terça-feira, 3 de janeiro de 2023

“Bebadosamba” (BMG, 1996), Paulinho da Viola

 


Um hiato separa os álbuns Eu Canto Samba (1989) e Bebadosamba (1996), dois álbuns elogiados e premiados do sambista Paulinho da Viola. A consagração desses dois trabalhos não impediu que Paulinho ficasse quase uma década sem gravar um disco. Mas vale ressaltar que desde meados dos anos 1980, Paulinho já havia decidido diminuir o ritmo de lançamento de novos discos. Até a década de 1970, o sambista lançava um disco novo a cada ano. Contudo, a partir da década seguinte, Paulinho optou por levar mais tempo para lançar um novo álbum para priorizar a qualidade de gravação e de repertório.

E valeu a pena essa decisão. O álbum Eu Canto Samba foi lançado seis anos após Prisma (1983), e faturou no ano de seu lançamento quatro troféus do Prêmio Sharp, o mais importante prêmio da música brasileira da época. Desde então, Paulinho passou a ser visto como um sambista sofisticado, embora sempre fizesse o samba autêntico. Talvez a sua postura elegante, a voz calma e os versos dos seus sambas carregados de uma incrível sensibilidade poética, somados à preocupação com a qualidade de seus discos, tivessem reforçado a imagem de artista sofisticado.

Foi depois que Marisa Monte gravou em 1994, “Dança da Solidão” para o álbum Verde,Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão, que o nome de Paulinho da Viola voltou à grande mídia. O antigo samba de Paulinho da década de 1970 na voz de Marisa tece uma boa recepção, e isso parece ter mostrado ao sambista que já era hora de lançar disco novo. E pelo sucesso que a versão de Marisa fez, público interessado havia.

Marisa Monte (foto) regravou em 1994, o samba "Dança Solidão", de Paulinho da Viola,
o que ajudou o sambista carioca a voltar à grande mídia.

Em 1996 Paulinho da Viola lançou Bebadosamba, um álbum muito bem produzido, muito bem arranjado, delicado, como todo trabalho do sambista. O repertório do álbum é composto por canções de autoria de Paulinho, parcerias e canções compostas por outros compositores. É também um trabalho diversificado que traz variedades de sambas, desde samba-de-quadra ao maxixe, passando pelo romantismo do samba-canção. 

O título do álbum, Bebadosamba, que também é nome de uma das faixas do disco, é um interessante jogo de palavras, de sentidos: “‘Bebadosamba”, ‘bebadachama’. É para beber da chama e a chama bêbada, no sentido de estar embevecido, embebido.”, disse Paulinho da Viola, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, em novembro de 1996.

“Quando O Samba Chama” abre o disco, uma música que fala do momento em que o compositor recebe a inspiração para compor um samba, tal qual uma entidade divina, espiritual, um “chamamento”.

Em seguida vem “Timoneiro”, a música mais importante do disco, e traz um verso que se tornou antológico: “Não sou eu quem me navega / Quem me navega é o mar”. “Timoneiro” entrou para a galeria das grandes canções do samba, se tornou um clássico do gênero e um dos maiores sucessos da carreira de Paulinho da Viola.

“Ame”, pareceria de Paulinho com seu eterno amigo Élton Medeiros (1930-2019) (que também faz participação especial em dueto com Paulinho), trata sobre se entregar ao amor por completo, sem medo de sofrer, de se desiludir, e deixa como recado que o mais importante é vivenciar o momento. “Alento”, de Paulo César Pinheiro, é um misto de samba-canção com bossa-nova, e traz versos reflexivos, mas cheios de muita melancolia: Violão esquecido num canto é silêncio / Coração encolhido no peito é desprezo / Solidão hospedada no leito é ausência / A paixão refletida num pranto, ai, é tristeza / Um olhar espiando o vazio é lembrança / Um desejo trazido no vento é saudade / Um desvio na curva do tempo é distância /E um poeta que acaba vadio, ai, é destino”.

“É Difícil Viver Assim” é um samba composto por Paulinho da Viola que possui um ritmo alegre, mas uma letra triste sobre um homem abandonado pelo grande amor de sua vida. Arrependido, ele agora reconhece os erros que cometeu com a sua amada, e alimenta a esperança de um dia reconquistá-la: “Eu agora reconheço / Tudo fiz por merecer / Pobre mestre-sala sem bandeira / Numa noite sem estrelas / Desfilando sem querer / Apesar de tudo não me canso / E não perco a esperança / De reconquistar você”.

Paulinho da Viola.

A Escola de Samba Portela, uma das mais tradicionais do carnaval do Rio de Janeiro, sempre foi uma das maiores paixões da vida de Paulinho da Viola. No disco, a escola de samba aparece através de “O Ideal É Competir”, uma canção de Candeia (1935-1978) e Casquinha (1922-2018) na voz de Paulinho, um samba que saúda a grandeza da Portela.

“Novos Rumos” é um choro que traz a participação mais do que especial de ninguém menos do violonista César Faria (1919-2007), pai de Paulinho da Viola, tocando violão de sete cordas. César foi integrante do Época de Ouro, conjunto antológico de choro que acompanhava Jacob do Bandolim (1918-1969). A música possui um lirismo poético lindo e ao mesmo tempo melancólico nos versos, que parecem se referir a uma relação conjugal que acabou, e que após o fim, cada um seguiu o seu caminho em busca de um novo rumo, de um novo amor: “Quando a vida nos cansa / E se perde a esperança / O melhor é partir / Ir procurar outros mares / Onde outros olhares nos façam sorrir”.

Composta por Paulinho da Viola, “Memórias Conjugais” é um maxixe, um ritmo musical que esteve muito em voga no Brasil no início do século XX. A música trata de maneira bem humorada sobre um sujeito que foi dispensado pela companheira que pôs um ponto final no relacionamento. “Reverso da Paixão”, também escrito por Paulinho, versa sobre o fim de uma paixão que foi vivida com grande intensidade: “Mas o tempo sempre apaga / O fogo de qualquer paixão / E lança, sem pena / As flores que restaram / Nas águas da desilusão”.

Pai de Paulinho da Viola, o violonista Cesar Faria faz participação
especial da faixa "Novos Rumos".

“Dama de Espadas” é um samba-canção leve, delicado, que ressalta a qualidade de Paulinho não só como letrista, mas também como melodista. Aqui, Paulinho faz uma associação das trapaças do jogo com as trapaças no jogo do amor. Em “Solução de Vida”, Paulinho da Viola lembra que a vida não é uma equação matemática.

“Peregrino” é uma música que tanto parece se referir ao amor como um elemento que traz a esperança, o novo, que se manifesta no sorriso de uma criança,  de um sonho ou como uma missão divina. “Se navegar no vazio / É mesmo o destino / Do meu coração / Parto pra ser esquecido / Navio perdido / Na imensidão”, canta Paulinho da Viola em “Mar Grande”, uma canção sobre a desilusão no amor.

“Bebadosamba” encerra o álbum, uma música em que Paulinho da Viola presta um bonito e sensível tributo aos artistas que ajudaram a construir a história do samba como Cartola, Noel Rosa, Ismael Silva, Monsueto, João da Baiana, Nelson Cavaquinho entre tantos outros mestres.

O álbum Bebadosamba foi amplamente bem recebido pela crítica e pelo público. A temporada de shows do disco no Canecão, no Rio de Janeiro, fez tanto sucesso que teve que ser estendida devido à grande procura. Os shows rederam um álbum duplo com 27 faixas gravado ao vivo Bebadachama, lançado em 1997. E foi na edição do Prêmio Sharp daquele ano que o álbum Bebadosamba conquistou cinco troféus: “Melhor álbum de Samba”, “Melhor Arranjador de Samba” (para Paulinho da Viola), “Melhor Cantor de Samba” (para Paulinho da Viola), “Melhor Canção de Samba” (para “Timoneiro”) e “Melhor Programação Visual” (para Elifas Andreato, criador da capa e do encarte do álbum).

Faixas

  1. “Quando O Samba Chama” (Paulinho da Viola)
  2. “Timoneiro” (Hermínio Belo de Carvalho – Paulinho da Viola)
  3. “Ame” (Paulinho da Viola – Élton de Medeiros)
  4. “Alento” (Paulo César Pinheiro)
  5. “É Difícil Viver Assim” (Paulinho da Viola)
  6. “O Ideal É Competir” (Candeia – Casquinha)
  7. “Novos Rumos” (Rochinha – Orlando Porto)
  8. “Memórias Conjugais” (Paulinho da Viola)
  9. “Reverso da Paixão” (Paulinho da Viola)
  10. “Dama de Espadas” (Paulinho da Viola)
  11. “Solução de Vida” ((Paulinho da Viola – Ferreira Gullar)
  12. “Peregrino” (Noca da Portela)
  13. “Mar Grande” (Paulinho da Viola – Sérgio Natureza)
  14. “Bebadosamba” (Paulinho da Viola)


“Quando O Samba Chama”

“Timoneiro”

“Ame”

“Alento”

“É Difícil Viver Assim”

“O Ideal É Competir”

“Novos Rumos”

“Memórias Conjugais”

“Reverso da Paixão”

“Dama de Espadas”

“Solução de Vida”

“Peregrino”

“Mar Grande”

“Bebadosamba”

Little Simz – Sometimes I Might Be Introvert (2021)


 

É impressionante a evolução que Little Simz teve em apenas dois anos. A diferença entre a musicalidade de Grey Area, de 2019, e Sometimes I Might Be Introvert é notória e deixa qualquer ouvido impressionado.

Da mesma forma que as aparências criam ilusões, os nomes formam enganos. Não podemos ficar presos a ideias pré-concebidas no momento em que realizamos juízos de valor sobre elementos de todos os tipos: pessoas, paisagens e obras de arte. No momento em que partilhamos opiniões próprias relativamente a um determinado assunto, devemos atentar apenas na verdade. É muito importante agir deste modo, sobretudo enquanto escutamos, respiramos, transpiramos, bombeamos, sugamos música. Para que o juízo seja genuíno, é essencial estarmos livres de correntes e algemas que nos conduzam ao engano.

Dito isto, Little Simz, de pequena, não tem nada. Na verdade, Simbiatu Ajikawo, nome próprio, é enorme, uma Artista com ‘A’ maiúsculo. Temos mesmo de ignorar o sentido imediato de ‘little’, até porque esse termo nunca serviu para descrever a vida artística de (Little) Simz, que, desde o começo, ultrapassou a dimensão musical (para além de rapper e cantora, a londrina é atriz).

Só os desatentos ficam surpreendidos com a brutal qualidade de Sometimes I Might Be Introvert. Lançado no terceiro dia de setembro, é indiscutivelmente o registo mais forte de Little Simz. No entanto, as experiências anteriores da rapper inglesa já tinham extraído da crítica reviews bastante positivas: Grey Area, o álbum anterior lançado em 2019, venceu os prémios Ivor Novello e NME, tendo sido também nomeado para o Mercury de melhor álbum do ano. Nesse contexto, o nome de Simz cresceu ainda mais no seio da indústria musical britânica, ao mesmo tempo que espectadores de todo o mundo assistiram ao papel que desenrolou na série “Topboy”, produzida pela Netflix.

É impressionante a evolução que Simbi teve em apenas dois anos. A diferença entre a musicalidade de Grey Area e Sometimes I Might Be Introvert é notória. Num primeiro momento, é importante realçar que o novo álbum de Little Simz tem uma duração de uma hora e cinco minutos, enquanto Grey Area fica-se pelos trinta e cinco minutos. Deste modo, Sometimes I Might Be Introvert é um álbum (mais) trabalhado, cheio de cantos e recantos que, assentando em interlúdios mágicos e coloridos, abrem alas a quatorze fortes canções à base de instrumentais, ora provocadores, ora soulful.

Se um dia derem por vocês a defender o papel de interlúdios em LP’s, usem Sometimes I Might Be Introvert (SIMBI) como exemplo paradigmático. Aqui, os cinco interlúdios, que estão ligados pelas mesmas notas, unem a mensagem do álbum, que não é mais do que uma confissão de Little Simz. SIMBI é um livro aberto, um trabalho cheio de verdades e revelações de desejos, sonhos, amores, mas também de medos, receios e dificuldades.

De certa forma, é justo afirmar que Sometimes I Might Be Introvert é a forma que Simbi encontrou para salvar tanto o seu mundo interior, como o mundo que se estende para lá dos seus olhos. Esta ideia fica clara se escutarmos a faixa iniciática, “Introvert”, onde Little Simz associa as fações da sua personalidade às injustiças de uma sociedade ainda dividida, ainda escura, ainda racista; o mesmo ocorre em “Point & Kill”. Na maioria dos temas, porém, a conversa é outra, preferindo Simz escancarar as portas do coração e as janelas da alma: músicas como “Woman” e “I See You” (ambas com Cleo Soul) oferecem ternura e conforto aos nossos ouvidos.

Contudo, Sometimes I Might Be Introvert não se faz apenas com amor. Ao longo de todo o LP, há muita vaidade – mas da boa, daquela que não magoa os outros. Apesar de ser uma pessoa que costuma preferir o silêncio à fala, Simbi reconhece o seu valor como mulher e artista, e não desperdiça nenhuma oportunidade para dar a conhecer aos outros as dificuldades e pressões que sentiu ao longo dos seus vinte e sete anos. “Standing Ovation”, “Rolling Stone”, “Protect My Energy” e as derradeiras “How Did You Get Here” e “Miss Understood” comprovam essa realidade.

Todas as faixas beneficiam de uma produção imaculada, que, em diversos momentos, transforma Sometimes I Might Be Introvert num álbum jazz, num álbum pop, num álbum rock, num álbum grime, num álbum afrobeat – num álbum de música e arte. Estamos perante um trabalho que tem chances elevadas de ganhar o título de melhor álbum do ano! É irrelevante qual é a instituição musical que decide o vencedor quando quem tem a última palavra, o último juízo de valor, somos nós, através dos nossos ouvidos e sentidos.

nTodos os anos, somos nós a escolher o melhor álbum do ano, no entanto, apercebemo-nos raramente de que temos esse poder. Quero acreditar que Simbi concorda comigo, até porque, no dia em que Sometimes I Might Be Introvert saiu cá para fora, Simz escreveu:  “My best work to date. I’m so proud of this album. I remember being asked after Grey Area: “What’s next?! What’s next?! I had no idea but I knew it was going to be sick. To everyone that played a part in this project, thank you.”

Neste mundo cheio de ruídos e distrações, mais artistas como Simbi precisam-se. Repitam comigo: Simbiatu Ajikawo não é pequena. Apesar de, por vezes, ser introvertida, tímida, quietinha, Little Simz é enorme e criou um álbum gigante.

CRONICA - STEPPENWOLF | For Ladies Only (1971)

Logo após o lançamento de 7 , Steppenwolf viu a saída do guitarrista Larry Byrom, que havia saído para formar o Ratchell. Ele foi substituído pelo guitarrista do Blues Image, Kent Henry. Este último se junta ao cantor John Kay, ao baixista George Biondo, ao baterista Jerry Edmonton e ao tecladista Goldy McJohn para o lançamento do 8º álbum do lobo da estepe, For Ladie Only , um comprometido 33 rpm onde John Kay canta sobre o status das mulheres. Mal interpretado, isso fará com que o grupo seja considerado machista por ter ficado preso dentro de uma foto de um carro de corrida em forma de falo. 

For Ladie Only publicado em novembro de 1971 na ABC Dunhill não é tão direto quanto 7Steppenwolf parece ter relaxado como podemos ouvir na balada folk com bluegrass drifts "Shackles And Chains", a melancólica "Tenderness" e a desiludida "In Hopes Of A Garden" em conclusão. Há muitas faixas sólidas de rock como "I'm Asking", a cruel "Jaded Strumpet" (ambas cantadas por Jerry Edmonton), "The Night Time's For You", a sombria "Ride With Me" feita para a estrada e "The A noite é para você". Mas o grupo oferece um disco mais sofisticado ao bater nas portas do prog ao mudar os andamentos como os 9 minutos do título homônimo na abertura. Uma faixa repleta de pausas mas sobretudo com um piano e um órgão que desenvolvem melodias mais apuradas. Além disso, Goldy McJohn nunca foi tão expressivo, fazendo um excelente trabalho em cada título como a nervosa e desencantada "Sparkle Eyes" assim como a estratosférica instrumental "Black Pit" e seu xilofone caleidoscópico. Em alguns lugares é bem acompanhado pela guitarra de Kent Henry que cheira a espaços abertos.

"For Lady Only" não teve grande sucesso. Aliás esse Lp parece ser negócio de George Biondo, Goldy McJohn, Kent Henry e Jerry Edmonton ou mesmo Mars Bonfire (ex-Steppenwolf que assinou "Born To We Wild") que veio trazer algumas composições. John Kay é credenciado em apenas 3 faixas. Deixando a mão, este último tem a cabeça em outro lugar, provavelmente sua carreira solo. Com a motivação se esvaindo, enquanto cantava sobre mulheres e amor, Steppenwolf se separou no Dia dos Namorados de 1972.

Depois de dois álbuns solo na ABC Dunhill, John Kay revive Steppenwolf para 3 álbuns com o selo Epic sem Kent Henry (sofrendo da doença de Ahlzeimzer, ele morreu em março de 2009) substituído por Bobby Cochran. Depois de uma nova separação, o combo apresentou-se como John Kay & Steppenwolf nos anos 80 com outros músicos (Jerry Edmonton morreu em novembro de 1993 de um acidente de carro, Goldy McJohn morreu de parada cardíaca em agosto de 2017 e George Biondo tornou-se músico de sessão) até seu show de despedida em 6 de outubro de 2007 no Ripken Stadium em Aberdeen, Maryland.

Ainda assim, o lobo da estepe terá marcado a história da música americana com o seu rock selvagem, livre e comprometido.

Títulos:
1. For Ladies Only
2. I’m Asking
3. Shackles and Chains
4. Tenderness
5. The Night Time’s for You
6. Jaded Strumpet
7. Sparkle Eyes
8. Black Pit
9. Ride with Me
10. In Hopes of a Garden

Músicos:
John Kay: Vocais, Guitarra, Gaita
Kent Henry: Guitarra
Goldy McJohn: Órgão, Piano
George Biondo: Baixo
Jerry Edmonton: Bateria, Vocais

Produção: Richard Podolor

CRONICA - GURU GURU | Hinten (1971)

 

Quando você consegue um tour de force como o UFO , você se vê tendo que ter um desempenho tão bom ou até melhor. É nisso que o combo alemão Guru Guru está se metendo.

Não desanimados, o baterista Mani Neumeier, o guitarrista Axe Genrich e o baixista Uli Trepte dão como resposta Hinten , publicado em 1971 ainda pelo selo Ohr.

Composto por quatro faixas de mais de dez minutos, Hinten mantém os ingredientes usados ​​em UFO : um krautrock bem encorpado, principalmente instrumental com improvisação, passagens pesadas, delírio sob ácido.

Curiosamente, Hinten é considerado pelos críticos da época como um submarino de OVNIs . A falha com um som menos sujo na aparência? Ao tocar Axe Genrich na guitarra que desenvolve excelentes riffs e esculpe solos de acid rock? Fã de Hendrix, revela-se assim como um dos mais talentosos guitarristas alemães da sua geração.

É culpa de uma música que parece mais estruturada, menos bagunçada? Às compreensíveis incursões vocais enquanto antes se tratava de lamentos captados em pleno transe?

Isso significa que Guru Guru diminuiu de intensidade? Isso significa que Hinter é ruim? Longe de lá!

"Electric Junk", "The Meaning Of Meaning", "Bo Diddley" (uma homenagem cósmica ao guitarrista rock'n'roll de mesmo nome) e "Space Ship" são de qualidade, bem no espírito do delirante krautrock.

Na verdade, se o OVNI nunca tivesse visto a luz do dia, Hinten não teria sido culpado . Avant-garde, teríamos apreciado este som sujo e cru, bem como a bagunça ambiente com a garantia de uma boa viagem de rock grátis.

A falha certamente vem dessa capa horrível e não sexy por dois centavos, mas bem inclinada ao espírito krautrock.

Mas há a peça final, “Space Ship”. Peça que contrasta com as restantes. Os três títulos anteriores pela sua intensidade cativam o ouvinte. "Space Ship", mais pairando poderia deixar indiferente. Paradoxalmente, é o título que mais se aproxima de UFO .

Títulos:
1. Electric Junk
2. The Meaning Of Meaning
3. Bo Diddley
4. Space Ship

Músicos:
Uli Trepte: baixo, eletrônica
Axe Genrich: guitarra, vocal
Mani Neumeier: bateria, efeitos, gongo, percussão.

Produtor: Guru Guru


5 discos para conhecer o lendário Rory Gallagher

Rory Gallagher

 Ovacionado por Jimi Hendrix e comparado a Eric Clapton, músico irlandês é um dos pilares da guitarra blues rock

Trinta milhões de álbuns vendidos em todo o mundo, lugar garantido em diversas listas de maiores guitarristas de todos os tempos e o reconhecimento de gigantes do ofício, como Jimi Hendrix — ainda assim, o nome de Rory Gallagher parece não ser lembrado como deveria e sua importância reconhecida pelos admiradores das seis cordas.

William Rory Gallagher nasceu no dia 2 de março de 1948, em Ballyshannon, Irlanda. Filho de músicos — mãe cantora e pai acordeonista —, ganhou seu primeiro violão aos 9 anos. Aos 12, venceu um concurso de talentos local e usou o prêmio em dinheiro para comprar sua primeira guitarra. Ainda jovem, aprendeu saxofone, banjo e bandolim e juntou-se ao The Fontanas, que embalava bailes e dance clubs tocando os hits da época.

Em 1966, com Charlie McCracken (baixo) e John Wilson (bateria), formou o Taste. O projeto duraria quatro anos e deixaria três álbuns gravados.

Na sequência, deu início à sua carreira solo. Lançou em vida um total de onze álbuns de estúdio. Nos deixou em 14 de junho de 1995, em Londres, aos 47 anos, devido a complicações pós-operatórias ocasionadas por um transplante de fígado.

“Taste” (com a banda Taste, 1969)

Depois de um período tocando com o The Fontanas na Alemanha, Rory Gallagher uniu forças com McCracken (que trazia na bagagem parcerias com Steve Winwood e o Spencer Davis Group) e Wilson (ex-Them), ambos norte-irlandeses, e montou acampamento em Londres, tornando-se habitué do lendário Marquee Club e obtendo destaque em meio à efervescente cena local.

O álbum de estreia homônimo do Taste exibe Gallagher em seus vinte e poucos anos já um brilhante guitarrista, cantor e compositor. O eclético repertório vai do rock de vanguarda de “Blister on the Moon” a releituras de blues do início do século 20: “Catfish”, “Sugar Mama” e “Leaving Blues”, este último de autoria de Huddie Ledbetter, o Lead Belly.


“Rory Gallagher” (1971)

Ao chamar o Taste de “Cream irlandês” e colocar Rory Gallagher no mesmo patamar de Eric Clapton, a imprensa britânica foi indiretamente responsável por fazê-lo partir em carreira solo.

Por pouco seu álbum de estreia homônimo não contou com Noel Redding e Mitch Mitchell, a cozinha do Jimi Hendrix Experience. Lá pelas tantas, acabou optando pelo baterista Wilgar Campbell e pelo baixista Gerry McAvoy.


Ecletismo é novamente a palavra-chave, não obstante se perceba que, solo, Gallagher promove uma mistura ainda mais homogênea entre o rock e o blues. Que o diga a faixa de abertura, “Laundromat”, composta durante os últimos dias de Taste sobre os primórdios do trio quando dormiam no chão de uma lavanderia motivados tão somente pela possibilidade de que a sorte lhes sorrisse mais cedo ou mais tarde.

Há espaço ainda para o jazz (“Can’t Believe It’s True”, com direito a Rory no saxofone) e dois números acústicos: “Just the Smile” e “Wave Myself Goodbye”.

“Irish Tour ‘74” (1974)

O segundo álbum ao vivo de Rory Gallagher talvez seja o título mais celebrado de sua discografia. Utilizando a unidade móvel de gravação de Ronnie Lane (The Small Faces), o guitarrista registrou três shows de seu giro pela Irlanda em janeiro de 1974, compilou o que de mais sui generis havia neles e incluiu, como cereja do bolo, “Back on My Stompin’ Ground (After Hours)”, gravada durante uma jam session de aquecimento do mesmo período.


“Irish Tour ‘74” é um testemunho de Gallagher em seu momento mais avassalador e acompanhado do que muitos consideram sua melhor banda de apoio: Gerry McAvoy no baixo, Rod De’Ath na bateria e Lou Martin nos teclados.
Sucesso comercial, vendeu mais de dois milhões de cópias em todo o mundo e rendeu, também em 1974, um filme de mesmo nome, dirigido por Tony Palmer e cuja estreia se deu no prestigiado Cork International Film Festival, apresentando sua obra para um público totalmente novo.  


“Calling Card” (1976)

Apesar dos bons números obtidos com “Irish Tour ‘74”, o ano de 1975 viu Rory Gallagher trocar a Polydor pela Chrysalis. “Calling Card”, segundo álbum do guitarrista pela gravadora, foi o último a contar com De’Ath e Martin.



Produzido pelo então ex-Deep Purple Roger Glover, o disco foi gravado no Musicland, em Munique — outrora segundo lar do Purple — e consiste na mais nítida tentativa de Gallagher de se estabelecer entre os ases das seis cordas do hard rock.
No repertório de nove faixas, nenhum cover e destaque para “Moonchild”, que ao vivo se tornaria um dos pontos altos de seu show e permaneceria nos setlists até suas derradeiras apresentações às vésperas de sua morte, em 1995.


“Defender” (1987)

A reedição em CD do décimo e penúltimo álbum de estúdio de Rory Gallagher trazia um adesivo com duas citações de peso.

Na primeira, Eric Clapton atribuía ao irlandês o mérito de fazê-lo voltar para o blues. Na segunda, Cameron Crowe, cineasta e ex-jornalista da Rolling Stone, conferia ao guitarrista o poder de estabelecer uma conexão com a alma do ouvinte através de sua música.

“Defender” marcou o retorno de Gallagher depois de cinco anos sem material inédito. Ele compensou a espera dando atenção a cada mínimo detalhe: do uso de cinco estúdios diferentes a uma reunião com o velho companheiro Lou Martin em “Seven Days”; de uma faixa inspirada nos contos de Continental Op da década de 1920 à regravação de “Don’t Start Me Talkin’”, clássico do R&B imortalizado na voz de Sonny Boy Williamson II.

MOVIMENTO MUSICAL DE AVEIRO APRESENTA PRIMEIRA EDIÇÃO DO FESTIVAL DE MÚSICOS DE AVEIRO

 

BOB SEGER & THE SILVER BULLET BAND - IT'S A MYSTERY (1995)




BOB SEGER & THE SILVER BULLET BAND
''IT'S A MYSTERY''
OCTOBER 24 1995
49:32     MUSICA&SOM
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01 - Rite Of Passage 03:48
02 - Lock And Load 04:53 (Craig Frost, Tim Mitchell, Bob Seger)
03 - By The River 03:24
04 - Manhattan 05:21
05 - I Wonder 04:04
06 - It's A Mystery 04:16
07 - Revisionism Street 03:46 (Craig Frost, Tim Mitchell, Bob Seger)
08 - Golden Boy 02:24
09 - I Can't Save You Angelene 03:55
10 - 16 Shells From A Thirty-Ought-Six 04:18 (Tom Waits)
11 - West Of The Moon 04:35
12 - Hands In The Air 04:43 (Craig Frost, Tim Mitchell, Bob Seger)
Tracks By Bob Seger Except 02, 07, 10, 12
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Bob Seger - synthesizer, acoustic guitar, guitar, piano, bass, vocals, drum machine
Kenny Aronoff - drums
Eddie Bayers - drums
Roy Bittan - piano
George Bohannon - trombone
Rosemary Butler - background vocals
Chris Campbell - bass
Sam Clayton - maracas
Scott Crago - drums

Laura Creamer - background vocals
Craig Frost - synthesizer, keyboard, electric piano, drum machine
Donny Gerrard - background vocals
Bob Glaub - bass
Richard Hayward - drums
Russ Kunkel - drums
Gary Mallaber - drums, brushes
Tim Mitchell - guitar, rhythm guitar
Shaun Murphy - background vocals
Buell Neidlinger - bass
Bill Payne - synthesizer
Alto Reed - baritone saxophone
Rudy Richman - percussion
Tom Roady - maracas
Harry Stinson - drums
Fred Tackett - guitar
Michael Thompson - guitar
Jeffrey C.J. Vanston - synthesizer, keyboard
Rick Vito - slide guitar
Julia Waters - background vocals
Luther Waters - background vocals
Oren Waters - background vocals

Já que o som do rock médio americano de ritmo médio de Bob Seger permanece constante - a bateria no bolso, as guitarras tocando junto, os vocais roucos e sufocados - são as variáveis ​​de desempenho e composição que separam seus bons álbuns dos ótimos. Em ambos os casos, It's a Mystery não é ótimo. Tanto como escritor quanto como intérprete, Seger parece cansado e amargo. Sempre um letrista reflexivo e voltado para o passado, Seger está cheio de arrependimento em "Lock and Load" (uma das quatro canções que contêm referências a armas de fogo, incluindo um cover de "16 Shells from a 30-06" de Tom Waits) e em "Rite of Passage", entre outras canções, ele oferece uma visão crítica do estado da nação. A mais pessoal dessas queixas é "Revisionism Street", que critica os traficantes de escândalos que atacam estrelas como ele. Embora Seger reúna um grupo rotativo de músicos de sessão ás, incluindo o tecladista da E Street Band Roy Bittan e membros do Little Feat (a Silver Bullet Band é um mito há muito tempo), o jogo é estereotipado. Embora Seger tivesse os habituais quatro anos para montar este álbum, ele não parecia estar pronto para gravar, seja em termos de criar material de qualidade suficiente ou de melhorar sua performance. E ele está em um ponto de sua carreira em que não pode mais relaxar: depois de acumular dez milhões de álbuns vendidos; It's a Mystery só alcançou o status de disco de ouro, tornando-se seu primeiro álbum desde 1976 a perder o Top Ten. Enquanto isso, seu álbum Greatest Hits de 1994 continuou acumulando vendas saudáveis


Destaque

Hackensack - Up The Hardway (1974)

  Ano:  março de 1974 (CD 2002) Gravadora:  Red Fox Records (Europa), RF 616 Estilo:  Blues Rock, Hard Rock País:  Reino Unido Duração:  45:...