A Morte Nunca Existiu
José Mário Branco
Tudo o que for vivente tem
Uma queixa que o percorre
E quando um dia a vida morre
A morte morre também
Essa já não mata ninguém
Onde nasceu se sumiu
Pra esse corpo serviu
Ali fez as contas do povo
Não vai de um pra outro corpo
Porque a morte nunca existiu
A morte não sai para a rua, nem anda de terra em terra
E que anda um dia a vida degenera a morte
Cada um tem na sua
Essa já não continua
Onde nasceu foi acabada
Pois foi ser enterrada
Com o corpo debaixo do chão
Mesmo nessa ocasião
Foi pela vida gerada
Onde é que essa morte está, onde tem no acampamento
Pra matar milhares ao mesmo tempo
Uns no estrangeiro, outros cá
Essa morte não haverá
Pra que faça tanto corte
Ainda mesmo que seja forte
E haja isso, eu não acredito
Estragou-se o sangue
Perdeu o espírito
A vida passou à morte
Como é que podia ser
Uma morte só ter tanta substância
Do mundo tão grande distância
Pra tanto vi ver-te morrer
Cada um tem a sua ter
E pela vida que é fundada
Aquela que anda de estrada em estrada
Ninguém tenha esse abismo
Quando se para o maquinismo
É que fica a morte formada
Quando se para o maquinismo
É que fica a morte formada
Alerta
José Mário Branco
Pelo pão e pela paz
E pela nossa terra
Pela independência
E pela liberdade
Alerta! alerta!
Às armas! às armas!
Alerta!
Pelo pão que nos rouba a burguesia
Que nos explora nos campos e nas fábricas
Operários, camponeses hão-de um dia
Arrebatar o poder à burguesia
Abaixo a exploração!
Pelo pão de cada dia!
Pois claro!
Só teremos a paz definitiva
Quando acabar a exploração capitalista
Camaradas soldados e marinheiros
Lutemos juntos pela paz no mundo inteiro
Soldados ao lado do povo!
Pela paz num mundo novo!
Pois claro!
(refrão)
Pela terra que nos rouba essa canalha
Dos monopólios e grandes proprietários
Camponeses, lutem p´la reforma agrária
P´ra dar a terra àquele que a trabalha
Reforma agrária faremos!
A terra a quem a trabalha!
Pois claro!
Pela independência nacional
Contra o domínio das grandes potências
Fora o imperialismo internacional
Que tem nas mãos metade de portugal
Abaixo o imperialismo!
Independência nacional!
Pois claro!
(refrão)
Não há povo que tenha liberdade
Enquanto houver na sua terra exploração
Liberdade não se dá só se conquista
Não há reforma burguesa que resista
Democracia popular!
E ditadura proletária!
Pois claro!

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