quarta-feira, 8 de junho de 2022

História do Disco Sound


música disco (também conhecida em inglês disco music ou, em francêsdiscothèque[10]) é um gênero de música de dança cuja popularidade atingiu o pico em meados da década de 1970. Teve suas raízes nos clubes de dança voltados para negroslatino-americanos e apreciadores de música psicodélica, além de outras comunidades na cidade de Nova York e Filadélfia durante os anos 1970. Mulheres abraçaram bem o estilo, sendo consideradas “divas”, vários grupos também foram populares na época. O estilo é conhecido por ser o primeiro abraçado por casas de dança, denominados "discotecas" e posteriormente apenas clubes.

As principais influências musicais incluem o funk, a música latinapsicodélica e a soul musicArranjos de música clássica como acompanhamento são frequentes no estilo, criando um som cheio de colcheias e fusas mas ao mesmo tempo muito repetitivo. A introdução de arranjos orquestrais é uma herança do som da Motown. As linhas de baixo elétrico vindo do funk, e os cantores geralmente preferiam cantar em falsete. Na maioria das faixas de discocordasmetaispianos elétricos e guitarras criam um som de fundo luxuriante. Ao contrário do rock, a guitarra é raramente usada em solos.

Nos anos 1970 os mais famosos artistas de disco eram Donna SummerBee GeesKC and the Sunshine BandABBAChic, os irmãos The Jacksons. Summer se tornaria a primeira artista de disco popular, recebendo o título de "Rainha da Disco", e também desempenhou um papel pioneiro no som da eletrônica, que mais tarde tornou-se uma parte da disco. Embora os artistas tenham acumulado a maior parte da atenção pública, os produtores por trás das cenas tiveram um papel importante na música disco, já que muitas vezes escreviam canções e criavam sons inovadores. O filme Saturday Night Fever contribuiu para o aumento da popularidade da disco music.

Durante o início da década de 1980, a disco music começou a sofrer preconceito nos Estados Unidos que criticavam as danças, e os amantes do estilo que eram minorias na sociedade como negros, mulheres e homossexuais. A música disco da década foi apelidada de Pós-disco, e o rock voltou a dominar as paradas estado-unidenses. Apesar da queda da popularidade nos Estados Unidos, a disco music continuou a fazer sucesso no mundo todo durante toda a década de 1980 até evoluir para os derivados de música dance/eletrônica populares nas décadas seguintes.

Origens

Como todos os gêneros musicais similares, definir um único ponto de início é difícil, uma vez que muitos elementos daquilo que hoje se chama "disco music" aparecem em gravações bem anteriores ao seu "boom" (como exemplo, a gravação de 1971 do tema do filme Shaft, feita por Isaac Hayes).[11] Em geral se pode dizer que as primeiras canções disco surgiram em 1973, no entanto muitos consideram a canção "Soul Makossa", do africano Manu Dibango (lançada em 1972) como o primeiro sucesso da "disco music" (cf. Jones and Kantonen, 1999). No começo, a maioria das canções era consumida por pequenas audiências, em clubes noturnos e de dança, e não por um público mais amplo, (ouvintes de rádio, televisão,etc.).

Entre as tendências sociais que contribuíram para o crescimento da disco music estão o aumento de consumo de gravações musicais entre negros e hispânicos acima do consumo do público branco, além do aumento da independência financeira das mulheres, da libertação gay e a revolução sexual (conforme Jones and Kantonen, 1999).

Entre as influências musicais que a disco recebeu estão o funk, o soul, a salsa e os ritmos musicais latinos ou hispânicos que originaram a salsa.

Philadelphia International Records (com a marca dos produtores Kenneth "Kenny" Gamble e Leon Huff) criou aquilo que chamou de "a música soul da Filadélfia"[11] que inclui as seguintes gravações:

  • Three Degrees - "When Will I See You Again" (1974)
  • Intruders - "I'll Always Love My Mama" (1973)
  • The O'Jays - "I Love Music" (1975), "Love Train" (1972)
  • MFSB - "TSOP (The Sound of Philadelphia)" (1973)

Entre as primeiras gravações da "era disco" feitas pela TK Records (segundo Jones e Kantonen, 1999) estão:

Entre os primeiros sucessos considerados "disco music", contam-se:

É possível apontar também Barry White e seu Love's Theme (de 1973), o grupo espanhol Barrabas, com sua gravação Woman (1972), e mesmo Philadelphia Freedom e Island Girl, de Elton John, como tendo elementos do que se tornou conhecido como disco' music, principalmente nos arranjos instrumentais.

Sucessos

Alguns singles que foram sucessos mas não conseguiram muito destaque começaram com Shirley Co. (Shame Shame, Shame), George McCrae (Rock you Baby)em 1974.

A "Era Disco"

A bola de espelhos foi popularizada na Era Disco

O termo discothèque tem origem na Segunda Guerra Mundial, era o nome dado aos salões franceses que não tocavam música ao vivo, o termo Disc Jockey ou DJ, usado para descrever radialistas, passou a ser usado para profissionais que executavam canções nesses salões.[12] No ano de 1975 é que a disco music realmente decolou, com sucessos como "The Hustle" (de Van McCoy) e o primeiro sucesso de Donna Summer"Love to Love You Baby" (gravado na Alemanha) atingindo os primeiros lugares.

Em 1975, ocorreu o primeiro grande sucesso da disco, com KC & the Sunshine Band ("Shake your Booty" e "That´s the Way - I Like It"). Neste mesmo ano, teve o lançamento do primeiro "disco mix" (música remixada por um disc-jóquei), com a música de Gloria Gaynor "Never Can Say Goodbye", um cover do sucesso dos Jackson 5.

O ritmo da "disco' music" também está presente em canções como o tema musical da série de TV SWAT ("Theme from "S.W.A.T.""), de 1976 (gravado pelo grupo de estúdio Rhythm Heritage) ou a música "Gonna Fly Now", música-tema do filme "Rocky, o Lutador" composta por Bill Conti. Da Europa, surgiram grupos como Silver Convention e Boney M (na Alemanha), Santa Esmeralda (na França) e La Bionda (na Itália).

The Jackson 5, em 1972.

O grupo sueco ABBA, que inicialmente fazia um gênero romântico, também embarcou no "fenômeno disco'", com "Dancing Queen", "Money, Money, Money", "!Gimme! Gimme! Gimme!", "Super Trouper", "Voulez-vous" e outras.

A popularidade do estilo atingiu o auge na chamada Era Disco, entre 1977 e 1979, em parte devido ao filme de 1977 Saturday Night Fever (traduzido no Brasil como "Os Embalos de Sábado à Noite" e em Portugal e nos restantes países lusófonos como "Febre de Sábado à Noite"), que conta com o ator John Travolta. Este filme também foi responsável pela classificação do grupo Bee Gees como artista disco, a qual foi baseada nos sucessos disco do grupo que estiveram na trilha sonora do filme, como "Stayin' Alive""You Should Be Dancing""More than a Woman""How Deep Is Your Love?" e "Night Fever", além de "Tragedy", que é posterior ao filme. Isto apesar de os Bee Gees já terem seguido outros estilos, como o rock, o country rock, a balada e posteriormente a pop e pop rock. O maior sucesso comercial dos Bee Gees foram as canções baseadas nesse estilo musical, sobretudo a partir de 1976 com a música "You Should Be Dancing" que, posteriormente, fez parte da trilha sonora do filme Saturday Night Fever.[11]

Camiseta AntiDisco.

A subcultura punk, tanto dos Estados Unidos quanto do Reino Unido criticava a Disco Music, fazendo protestos muitas vezes violentos.[11][13]

No ano de 1979, aconteceu o lançamento de Take Me Home, álbum da cantora Cher, que se tornaria um dos ícones da disco music. O primeiro CD, "Take Me Home", marcou a volta de Cher ao Top 10 no Hot 100 da revista Billboard, e era voltado para a febre da época: as discotecas. Reinventando-se ela própria como ícone da disco music, Cher lançou clássicos desse estilo como "Bad Love" e "Hell On Wheels".

James Brown se auto-intitulou The Original Disco Man e até gravou um álbum com esse título em 1979,[14] já George Clinton do Funkadelic se manifestou contra o estilo, a canção "(Not Just) Knee Deep" era um manifesto anti-disco, segundo o compositor, foi criada para "resgatar a dance music dos sem graça".[15]

fenômeno disco' também aumentou a popularidade de algumas formas de dançar pré-coreografadas. Durante a febre disco, era comum ver cantores simulando um robô no palco. A popularização do estilo chamado Robot, veio depois que o jovem Michael Jackson do grupo Jackson 5 simulou um robô dançando durante a performance de Dancing Machine no Soul Train de 1973, posteriormente o cantor contou em seu livro Moon Walk que no dia seguinte todos estavam tentando imitá-lo.[16]

A moda caracterizava-se pelo sapatos plataformas (quanto maior melhor) tanto para homens como mulheres e calças tipo boca-de-sino e golas gigantescas das camisas de popeline estampadas (novidade na época) para homens e as calças pantalonas para as mulheres, além de diversos adornos como anéis, pulseiras, relógios e correntes. E o cabelo, quanto mais rebelde melhor, sendo o Black Power o estilo mais popular.

Basicamente, quase todas as bandas de rock tiveram um flerte com a música disco:

  1. Rolling Stones - principalmente com os hits "Miss You" e "Shattered", presentes no álbum Some Girls, de 1979.
  2. Queen - com o sucesso "Another One Bites the Dust" (inspirada na linha de baixo da canção "Good Times" do grupo Chic).[17]
  3. Blondie - com o sucesso "Heart of Glass".
  4. Rod Stewart - com o sucesso "Da Ya Think I'm Sexy?".
  5. Kiss - com os sucessos "I Was Made for Lovin' You" e "Sure Know Something".
  6. Pink Floyd - com o sucesso "Another Brick In The Wall (parte 2)"
  7. Wings - com a canção "Goodnight Tonight", de 1979.

No Brasil

Até no Brasil o estilo deixou sua marca, com a telenovela Dancin' Days, da Rede Globo de Televisão (em 1978) e o efêmero sucesso do grupo As Frenéticas.[18]

Um dos destaques da música disco no Brasil é a cantora Gretchen, que ficou conhecida após se apresentar cantando Dance a Little Bit Closer da cantora Charo no programa de calouros do Silvio Santos. Enquanto se apresentava, para pagar uma aposta com as colegas do cursinho pré vestibular, a jovem era assistida pelo produtor musical argentino Mister Sam,[19] que também produziu Sarah Regina, outra cantora influenciada pelo gênero.[20][21]

Também conhecida como um dos grandes nomes da música disco brasileira, a cantora Lady Zu emplacou na década de 70 o sucesso A Noite vai Chegar.

Rita Lee, que chegou a ter canções gravadas pelas Frenéticas,[22] também gravou canções no estilo.[23]

No mesmo ano, Tim Maia acompanhado pela Banda Black Rio lançou o álbum Tim Maia Disco Club e coprodução de Lincoln Olivetti, fortemente inspirado no gênero.[24] Também em 1978, Dudu França grava "Grilo na Cuca", que acaba fazendo parte da trilha sonora da telenovela Marrom Glacê.[25][26]

Gilberto Gil, grava em 1979, a canção disco Realce do álbum homônimo,[27] alguns diziam ser uma ode a cocaína, ideia negada pelo cantor,[28] no ano seguinte, a canção foi executada por Gil em um show da banda Earth, Wind & Fire.[29]

Rádio Cidade do Rio de Janeiro (102,9 FM), possuía um programa chamado "Cidade Disco Club" comandado por Ivan Romero,[30] anos mais tarde, a rádio ficaria conhecida como a "rádio rock" carioca.[31]

Descendentes, influência e renascimento

O período após a queda da disco é chamada de pós-disco. Neste cenário musical estão enraizados sub-gêneros como technohouse musicdance-popboogie, e o início do dance alternativo. Durante o início de 1980, a dance music ganhou uma estrutura melódica complicada e orquestrações típicas da disco.

Grupos como George BensonPatrice Rushen, os Brothers JohnsonThe CommodoresThe S.O.S. Band e outros artistas lançaram sucessos claramente influenciados pela 'disco' (porém, sem o rótulo "disco music", que já parecia ter "cansado" o público. Eram rotulados apenas de dance music ou de funk).

Na Europa, com o fim da disco music, surgiu uma derivação que ficou conhecida como Eurodisco, na qual fundia os fundamentos da disco music (batida compassada e ritmada) com os recentes sintetizadoresteclados e caixa de ritmos (Modern TalkingC.C. CatchBad Boys BlueJoy, Julian) entre outros.

Surgiu também um novo estilo denominado Hi-NRG durante os últimos anos da Era Disco. Era uma continuação da música disco, com um forte uso de sintetizadores e um tempo maior. I Feel Love e You Make Me Feel (Mighty Real) são consideradas as primeiras canções em estilo Hi-NRG.

Após a década de 1980, a disco music metamorfoseou-se e deixou influências nos gêneros que a sucederam, incluindo a chamada acid housedeep discogarageacid jazz e outras variações. E basta escutar as canções "I'm gonna get you" de Bizarre Inc. (1993), "Murder on the Dance Floor" de Sophie Ellis-Bextor"One More Time" de Daft Punk (2001), "Can't Get You Out of My Head" de Kylie Minogue, o grupo A-Teens (1999-2005) ou a maioria das canções do Jamiroquai para perceber o som disco, ainda que com outro nome, claramente presente.

Em 2014, a Rede Globo levou ao ar Boogie Oogie, uma telenovela sobre a Era disco, passada entre 1978 e 1979, desde o apogeu dos embalos até a decadência das discotecas. O sucesso da produção foi responsável por um revival da época por todo o país, que presenciou desde o surgimento de festas e eventos temáticos até o ressurgimento, nos palcos e nas paradas de hits, de divas disco, como Lady Zu e As Frenéticas.

















Vendas de discos em Portugal 1990

 

Vendas de discos 1990

Discos Mais Vendidos em 1990

1 - But Seriously - Phil Collins
2 - Mingos & Os Samurais - Rui Veloso
3 - Mosaique - Gipsy Kings
4 - Existir - Madredeus
5 - I'm Breathless - Madonna
6 - Pump Up The Jam - Technotronic
7 - The Very Best Of - Cat Stevens
8 - Amazónia - Roberto Carlos
9 - In Concert - José Carreras, Plácido Domingo e Luciano Pavarotti
10 - The Wall Live In Berlin - Roger Waters

Fonte: AFP

Álbuns em destaque:

Superdisco 89 - Vários (Superdisco/Edisom) (1#1)
... But Seriously - Phil Collins (14#1)
A Mais Bonita - Onda Choc - #2
Genius 89 - Vários - #3
Hit Parade - Vários (1#1)
Rara E Inédita - Amália Rodrigues - #2
Road To Hell - Chris Rea - #3
Só Nós Três - Paulo de Carvalho / Carlos Mendes / Fernando Tordo - #3
Amazónia - Roberto Carlos (1#1)
Colour - Christians - #3
Tudo Por Amor - Simone - #3
Fafá  - Fafa de Belém - #3
I Do Not Want What I Haven't Got - Sinéad O'Connor - #3
Legend Of The Eagles - The Eagles (1#1)
Pump Up The Jam - Technotronic (1#1)
Mosaique - Gipsy Kings (2#1)
Changesbowie - David Bowie - #3
Gritos Mudos - Xutos & Pontapés - #5
The Very Best of - Cat Stevens (5#1)
Cantando pela Praia - Onda Choc - #2
Existir - Madredeus (3#1)
I'm Breathless - Madonna (1#1)
Mingos & Os Samurais - Rui Veloso (15#1)
Listen Without Prejudice - George Michael - #3
In Vivo - GNR - #3
In Concert - José Carreras, Plácido Domingo e Luciano Pavarotti - #2
The Wall Live In Berlin - Roger Waters - #2
Serious Hits ... Live! - Phil Collins - #2
The Very Best of - Elton John (1#1)
The Classic Experience - Vários (EMI) - #3
Lambada - Kaoma (9#1)
 

 Trovante / António Pinto Basto / Ministars / Carlos Guilherme
 

+

Assim, dentro dos galardões de platina (prémio máximo por vendas de quarenta mil exemplares) atribuídos pela AFP no ano passado, mais de metade eram títulos nacionais, com especial destaque para o pai da MMP, Rui Veloso, e o seu duplo "Mingos e os Samurais", que bateu todos os recordes com um simples, dois triplos, e dois quádruplos de platina.

Outro aspecto digno de nota na evolução do nosso mercado é a forte propensão para os portugueses comprarem preferencialmente música portuguesa, facto que se espelha na forte representação de autores nacionais entre os galardoados com distinções em prata, ouro e platina no ano passado. (...) dos dezoito discos de platina atribuídos em 1990 só oito eram títulos estrangeiros, assinados por apenas cinco formações estrangeiras (Phil Collins arrecadou dois simples e um duplo platina).

Há, contudo, colecções de êxitos e discos ao vivo no nível mais alto da platina, caso da maior parte dos títulos, dos GNR a Madonna, de Elton John a Phil Collins. As únicas excepções são os Enigma e o seu "MXMXC A.D" e "Mingos & Os Samurais" de Rui Veloso, que chegou à sétima platina.

A lista de galardoados com álbuns de platina (...) incluía [também] os Trovante, António Pinto Basto, Onda Choc, Ministars, Carlos Guilherme, Rui Veloso e o "Só Nós Três", e poucos estrangeiros.

Público


--Singles em destaque:

The Best - Tina Turner - #2
Fata Morgana - Amazónia Band - #2
Swing The Mood - Jive Bunny - #2
Right Here Right Waiting - Richard Marx - #3
Another Day In Paradise - Phil Collins (2#1)
Pump Up The Jam - Technotronic + Felly (14#1)
Runaway - Del Shannon - #3
Volare - Gipsy Kings - #2
Get Up - Technotronic - #3
I Can See Clearly Now (Remix) - Johnny Nash - #2
Pirilampo Mágico 1990 - Vários (1#1)
Baby Can I Hold You - Tracy Chapman (2#1)
Nothing Compares 2 U - Sinead O'Connor (2#1)
Um Amor Em Cada Porto - Marco Paulo - #3
Não Há Estrelas No Céu - Rui Veloso - O (16#1)
Vogue - Madonna - #2
Insieme 92 - Toto Cutugno - PR - #2
Praying For The Time - George Michael - #2
What's A Woman - Vaya Con Dios - #3
+Ai, Ai, Meu Amor - Marco Paulo - O/P
Sacrifice - Elton John
+

Ainda em 1990, houve cinco 45 rotações de prata, três de ouro e quatro de platina. Em 1990, [Marco Paulo foi o grande vencedor em singles com] "Um amor em cada porto" foi prata e ouro; "Ai, ai, meu amor" chegou a ouro e platina; "Joana" [editado em 1988] foi três vezes platina. Ao lado dele, em platina, só a "Lambada", dos Kaoma [de 1989]; em ouro "Não há estrelas no céu", de Rui Veloso; em prata "Pump Up The Jam", dos Technotronic, e "Insieme", de Toto Cutugno.

Os outros dois singles mais vendidos foram "Nothing Compares 2 U", por Sinead O'Connor, escrito há anos por Prince, e "Sacrifice", por Elton John, mais um produto da sua infindável colaboração com Bernie Taupin.

Público

AUMENTO DE 40%

Os ingleses queixam-se de falta de novos artistas de sucesso, os franceses lamentam a concorrência entre as grandes cadeias de retalhistas, os espanhóis estão preocupados por a extinção do vinil não ser acompanhada por suficiente crescimento do CD. Em contrapartida, os empresários portugueses estão satisfeitos, uma vez que o nosso mercado, de 1989 para 1990, registou um aumento de facturação na ordem dos quarenta por cento (de 3.768.112 para 5.275.202 contos), segundo a contabilidade da Associação Fonográfica Portuguesa (AFP), que integra a maioria -- mas não todas -- as empresas do sector.

Público, 1991

A indústria fonográfica facturou mais quarenta por cento em 1990, que no ano precedente, um benefício que se deve e reverteu sobretudo a favor dos artistas portugueses. A associação do sector está contente com a sua contabilidade, mas quer nova legislação que corresponda aos objectivos do mercado europeu.

A referida explosão meteórica do CD fez-se em geral noutros mercados de par com uma proporcional descida do vinil, que actualmente já não é fabricado de forma maciça e tende para a completa extinção. Em contrapartida, em Portugal esse eclipse não tem sido tão rápido e, se há uma descida acentuada na facturação de singles (menos quarenta e cinco por cento de 89 para 90), já no capítulo dos LPs ela não é significativa (menos de três por cento). Ou seja, se nos mais importantes mercados, o vinil já desapareceu, e a corrida aos discos compactos caminha para o fim, entre nós não apenas o CD está em pleno crescimento, como ainda o LP está longe de desaparecer.

Público, 1991

CASSETES

A obrigatoriedade de um selo de autenticação também nas audiocassettes só começou a vigorar no ano passado, calculando-se que até então, de um mercado de 7 milhões de fonogramas, apenas 2 milhões se encontrassem em situação legal.

No ano passado a Guarda Fiscal destruiu cassetes ilegais no valor de 350 mil contos, o que segundo a corporação deverá corresponder a cerca de 10 por cento do total de fonogramas e vídeogramas colocados no mercado pirata.

É fácil de compreender porque é que não têm sido objecto de perseguição legal: tais fonogramas anunciam o melhor de Turner ou dos Boys, mas não declaram de facto que são eles os intérpretes dos temas e, por outro lado, referem correctamente os nomes dos compositores, de modo que é de supor que lhes pagam os devidos direitos de autor.

O facto de a performance comercial da cassete áudio, ao contrário de todos os formatos do disco em vinil, não ter sido afectada pelo boom do disco compacto é uma das conclusões mais significativas que se tiram (...).

Público, 1991

As companhias aderentes à AFP, tirando a Polygram e sobretudo a BMG, baixaram em 1990 a sua quota relativa no mercado da música portuguesa. O que, à primeira vista, levaria a concluir que se tratou de um ano medíocre, se não desastroso, para essas empresas fonográficas. Só que, segundo os seus dirigentes, as quotas de mercado não são um indicador decisivo, ou pelo menos há outros factores com que se deve contar para efeitos de balanço. Assim, de onde seriam de esperar confissões de desalento e queixumes variados, acabamos por ouvir saldos relativamente positivos ou mesmo optimistas. (Público)


















terça-feira, 7 de junho de 2022

As melhores letras da música Portuguesa parte 19

Rita Guerra


Rita Guerra

Chegar a Ti

Estás aqui, mas tão ausente
Junto a mim, mas tão distante!
O teu beijo já não é igual
Apagou-se o fogo no teu olhar
Estou nos teus braços mas afinal
Estamos tão distantes como o céu e o mar.
Refrão:
Eu não consigo chegar a ti,
Não posso chegar a ti,
Não sei como chegar a ti !

Há em ti uma tristeza
De quem já não tem certezas
O teu corpo está ao pé de mim
O teu coração noutro lugar
No teu mundo já só há um fim
E eu não tenho como te fazer voltar
Refrão (x3)
Eu não consigo chegar a ti,
não posso chegar a ti,
não sei como chegar a ti.






 

Beto



Rita Guerra e Beto

Brincando com o fogo

Vem no fim da noite sem avisar
Dança no silêncio do teu olhar
A chamar por mim,
a chamar por mim
Chega com a brisa que vem do mar
Brinca no meu corpo a desinquietar
Como um arlequim,
como um arlequim

Chega quando quer e não quer saber
Nem do mal que fez ou que vai fazer
É um tanto faz
crer ou não crer

Chega assim
Cavaleiro andante,
louco e triunfante
Como um salteador
P’ra no fim
Nos deixar a contas
Com as palavras tontas
Que dissemos por amor

E eu que jurei nunca mais cair
Nestes teus ardis nunca mais seguir
Esse teu olhar,
esse teu olhar

De nada nos vale tentar fugir
Para quê negar ou sequer fugir
Desse mal de amar,
Desse mal de amar

Chega quando quer e não quer saber
Nem do mal que fez ou que vai fazer
É um tanto faz crer ou não crer

Chega assim
Cavaleiro andante,
louco e triunfante
Como um salteador
P’ra no fim
Nos deixar a contas
Com as palavras tontas
Que dissemos por amor

(instr)

Chega assim
Cavaleiro andante,
louco e triunfante
Como um salteador
P’ra no fim
Nos deixar a contas
Com as palavras tontas
Que dissemos por amor

Chega assim
Cavaleiro andante,
louco e triunfante
Como um salteador
P’ra no fim
Nos deixar a contas
Com as palavras tontas
Que dissemos por amor








Biografia dos Big Big Train

Big Big Train

Biografia

  • Anos ativos

    1990 – presente (32 anos)

  • Fundado em

    Bournemouth, Inglaterra, Reino Unido

  • Membros

    • Andy Poole (1990 – 2018)
    • Danny Manners (2013 – 2020)
    • Dave Gregory (2012 – 2020)
    • David Longdon (2009 – 2021)
    • Greg Spawton (1990 - presente)
    • Nick D'Virgilio (2007 - presente)
    • Rachel Hall (2014 – 2020)
    • Rikard Sjöblom (2014 – presente)

BIG BIG TRAIN é uma banda de rock progressivo com sede em Bournemouth, Inglaterra. A banda atualmente é composta pelo membro fundador Gregory Spawton (baixo, guitarra, pedais de baixo), Rikard Sjöblom (teclados, guitarras, vocais), Nick D'Virgilio (bateria, vocais) e membros da turnê Clare Lindley (violino, vocais), Carly Bryant (teclados, vocais, guitarra) e Dave Foster (guitarra).

Big Big Train lançou treze álbuns de estúdio, incluindo o Folklore aclamado pela crítica, e sua jóia escondida de estreia Goodbye to the Age of Steam.

Big Big Train foi formado em 1990. Uma fita cassete demo das primeiras músicas da banda, gravada em 8 faixas, foi lançada em outubro de 1991 e foi seguida por um punhado de apresentações ao vivo. A fita demo 'From the River to the Sea' foi regravada e lançada como um CD autofinanciado em maio de 1992, após o qual o BBT fez alguns shows de alto nível na Inglaterra.

Em janeiro de 1993, uma segunda fita demo, 'The Infant Hercules' foi lançada, e a banda passou os próximos seis meses escrevendo a música para seu primeiro álbum, 'Goodbye to the Age of Steam'. Isso foi gravado em um período de duas semanas em julho de 1993. Logo depois, o BBT assinou com o selo de rock progressivo GEP, onde eles se encontraram como companheiros de gravadora do IQ.

'Goodbye to the Age of Steam' foi um grande salto para a banda, tanto em termos de composição quanto de qualidade de gravação. A resposta ao álbum foi muito positiva, culminando em um acordo de licenciamento no Japão onde o CD foi relançado em 1995, com uma faixa bônus.

Nesse meio tempo, Ian Cooper deixou a banda (por motivos familiares e não musicais) e as apresentações ao vivo foram suspensas enquanto um substituto era procurado e um novo álbum era escrito.

A gravação do novo álbum começou em julho de 1995 daquele ano (com Greg preenchendo os teclados) e continuou, esporadicamente, até a conclusão 18 meses depois. Durante as sessões, um novo tecladista, Tony Müller, foi recrutado. Algumas das músicas do novo álbum foram estreadas no único show da banda nesse período no Astoria, em Londres. 'English Boy Wonders' foi finalmente lançado no outono de 1997, embora em um estado incompleto, pois a banda ficou sem dinheiro para concluir o projeto. O English Boy Wonders combinou rock progressivo (Genesis, Van Der Graaf Generator) com influências indie-pop (XTC, The Cure.)

Steve Hughes deixou a Big Big Train em setembro de 1998 e se juntou ao THE ENID. Ele foi substituído por Pete Hibbit. Depois de mais algumas apresentações ao vivo, o ímpeto da banda parecia quase esgotado e Greg e Andy voltaram para o estúdio sem o resto da banda, para trabalhar em algumas músicas novas.

Em fevereiro de 2002, após três anos de composições e gravações irregulares, um novo álbum 'Bard' foi lançado. Ao mesmo tempo, o Enid entrou em hibernação e Steve Hughes voltou ao BBT. Um novo vocalista, Sean Filkins foi recrutado para substituir o vocalista original Martin Read e um novo CD, 'Gathering Speed', foi lançado em março de 2004. Gathering Speed ​​foi um álbum conceitual que contou a história de um piloto de caça no verão de 1940. Isso marcou uma mudança de direção para o BIG BIG TRAIN com a banda explorando o território clássico do prog-rock com a adição de algumas influências do pós-rock (Sigur Ros, Mogwai.)

O álbum The Difference Machine foi lançado em setembro de 2007 e elevou significativamente o perfil da banda. The Difference Machine apresenta performances extensas de Pete Trewavas (Marillion), Dave Meros (Spock's Beard) e Nick D'Virgilio (Spock's Beard, Genesis, Tears For Fears).

Em 2008, Big Big Train relançou English Boy Wonders (uma versão atualizada e completa do álbum que foi parcialmente regravada pela BBT e totalmente remixada por Rob Aubrey).

Em fevereiro de 2009, o compositor Gregory Spawton anunciou que Sean Filkins e Steve Hughes deixaram o BBT para serem substituídos por David Longdon e Nick D'Virgilio.

David Longdon assinou contrato com a Rondor Music e gravou para a Epic Records na década de 1990. Sua banda The Gifthorse apoiou Kirsty MacColl, Blur e The Pogues entre outros. Nos últimos dias de The Gifthorse, Longdon foi convidado para uma audição como um possível substituto para Phil Collins como vocalista do Genesis. Ele trabalhou com Tony Banks, Mike Rutherford e o produtor Nick Davis de maio a novembro de 1996 em gravações que se tornariam o álbum Calling All Stations. Genesis também trabalhou com o vocalista do Stiltskin, Ray Wilson, ao mesmo tempo e, eventualmente, ele foi preferido a Longdon.

Em 2008, Martin Orford (IQ) convidou Longdon para cantar em seu álbum The Old Road, que também foi gravado por Rob Aubrey. Pouco depois, Longdon se juntou ao Big Big Train a tempo de começar a trabalhar em seu sexto álbum, The Underfall Yard, que foi lançado em 15 de dezembro de 2009. The Underfall Yard é o álbum mais vendido da banda e recebeu elogios significativos da crítica.

Um EP de 41 minutos (Far Skies Deep Time) foi lançado em dezembro de 2010.

Em setembro de 2012, a banda lançou a primeira parte de um álbum duplo chamado English Electric. A segunda parte foi lançada em 4 de março de 2013.

Dois novos álbuns de estúdio se seguiram: Folklore em 2016 e Grimspound em 2017. Um álbum complementar chamado The Second Brightest Star, que apresentava músicas inéditas das sessões de composição de Folklore e Grimspound também foi lançado em 2017.

Em agosto de 2018, o álbum ao vivo Merchants of Light foi lançado, entrando nas paradas oficiais de álbuns de rock do Reino Unido no número dois.

O álbum Grand Tour foi lançado em maio de 2019 e foi o primeiro álbum da banda a chegar ao top 40 da parada oficial de álbuns do Reino Unido. A primeira turnê do Big Big Train no Reino Unido ocorreu no outono de 2019 e foi seguida por um Blu-Ray ao vivo chamado Empire, que foi filmado no show esgotado no Hackney Empire.

As turnês planejadas pela Europa e América do Norte em 2020 foram canceladas devido à pandemia de Covid e a banda sofreu a perda de Dave Gregory, Rachel Hall e Danny Manners. Apesar das dificuldades causadas pela pandemia, Big Big Train voltou ao estúdio em novembro de 2020 e desde então lançou Common Ground, álbum de estúdio número treze, em 30 de julho de 2021.
O vocalista David Longdon morreu tragicamente no final de 2021.












 

Poemas cantados de Chico Buarque

Chico Buarque


Eu Te Amo

Chico Buarque

Uma Palavra


Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás se fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir



Fado Tropical

Chico Buarque

Chico Canta


Oh, musa do meu fado Oh, minha mãe gentil
Te deixo consternado No primeiro abril
Mas não sê tão ingrata Não esquece quem te amou
E em tua densa mata Se perdeu e se encontrou

Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

"Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo
(além da sífilis, é claro)
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar,
trucidar
Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora..."

Com avencas na caatinga Alecrins no canavial
Licores na moringa Um vinho tropical
E a linda mulata Com rendas do Alentejo
De quem numa bravata Arrebato um beijo

Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

"Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo me contesto
Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Me assombra a súbita impressão de incesto
Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadura à proa
Mas o meu peito se desabotoa
E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa"

Guitarras e sanfonas, Jasmins, coqueiros, fontes
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas Que corre Trás-os-Montes
E numa pororoca Deságua no Tejo

Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um império colonial

Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um império colonial

Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um império colonial

Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um império colonial



Filosofia

Chico Buarque

Sinal Fechado


O mundo me condena
E ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber
Se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome.

Mas a filosofia
Hoje me auxilia
A viver indiferente assim.
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Para ninguém zombar de mim.

Não me incomodo
Que você me diga
Que a sociedade
É minha inimiga.
Pois cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba
Muito embora vagabundo.

Quanto a você
Da aristocracia
Que tem dinheiro
Mas não compra alegria
Há de viver eternamente
Sendo escrava desta gente
Que cultiva hipocrisia.




Flor da Idade

Chico Buarque


A gente faz hora, faz fila na vila do meio dia
Pra ver Maria
A gente almoça e só se coça e se roça e só se vicia
A porta dela não tem tramela
A janela é sem gelosia
Nem desconfia
Ai, a primeira festa, a primeira fresta, o primeiro amor

Na hora certa, a casa aberta, o pijama aberto, a família
A armadilha
A mesa posta de peixe, deixe um cheirinho da sua filha
Ela vive parada no sucesso do rádio de pilha
Que maravilha
Ai, o primeiro copo, o primeiro corpo, o primeiro amor


Vê passar ela, como dança, balança, avança e recua
A gente sua
A roupa suja da cuja se lava no meio da rua
Despudorada, dada, à danada agrada andar seminua
E continua
Ai, a primeira dama, o primeiro drama, o primeiro amor


Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo
Que amava Juca que amava Dora que amava Carlos que amava Dora
Que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava
a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha



Folhetim

Chico Buarque

Ópera do Malandro


Se acaso me quiseres
Sou dessas mulheres
Que só dizem sim
Por uma coisa à toa
Uma noitada boa
Um cinema, um botequim

E, se tiveres renda
Aceito uma prenda
Qualquer coisa assim
Como uma pedra falsa
Um sonho de valsa
Ou um corte de cetim

E eu te farei as vontades
Direi meias verdades
Sempre à meia luz
E te farei, vaidoso, supor
Que és o maior e que me possuis

Mas na manhã seguinte
Não conta até vinte
Te afasta de mim
Pois já não vales nada
És página virada
Descartada do meu folhetim





Futuros Amantes

Chico Buarque

As Cidades -Ao Vivo


Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos


Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização


Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você












 

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