quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

“Mamonas Assassinas” (EMI-Odeon, 1995), Mamonas Assassinas

 


Ao longo da sua história, o rock brasileiro teve três conjuntos musicais que foram um fenômeno de massa que além de arrebatar multidões, conseguiram unir talento, criatividade e boas canções. Conquistaram o grande público, venderam milhões de discos e se apresentaram em shows com lotações esgotadas. O primeiro fenômeno foi o trio andrógino Secos & Molhados, no início da década de 1970. Na década de 1980, foi o fenômeno RPM. O terceiro fenômeno foi o quinteto Mamonas Assassinas, em meados dos anos 1990. Coincidência ou não, os três fenômenos eram paulistas, e tomaram conta do Brasil em suas épocas.

No entanto, diferente dos dois primeiros, que chegaram ao fim por causa de brigas por causa de dinheiro, os Mamonas Assassinas tiveram um final prematuro decretado por uma tragédia causada por um acidente de avião, comovendo milhões de brasileiros. O humor, as canções escrachadas e os figurinos irreverentes dos cinco membros da banda, encantaram crianças, adultos e idosos, de todas as camadas sociais. Um fenômeno musical raro na história da música brasileira que durou cerca de nove meses, entre o lançamento do álbum, em junho de 1995, e o fim trágico, em março de 1996.

Mas para chegar ao topo da fama, os Mamonas Assassinas não chegaram lá da noite para o dia, como num passe de mágica. Antes de se tonarem o quinteto debochado e nada politicamente correto, os cinco faziam parte de uma banda de rock séria, a Utopia, formada em 1989, em Guarulhos, São Paulo. Contando com Dinho (vocais), Bento Hinoto (guitarra), Samuel Reoli (baixo), Júlio Rasec (teclados e vocais de apoio) e Sérgio Reoli (bateria), irmão mais velho de Samuel, a banda Utopia tocava covers de Legião Urbana e Rush, mas também compunha suas próprias canções, de letras introspectivas, e que nada lembravam as futuras canções dos Mamonas Assassinas.

Os shows tinham poucas plateias, algumas delas hostis, e os cachês eram irrisórios, isso quando havia cachê. Como viver de música ainda era um sonho, os músicos trabalhavam em subempregos para garantir o sustento. Em 1992, a Utopia chegou a lançar um álbum, que da tiragem de mil cópias, venderam apenas cem.

Um dado curioso é que durante os shows da Utopia, os membros da banda costumavam fazer brincadeiras e piadas, contrastando com as canções sérias do grupo. Isso fez com que o público se interessasse mais pela veia humorística do quinteto do que pelas músicas que a banda tocava.

Em outubro de 1994, os cinco gravaram uma fita demo no antigo estúdio do produtor Rick Bonadio, na zona norte de São Paulo. Foram gravadas duas músicas, “Mina (Minha Pitchulinha)” – futura “Pelados Em Santos” – e “Robocop Gay”. Acreditando no potencial cômico da banda, Bonadio sugeriu que os cinco apostassem na irreverência e trocassem o nome da banda. Trocaram o sisudo Utopia pelo surreal Mamonas Assassinas.

Da esquerda para a direita: Júlio Rasec, Dinho, Samuel Reoli,
Bento Hinoto e Sérgio Reoli. O quinteto antes da fama.

Ao assumirem o humor nato que carregavam nas veias, os Mamonas Assassinas davam seguimento, conscientes ou não, à tradição da irreverência que sempre esteve presente na história do rock paulista, que já vinha desde os Mutantes nos anos 1960. Os Mutantes foram os pioneiros na esculhambação, não só nas canções, mas também nas atitudes e figurinos. Quando ainda eram um trio, Com Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Baptista, os Mutantes vestiam as roupas mais malucas possíveis como trajes de bruxos calçados com tênis, extraterrestres, humanos futuristas, roupas de plástico, valia tudo. Ficou antológica a imagem de Rita Lee vestida de noiva grávida. Além deles, outras tantas bandas paulistas seguiram a tendência do escracho como Joelho de Porco, Língua de Trapo, Ultraje a Rigor, só para citar alguns nomes.

Os Mamonas foram o último grande nome a honrar a tradição do humor no rock paulista. Eram escracho total, criativos e talentosos. As misturas musicais mais absurdas de rock, punk, bolero, música brega, heavy metal, pagode, forró, tudo num mesmo caldeirão, remetiam à fase tropicalista dos Mutantes.

Já com um novo nome e um novo direcionamento musical definidos, os Mamonas Assassinas gravaram uma nova fita demo com três canções, sob a produção de Rick Bonadio. Enviaram cópias da fita para as gravadoras PolyGram, Warner, Sony Music e BMG-Ariola, mas todas elas recusaram.

No entanto, a única que deu resposta positiva foi a EMI-Odeon, e isso graças ao apoio de um adolescente de 16 anos. É que o diretor da gravadora, José Augusto de Macedo Soares, embora tivesse ouvido a fita no seu carro, não deu muita importância. Porém, o seu filho, Rafael Ramos (que anos mais tarde se tornaria um produtor consagrado), ouviu depois a fita, convenceu o pai a contratar a banda paulista. Para ter mais certeza, João Augusto, foi a Guarulhos conferir os Mamonas Assassinas ao vivo. O diretor, mais o seu filho Rafael, e o produtor Arnaldo Saccomani, foram assistir a um show dos Mamonas Assassinas na boate Lua Nova, em Guarulhos. Ao ver o quinteto no palco, usando figurinos malucos e tocando com toda a vibração em completa sintonia com o público, Augusto saiu convencido da contratação da banda.

Após assinarem contrato, em maio de 1995, os Mamonas entraram em estúdio para gravar o seu primeiro álbum, contando com a produção de Rick Bonadio, o primeiro a apostar no potencial cômico do grupo. O que a gravadora não sabia até o começo das gravações, é que a banda só tinha três músicas. Para para gravar um álbum, seriam necessárias pelos menos, dez faixas. Dinho, Bento, Júlio, Samuel e Sérgio, não se deram por vencidos: em uma semana, compuseram cerca de doze músicas. Uma das músicas compostas, “Não Peide Aqui, Baby”, uma paródia de “Twist And Shout”, sucesso do início da carreira dos Beatles, ficou de fora porque tinha uma grande quantidade de palavrões. O processo de mixagem ocorreu no estúdio The Enterprise, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Mamonas Assassinas e o produtor Rick Bonadio (à direita), durante a
assinatura de contrato com a gravadora EMI.

A arte da capa é de autoria do ilustrador Carlos Sá, que mostra uma mulher com um par de seios que fazem alusão ao nome da banda “mamonas”, um trocadilho com mamas grandes e a planta propriamente dita, a mamona. Os grandes seios teriam sido inspirados nos da modelo Mari Alexandre. Pendurado no pescoço da mulher, um medalhão com um símbolo “VW”, da Volkswagen, de cabeça para baixo, formando as inicias “MA” de Mamonas Assassinas. A gravadora EMI exigiu que fossem inseridas na arte da capa, as imagens dos rostos dos cinco integrantes dos Mamonas Assassinas.

Intitulado apenas Mamonas Assassinas, o álbum de estreia do quinteto de Guarulhos é recheados de músicas hilárias e com um humor sarcástico e politicamente incorreto. Além da irreverência das letras, está a versatilidade musical dos Mamonas Assassinas. É incrível como a banda conseguiu neste seu primeiro e único disco, transitar com desenvoltura e muita criatividade pelos mais diversos gêneros musicais, embora a “célula mater” dos Mamonas fosse o rock.

No momento em que os Mamonas lançavam o seu primeiro álbum, o cenário do rock brasileiro passava por um processo de revigoração que trazia uma nova geração de bandas que tinham em comum as misturas musicais e o experimentalismo, após uma geração da década de 1980 toda fundamentada na new wave e no pós-punk inglês. Raimundos, Chico Science & Nação Zumbi, Skank, O Rappa e Planet Hemp, despontavam trazendo de volta a brasilidade para o rock brasileiro através das fusões musicais. Os Mamonas, embora não fizessem parte da turma, também tinha o seu “liquidificador sonoro” cheio de brasilidade, misturando heavy metal, forró, punk rock, pagode, sertanejo, música brega, e até ranchera mexicana.

O álbum abre com “1406”, uma música cujo título faz referência ao (011) 1406, o número do telefone do Teleshop, um canal de televendas que fez muito sucesso na TV na década de 1990 através de comerciais das facas Ginsu, meias Vivarina e dos aparelhos auditivos Sonic 2000. “1406” começa com Dinho contando quatro “já vais”, e que logo após a “contagem”, segue-se um funk rock contagiante bem ao estilo do Red Hot Chili Peppers e do Faith No More. A letra retrata de maneira bem-humorada os sonhos de consumo desvairados da classe média.

A o título da faixa "1406" era o  número do telefone da Teleshop, um canal de
televendas que fez sucesso da TV brasileira nos anos 1990 com comerciais
anunciando venda de produtos como as facas Ginsu.

“Vira-Vira” é um dos maiores sucessos dos Mamonas Assassinas. Foi a segunda música mais executada em 1995 no Brasil. Inspirada no ritmo folclórico português, o vira, e tendo como principal referência o cantor português radicado no Brasil, Roberto Leal, “Vira-Vira” conta a história de um português que foi convidado para uma suruba (orgia), mas não pôde ir. Em seu lugar, mandou a sua esposa Maria, que só voltou para casa uma semana depois, cheia de dores no corpo.

“Pelados Em Santos” foi a faixa mais famosa de todo o álbum, e a terceira mais tocada no Brasil em 1995. Em “Pelados Em Santos”, os Mamonas misturam ranchera mexicana com rock, e contam a história de um sujeito apaixonado que convida uma garota para um passeio pela cidade de Santos na sua Brasília amarela. Mas o gosto brega do rapaz não seduz a garota, que é boçal e lhe dá uma grande esnobada. “Pelados Em Santos” tem algumas citações, desde a linha melódica inspirada em “Crocodile Rock”, de Elton John, ao nome de marcas que eram o sonho de consumo de muita gente na época como o tênis Reebock e a calça Fiorucci.

“Chopis Center” é uma paródia hilária de “Should I Stay Or Should I Go”, do The Clash. Para cantar a música, Dinho encarna um pedreiro semianalfabeto que leva a namorada para passear no shopping center, onde o coitado se deslumbra com as maravilhas do “paraíso do consumo”.

“Jumento Celestino” é uma bem articulada fusão entre forró e rock, e que faz lembrar os Raimundos. A introdução é uma citação à música “Rock do Jegue (De Quem É Esse Jegue)”, sucesso de Genival Lacerda em 1979. A letra da música conta a história de um homem que deixa o sertão da Bahia e vai para São Paulo montado no seu jumento em busca de uma vida melhor. Mas ao chegar ao destino, o que encontra mesmo é uma desilusão. Embora engraçada, a letra da música dá o recado sobre a discriminação que o migrante nordestino sofre ao deixar a sua terra natal para tentar a sorte nas cidades do sudeste brasileiro.

Na sequência, a debochada “Sabão Crá-Crá”, uma canção curtíssima e de domínio público, que fala das qualidades do tal sabão na higienização da bolsa escrotal.

Cena do videoclipe de "Pelados em Santos". 

Com um título que satiriza o filme Uma Linda Mulher (Pretty Woman), estrelado por Julia Roberts, em 1990, “Uma Arlinda Mulher” é talvez a canção mais “romântica” dos Mamonas Assassinas. A letra faz combinações absurdas como declarações de amor com Teoria da Relatividade e os movimentos de rotação da Terra, numa tentativa de satirizar as canções de letras complexas e herméticas de alguns ícones da MPB como Belchior. Aliás, a voz anasalada do cantor Belchior é imitada pelo tecladista Júlio Rasec na segunda parte da música.

Os arranjos e os versos iniciais de “Cabeça de Bagre II”, aparentemente música sérios, remetem às canções de protesto que os Titãs faziam nos anos 1980. Mas logo o tom de aparente seriedade dá lugar a um conjunto de bobagens que traz o ouvinte de volta ao universo “mamônico”: “A polícia é a justiça de um mundo cão / Mês de agosto sempre tem vacinação / Na política o futuro de um país / Cala a boca e tira o dedo do nariz”. O riso é garantido pelos riffs de guitarra que fazem citações à risada do personagem de desenho animado o Pica-Pau e à canção “Baby Elephant”, de Henry Mancini (sucesso no Brasil nos anos 1960 numa versão em português com o Trio Esperança como “O Passo do Elefantinho”).

Em “Mundo Animal”, Dinho entra fazendo a chamada para Creuzebeck - como era chamado o produtor Rick Bonadio pelos membros da banda - para iniciar as gravações. Após a chamada de Dinho, entra um sensacional riff de guitarra de hard rock executado por Bento Hinoto, que é acompanhado depois pelo resto da banda. Mas o que parecia ser um hard rock pesado e agressivo, cede espaço para um pop brega descrevendo curiosidades da vida sexual dos animais.

“Robocop Gay” foi uma das primeiras composições dos Mamonas Assassinas, e uma das músicas mais executadas do álbum. A letra narra a história de um travesti que passou por várias mudanças no seu corpo através de cirurgias, daí a associação debochada dos Mamonas com Robocop.

Contudo, apesar da letra bastante debochada, “Robocop Gay” tem versos que acenam para a tolerância quanto às diferenças. Em “Abra sua mente / Gay também é gente”, os Mamonas Assassinas se mostram avessos à homofobia.  O quinteto toca na convivência harmônica entre os diferentes: “Você pode ser gótico / Ser punk ou skinhead / Tem gay que é Mohamed / Tentando camuflar”.

Capa do single de "Robocop Gay": seria a música um recado
anti-homofóbico dos Mamonas Assassinas? 

“Bois Don’t Cry” faz um trocadilho sacana com “Boys Don’t Cry”, grande sucesso da banda inglesa The Cure. Mas musicalmente, a canção dos Mamonas nada tem a ver com a do grupo inglês. “Bois Don’t Cry” é um bolero cafona que trata sobre Dejair, um homem que se diz feliz por ser traído pela sua própria esposa. O arranjo desta música é uma miscelânea impensável de referências que vão das canções de “dor de cotovelo” de Waldick Soriano e Lindomar Castilho às citações de riffs de “Tom Sawyer”, do Rush, e de “The Mirror”, do Dream Theater.

“Débil Metal” é a única faixa com letra em inglês e a mais pesada e agressiva do álbum. A música é um heavy metal bastante pesado, onde os Mamonas Assassinas mais uma vez surpreendem pela versatilidade musical transitar por gêneros musicais com bastante competência, e sobretudo, a habilidade do guitarrista Bento Hinoto. Dinho canta fazendo uma voz semelhante à de Max Cavalera, na época, ainda vocalista do Sepultura. A letra em inglês, mais o peso e a agressividade sonora da música, levam o ouvinte a acreditar que a música é séria. No entanto, a tradução revela que a música fala apenas de biscoito e pipoca. 

“Sábado de Sol” foi composta pela banda carioca Baba Cósmica, da qual Rafael Ramos, o adolescente que ajudou os Mamonas a serem contratados pela EMI, era baterista. Os Mamonas gravaram a música como um gesto de agradecimento pelo apoio de Rafael. Na primeira parte, os membros dos Mamonas cantam imitando o sotaque carioca, uma alusão ao fato da banda Baba Carioca ser do Rio de Janeiro. Já na segunda parte, cantam com um sotaque que é um misto de sotaque paulista com o italiano, provavelmente, imitando o sotaque da cidade de origem do quinteto que é Guarulhos.

O álbum termina em ritmo de pagode com “Lá Vem O Alemão”, com uma letra “romântica” bem ao estilo dos Mamonas Assassinas. A música narra a história de um sujeito que foi à praia com sua namorada numa Kombi, que no meio do caminho, quebrou. Enquanto ele consertava o veículo, o pobre rapaz viu a sua namorada pegar uma carona num carro conversível guiado por um homem loiro, bonito e forte. Em “Lá Vem O Alemão”, os Mamonas Assassinas contaram com a participação especial de pagodeiros Leandro Lehart, do Art Popular, tocando cavaquinho, e Fabinho, do Negritude Jr., na percussão. Destaque para Dinho que de maneira debochada, canta os versos das estrofes imitando a voz de "língua presa" de Luiz Carlos, do Raça Negra, e nos refrãos, imita o canto choroso de Netinho de Paula, vocalista da Negritude Júnior. 

Mamonas Assassinas no auge da fama. 

Mamonas Assassinas, o álbum, foi lançado em 23 de junho de 1995, e a princípio, não chamou a atenção do público. Somente após “Vira-Vira” ter grande execução na rádio 89 FM, de São Paulo, que os Mamonas Assassinas começaram a ter mais projeção. Foi então que o público descobriu que o álbum continha outras faixas que também logo caíram no gosto popular. “Pelados Em Santos” fez um enorme sucesso nas rádios assim como o seu videoclipe.

À medida que as faixas do álbum faziam sucesso, os Mamonas caíram na estrada, embarcando uma turnê gigantesca que cobriu todo o Brasil, sempre com lotação esgotada. Em pouco tempo, o cachê dos Mamonas Assassinas havia se tornado um dos mais altos dentre os artistas mais famosos da música brasileira. A média semanal de shows da banda paulista era de seis apresentações. Entre um show e outro, os Mamonas Assassinas faziam aparições em programas de TV como “Domingão do Faustão”, na Globo, ou no “Programa Livre”, de Serginho Grossman, no SBT, elevando os índices de audiência desses programas a números surpreendentes.

Apresentação dos Mamonas Assassinas no programa Domingão do Faustão
da TV Globo, em 1995. 

Entre o segundo semestre de 1995 e o primeiro semestre de 1996, os Mamonas Assassinas eram o nome mais badalado da música brasileira naquele momento. Era o maior fenômeno musical como não se via desde o RPM, em 1986.

Se os ingressos para shows da banda eram bastante disputadíssims, o álbum era como um objeto de consumo de primeira necessidade. Para se ter uma ideia, o álbum Mamonas Assassinas vendeu pouco mais de 2,4 milhões de cópias, sendo assim contemplado com um disco de diamante por ter superado a marca de 1 milhão de cópias vendidas. Dentre os recordes está o de álbum de estreia mais vendido da história do rock brasileiro. Foi o álbum mais vendido em um único dia: 25 mil cópias em 12 horas. Chegou a vender 350 mil cópias em apenas uma semana. Em dezembro de 1995, com seis meses de lançamento, o álbum de estreia do quinteto paulista já havia atingido a marca de 2 milhões cópias vendidas, um fato raríssimo na história da indústria fonográfica brasileira.

Curiosamente, apesar da grande exposição midiática, a fama não parece ter subido à cabeça dos membros dos Mamonas Assassinas. Durante o auge do sucesso, eles não assinaram nenhum tipo de contrato para lançamento de produtos oficias com a marca da banda ou a imagem de seus integrantes. Não faltaram propostas, desde álbum de figurinhas a convite para terem um programa próprio na TV e estrelar um filme. Eles recusaram todas essas propostas.

Contudo, se por um lado a banda era admirada pelo grande público, os Mamonas sofriam ataques também, inclusive do próprio meio musical, mais precisamente do rock, meio esse do qual o grupo fazia parte.

A edição de dezembro de 1995 da revista Showbizz, trouxe uma matéria de capa com os Mamonas Assassinas, que traçou o perfil do fenômeno, e a opinião de alguns dos astros da música brasileira. Samuel Rosa, do Skank, afirmou: “são a continuação de uma tradição do Premê, do Língua de Trapo e dos Inimigos do Rei. São engraçados e divertidos”. Nando Reis, ainda um membro dos Titãs na época, elogiou: “Tenho dado boas risadas com eles. Eles são legítimos e meus filhos adoram”. O produtor musical, João Marcelo Bôscoli (filho de Elis Regina e de Ronaldo Bôscoli), criticou os que atacavam os Mamonas e reconheceu a batalha deles para chegar ao topo da fama.

A edição de dezembro de 1995 da revista Showbizz trouxe os
Mamonas Assassinas na capa.

Por outro lado, haviam aqueles que não viam graça alguma na banda como João Gordo, dos Ratos de Porão: “São uns sortudos que a mídia pegou para sugar e jogar fora. Acho o som deles ridículo, mas o Brasil é ridículo também”. Roger Moreira, do Ultraje A Rigor, disse: “Não acho muito engraçado. Ficam comparando os Mamonas com o Ultraje, mas não tem nada a ver”. Fred Zero Quadro, do Mundo Livre S/A: “Você ouve a piada a segunda vez e não tem mais graça. Talvez, se eu tivesse 20 anos a menos...".

Em janeiro de 1996, os Mamonas Assassinas fizeram a antológica apresentação no Ginásio Poliesportivo Paschoal Thomeu, o “Thomeuzão”, em Guarulhos, cidade natal do grupo. Aquela apresentação teve um significado muito importante para o quinteto. Cinco anos antes, a direção do ginásio recusou a banda quando ainda se chamava Utopia para abrir um show de Guilherme Arantes que iria se apresentar naquele local. No dia em que se apresentaram, agora já famosos, Dinho fez um discurso duro e forte relembrando o fato, e incentivou os fãs a não desistirem dos seus sonhos.

Três meses depois, em 2 de março de 1996, o sonho dos Mamonas Assassinas chegava ao fim de maneira trágica. O jatinho que retornava de Brasília após um show da banda, voava em direção a São Paulo. Ao sobrevoar a Serra da Cantareira, que estava encoberta por uma neblina, o jato Learjet 25D que levava a banda, chocou-se violentamente com um morro, às 23:16, e avançou sobre uma mata espessa. O acidente ocorreu a 11 km do Aeroporto de Cumbica, na grande São Paulo, onde o jato iria aterrissar. Todos os nove ocupantes do avião, entre tripulantes, segurança, assistente de palco e a banda, morreram.  Os Mamonas Assassinas tinham um voo marcado para o dia seguinte para Portugal, onde iriam se apresentar. Lá, o álbum de estreia da banda havia vendido 20 mil cópias, um índice muito bom em se tratando do mercado fonográfico português.

A morte dos integrantes da banda chocou todo o Brasil, gerando uma comoção nacional só comparada à da morte de Tancredo Neves, em 1985, e à de Ayrton Senna, em 1994.

O último show: os Mamonas Assassinas no Estádio Mané Garrincha, em Brasília,
horas antes da tragédia que tiraria a vida dos integrantes da banda.

O grande legado dos Mamonas Assassinas foi unir a música e o humor escrachado. Eles foram a conjunção perfeita do rock anárquico e debochado dos Mutantes (fase tropicalista), com o humor moleque e circense dos Trapalhões, e o escracho “boca suja” da atriz Dercy Gonçalves.

Ao assumirem o humor nato que carregavam nas veias após a fase sem graça do Utopia, os Mamonas Assassinas davam seguimento, conscientes ou não, da tradição da irreverência que sempre esteve presente na história do rock paulista e que já vinha desde os Mutantes nos anos 1960. Os Mutantes foram os pioneiros na esculhambação, não só nas canções, mas também nas atitudes e figurinos. Quando ainda eram um trio, com Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, vestiam as roupas mais malucas possíveis como trajes de bruxos calçados com tênis, extraterrestres, humanos futuristas, roupas de plástico, valia tudo. As misturas musicais mais absurdas que os Mamonas faziam, remetiam à fase tropicalista dos Mutantes.

Posteriormente, outras tantas bandas paulistas seguiram a tendência do escracho aberta pelos Mutantes, como Joelho de Porco, Língua de Trapo, Ultraje a Rigor, só para citar alguns nomes. Os Mamonas foram o último grande nome a honrar a tradição do humor no rock paulista.

Depois que os Mamonas se foram, chegou a haver o aparecimento de bandas tentando ocupar a lacuna deixada pelo quinteto, como Virguloides, Fincabaute, Pino Solto. Mas foi em vão, nenhuma delas conseguiu ter a essência, a autenticidade e o carisma dos Mamonas Assassinas.

Faixas
  1. "1406" (Dinho - Júlio Rasec)  
  2. "Vira-Vira" (Dinho - Júlio Rasec)         
  3. "Pelados em Santos" (Dinho)
  4. "Chopis Centis" (Dinho - Júlio Rasec)
  5. "Jumento Celestino" (Dinho e Bento Hinoto)
  6. "Sabão Crá-Crá" (música folclórica)  
  7. "Uma Arlinda Mulher" (Bento Hinoto - Dinho - Júlio Rasec)             
  8. "Cabeça de Bagre II” (música incidental: Baby Elephant Walk)" (Bento Hinoto - Dinho, Júlio Rasec - Samuel Reoli - Sérgio Reoli - Henry Mancini)
  9. "Mundo Animal" (Dinho)       
  10. "Robocop Gay" (Dinho - Júlio Rasec)
  11. "Bois Don't Cry" (Dinho)        
  12. "Débil Metal" (Dinho - Bento Hinoto - Júlio Rasec - Samuel Reoli - Sérgio Reoli)
  13. "Sábado de Sol" (Pedro Knoedt - Felipe Knoblitch - Rafael Ramos)
  14. "Lá Vem o Alemão" (Dinho - Júlio Rasec)      


"Vira-Vira" 
(videoclipe original)


"Pelados Em Santos"
(videoclipe original)

“SLA Radical Dance Disco Club” (EMI, 1990), Fernanda Abreu

 


Existe o velho e conhecido ditado popular que diz: “apressado come cru”. Quando a formação clássica da Blitz chegou ao fim, em 1986, o vocalista e líder da banda carioca, Evandro Mesquita, naquele mesmo ano, lançou o seu primeiro álbum solo, intitulado Evandro, que chegou a ter alguma repercussão. Evandro ainda lançou mais três álbuns solos, emplacando o hit “Babilônia Maravilhosa”, em 1989, que fez parte da trilha sonora da telenovela Top Model, da TV Globo. Mas não passou disso.

Ao contrário de Evandro, sua ex-colega de Blitz, Fernanda Abreu, preferiu esperar o tempo certo para aventurar-se numa carreira solo. Quando a Blitz acabou, não faltaram convites para ela gravar um disco solo. No entanto, os convites eram para ela trilhar o mesmo seguimento pop rock da Blitz. Embora estivesse decidida em não começar naquele momento a sua carreira, solo, a ex-backing vocal da Blitz já sabia que caminho musical seguiria, e o pop rock não estava em seus planos.

Antes de integrar a Blitz, Fernanda Abreu era uma admiradora da música negra americana. Desde a adolescência, ela gostava de ouvir e dançar ao som de R&B, funk e disco music. O caminho natural de Fernanda Abreu era a música pop, a música para as pistas.

Nos três anos seguintes após o fim da Blitz, Fernanda Abreu fez participações em trabalhos de outros artistas. Em 1987, colaborou na canção “Juliette”, do amigo Fausto Fawcett para o primeiro e homônimo álbum da banda Fausto Fawcett & Os Robôs Efêmeros. Dois anos depois, através do sociólogo Hermano Vianna (irmão de Herbert Vianna, vocalista e guitarrista dos Paralamas do Sucesso), Fernanda Abreu vai pela primeira vez a um baile funk comandado pelo DJ Marlboro, no subúrbio do Rio de Janeiro.

Fernanda Abreu (terceira da esquerda para a direita), nos tempos da Blitz.

Além das participações especiais, Fernanda Abreu fez duas concorridas temporadas no Rio de Janeiro e São Paulo, cantando clássicos da disco music, acompanhada de uma banda competentíssima: Fernando Vidal (guitarra), Aurélio Dias (baixo), Fábio Fonseca (teclados) e Bodão (bateria).

O sucesso das temporadas cantando clássicos da disco music estimulou Fernanda a grava uma fita demo produzida por Herbert Vianna com quatro música autorais focadas no pop, funk, R&B e disco music. A fita foi entregue pela própria Fernanda a Jorge Davidson, diretor da gravadora EMI, a mesma da qual a Blitz fazia parte. O produtor gostou do material, apesar de achar que naquele momento, não via um nicho de mercado para que estilo que a cantora estava abraçando. Na época, o cenário musical brasileiro vivia a ressaca do rock brasileiro dos anos 1980, a axé music e o sertanejo estavam em ascensão e a lambada era o modismo musical do momento.

Apesar de um cenário aparentemente pouco favorável para ela, Fernanda apostou no que acreditava, assim como a própria EMI. Para gravar o seu primeiro álbum solo do jeito que queria, Fernanda Abreu contou com o apoio dos músicos que tocaram com ela nas temporadas de shows no Rio e em São Paulo, além de outros ilustres convidados, como o cantor e compositor Leoni (ex- Kid Abelha), Fausto Fawcett e Herbert Vianna. A produção foi conduzida por Herbert Vianna, Fábio Fonseca e Fernanda Abreu.

O processo de gravação do álbum transcorreu bem, com muito entusiasmo, principalmente por causa do sampler, a grande novidade tecnológica nos estúdios de gravação na época, e que tornou o álbum de estreia de Fernanda, um dos pioneiros do emprego daquele equipamento no Brasil. Empolgados com o novo “brinquedo”, vários artistas foram sampleados, de Madonna a Gilberto, passando por Prince, Chic, Michael Jackson, dentre tantos outros. Os trechos sampleados foram inseridos em várias músicas.

Contudo, quando o álbum ficou pronto, o departamento jurídico da EMI ficou preocupado com a grande quantidade de trechos sampleados de músicas de outros artistas. Havia preocupação da gravadora com possíveis processos judicias por causa do uso desses trechos sem autorização. Preocupada, Fernanda Abreu conseguiu convencer o departamento jurídico da gravadora de lançar o disco. Vários artistas sampleavam outros artistas naquela época, e naquele momento, ainda não havia uma legislação que regulasse isso. O argumento da cantora foi convincente, e a gravadora confirmou o lançamento do álbum.

Prince, Michael Jackson, Madonna e Gilberto Gil estão entre os
sampleados no álbum SLA Radical Dance Disco Club.

Em fevereiro de 1990, foi lançado o single de “A Noite”, apresentando ao grande público uma Fernanda Abreu completamente diferente daquela artista do passado roqueiro dos tempos da Blitz. Fernanda ressurgia agora como uma cantora pop, com a cabeça e os pés mergulhados na dance music. O single de “A Noite” serviu como uma prévia do que o público poderia esperar do primeiro álbum da cantora carioca. “A Noite” agradou o público, e logo foi incluída na trilha sonora da telenovela Mico Preto, da TV Globo, no primeiro semestre de 1990.

Intitulado SLA Radical Dance Disco Club, o álbum de estreia de Fernanda Abreu foi lançado em 17 de março de 1990. Uma curiosidade: a sigla SLA do título é uma referência às iniciais do sobrenome Fernanda, que é Sampaio de Lacerda Abreu.

Composto por dez faixas (uma a mais nas versões CD e cassete), SLA Radical Dance Disco Club é um álbum de dance pop por excelência. Analisando o cenário musical brasileiro da época de seu lançamento, SLA Radical Dance Disco Club era como um “estranho no ninho”. Não havia nada parecido lançado no meio musical mais comercial, mais midiático. O mais próximo disso era Ed Motta, que assim mesmo, focava mais especificamente o R&B e o funk.

Em seu SLA Radical Dance Disco Club, Fernanda incluía no seu caldeirão pop musical soul music, disco music, funk, R&B, rap, Miami bass e a house music. Fernanda estava em completa sintonia com o que se produzia em termos de dance music internacional como Snap, Soul II Soul, Technotronic entre outros. Com produção de Herbert Vianna, Fábio Fonseca e Fernanda Abreu, SLA Radical Dance Disco Club é um álbum essencialmente dançante, pop, e consegue equilibrar a organicidade proporcionada pelas linhas de baixo e pela guitarra funky com o lado eletrônico sustentado pelo sample, bateria eletrônica e sintetizadores. Talvez por isso, o álbum tenha envelhecido bem, e uma ou outra faixa soe datada.

Detalhe da contracapa do álbum SLA Radical Dance Disco Club

O álbum abre com uma vinheta que é uma sucessão de colagens de hits antológicos da disco music dos anos 1970, como “Don't Stop 'Til You Get Enough” (Michael Jackon), “We Are Family” (Sister Sledge), “Good Times” (Chic), “Get Off” (Foxy) entre outros. Logo em seguida, começa “A Noite”, lançada anteriormente como single. A música é um misto de funk e disco music, e é um convite para sair à noite para dançar e barbarizar numa pista de dança.

O clima continua em alta com a faixa seguinte e que dá nome ao álbum. “SLA Radical Dance Disco Club” tem uma divisão rítmica bem delineada, alternando funk nas estrofes e a batida arrastada típica da disco music nos refrãos. Destaque para a levada galopante da linha de baixo nos refrãos acentuando o ritmo característico da disco music.

A linha de baixo volta a ter uma presença bastante acentuada no funk romântico “Kamikazes do Amor”, que cria uma sonoridade robusta e cheia de slaps. Fechando o lado A, “Luxo Pesado”, uma versão de “Got To Be Real”, sucesso de Cheryl Lynn nos anos 1970, que através de Fernanda Abreu, ganhou uma leitura mais pessoal e erótica.

“Você Pra Mim” abre o lado B de SLA Radical Dance Disco Club. A balada romântica tem um arranjo pop elegante, muito bem acabado, e mostra que sobreviveu muitíssimo bem ao tempo. “Space Sound To Dance” é cheia de clichês típicos da dance music dos anos 1990, mas que contrasta com versos de uma complexidade pouco comum numa música para dançar nas pistas: “Se o vento assobia, o mar ruge, o trovão atroa / Os pássaros chilream, a chuva martela”. Em “Speed Racer”, Fernanda Abreu percorre ruas e avenidas do Rio de Janeiro pilotando um Mach 5, o mesmo carro do personagem de desenho animado japonês que dá nome à música. Em “Vênus Cat People”, Fernanda Abreu conta com participação especial de Fausto Fawcett, a primeira de outras tantas que estariam por vir. Fernanda incorpora uma vênus felina e sedutora, cujo corpo e alma são um sonho.

Fernanda Abreu durante show da SLA Tour, em 1990.

O álbum termina com “Disco Club 2 (Melô do Radical)”, faixa que é uma típica Miami bass, gênero que se se tornou a base fundamental para o nascimento funk carioca, que na época, ainda era algo específico dos subúrbios pobres do Rio de Janeiro. A música traz a participação do DJ Marlboro nos scratches, e responsável pela propagação do funk carioca.

Nas versões CD e cassete, o álbum traz uma faixa a mais, e a que encerra o álbum, “Kung Fu Fighting”. Sucesso nos anos 1970 com Carl Douglas, a música é outro cover presente no álbum que ganhou uma versão bastante pessoal de Fernanda Abreu, mais suave e mais romântica que a original.

SLA Radical Dance Disco Club teve um bom desempenho comercial. Vendeu 260 mil cópias, e rendeu quatro singles. “Você Pra Mim” alcançou o 1º lugar nas paradas de rádio, e foi incluída na trilha sonora da telenovela, Meu Bem, Meu Mal, da TV Globo, em 1990. Com o seu bom álbum de estreia, Fernanda Abreu deixou de ser apenas aquela backing vocal sensual da Blitz para ganhar imagem própria. Na eleição dos melhores do ano de 1990 da revista Bizz, Fernanda foi eleita “Revelação do Ano - Nacional” pelos leitores. Pelos votos da crítica especializada, o eleito foi o grupo Que Fim Levou Robin?, que assim como Fernanda Abreu, era um dos poucos artistas de dance music no Brasil. No entanto, o grupo paulista teve uma vida muito breve e logo acabou.
 
Se firmaria como um dos nomes mais destacados do pop brasileiro dos anos 1990, impulsionada pelo sucesso dos álbuns seguintes SLA 2 Be Sample (1992) e Da Lata (1995), trabalhos que uniram a dance music com referências de música brasileira.

Faixas

  1. "Disco Club 1" (vinheta) (Fernanda Abreu - Sergio Mekler)
  2. "A Noite" (Fernanda Abreu - Luiz SteinCarlos Laufer)
  3. "SLA Radical Dance Disco Club" (Fernanda Abreu – Leoni)
  4. "Kamikazes do Amor" (Fernanda Abreu)
  5. "Luxo Pesado (Got To Be Real)" ( D. PaichC. Lynn - D. Foster; Versão: Fernanda Abreu - Fausto Fawcett)
  6. "Você Pra Mim" (Fernanda Abreu)
  7. "Space Sound To Dance" (Fernanda Abreu - Luiz Stein - Carlos Laufer)
  8. "Speed Racer" (Fernanda Abreu - Herbert Vianna - Fábio Fonseca)
  9. "Vênus Cat People" (Fausto Fawcett - Carlos Laufer)
  10. "Disco Club 2 (Melô do Radical)" (Fernanda Abreu - Herbert Vianna - Fábio Fonseca - DJ Marlboro)
  11. "Kung Fu Fighting" (Carl Douglas)

"Você Pra Mim" 
(videoclipe original)

"A Noite"
(videoclipe original) 

SUPER PROGRESSIVO

 

Yesshows 1980 (Remastered)


Yesshows é o segundo álbum ao vivo do Yes, algo deixado em segundo plano ou ofuscado devido ao grande sucesso do seu antecessor Yessongs , mas este regista alguns dos melhores momentos no que toca à improvisação.
Na minha opinião, a destacar são as canções da era Relayer tur, entre as quais se destacam The Gates of Delirium and Ritual " com uma sonoridade nunca antes ouvida com P. Moraz presente nos teclados.
Aproveite!!!!
Disco 1.
1."Parallels" (Chris Squire) – 7:07 gravado em Ahoy'-Hal, Rotterdam. 24/11/1977
2."Time and a Word" (Jon Anderson/David Foster) – 4:06 gravado em Empire Pool, Wembley, 27/10/1978
Hal, Roterdã. 24/11/1977


2009 Japan Bonus Tracks
5."I've Seen All Good People" gravada em Empire Pool, Wembley, 10/??/1978
6."Roundabout" gravada em Oakland, 1978 faixas ambas retiradas do Classic Yes, 2009 remasterizadas



Jethro Tull - A Passion Play (remasterizado).



  Hoje apresento o meu álbum preferido do Jethro Tull com o melhor som remasterizado edição 2003!!!!
É o mais progressivo, mais elaborado e tem uma grande variedade de instrumentos perfeitamente sincronizados (com muito uso do clarinete), claro todos eles típicos do Folk.
O álbum também conta com um ótimo trabalho de Jon Evan (piano) que denota sua influência em Beethoven, ele também é responsável pela famosa e divertida história de 'The Story Of The Hare Who Lost His Spectacles'
Podemos sem dúvida incluir isso Trabalho a altura dos maiores dos progressivos como Foxtrot, Lizard, Close to the Edge, Tarkus etc.



Van Der Graaf Generator – A Grounding in Numbers.

Aqui para vocês conhecerem o  álbum do Van Der Graaf Generator, uma das mais importantes bandas do progressivo elétrico junto com o King Crimson. Para o meu gosto é um álbum de 7 pontos, a minha música preferida é "All Over The Place" e seguindo a linha da anterior, os teclados de Hugh Banton
, um colosso de piano progressivo, destacam-se e tornam-se essenciais . gostaria de destacar a grande capacidade criativa de seus membros, que apesar dos anos, não diminuiu e durante este novo milênio editaram grandes materiais como Present (2005), Trisector (2008) e este.
Vamos aproveitar!!!!


Músicos:
- Peter Hammill: Vocais, piano, guitarra elétrica, baixo Ashbory na faixa #7
- Hugh Banton: Teclados, órgãos, baixo, guitarra na faixa #11
- Guy Evans: Bateria e percussão, guitarra na faixa #12

Gravado entre 3 e 9 de abril de 2010 nos estúdios Propagation House, Holsworthy, Reino Unido.
Produzido por Van der Graaf Generator, Pat Moran e Hugh Padgham.
vbr 241 kBps
Tracklist:
01 Your Time Starts Now
02 Mathematics
03 Highly Strung
04 Red Baron
05 Bunsho
06 Snake Oil
07 Splink
08 Embarrassing Kid
09 Medusa
10 Mr. Sands
11 Smoke
12 5533
13 All Over The Place



ESQUINA PROGRESSIVA


Anglagard - Hybris (1992)



Em 1992 o Dream Theater lançava um dos seus maiores clássicos, Images and Words, receberam grandes elogios da crítica e do público menos purista de rock progressivo e que gostavam dessa mistura do gênero com o metal, mas por outro lado, aqueles fãs que diziam que o gênero estava morto e enterrado desde 1979 e sequer aceitavam as bandas de neo progressivo, precisavam de algo a mais, sendo a Anglagard exatamente aquilo que parecia faltar no universo progressivo dessas pessoas a até então mais de uma década.

Anglagard significa Jardim dos Anjos e poucas vezes vi um nome de banda tão perfeitamente escolhido, pois sua música é quase celestial, onde mesmo pertencendo aos anos 90, evitam o uso de instrumentos que não foram usados nos anos 70 por seus predecessores. Em uma organização de CDs é difícil não colocar esse disco na mesma seção que dinossauros como King Crimson, Genesis e Yes.

Hybris é brilhante e apresenta tudo que o progressivo representa. Claro que tem uma forte influência em Yes, Genesis e principalmente King Crimson e até mesmo Focus, mas a banda assumiu essa influência e trabalhou de maneira exclusiva, evitando soar de forma mais simples como bandas de neo progressivo ou simplesmente clone de grupos 70’s.

A primeira faixa “Jördrok (Earth Smoke)” começa com uma seção de piano incrivelmente bela, obscura e melancólica como a temporada de inverno na Suécia, mas também assustadora, quase como anunciando a explosão crimsoniana que seguirá, toques de flauta precisos, muito Mellotron e seções de mellotron. Uma abertura até difícil de descrever em palavras modestas, pouco mais de onze minutos de um rock progressivo puro e preciso.

"Ifrån Klarhet Till Klarhet (From Strength to Strength)” começa meio que ao som de caixa de música de sonoridade circense que logo dá lugar a uma explosão musical novamente crimsioniana. Mudanças frequentes de andamento em um estilo Yes e que levam a um momento mais calmo de guitarra acústica e teclados típicos do progressivo clássicos também compõem a música.

"Kung Bore" (King Winter)” fecha o album. Começa com uma seção de guitarra acústica seguida de teclados e toda a banda um estilo derivado que dificilmente eu identifico como alguma influência principal, tendo um pouco de King Crimson, Focus, Yes e Genesis era Gabriel, mas ao mesmo tempo, nada específico de ninguém em particular. Uma faixa menos obscura e mais nostálgica, vocais versáteis, os melhores trabalhos de baixos do disco, guitarras marcantes, bateria enérgica e teclados extremamente criativos e técnicos. A música em seus últimos segundos faz o disco terminar de forma pastoral.

Um disco onde a música parece ter sido composta por membros do Yes e King Crimson. Uma música complexa, nítida e nervosa com toques obscuros. Várias vezes hipnotizantes, através de paisagens sonoras que mudam de maneira vertiginosa, levam o ouvinte a um universo imaginativo que poucas músicas conseguem levar. Sem dúvida que ao menos que o seu cérebro esteja morto, você vai encontrar em Hybris tudo aquilo que de melhor pode existir no rock progressivo. 




Track Listing

1.Jordrök (Earth Smoke) (11:10)
2.Vandringar I Vilsenhet (Wanderings in Confusion) (11:53)
3.Ifrån Klarhet Till Klarhet (From Clarity to Clarity) (8:04)
4.Kung Bore (King Winter) (12:57)


Bobby BeauSoleil antes e depois do diabo

Arroz de festa da cena californiana nos anos 60, Bobby BeauSoleil tinha apenas 16 anos quando ganhou a posição de segundo guitarrista na banda de Arthur Lee, The Grass Roots. Sua passagem por esse grupo, que mais tarde viria a se tornar o Love, foi meteórica porque a condição de menor de idade não permitia que ele tocasse ao vivo nos inferninhos da Sunset Strip, em Hollywood.

Aos 18 anos, por volta de 1966, ele reaparece em Haight-Ashbury com uma banda instrumental chamada Orkustra, junto com David LaFlamme, que depois viria a ser o líder do It’s a Beautiful Day (uma música do jazzman Vince Wallace, gravada pelo Orkustra e melhorada pelo It’s a BD, chamada Bombay Calling, foi chupada pelo Deep Purple e ganhou a posteridade com o nome de Child in Time).

bobby 2

Kenneth Anger

Em 1967, tocando com o Orkustra no festival The Invisible Circus, ele impressionou tanto o cineasta underground Kenneth Anger, notório satanista e seguidor de Aleister Crowley, que este imediatamente o convidou a interpretar o papel principal do seu mais novo projeto, o filme Lucifer Rising, uma espécie de continuação da obra do poeta John Milton sobre o mito do anjo caído. BeauSoleil topou na hora, mas com a condição de que ele fizesse a trilha sonora.

Os dois trabalharam durante meses no filme e para fazer a trilha Bobby montou um novo grupo – The Magick Powerhouse of Oz. Com a ajuda de Anger, uma apresentação da nova banda foi marcada no Straight Teather. Mas como as coisas não ocorreram como planejadas e isso acabou servindo de pretexto para uma briga feia entre Bobby e Anger, os dois romperam relações e a trilha do filme não foi realizada.

BeauSoleil passou então a se virar como guitarrista de aluguel e foi assim que deu suporte, junto com Dennis Wilson, dos Beach Boys, a um novo cantor e compositor chamado Charles Manson que na época estava tentando gravar seu primeiro disco.

Bobby 3

Poster do filme Lucifer Rising ilustrado por Rick Griffin – 1969

Aos 20 anos, Bobby já se considerava um revoltado contra o sistema e a figura de Charles só serviu para radicalizar sua posição. Integrante agora da “Família” de Manson, começou a se meter em delitos e transar drogas com bandos de motociclistas barras-pesadas. Numa dessas transações, Bobby acabou assassinando um professor de música e foi condenado à morte pela corte de LA. Mais tarde sua pena foi transformada em prisão perpétua e, na cadeia, mesmo limitado, continuou a lidar com música, criando instrumentos, formando bandas entre os detentos e compondo.

Em 1976, enquanto estava hospedado na prisão estadual de Tracy, na Califórnia, foi procurado novamente por Kenneth Anger. O filme Lúcifer Rising ainda não tinha música e o cineasta estava injuriado com Jimmy Page que, segundo ele, enrolou 3 anos para fazer uma trilha. Page alegou problemas pessoais e de saúde e, anos depois, disse que Anger havia lhe rogado uma maldição (a trilha de Page para o filme, 23 minutos no total, foi lançada em vinil no ano de 1987).

Bobby 4

Uma das capas da trilha composta por Jimmy Page

BeauSoleil conseguiu autorização das autoridade penitenciárias e formou a The Freedom Orchestra com músicos presidiários. Em 1979 finalmente a trilha estava pronta, gravada dentro da prisão, e virou um pequeno clássico da psicodelia instrumental, nos moldes dos primeiros trabalhos do Pink Floyd. Hoje está disponível em CD duplo, lançada pela Arcanum Entertainment.

Bobby continuou seu trabalho musical, casou-se em 1981 e continua preso. Aos 67 anos, está cada vez mais perto do seu próximo encontro com o diabo.

Bobby 5

 O box com 4 lps lançado por BeauSoleil em 2009

Orkustra – Bombay Calling   

Filme Lucifer Rising, de Kenneth Anger, com Bobby Beausoleil 

A trilha de Jimmy Page  

A trilha de Bobby BeauSoleil 

 

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