quarta-feira, 9 de novembro de 2022

“FAR FROM ANY ROAD” É O SEGUNDO SINGLE DE “MIDNIGHT PRESENTS” DE TRACY VANDAL & JOHN MERCY


 Depois de em Janeiro de 2021 ter saído o primeiro single de Midnight Presents, segue-se o segundo single que antecipa o lançamento do disco que vem já no final desta semana.

Foi numa pausa de fim-de-semana em Santa Maria da Feira que Trcay descobriu uma gruta feita à mão e pensou que seria um óptimo pano de fundo para um vídeo.

Sempre com a influência do seu amor pelo filme noir, como se observa nos seus vídeos anteriores, sentiu a inspiração de Orson Welles e Marlene Dietrich em “A Touch of Evil” e misturou-a algumas das suas visões mais tradicionais de Folk Horror, incluindo a aparição de um cowboy, desta vez, para sugerir a presença do próprio enigmático John Mercy. Com Bruno Pires na câmara e o simpático André Gatões como ‘O Cowboy’ tentaram evocar uma imagem enquanto apanhados numa trovoada que se pode ver um pouco pela chuva a cair numa das tomadas.

O resto é deixado à imaginação dos espectadores como deve ser sempre!


O álbum “Midnight Presents” é o fruto da longa parceria da vocalista escocesa Tracy Vandal (Tiguana Bibles) e do multi-instrumentista João Rui (John Mercy, a Jigsaw). É um álbum feito de memórias e raízes, através de canções que influenciaram músicos que transformaram o panorama musical alternativo. São canções que influenciaram artistas como Tom Waits, Johnny Cash, Nick Cave entre tantos outros. Este álbum assegura que estas músicas são devolvidas à vida através dos olhos e da arte de Tracy Vandal e John Mercy, para que possam seguir o seu caminho e continuar a inspirar outras gerações de escritores e cantores, com um toque vincadamente seu.

O álbum será lançado já no próximo dia 11 de Novembro com o selo da Lux Records com apresentação no dia 12 no Salão Brazil, em Coimbra.

PEDRO DE CASTRO LANÇA ÁLBUM DE ESTREIA “FESTIM”

Pedro de Castro não vive a música sozinho. Há décadas que grava – como guitarrista e produtor – com muitas das vozes do Fado. Chegou agora o momento de fazer um Festim com a voz da sua Guitarra Portuguesa ao lado das violas de fado de André Ramos, Jaime Santos, Carlos Manuel Proença, João Mário Veiga e Diogo Clemente. Juntam-se ainda Artur Caldeira na guitarra clássica e Francisco Gaspar na viola-baixo. “Convidei os mais talentosos músicos do Fado que têm feito parte do meu percurso musical para me acompanharem neste disco e darem o seu cunho pessoal a cada tema”, diz Pedro de Castro. Amigos de longa data e companheiros de muitas noites de festa que trazem para este álbum duplo uma multiplicidade de linguagens musicais.

“Este disco cumpre o desejo antigo de gravar alguns instrumentais, peças, guitarradas, improvisos, variações e outros devaneios que fazem parte da história da guitarra portuguesa e são desconhecidos do grande público. Quando compilei o que queria gravar, rapidamente percebi que o critério seria escolher os temas de que mais gosto, do meu imaginário musical e não os temas que toco usualmente. Chegámos assim a 21 faixas gravadas num total de 38 temas!”

Festim” é também uma homenagem ao repertório da guitarra portuguesa e aos brilhantes compositores e intérpretes que continuam presentes nas noites de Fado. Instrumentais que passam de geração em geração e agora se juntam neste disco numa reconstituição pessoal e contemporânea do guitarrista. “Espero despertar a curiosidade pela pesquisa deste espólio imenso e rico que a guitarra portuguesa tem”.

Festim” será apresentado ao vivo, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, no próximo dia 9 de Dezembro.

MUSICA AFRICANA

 Maya Cool - Coolíssimo (2020)


Dj Tonecas - Festão, Vol.1 (2020)




Neyma - Idiomas (2020)



terça-feira, 8 de novembro de 2022

Resenha: Sarin dos CrazySusMonkeys


Seu álbum de estreia: Sarín foi lançado em 2020, é composto por 9 músicas e com duração total de 35 minutos. Mantendo a essência de seu EP, eles mais uma vez conseguem cativar os ouvintes com sua fusão de jazz, rock e rap. As rimas grosseiras são críticas de uma sociedade degradada.

CrazySusMonkeys são grandes músicos que têm a capacidade de criar bases rítmicas bem no estilo hip hop, mas com uma adição mais meticulosa e bons riffs. O último show denota esse lado mais pesado com batidas de rap. No lado mais jazzístico, músicas como Narcotic Answers e Weight of Despair têm deliciosas progressões de acordes que são repetidas minuciosamente enquanto os versos fluem com frases agressivas e raiva pela desigualdade.

Para a faixa 4 “Salmo 133” os acordes jazzísticos com reverb e um pouco de wah wah são perceptíveis. Aqui precisamente para além do estilo jazz, é notório o refrão, onde integram uma escala pentatónica e alguns riffs de rock. Death é talvez uma das melhores músicas, a vibe dark é cativante no início, a base de acordes se repete e a partir daqui eles são agarrados à frase, porém, no meio da música chegamos a uma seção instrumental com alto grau de dificuldade rítmica e com algumas grandes dissonâncias.

Deperró é outro exemplo de riffs atraentes que formam um loop especial; e é notório ouvir certos arranjos de bateria que combinam a eletrônica com o som orgânico de toms e tarolas. Silver e Reality Attack são uma nova abordagem a esse lado sombrio, com linhas líricas inteligentes.

Em geral, o álbum revela um nível musical que poucos têm, combinando maravilhosamente groove, sutileza da bossa nova e versos de rap. Eles são uma banda como poucas na cena latina e progressiva.

CrazySusMonkeys

DISCOS DE ÊXITOS


Elvis Presley - 20 Hits





Faixas:

01. Kiss Me Quick  
02. Sweet Caroline  
03. Don't Be Cruel  
04. (You're So Square) Baby I Don't Care  
05. Bridge Over Troubled Water  
06. That's All Right (Mamma)  
07. Too Much  
08. Love Me  
09. Blue Moon  
10. The Elvis Medley  
11. Sylvia  
12. Tutti Frutti  
13. Burning Love  
14. Shake, Rattle And Roll  
15. Johnny B. Goode  
16. Long Tall Sally  
17. Rip It Up  
18. I Can't Stop Loving You  
19. Loving You  
20. Hey Jude


Clássicos do Rock







Faixas:

01. Europe - The Final Countdown
02. Yes - Owner of a Lonely Heart
03. Survivor - Eye Of The Tiger
04. Peter Frampton - Breaking All The Rules-Shine On
05. Phenomena - Did It All For Love
06. Survivor - Burning Heart
07. T. Rex - Get It On
08. The Rolling Stones - (I Can't Get No) Satisfaction
09. Asia - Heat Of The Moment
10. Nazareth - We Are Animals
11. The Doors - Strange Days
12. Eric Clapton - Cocaine
13. Pink Floyd - Another Brick In The Wall Pt.2
14. Lou Reed - Sweet Jane
15. Iggy Pop - The Passenger
16. Eric Clapton feat. Derek & The Dominos  -  Layla
17. Led Zeppelin  -  Stairway To Heaven
18. Neil Young - Rockin' in the Free World
19. Creedence Clearwater Revival - Ramble Tamble
20. Deep Purple - Perfect Strangers



Resenha: Rush – Clockwork Angels (2012)

Artist: Rush
Disco: Clockwork Angels
Data de lançamento: 12 de Junho de 2012
Selo: Anthem / Roadrunner
Tempo total: 66:06
Disponível em: CD, LP & Digital

Resenha:

Já vi algumas músicas (ou até discos inteiros) serem inspiradas em livros, contos, ou poemas. Nesse grupo pode-se citar o caso do Camel, com seu clássico ‘The Snow Goose’. Ou até de bandas mais obscuras, como o The Old Man & The Sea.

Mas a outra direção (um disco se transformando em um livro) eu confesso não me recordar de ter visto.

O CAMINHO INVERSO

O Rush, com seus incontáveis anos de estrada, arranjou um fôlego sabe-se lá de onde para fazer algo incrível. Tão incrível que foi capaz de fazer o caminho inverso e transformar-se em um livro.

Soando mais pesado do que o habitual, voltados ao hard rock e quase ignorando suas origens no rock progressivo, os canadenses contam uma bela e triste história, narrada ao longo das suas doze faixas.
Pode-se dizer que Neil Peart, baterista e letrista, esteve mais inspirado do que nunca ao plantar essa ideia.

“O pessoal do Rush tem crédito infinito e poderiam estar de boa, aposentados, dando uns rolês de moto entre o Canadá e os Estados Unidos… E ainda assim decidiram nos brindar com outra obra grandiosa!”

NO MUNDO DE ALBION

‘Clockwork Angels’ conta a história do personagem Owen Hardy, que vive em um pacato vilarejo (Barrel Arbor), em um mundo (Albion) aonde tudo é rigorosamente controlado pelo Relojoeiro (um ser supostamente benevolente).

Cheio de sonhos e ambições, Owen parte para aventuras rumo à cidade grande.
Lá, ele deseja conhecer os Anjos Mecânicos (criaturas que dispensam sabedoria para as pessoas) e, quem sabe, poder conhecer o próprio Relojoeiro.

O intrigante é que, apesar desse desejo por mudanças e novos rumos, Owen Hardy é descrito como um cara feliz e satisfeito. É justamente essa característica da personagem que ganha destaque na contracapa do livro: “O melhor lugar para iniciar uma aventura é partir de uma vida sossegada e perfeita… Até que alguém se dá conta de que isso não é o bastante”.

Contracapa do livro, mostrando a caravana (transporte de Albion).

‘Clockwork Angels’ não se destaca pelo seu individual. Não há um grande hit ou uma música isoladamente marcante. O forte do álbum está no todo, no conjunto da obra.
É aquele tipo de trabalho que não pode ser apreciado em uma simples audição. Sua alta complexidade nas letras e enredos exige máxima atenção do ouvinte.

EMBARQUE NA CARAVANA

A abertura é com “Caravan”, e como sugere o nome, conta sobre o inexplicável desejo que Owen tem de partir (“A caravana reluz adiante/ Para o distante sonho da cidade/ Eu não consigo parar de pensar grande”). Até esse momento, Owen tem uma visão pura e romântica sobre o mundo que o cerca.

O romantismo começa a ser deixado de lado com “BU2B”. Nela, Owen começa a perceber que o mundo não é perfeito, mas ao mesmo tempo seus valores de justiça são mantidos e ressaltados (“Eu fui criado para acreditar/ Tudo é para o melhor/ Alguns serão recompensados”).
Ao mesmo tempo a onipresença do Relojoeiro começa a dar as caras (“Acredite no que é dito/ Até o último suspiro/ Enquanto o amado Relojoeiro/ Nos amará até a morte”).

Na terceira faixa, “Clockwork Angels”, é explicado o papel dos anjos mecânicos na sociedade.
Basicamente, o objetivo deles é trazer esperança e confiança ao povo. Em paralelo é mostrado trechos em que o Relojoeiro vai conversar (usando um disfarce) com Owen, e tenta convencê-lo a desistir da ideia de conhecer o mundo. A música termina com o Relojoeiro perguntando a Owen: “O que lhe falta?”. Não há resposta…

 

O que lhe falta? Você saberia responder?

HORA DA AÇÃO

Se não faltava nada para Owen, a partir de “The Anarchist” a barra começa a pesar para o seu lado.

É apresentado o Anarquista, o vilão da história. Inconformado por não ter sido recompensado como deveria, o Anarquista carrega um grande desejo de vingança em seu interior (“Eu sinto falta dos sorrisos e diamantes/ Sinto falta da felicidade e do amor/ Eu os invejo por tudo isso/ Eu nunca tive a minha parte”).

A vingança do Anarquista é concluída em “Carnies”. Uma emboscada é preparada, e uma bomba é disparada, destruindo tudo à sua volta e propagando o caos.
No meio da emboscada, Owen é visto com o detonador em suas mãos (“Uma bomba relógio na mão de um inocente/ A multidão move-se em sua direção com más intenções”). E nesse ponto ele se vê obrigado a fugir (“Como eu rezo para sair daqui/ Me leve para qualquer lugar/ Às vezes os anjos nos punem”).

É importante ressaltar que a noção de controle dos anjos mecânicos não é perdida. O protagonista continua buscando forças e justificativas nos seus valores de justiça, e no suposto controle dos anjos.

O AMOR É UMA DOR

Chegamos então ao meio da história, acompanhados por “Halo Effect”. Trata-se de um ponto mais reflexivo. O amor, até então, não havia sido abordado.
“Halo Effect” quebra um pouco a linearidade da novela e aborda o assunto.

Owen fala de uma maravilhosa dançarina que ele conheceu, e nela ele projeta a mulher ideal (por meio de um amor até certo ponto obsessivo).
No fim ele sofre com a rejeição e o desprezo da acrobata.

Em uma entrevista, o compositor Neil Peart foi questionado sobre o significado da expressão “halo effect” no contexto, que traduzido literalmente seria algo como “efeito radiante”.
Neil respondeu que “halo effect” é sobre o poder psicológico da beleza. Nós tendemos a projetar nas pessoas belas o que nós queremos acreditar sobre elas, e assim cegando-nos de sua verdadeira natureza.

De fato, “halo effect” é um termo bem comum na psicologia, e pode ser utilizado nas mais diversas áreas (além da afetiva), como na publicidade e economia.

“Halo effect”… Quem nunca foi vítima?

FUJAM PARA AS COLINAS O OESTE

Bem, retornando ao conto de Albion… Afinal, isso não é um álbum romântico.

Após a emboscada e a explosão, Owen foge rumo ao oeste, para uma região em que os trens não conseguem alcançar.
Eis que surge “Seven Cities Of Gold”. Visualizando monumentos sobrenaturais e um frio extremo, o protagonista encontra as cidades que apareciam em seus sonhos (“Sete cidades de ouro/ Histórias que incendiavam na minha imaginação”).

Apesar da beleza, o lugar também é descrito como hostil e perigoso. Trata-se de uma região cheia de oportunidades e problemas (“Um homem pode perder seu passado em um lugar como esse/ Um homem pode perder seu rumo em um lugar como esse”).

Trabalhando em uma cidade portuária, Owen sofre mais um grande golpe. O barco que ele tripulava é vítima de uma grande tempestade. E em “The Wreckers” é possível notar uma mudança em seus princípios.

No meio da tempestade eles visualizam uma grande luz surgindo da neblina. A tripulação, acreditando que se tratava de um porto, segue a luz para tentar atracar.
Na verdade era uma armadilha.

O barco bate em uma parede de recifes e é saqueado. A partir dessa armadilha, surgem os questionamentos (“Tudo o que eu sei é que às vezes você deve suspeitar/ Quando um milagre é bom demais para ser verdade”).
Todos morrem no acidente, exceto Owen.

É O FIM DA SAGA

A aventura basicamente se encerra por aqui. Agora, depois de ter visto tantas coisas boas e ruins, o personagem volta para um momento mais reflexivo.

Primeiramente ele olha para tudo o que fez (“Headlong Flight”), e afirma não se arrepender de suas escolhas (“Eu aprendi a lutar, aprendi a amar, aprendi a sentir/ Oh, como eu desejo viver tudo isso de novo”).

Logo depois (“BU2B2”), a nostalgia fica para trás e resta a consolidação de sua mudança em relação aos seus princípios e valores. Pode-se dizer que ele segue uma linha de raciocínio muito similar à do seu inimigo, o Anarquista. Assim como o antagonista, Owen questiona o equilíbrio e percebe que não teve, nem terá, a sua parte (“A minha crença me derrubou/ A vida vai de mal à pior/ Não há filosofia que me console/ Neste universo mecânico”).

Não há ninguém controlando o universo, nem mesmo o Relojoeiro.

A vida vai de mal a pior…

A VINGANÇA NUNCA É PLENA

Apesar de tudo indicar que Owen se transformaria em um cara vingativo e cruel, como o Anarquista, “Wish Them Well” mostra justamente o contrário.
Na essência, todos estão vivendo o seu próprio inferno, e a melhor resposta contra os espíritos amargos é se afastar deles e deseja-los sorte, nada mais (“As vítimas nunca aprenderão/ Mesmo os perdidos, só resta desistir”).

Veja, não é uma questão de compreendê-los (como faria um tolo), ou se vingar (como o Anarquista). É uma questão de desprezar, ir embora e seguir em frente.

Por fim, o disco e a história são encerrados de forma magistral com a faixa “The Garden”. Existe um jardim metafórico, regado pelos atos e atitudes das pessoas. As plantas e flores desse jardim são o amor e o respeito. No fim, é isso que importa. O tempo é cruel e todos envelhecerão (“O ponteiro voa enquanto você sonha, as horas passam e as células se vão/ O Relojoeiro mantém seus planos/ E as horas continuam passando”).

A única retribuição que você terá, será o amor e respeito que você conseguiu acumular em seu jardim (“A medida de uma vida é o amor e o respeito/ Tão difícil de ganhar e tão fácil de perder”).

É O TODO

Se ‘Clockwork Angels’ talvez sofra um pouco pela falta de uma única grande música capaz de fazer o álbum estourar, o Rush contorna a situação entregando uma obra em que o todo é muito maior do que a soma das partes, exatamente como deveria ser um trabalho conceitual.

E diferentemente de outras bandas que entram no piloto automático após tantos anos de carreira e discos consagrados, o Rush parece disposto a ser muito mais do que um cover de si mesmo.

Thank your stars you’re not that way; turn your back and walk away. Don’t even pause and ask them why; turn around and say goodbye.
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FICHA TÉCNICA:
Artista: Rush
Ano: 2012
Álbum: Clockwork Angels
Gênero: Hard Rock / Rock Progressivo
País: Canadá
Integrantes: Alex Lifeson (guitarra), Geddy Lee (vocal e baixo), Neil Peart (bateria).
MÚSICAS:
1 – Caravan
2 – BU2B
3 – Clockwork Angels
4 – The Anarchist
5 – Carnies
6 – Halo Effect
7 – Seven Cities of Gold
8 – The Wreckers
9 – Headlong Flight
10 – BU2B2
11 – Wish Them Well
12 – The Garden




NO BAIRRO DO VINIL

 Jorge Matias - Amarras


Apesar de o chamado canto de intervenção ter tido algumas das suas raízes na década de 40, com as famosas Canções heróicas de Lopes Graça, a expressão é maioritariamente reconhecida no âmbito da chamada canção de resistência de matriz muito objectiva e directa, despida de arranjos orquestrais, na qual se dava primazia a um só instrumento (normalmente a viola) e à voz do autor (geralmente um cantautor). Obviamente que definir assim a música de intervenção seria o mesmo que reconduzi-la a uma visão demasiado simplista dessa nova atitude musical, uma vez que música de intervenção não se reconduziu apenas ao aglomerar de meia dúzia de chamados baladeiros que apelavam ao fim da guerra colonial e ao fim do regime Salazarista. Bem pelo contrário; no universo da música de intervenção em Portugal no período pré 25 de Abril há também que destacar alguns cantores que, mesmo mantendo a distância e nunca se assumindo contra o regime, também permitiram que a sua voz fosse o veículo de mensagens intimamente conotadas com uma nova mudança que se pretendia instalar na sociedade portuguesa. Aliás, muitos cantores (uns mais conotados com o nacional-cançonetismo do que outros) cantaram textos manifestamente susceptíveis de censura caso os mesmos fossem cantados por outros artistas. Um dos exemplos mais flagrantes (e que nos vem a memória neste preciso momento) é o de João Maria Tudella que ainda antes da Primavera Marcelista, cantou o tema “Liberdade” com letra de Manuel Alegre num dos discos que lançou para o mercado em finais dos anos 60 sem que (aparentemente) a brigada dos lápis azuis reparasse em tal facto.
Outros exemplos concretos poderíamos dar em relação a outros artistas sobejamente conhecidos. No entanto, optamos por divulgar o nome de mais um artista desconhecido do panorama actual que, em 1973, já com Marcelo Caetano no poder, optou por recorrer a um registo pop rock para lançar para o mercado discográfico um single com letras de conteúdo manifestamente associado à canção de intervenção. Efectivamente com “Amarras” e “Quanto valho”, Jorge Matias, apela ao universo da musica ligeira revestida de modernidade pop rock e com arranjos orquestrais plenos para cantar os mesmos temas que os cantores exilados da geração de 70 cantavam em França. Um dos temas recorrentes era o dos presos políticos, muitos deles autênticos prisioneiros, que passaram dias, meses ou até anos na prisão por divergirem dos ideais do regime. Felizmente, muitos deles acabaram por ser libertados, ao contrário do prisioneiro que Jorge Matias retrata nesta canção, que farto das amarras que o atormentavam parece desistir da própria vida abrindo a sua própria cova na cela que o encarcerava.


Clique no Play para ouvir um excerto de "Amarras"
Alvorada N-S-97-82

Leonna fala sobre superação amorosa com pop e reggaeton

 Leonna fala sobre superação amorosa com pop e reggaeton « Ambrosia

Mais uma promessa da música pop atual, Leonna lança seu terceiro single, intitulado “Me Erra”. Inspirado em temas como superação e amor próprio, a artista aposta no pop como identidade e mescla elementos da música contemporânea, como a forte presença do reggaeton, com características estéticas dos anos 2000. “Me Erra” faz parte da série de singles inéditos da cantora.











As melodias marcantes e batidas dançantes já são marca registrada da recém-lançada carreira da cantora, que mais uma vez cativa os ouvintes com a narrativa sonora de “Me Erra”. Por meio de beatss envolventes, a jovem artista traz, na letra “chiclete”, uma jornada amorosa que passa por dúvidas e angústias até a superação e opção pelo amor próprio, em trechos como: Tu quer fidelidade / então já é / Olha, eu sou feliz assim / Hoje, eu sou leal a mim.

Apesar de sua ligação com a música não ser de hoje, o pontapé inicial de sua carreira foi dado este ano com as elogiadas faixas “Pega na Veia”, lançada em agosto, e “Covarde”, apresentada nas plataformas digitais em setembro. A série de singles tem produção assinada por Jhama, músico e produtor carioca que coleciona grandes sucessos no currículo, dentre eles trabalhos com Anitta e Ludmilla. As gravações foram realizadas nos estúdios Riomar e Fibra, no Rio de Janeiro, em junho de 2021.  

Paulinho da Viola faz show de comemoração dos seus 80 anos no Rio

 Paulinho da Viola faz show de comemoração dos seus 80 anos no Rio « Ambrosia

Paulinho da Viola acaba de completar 80 anos de idade e é claro que essa data precisa ser muito celebrada. A festa acontece com um show comemorativo no Qualistage, nessa sexta-feira, dia 11 de novembro, no Rio de Janeiro.

O espetáculo, dirigido por Claudio Botelho, revisita o início do Príncipe do Samba, desde os tempos do histórico Show “Rosa de Ouro”, no qual o então jovem músico colocava pela primeira vez os pés num palco ao lado de figuras como Clementina de Jesus, Aracy Côrtes e Zé Ketty.

Além dos sucessos marcantes de sua trajetória, Paulinho inclui no repertório algumas canções que considera parte de sua memória emotiva, embora nunca tenha gravado. O público também pode esperar novas interpretações de músicas já conhecidas, além de material inédito. 

Serviço

Data:  11 de novembro de 2022 / SEXTA

Local: Qualistage –  Av. Ayrton Senna, 3000 – Barra da Tijuca – Rio de Janeiro  Show às 21h30

A casa abre 2h antes do show

Yeah Yeah Yeahs – Cool It Down (2022)

Cool It Down traz uma maturidade, uma evolução e um toque sentimental que o torna um disco que vale a pena ser ouvido uma e outra vez.

Ao quinto álbum de originais, depois de quase uma década de espera, os Yeah Yeah Yeahs surgem renovados. A energia de Karen O é a mesma, a qualidade continua irrepreensível, mas a evolução é notória. Os Yeah Yeah Yeahs souberam adaptar-se à evolução dos tempos, com o sair de moda do indie, e adoptar sonoridades mais eletrónicas para este novo trabalho.

A distância que vai do ritmo rock de “Gold Lion” e do frenético “Heads Will Roll” para estes temas de Cool It Down é grande, mas a evolução é positiva. “Spitting of the Edge of the Word”, em que também aparece Perfume Genius, mostra logo ao que vêm: chegou a vez do sintetizador. Karen O. mantém-se a inspiração que sempre foi: voz irrepreensível, o ritmo certo, as nuances todas onde têm de acontecer, como se nota em “LoveBomb”, em algumas partes quase declamado e não tanto cantado, uma interessante canção lânguida para aquecer os corações mais frios.

“Wolf” pode fazer sucesso em qualquer pista de dança e “Fleez” traz um som mais pesado, interessante para saltar em concerto e para Karen O. poder dar asas ao seu animal de palco. Mas é quando chega “Burning” que atingimos o auge: do piano à guitarra, às cordas, à irresistível voz de Karen O., a canção junta todos os elementos certos e faz-nos sentir todas as coisas certas.

“Blacktop” é quase dream pop, bonito, doce, lento e envolvente, Karen O. fazendo jus aos seus dotes vocais num lado mais feminino, chegando ao falsete, mais uma faixa que com partes quase faladas, quase a capella, uma bonita canção a tender para a balada. A fechar, “Mars”. Depois de um “Different Today” que é talvez o tema mais fraco do disco, “Mars” traz-nos de novo a declamação – apenas dois minutos de música etérea com Karon O. a contar uma pequena história. E que bonito que é ouvi-la.

Os sintetizadores são uma constante ao longo de todo o disco, sem vergonhas nem timidez. Para quem esperava rock ao estilo de “It’s Blitz!”, de 2009, pode escolher já outro disco. Este Cool It Down traz uma maturidade, uma evolução e um toque sentimental que o torna um disco que vale a pena ser ouvido uma e outra vez.

Destaque

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