domingo, 22 de janeiro de 2023

Bélgica e Holanda: O Paraíso dos Discos (PARTE I)

Bélgica e Holanda são países muito próximos, e cuja única similaridade é o fato de fazerem parte da região denominada de Países Baixos. A Holanda é bem mais avançada que a Bélgica. O povo holandês trata suas ruas de forma muito mais limpa, além de uma organização realmente de primeiro mundo. Por outro lado, a Bélgica possui mais sujeira nas ruas, assim como pobreza.


Barbadas belgas. Quatro discos por 20 euros.
Caixa de quatro LPs de Ike & Tina Turner (acima);
Keeper of the Seven Keys I e II e Goodbye Yellow Brick Road (abaixo)

Começando pela Bélgica, tive o prazer da companhia do Gustavo, que me serviu de guia nas três principais lojas de discos de Bruxelas, localizadas todas no centro da cidade, próximas a famosa estátua Manekken Pis (apelidada carinhosamente por nós de “Guri Mijão”). Passear pela região é algo muito interessante, principalmente pela bela arquitetura do local. O maior destaque fica por conta do Hotel de Ville, uma espécie de prefeitura da cidade, com muitos detalhes que somente quem está lá consegue perceber. Localizado na Grand Place, é o monumento mais imponente da região, e também serve como localizador para as lojas de discos citadas abaixo.
Vamos então à elas. Indo para o centro, Gustavo e eu encontramos um vendedor de rua, diante da Igreja da Madalena (Eglise de la Madeleine), vendendo todos os seus LPs por cinco euros cada, ou três por dez euros. Ali já consumi alguns dos meus euros, mas acabei arrebatando os dois Keepers do Helloween, uma caixa de quatro LPs de Ike & Tina Turner e o Goodbye Yellow Brick Road (Elton John) original com capa tripla, tudo por vinte euros. 

Alegria de um bolha em frente a The Collector Record
A partir daqui não falarei mais em preços, mas ressaltarei algumas aquisições. Descendo a Rue de la Madeleine em direção a Grand Place, pegando depois a Grasmarkt, chegamos na The Collector Record Gallery. Localizada na rua Rue de la Bourse, na Beurstraat 26, ela faz a propaganda de ser A Melhor Loja de Discos de Bruxelas. 

A loja não é das maiores, mas realmente, tem muita coisa boa. Os preços giram em torno de 10 a 150 euros, isso concentrando-se nos LPs. Em termos de CDs, a diversidade não é grande, sendo a especialização da loja os Boxes. O que chama realmente a atenção é a quantidade de bootlegs que a loja possui. Só do Led Zeppelin, por exemplo, havia uma sessão exclusiva de bootlegs, todos com preços na média de 30 euros. 

The Collector Record Gallery internamente

Os LPs (e CDs) são divididos por estilos, e nos estilos, por bandas/artistas em ordem alfabética, o que ajuda muito na busca, mas por exemplo, se você quiser um disco do Ozzy Osbourne ou do Dio solo, não vá na sessão Black Sabbath, e sim, procure a sessão Ozzy Osbourne ou Dio.

Nessa loja eu peguei uns vinte LPs, mas acabei me deparando com um problema: meu vôo de volta para a Espanha seria via a empresa Ryan Air, famosa por ter vôos baratos, e por faturar em cima das bagagens dos passageiros, estabelecendo limites de tamanho e peso nas bagagens. Eu tinha direito a quinze quilos na bagagem despachada, e dez quilos na bagagem de mão, e com medo de superar esse limite (já que eu estava duas semanas na Europa), tive que deixar alguns vinis de lado, muito infelizmente.

Aquisições na The Collector Record Gallery

Mesmo assim, depois de uma luta para conseguir um desconto de apenas 10 euros (e foi uma discussão bem complicada), saí de lá com algumas preciosidades que no Brasil não vou encontrar (não pelo preço que eu paguei), como a versão em vinil triplo do In the Present: live from Lyon (Yes), a versão mono de Little Games (Yardbirds), o bootleg The Man and the Journey (Pink Floyd), e outros menos cotados.

Da The Collector, pegamos a Rue de Midi, em direção a Rue du Lombard, e após comer um delicioso waffles belga, e visitar o Mannekin Pis, chegamos na Arlequin, localizada na Rue du Chêne, a rua que sobe em relação ao Guri Mijão. A frente da loja apresenta grafites de Bob Dylan, John Lennon, Jimi Hendrix e Jim Morrison, mas é dentro que está o que mais chama a atenção.

Arlequin Store

Logo na entrada, à direita, uma imensa prateleira somente com compactos. Babei!! Os compactos, organizados por bandas/artista, também em ordem alfabética, variam entre 1 e 10 euros, e é impossível não querer olhar todos os seus artistas favoritos.

Kiss, Iron Maiden, Madonna, U2, David Bowie, Queen, The Beatles e Rolling Stones eram os que mais possuíam compactos, e só em compactos eu já arrecadei uma senhora quantidade. Passeando pela loja, um pouco menor que a The Collector, comecei a ver as divisões, semelhante à anterior. Os discos variam entre 3 e 100 euros, e a sessão de CDs é bem pequena.

Divisão de discos da Arlequin (acima);
a loja internamente (abaixo).

Diferente da The Collector, o vendedor foi muito mais atencioso, conversando bastante e inclusive dando um generoso desconto nessa loja (sendo que o gastei foi o mesmo que da anterior no valor inicial sem o desconto). Ali, peguei: a versão original, com capa abrindo e mais encarte, do Beyond the Gates (Possessed), Music from the Big Pinky (The Band), Jump in the Fire (Metallica), Wishbone Ash (Wishbone Ash) e alguns compactos do Queen e do David Bowie.

La Boite a Musique

Encerrando a parte Belga de visita às lojas, subimos a Lombardstraat e chegamos na Place de l’Albertine, a qual próxima a ela encontra-se a La Boite a Musique. Especializada em CDs e DVDs, a loja infelizmente estava fechada, e não pude saber como ela “funciona”, mas segundo informações, é a melhor loja para comprar CDs lacrados, dentro de Bruxelas, possuindo preços módicos.

O mapa abaixo é um pequeno guia para quem quiser se arriscar pelas ruas de Bruxelas, mostrando essas três lojas. Existem outras pela região, mas não tive tempo de visitar (lembrando que a região é bem no centro da cidade). Vale ressaltar: não deixem de ir na Grand Place, é linda.

Mapa do centro de Bruxelas

R. E. M. – (Parte IV)

 

A última parte das Edições lançadas pelo R. E. M. dentro da gravadora Warner Bros. apresenta os dois principais discos ao vivo oficialmente lançados pela banda, no caso Live (2007) e Live at the Olympia (2009). Porém, dessa vez não vamos tratar das versões especiais em CD, mas sim, aquelas que foram lançadas em Box Set.
Começando então por Live, ele foi gravado nos dias 26 e 27 de fevereiro de 2005, na cidade de de Dublin (Irlanda), durante o encerramento da turnê de Around the Sun (2004). Na sua versão original, foi lançado como CD duplo, trazendo um DVD bônus com a mesma apresentação. Nele, estão raras apresentações de “I Took Your Name” (Monster, 1994) e “Ascent of Man” (Around the Sun), dificilmente interpretadas ao vivo, além da até então inédita “Im Gonna DJ”, lançada posteriormente no álbum Accelerate (2008).
No total são vinte e duas canções abrangendo a carreira do grupo, a maioria na fase Warner. Apenas “Cuyahoga”, de Lifes Rich Pageant (1986) e “(Don’t Go Back to) Rockville”, de Reckoning (1984) fazem a exceção pela fase I. R. S. Records (gravadora que lançou os cinco primeiros álbuns do grupo). 
No palco, acompanhando o trio Michael Stipe (vocais), Peter Buck (guitarras, mandolin) e Mike Mills (baixo, teclados, acordeão e vocais), estão Scott McCaughey (guitarra, teclados, vocais), Bill Rieflin (bateria), Ken Stringfellow (teclados, vocais) e ainda a participação de Daniel Ryan, tocando guitarra e fazendo os vocais de apoio em “(Don’t Go Back To) Rockville”.
Versão Box de Live
A versão Box Set foi lançada no ano seguinte, e é uma luxuosa caixa com três vinis mais o DVD, o qual está inserido em uma capa envelope, e traz todas as canções do CD. Cada vinil vem inserido em sua própria capa de papelão individual, a qual possui como figura ilustrativa uma foto de cada membro da banda (uma para cada capa), e as canções que compõem os LPs. Os três vinis são inseridos dentro de uma caixa externa, muito grossa, que serve como um “Guarda-Vinis” para os mesmos. Vale bastante a pena pela raridade, mas musicalmente falando, é idêntico a versão em CD.
Dois anos depois de Live, o R. E. M. voltou, com a mesma formação, para uma série de shows novamente na Irlanda, e no Olympia Theatre, registrou o maravilhoso Live at the Olympia, acompanhados por Scott McCaughey e Bill Rieflin (guitarra e bateria respectivamente).
Foram seis noites de ingressos esgotados, entre 30 de junho e 05 de julho de 2007, aonde a plateia pode conferir ensaios para a turnê do álbum que o grupo estava por lançar a época, Accelerate. São trinta e nove canções de um disco excepcional, um dos melhores ao vivos dos últimos anos, com mais de duas horas e meia de duração, e que originalmente foram lançados em um CD duplo, trazendo como bônus um DVD com o documentário This is Not a Show, com cenas gravadas durante os ensaios no Olympia.
As canções já são bem mais abrangentes que Live, sendo vinte e duas da fase I. R. S., destacando as canções do raríssimo EP Chronic Town (1982), as quais são “Gardering at Night”, “Wolves, Lover” e “1,000.00”, praticamente inesquecidas ao vivo, além da também rara ao vivo “Romance”, existente apenas na coletânea Eponymous (1988). 
Versão Box de Live at the Olympia
A versão Box Set é quase um atentado ao coração do fã. Seguindo os mesmos padrões de Live, temos aqui quatro LPs, dividos por capas duplas que apresentam apenas o nome das canções pertences a cada disco. Complementam a Edição um pôster gigante, imitando o pôster que divulgou a série de ensaios, um livreto com fotos das apresentações e discussão sobre as canções, escrito por Peter Buck, mais os dois CDs originais e o DVD This it Not a Show, também com uma capa dupla especial para os mesmos, tendo na frente o título do DVD e no seu interior um texto de Andy Gill contando um pouco da sua relação com o R. E. M., além de conter também o livreto citado acima. 
As três capas individuais estão inseridas em uma capa extra (mais um “Guarda-Vinil”), e ao serem agrupadas, formam em suas laterais o nome da banda e do álbum que estamos ouvindo. É sem dúvidas um dos principais atrativos na carreira dos lançamentos especiais do grupo de Athens, que infelizmente, acabou no ano passado.
Os álbuns de hoje

R. E. M. – (Parte III)

 

A terceira parte das Edições lançadas pelo grupo americano R. E. M. apresenta hoje a coletânea In View: The Best of R. E. M. 1988-2003 (2003) e os dois álbuns de estúdio da década passada, Around the Sun (2004) e Accelerate (2008).
A coletânea citada já teve sua resenha aqui no Consultoria do Rock, mas alguns pontos vale a pena ser citado para sua Edição Especial. A versão original de In View: The Best of R. E. M. 1988-2003 cobre exatamente o período que o grupo lançou álbuns pela Warner Records (todos os tratados nessa série especial). 

São dezesseis faixas que passeiam por clássicos inevitáveis como “Losing My Religion”, “Stand”, “Orange Crush” e “E-Bow the Letter), além de uma versão relativamente inédita para “The Great Beyond” (retirada da trilha do filme Man on the Moon, de 1999), “All the Right Friends” (retirada da trilha do filme Vanilla Sky (2003) e duas canções totalmente ineditas: “Bad Day” e “Animal”.

A Edição Especial é em formato duplo, com o segundo CD apresentando muito material raro aos fãs. No total, são quinze raridades extremam, desde a versão acústica para “Pop Song ’89”, passando pela experimental “Chance (dub)” até a pesada “Revolution”. Ainda no CD dois, há o vídeo para “Bad Day”, um dos melhores produzidos pelo agora trio Mike Mills, Michael Stipe e Peter Buck. 

Edição Especial de In View:  The Best of R. E. M. 1988 – 2003

Os CDs estão inseridos em uma capa de papel reciclável, a qual vem dentro de uma capa externa de plástico, carregando também um pôster do trio.  Acompanha tudo um livreto com quarenta páginas, onde Buck é o responsável por apresentar sua visão para cada uma das canções que aparecem no CD. Existem mais uma versão especial, trazendo no lugar do segundo CD um DVD com videoclipes das canções pertencentes ao mesmo, porém sem o livreto e sem o pôster. Essa versão com o pôster, para mim, é a definitiva.


Around the Sun foi lançado em 2004, e é para os fãs (eu incluso) o mais fraco disco da carreira do R. E. M., principalmente pelos problemas internos que o grupo estava passando (ainda não assimilando a saída de Bill Berry, por exemplo). Um ponto interessante é que é o único álbum do grupo a apresentar uma faixa-título. Mas, a participação especial de músicos convidados não ajudou a tornar o álbum coeso, e pior, o rapper Q-Tip fazendo os vocais em “The Outsiders” é o momento mais baixo na carreira dos americanos.

Por essas e outras, foi o único disco do R. E. M. na fase Warner a não figurar entre os dez mais vendidos nos Estados Unidos, apesar de ter vendido relativamente bem na Europa, aonde ficou em primeiro lugar em sete países, graças a duas canções adoradas pelos fãs: “Leaving
New York” e “Electron Blue”. Tanto que as canções de Around the Sun acabaram sendo banidas dos shows do grupo com o passar do tempo, excetuando as duas citadas.

Edição Especial de Around the Sun

Assim como o disco é sem sal, a Edição Especial também não tem nada de anormal. Apenas o CD foi lançado no formato digipack, com as letras das canções inseridas em um pôster gigante da capa do CD. Praticamente uma decepção em comparação a versão original (que apresenta as letras no formato booklet).

Por fim, quatro anos depois de Around the Sun, veio Accelerate. Um dos melhores discos da carreira dos americanos, ele é curto (pouco mais de trinta minutos) mas muito violento. É uma paulada atrás da outra, destacando preciosidades como “Living Well is the Best Revenge”, “Supernatural Superserious”, a faixa-título e “I’m Gonna DJ”.

Accelerate colocou o R. E. M. novamente na cena musical, atingindo o segundo lugar nos Estados Unidos, aonde permaneceu entre os dez mais por dezoito semanas, e o primeiro em seis países europeus (incluindo o Reino Unido).

Edição Especial de Accelerate

A Edição Especial foi lançada em formato de DVD, trazendo o CD com as canções originais e um DVD apresentando o vídeo 6 Days, filmado por Vincent Moon e que inclui cenas do grupo antes de apresentações ou no palco, tocando canções do álbum. Além do filme, temos duas canções inéditas (“Red Head Walking” e “Airliner”), a capa em plástico transparente e um livreto com sessenta e quatro páginas, todo em preto e branco, apresentando rascunhos diversos e as letras de todas as canções do álbum.

Os álbuns tratados hoje

SUPER PROGRESSIVO

Yes - Tales From Topographic Oceans - 1973 (Remastered and expanded version 2003)



TRACKS:
1. The Revealing Science Of God - Dance Of The Dawn (20:27)


2. The Remembering - High The Memory (20:38)


3. The Ancient - Giants Under The Sun (18:34)


4. Ritual - Nous Sommes Du Soleil (21:35)

BONUS:

5. Dance of the Dawn (studio run-through) (23:35)


6. Giants under the Sun (studio run-through) (17:17)

E nada melhor para comemorar do que recomendar aquele que para mim é simplesmente um dos melhores discos do Yes, um verdadeiro excesso de Rock progressivo... o que mais posso te dizer que você não conheça, Remasterizado e com Bonus Tracks!


Atomic Rooster BBC Radio 1 Live In Concert


O Atoomic Rooster, além de tão conhecido por seu primeiro álbum (onde a participação de Carl Palmer foi tão marcante que serviu de trampolim para sua chegada posterior aos ELP) também é muito conhecido por ser a banda pioneira no som do Hard rock progressivo , lançando 3 álbuns emblemáticos entre 1970 e 1973 que soam como uma mistura de Deep Purple e ELP.
   Hoje quero recomendar a apresentação na BBC que inclui as melhores apresentações ao vivo, compostas por músicas desses 3 álbuns.


ESQUINA PROGRESSIVA

 

Barock Project - Detachment (2017)



Liderada pelo multi-instrumentista e compositor, Luca Zabbini, Barock Project tem em seu 5º disco a comprovação definitiva de que a banda não se trata mais de promessa ou revelação, mas uma realidade que os colocam no patamar dos melhores grupos de rock progressivo em atividade surgido nesse século.

Continuam a mostrar uma grande progressão em sua música, mas mantendo-se extremamente fiel ao seu estilo. Detachment é uma verdadeira montanha russa de notas e variação de humor. Mais moderno, variado, diversificado e até mesmo pesado que os trabalhos anteriores. É como pegar perfeitas doses o rock, jazz, metal, prog, flamenco, música oriental, folk, música celta, pop, música sinfônica e misturar bem, tendo como resultado um trabalho impecável na composição, execução e produção.

A abertura através de “Driving Rain” dura pouco mais de um minuto, tem uma bonita melodia de piano que combina bastante com o clima melancólico que a capa do álbum apresenta, nos faz acreditar que estamos prestes a começar uma viagem sonora fria e obscura. “Promisses” é a faixa que de fato dá início ao disco e de maneira avassaladora, dominada pelos sintetizadores nos mostrando ainda algumas abordagens de metal executados de maneira mais delicadas, partes vocais cativantes e instrumentais pesados. “Happy to See You” é outra faixa belíssima, trazendo uma mescla perfeita entre virtuosismo e musicalidade de fácil aceitação. Belo trabalho vocal e refrão pra cantar junto. Também possui um solo de hammond sensacional seguido por um de guitarra que é puro sentimento executado sobre um lindo arranjo sinfônico.

“One Day”, de início já mostra uns sons de guitarra neoclássica e que logo mudam para um som de 12 cordas. Rock progressivo clássico literalmente, elementos de beleza pastoral, flauta, pianos e um crescimento na sonoridade fazendo a ficar com um ar de épico. “Secret Therapy” começa com tablas e execuções acústicas rápidas e de aromas orientais. Produção sensacional e de paisagem sonora feita por quem sabe usar a nuance de sua música pra “colorir” o som de maneira soberba. “Broken” traz Peter Jones (Tiger Moth Tales) como convidado nos vocais onde mostra toda a sua influência em Peter Gabriel. Piano, arranjos de cordas e trabalhos belíssimos de guitarras elétricas e acústicas, bateria quebrada, fortes sintetizadores. Faixa mais longa do álbum com quase dez minutos e também um dos momentos mais inspirados da banda.

“Old Ghosts” inicia com vocal sobre uma atmosfera criada pelo teclado até ganhar mais força com a entrada de bateria e guitarra acústica. Suaves pianos, vocais melódicos, coros bem feitos e ótimos backing vocals além de um momento mais pesado. “Alone” é mais uma música onde os vocais ficam por conta de Peter Jones. Basicamente piano e voz onde sentimento imposto pelo vocalista sobre cada nota faz desse apesar de um simples e curto momento do disco, um dos mais emotivos. “Rescue Me” após um início tranquilo tem uma quebra que leva a música a um ritmo rápido e cativante liderado por um riff de guitarra e que se mantem por toda sua extensão. Uma música diferente do que a banda costuma produzir, mas de grande atmosfera e alto astral que deve funcionar ainda melhor ao vivo.

Em “Twenty Years” a banda novamente começa a canção de maneira amena, apenas com uso de guitarra acústica acompanhado por vezes de strings. Cresce exponencialmente no ouvinte com pesados riffs e solos de guitarra. Tem no seu final o ápice musical com uma sonoridade orquestral impactante de influência medieval. “Waiting” é enérgica e apresenta interlúdios de levadas de piano extremamente cativante e belo. Partes orquestrais e solos de teclados que ditam o poder que a música traz. “A New Tomorrow” provavelmente seja a música mais elegante, digamos assim, de todo o disco. Melódica e de harmonia extremamente aprazível depois ganha força sem perder seu charme principalmente por conta dos vocais melódicos. Guitarra pesada intercalando com violão, ótimo trabalho de hammond, baixo pulsante e bateria variando entre enérgica e mais suave deixando a música em magnífico equilíbrio. “Spies” é a que fecha o disco. Até a metade possui uma levada de guitarra acústica, bateria bem cadenciada, baixo em variações criativas e bonitos pianos em doses homeopáticas, ganhando um peso em seguida antes de receber nova direção onde uma “tempestade jazzy” golpeia o ouvinte em sua segunda metade. Tem um final orquestral digno pra finalizar o álbum de forma soberba e diria até que apoteótica.

Mais um tiro certo desta incrível banda de rock progressivo. Detachment com certeza é um daqueles discos capaz de encapsular o ouvinte em seu próprio universo musical.




Track Listing

1.Driving Rain - 1:02
2.Promises - 5:05
3.Happy to See You - 7:37
4.One Day - 7:23
5.Secret Therapy - 5:37
6.Broken - 9:10
7.Old Ghosts - 4:07
8.Alone - 3:14
9.Rescue Me - 4:55
10.Twenty Years - 6:06
11.Waiting - 5:43
12.A New Tomorrow - 7:39
13.Spies - 7:23



R. E. M. – (Parte II)

 

A segunda parte das edições feita para os álbuns do grupo americano R. E. M. abrange mais três importantes álbuns do grupo, os quais foram lançados na segunda metade da década de 90 e início dos anos 2000. São eles: New Adventures in Hi-Fi (1996), Up (1998) e Reveal (2001).

As três Edições Especiais de hoje
Nesse período, o quarteto acabou sofrendo a baixa do baterista Bill Berry, seguindo como um trio formado por Michael Stipe (vocais), Peter Buck (guitarras, violões, mandolin) e Mike Mills (baixo, teclados, violões, acordeão). Na bateria, músicos contratados revezaram-se álbum após álbum, o que manteve-se até o fim da banda no ano passado.
Vamos aos discos.
New Adventures in Hi-Fi é o último álbum do R. E. M. como quarteto. Sombrio praticamente do início ao fim, é detentor de pérolas do tamanho de “E-Bow the Letter” (com a emocionante participação especial da cantora Patti Smith), “Electrolite”, “How the West Was Won and Where It Got Us” ou a linda “Leave”. Apesar de não ter sido tão bem sucedido comercialmente nos Estados Unidos, vendendo pouco mais de um milhão de cópias naquele país, conseguiu a incrível façanha de ser o mais vendido em quatorze países diferentes, principalmente na Europa, aonde o R. E. M. passou a frequentar assiduamente para realizar shows ou gravações. 

New Adventures in Hi-Fi Deluxe Edition
A Edição Especial é muito luxuosa. Seguindo o que foi feito em Monster (1994), o álbum foi lançado em um formato de livreto com capa dura, a qual é perfurada em quadrados, e é envolta por uma capa de papelão reciclado em preto, com um losango recortado na parte central, deixando aparecer o livro e os quadrados perfurados.

Dentro do livro, trazendo em suas sessenta e oito páginas imagens do grupo durante as viagens da turnê de Monster, a primeira realizada por eles desde 1989, divulgando o álbum Green, bem como outras imagens diversas, assim como informações das canções e pequenas frases das letras das mesmas. O CD está luxuosamente inserido dentro do livro, tendo um espaço exclusivo para ele, com fundo de plástico duro e bordas que protegem o mesmo.

New Adventures in Hi-Fi Special Edition

Assim como a versão de Out of Time, esta é uma Edição bem rara. A média de preços gira entre 20 e 30 dólares (completo), baixando um pouco quando o material (principalmente a capa do livro) está danificado.

Um ano após o lançamento de New Adventures in Hi-Fi, Bill Berry anunciou sua saída do grupo, aposentando-se por problemas de saúde. Foram quase dois anos na expectativa se o R. E. M. iria seguir ou não, e a resposta foi dada com Up (1998), no qual eles apresentam-se aos fãs como um trio formado por Stipe, Mills e Buck. Para bateria, dois músicos convidados (Barrett Martin e Joey Waronker) revezam-se nas canções, assim como a bateria eletrônica ou pré-gravada também é comum durante os sessenta e cinco minutos do álbum.

O ritmo lento de seu antecessor é seguido em Up, porém com a presença constante de eletrônicos. Os principais sucessos do álbum são “Daysleeper”, “Walk Unafraid”, “At My Most Beautiful” e “Hope”, essa última sendo uma composição em parceria com o músico canadense Leonard Cohen. Up chegou na terceira posição nos Estados Unidos, e apesar de ter vendido bem ao redor do mundo, conquistou o primeiro lugar apenas em três países (Áustria, Noruega e Alemanha).

Up Limited Edition

A Edição Especial é muito interessante. Em formato de bloco de anotações, ela vem inserida dentro de uma caixa de papelão, personalizado com o nome do álbum e do grupo, além do nome e da ordem das canções do mesmo. Todo o papel utilizado é de material reciclável. 

Ao abrir a caixa, nas bordas está escrita diversas vezes a palavra Thank You, e então, nos deparamos com o bloco, cuja a capa é feita de papelão, trazendo impressos o nome do LP e do grupo. O CD está inserido dentro do bloco de anotações, aonde também, através das suas cinquenta páginas, encontramos imagens dos integrantes da banda, imagens e artes diversas e as letras das canções, as quais foram impressas fora de ordem. Detalhe para a parte ímpar das imagens, a qual, se unidas, formam uma nova imagem, de um braço no meio do deserto.

Up Limited Edition

O preço dessa Edição gira em torno dos 10 dólares, e é fácil encontrar a mesma através dos sites especializados. Só tome cuidado para ver se está tudo OK com o bloco de anotações (são trinta páginas no total) e com o CD, o qual está inserido no meio do bloco de anotações.

Por fim, Reveal foi lançado em 2001, e é outro com um material bem apetitoso e diferente. Mais alegre que os antecessores, Reveal teve como grande destaque a linda “Imitation of Life”, cujo refrão grudento entoou nas rádios e reforçou a chama do R. E. M., que andava meio apagada entre os não-fãs do grupo. Outras canções que se destacaram nesse álbum foram “All the Way to Reno (You’re Gonna Be a Star)”, “Beat a Drum” e “I’ll Take the Rain”.

O álbum não foi tão bem sucedido nos Estados Unidos, chegando na sexta posição, mas foi primeiro lugar no Reino Unido e em mais cinco países europeus, consolidando o R. E. M. como um dos grupos mais populares na Europa no final da década de 90 e início dos anos 2000.

Reveal Limited Edition

Sua Edição Especial apresenta um livro de imagens, inserido dentro de uma capa de papelão que imita a capa original do álbum. A capa do livro também é idêntica a capa do original, sendo a primeira que o R. E. M. faz nessa forma (o que foi adotado para todas as demais Edições Especiais lançadas posteriormentes). São quarenta e quatro páginas no livreto, com imagens diversas, as letras das canções (fora de ordem) e informações sobre as mesmas. Algumas páginas são recortadas em formatos especiais (o nome do álbum, nuvens, cavalos, as letras R. E. M.), com a imagem formada pela inserção da página seguinte no espaço recortado.

Reveal Limited Edition. O cavalo na página direita é recortado.

 O CD está inserido em um envelope plástico transparente, com a ordem das canções na parte traseira do envelope. É uma versão relativamente fácil de ser encontrada na internet, girando entre centavos e poucos dólares (isso no formato usado). Reveal ainda teve outras Edições Especiais, sendo a mais famosa aquela batizada de r. e. m. I. X. (2002), a qual apresenta mixagens diferentes para seis canções do álbum.

Destaque

The Waterboys - Live Bospop Festival, Netherlands, 11-07-2008

  Setlist 1.       Fisherman's Blues 2.       Glastonbury Song 3.       It's Gonna Rain 4.       Killing My Heart 5.       Old Engla...