John Lawton começou sua carreira musical em North Shields, Inglaterra, no início dos anos 60 com "The Deans", o grupo de garotos que decidiu no sorteio que ele seria o vocalista. Depois, ele passou pelo "West One" e mais tarde pela banda "Stonewall", que incluía John Miles, Vic Malcolm (depois no "Georgie") e Paul Thompson (depois no "Roxy Music"). Durante sua participação no "Stonewall", Lawton e banda foram contratados para uma temporada no famoso Top Ten Club, em Hamburgo, em 1969. Terminado o compromisso, a banda retornou à Inglaterra, mas Lawton decidiu ficar. Ele conhecera o guitarrista Peter Hesslein, o baixista Dieter Horns, o tecladista Peter Hecht e o baterista Joachim Reitenbach, todos ex-membros de uma banda local chamada "The German Bonds". Eles estavam iniciando um novo projeto, então chamado "Asterix". Os vocais de Lawton se encaixaram perfeitamente. Os vocais de Lawton chegaram a agraciar o único álbum homônimo do Asterix no final do mesmo ano, e todos os envolvidos ficaram entusiasmados o suficiente com os resultados que imediatamente começaram a colaborar em mais material para relançar a banda sob o provocativo novo apelido de Lucifer's Friend.
Com o grupo (hoje lendário e cult), Lawton gravaria cinco álbuns até 1976, época em que ingressou no Uriah Heep (e gravaria os álbuns "Firefly", "Innocent Victim" e "Fallen Angel"). Na Europa, o álbum de estreia do Lucifer's Friend saiu pelo selo Philips e os seguintes sairiam pela Vertigo Records, mas nos EUA todos foram lançados por uma série de pequenos selos independentes, frequentemente um ano ou mais após o lançamento europeu, e, claro, isto foi prejudicial. Por isso, apesar da veiculação nas rádios em alguns mercados e da boa base de fãs, estes álbuns tornaram-se difíceis de encontrar e o grande sucesso comercial escapou-lhes. Em 1977, a banda conseguiu um contrato com a Elektra Records, por onde lançaria outros três álbuns, com um som de orientação mais Pop, mas o interesse foi menor ainda e ela se separou em 1982. O Lucifer's Friend acabou conhecido por mudar de estilo musical em cada disco.
O álbum de estreia (gravado em nov/1970 e lançado no início de 1971) trouxe letras estranhas e sombrias e um Hard Rock com uso intenso de órgão, na mesma linha de bandas de Rock Pauleira da época (pense Deep Purple, Black Sabbath e Uriah Heep). Em outras palavras, este início fez jus ao nome sinistro. Rock estrondoso, poderoso, de alta octanagem, alimentado pela guitarra distorcida, riffs pesados, arranjos muitas vezes complexos (já beirando o Rock Progressivo), órgão criando mistério, algumas jams, os vocais lamentosos e a todo vapor de Lawton, algumas atmosferas assustadoras. Foi o início, faltavam arranjos mais variados (algo que tornaria o trabalho da banda mais interessante e memorável posteriormente), mas o nível de energia e a performance vocal compensava. Uma estreia sólida. O álbum vendeu bem na Europa. Então, surgiu o desafio das turnês. Os membros da banda tinham problema de aversão à vida na estrada e isto os levou a fazerem poucos shows e preferirem focar em novas composições (a banda se tornaria praticamente uma banda de estúdio na maior parte de sua existência, daí a escassez de imagens ao vivo). Isto somado às novas tendências do Rock Progressivo levou-os às gravações do segundo álbum, "Where Groupies Killed The Blues", muito mais experimental e Prog. Gravado em jan/72 com engenharia de Conny Plank, o álbum demonstrou que aqueles músicos tinham destreza maior do que a vislumbrada inicialmente. Música complexa, progressiva, com arranjos de cordas/metais feitos por Peter Hecht (o tecladista da banda), um álbum repleto de solos instrumentais a realçar as habilidades do grupo. Um trabalho com foco no Art-Rock, bem sofisticado para a época, com melodias fortes e atmosferas bem atraentes, repleto de guitarras bombásticas, bem diferente do Hardão setentista da estreia. Muitos pianos (acústico e elétrico), órgãos, sintetizadores e mellotron, tudo em meio à passagens pesadas. Também violões e arranjos sinfônicos (abandonadas as jams psicodélicas da estreia). Os lindos (e dramáticos) vocais de John Lawton, um inglês nativo, impediam que incautos pudessem desconfiar tratar-se de uma banda alemã.
Curiosamente, no terceiro álbum, "I'm Just a Rock & Roll Singer" (de nov/73), a banda mudou de estilo novamente e trouxeram um Rock mais suingado e Funky (pense Grand Funk Railroad, Chicago etc.), eliminando completamente as letras sombrias e o som mais pauleira. Claro que estas metamorfoses tão radicais não fizeram bem para o público fiel da banda. Como fazer um fã do Prog-Rock ou do Hard Rock passar a aceitar também elementos de Soul e Jazz? Mesmo nesta ausência de coerência, o álbum ofereceu boa qualidade, com uma variedade de faixas melodiosas e bem elaboradas. Com foco nas composições e não nos solos instrumentais, o resultado foi um álbum fácil de ouvir, mais direto e interessante. O lado ruim era que tantas experiências com elementos musicais diferentes deixava o fã atônito. "Banquet" (de 74) não trouxe nada de Hard Rock e investiu num Prog-Rock misturado com Jazz Fusion. Muita gente o considera o local ideal de entrada na discografia da banda. De fato, aqui foi onde foram reunidos os diversos elementos que compunham o caldeirão de gostos dela. Havia faixas Prog épicas, com instrumentação complexa e diversas mudanças surpreendentes e ambiciosas de arranjos. Havia outras que ganhavam um groove (até com sabor latino), adição de metais, refrões estimulantes e lado instrumental repleto de solos jazzísticos. "Banquet" se equilibrava assim ainda demonstrando o poder de fogo do Lucifer's Friend (foi o primeiro com o novo baterista Herbert Bornhold).
"Mind Exploding" (de 76), o quinto álbum, marcou um retorno do Hard Rock e de menos Prog no som da banda. Foi mais ou menos como uma mistura entre o terceiro e o quarto álbuns, porém com pegada pauleira da estreia. O problema eram as fracas canções. Foi o último com John Lawton, antes dele migrar para o Uriah Heep (Lawton retornaria ao Lucifer's Friend em 1981 para gravar o álbum "Mean Machine"). Entretanto, todos esses álbuns subsequentes a partir de "Banquet" tiveram resenhas fracas (e são recomendados apenas para completistas).


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