domingo, 29 de maio de 2022

Biografia de Ana Bacalhau


 Ana Sofia Dias da Costa Bacalhau (Lisboa, 1978), mais conhecida apenas como Ana Bacalhau é uma cantora portuguesa, ficou conhecida como vocalista do grupo Deolinda, inspirado pelo fado e pelas suas origens tradicionais.

Biografia

Nasceu a 5 de novembro de 1978 em Lisboa.[2]

Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, na vertente de língua portuguesa e língua inglesa, possuindo ainda uma pós-graduação em ciências documentais.[2][3]

Aos 15 anos começou a tocar guitarra e a cantar.[4] Em 2001 entrou para vocalista do grupo Lupanar com quem gravou um CD ("Abertura" de 2005) e participou num álbum de homenagem a Carlos Paredes.[2]

Em 2005 participou num trio de jazz e Blues chamado Tricotismo, com o qual tocou em bares e num hotel.[2] Os Deolinda começaram em 2006.

É casada com o contrabaixista José Pedro Leitão, que também integrou os grupos anteriores.[5][6]

Trabalhou como arquivista até março de 2009, altura em que abandonou a sua profissão para se dedicar profissionalmente ao grupo Deolinda.[7]

A partir de novembro de 2011, inicia uma colaboração como cronista da revista Notícias Magazine.

Por iniciativa da ONU foi lançado em 8 de Março de 2013, dia internacional da mulher, o tema "One Woman" gravado por por cantoras e músicos de 20 nacionalidades diferentes. A cantora foi a representante Portugal. Outros nomes são Angelique Kidjo (Benim), Anoushka Shankar (Índia), Rokia Traoré (Mali), a espanhola Concha Buika e a brasileira Bebel Gilberto.[8][9]

Em dezembro de 2013, estreia-se em palco a solo co projeto "15", apresentado em seis concertos na Casa da Música e no Teatro São Luiz, onde cantava algumas das canções que mais a marcaram desde os 15 anos de idade.[10]

Participa também num concerto colectivo de tributo a Joni Mitchell. Grava duas canções para o 2º volume "Voz & Guitarra" onde revisita "Sexto Andar" dos Clã e (Estrela da Tarde) de Ary dos Santos e Fernando Tordo.

No mês de março de 2014, atua em Lisboa, no Rossio, como convidada de Mafalda Veiga, cantando "Because The Night", de Patti Smith. Ainda nesse ano canta com a cantora cabo-verdiana Teté Alhinho no B. Leza e junta-se à cantora de Jazz Joana Machado e a Rita Redshoes, no concerto de lançamento do álbum "Blame It On My Youth", de Joana Machado, no Centro Cultural Olga Cadaval.

É um dos nomes indicados na campanha de crowdfunding do filme de Nuno Markl, não concretizado, onde se iria estrear como atriz [1].

Atua ao vivo com os They're Heading West na Casa Independente e a solo no Festival Caixa Alfama de 2014.

Junta-se ao pianista Júlio Resende no projeto “O Bairro” apresentado em 10 de Janeiro de 2015 no espaço OndaJazz, na Fábrica Braço de Prata, em Lisboa. Ainda em 2015 participa no álbum "Cumplicidades" de Mestre António Chainho onde grava uma música com letra da sua autoria, "Certo Dia". Participa também no tema "O Que Mais Custa" da Ala dos Namorados.

Apresenta-se ao vivo em São Paulo, nos dias 8 e 10 de Maio de 2015, para dois concertos inseridos no projecto "As Margens dos Mares".[11][3]

Com Aldina Duarte, Cuca Roseta, Gisela João, Manuela Azevedo, Marta Hugon, Rita Redshoes e Selma Uamusse canta a canção "Cansada" da autoria de Rodrigo Guedes de Carvalho.

Participa no Terreiro do Paço, em Lisboa, no segundo dia do espetáculo Voz & Guitarra, que encerra as Festas de Lisboa'15. Também em julho de 2015 participa em "500 Anos ao Tom D'Ela" em conjunto com Samuel UriaFilipe Melo, Corda Língua e uma série de artistas locais, em Tondela, para as celebrações dos 500 Anos do Foral de Besteiros. Samuel Úria convidou depois Ana Bacalhau e Manel Cruz para um concerto em Estarreja.

Interpreta a canção do genérico do programa "Animais Anónimos" da RTP, com letra e música de Miguel Araújo e orquestração de João Só.[12]

É convidada no disco "Está Tudo Dito" dos Marafona (2016). É editado um novo disco dos Deolinda e participa também nos concertos de homenagem à cantora Dina.

Pretendia começar a trabalhar num álbum em nome próprio e eventualmente escrever um livro ("um objecto sagrado para mim e sinto quase como heresia meter-me por esse caminho").[13]

O seu primeiro álbum a solo - "Nome Próprio" - foi lançado em Outubro de 2017 e apresentado em palco a partir do mês seguinte.

É convidada a apresentar o livro "Desafiar Estereótipos", um projeto pedagógico direcionado para a comunidade escolar sobre Igualdade de género. O livro integra três histórias ficcionadas sobre a Igualdade de Género e de Oportunidades, as letras das músicas que a Ana Bacalhau compôs para o projeto, capítulos com enquadramento conceptual, exercícios, dados estatísticos e links úteis.

Na rubrica "A Canção do Outro" da SIC junta-se a Toy, em fevereiro de 2019, e trocam as músicas "És tão Sensual" e "Leve como uma Pena".

Ana Bacalhau, VitorinoSérgio Godinho, o Coro Infantil da Academia de Música de Almada (e outros coros..) e Jorge Benvinda lançam o disco "Canções de Roda, Lenga Lengas e Outras que Tais" . Incluídas estão também 3 histórias, escritas e ditas por Ana Bacalhau, Sérgio Godinho e Vitorino.

É lançado, em Abril de 2019, o video da canção "Erro Mais Bonito" feita em dueto com Diogo Piçarra.[14]

No "Sem Palheta", da RFM, apresentou, em conjunto com Rizumik, uma versão alternativa do tema "Cheguei" da brasileira Ludmilla.

Junta-se a Samuel Úria para a nova campanha da operadora NOS tendo criado uma canção que mostra como os novos pacotes de telecomunicações são à medida de cada cliente.[15]

No dia 29 de junho de 2019 é convidada de um espetáculo inédito da Orquestra Metropolitana de Lisboa com versões sinfónicas dos temas de António Variações e onde também cantaram os seguintes nomes: Conan OsírisLena d'ÁguaManuela AzevedoPaulo Bragança e Selma Uamusse.[16]

Projectos

Grupos
A Solo
  • Nome Próprio (CD, Sony, 2017)
  • Desafiar Estereótipos (livro, Betweien, 2018)
  • Canções de Roda, Lenga Lengas e Outras que Tais (CD, 2019) - Ana Bacalhau, Vitorino, Sérgio Godinho e Jorge Benvinda,Cláudia Guerreiro e o Coro Infantil da Academia de Música de Almada.
  • Além da Curta Imaginação (CD, Sony, 2021)
Compilações
  • Voz & Guitarra 2 (2013) - Estrela Da Tarde / Sexto Andar

Colaborações

Partilhou a voz e o palco com outros músicos, como Gaiteiros de Lisboa, Sérgio Godinho, Xutos & Pontapés, António Chainho, Pedro Abrunhosa, Ana Moura, entre outros.

Gravadas
Outras
  • X-Wife - Tema "Across the Water", Concerto comemoração 10 anos, Lisboa (2012)
  • Vinícius de Cantuária e Pierre Aderne - Concerto no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães (2013)
  • Xutos e Pontapés - "Festa do Avante" (2013)
  • Participação no Tributo a Joni Mitchell, em "For The Roses" e "Amelia" - Concerto no CCB, Lisboa (2013)
  • canção promovida pela ONU, “One Woman”, num lote de 25 cantoras, onde se incluem Concha Buika, Bebel Gilberto e Rokia Traoré (2013)
  • Mafalda Veiga - "Because The Night", de Patti Smith, concerto como convidada especial, Praça do Rossio, Lisboa (2014)
  • Teté Alhinho - "Beju Furtado" e "C'Lamor" - Concerto no B.Leza, Lisboa (2014)
  • Joana Machado - "Even Flow" e em trio, com Rita Redshoes, "Unravel" - Concerto no Centro Cultural Olga Cadaval, Sintra (2014)
  • Ana Bacalhau e Ana Moura "Passou por mim e sorriu" (2015)
  • Homenagem a Dina
  • "Ciúme" com Miguel Araújo ao vivo no Coliseu do Porto em Novembro de 2017
  • António & Variações (2019)


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Biografia dos Amor Elecro


 

Amor Electro é uma banda portuguesa formada em Lisboa em 2010. O grupo é composto por Marisa Liz como vocalista, Tiago Pais Dias como guitarrista e multi-instrumentista, Ricardo Vasconcelos como tecladista, Rui Rechena como baixista, até 2019 e Mauro Ramos como baterista.[1]

Eles misturam música rock (com alguns elementos eletrónicos) com música tradicional portuguesa, usando alguns instrumentos típicos como o acordeão e a guitarra portuguesa. Também revisitam temas da década de 1980 e da década de 1990 do pop/rock português, tocando versões de músicas de Sétima LegiãoGNROrnatos Violeta e outras bandas, além de suas próprias músicas originais.

História

Em 14 de maio de 2011 lançam o álbum de estreia Cai o Carmo e a Trindade. O disco entrou directamente para o quarto lugar do top de vendas em Portugal chegando pouco depois ao primeiro lugar.[2][3][4]

Em 19 de setembro de 2011 foi anunciado que a banda estava nomeada na categoria "Best Portuguese Act" dos MTV Europe Music Awards.[5] Foram nomeados novamente para o título de Best Portuguese Act nos MTV Europe Music Awards de 2012,[6] que viria a ser ganho pela cantora Aurea.[7]

Em janeiro de 2013 foram galardoados, na Holanda, com o European Border Breakers Award (EBBA). Ainda nesse ano lançaram o seu segundo álbum (R)evolução que inclui oito temas originais e duas versões.

A banda é nomeada nos Globos de Ouro de 2014 na categoria de "Melhor Canção" com "Só é Fogo se Queimar"[8], uma música com letra de Jorge Cruz.

Em 2014 são convidados a fazer o genérico da novela Mar Salgado, do canal SIC, na qual surge a reedição do álbum de 2013 (R)evolução. Além desse tema a nova edição inclui a gravação do "Concerto Mais Pequeno do Mundo", oferecido pelos Amor Electro ao ouvintes da Rádio Comercial.

Colaboram num dos temas do álbum Leva-me A Sério de Agir. Em 2016 escrevem o tema "Juntos Somos mais Fortes" para o hino da RTP para o Euro 2016.

Participam com a canção "Mas Isso Não Me Satisfaz" no disco Passa a Outro e Não ao Mesmo, promovido pela Rádio Comercial, com 11 artistas, 11 canções e 11 causas[9].

No dia 7 de agosto de 2019, através de um comunicado na página do Facebook, a banda anuncia a morte de Rui Rechena, baixista do grupo.[10][11][12]

Discografia

Álbuns

Compilações/Outros

  • 2015 - Mar Salgado (trilha sonora da telenovela Mar Salgado)
    • "Mar Salgado"
  • 2015 - Leva-me a Sério - Agir
    • "Um Novo Dia"
  • 2016 - Passa o Outro e Não ao Mesmo
    • "Mas Isso Não Me Satisfaz"

Singles

  • "A Máquina (Acordou)" (2011)
  • "Rosa Sangue" (2012)
  • "A Nossa Casa" (2013)
  • "Só é Fogo se Queimar" (2014)
  • "Mar Salgado" (2014)
  • "Juntos Somos Mais Fortes" (2016)
  • "Sei" (2016)
  • "O Meu Lugar/Espelho d'Água" (2017)
  • "Procura por mim" (2017)
  • "Miúda do Café" (2018)
  • "Vai dar Confusão" (2019)
  • "Furacão" (2020)






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De promessa a certeza Beatriz Felizardo (Fadista)


 Beatriz Felizardo nasceu em Coruche mas vive em Lisboa começou a cantar fado com 8 anos é da terra natal da fadista Ana Moura ouviu "O fado da Procura" e decorou-o logo. Desde ai, já cantou em vários restaurantes, em casas de Fado no Bairro Alto e Alfama, em festas populares e em auditórios em França.Tem já gravado um CD e teve a oportunidade de cantar com vários fadistas como Hélder Moutinho,Mafalda Arnault,Cátia Guerreiro,Pedro Moutinho entre outros. As suas referências são a Carminho,Raquel Tavares,Ana Moura e Amália. Venceu a Grande Noite do Fado no Coliseu dos Recreios em 2016.

Aos 11 anos participou no programa "Uma canção para ti" na TVI onde chegou à final. Aos 13 anos também participou no programa de Filipe Lá Féria na RTP 1.Em 2017 participou no "The Voice Portugal" e no mesmo ano foi nomeada como revelação do ano pela Voz do Operário. Em 2019 foi convidada de Ana Moura para estar no Palco Futuro no Santa Casa Alfama.

















sábado, 28 de maio de 2022

Recordar é viver - vendas de discos em Portugal 1976

 

Vendas de discos 1976

Singles mais vendidos em 1976



1-Fernando - ABBA
2-I Love To Love - Tina Charles
3-Sorrow - Mort Shuman
4-Save Your Kisses For Me - Brotherhood of Man
5-Petit Demoiselle - Art Sullivan



portugueses: 1-Hey Hey Vickie, 2-Heidi em Português-Maria João; 3-Pipi das Meias altas

portugueses (grupos): 1-Green Windows; 2-Turma 8; 3-Gemini



O single "Fernando" dos ABBA vendeu cerca de 80.000 exemplares segundo indicações publicadas na revista Billboard.



Álbuns mais vendidos em 1976

1-Jonathan Livingston Seagull - Neil Diamond
2-Crisis? What Crisis? - Supertramp
3-Rock And Roll Music - The Beatles
4-16 Superhits - Vários (Polystar)
5-Moon Madness - Camel

portugueses:1-Jesus-FHC; 2-De Pequenino Se Torce... - Sérgio Godinho; 3-Com As Minhas Tamanquinhas-José Afonso



Lista com os discos mais vendidos em 1976 publicada na edição nº 1 da revista Música & Som. 

Compilado por Ivan H. Hancock (Top 20).

artigo Billboard
Em Fevereiro de 1977 foi publicada na revista Billboard, através do seu correspondente Fernando Tenente, uma pequena notícia sobre os nomes que mais se destacaram em 1976. O maior destaque vai para José Barata Moura.

E como compositores são destacados os nomes de José Cid, a dupla Tozé Brito/Mike Sergeant e Tozé Brito sozinho. Também são destacados Sérgio Godinho, José Afonso e Frei Hermano da Câmara.

(Em fins de 1976 foi lançado o single "Pensando em Ti" dos Gemini que dominou as tabelas nacionais no início de 1977)

[Bilboard 26/02/1977]



Alguns dos discos em destaque ao longo do ano:



Álbuns

Jonathan Livingston Seagull - Neil Diamond - #1
A Trick Of The Tail - Genesis - #2
A Night At The The Opera - Queen - #3
Tanto Mar - Chico Buarque e Maria Bethânia - #4
Crisis? What Crisis? - Supertramp
Moon Madness - Camel - #2
No Earthly Connection - Rick Wakeman - #3
Com As Minhas Tamanquinhas - José Afonso
Jesus - Frei Hermano da Câmara (P)
De Pequenino Se Torce O Destino - Sérgio Godinho
Rock And Roll Music - The Beatles
16 Superhits - Vários (Polystar) - #1
+
+



Singles

Hei Hei Wickie - Versão Portuguesa - #1
Lady In Blue - Joe Dolan - #2
Una Paloma Blanca - George Baker Selection - #3
Feelings - Morris Albert - #3
Save Your Kisses For Me - Brotherhood of Man
Petit Demoiselle - Art Sullivan
Love To Love You Baby - Donna Summer
Heidi Em português - Maria João
Lembranças - Green Windows
Pippi das Meias Altas - Versão Portuguesa
Fernando - ABBA - #1
I Love To Love - Tina Charles
Sorrow - Mort Shuman
+
+


http://www.americanradiohistory.com/Archive-Billboard/70s/1976/Billboard%201976-09-18.pdf

Billboard 18/09/1976(Courtesy Ivan H. Hancock)


SINGLES
1 FERNANDO - Abba ( Polydor)
2 I LOVE TO LOVE -Tina Charles (CBS)
3 WE'LL LIVE IT ALL AGAIN - Al Bano & Romina Power (Epic)
4 LOVE TO LOVE YOU BABY - Donna Summer (Ariola)
5 HEIDI (Em Português) - Maria João (EMI)
6 PETITE DEMOISELLE - Art Sullivan (Apollo)
7 RECUERDOS - Juan Pardo (Ariola)
8 CRAZY WOMAN - Joe Dolan (Pye)
9 LINDA BELLA LINDA - Daniel Santacruz Ensemble (EMI)
10 SAVE YOUR KISSES FOR ME - Brotherhood Of Man (Pye)
LPs
1 MOON MADNESS - Camel (Decca)
2 JONATHAN LIVINGSTON SEAGULL - Neil Diamond (CBS)
3 LOVE TO LOVE YOU BABY - Donna Summer (Ariola)
4 NO EARTHLY CONNECTION - Rick Wakeman (A&M)
5 DESIRE - Bob Dylan (CBS)





Recordar é viver - venda de discos em Portugal 1975

 

Vendas de discos 1975

Alguns Álbuns em destaque

Coro dos Tribunais - José Afonso
À Queima Roupa - Sérgio Godinho
The Lamb Lies Down on Broadway
Supertramp
Rick Wakeman
++

Alguns Singles em destaque

Quadras Populares - Green Windows
O Facho - Paulo de Carvalho
Fado de Alcoentre - Fernando Tordo
O Que Faz Falta - José Afonso
Grândola Vila Morena - José Afonso
Perdoname - Demis Roussos
Quieres Ser Mi Amante? - Camilo Sesto
Recuerdos - Juan Pardo
Take My Heart - Jacky James
++

As listas dos discos mais vendidos refletiam a separação entre os consumidores de singles (vinil de 45 rotações, com uma canção de cada lado) e de álbuns (de 33 rotações, também chamados LP, muito mais caros). O elitista top 10 dos álbuns mais vendidos chegou a ser encabeçado por The Lamb Lies Down on Broadway, dos Genesis, que tinha sido apresentado ao vivo em Cascais em dois concertos memoráveis, a 5 e 6 de março daquele ano. «Nunca em Portugal se vira rock de tanta qualidade», segundo o crítico (e músico) Mário Contumélias, no Século Ilustrado. Ou sessões de «tortura voluntária», para o repórter do Diário de Notícias. A lista incluía ainda os Supertramp, Rick Wakeman, José Afonso ou Sérgio Godinho.

No mercado dos singles, esse sim representativo do gosto das «massas populares», as preferências ao longo dos meses de verão começaram por dividir-se entre Camilo Sesto, com Quieres Ser Mi Amante?, Jacky James, Take My Heart; Paulo de Carvalho, O Facho, e Zeca Afonso, Grândola Vila Morena.

Com o passar das semanas, a música nacional foi sendo varrida do hit parade. O público
consagrava Demis Roussos (Perdoname), Juan Pardo (Recuerdos) e Camilo Sesto. O crítico musical da revista Tele Semana, José Niza – autor de canções vencedoras de festivais da RTP e deputado à Assembleia Constituinte pelo PS –, atribuiu o facto à «rejeição provocada pelo autêntico massacre sonoro a que a rádio e a TV submeteram os ouvidos dos portugueses no pós-25 de Abril».

João Ferreira, Notícias Magazine, 27/07/2015


Artigo de opinião de José Niza na Tele Semana (1975):

Para os leitores da Tele Semana que costumam dar uma olhadela à página 68, onde se referem os discos e os livros mais vendidos em cada semana que passa, o que vou dizer não é novidade.

A ter em conta a fidelidade das informações sobre a procura do púbico em relação aos discos que vão sendo postos à venda, há praticamente dois meses e meio que, dentre os 10 mais procurados, NÃO SURGE UM ÚNICO QUE SEJA PORTUGUÊS!

Isto, sendo um drama, é também um sintoma. Voltemos, no entanto, um pouco atrás.

Nessa mesma secção da Tele Semana (Discos e Livros), que se não erro se iniciou em princípios de Julho passado, passaram alguns êxitos e alguns nomes conhecidos da nossa música.

Em Lp's os discos mais procurados do público foram, como seria de esperar, de José Afonso e de Sérgio Godinho. "Coro dos Tribunais" e "À queima Roupa",  respectivamente.

Em singles os nomes, mais frequentes no "top" da TS foram, por ordem decrescente, os "Green Windows", com "Quadras Populares"; Paulo de Carvalho, com "O Facho". Fernando Tordo, com "Fado de Alcoentre" e de novo José Afonso com "O que faz falta" e "Grândola".

Simplesmente, como vos disse, tudo isto acabou há perto de dois meses e meio.

E acabou PORQUÊ? Porque é que as canções portuguesas deixaram de ser procuradas pelo público, que deslocou as suas atenções para outro tipo de música, música essa que já se fazia antes do 25 de Abril e que se ouve nas vozes de um Demis Roussos, de um Camilo Sesto e de um Juan Pardo, todos eles produtos e exemplos comerciais do que pior se faz quer em Espanha, quer na Europa?

Tenho para mim que, se em canção também se pode dizer que há uma "esquerda" e uma "direita", a viragem que a mudança das preferências do público demonstra, corresponde a dois fenómenos:

1º. A rejeição provocada pelo autêntico massacre sonoro a que a rádio e a TV submeteu os ouvidos dos portugueses no post-25 do Abril, em que foi Cometido o erro de se julgar que a revolução, se decidiria através da música e em que se pensou mais em destruir os símbolos, do que em criar, algo de novo e verdadeiramente revolucionário, que os substituísse. Através de "Cantos Livres" que primaram pela desafinação, pelo improviso e pela desorganização, enfim, pela ausência Completa de qualquer estética revolucionária.

Através de uma destruição, em discotecas, de tudo o que não era "revolucionário". Através de decisões precipitadas e "revolucionárias", etc. etc. Isto é, através de uma enormidade de erros históricos de palmatória e  de um fenómeno de todos quererem ser mais "revolucionários" que o vizinho (exceptuam-se, logicamente, aqueles que não tinham culpas no cartório e não necessitavam, por isso, de se auto-recuperar). Através de tudo isto, conseguiu-se apenas o seguinte: a rejeição, em bloco, de tudo o que à música revolucionária ou não.

2º. A falta de imaginação-criadora dos verdadeiros autores e intérpretes revolucionários, os quais, talvez por mobilização para outras tarefas, saíram do seu campo habitual deixando um vazio que, rapidamente, o oportunismo ocupou. Este fenómeno, aliás verificou-se noutros domínios da criação artística, que não só na canção.

Perguntar-se-á: E agora?

Agora? Agora, o que há que fazer, é, para além da auto-critica que se impôe, da análise que se impôe, construir com senso e realismo aquilo que define (ou não) uma revolução nacionalista.

Agora o que se impõe — e urgentemente - é ter a lucidez e a coragem de reconhecer os enormes erros, cometidos E fazer finalmente, neste pais, uma revolução.

Porque é urgente.

Porque é necessário.

Por que a História, não se compadece com "revolucionários estúpidos"!

P.S. Para além do mais, quando os 10 discos mais vendidos são TODOS ESTRANGEIROS - e numa altura em que, mais do que nunca, há que reduzir a saída de divisas – quem pode dar-se ao luxo de ir comprar lá  fora o que pode fazer-se cá dentro, estando ao mesmo tempo a dar continuação à alienação marcelo-salazarista do povo e a colocar os músicos portugueses no desemprego?

José Niza, Tele Semana, Novembro de 1975

Ivan Henry Hancock foi um dos nomes que em 1975 trouxe o grupo Genesis a Cascais. Pouco tempo depois passou a ser o coordenador da tabela TOP 20 com a classificação dos discos mais vendidos em Portugal e que era feita em cooperação com  algumas das discotecas mais representativas de todo o país. Em 1977 passou a ser feita para a revista Música & Som.





Destaque

Paul Kantner: importante guitarrista/vocalista fundador do Jefferson Airplane/Starship e tantos outros projetos

  Paul Lorin Kantner foi cofundador, guitarra-base e vocal de apoio no grande  Jefferson Airplane , uma das bandas mais importantes do  Rock...