terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Focus - Parte II

 




Depois de um longo retiro, com apenas dois álbuns lançados em um período de mais de vinte anos, o grupo firmou-se nos anos 2000, lançando álbuns de estúdio regularmente e ressurgindo como uma das maiores forças do rock progressivo atual. Voltando no tempo, em 1985, novamente o nome Focus apareceu no cenário musical, e dessa vez, de forma totalmente surpreendente.


Um dos piores discos da história

Lançado em 1985, Focus é sem dúvidas, essa é a maior mancha negra da história do Focus, e quiçá da história da música. Quando ninguém esperava, a união de Akkerman e Van Leer foi anunciada em 1984, e assim, criou-se uma grande expectativa para o que seria parido pelos dois gênios comandantes do grupo dez anos após a separação. Quando Focus chegou ao mercado, a decepção foi maior do que a imensa barriga (e careca) estampada por Van Leer na contra-capa do álbum. 

O excesso de sintetizadores e batidas eletrônicas em nada convergem para os instrumentos acústicos (violão e flauta respectivamente) ostentados pela dupla na contra-capa do LP. O único momento razoável é "King Kong", principalmente por não conter nada eletrônico, mas nada mirabolante, e a jam "Who's Calling", enaltecendo as virtudes de Akkerman na guitarra e Van Leer na flauta. Há alguns momentos interessantes durante "Russian Roulette", com a participação do baixista Tato Gomez, e "Olé Judy", que lembra um pouco o que Rick Wakeman fez na mesma época, mas pelo menos dando espaço para a flauta e a guitarra se exibirem agradavelmente. 


Jan Akkerman e Thijs Van Leer (1985)

O resto são canções injustificáveis, seja "Indian Summer", tendo a presença de Tato e também da tabla de Ustad Zamir Ahmad Khan, a participação de Ruud Jacobs tocando baixo durante os insuportáveis dez minutos de "Beethoven's Revenge" ou Sergio Castillo fazendo a percussão eletrônica de "Le Tango", uma terrível tentativa de tornar o tango moderno. Um disco muito fraco, que é a mais pura demonstração de como os anos 80 serviram para destruir com a carreira de grandes nomes do rock dos anos 70. Recomendado apenas para colecionistas.

Bert Ruiter, Thijs Van Leer, Jan Akkerman e Pierre Van der Linden, Na reunião de 1990


Em 1990, a principal formação do Focus, com Van Leer, Akkerman, Bert Ruiter (baixo) e Pierre Van der Linden (bateria) voltou a se reunir para duas apresentações nos programas da TV holandesa Veronika e Goud van Oud. Infelizmente, quando todos achavam que a reunião iria vingar, nada mais do que essas duas apresentações surgiu. Em 1993, Van Leer e Akkerman dividiram o palco durante o North Sea Jaz Festival. Van Leer continuou sua carreira solo, e em 1999, reformulou o Focus, trazendo na formação Hans Cleuver (baterista da primeira formação da banda), Ruiter e Menno Gootjes (guitarras). 

Vários shows pela Holanda foram realizados, e depois de algumas mudanças na formação, eis que o Focus entra nos anos 2000 com toda força. Van Leer juntou-se aos membros da banda CONXI Bobby Jacobs (baixo), Ruben Van Roon (bateria) e Jan Dumée (guitarras) e ressuscitou o Focus. Van Roon nem chegou a esquentar as baquetas, e foi substituído por Bert Smaak. Esse time lançou Focus 8 em 2002, que colocou o grupo no mercado novamente, através de uma extensa turnê mundial, promovendo o melhor trabalho da banda desde Hamburgo Concerto (1974).

O retorno definitivo do Focus nos anos 2000
O álbum resgata a sonoridade marcante do Focus anos 70, sendo por exemplo impossível não lembrarmos de "House of the King" durante o solo de flauta e violão de "Tamara's Move", a singela oitava parte (faixa-título) de "Focus", a bela "De Ti O De Mi", e também de segurar as lágrimas na arrepiante revisão instrumental de "Brother", totalmente modificada em relação a péssima canção registrada em Focus Con Proby, tendo Dumée reproduzindo a linha vocal de Proby na guitarra e com uma tímida citação à "Eruption" em seu encerramento. 

Temos uma mistura inovadora do yodel e peso durante "Hurkey Turkey", canção que virou o grande sucesso do álbum, trazendo a participação de Geert Scheijgrond na guitarra, "Neurotyka", uma neta com genes fortemente ligados a avó "Hocus Pocus", gravada ao vivo no estúdio e com Ruben Van Roon na bateria, e "Rock & Rio", alegre homenagem à cidade Maravilhosa. O yodel também está presente em duas canções totalmente opostas, a festiva "Flower Shower", canção bônus totalmente desnecessária, sendo a mais fraca do álbum, e "Što Čes Raditi Ostatac Života?", sem dúvidas a melhor canção de Focus 8, levada pelo dedilhado flamenco do violão, os longos acordes de órgão e um solo magistral de Dumée, que comanda a suavidade e simplicidade de "Blizu Tebé", outra fortemente inspirada nos anos 70. 

Parte interna de Focus 8

A flauta é o principal instrumento de "Fretless Love", trazendo elementos de Focus 3 com o som dos anos 2000. Um retorno essencial e definitivo, trazendo o grupo novamente para os palcos, e possibilitando a geração de uma nova leva de fãs, além do resgate dos mais antigos.



Uma extensa turnê mundial trouxe o Focus pela primeira vez ao Brasil em novembro de 2002, para shows no Rio de Janeiro, Macaé, São Paulo e Belo Horizonte. Essa turnê foi registrada no DVD Live in America (2002). O grupo voltou novamente ao Brasil em março do ano seguinte, com três concorridas apresentações em São Paulo, duas no Rio de Janeiro, uma em Porto Alegre e uma em Belo Horizonte. No mesmo ano, foi lançado o CD Live at BBC de forma oficial. O mesmo já aparecia como bootleg na década de 90, e nele esá uma apresentação da banda na rádio inglesa em fevereiro de 2006. 


Em 2004, Pierre Van der Linden assumiu novamente seu posto, no lugar de Smaak. No mesmo ano, foi lançado o excelente DVD Masters from the Vaults, um documentário repleto de imagens raras e com toda a história dos holandeses, que seguiram excursionando, passando mais uma vez pelo Brasil (em maio de 2005, com quatro apresentações em São Paulo, mais uma apresentação no Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte), até o novo lançamento, em 2006, já com Niels van der Steenhoven no lugar de Dumée. Vale citar que essas vindas ao Brasil ocasionaram um futuro lançamento, como veremos na sequência, graças a uma jam session realizada no "Boteco" Orquídea, em Niterói, junto ao pianista Marvio Ciribelli.
O único álbum com Niels na guitarra

Lançado em 2006, Focus 9 / New Skin traz uma nova formação, que dá uma nova cara para o Focus, principalmente por conta da guitarra jovem de Niels, que foge bastante do virtuosismo empregado por Dumée, e assemelha-se mais as linha de Akkerman, sendo que por diversas vezes confundimos os timbres da guitarra e achamos que é o próprio Jan quem está nas seis cordas, principalmente durante as suaves linhas de "Sylvia's Stepson", transformando-se em uma pesada canção na parte central, e nas duas partes de "Focus", no caso a balada "Focus 7" e a jazzística maluca "Focus 9" (para os curiosos de plantão, "Focus VI" está presente no álbum Reflections, lançado por Van Leer em sua carreira solo, no ano de 1981). 

Por outro lado, o guitarrista criou um suingue inigualável em "Niel's Skin", única faixa de Focus 9 escrita por ele, e que casou muito bem com a cozinha Jacobs / Van der Linden, além de trazer o free jazz como fonte adicional de criatividade para a música clássica durante os épicos e divertidos dez minutos de "European Rap(sody)", na qual Thijs é o astro principal, seja na flauta, no órgão, no piano e até nas vocalizações que aparecem na canção, citando nomes de canções do grupo que acabam formando a letra dessa pequena Maravilha. 

Thijs van Leer; Pierre Van Der Linden; Bobby Jacobs e Niels Van Der Steenhoven. Focus em 2006


O Focus moderno, com Niels e Van Leer emulando as mesmas melodias, está na alegre "Pim" e nas baladas "Ode to Venus"  e "It Takes 2 2 Tango", a qual poderia ser um pouco mais curta. O álbum traz uma recriação instrumental para "Black Beauty" (de Focus Play Focus), que particularmente considero bem melhor que sua versão original, e a segunda parte de duas canções gravadas pelo grupo anteriormente: "Hurkey Turkey 2", um pouco mais lenta que a primeira versão (presente em Focus 8), e com yodels simulando as linhas da "Marcha Turca" de Mozart; e "Just Like Eddy", sequência de "Eddy" (Focus Con Proby) tendo Jo de Roeck nos vocais, e totalmente descartável. Já o excesso de yodels do álbum anterior é desconstruído em Focus 9, aparecendo apenas em "Hurkey Turkey 2" e em "Aya-Yuppie-Hippie-Yee", uma agitada faixa, destacando a performance de Van der Linden, assim como a flauta está mais tímida, aparecendo apenas nas partes leves de "Curtain Call". No geral, um disco muito bom, que mantém a vontade de se ouvir o grupo em alta.

Mais excursões seguiram-se, com outras três vindas ao Brasil: em junho de 2008 (São Paulo, Rio de Janeiro e Recife); em março de 2010 (Belo Horizonte, Juiz de Fora, Porto Alegre, Goiânia e São Paulo); e março de 2012 (Belo Horizonte, Pouso Alegre, Rio de Janeiro, Goiânia, Votorantim e São Paulo). Nesse meio tempo, em janeiro de 2011, Niels anunciou sua saída oficial do Focus, sendo substituído por Menno Gootjes. Esse time voltou ao estúdio para gravar Focus X.

O melhor álbum sem Akkerman na opinião do autor


Contando com uma belíssima arte sob a mão do mestre Roger Dean, Focus X, lançado em 2012, é para mim o melhor álbum do Focus sem Jan Akkerman. O grupo está solto, e a cozinha Ruiter / Jacobs funciona como uma máquina perfeitamente ajustada. A pancada "Father Baccus", que abre a bolacha, entra na lista das melhores faixas que o grupo gravou, e Van Leer comprova seu talento na flauta durante a circense "Talk of the Clown" e a veloz "All Hens On Deck" - que também apresenta um bonito duelo de yodel com guitarra - além de declamar um poema em latim durante a viajante "Hoeratio". 


Menno Gootjes, Thijs Van Leer, Bobby Jacobs e Pierre Van der Linden


Belo também é o trabalho de piano, violão e guitarra em "Amok In Kindergarten". A guitarra de Menno conversa com o ouvinte durante "Message Magique" e "Victoria". Surpreendentemente, temos Ivan Lins fazendo a voz de "Birds Come Fly Over (Le Tango)", e mais surpreendentemente ainda é que é uma boa canção. Outra canção com convidado é "Crossroads", apresentando Berenice Van Leer nas vocalizações, e o papai  Thijs fazendo a voz principal. Focus X também abre espaço para as bonitas melodias da última parte de "Focus", "Focus 10".  A versão japonesa possui dois bônus: “Santa Teresa”, trazendo Ivan Lins nos vocais, em espanhol, e uma versão ao vivo para “Hocus Pocus”. Recentemente, Van Leer declarou que esse é um dos seus discos preferidos da banda, ao lado de Moving Waves Focus 3.

O grupo retornou ao Brasil para mais apresentações em abril de 2014, com uma grande turnê e shows em Florianopolis (09), Curitiba (12), Pouso Alegre (12), Rio de Janeiro (15), Belo Horizonte (16), Catanduva (17), Porto Alegre (18) e São Paulo (19). No mesmo mês, mais precisamente no dia 29, lançam pelo novo selo, In And Out of Focus Records, mais um álbum.


Coletânea com regravações

Golden Oldies (2014) trata de regravações de clássicos da banda com a formação de Focus X. Estão aqui "Aya Yippie Hippie Yee", "Brother" (similar ao arranjo de Focus 8, e não ao de Con Proby), "Focus 1", "Focus 3 & 2", "Hocus Pocus", "House Of The King", "Neurotica", "Sylvia" e "Tommy" (uma das partes de "Eruption"). Com exceção de "Focus 3 & 2", que faz uma mistura dessas duas partes de "Focus", e de pequenas modificações em "Focus 1" e "Sylvia", conforme apresentadas nos shows da época, bem como Van Leer nos vocais de "Brother", não há nenhum arranjo novo. 

Apenas uma nova formação interpretando de forma fiel os arranjos originais. Claro que os solos de Menno são bastante diferentes dos de Akkerman (nas faixas em que este era o guitarrista), Van Leer acrescenta novos improvisos aqui e acolá, a cozinha modifica algumas partes de determinados trechos das canções, mas no geral, é mais um caça-níqueis do que um item de exceção na discografia da banda. Vale como uma boa coletânea revisitada.
Álbum gravado no Brasil e com músicos brasileiros

Apresentando uma série de convidados, e sob o título Focus and Friends Featuring Marvio Ciribelli, Focus 8.5 / Beyond The Horizon foi gravado em nosso país durante a turnê de 2005, como resultado das tours citadas acima. O pianista Marvio Ciribelli é a atração na capa, e um dos arranjadores ao lado de Van Leer. Além do brasileiro, estão também Sérgio Chiavazzoli (guitarras, violões), David Ganc (Flauta), Marcelo Martins (Flauta), Mário Sève (Flauta), Arthur Maia (baixo), Rogério Fernandes (baixo), Amaro Júnior (bateria), Marcio Bahia (bateria, voz), Fabiano Segalote (Trombone, voz), Amaro Júnior (Percussão), Flavio Santos (Percussão), Marcio Bahia (efeitos), Mylena Ciribelli (ela mesma, repórter esportiva, efeitos e vocais), Thaís Motta (vocais), Marcio Lott (vocais), além de Van Leer, Van Der Linden, Jacobs e Dumée. 

O Focus como banda surge apenas na estonteante "Hola, Como Estas?", belíssima e quebrada faixa com a participação vocal dos amigos brasileiros. Thijs, Jacobs e Pierre estão em "Surrecit Christus", faixa hipnotizante, onde as flautas de Thijs, David e Mário Seve são os destaques junto das vocalizações de Thaís, além de um solo de baixo por Jacobs. Os músicos estão improvisando de forma descontraída, sem compromisso, como comprova-se em "Focus Zero", faixa fantástica na qual Van Der Linden e Van Leer são o centro das atenções, trazendo o brilhante suingue de Marvio ao piano, Arthur no baixo e Sérgio na guitarra. 

A versão nacional, devidamente autografada

É legal de ver a influência do som brasileiro em "Millenium", faixa criada por Dumée, com a participação de Van der Linden, mas onde o principal destaque é o suingue percussivo provocado por Amaro, Flavio, Marcio e Pierre, o piano elétrico de Marvio e o piano acústico do próprio Dumée, que também faz vocalizações na melhor linha Milton Nascimento, sendo essa uma faixa que tranquilamente apareceria em algum disco do Clube da Esquina. Marvio é o responsável pela criação de duas canções, "Rock 5", faixa linda, dividida entre uma balada que destaca as vocalizações de Thaís e uma dançante sessão instrumental, com Jacobs sendo o único membro do Focus a participar, e "Înãlta", marchinha com pitadas progs tendo a flauta de Van Leer e as suaves vocalizações de Mylena tornando a mesma ainda mais agradável. 

Por fim, Van der Linden e Marcio fazem um duelo nada empolgante em "Talking Rhythms", faixa onde somente as baterias e vocalizações estão presentes, e bem desnecessária. No geral, um bom álbum, que no Brasil, foi lançado com uma capa diferente, trazendo caricaturas dos músicos da banda e de alguns dos "amigos". Também é de 2016 o CD e DVD ao vivo Live In England, com o registro de Bilston, no dia 28 de abril de 2009. Mais uma mudança na formação, com Udo Pannekeet substituindo Jacobs, e assim, surge mais um disco da banda, logo após mais uma importante compilação de sobras, chamada The Focus Family Album, de 2017.

Coletânea dupla com material diverso
Essa coletânea dupla, com mais uma belíssima arte de Roger Dean, traz canções do Focus somadas a faixas solo de Van Leer, Van Der Linden, Gootjes, Pannekeet e do projeto Swung, um trio com Menno, Jacobs e Van der Linden. Concentrando-se apenas nas canções do Focus, há de tudo um pouco. O Brasil participa com o Estúdio Mosh cedendo espaço para a jam session "Mosh Blues", gravada em 18 de março de 2012, e para "The Fifth Man", registrada no dia 13 de abril 2014. A primeira é uma jam session com improvisos muito simples, enquanto a segunda é uma faixa muito boa, hardeira e mais trabalhada, pensada inclusive de aparecer em Focus XI, mas que foi descartada. "Santa Teresa" é o bônus da versão nipônica de Focus X, com Ivan Lins nos vocais.Falando em Ivan Lins, Van Leer substitui ele nos vocais de "Birds Come Fly Over (Le Tango)", cujo instrumental é idêntico ao de Focus X. Do mesmo álbum temos uma versão editada e com nova mixagem vocal para "Victoria". Ainda, "Five Fourth" nasceu no Brasil, e foi gravada em apenas uma tomada, com os músicos tocando uma sequência de notas escritas por Van Leer no intervalo das gravações de Focus X. "Clair-Obscur" e "Winnie" são versões primárias da mesmas faixas que irão aparecer em Focus XI. "Song For Eva" é uma longa peça de quase dez minutos, trazendo o poema “They Say that Hope is Happiness” de Lord Byron, e com um belo solo de Menno. O vocalista Jo de Roeck, que participou de “Just Like Eddy” em Focus 9, interpreta "Fine Without You". Da "família", "Nature Is Our Friend" e "Let us Wander" foram gravadas exclusivamente para o disco, tendo apenas Van Leer na sua flauta, caminhando junto a natureza. "Hazel" e "Two-part Intervention", também exclusivas do álbum, são lindas peças ao violão clássico, na linha de canções de Bach. Já "Riverdance" e "Spiritual Swung", solos de bateria, foram retiradas de Pierre’s Drum Poetry, um disco apenas para os amigos e familiares, lançado em 2000, mas que teve uma tiragem mundial em 2018. "Song for Yaminah" é uma das faixas que Pannekeet apresentou em seu teste, enquanto "Anaya" destaca o uso do baixo de seis cordas. Já as duas faixas do projeto Swung são do álbum Swung Vol. 1 & 2, de 2014. Apesar de longo (80 minutos), não é um disco a ser desprezado pelos fãs, valendo muito a pena sua posição nas prateleiras.

No dia 04 de março de 2018, Hans Cleuver, primeiro baterista da banda, faleceu. O baterista, mesmo após sair do Focus, continuou esporadicamente trabalhando com Van Leer e Akkerman nos discos solos dos mesmos.





Focus 11 [2018]

Outra linda capa de Roger Dean dá sequência aos trabalhos e shows que a nova formação já vinha apresentando, com improvisos e muita experimentação, Focus XI encerra (por enquanto) a Discografia dos holandeses no mesmo nível dos álbuns Focus 8 e Focus 9. Das faixas mais Focus, posso citar " How Many Miles?", na linha de "Sylvia" e com Van Leer aos vocais, sem yodel, a bela "Theodora Na Na Na", com um riff de flauta e guitarra hipnotizante, e a intrincada "Mazzel", para mim a melhor do disco, principalmente pela sua complexidade. Mas quer mesmo Focus, então faça uma emocionante volta ao passado de "Focus II" ou "Focus III" com "Mare Nostrum", principalmente pelo timbre Akkermaniano da guitarra de Gootjes, mas com uma virada surpreendente em sua segunda metade, ou com "Focus 11", bem diferente das versões anteriores, e mantendo o nível de capacidade de tocar os ouvidos e a mente ds fãs. No mais, temos de tudo um pouco. Inspirações latinas em "Heaven", com Van Leer destacando-se ao piano, a mistura de jazz e rock 'n' roll de "Palindrome" (um espetáculo a parte de Van der Linden na bateria) e "Who's Calling", ambas lembrando os grandes nomes do jazz rock do final dos anos 70, além de um retorno aos anos 80 em "Final Analysis", momentos de profunda intensidade emocional em "Winnie" (que já tinha dado as caras em Focus Family, aqui registrada com um arranjo idêntico), com a flauta e o piano derretendo corações. "Clair-Obscur", outra que está em Focus Family, também possui um arranjo similar, mas prefiro a versão anterior, mais crua em termos de equalização. Focus 11 foi lançado em uma limitada tiragem em vinil turquesa, especial para colecionadores.



RARIDADES


Lagger Blues Machine - Lagger Blues Machine (1972)

Lagger Blues Machine foi uma banda belga do final dos anos 60/início dos anos 70 que tocava algo como jazz rock progressivo. Seu som é um pouco difícil de classificar, mas Soft Machine (embora "mais rock"), Eiliff e Moving Gelatina Plates poderiam servir como pontos de referência. As faixas geralmente estão na faixa de 7 a 15 minutos, com forte ênfase na interação instrumental. Os vocais são raros e não muito bons. Assim como com os Moving Gelatine Plates, a interação instrumental entre sax/flauta, teclado e guitarra é preferida a solos longos para apenas um instrumento. Embora não seja tão sofisticado ou brilhante quanto o Third ou Moving Gelatine Plates do Soft Machine, o jazz rock progressivo do Lagger Blues Machine (ou seja, rock fusion) é um dos meus álbuns favoritos nesse estilo.








Lacewing - Lacewing (1970)

De Kent, Ohio, essa roupa se formou a partir das cinzas de The Measles, que uma vez incluiu Joe Walsh antes de seus dias de James Gang e Joe Vitale, que também estava em Chylds e Joe Walsh's Barnstormer. Eles reverteram seu nome para The Measles após o álbum Mainstream em 1970.

Seu álbum é um assunto influenciado pela Costa Oeste que varia de faixas folk como Time To Go a números mais atmosféricos como Rebirth e para cortes de rock mais pesados ​​como Epicycle e Play For Vocês. A 45 é do álbum e é de longe a melhor faixa. Fuzz, Acid & Flowers


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Maxïmo Park – A Certain Trigger (2005)


 

No álbum de estreia, os Maxïmo Park apresentaram uma sonoridade estranha e canções estruturalmente imprevisíveis que refletiam a persona de Paul Smith, outro anti-herói do indie rock.

Toda a gente reconhece o apelo de uma narrativa “boy-meets-girl”; quando bem contada, é quase irresistível, pois ninguém fica indiferente à história do rapaz bizarro e desajeitado que conquista a rapariga mais bonita do liceu depois de ultrapassadas as várias etapas que compõem estes enredos.

São elas: o encontro acidental; o ex-namorado manhoso; o interesse mútuo quando o nosso anti-herói capta a imaginação da desejada e o incidente estúpido que deita tudo a perder; e finalmente a redenção que chega com umas palavras bem escolhidas. Desfechos assim fazem acreditar que há lugar para todos – até para os tipos mais bizarros.

Paul Smith é um deles e é sobre isto que ele canta no excelente “A Certain Trigger” dos Maxïmo Park. Smith, cujas semelhanças estilísticas e temáticas com Jarvis Cocker e Robert Smith são declaradas, escreve sobre o que é ser “young” e estar “lost”, e incompreendido e desastrado nas coisas da vida social e do amor ao longo de quase todas as canções do álbum-estreia. Em nenhuma isso é tão evidente como em “Apply Some Pressure”:

“You I know that I would love to see you next year
I hope that I am still alive next year
You magnify the way I think about myself
Before you came I rarely thought about myself
Behind your veil I found a body underneath
Inside your head were things I never thought about
You know that I would love to see you next year
I hope that I am still alive next year”

Esta e “The Coast Is Always Changing” são as duas grandes músicas de “A Certain Trigger” e encapsulam perfeitamente a cena dos Maxïmo Park, cuja sonoridade é tão intrincada como os seus trocadilhos de palavras simples, mas eficazes. Cabem o pop, o punk, o rock, o indie rock, a bateria pesada e também o teclado deslizante ou melódico, algumas guitarras frenéticas, o baixo profundo e as vocalizações de Paul Smith, inquestionavelmente a alma mater da banda de Newcastle.

As canções são imprevisíveis – sem uma estrutura óbvia quadras-ponte-refrão-solo – e soma vários refrães orelhudos e inesperados surgidos após um chorrilho de rimas do eloquente e enérgico Paul Smith. É um álbum musicalmente estranho e a reação imediata poderá levar à sua rejeição; e foi assim que ele se entranhou em mim em 2005.


A banda Haim, o rock and roll e o pop em 14 grandes momentos



Há algum tempo, percebi que sites especializados destacavam certas artistas indie em cujas músicas eu não conseguia perceber vestígio algum de rock, quando as analisava superficialmente, como aconteceu, por exemplo, com a cantora St. Vincent e com a banda Haim, que destacaremos agora.

Então eu resolvi dar o meu (quase) famoso pente-fino no repertório, como faço quase sempre e fiz recentemente com a obra do cantor e compositor Daryl Hall. Logo pude perceber que o que as moças generosamente entregam ao vivo é sempre superior a qualquer coisa gravada por elas entre quatro paredes num estúdio.

Alana Haim, Este Haim e Danielle Haim em trajes de gala
Foto: Alana Haim/Facebook Haim

Os melhores momentos do Haim são nos palcos, muito embora não se possa falar que os produtores erraram na mão, já que as meninas alcançaram o sucesso tendo seus álbuns de estúdio pop como cartões de visita. O primeiro vídeo que destaco é meu favorito e prova essa superioridade, um ótimo rock and roll do Fleetwood Mac:

Por isso, apesar dos inegáveis talento e originalidade do grupo, não recomendaria a nenhum rockeiro desavisado, purista ou com pouca paciência que ouvisse um álbum inteiro das beldades, isso é trabalho para ouvidos treinados; eu sou do tempo que a gente tinha que ouvir LPs nas lojas, pulando rapidamente as faixas, hehe…

Mesmo assim, fiz o dever de casa e apresento os momentos mais rock and roll e/ou interessantes do conjunto, uma das metas deste blog. Não obstante, pela sonoridade dos álbuns, eu poderia classificar o trio como pop music, embora coubessem muitos outros rótulos: soft rock, pop rock, R&B, indie rock, indie pop e até indie folk.

De fato, assim como acontece com a dupla Dayl Hall and John Oates, entre outros artistas, esse grupo tem um estilo bastante difícil de definir devido às diversas influências musicais agregadas. A acústica “Hallelujah”(2020) é uma bela canção iluminada por grandes nomes do folk, como Joni Mitchell e Joan Baez, confira:


O Haim foi criado em 2006 pelas irmãs americanas Danielle (vocal, guitarra e bateria), Este (baixo e vocal) e Alana (guitarra, teclado e vocal), que já tinham experiência musical e, desde crianças, tocavam covers dos anos 70 junto com seus pais na banda familiar Rockinhaim. Abaixo, Haim no Rock in Rio Lisboa 2018:


Verdade seja dita: grande parte do sucesso do clã se deve ao talento individual de Danielle, sua lindíssima voz aveludada e sua habilidade com os instrumentos, especialmente a guitarra. Ela já participou de bandas de apoio de CeeLo Green, Jenny Lewis e Julian Casblancas, vocalista do The Strokes, veja no vídeo abaixo (de chapéu):

É até fácil perceber que falamos de uma família muito bem dotada intelectualmente. Conhecida tanto pelos ótimos sons de seu baixo quanto pelas caretas que distorcem mais seu belo rosto que as que o Robertinho do Recife fazia, Este é formada em tem PhD em Etnomusicologia, estudo musical feito a partir da cultura dos povos.

O trio já lançou ao todo três interessantes álbuns pop de estúdio: “Days Are Gone” (2013), “Something to Tell You” (2017) e “Women in Music Pt.III” (2020), com destaque para o terceiro, aclamado literalmente por unanimidade pela crítica especializada e resultado da maturidade precoce adquirida após anos de estrada.

Enquanto os álbuns “Days Are Gone”e “Something to Tell You” exageraram nas doses de pop e soul, o terceiro parece ter captado mais a energia rockeira que as moças apresentam nos palcos dos maiores festivais do mundo e traz a obra prima “The Steps”, quase uma mistura de Rolling Stones, Bob Dylan e Fleetwood Mac:


Do festejado álbum de estreia, eu destaco a ótima “Don’t Save Me” (muito melhor ao vivo), a dançante “If I Could Change Your Mind”, “My Song 5” (bem pop rock)  e a originalíssima “Let Me Go”, a qual foi apresentada em uma versão simplesmente fantástica e totalmente rock and roll que você precisa conferir abaixo:


É preciso ter imaginação muito fértil para classificar, como fizeram, um álbum escancaradamente pop como “Something to Tell” como tendo “forte influência do rock dos anos 70”. O segundo álbum está mais para alguma coisa da Beyoncé ou da Ariana Grande do que para rock. “Right Now”ganhou peso e solo de bateria ao vivo:


Apontado pela revista Billboard como o melhor álbum de rock de 2020, “Women in Music Pt.III” foi aclamado por unanimidade por toda a crítica especializada. O segredo do mais recente trabalho ter conseguido superar os antecessores parece ter sido uma pitada a mais de rock. Confira a balada “Gasoline”:



O carro-chefe do terceiro trabalho também trouxe um dos melhores videoclipes do ano no qual as irmãs sensualizam sem frescura e sem maquiagem. Apesar de já ter postado uma versão com a banda tocando “The Steps”, vale postar também a versão do vídeo, uma das raras de estúdio que captaram o lado mais rock and roll:

Curiosidades sobre o Haim
O eclético clã também fez parcerias com grandes nomes da música eletrônica: com o grupo francês M83 gravou a canção “Holes in the Sky”, que integra a trilha sonora da série televisiva “Insurgent”, e com o renomado DJ e produtor escocês Calvin Harris gravou a ultra-dançante “Pray to God “:

Logo que assinaram contrato com a gravadora britânica Polydor Records, as moças foram convidadas para abrir shows de: The Killers, Kings of Leons, Taylor Swift, Rihanna, Florence and the Machine, Phoenix, Vampire Weekend, Mumford and sons, Of Monsters and Men e The xx, entre outros.

O Haim já obteve três indicações ao Grammy Awards: Artista Revelação (2013), Álbum do Ano (2021), por “Women in Music Pt.III”, e Melhor Performance de Rock, pelo hit “The Steps” (2021), e, pelo andar da carruagem, muitas outras indicações virão. Abaixo, outro cover do Fleetwood Mac para fechar com chave de ouro:



THE PROG COLLECTIVE - SEEKING PEACE (2023)

 

Super grupo de rock progressivo THE PROG COLLECTIVE começa 2023 com novo álbum com todo o material original, lança novo single com STEVE HILLAGE e JON DAVISON dos YES!
O álbum apresenta performances de James LaBrie (Dream Theater), Graham Bonnet (Rainbow), Steve Morse (Deep Purple/Dixie Dregs), Steve Stevens (Billy Idol), Jordan Rudess (Dream Theater), Geoff Downes (Yes/Asia), Patrick Moraz (The Moody Blues/Yes), Frank DiMino, (Angel), Chester Thompson (Frank Zappa & The Mothers Of Invention) e muito mais!
O melhor super grupo de rock progressivo do mundo regressa com outro álbum de estúdio impressionante para começar o ano novo! Seeking Peace é o quinto álbum do grupo no geral, e seu primeiro álbum com todo o material novo desde o Epilogue de 2013. A banda continua a abrir novos caminhos musicais sob a orientação do produtor/músico/compositor guru Billy Sherwood, que canaliza serenidade espiritual e forças místicas nessas novas composições épicas que os amantes do progressivo vão adorar!
Sherwood é habilmente apoiado por uma série de alguns dos músicos de rock mais soberbos, incluindo os vocalistas James LaBrie e Graham Bonnet, os guitarristas Steve Morse e Steve Stevens, bem como os tecladistas Jordan Rudess e Geoff Downes. Confira a primeira música a ser lançada do álbum, “A Matter Of Time”, uma das composições mais dinâmicas e de tirar o fôlego já tentadas pelo grupo. O vocalista dos Yes, Jon Davison, apresenta uma poderosa performance vocal, navegando pelas muitas voltas e reviravoltas da música, enquanto a guitarra de Steve Hillage explode com cores e paixão que cativa ao longo de mais de 7 minutos da faixa.

01. Electric World (feat. Jordan Rudess & Chester Thompson) 03:29
02. Seeking Peace (feat. James LaBrie & Patrick Moraz) 07:20
03. In An Instant (feat. Steve Stevens & Billy Sherwood) 07:58
04. All Is Meant To Be (feat. Frank DiMino & Geoff Downes) 05:02
05. Finally Over (feat. David Sancious & Steve Morse) 07:14
06. A Matter Of Time (feat. Jon Davison & Steve Hillage) 07:04
07. Take The Path (feat. Graham Bonnet) 06:36
08. Electric World (Full Length Version) 05:32
09. All Is Meant To Be (Full Length Version) 06:56

Billy Sherwood / bass, guitar (1,2,6,8), keyboards (3,5,6), vocals (4), drums (4,7,9), backing vocals

Jordan Rudess / keyboards (1,8)
Sonja Kristina / vocals (1,8)
Chester Thompson / drums (1,8)
James LaBrie / vocals (2)
Chad Wackerman / drums (2)
Patrick Moraz / keyboards (2)
Roine Stolt / vocals (3)
Marco Minnemann / drums (3)
Steve Stevens / guitar (3)
Steve Morse / guitar (4)
David Sancious / keyboards (4)
Jon Davison / vocals (5)
Steve Hillage / guitar (5)
Virgil Donati / drums (5)
Graham Bonnet / vocals (6)
L Shankar / electric violin (6)
Todd Sucherman / drums (6)
Geoff Downes / keyboards (7,9)
Frank DiMino / vocals (7,9)
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SUNCHILD - EXOTIC CREATURES AND A STOLEN DREAM (2023)

 

Quase quatro anos em produção, Antony regressa com duas faixas progressivas monstruosas que nos lembram muito do auge do género, música que tece sua teia de uma secção musical para outra e vice-versa perfeitamente com melodias e passagens que tocam o coração de todos os amantes do prog.
O álbum consiste em duas faixas longas épicas de prog. 'Life Lines' chega aos 26 minutos, 'Northern Skies', de onde vem o título do álbum, segue aos 14 minutos. Há também duas faixas curtas como bônus que retomam os motivos do álbum e duas edições únicas das faixas regulares do álbum nas quais foram reduzidas a um formato quase pronto para o rádio.
Então tu podes ouvir Prog. Old School, soa YES, pode ser adivinhado GENESIS. Ou tu pensas imediatamente em TRANSATLANTIC. Melodias que conectam diferentes partes, temas chave, dinâmicas, de alguma forma o caminho mental sempre remete ao actual super grupo de Prog. Mas isso também pode ser devido ao fato de Antony ter bebido das mesmas fontes.
Instrumentalmente, há muitas semelhanças, e coros habilmente construídos também podem ser encontrados aqui. Só que a percussão não chega a atingir o nível de um Mr. Portnoy. Mas é sempre cantando, cheio de sentimento.
Isso pode ser escapismo. Ou a felicidade de ser dotado do poder de sonhar, de cantar sobre terras verdes nesses tempos, de anjos dançando na porta ou no jardim da esperança. Mas talvez seja precisamente essa música que cria esperança e confiança no seu criador e nos seus ouvintes. O que não devemos esquecer, o homem não vive só de pão. Mas também da arte, da música, do amor. Porque essas coisas são tão importantes quanto o sal e as vitaminas. Talvez especialmente em tempos como estes.

01. Life Lines
02. Northern Skies
03. Timeless Motion Reprise
04. Northern Lights
05. Northern Skies (Single Edition)
06. Life Lines (Single Edition)

Antony Kalugin: keys, vocals, vocoder, percussion
Maria Panasenko: lead & backing vocals
Olha Rostovska: backing vocals
Ivan Goritski: drums
Alexandr Pavlov: electric, acoustic & nylon guitars (track 1)
Max Velychko: electric guitars (track 2)
Konstantin Ionenko: bass guitar and double bass
Yan Vedaman: soprano saxophone
Sergii Kovalov: accordion (track 1)

Dmytro Ignatov: electric guitar solos (track 1)
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