domingo, 29 de maio de 2022

Salas de concertos de rock com história - Rock Rendez Vous e Frágil

 


O Rock chegou à cidade. As transformações na noite Lisboeta da década de 80


1. Introdução

A década de oitenta, em Portugal, viu explodir a cena rock, resultando no chamado boom do rock português. Novos nomes na esfera musical, novas vivências de lazer ao seu redor e um novo panorama socioeconómico no país vieram marcar os anos oitenta como a época mais viva, na história do rock português. “Este momento identificado como um boom do rock português foi uma quase revolução” (Guerra, 2010: 221). Este artigo recorre a fontes secundárias e a uma análise documental.

“A análise da arte contemporânea portuguesa permite (…) perspectivar que a sua existência nos anos oitenta derivou da ruptura política desencadeada em 1974/1975 e os processos de transformação social e ideológica traduzem-se enquanto efeitos estéticos inovadores a partir dos inícios da década de oitenta do século XX” (Guerra, 2010: 236). Para Guerra, (2010), o período de 1975 destaca-se numa tripla vertente uma vez que assinala o fim do último império colonial tradicional, o fim do mais antigo fascismo europeu e o fim da utopia revolucionária socialista. Segundo Neves (2011), esta tripla vertente resultou numa diminuição das comunidades rurais, uma vez
que a agricultura foi perdendo preponderância económica e numa urbanização, caracterizada pelo êxodo do interior para o litoral,
em particular para Lisboa e Porto.

“No início da década de 80, Portugal sofre as consequências da crise económica instalada nos países do centro, potenciada pelas crispações sociais decorrentes dos vários projetos contraditórios de democratização do país, postos em prática após o 25 de abril de 74” (Resende & Vieira, 1992, p.138). No entanto, apesar das dificuldades económicas, Portugal abre-se ao exterior e a um livre acesso a fontes de informação nacional e estrangeira e a uma difusão de ideias movidas velozmente, pelas trocas e contactos comerciais do nosso país. “Inaugura-se um período de declarada defesa do liberalismo económico e de identificação inequívoca com o modelo de aproximação política à Europa comunitária” (Ibidem). Neves (2011) diz-nos que a mobilidade social se tornou mais acessível e que se verificou uma assinalável tranformação na tipologia laboral, ou seja, o trabalho manual deu lugar a profissões mais ligadas ao esforço intelectual, científico e criativo. Neste período, começou a assitir-se a um crescimento da comunidade intelectual estudantil. “O número de alunos universitários aumentou dos cerca de 70 mil contabilizados em 1975 para 270 mil em 1995. Este aumento resultou, sobretudo, da autorização da criação de universidades privadas a partir de 1986” (Neves, 2011: 31). O mesmo cenário sucedia com os docentes universitários.

Além da intensificação das atividades de lazer e consumo, sucedem, também, nesta altura, alterações na própria natureza desse consumo, indo ao encontro dos apanágios da sociedade pós-moderna. Ou seja, “esta época, com os seus diferentes ritmos e ciclos, pode associar-se ao despoletar em Portugal do pós-modernismo limitado às grandes cidades (…). Um outro argumento consiste na prioridade do consumo como uma determinante da vida quotidiana. Neste sentido, os media e a dinâmica de mercado apelam a uma procura constante de novas modas, novos estilos, novas sensações e experiências” (Guerra, 2010, p. 235).

Como sabemos, na década de setenta, aproximadamente, ocorreram vastas alterações na qualidade da vida urbana. No mercado de arte entre Paris e Nova Iorque surgiu, pela primeira vez o termo “pós-moderno”. Pós-modernismo representava, na altura, uma reação ao modernismo ou um afastamento dele. Mais tarde, uma revista de arquitetura definiu o termo como reação à monotonia da visão de mundo do modernismo universal. “A fragmentação, a indeterminação e a intensa desconfiança de todos os discursos universais ou (para usar um termo favorito) totalizantes são os marcos do pensamento pós-moderno” (Harvey, 2008, p. 19). Mais recentemente, o termo “pós-modernismo” tornou-se bastante popular em diversas áreas da sociedade, o que levou a que não pudesse ser mais ignorado. Segundo Huyssens (1984), o termo pós-modernismo diz respeito a uma transformação. Não uma alteração global de paradigmas de natureza social, cultural e económica, mas uma renovação da sensibilidade de um determinado sector da cultura, das práticas e dos discursos, que as distinguem das precedentes.

Neste sentido, Lisboa assume-se como o espaço urbano privilegiado para receber todas estas novas transformações nos modos de viver, consequentes da consolidação da modernidade tardia e associados à esfera do rock nacional. Assim, a cultura urbana é aquela que é produzida e difundida em ambientes urbanos para audiências locais (Crane, 1992), mostrando a convergência atual entre espaço urbano e ‘mundos da arte’ (Becker, 1984). “A cidade é, pois, terreno fértil para a fecundação e para a incubação de novas tendências, novos produtos e novos princípios (ethos) culturais, assentes no roteiro de saídas das noites com uma agenda de concertos, dj sets e live acts” (Guerra & Oliveira, 2014, p. 96). A pouco e pouco vai sendo interiorizado um roteiro da boémia lisboeta, aliado à vivacidade musical então vivida (Guerra, 2010). E neste espaço privilegiado que era a Lisboa dos anos oitenta, o Rock Rendez-Vous e o Bairro Alto, nomeadamente através do Frágil, foram dois dos palcos invariavelmente preciosos, para receber o <<boom”>> e muitas das transformações socioculturais e artísticas, que com ele sucederam.

 

2. Rock Rendez Vous & Música Moderna

Idealizado por Mário Guia, ex baterista do grupo os Ekos (popularmente conhecido na década de 60), o clube Rock Rendez Vous (RRV) foi um dos espaços mais emblemáticos da história do rock português. Ocupou o espaço do Cinema Universal, na Rua da Beneficência, ao Rego, cineclube que, segundo Ana Cristina Ferrão (Santo & Amaro, 2010), tinha um passado de filmes relacionados com a Revolução. Assim, no dia 18 de dezembro de 1980 (Vilela & Fernandes, 2016), abre portas o que ficou para muitos na memória como um espaço mítico e único no nosso país. “Durante a sua existência, o RRV produziu cerca de 1 500 concertos com mais de 300 grupos e artistas” (Guerra, 2010).

O RRV teve como concerto de estreia Rui Veloso com a apresentação do seu <<Ar de Rock>> e algumas centenas de pessoas a assistir (Ibidem). Segundo Pita (Santo & Amaro, 2010), o técnico de som que esteve presente desde o primeiro até ao último dia do RRV, as obras no espaço estavam a ser terminadas para a sua abertura ao público, enquanto o Rui Veloso estava a ensaiar. “E a partir daí, posso dizer, que no primeiro mês, esgotámos os dias todos”, afirmou (Ibidem). As filas para comprar bilhetes eram intermináveis e para além dos concertos ao vivo, pelo menos um por semana, muitas das músicas que passavam ainda nem sequer se encontravam à venda, em Portugal. “Eu fui o primeiro gajo a passar Clash”, salientou (Ibidem).

A inspiração para o RRV veio de Londres, mais concretamente do Marquee Club, onde se estrearam os Rolling Stones, em1962 (Abreu, citado por Guerra, 2010). “Londres tinha chegado a Portugal” (Santo & Amaro, 2010). Para Adolfo Luxúria Canibal (Santo & Amaro, 2010), sentia-se, pela primeira vez, que Portugal se encontrava em sintonia com o que se passava lá fora. A abertura do RRV “marcou uma rutura face às anteriores apresentações de grupos rock, pois nasceu com a configuração específica de clube de rock dotado de condições técnicas e logísticas específicas: 1 000 lugares em termos de lotação; sistema de som JBL a 4 vias; sistema de divisão de bilheteira com as bandas” (Guerra, 2010: 294). Contudo, a grande revolução que trouxe o RRV foi o rock cantado em língua portuguesa. “Se não fosse em português, não teria tido tanta importância”, confessou Rui Veloso (Santo & Amaro, 2010). Para Rodrigo Leão (Santo & Amaro, 2010), foi nessa altura que perceberam que o rock em português também fazia sentido.

Frequentar o RRV, na altura, começou a fazer parte da rotina de muitos músicos e amadores, que vieram, mais tarde, a pisar o seu palco. “Ir ao Rock Rendez Vous era quase uma obrigação”, referiu Miguel Ângelo (Santo & Amaro, 2010). Mas, também, de uma vasta comunidade de pessoas relacionadas com a indústria musical, acabando por se transformar numa família. Todos se conheciam dentro daquele espaço e sabiam que era lá que iam encontrar os seus amigos. Então, tornou-se mesmo importante para as bandas subir ao palco do RRV. Para João Peste, “o objetivo principal das bandas era irem tocar ao Rock Rendez Vous” (Ibidem).

Sobre o espaço em si, ficaram na memória algumas características distintivas. As paredes eram todas pintadas de negro, o que dificultava bastante o trabalho aos fotógrafos. Os camarins eram pequeninos para tanta gente e “o whiskey era muito mau”, segundo António Manuel Ribeiro (Santo & Amaro, 2010).  No entanto, Rui Pregal da Cunha (Ibidem) afirma que num espaço como aquele, onde passaram imensas pessoas extremamente criativas, elas foram deixando as suas pegadas, tornando-o num sítio especial.

Um projeto que ficou célebre na curta vida do RRV foi o Concurso de Música Moderna, que teve sete edições. Este evento “fomentou o surgimento de novas bandas, divulgou valores alternativos, permitiu a troca de experiências musicais e de contactos, o aumento das referências musicais dos participantes e a própria edição discográfica” (Guerra, 2010: 294). O concurso tinha como objetivo primordial a divulgação de novas bandas nacionais, que não tivessem qualquer gravação comercial. Em 1984, ocorre a primeira edição do concurso, numa altura em que os grupos portugueses não conseguiam grande aceitação no mercado discográfico, pautado pela recessão (Guerra, 2010). “Nós temos palco para vocês se darem a conhecer e o prémio é um disco. Naquela altura, gravar um disco era complicadíssimo” (Pita, 2010). Aliada ao concurso, existia uma editora. “A Dansa do Som era uma editora associada ao Rock Rendez Vous e tinha como objetivo lançar os discos dos grupos vencedores dos concursos de Música Moderna” (Guerra, 2010: 247). Na primeira edição receberam mais de 600 cassetes a concurso e os vencedores foram os Mler Ife Dada. De acordo com João Peste, “nos concursos do Rock Rendez Vous surgiram uma série de bandas novas, ao longo dos anos, que marcaram, depois, a cena musical portuguesa dos anos 80 e 90” (Santo & Amaro, 2010). A partir do momento em que uma banda tocava no RRV obtinha, depois, acesso a ir tocar a outros locais do país. “Os concursos atingiram grande relevo no circuito musical português e durante anos serviram de montra ao que de mais inovador era efectuado pelos jovens músicos portugueses (…)” (Guerra, 2010: 294-295).

Relativamente ao público do RRV, os padrões de exigência foram aumentando, ao longo do tempo. É possível ver e escutar em algumas gravações feitas no clube a energia expressa pelo público, fosse positiva ou negativa. Quando não estivessem a gostar, eles faziam questão de o manifestar. Ainda sobre o público, a roupa variava de acordo com as bandas. Mas, Rui Vasco declara que “no geral, o público vestia-se mal, porque não havia onde comprar roupa em Lisboa ou, até mesmo, em Portugal” (Santo & Amaro, 2010). Quanto à comunidade que frequentava o espaço, público, músicos e outros elementos relacionados com a indústria da música, era maioritariamente constituída por homens. “Era, claramente, uma sala masculina”, afirma Ana Cristina Ferrão (Ibidem). No início dos anos 80, no nosso país, confessa Ana Cristina Ferrão (Ibidem), ainda não era muito fácil para uma mulher sair sozinha à noite. Mas, este facto veio a alterar-se rapidamente, em especial com a contribuição de mulheres como a Anabela Duarte, na altura, vocalista dos Mler If Dada.

“Foi a partir de 1984 que o clube passou a ser representado como mítico, pois nele se poderiam assistir a concertos de bandas memoráveis nacional e internacionalmente” (Guerra, 2010: 294). Na altura, a contratação de bandas consistia num processo muito simples. “Nessa altura, eu negociava diretamente com os músicos, não havia agentes nessas bandas mais pequeninas”, esclarece Pita (Santo & Amaro, 2010). De acordo com Zé Pedro (Ibidem), os Xutos e Pontapés ligavam pouco ao dinheiro e acabavam por gastá-lo em cerveja e a pagar rodadas aos amigos. Por outro lado, Anabela Duarte (Ibidem) queria tudo escrito. Sobre as bandas estrangeiras, Pita revela que os cachês eram irrisórios. Eles pagavam as viagens e o que era importante para os grupos passava por desbravar mercado, comer um bom frango assado e beber um bom vinho tinto (Ibidem).

No final dos anos 80, o RRV começou a mostrar algumas fragilidades. “A partir de certa altura, ficou isolado do resto da cidade”, reconhece Henrique Amaro (Santo & Amaro, 2010). As bandas começaram a alcançar palcos maiores e a noite lisboeta deixou de passar por ali. A opinião dos vizinhos, que não ficavam agradados com o barulho ou com a intensa movimentação da rua, à noite, também contribuiu para o seu encerramento. A falta de apoio e de divulgação também faz parte dos motivos para o seu fim. Contudo, para Ana Cristina Ferrão (Ibidem), o RRV foi-se descaracterizando, ao longo do tempo. “As queixas dos vizinhos, as pressões imobiliárias e camarárias e o desgaste financeiro ditaram o fechamento e consequente demolição do RRV em 1990. No declínio do clube, para além destes constrangimentos, foi também relevante o facto de se tratar de um clube restrito em termos de frequentadores, pois a sua aposta na chamada música alternativa não era garantia de concertos lotados” (Guerra, 2010: 295).

O RRV fechou portas em julho de 1990, depois de dois dias de leilão, (nos dias vinte e seis e vinte e sete), onde foi colocado à venda todo o equipamento sonoro e peças de decoração. “Depois disso, nunca mais houve nada parecido”, admite Rui Veloso (Santo & Amaro, 2010). Em suma e de acordo com Paula Guerra (2010), a década de oitenta é, de facto, uma década em que se institui um verdadeiro movimento musical com impacto e na dianteira e intensidade desse impacto esteve o Rock Rendez Vous

 

3. Sinto-me Frágil

“Resumidamente, o Bairro Alto, surgido em 1513, pode ser considerado um bairro popular, histórico e típico de Lisboa (…)” (Frúgoli, 2013: 18). Ao longo da sua história, este bairro tem sido associado a uma certa cultura boémia e nos anos oitenta desempenhou um papel significativo nas transformações dos costumes e atitudes na cidade de Lisboa (Ibidem). Este bairro, segundo Guerra (2010), espacializou e materializou uma movida de moda, música, estética, consumos e noite da cidade de Lisboa no dealbar dos anos 1980.

Bairro Alto no ano de 1982: nasce “um dos principais focos de movida cultural lisboeta do início da década de 80” (Guerra, 2010:, p. 1005).  “O Frágil assumiu nesta movida um papel de guia, de farol, existindo um reconhecimento da importância do Frágil, nos anos 80, enquanto espaço de cosmopolitismo e de vanguarda, onde se cruzavam artistas de diversas áreas” (Guerra, 2010: 286). Este espaço abriu portas no Nº 126 da Rua da Atalaia, no dia 15 de junho de 1982. Pela mão de Manuel Reis, antiquário, uma antiga padaria transforma-se na principal referência urbana dos anos 80 (Vilela & Fernandes, 2016, p. 61). Juntamente com outros espaços (bares, restaurantes, lojas, galerias), o Frágil marcou uma transformação no que respeita à cultura da noite, ou à fruição da noite como forma de cultura. “Importante não só pela forma como marcou quem viveu – esse tempo, ali – mas também pela forma como o cruzamento de uma série de pessoas – ali, nesse tempo – viria a marcar a vida urbana, artística, noturna e cultural daquela época” (Frágil, s/d).

“O Bairro Alto e o Frágil interligaram-se com a tendência de evolução da vida social e cultural: a esteticização” (Guerra, 2010: 286). Neste sentido, esta area e este espaço em particular foram palcos de uma estetização sem precedentes à escala nacional, concretizando-se na ênfase à moda e à apresentação corporal, na revalorização da vida mundana e boémia, no boom das artes plásticas de cruzamento e de mistura, na mercantilização, mediatização e mundanização generalizadas da criação artística, no culto do corpo, na aura do visual, da imagem e do look (Melo, citado por Guerra, 2010).

Durante a década de 80, o Frágil era frequentado por uma elite estética e cultural. “Era um espaço onde conviviam melómanos, artistas, poetas, cineastas, músicos, a boémia sofisticada da época ou uma espécie de «vanguarda»” (Guerra, 2010: 286).  Leonaldo de Almeida, designer e pintor, tornou-se o DJ da casa. “Formado na António Arroio e nas Belas Artes, pinta, trabalha em teatro, contribui para as sucessivas recordações do Frágil” (Vilela & Fernandes, 2016, p. 62). E recordações não faltam na história deste espaço. “Um dia Manuel Reis arranja uma cadeira de barbeiro antiga e põe António Variações a cortar cabelos” (Ibidem). O Frágil também ficou na memória de muitos por ter porteiras mulheres. Minda Fonseca, Anamar, Inês Simões, Ana Leandro ou Margarida Martins são algumas das caras que protegeram as portas do Frágil. “Orientadas por Manuel Reis, serão elas a decidir quem poderá transpor o cortinado vermelho e quem esbarrará no veredicto <<só para clientes habituais>>” (Vilela & Fernandes, 2016, p. 62).

A nível estético, o Frágil respeitava a antiga estrutura do espaço, dando destaque aos azulejos brancos e combinando-os com uma coluna dourada, um espelho de talha dourada e um cortinado de veludo vermelho (Vilela & Fernandes, 2016). A decoração era obra de artistas plásticos. Nas festas, era dada especial atenção aos detalhes. “A noite começa nos preparativos. Escolhe-se a máscara, desenha-se a personagem” (Vilela & Fernandes, 2016, p. 63).  No Frágil, a criatividade era rainha e cada pessoa esforçava-se por marcar a sua individualidade.

O Frágil era um local singular, que proporcionava vivências únicas e distintivas. Cada noite era diferente. E a comunidade que o enchia de graça diariamente era quase uma família. “Gente que se vê numa certa estética, numa forma de estar” (Ibidem). Era um espaço que não servia, apenas, para dançar, mas para conversar, projetar e produzir. “É um clube para amigos onde está toda a gente que importa” (Ibidem).

 

4. Conclusões Prévias

Se a música desempenha, hoje, um papel tão importante na “transgressão e interpenetração dos campos, dos modelos culturais, das recomposições hierárquicas da cultura” (Abreu, 2000, p. 131), importa refletir acerca do seu percurso até aos nossos dias. É fundamental conhecer os seus fenómenos precedentes, bem como a sua história, para se proceder a uma correta análise dos fenómenos contemporâneos.

Como vimos, a década de oitenta, em Portugal, correspondeu a um período de transformação: de ritmos, de ruídos, de sons, mas também de costumes, lazeres e identidades, indo ao encontro dos primeiros sinais da modernidade tardia. A mobilidade, a flexibilidade, a fluidez, a relativização, as fusões, o imediatismo, a imprevisibilidade e o imediatismo são apenas algumas das características que, se tornaram crescentemente observáveis no seio das culturas juvenis desta década e que vão ao encontro, segundo Costa (2004), dos atributos associados à pós-modernidade.

Com a queda incitada do regime, o povo português levou alguns anos a conquistar a sua auto-estima e esse acontecimento ocorre, indubitavelmente, nos anos oitenta. Passamos a assistir, assim, a um despoletar de novas experiências possíveis e a uma busca por novas sensações nunca antes vividas. O boom do rock português e os novos hábitos de vida começam, então, a ser vividos em espaço privilegiadamente urbano, particularmente na capital.

Termos como “música moderna portuguesa” ou “movida lisboeta” começaram a integrar o vocabulário quotidiano das camadas mais jovens, interessadas pela cultura e pelas artes. O RRV e o Frágil acabaram, mesmo, por desempenhar o papel de força impulsionadora de novos projetos, novas redes, novas inspirações e novos percursos.



Fotos Rock Rendez Vous





Fotos do Frágil


Biografia de Ana Moura


 Ana Moura ComIH (Santarém, Portugal, 17 de setembro de 1979[1]) é uma cantora portuguesa. O site All Music considera que Ana Moura é a fadista mais bem-sucedida a iniciar carreira no século XXI. A artista já vendeu mais de um milhão de discos no mundo todo, sendo uma das recordistas de vendas de discos em Portugal.[2]

De seu nome completo Ana Cláudia Moura Pereira, é natural de Coruche, mas, como esta vila não dispunha de maternidade, foi nascer na capital do distrito, ou seja, Santarém[3].

Houve um momento particular, na noite de 18 de Julho de 2010, em que a arte de Ana Moura alcançou um patamar singular, relevante no panorama global, porque é essa a sua real dimensão. Chamada por Prince para um encore mágico na sua apresentação no festival Super Bock Super Rock, a cantora, com a sua presença e com toda a sabedoria já contida na garganta, silenciou até às lágrimas uma plateia de dezenas de milhares de pessoas. A sua voz entregou-se a “A Sós Com A Noite” e a “Vou Dar de Beber à Dor”. Nesse momento, Ana Moura provou ter algo de tão singular quanto universal: uma capacidade de interpretação que ultrapassa códigos de género, que se sobrepõe a línguas, que parece prenunciar uma nova cultura. Quando subiu ao palco com Prince, Ana já tinha uma bagagem, uma carreira, e uma vida inteira de imersão nessa força – a da música -, que sempre a puxou. A sua relação com a música começou antes de ter entrado num estúdio: quando sentiu os sons que se desprendiam do gira-discos de sua casa, que tocava os discos de Fausto e Ruy Mingas, de José Afonso ou Bonga.

Com raízes familiares em África, talvez haja até algum eco distante, carregado pela sua herança genética, que ainda antes desse momento já a empurrasse para o que é hoje. Mas houve um percurso: começou por aprender com a voz dos pais, que cantavam sempre que podiam e, ainda menina, ao mesmo tempo que aprendia a ler, já cantava fados com o mesmo empenho e inocência com que dançava sembas ou kizombas.

Em concerto, Varsóvia, 2009

A adolescência levou-a para mais perto de Lisboa, para Carcavelos, onde se matriculou no liceu e na Academia dos Amadores de Música, experimentando usar a sua voz noutros contextos, talvez não condizentes com o seu âmago, mas certamente mais em sintonia com o que outros rapazes e raparigas da sua idade escutavam, tocavam, cantavam ou dançavam. Ainda assim, um “Povo que Lavas no Rio”, que começou por ser de Amália, mas haveria de ser também reclamado por António Variações, também merecia a sua atenção, encaixado entre as versões dos êxitos que se esperaria ouvir reinterpretados por jovens de 15 ou 16 anos.

Ao aprendizado familiar, fundo e variado e à experiência escolar e académica diferente, mas também importante, Ana não demoraria a somar outro caminho que se revelaria importante para a sua formação artística. Num bar em Carcavelos, numa noite de cantorias, arrisca um fado sem saber que está presente o guitarrista António Parreira , que imediatamente lhe reconhece a força indómita e a originalidade da postura. Começa aí o seu percurso pelas casas de fados, que culmina com Maria da Fé a render-se e a convidá-la para se apresentar regularmente na sua casa, o mítico Senhor Vinho.

Pode dizer-se que a partir daí os dados estavam lançados: Miguel Esteves Cardoso , prestigiado jornalista que nunca escondeu uma desmedida paixão por Amália Rodrigues, reconheceu em Ana o mesmo fulgor e dedicou-lhe inflamadas palavras que tiveram efeitos imediatos, trazendo-lhe a atenção de editoras. A Universal propôs-lhe ingresso no seu catálogo e a primeira manifestação dessa aliança foi “Guarda-me a Vida na Mão”, com Jorge Fernando, outro “amaliano” de gema, a assumir a produção e a assinatura de boa parte dos temas.

Com uma visão já muito mais vasta do que a que o fado por si só poderia conter, Ana Moura acercou-se do flamenco e das tradições ciganas, trazendo para a sua beira Pedro Jóia e os Ciganos d’Ouro e vincou claramente que não lhe interessava o dogma nem as ideias guardadas em redomas.

Ana Moura em concerto, 2013

À estreia, sucederam os álbuns Aconteceu e Para Além da Saudade, que lhe permitiram somar sucesso em cima de sucesso e expandir o mapa das suas apresentações, ganhando mundo para a sua voz. Ana Moura chegou ao conhecimento do grande público, o álbum alcançou a tripla platina, por vendas superiores a 45 mil unidades, levando a cantora a permanecer 120 semanas no Top 30 de Portugal. Com o mesmo disco recebeu uma nomeação para os Globos de Ouro, na categoria musical de Melhor Intérprete Individual, que acabou por perder para Jorge Palma.

Das melhores casas de fados de Lisboa transitou para o Carnegie Hall, em Nova Iorque, e daí para o Rolling Stones Project, aventura liderada pelo saxofonista da mítica banda britânica, Tim Ries, que cruzava o cancioneiro eternizado na voz de Mick Jagger com intérpretes selecionados de várias partes do mundo. Como Ana Moura, que a esse projecto ofereceu as suas versões de “Brown Sugar” e “No Expectations”. Numa passagem do grupo de “Satisfaction” pelo Estádio Alvalade XXI, Ana Moura sobe ao palco e interpreta, com Mick Jagger e companhia, “No Expectations” superando, obviamente, as expectativas de toda a gente. Logo aí ficou o sinal de que Ana estava numa divisão à parte. Tão à parte, que nesse álbum, além de um tema composto especialmente para si por Tim Ries, “Velho Anjo”, figurava ainda uma rara colaboração de uma daquelas vozes que escutava em casa em criança, Fausto, que lhe ofereceu “E Viemos Nascidos do Mar”. Outras contribuições chegaram de Amélia Muge, que escreveu “O Fado da Procura”, do espanhol Patxi Andion, que com ela cantou “Vaga, no azul amplo solta”. Nesse trabalho consta também “Os Búzios” de Jorge Fernando, um dos primeiros grandes sucessos da artista que não tardaria a ter aos seus pés o Coliseu dos Recreios e a arrecadar o prestigiado Prémio Amália Rodrigues.

Várias semanas no topo das tabelas de vendas traduziram uma empatia muito especial com o público, que nela encontrou um claro símbolo. Depois, veio o álbum Leva-me aos Fados, em que contava, uma vez mais, com peças escritas por Jorge Fernando ou Amélia Muge, mas também José Mário Branco, um disco que repetiu e até ampliou o sucesso. O mundo continuava a ir ter com Ana Moura: Prince voou propositadamente para Paris para a ouvir, e conhecer, e desse encontro resultou o tal momento especial de 2010.

Ana Moura transformou-se como artista, assumindo as diferentes peles e culturas que nela sempre correram. Pouco depois desse encontro com Prince, houve outro, no Rio de Janeiro, com Gilberto Gil, com quem deu voz ao “Fado Tropical”, de Chico Buarque.

Uma das fotos do álbum "Desfado"

Talvez Desfado, o seu enorme sucesso de 2012, contenha no título outro bom rótulo, afirmando-a como alguém que, sendo capaz de desmontar uma linguagem, é igualmente capaz de inventar algo de absolutamente novo. Este teve uma grande longevidade nos top nacionais de álbuns e deu a Ana Moura a sua canção mais bem-sucedida até então: a homónimo "Desfado".

A 27 de Jjaneiro de 2015, foi feita Comendadora da Ordem do Infante D. Henrique. Mais tarde, nesse mesmo ano, lançou Moura, aquele que é ainda o seu mais recente registo de longa duração e que lhe deu o êxito nas rádios e plataformas de streaming: "Dia de Folga", canção com letra e música de Jorge Cruz e pela qual a intérprete recebeu ainda um Globo de Ouro na categoria de Melhor Música. Continuou a cruzar mundo, encheu as mais prestigiadas salas globais, cruzou-se com gigantes, somando às suas experiências com Prince, Rolling Stones ou Gilberto Gil encontros com Caetano Veloso ou Herbie Hancock.

Em 2016, em Nova Iorque, uma vez mais no Carnegie Hall, Ana cantou o tema angolano “Birin Birin”, dedicando-o à memória de Prince, falecido alguns dias antes desse concerto. Essa emotiva homenagem levou o famoso crítico Ben Ratliff a escrever sobre a sua voz: “Ela tem um forte e claro alcance de notas nos pontos mais altos da sua voz de contralto, em que se apoia fortemente, com efeitos poderosos”.

Mais tarde, e contando com produção de Branko (ex-Buraka Som Sistema), participou ao lado de Bonga, outro dos ecos da sua infância, numa antologia de homenagem a Amália, com uma inventiva versão de “Valentim”. “Ela tem uma presença e uma voz tremendas”, garantiu, em 2016, o The Guardian.

Depois de "se atirar" ao fado, ao funk, à soul, ao flamenco, ao rock, ao jazz e o samba ao futuro, em janeiro de 2020 inicia a sua fase worldbeat, lançando, juntamente com Conan Osiris e Branko - dois nomes maiores do género em Portugal, o single “Vinte Vinte”, uma canção que havia de ser relançada em março de 2021, com o título "Vinte Vinte (Pranto)" e com um videoclipe que, tal como se lê no início do vídeo, serve de homenagem a todas as pessoas "viveram a escuridão que 2020 trouxe".[4] Em 2021, Ana Moura também lançou duas colaborações com Pedro Mafama - com quem Ana Moura mantém atualmente uma relação amorosa, tendo, em 2022, nascido uma criança, chamada Emília, que é fruto dessa mesma relação [5][6] - e Pedro da Linha: "Andorinhas" (cujo videoclipe, gravado em Olhão, haveria de ser consagrado com o prémio de Melhor Videoclipe na edição de 2022 dos Play - Prémios da Música Portuguesa, cerimónia onde Ana Moura também recebei o galardão de Melhor Artista Feminina[7]) - e "Jacarandá". Em maio de 2022, Ana Moura haveria de lançar outro single em colaboração com Mafama, mas em que este, além de estar envolvido na composição (além da própria Ana Moura, Conan Osiris e Pedro da Linha), também participa vocalmente:"Agarra Em Mim".

Controvérsias

Em outubro de 2020, a Sábado noticiou que um concerto financiado pela Câmara Municipal da capital portuguesa, intitulado "Juntos Pelo Iémen", realizado a 12 de setembro desse ano, no Capitólio, em Lisboa, e que se destinaria à angariação de fundos para ajudar o país árabe em guerra - através da Médicos Sem Fronteiras - havia tido um custo cinco vezes maior do que total de fundos que arrecadou. A promotora foi Cláudia Semedo e Ana Moura foi uma das dez vocalistas que participou, tendo recebido, pela sua atuação, 1000 euros, assim como todos os outros nove artistas envolvidos.[8]

Já no dia 26 de junho de 2021, o semanário Novo noticiou que Ana Moura havia atuado num concerto privado integrado na Reunião Ministerial Informal de Agricultura, naquilo que terá sido uma "operação de charme" no âmbito da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, organizada pela então Ministra da AgriculturaMaria do Céu Antunes. A contratação de Ana Moura para esse evento teria custado 11 mil euros, sendo que todo o evento ultrapassou os 33 mil euros. Esse facto levou o Ministério dos Negócios Estrangeiros português a exigir contenção de despesa.[9]

Discografia

Ver artigo principal: Discografia de Ana Moura

Álbuns de estúdio




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Pink Floyd reúnem-se para apoiar a Ucrânia e gravam uma música após 28 anos

 

Pink Floyd reúnem-se para apoiar a Ucrânia — esta é a primeira música em 28 anos.

A banda lançou “Hey Hey, Rise Up!”, uma nova canção, cujas receitas vão reverter para ajudar o país invadido pela Rússia.
David Gilmour incentivou a ideia.

Pela primeira vez em 28 anos, os Pink Floyd reuniram-se para lançar uma nova canção, “Hey Hey, Rise Up!”. O motivo? A guerra na Ucrânia. Todas as receitas angariadas com este novo tema vão reverter para ajudar o país que foi invadido pela Rússia a 24 de fevereiro.

O que espoletou a reunião parcial do grupo foram imagens do músico Andriy Khlyvnyuk, da banda ucraniana BoomBox — grupo que tocou com David Gilmour em 2015 —, em combate. No vídeo vê-se e ouve-se o músico a entoar uma antiga canção de protesto, “Oh, the Red Viburnum in the Meadow”, às portas de uma catedral em Kiev.

“Pensei: isto é bastante mágico, talvez consiga fazer algo com isto”, explica David Gilmour ao “The Guardian”. “Tenho uma grande plataforma [Pink Floyd] na qual tenho trabalhado durante muitos anos. É extremamente difícil e frustrante ver este ataque injustificado e insano de um grande poder sobre uma nação independente, pacífica e democrática. A frustração de ver isso e pensar ‘o que raio posso fazer?’ foi difícil de suportar.”

A nova música usa samples da voz de Andriy Khlyvnyuk a cantar o tal tema de protesto. David Gilmour também se tem mostrado particularmente sensível em relação à guerra na Ucrânia porque a nora é ucraniana — e os netos são metade ucranianos. A canção foi feita por Gilmour e Nick Mason, mas sem a participação de Roger Waters que, antes da invasão, até tinha defendido publicamente que a Rússia nunca faria tal coisa. Depois, condenou a investida russa, mas também apelou a que o país não fosse diabolizado.







Primeiro concerto dos Genesis em Portugal em 1975

 

Os Genesis em Portugal em 1975



SPACEO duplo concerto dos Genesis em Cascais em Março de 1975 foi um marco na história dos concertos realizados em Portugal (e foi inesquecível para os próprios Genesis, a crer nas palavras de Steve Hackett). Nos anos do regime ditatorial de Salazar e de Marcello Caetano, ninguém queria vir dar concertos a este país “orgulhosamente só” e com um regime de censura prévia. O Festival de Vilar de Mouros em 1971 (Elton John e Manfred Mann) e os concertos dos Procol Harum e dos Black Sabbath em 1973 tinham sido as únicas exceções dignas de nota. Os Genesis vieram para o primeiro grande concerto a que os portugueses puderam assistir. Estavam num pico de forma – e de fama. No ano anterior, o duplo álbum conceptual The Lamb Lies Down On Broadway tinha sido eleito pela crítica portuguesa o melhor disco do ano, e os concertos da (inovadora) digressão do disco, iniciada nos EUA, tiveram tanto êxito que no outro lado do Atlântico os Genesis tinham já o estatuto de «melhor banda do mundo» e na Europa a digressão teve de ser prolongada, face a uma procura de bilhetes sem precedentes (curiosidade: o prolongamento da digressão foi decidido em Cascais).  
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Em Portugal, por seu turno, vivia-se ainda o período revolucionário (o 25 de Abril tinha sido dez meses antes), num clima de crescente tensão (três dias depois de os Genesis sairem de Portugal, aconteceu a tentativa de golpe do 11 de Março).
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Em cada um dos concertos de 6 e 7 de março de 1975, em Cascais, estiveram mais de 10 mil pessoas, incluindo muitos borlistas que o exército, chamado na segunda noite para acalmar os ânimos, acabou por deixar entrar no pavilhão. Havia pessoas empoleiradas nas redes colocadas entre as bancadas e a plateia. Os soldados acabaram por entrar no pavilhão, para impedir uma hipotética invasão do palco. O ex-guitarrista dos Genesis Steve Hackett descreveu recentemente os concertos de Cascais como os «mais explosivos» da carreira do grupo.

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O concerto de 1975 em Cascais
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O concerto de 1975 em Cascais.
Da esquerda para a direita: Steve Hackett, Mike Rutherford, Peter Gabriel, Phil Collins e Tony Banks
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Phil Collins e Peter Gabriel no concerto de 1975 em Cascais 
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Peter Gabriel no concerto de 1975 em Cascais
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Phil Collins no concerto de 1975 em Cascais
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Phil Collins à chegada ao Aeroporto de Lisboa, em 4 de Março de 1975
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Mike Rutherford e Phil Collins comprando escudos
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Os Genesis no Guincho, no dia em que Phil Collins resolveu ir a um barbeiro rapar a barba.
Da esquerda para a direita: Mike Rutherford, Tony Banks, Phil Collins, Peter Gabriel e Steve Hackett.
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Tony Banks (terceiro a contar da esquerda) e Peter Gabriel (primeiro a contar da direita, ao lado da mulher) no Palácio da Pena, em Sintra.
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A primeira passagem dos Genesis por Portugal ficaria para sempre marcada na história do grupo por outras razões: foi em Cascais que Peter Gabriel anunciou que iria abandonar os Genesis no final daquela digressão.
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Anyway é a 14.ª música do duplo álbum Lamb Lies Down on Broadway, de 1974:
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História do Festival de Vilar dos Mouros


 

História do Festival

Criado em 1965 pelo médico António Augusti Barge, o Festival de Vilar de Mouros foi inicialmente um evento de divulgação da música popular do Alto Minho e Galiza, com o objectivo de transformar Vilar de Mouros num destino turístico. 

Em 1968, o festival reuniu a Banda da Guarda Nacional Republicana, com fado e cantores de intervenção: Zeca Afonso, Carlos Parede, Luis Goes, Adriano Correia de Oliveira, Quinteto Académico+2, Shegundo Galarza e alguns grupos de folclore. 

Mas foi em 1971 que se produziu em Portugal a 1ª grande edição do Festival Vilar de Mouros. O clima de paz, amor e liberdade fez com o que o Vilar de Mouros de 71 fosse considerado como o Woodstock português. 

Nos fins-de-semana entre os dias 31 de Julho a 15 de Agosto de 71 cerca de 20 mil pessoas, oriundas de vários pontos da Europa, assistiram às actuações de Elton John e Manfred Mann, os nacionais Quarteto 1111, Pentágono, Sindikato, Chinchilas, Contacto, Objectivo, Bridge, Beartnicks, Psico, Mini-Pop, Pop Five Music Incorporated, Amália Rodrigues, Duo Ouro Negro, Celos, Banda da Guarda Nacional Republicana, Coral Polifónico de Viana do Castelo e o Grupo de Bailado Verde Gaio, abarcando assim o tradicional, o fado, o rock e o pop.

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O desastre financeiro (mais de cinco mil euros de prejuízo) deste mega-festival fez com que a família Barge não pensasse sequer numa reedição, mas os ventos do 25 de Abril levaram um grupo de revolucionários a anunciar para 1975 um novo Festival de Vilar de Mouros, que não chegou a realizar-se.

Constantes alterações do cartaz e divergências entre organizadores, programadores e produtores levaram um jornal da época a classificar esta edição como "o festival das broncas", mas para a história o Vilar de Mouros'1982 ficou como um dos mais importantes festivais alguma vez feitos em Portugal: entre 31 de Julho e 8 de Agosto, actuaram nomes como os U2, Echo & The Bunnymen, Stranglers, Gist, Durutti Column, A Certain Ratio, Rip, Rig + Panic, Renaissance, Tom Robinson, Johnny Copeland, Sun Ra Arkestra, Carlos do Carmo, Vitorino, Rão Kyao, GNR, Jáfumega e Roxigénio.

Terminada esta edição, a Câmara de Caminha abandonou o projecto de festival bienal, devido aos elevados prejuízos, que nunca chegaram a ser apurados na totalidade. Inconformada, a Junta de Freguesia realiza em 1985 o primeiro (e único) Encontro de Música Popular de Vilar de Mouros, com os Trovante, Emílio Cao e Raízes, que redunda em novo fracasso financeiro.

O festival só regressou em 1996, numa edição comemorativa dos 25 anos, organizada pela promotora Música no Coração com o apoio de fortes patrocínios, que encheu durante três dias o Campo do Casal, com um cartaz que incluía Stone Roses, Young Gods, Madredeus e Xutos e Pontapés.

A exiguidade do recinto obrigou a nova paragem, reaparecendo o festival apenas em 1999, após a aquisição de terrenos contíguos onde passou a ser instalado o palco principal. O negócio da compra dos terrenos pela Junta de Freguesia, já então presidida por Carlos Alves (CDU), foi integrado na negociação de um protocolo de concessão, que atribuiu às promotoras Música no Coração e Portoeventos a organização de seis festivais (entre 1999 e 2004), com direito de preferência por 20 anos (até 2018).

Nestes seis anos, passaram por Vilar de Mouros grandes nomes do pop-rock, como Bob Dylan, Peter Gabriel, Neil Young, Pretenders, Alanis Morissette, Iron Maiden, Skunk Anansie, Ben Harper, Manu Chao, UB40, Joe Cocker, Joss Stone, Cure, Rammstein, Robert Plant, Sonic Youth, Lamb, Beck, Bush, Wailers, Sepultura e Guano 

A partir de 2007 o festival Vilar de Mouros foi cancelado, devido a desentendimentos entre as partes envolvidas na organização. 

O festival em 2014

Oito anos depois da sua última edição, o festival Vilar de Mouros volta entre os dias 30 de julho e 2 de agosto. O mais antigo festival de rock do país vai regressar em 2014 a Vilar de Mouros, freguesia que nos anos 80 acolheu bandas tão mediáticas como U2 e Stranglers.

Os primeiros nomes confirmados para o festival de Vilar de Mouros 2014 são José Cid, Xutos & Pontapés, Capitão Fausto, Trabalhadores do Comércio e Maestro Rui Massena e Convidados.

A edição deste ano vai prestar homenagem à música portuguesa mas o cartaz incluirá também nomes estrangeiros.

O festival de Vilar de Mouros, inaugurado em 1971, esteve ausente nos últimos oito anos. Em 2014 regressa pela promotora «Everything Is New», com o apoio da Câmara Municipal de Caminha e da Junta de Freguesia de Vilar de Mouros.

Este regresso do festival é organizado pela Fundação AMA Austimo e, segundo o seu presidente, Marco Reis, a totalidade do dinheiro angariado com o festival vai reverter para a construção de um edifício multidisciplinar para autistas e que acolherá pessoas que sofrem desta doença que não têm família ou cujo agregado familiar não tem as condições necessárias para cuidar apropriadamente de pessoas que têm autismo.

O festival de Vilar de Mouros realizar-se-á de 30 de julho a 2 de agosto. O primeiro dia será gratuito. Para o dia 31 os bilhetes custam 20 euros e para os seguintes 30 euros. O passe para todos os dias vale 60 euros.







Biografia The Platters


 The Platters é um famoso grupo vocal norte-americano.

Formado em Los Angeles, 1953, chegou a vender mais de 53 milhões de discos e está, desde 1990, no Rock And Roll Hall of Fame.

Originalmente formado por Tony Williams, David Lynch, Alex Hodge, o grupo passou por várias alterações na sua formação.

Em 1954, foram lançadas duas músicas do conjunto "Voo-Vee-Ah-Vee" e "Shake It Up Mambo" na gravadora Federal Records.[1]

Entre seus sucessos, destacam-se "Only You", "My Prayer" (composta por Georges Boulanger com o nome "Avant de Mourir")[2], "The Great Pretender", "You’ve Got The Magic Touch", "You’ll Never Know", "Smoke Gets In Your Eyes" (composta por Jerome Kern e Otto Harbach)[3] entre outros.

Tony Williams saiu do grupo em 1961 e foi substituído por Sonny Turner. Zola Taylor também saiu e foi substituída por Sandra Dawn. Paul Robi foi substituído por Nate Nelson em 1966.

David Lynch e Paul Robi morreram de câncer em 1981 e 1989 respectivamente. Buck Ram morreu aos 83 anos, em 1991, e Tony Williams, em 1992. The Platters continua se apresentando até os tempos atuais.

Tommy Smiley se juntou ao Platters em 1978 e foi o responsável pela imortalização da música "Only You". O vocalista faleceu em 4 de março de 2006, aos 59 anos, no México, vítima de uma parada cardíaca decorrente de uma crise de asma.

Em 05/06/2012, morre Herb Reed, aos 83 anos, com uma doença pulmonar obstrutiva crônica. Era o último membro original do The Platters.

Conforme outras fontes o lider atual do grupo B.J. Mitchel está no grupo desde os anos 60 e, ainda, foi o único que trabalhou com o fundador do grupo Paul Robi.








Destaque

Paul Kantner: importante guitarrista/vocalista fundador do Jefferson Airplane/Starship e tantos outros projetos

  Paul Lorin Kantner foi cofundador, guitarra-base e vocal de apoio no grande  Jefferson Airplane , uma das bandas mais importantes do  Rock...