Quando foi jogado o tema, esse foi um dos primeiros álbuns que me veio à cabeça. Normalmente, procuro trazer para essa brincadeira álbuns não muito manjados, mas quando o tema foi disco de estreia, me pareceu obvio que seria interessante indicar alguém que conseguiu quebrar tudo já no primeiro disco. Tem muito artista que demora para criar uma identidade. O grupo de Jim Morrison foi o contrário. O primeiro disco já trazia um retrato de tudo que a banda representa. Textos elaborados, vocal hipnótico, teclados se sobressaindo, longas jams, flerte com outros gêneros. Inclusive, "Break On Through" foi inspirado na nossa bossa-nova (a levada de bateria, algo já reconhecido pelos músicos). Mais do que já ter uma identidade definida, diria que esse é seu trabalho definitivo. Embora goste dos demais álbuns produzidos na era Jim (em especial, Waiting For The Sun e Strange Days), se tivesse que indicar um álbum do grupo para quem nunca ouviu nada deles, entender o que significam, seria esse aqui. Como não bastasse, o repertório é repleto de clássicos como “Light My Fire”, “The End”, “Soul Kitchen”, “Back Door Man”, além da já citada “Break On Through”. Não tem nenhuma faixa ruim nesse disco. Trabalho perfeito. Clássico do The Doors, clássico do rock, clássico dos anos 60. Enfim, um álbum definitivo.
Ronaldo: Uma das estreias mais marcantes de toda a história do rock. O rock ficando cada vez mais ousado, ameaçador e misterioso. O som do órgão Vox, por influência de Ray Manzarek, seria a partir daí usado extensivamente no próximo par de anos, a delinquência e a afronta passariam a fazer parte cada vez mais do cardápio dos crooners e as escalas do blues continuariam sendo o passaporte para as viagens da psicodelia. Musicalmente há muitas inovações - harmônicas, rítmicas, em sonoridades e nas letras. Nem o próprio Doors conseguiria produzir algo tão importante depois dessa estreia.
Mairon: Aqui estão três grandes clássicos do rock, chamado "Break on Through (To The Other Side)", "Light My Fire" e "The End". Só por essas três faixas, o álbum já merece a recomendação. Mas há mais em The Doors. Canções como "I Looke at You", "Soul Kitchen" e "Twientieth Century Fox", marcaram o som dos teclados de Ray Manzarek como um dos mais relevantes para a comunidade flower-power, e as letras singelas, mas contagiantes, de Morrison. As baladas "End of the Night" e "The Crystal Ship" são feitas para arrancar lágrimas do busto roubado de Jim Morrison. "Alabama Song" e "Take it as it Comes" são para sair pulando pela casa, sem medo de bater em paredes ou derrubar as coisas. A versão de "Back Door Man" é pura chapação! Enfim, uma estreia fulminante, matadora, e que escrevi mais sobre essa obra-prima aqui. Belíssima recomendação!!!
Fernando: Aqui sim foi uma estreia de respeito. O Doors iniciou a carreira de forma arrasadora com clássicos atemporais como “Break On Through (To the Other Side)”, “Light My Fire” e “The End”. E não ficou só nisso, pois tem ainda músicas até esquecidas como a linda “Crystal Ship”. O nível ficou tão alto que fez a banda suar para manter o nível. E logo na capa o rosto em destaque de Jim Morrison mostrava quem era a figura central do grupo.
Alisson: A estreia do Doors sai do lugar comum em diversos sentidos. Ela vai na contramão ao entregador conteúdo completamente autoral, diferente dos vários covers de músicos blues que discos britânicos colocavam em seus discos. Segundo, que ele já deixa a marca registrada da banda de maneira definitiva, com seus longos ensaios improvisados, a sonoridade fortemente psicodelica e o lirismo acima da média de Jim Morrison. Até hoje não é meu favorito, mas sem esse, Strange Days (que ocupa esse posto) e os inúmeros seguidores do grupo, simplesmente não existiriam.
Nilo: Existe algo que ainda não tenha sido dito sobre este disco? Tenho preguiça da persona boêmio-messiânica do Morrison e, mesmo que os arranjos de Ray Manzarek amarrem os instrumentos (interessante notar que o teclado é tão etéreo quanto sustentação aqui) de forma eficiente, os timbres são magrinhos demais.Todavia, ninguém são vai negar que este é o início de uma das 3 bandas mais influentes do rock dos EUA. Outra delas também estreou em 1967, e até preferia que tivesse sido escolhida para tecer comentários mais elaborados aqui.
Adrian: Um digníssimo disco de estreia que bem parece uma coletânea de tão bom. Se “Break on Through” e “Light My Fire” que são as mais conhecidas pelo público já chamam a atenção, a excelente “Alabama Song”, a melancólica “Crystal Ship” e a épica “The End” também tem seu destaque, lançando ao mundo, o mito Jim Morrison.
Recomendado por Fernando Bueno
A primeira vez que ouvi o Styx foi um choque. O interesse pela banda foi pelo seu nome, já que a imagem de um rio do inferno é de algo tenebroso, misterioso, carrancudo e sisudo. Porém é exatamente o oposto da música do Styx e foi uma surpresa excelente. Conheci a banda pelo ótmo site Progarchives e também esperava algo mais sinfônico e o que ouvi foram excelentes músicas como muito apelo pop. A música da banda até chegou a ser um pouco mais pomposa ao longo do tempo, mas esse disco de estréia é um belo exemplo do que a banda fez, e muito bem, em sua carreira.
Ronaldo: Os primeiros minutos do disco de estreia do Styx podem passar a impressão de estarmos diante de um trabalho de hard rock tal como era a marca registrada do "early 70's" - guitarras fortes, riffs inteligentes e uma cozinha poderosa. Contudo, a faixa de abertura mostra-se como uma suíte com construção inusitada, cheia de recortes e com uma boa dose de pompa e circunstância. Seu final traz todos os temperos progressivos daquela mesma época e o protagonismo dos teclados. O restante do disco passa por toda a riqueza musical do período, mostrando uma banda repleta de talentos instrumentais e com um faro enorme por melodias assobiáveis.
Mairon: Banda fantástica, renegada por muitos por conta das baladas que marcaram sua carreira, vide "Babe", "Come Sail Away" e "Don't Let It End") ou de faixas mais pops, como "Blue Collar Man (Lonely Nights)" e "Too Much Time on My Hands". Aqui é o Styx raiz, hardão setentista de primeira, misturado com progressivo a partir de uma cozinha fabulosa montada pelos irmãos Chuck (baixo) e John Panozzo (bateria), e com as guitarras de John Curulewski e James Young fazendo estripulias mágicas junto aos teclados de Dennis DeYoung. Há um certo ar de Deep Purple e Uriah Heep nas canções, mas nada que não traga uma originalidade animadora para 1972. Pelo contrário, "Right Away" parece ter sido uma força influenciadora do Purple para algumas faixas de "Stormbringer", enquanto "Best Thing", e os seus acordes de violão misturados com órgão, guitarra e altas vocalizações, eram um prenúncio - ou um contraponto - ao gigantismo de Magician's Birthday. "After You Leave Me" poderia ser a balada do álbum, apesar de estar longe de ser algo se quer próximo disso - somente a melosa letra nos faz pensar assim - pois James Young e as vocalizações fazem brotar na cabeça aquela sensação de "coisa boa estar conhecendo algo novo". "What Has Come Between Us" nos surpreende pelas variações (um início pesado, uma balada ao violão, um refrão grudento cheio de vocalizações e belos solos de guitarra). Falando em peso, "Quick is the Beat of My Heart" despeja potência sonora pelas caixas de som, sendo impossível não fazer um air keyboard durante o solo de hammond por DeYoung. O grande destaque é a sensacional suíte "Movement for the Common Man", a qual ocupa quase todo o Lado A e é dividida em quatro partes, que já apresentam os vocais marcantes que consagrariam a banda anos depois, principalmente de DeYoung. Vocais estes que aliás, estão presentes em quase todo o álbum. Ótima indicação, e uma das minhas bandas favoritas.
Davi: Essa é uma banda que eu curto, mas nunca me aprofundei. Esse álbum mesmo, vergonhosamente, nunca havia escutado. A primeira faixa, “Movement For The Common Man” é espetacular. Gosto das mudanças de andamento, desde o início com uma sonoridade hard rock guiada pelas guitarras, passando por uma colagem de sons e chegando em uma passagem mais experimental na parte final. O solo de guitarra dessa canção é fantástico. “Right Away” também é muito boa, com uma pegada mais longe do progressivo e mais próxima do southern. Me remeteu um pouco às baladas do Lynyrd Skynyrd, mas é a única com essa atmosfera no álbum. A introdução de “What Has Come Between Us” me lembrou muito o Yes, a levada funky rock por trás de “Quick Is The Beat of My Heart” foi uma grata surpresa, assim como a versão de “After You Leave Me” do músico George Benson. Belo disco!
Nilo: Dentro do leque desta seleção, a maior qualidade da estreia do Styx é mostrar como uma banda pode evoluir. Embora não seja fã da mistura de AOR e progressivo que os consagrou nos discos seguintes, ao menos tal sonoridade exibe segurança; algo do tipo "É brega e pomposo? Sim, e azar o seu, vai ouvir na AM até enjoar!". Dá pra dar um desconto e dizer que neste álbum aqui, poucas canções têm a assinatura dos integrantes. Não chega a aliviar a má impressão que fica após aguentar a faixa de abertura, com 13 minutos e recheada de cacoetes do prog, e nem dos sons hard rock mais curtos que seguem - igualmente insípidos.
Alisson: Não sei quem eram os músicos envolvidos no Styx na época, mas começar com um primeiro disco onde a primeira música possui 13 minutos de duração é corajoso. Enquanto não sendo uma das referências do AOR, o Styx emulava os principais chavões do hard rock e do progressivo do período, já com um pé no pop, bem evidente no foco excessivo nas melodias. Tudo redondinho, inofensivo, e nada memorável.
Adrian: Rock’n’Roll com boas doses de Progressivo, de boa qualidade (logo de cara uma faixa de 13min em um disco de estréia!!). Nunca dei muita atenção ao Styx, mas fiquei curioso em saber mais da banda. O instrumental é ótimo, com boas melodias e o vocal também me agradou. Aprovado!

Creio que o maior mérito de grandes álbuns de estreia é conseguir traduzir o frescor da energia original do artista, independente de imaturidade artística ou condições técnicas desfavoráveis. Nesse sentido, não há melhor exemplo que INRI. A produção é precária. As letras são blasfêmias juvenis traduzidas em inglês raso. O instrumental é tão bruto que fica difícil classificar. E mesmo assim, não há como contrariar quão inovador e legítimo é o resultado final: quatro pé rapados de BH, logo após o fim da ditadura militar, criaram na raça uma música híbrida, que caiu como uma bomba na época. Um trabalho com muito mais atitude que a maioria dos discos nacionais elogiados daquela década, seu legado ainda ecoa forte Brasil afora. Ouso dizer que é o LP mais influente feito aqui nos anos 80, dada a repercussão internacional - até o Dead (Mayhem) tinha camiseta!
Ronaldo: Uma das coisas mais mal gravadas que já ouvi em toda a minha vida (e não foram poucas). Qualquer outro característica, positiva ou negativa, que o disco tenha fica nublada frente a uma gravação tão tacanha. Se isso foi de alguma forma proposital, meu desprezo por esse som aumenta em progressão geométrica.
Mairon: Um brasileiro que causou impacto no mundo inteiro é raro, ainda mais na cena metálica. I. N. R. I. é o bisavô de quase todo o black metal, com fortes influências de Celtic Frost e Slayer ("Nightmare" e "Ready to Fuck"), ou Possessed e Sodom ("Christ's Death", "Desecration of Virgin", "The Last Slaughter" e a faixa-título) mas com o diferencial de não ter tanta técnica quanto os citados, Wagner "Antichrist" é o cara que consegue se destacar musicalmente, com um bom gutural. Acho a bateria muito mal tocada, e infelizmente, a produção abafou demais baixo e guitarra (pelo menos no link que peguei). De qualquer forma, é notável o estilo dos guris, principalmente "Deathrash", "Satanic Lust" e "Satanas". Não é algo que hoje eu aprecie, mas teve sua importância em 1987.
Davi: Essa é uma banda que a galera morre de amores e nunca consegui compreender a razão. Esse disco é o exemplo clássico de tudo o que havia de amadorismo na primeira cena de heavy do Brasil. Sem dúvida, existiam as exceções, mas eles não faziam parte desse território. Disco extremamente mal gravado, bateria martelada e sem a menor criatividade, trabalho vocal ruim, as letras são risíveis. Desde o texto tentando soar malvado, mas aparentando ter sido escrito por uma criança de 3 anos, até pela nítida falta de domínio da língua inglesa. É um marco dentro da cena (não sei como, mas conseguiu o feito), mas é um trabalho que vale conferir apenas pelo seu contexto histórico mesmo porque o trabalho musical, olha...
Fernando: Vou começar uma briga com os fãs do Sárcofago. Gosto muito do Laws of Scourage, já até escrevi sobre ele aqui na Consultoria do rock, mas os outros discos, mais diretos e sem o esmero que esse disco que citei tem, acho puro barulho. Sei que muita gente vai citar a já falada influencia que a banda teria sobre as bandas realmente importantes lá nos países nórdicos. Será que a importância foi tão grande assim?
Alisson: Antes de criticar a falta de esmero técnico e as letras simplórias (para não dizer amadoras) do primeiro disco do Sarcófago, é bom que se coloque em perspectiva o mundo em que esse disco saiu. Basicamente quatro adolescentes revoltados recém saídos de um duro regime militar com muita vontade de se fazerem ser notados. Essa vontade é sentida durante o disco todo. O que falta em técnica, sobra em brutalidade e chucrice, já que o som é tão básico e simples que soa enérgico e, por vezes, até sombrio. Se na época o disco era blasfemo desde a capa, servindo de influência até para a galera da Noruega, hoje ele soa mais como um grito de rebeldia e a vontade de uns garotos de fazer a diferença através da música.
Adrian: Nunca fui tão fã do Sarcófago, mas tenho que reconhecer o clássico e a importância da banda e desse disco para o Metal Brasileiro (e mineiro). Bruto, direto e sem frescura.

Demilich - Nespithe (1993)
Recomendado por Alisson Caetano
Um registro singular dentro da historia do Death metal, Nesphite permanece influenciando gerações, mesmo que nada se assemelhe em qualquer nível com o que está registrado neste que acabou sendo a única mostra de genialidade do grupo. Usando tempos estranhíssimos e dissonâncias de guitarra sem preocupações, Nesphite cria uma musicalidade abstrata, intensa e imersiva em níveis nunca vistos antes no estilo. Os vocais (que o encarte faz questão de ressaltar que foram feitos na raça, sem uso de efeitos digitais) aumentam o grau de estranheza enquanto as letras saem do lugar comum do gore tradicional para proferir histórias bizarras e surreais. Obra ímpar na história do estilo, continua irretocável, mesmo com anos de seu lançamento e tantas tentativas (muitas frustradas) de inovações de outras bandas.
Ronaldo: Do ponto de vista instrumental, o disco dos finlandeses do Demilich traz elementos bem interessantes e originais, aplicando atonalismos nos riffs, usando e abusando de muitas variações rítmicas de andamento e compasso. Mantém-se as características tétricas do heavy metal extremo, mas com um senso de urgência e uma matriz mais expandidas de climas e tensões nas músicas. Como de praxe nesse tipo de som, o disco é pessimamente gravado e todos os instrumentos parecem distantes do ouvinte. Mas nada se compara ao espanto causado pelo vocal, que realmente é horroroso e nos dá a impressão de que não deve ser nem levado em consideração.
Mairon: O bom de participar do Recomenda é que sempre aparece um disco que você dúvida que realmente foi lançado. Essa é daquelas bandas cujo logo você não consegue identificar o nome, e que faz um Death Metal bastante competente instrumentalmente. Realmente, as guitarras e a bateria são empolgantes. O problema é o vocal, o qual parece um lagarto falando, e não um ser humano cantando (talvez um ser humano arrotando seja uma boa descrição). Desculpe ao consultor, mas o nível mental para entender essa obra não foi alcançado por mim ainda ...
Davi: Cara… De vez em quando vocês desencantam cada coisa que vou te contar. Não vou nem ficar citando música porque, para mim, todas as faixas possuem os mesmos defeitos. Mudança de andamento além da conta. Parece que os músicos estavam mais preocupados em demonstrar que sabiam tocar do que escrever algo realmente cativante. Ou então não conseguiram definir sobre o que trabalhar e o que não trabalhar na canção. Tenho que reconhecer que o guitarrista e o baterista, embora pentelhos, são bons músicos. A qualidade de gravação é meia bomba. O bumbo da bateria tem som de peido. E esse vocal chega a ser cômico. O cara quis soar como o demônio, mas parecia que estava arrotando uma lata de coca-cola. Muito fraco no gutural. Uma das piores coisas que já ouvi na vida.
Fernando: Nunca fui um fã de death metal. Só mais recentemente comecei a ouvir algumas bandas de black ou de thrash mais extremo que beiram o death. Mas alguma coisa nas bandas mais tradicionais dos estilos não me agrada. Outra coisa que costuma atrapalhar minha audição é quando associado aos termos e classificações de metal tem as palavras technical, math, crust entre outras. Parece que cria uma mensagem em meu cérebro dizendo de antemão que não vai me agradar. Porém o instrumental não se aproxima do nível que eu costumo não gostar e o que atrapalha aqui é mesmo a voz. O gutural do vocalista Antti Boman é tão propositalmente cavernoso que chega a ser até cômico. Imagino que deve ter feito bastante sucesso entre os fãs do estilo, mas me estranha em ser o único álbum da banda.
Nilo: O primeiro e último disco dos finlandeses é uma peça rara no death metal. Guitarras em afinação absurdamente baixa (em Lá, pra ser exato), vocais cavernosos profundos, riffs dissonantes, letras sobre experiências bizarras (incluindo relato sobre sentir vontade de vomitar e perceber que seu sistema digestivo, de repente, criou vida própria)... sábio o comentário que diz que "se você imaginar que são os integrantes da banda na capa, tudo fará mais sentido". Permanece entre os trabalhos mais originais e copiados do estilo. Obrigatório para entusiastas do metal extremo!
Adrian: Não conhecia a banda, mas por esse álbum, gostei do que ouvi, apesar do vocal não me agradar muito, os riffs insanos e impossíveis de guitarra e instrumental bem tocado, compensam a audição. (Se os nomes gigantes das músicas foram feitos para dar aquelea descontraída, foi uma boa sacada! Haha) Porrada na orêia!

Akashic - Timeless Realm (2000)
Recomendado por Adrian Dragassakis
De longe, o álbum mais recente de todos da lista (e até meio fora da curva), mas trata-se de um álbum de estreia de uma banda gaúcha que infelizmente não vingou. O som remete bastante ao Prog Metal do Symphony X, mas com grande personalidade. “Heaven’s Call” abre o disco já mostrando esse lado, enquanto “Dove” é uma das mais belas baladas que já ouvi. “Veiled Secrets” conclui o álbum, quase que como uma ponte para o álbum sucessor (A Brand New Day, que abre com a faixa “Revealed Secrets”). Ah, o guitarrista é o Marcos de Ros, hoje, youtuber e professor de guitarra.
Ronaldo: Eu cultivo uma teoria de que discos de estreia são interessantes, em sua maioria, por retratar toda a trajetória do músico antes dele ser de fato músico. É possível imaginar que para a maioria dos casos, as composições de um disco de estreia foram gestadas ao longo de toda a adolescência, durante muitos anos, até encontraram os elementos humanos e a estrutura necessária para sairem do campo das ideias e chegarem até um disco. Esse frescor se perde quase que imediatamente após o primeiro disco, no qual muitos outros fatores entram em jogo. Ao ver que essa banda brasileira foi fundada em 1988 e lançou a estreia apenas em 2000 essa imaginação fica ainda mais forte. O trabalho tem seus trunfos e um brilho especial no cenário do prog metal, apesar da produção modesta e do som abafado. Musicalmente, é um disco muito trabalhado e o instrumental virtuoso se acopla muito bem nas composições - existe uma coerência entre intenção e execução.
Mairon: Prog Metal não é o tipo de Heavy Metal que eu gosto, com excessos de virtuosismo e variações no estilo "orquestrais" dos sintetizadores. O vocalista lembrou muito Tony Martin, e me surpreendeu saber que a banda é daqui do Rio Grande do Sul, mais precisamente de Caxias. Apesar de não ser algo que eu aprecio, vejo qualidade musical dentro do estilo, principalmente no guitarrista Marcos de Ros. Se não fossem os teclados, seria bem melhor. De qualquer forma, um disco surpreendente!
Davi: O Akashic lançou esse debut no início dos anos 2000 e, na época, era considerado uma das grandes promessas da cena heavy brasileira. A jogada do Akashic era prog-metal, estilo que estava em destaque na época. A grande diferença entre os demais grupos brasileiros é que, enquanto seus colegas sonhavam em ser a versão brazuca do Dream Theater, eles queriam ser a versão brazuca do Symphony X. Marcos de Ros é considerado um dos destaques da cena brasileira atualmente e, aqui, já demonstrava um enorme domínio nas seis cordas. O trabalho vocal de Rafael Gubert não tinha a mesma força do vocal do Russell Allen, mas era satisfatório. Além de De Ros, o grande destaque do álbum fica por conta do tecladista Eder Bergozza e o ponto baixo fica pelo baterista Maurício Meinert (bem fraquinho). Era um grupo ok, mas faltava um pouco de personalidade e canções mais fortes. Faixas de destaque: “For Freedom”, “Salvation” e “Gates of Firmament”.
Fernando: Não conhecia a banda, nem de nome. As surpresas ficaram por conta do tempo que isso foi lançado, que era uma banda brasileira e com o Marcos De Ros na guitarra. Gostei muito do som, apesar de ter ouvido apenas uma vez, e achei bem na linha do que o Symphony X faz. Na época do lançamento eu era muito ligado ao metal progressivo e melódico e mesmo assim não fiquei sabendo dessa banda. Talvez tenha faltado um pouco mais de divulgação e acredito que esse motivo é que fez com que a banda tenha acabado 10 anos atrás. Muito potencial com pouca exposição.
Nilo: Me parece um trabalho que, acima de tudo, buscava cavar espaço na crescente cena prog nacional (uma demo homônima foi gravada no ano anterior). E não o faz com a intenção de reinventar a roda, o que pode não ser ruim. Pra quem é fã do estilo e/ou acha que o principal componente para boa música é a veia melódica, cá está um prato cheio. Caso contrário, fuja: tudo aqui é tão limpo (mesmo a distorção da guitarra é comportada) e correto (exceto as letras, em inglês bem básico - algo muito criticado no outro integrante br desta seção) que enjoa. Vocais melodramáticos estilo Symphony X e teclados muito plásticos à la Stratovarius na mix são os principais entraves. Inegável que são rapazes estudados e composições trabalhadas, mas não saberia apontar diferenciais perante outros grupos famosos e contemporâneos do estilo.
Alisson: Coincidentemente liberado no auge de interesse pelo metal progressivo nos anos 2000, Timeless Realm é só um monte de cacoete burocraticamente executado sem grande inspiração. Vale ressaltar que, se você é conivente com as letras desse disco, você não possui argumentos suficientes para criticar o INRI, do Sarcófago. Enquanto aquele ainda entrega algo blasfemo em tentativas inocentes, esse aqui só entrega algumas letras bobas de temática mais que rasa. Não sei como anda a situação da banda, mas espero que o guitarrista Marcos De Ros esteja se saindo melhor como youtuber do que como músico.