the Youth (JAD) (2004)
- Black Dignity (2004)
- Talking Revolution (2005)
- The Ultimate Peter Tosh Experience (2009)
Contribuições em
- The Wailing Wailers (1965)
- Negril (Eric Gale, 1975)
- Rastafari Dub (Ras Michael & The Sons of Negus, 1975)
- Blackheart Man (Bunny Wailer, 1976)
- Word Sound and Power (Chris Hinze, 1980)
Singles
- 1975 — Legalize It / Legalize It (Version) — Intel/Diplo PT-177 (JAM)
- 1975 — Brand New Second Hand / Brand New Second Hand (Version) — Intel/Diplo (JAM)
- 1976 — Legalize It / Brand New Second Hand — Virgin VS-140 or Island WIP-6323 (UK)
- 1976 — Legalize It / Why Must I Cry // Till Your Well Runs Dry — Columbia AE7 1109 (USA)
- 1976 — Ketchy Shubby / Iration — Intel/Diplo (JAM)
- 1976 — Babylon Queendom / Iration — Intel/Diplo (JAM)
- 1976 — Vampire / Dracula— Intel/Diplo (JAM)
- 1977 — African / African (Version) — Intel/Diplo (JAM)
- 1977 — Stepping Razor / Stepping Razor (Version) — Intel/Diplo (JAM)
- 1977 — African / Stepping Razor — Virgin VS-179 (UK)
- 1977 — Get Up, Stand Up (Mono) / Get Up, Stand Up (Stereo)— Columbia ASF 310 (USA)
- 1977 — Equal Rights / Equal Rights (Version) — Intel/Diplo (JAM)
- 1977 — Anti-Apartheid / Solidarity — Solomonic BW-0078 (JAM)
- 1978 — (You Gotta Walk) Don't Look Back / Soon Come — Intel/Diplo (JAM), Rolling Stones Records RS 19308 (US), EMI 2859 (UK)
- 1978 — I Am the Toughest / Toughest Version — Studio One CD-1033 (JAM), Rolling Stones Records RSR 103 (UK)
- 1979 — Bush Doctor / Bush Doctor (Version) — Intel/Diplo (JAM)
- 1979 — Buckingham Palace / Buckingham Palace (Version) (7") — Intel/Diplo (JAM)
- 1979 — Buk-In-Hamm Palace // Dubbing In Buk-In-Hamm / The Day the Dollar Die (12") — Intel/Diplo (JAM), Rolling Stones Records 12YRSR 104 (UK)
- 1979 — Buk-In-Hamm Palace / The Day the Dollar Die (7") — Rolling Stones Records RSR 104 (UK)
- 1979 — Buk-In-Hamm Palace / Buk-In-Hamm Palace (Dance Mix) // The Day the Dollar Die / Buk-In-Hamm Palace (Dub) — Rolling Stones Records 12RSR 104 (UK)
- 1979 — Buk-In-Hamm Palace / Recruiting Soldiers (7") — Rolling Stones Records RS 20000 (USA)
- 1979 — Buk-In-Hamm Palace // Crystal Ball / Dubbing In Buk-In-Hamm (12") — Rolling Stones Records/Atlantic DSKO 193
- 1979 — Stepping Razor / Legalise It — Virgin VS-304 (UK)
- 1980 — Can't Blame the Youth / Hammer — Intel/Diplo (JAM)
- 1980 — Jah Man / Hammer — Intel/Diplo (JAM)
- 1981 — Oh Bumbo Klaat / Oh Bumbo Klaat (Version) — Intel/Diplo (JAM)
- 1981 — Nothing But Love / Cold Blood — Rolling Stones Records RSR 107 (UK)
- 1981 — Nothing But Love // Cold Blood / Oh Bumbo Klaat — Rolling Stones Records 12RSR 107 (UK)
- 1981 — Nothing But Love / Oh Bumbo Klaat — EMI 8083 (USA)
- 1981 — Coming In Hot / Reggae-Mylitis — EMI 8094 (USA)
- 1982 — Rock with Me / Rock with Me (Version) — Intel/Diplo (JAM)
- 1982 — Peace Treaty / Glass House — Intel/Diplo (JAM)
- 1982 — Glass House / Glass House (Version) — Intel/Diplo (JAM)
- 1983 — Johnny B. Goode / Johnny B. Goode (Version) — Intel/Diplo (JAM)
- 1983 — Johnny B. Goode / Peace Treaty (7" e 10") — EMI RIC 115 (UK), EMI B-8159 (USA)
- 1983 — Johnny B. Goode / Glass House (12") — EMI 7807-1 e 7807-2 (USA)
- 1983 — Johnny B. Goode (Long) / Johnny B. Goode (Short) (12") — EMI SPRO-9912 e SPRO-9913 (USA)
- 1983 — Where You Gonna Run / Stop That Train (7" e 10") — EMI RIC 116 (UK), EMI B-8175 (7" USA), SPRO-9993 e SPRO-9994 (12" USA)
- 1983 — Mama Africa / Not Gonna Give It Up (7" e 10") — EMI RIC 117 (UK)
- 1987 — In My Song / Come Together (7") — Parlophone R 6156 (UK)
- 1987 — In My Song // Come Together / Nah Goa Jail (12") — Parlophone 12R 6156 (UK)


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