Nasceu em Coimbra, PT em 1970. Aos cinco anos emigrou para o Rio de Janeiro onde ficou cerca de um ano a ouvir música e a brincar. De volta a Portugal, estudou Jornalismo, Direito da Comunicação, Escrita de Argumento, Saxofone e Lingua Árabe, mas tem exercido essencialmente música nos últimos 13 anos com os Pop dell’Arte, Belle Chase Hotel e Quinteto Tati. Escreveu contos, letras de canções, argumentos para cinema e participou como músico e actor em filmes de Fernando Vendrell, Edgar Pêra e outros, assinando pelo caminho algumas bandas sonoras para documentários. No teatro, escreveu o libreto da “Ópera do Falhado”, partilhando a invenção musical com o compositor Sérgio Costa.
Estreia-se a solo com o álbum “1970” a 15 de Janeiro de 2007.
Vocês sabem que eu sou suspeito quando recomendo Soul Music. Mas o que eu posso fazer? É um dos melhores gêneros inventados pelo homem. E nos tempos atuais tem muita gente boa fazendo um som excelente. Hoje vou recomendar outro grande disco, o ”Take From Home” do Dojo Cuts!
Dojo Cuts é uma banda australiana de Funk e Soul que faz muito bem um balanço da sonoridade clássica dos gêneros citados mas com um requinte contemporâneo que deve atrair muitos ouvintes menos atenciosos. O que chama a atenção é a líder da banda, Miss Roxie Ray, uma vocalista muito competente com uma personalidade muito aparente.
O disco em si é perfeito e direto ao assunto, com cerca de 41 minutos temos um grande trabalho de Soul e Funk contemporâneo, ele é o disco de estreia da banda e foi lançado em 2012, acho demais isso! Com certeza vai agradar a maioria dos admiradores desses estilos musicais. É o tipo de disco para deixar rolar desde uma festa com os amigos ou até ouvir com a namorada, bem versátil e agradável, bom demais!
Eu sigo fazendo meu trabalho, procurando e celebrando grandes trabalhos das últimas décadas até os tempos atuais e recomendo aqui pra vocês no Blog! Espero que curtam bastante Dojo Cuts e sigam com a gente nessas grandes descobertas musicais! Até logo!
Hoje é dia dos fãs de Soul Music ficarem animados. Depois de uma ”temporada de caça” em busca de novos sons de qualidade feitos nos tempos atuais me deparei com uma GRANDE artista que não deve nada a ninguém do gênero na atualidade. A recomendação de hoje é o disco ”Queen Alone” de Lady Wray!
Lady Wray (Nicole Monique Wray) é uma cantora com uma voz clássica do gênero Soul Music e é acompanhada de uma bela banda com uma produção cristalina, misturada com uma roupagem moderna e vintage em diversos momentos, é fantástico.
Ela havia lançado seu disco de estreia em 1998, o “Make It Hot” que acabou ganhando certificado de ouro. Mas curiosamente depois disso ela lançou só em 2014 seu segundo disco, o bom ”Lady”, e em 2016 o bicho pegou pra valer e fomos presenteados com um discaralhaço, o ”Queen Alone” que é a grande recomendação de hoje!
Neste disco, Lady Wray apostou numa produção forte que teve tudo a ver com a sonoridade intensa de suas composições, mas não confunda, o disco é extremamente pop e acessível. Temos músicas memoráveis como ”It’s Been A Long Time”, ”Do It Again” e ”Guilty”, faixas que representam muito bem a vibe do trabalho, maravilhoso.
Em 2020 ela lançou um Single muito interessante, nos resta torcer e aguardar para que venham novos trabalhos tão bons quanto esse, a música precisa disso!
Vocês não fazem ideia da felicidade que eu tenho quando me deparo com artistas desse nível de excelência musical. Sem dúvida ”Queen Alone” é um disco que vai virar um dos meus queridinhos na aba de artistas atuais, é um trabalho muito inspirado, bem tocado e composto. Espero que todos vocês dêem uma conferida nele e divulguem já que é tão complexo encontrar músicas desse tipo nos dias de hoje. Fica a recomendação!
Qual o melhor disco de 2021 . Bom, até então eu diria que tem uns 6 discos que entram nessa briga, mas tem muita gente boa entrando em listagens pela internet. Hoje eu vou falar um pouco sobre um dos discos que tranquilamente entram nessa disputa. O disco é ”Sharecropper’s Son” de Robert Finley!
Conheci essa maravilha através do grande amigo Bruno Ascari do canal Som De Peso. Trata-se do terceiro disco de Robert Finley, um cantor de Soul Music raiz, no melhor estilo clássico que a gente gosta, e quem produziu foi o grande Dan Auerbach dos Black Keys, um cara que sempre faz coisa boa seja lá onde está, sempre rendendo bons frutos.
O disco tem uma sonoridade muito interessante, os temas das músicas tratam-se de relatos autobiográficos do próprio Finley, isso trás uma verdade muito marcante em cada interpretação dele. Além do Soul clássico propriamente dito, o disco também resgata elementos de Blues e Country que enriquecem demais as composições.
A vibe como um todo é foda, a figura de Robert Finley, a sonoridade do disco, as letras, a capa, tudo isso coopera para a conclusão que ”Sharecropper’s Son” é de fato um dos melhores discos do ano de 2021, sem dúvida vai encabeçar diversas listas de discos e merecidamente. É um trabalho honesto, muito inspirado e tem tudo para se tornar um clássico do gênero! Fica a nossa recomendação!
Poucos gêneros, falando em progressivo ou não, têm tanta variedade quanto o Prog metal. Existem velhas guardas como DT, Opeth, Tool, existem outras mais modernas como Caligulas' Horse, Karnivool, BTBAM, Meshuggah ou Mastodon. Estes 5 últimos servem para ilustrar a impressionante gama de sons possíveis no mesmo gênero. Mesmo assim, há tendências claras entre cada tipo de ato. Por exemplo, é fácil distinguir pós-metal (The Ocean ou God is an Astronaut) de djent (Periphery ou Tesseract). Um dos ramos que sempre teve discussões sobre se tem ou não o direito de ser considerado progressista, mas sem dúvida existem bandas que atendem categoricamente a essa denominação é o Stoner metal. Às vezes, a duração não é igual a ser prog; ter um certo dinamismo melódico/harmônico, mudança de ritmos e/ou polirritmias, etc. É uma boa maneira de ver se você está em conformidade ou não.
Foto promocional do novo álbum, (C) Humonegro.com, 2020
Agora, uma banda que faz isso incrivelmente bem, usando tons de stoner/post-metal para dar um som único e disciplinado é o Intronaut. Os americanos tiveram um caminho difícil para serem reconhecidos; Como qualquer banda quando eles começam, eles foram bombardeados com comparações injustas ou foram chamados de uma cópia desta ou daquela banda. Não se importando muito, eles continuaram procurando seu lugar na esfera progressista muito combativa do porg-metal. Seus últimos álbuns provaram ser bastante virtuosos; eles sabem o que fazem.
Seu último lançamento nos lembra, tanto em termos de arte quanto de conceito, o anterior: The Direction of the Last Things. Um desenho fractalóide desfocado já nos dá uma pista do que nos espera. Fluid Existential Inversions começa com uma pequena introdução instrumental para encontrar a primeira música: Cubensis. Em menos de 5 minutos já se sabe que as texturas e variabilidade dos sons serão brutais. Eles vão de sons peculiares de baixo e bateria a incríveis batidas de guitarra. A atmosfera está em outro nível.
A emocionante abertura nos leva a um lado mais pesado do Intronaut com The Cull. Se você tem dúvidas se isso é progressivo ou não, elas já deveriam ter sido dissipadas com essas duas músicas incríveis. Dinamismo total, sons pesados que nos levam à luz. A letra nos conta como a aventura nos leva da sobriedade à desarticulação dos sentidos para encontrar sentido na realidade. O início do Contrapasso começa a nos levar mais para o lado stoner metal da banda, não mudando tanto os ritmos para provocar estados transitórios. Contrapasso é uma glória moderna do que pode ser alcançado em prog/stoner-metal.
Falar de Orbs nos dá pistas profundas sobre o conceito do álbum com um fatalismo de fé. Não há muito o que pedir uma explicação desta realidade, há uma “austeridade” que dói quando se quer saber mais. Pesado, escuro, deixa-nos a nuance do Tripolar. Com uma abertura pura no estilo Opeth dos anos 90, essa música te dá arrepios como só uma boa balada de metal pode. Sem sair da linha muito pesada com passos leves, Cheque seu Infortúnio chega. Uma letra otimista que nos lembra que diante de tanta confusão é melhor ver o que está lá e não o que poderia estar. Grandes episódios instrumentais envolvem essa ideia que viaja em nossos ouvidos de um lugar para outro.
O otimismo logo se dissipa no crepúsculo do álbum com Pangloss, lembrando o personagem do pensador francês Voltaire. Por que no "melhor de todos os mundos possíveis" eu nasci para morrer? Pergunta forte acompanhada de riffs pesados. A tensão aumenta, Intronaut deixa claro para nós do que eles são capazes em seu lado mais pós-metal. O fechamento desta jornada pelos confins da realidade vem nos dizer que não há escapatória, o sonho que chamamos de vida está com os dias contados, suas dores e alegrias estão aí para os sortudos que vivem; não há outro. Uma ótima maneira de fechar o álbum com mudanças intrépidas de ritmo e melodias que se transformam com os sentimentos do cantor. O baixo e a bateria, como ao longo desta viagem, merecem destaque; grandes bússolas que guiam seus companheiros guitarristas de maneira magistral. A fusão destes também é surpreendente, cadeira de música e produção. Fechar nos relaxa, nos dá a sensação das cortinas do teatro musical se despedindo e obrigado pela atenção.
Intronaut continua, após 5 longos anos, demonstrando sua maturidade sonora e lírica. Pode-se dizer sem dúvida que são vanguarda em seu gênero; Você pode aprender muito com eles, aproveitar o que o metal progressivo é capaz. Sem dúvida, um dos melhores que sairão neste 2020 no campo progressivo. Espero que em breve você possa visitar as terras latinas para experimentá-las ao vivo.