domingo, 3 de maio de 2026

Tesouros perdidos

 

Magna Carta - Inglaterra - 1969/71

Grupo magistral que mistura o fino do folk britânico, com prog e jazz, o Magna Carta desfrutou de alguma repercussão durante sua existência, mas por aqui (e com o passar do tempo) mergulhou na obscuridade. Natural de Yorkshire, sua trinca de álbuns iniciais, lançada pelo lendário selo Vertigo é de uma beleza monstruosa. Sua sonoridade rica e melodiosa transmite uma paz inebriante até para o mais sanguinário miliciano do Hamas. A banda começou como um trio, continua ativa e lançou álbuns até a década passada, sempre em torno de seu fundador, o baterista, violinista, vocalista e multi instrumentista Chris Simpson. Destaque total para o primeiro, de 1969; Seasons, de 1970 e o terceiro, de 1971, Songs for Wasties Orchard. Lord of Ages, de 1973 também vale uma atenta conferida. E o ao vivo, de 1972 não se pode desprezar.

 Depois de se formar na faculdade, Simpson trabalhou em diversas atividades, incluindo assistente de necrotério e engenheiro de tráfego, mas o que ele gostava mesmo era de tocar guitarra à noite, fosse em bares ou em sarais em casas de ricos e famosos. Até para a Família Real ele se apresentou. Acompanhado de orquestra ou banda, ele foi desenvolvendo sua musicalidade e quando Bob Dylan e Joan Baez desembarcaram no Reino Unido para um tour ainda nos anos 60, ele anteviu um movimento que estava para surgir forte.


Sempre muito bem visto no meio musical, não foi difícil para ele reunir um ótimo trio e conquistar a confiança do então incipiente projeto do selo Vertigo, uma aposta da Philips/Phonogram para adentrar no promissor mercado do rock que se desenhava no alvorecer dos anos 70. No primeiro disco, o baixista Danny Thompson fazia parte do grupo, que se tornou um trio paras dois álbuns seguintes, com Lyell Tranter na guitarra e vocais, e o tecladista e excelente vocalista Glen Stuart. O grupo se notabilizou por conseguir acompanhamento de ótimos músicos, como Rick Wakeman, que participa do segundo trabalho. O futuro guitarrista de Elton John, Davey Johnstone gravou parte das guitarras no terceiro disco, já que Tranter deixou a banda no decorrer das gravações. Daí por diante as mudanças seriam constantes, mas a qualidade se manteria intacta.



 As influências mais nítidas na sonoridade do Magna Carta são a dupla americana Simon & Garfunkel e o grupo conterrâneo Fairport Covention, o que garante um selo de qualidade respeitável (Caravan e Moody Blues não ficam de fora nessas comparações). Nos discos seguintes ao trio inicial, o Magna flutuou por estilos diferentes, do prog raiz ao pop, passando por um jazz fusion melodioso, mas sempre com o carimbo folk. Compositor e poeta de mão cheia, Simpson levou adiante o Magna Carta, que se apresentou em inúmeros festivais e fez shows mundo afora, sempre muito bem recebido. Vale a pena conferir o som desse maravilhoso grupo, especialmente, seus primeiros trabalhos até meados dos anos 70. São de uma beleza rara!



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