sábado, 28 de janeiro de 2023

“Random Access Memories” (Columbia, 2013), Daft Punk




O duo francês Daft Punk, formado por Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo, chegava ao final dos anos 2000 com o prestígio nas alturas. Considerada responsável pela renovação da música eletrônica, a dupla conquistou milhões de fãs ao redor do mundo através do seu som futurista retrô e do visual robótico que esconde os rostos dos dois integrantes.

Embora repetitivo e monótono, o álbum Human After All (2005), o terceiro da duplo, foi bem aceito por parte do público, chegando a figurar em 1° lugar na para de álbuns de música eletrônica da Billboard, nos Estados Unidos. A turnê internacional de Human After All foi tão bem sucedida que rendeu o primeiro álbum ao vivo do Daft Punk, Alive 2007, gravado ao vivo em Paris, e lançado no final de 2007. No ano seguinte, Alive 2007 conquistou o prêmio Grammy de “Melhor Álbum de Música Eletrônica/Dance Music”. Por causa do sucesso no cenário pop eletrônico que havia conquistado, o Daft Punk foi convidado em 2009 para compor a trilha sonora do filme Tron: Legacy, cujo álbum foi lançado no ano seguinte.

Apesar dos prêmios, disco ao vivo e trilha sonora de filme, quem imaginava que o Daft Punk havia chegado ao ápice da fama estava enganado. O duo pop eletrônico francês iria chegar à sua consagração com o seu quarto e aclamadíssimo álbum de estúdio, Random Access Memories, trabalho que ampliou a popularidade do Daft Punk, indo muito além do público de música eletrônica.

Random Access Memories começou a ser pensado já em 2008, logo após a turnê de Human After All, entre 2006 e 2007.  Para o novo álbum, a dupla procurou um direcionamento musical mais voltado ao passado, mais especificamente para as décadas de 1970 e 1980. Embora tivesse conquistado a fama através da sonoridade eletrônica, o Daft Punk parecia buscar uma musicalidade mais “orgânica” no seu novo álbum. Se nos álbuns anteriores a sonoridade eletrônica era a protagonista, no novo álbum, ela assumiria um papel complementar, e em alguns momentos, a depender da música, um mero papel de “figurante”, o que para alguns fãs mais antigos poderia soar uma “heresia”. O protagonismo ficaria para os instrumentos convencionais, como bateria, baixo, guitarra e piano, executados por gente de “carne e osso”.   

Thomas Bangalter (capacete prateado) e 
Guy-Manuel de Homem Cristo (capcete dourado):
os inigmáticos Daft Punk.

Em busca de um som mais “orgânico” para o novo disco, o Daft Punk convidou um time músicos ilustres e experientes da música pop, com serviços prestados para artistas e bandas consagradas, como o guitarrista Nile Rodgers (do Chic); os baixistas Nathan East (Michael Jackson, George Harrison e Ringo Starr) e James Genus (Chick Corea e Herbie Hancock); os bateristas Omar Hakim (Weather Report, Miles Davis e David Bowie) e John Robinson (Michael Jackson e Barbra Streisand); o tecladista Chris Caswell (Stevie Wonder e Jason Mraz); dentre outros músicos convidados.

Além de convidados veteranos, o Daft Punk convidou artistas de gerações mais recentes como Julian Casablancas, vocalista da banda The Strokes, o cantor Pharrell Williams, e Panda Bear, integrante da banda americana Animal Collective.

Random Access Memories levou cerca de quatro anos para ter as suas gravações concluídas. Todo o processo de gravação aconteceu ao vivo no estúdio, e foram usados equipamentos analógicos, provavelmente para dar ao disco uma sonoridade dos anos 1970 e 1980, mas ao mesmo tempo, com cuidado de não soar datado. As sessões de gravação do álbum ocorreram no Gang Recording Studio (Paris), Henson Recording Studios e Conway Recording Studios (Los Angeles), Capitol Studios (Hollywood) e Electric Lady Studios (Nova York).

Lançado em 17 de maio de 2013, Random Access Memories é também conhecido pelas inicias RAM. Foi o primeiro álbum lançado pelo Daft Punk através da gravadora Columbia, com qual havia assinado contrato ainda em 2013, depois de ter deixado a Virgin Records.

Random Access Memories é de longe, o menos eletrônico dos quatro álbuns de estúdio do Daft Punk. No álbum, o baixo, guitarra e bateria são os instrumentos de destaque, enquanto que os sintetizadores são meros instrumentos de apoio. Surpreende a presença de naipe de cordas em algumas faixas, algo impensável no início da carreira do Daft Punk.

O que se percebe em Random Access Memories é uma forte influência da música pop dos anos 1970 e 1980, sobretudo o funk, soul, disco music, e a música eletrônica de Giorgio Moroder, embora tais referência tenham influenciado a formação musical da dupla francesa. Contudo, essas referências elas se fazem mais intensas em Random Access Memories.

Convidados ilustres: Nile Rodgers, Julian Casablancas e Pharrell Williams
fizeram particpações epeciais no álbum Random Access Memories.


Apesar do álbum soar mais “orgânico”, os recursos eletrônicos se mostram presentes, como os inconfundíveis vocais robóticos do Daft Punk. Random Access Memories é um álbum pop muito bem produzido, recheado de faixas acessíveis, radiofônicas, algumas delas com refrãos “grudentos”, um recurso infalível para se conquistar as massas.

“Give Life Back to Music” abre Random Access Memories em grande estilo, com uma levada dançante bem ao estilo do disco-funk do passado, trazendo a marcante guitarra de Nile Rodgers, e os vocais robóticos do Daft Punk pedindo que se devolva a vida à música. Na sequência, a balada “The Game Of Love”, onde os vocais robotizados de Thomas Bangalter cantam versos em que até mesmo os robôs também podem sentir as dores do amor.  

“Giorgio by Moroder” é um tributo ao produtor e músico italiano que dá nome à música, e que é considerado o “pai do pop eletrônico”. Nesta faixa, foi inserida sobre uma base dançante eletrônica, um áudio de uma entrevista de Moroder, onde ele fala da sua vida, da sua carreira, da sua relação com os sintetizadores, e de como por meio desses instrumentos, ajudou a dar novos rumos à música pop. A partir da metade da faixa, a música ganha um novo direcionamento e uma força instrumental fantástica, com destaque para a performance do baterista Omar Hakim. 

Depois do final contagiante da faixa anterior, a calmaria se instala com o solo delicado de piano de Chilly Gonzales, abrindo a balada “Within”, que versa sobre alguém que está desesperadamente em busca de conhecer a si mesmo. “Instante Crush” conta com a participação especial de Julian Casablancas, cantando com os vocais cheios de efeitos de vocoder que simulam uma voz robótica, que casaram muito bem com a levada synthpop da canção. Julian ainda faz um solo de guitarra roqueira, dá um toque de crueza contrastando com a frieza dos sons de sintetizadores. A letra trata sobre um jovem apaixonado por uma amiga, que passou a rejeitá-lo depois que iniciou arranjou um namorado.

“Lose Yourself to Dance” traz a primeira participação de Pharrell Williams como convidado em Random Access Memories. A faixa é um misto de funk e disco music, e conta com Pharrell cantando em falsete, versos que incentivam o indivíduo a se libertar das tensões da vida, e perder-se numa pista de dança. Outro convidado ilustre em “Lose Yourself to Dance” é o guitarrista Nile Rodgers e o seu irresistível riff de guitarra que não deixa ninguém parado. A música ainda conta com uma participação discreta dos vocais robóticos do Daft Punk.

O músico e produtor Giorgio Moroder em seu estúdio nos anos 1970:
homenageado pelo Daft Punk na faixa "Giorgio by Moroder".

Um som de ventania, seguido por ruídos eletrônicos e vozes robóticas, abre a próxima faixa, “Touch”, música que traz o cantor Paul Williams no vocal principal, cantando de uma maneira cheia de sentimentalismo. Segundo o Daft Punk, “Touch” é a música mais complexa do álbum, devido às suas 250 camadas sonoras. “Touch” é uma faixa interessante por causa das variações rítmicas ao longo da sua duração, percorrendo pelo psicodelismo, jazz, balada e disco music. Um coro bastante emotivo, dá um toque de melancolia à música.

“Get Lucky” é a principal faixa do disco e, provavelmente, o maior sucesso da carreira do Daft Punk. Com Pharrel Williams nos vocais principais, Nathan East no baixo, Omar Hakim na bateria e Nile Rodgers na guitarra, “Get Lucky” tem um balanço dançante irresistível e um refrão grudento. O groove poderoso promovido pelo baixo e bateria, e a levada rítmica da guitarra, remetem aos áureos tempos da banda Chic, da qual Rodgers foi um dos membros fundadores.

“Beyond”abre com um som imponente de orquestra, que logo cede lugar a um som mais pop proporcionado por baixo, bateria, guitarra funky e os vocais robotizados do Daft Punk. Um dado curioso é que a levada rítmica de “Beyond” lembra “I Keep Forgethin’”, canção de Michael McDonald, sucesso de 1982. A letra de “Beyond” traz uma mensagem bonita e singela sobre sonho e amor.

A faixa instrumental “Motherboard”, alia experimentalismo e apelo pop comercial. Sintetizadores, naipe de cordas e bateria jazzística convivem de maneira harmônica. Para o Daft Punk, “Motherboard” é uma “composição futurista que poderia ser do ano 4000”. “Fragments of Time” traz como convidado o cantor Todd Edwards e o seu vocal agradável de se ouvir. Com uma sonoridade que faz lembrar o soft rock sofisticado do Steely Dan, “Fragments of Time” merecia ter sido hit radiofônico.

“Doin It Right” é uma balada com uma batida lenta e a única faixa do álbum essencialmente eletrônica. Para cantar nesta música, o Daft Punk convidou Panda Bear, membro da banda americana Animal Collective. Panda canta de maneira bem melódica e faz harmonizações vocais bem agradáveis. O Daft Punk participa da música tocando sintetizadores e cantando com os seus vocais robóticos, fazendo um contraponto com os vocais suaves de Panda Bear.

Fechando Random Access Memories de maneira brilhante, a faixa “Contact”. Ela começa com sintetizadores fazendo pano de fundo para o áudio de Eugene Cernan (1934-2017), comandante da Apollo 17, a sexta e última missão tripulada do Projeto Apollo, da NASA, enviada à Lua em dezembro de 1972. A música é uma perfeita comunhão entre os sintetizadores executados pelo Daft Punk e o DJ Falcon (mais um dos convidados do disco), com os instrumentos convencionais baixo, bateria e guitarra. O destaque fica para a performance do baterista Omar Hakim, que faz viradas de bateria sensacionais e de tirar o fôlego do ouvinte. A faixa vai chegando ao final com um ruído agudo e estridente, como se fosse o de um foguete subindo aos céus rumo ao espaço sideral.

Faixa de maior sucesso de Random Access Memories, "Get Lucky" remete ao balanço
e à sonoridade da banda Chic (foto), ícone da disco music dos anos 1970.

Apesar das acusações de que o Daft Punk havia se distanciado da sua vocação musical eletrônica, Random Access Memories fez um sucesso comercial avassalador e consolidou de vez o duo francês. Isso se deve muito ao single de “Get Lucky”, que liderou as paradas de sucesso em vários países como Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, França, Brasil, Itália e Japão. Random Access Memories ainda gerou mais quatro singles: “Lose Yourself to Dance” (segunda faixa mais famosa do álbum), “Doin' It Right”, “Instant Crush” e “Give Life Back to Music”.

Nos Estados Unidos, Random Access Memories vendeu mais de 1 milhão de cópias, enquanto que na França, país natal do Daft Funk, o álbum chegou à marca de 769 mil cópias vendidas. No Reino Unido, Random Access Memories vendeu 300 mil cópias.

Além do ótimo desempenho comercial, Random Access Memories proporcionou prêmios ao Daft Punk. Na edição do Grammy de 2014, o álbum venceu nas categorias “Melhor Álbum de Música Eletrônica / Dance Music”, “Melhor Engenharia de Som de Álbum Não-Clássico” e “Álbum do Ano”. O single “Get Lucky” levou dois prêmios Grammy nas categorias “Single do Ano” e “Melhor Performance Pop duo/Grupo”.

Em 2020, Random Access Memories entrou na lista dos 500 Maiores Álbuns de Todos os Tempos da revista Rolling Stone, figurando em 295° lugar.

Passados oito anos do lançamento de Random Access Memories, esperava-se um novo álbum, e de preferência, arrebatador. Contudo, o público foi surpreendido em fevereiro de 2021 com a notícia de que a dupla Daft Punk estava se separando, após 28 anos de carreira. O anúncio foi feito através de um vídeo chamado “Epílogue”, veiculado no canal do Daft Punk no YouTube, pegando todos os fãs de surpresa.

Faixas

Todas as faixas produzidas por Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo.

  1. "Give Life Back to Music" (Thomas BangalterGuy-Manuel de Homem-ChristoPaul Jackson, Jr.Nile Rodgers)
  2. "The Game of Love" (Bangalter - de Homem-Christo)
  3. "Giorgio by Moroder" (Bangalter - de Homem-Christo - Giovanni "Giorgio" Moroder)
  4. "Within" (Bangalter - Jason "Chilly Gonzales" Beck - de Homem-Christo)
  5. "Instant Crush" (Bangalter - Julian Casablancas - de Homem-Christo)
  6. "Lose Yourself to Dance" (Bangalter - de Homem-Christo – Rodgers - Pharrell Williams)
  7. "Touch" (Bangalter - Christopher Paul Caswell - de Homem-Christo - Paul Williams Jr.)
  8. "Get Lucky" (Bangalter - de Homem-Christo – Rodgers - Pharrell Williams)
  9. "Beyond" (Bangalter – Caswell - de Homem-Christo - Paul Williams Jr.)
  10. "Motherboard" (Bangalter - de Homem-Christo)
  11. "Fragments of Time" (Bangalter - de Homem-Christo - Todd Imperatrice)
  12. "Doin' It Right" (Bangalter - de Homem-Christo- Noah Lennox)
  13. "Contact" (Bangalter - de Homem-Christo - Stéphane Quême - Garth Porter - Tony Mitchell - Daryl Braithwaite)

 

Daft Punk: vocais, sintetizador, teclados, guitarra e produção.

 

Artistas convidados:

Panda Bear - vocais (faixa 12)

Julian Casablancas - vocal, guitarra e co-produção (faixa 5)

Todd Edwards - vocais e co-produção (faixa 11)

DJ Falcon - sintetizador modular e co-produção (faixa 13)

Chilly Gonzales - teclados (faixa 1), piano (faixa 4)

Giorgio Moroder - voz (faixa 3)

Nile Rodgers - guitarra (faixas 1, 6, 8)

Paul Williams - vocais e letras (faixa 7), letras (faixa 9)

Pharrell Williams - vocais (faixas 6, 8)

Paul Jackson, Jr. - guitarra (faixas 1–3, 7–11, 14)

Nathan East - baixo (faixas 1–6, 8, 11, 14)

James Genus - baixo (faixas 3, 7, 9-11, 13)

John "JR" Robinson - bateria (faixas 1,2, 4–6, 14)

Omar Hakim - bateria (faixas 3, 7–9, 11, 13), percussão (faixa 10)


"Give Life Back to Music"

"The Game of Love"

"Giorgio by Moroder"

"Within"

"Instant Crush" (videoclipe oficial)

"Lose Yourself to Dance" 

(videoclipe oficial)

"Touch"

"Get Lucky" (videoclipe oficial)

"Beyond"

"Motherboard"

"Fragments of Time"

"Doin' It Right"

"Contact"


CRONICA - BLONDIE | Eat To The Beat (1979)

Blondie finalmente conseguiu se estabelecer nos Estados Unidos com Parallel Lines . A partir de agora fazem parte dos grupos que contam e Debbie Harry torna-se um verdadeiro ícone Pop. Inevitavelmente, a pressão é grande quando chega a hora de começar a trabalhar e ouvir Eat To The Beat , você não pode dizer para si mesmo que provavelmente teria sido melhor se os americanos demorassem um pouco mais.

Isso é perceptível pela capa, bem menos caprichada que a anterior, isso se confirma ao descobrir a música. Se a bateria enérgica de Clem Burke nos coloca imediatamente no banho com "Dreaming", devemos reconhecer que o refrão é um pouco suave e plano no nível melódico, impedindo que o título decole tanto quanto poderia. E não devemos nos surpreender se, enquanto a Inglaterra fez disso um sucesso, os Estados Unidos sucumbiram relativamente pouco. Seremos mais convencidos por "The Hardest Part" onde o grupo é mais poderoso (uma música mais agressiva) e mais cativante, entre New Wave e Rock. Notaremos uma introdução que não é impossível que ela tenha dado ideias a David Bowie para o seu “Fashion” lançado no ano seguinte. mais melancólico, "Union City Blue" é mais do lado Power Pop com o baixo bem presente de Nigel Harrison que compôs a música. Teríamos visto a balada retrô "Shayla" fazer parte da trilha sonora deTwin Peaks , a voz cativante de Debbie Harry teria encontrado seu lugar ali. Se o grupo tenta Punk em "Eat To The Beat", o resultado é moderadamente convincente. Burke está impecável, como sempre, e Debbie Harry consegue ser mais agressiva, mas falta força nas guitarras.

Depois de uma correta, mas memorável, “Accidents Never Happen” (uma música que é muito introvertida em comparação com a música bastante cativante), Blondie tenta sua mão no Reggae sem muito sucesso. De fato, a mistura entre a música jamaicana e a New Wave torna "Die Young Stay Pretty" mais indigesta e confusa do que excitante. O Pop "Slow Motion" com seu sabor de Soul retrô não se mostra muito marcante ao longo do tempo, mas é bem diferente de "Atomic". Pegando o ritmo Disco e os teclados que fizeram de “Heart Of Glass” um sucesso, Blondie adiciona um truque de guitarra ocidental bastante cativante. Para evitar ainda mais comparações com "Heart Of Glass", Debbie canta em seu registro natural. A única pequena falha é talvez um refrão quase inexistente, o que sem dúvida levará à sua falta de sucesso na América. Será, no entanto, um sucesso em todos os outros lugares, especialmente na Inglaterra, mais uma vez, sua pátria adotiva. Certamente, este título é de longe o melhor do álbum. Porque, em todo caso, não é a canção de ninar "Sound-A-Sleep" que vai prender nossa atenção, muito infantil e sobretudo muito longa, e menos ainda o rascunho "Victor" que vai em todas as direções sem trazer nada de "interessante" . A seguir, "Living The Real World", que regressa a um rock enérgico com tendência punk, é mais satisfatória, ainda que na verdade seja bastante imemorável. Porque, em todo caso, não é a canção de ninar "Sound-A-Sleep" que vai prender nossa atenção, muito infantil e sobretudo muito longa, e menos ainda o rascunho "Victor" que vai em todas as direções sem trazer nada de "interessante" . A seguir, "Living The Real World", que regressa a um rock enérgico com tendência punk, é mais satisfatória, ainda que na verdade seja bastante imemorável. Porque, em todo caso, não é a canção de ninar "Sound-A-Sleep" que vai prender nossa atenção, muito infantil e sobretudo muito longa, e menos ainda o rascunho "Victor" que vai em todas as direções sem trazer nada de "interessante" . A seguir, "Living The Real World", que regressa a um rock enérgico com tendência punk, é mais satisfatória, ainda que na verdade seja bastante imemorável.

Em suma, Eat To The Beat confirmou o lado desigual de Blondie, já visível em Parallel Lines mas aqui ainda amplificado. Provavelmente porque os singles do grupo eram menos sólidos, tornando os títulos médios ainda mais visíveis. Porque apesar de um "Atomic" muito bem-sucedido e de um "The Hardest Part" nada desagradável (enquanto "Dreaming" é bastante decepcionante), não chegamos ao nível de "Hanging On The Telephone", "Heart Of Glass" e "One Way Ou outro". Sem surpresa, o álbum caiu drasticamente nos Estados Unidos, apesar das boas críticas, com a Inglaterra continuando a babar pela banda. Felizmente, sua participação na trilha sonora de American Gigolo iria dar-lhes um impulso.

Títulos:
1. Dreaming
2. The Hardest Part
3. Union City Blue
4. Shayla
5. Eat To The Beat
6. Accidents Never Happen
7. Die Young Stay Pretty
8. Slow Motion
9. Atomic
10. Sound-A-Sleep
11. Victor
12. Living In The Real World

Músicos:
Debbie Harry: Vocais
Chris Stein: Guitarra
Frank Infante: Guitarra
Jimmy Destri: Teclados
Nigel Harrison: Baixo
Clem Burke: Bateria

Produtor: Mike Chapman

CRONICA - FRANKIE MILLER | Double Trouble (1978)

 

Frankie Miller é escocês, mas sua música dificilmente reflete isso. Ele tirou suas influências do continente americano, admirando artistas como Otis Redding, Sam Cooke e James Brown desde muito cedo. Pode-se dizer que desde seu início em 1972, rhythm & blues, soul e às vezes country correram nas veias desse músico bastante completo: cantor, guitarrista, compositor e até gaitista às vezes. Miller escreveu muito, e suas canções foram intensamente tocadas por grupos e artistas de reputação bem estabelecida: Bob Seger, Kim Carnes, UFO, Eric Martin, etc... tem uma pequena reputação e alguns feitos notáveis ​​de armas, como sua interpretação de "Still In Love With You" em dueto com Phil Lynott,A vida noturna de Thin Lizzy em 1974.

Sem ser um fracasso, seus primeiros discos não foram grandes sucessos, e seus compatriotas só começaram a homenageá-lo realmente a partir da quarta parte lançada em 1977, principalmente graças ao single "Be Good To Yourself" que, ironicamente, foi um cover de Andy Fraser, o famoso membro fundador do Free, com quem Miller formou um grupo sem futuro. Dupla ironia, e até altura para um compositor bastante popular por suas faculdades de escrever boas canções: seu maior sucesso mundial como intérprete será obtido no ano seguinte com outra capa (um título country intitulado "Darlin'") .

Double Trouble é assim o quinto disco deste escocês que, encorajado pela estreia do seu último single em Inglaterra, tinha agora a ambição de conquistar a América. Ao gravar em Nova York, o cantor renovou para a ocasião sua equipe. O famoso produtor Jack Douglas (Aerosmith) assumiu o comando, com a missão de endurecer um pouco o tom, trazendo na bagagem um certo Steven Tyler que fornece backing vocals bem identificáveis, e a gaita em quatro faixas. Também encontramos entre seus colaboradores o inglês Paul Carrack, ex-Ace e futuro Mike + The Mechanics, que detém o teclado e é creditado com Miller na maioria das canções originais do álbum.

Podemos, portanto, adivinhar que, como o álbum anterior, Double Troubleainda contém um certo número de capas: quatro para ser preciso. Embora com um tom mais rock que o anterior, o estilo mantém-se bastante fortemente impregnado de rhythm & blues para os títulos mais rítmicos, a única balada do álbum (Good Time Love) a assumir um tom soul que não deixa de ser apropriado. para a voz calorosa de Miller. Se Frankie Miller costuma ser associado ao rótulo de “pub de rock”, o ronco “Double Heart Trouble” seria particularmente bem escolhido. Este cover da Andy Fraser Band — cuja versão original de 1975 não tinha esse poder ou fôlego — exala o cheiro acre de fumaça de cigarro e o cheiro de cerveja ou bourbon, fica a critério do cliente. Outro bom momento deste disco, "Love Waves", co-assinado por Miller e Carrack,

E o resto, você vai perguntar? Nada chato, com certeza, e ainda mais entusiasmo de sobra. Este disco certamente não é obrigatório, mas qualquer amante da música que deseje encontrar calor humano e um belo raio de sol numa paisagem musical cada vez mais triste e até gelada certamente encontrará o seu recado.

Títulos:
01. Have You Seen Me Lately Joan
02. Double Heart Trouble [reprise ANDY FRASER BAND]
03. The Train
04. You’ll Be In My Mind
05. Good Time Love
06. Love Waves
07. (I Can’t) Break Away
08. Stubborn Kind Of Fellow [reprise MARVIN GAYE]
09. Love Is All Around [reprise ANDY FRASER BAND]
10. Goodnight Sweetheart [THE NEW MAYFAIR DANCE ORCHESTRA]

Músicos:
Frankie Miller: vocal, guitarra
____
Ray Russell: guitarra
Ian Gomm: guitarra
Chrissy Stewart: baixo
Paul Carrack: teclados, backing vocals
B.J. Wilson: bateria
Martin Drover: trompete, flugelhorn
Chris Mercer: saxofone
Richard Supa: backing vocals
Eric Troyer: backing vocals
Steven Tyler: backing vocals, gaita
Karen Lawrence: backing vocals
Lonnie Groves: backing vocals

Marcador: Crisálida

Produtor: Jack Douglas


LENDÁRIOS MUDHONEY DE VOLTA AOS DISCOS COM “PLASTIC ETERNITY”

 

“LATE NIGHT”… NOVO SINGLE DE Y.AZZ EM COLABORAÇÃO COM YANAGUI

 

Sven Wunder – Natura Morta (2021)

 


Ao terceiro, o misterioso sueco traz-nos uma delícia retro que nos remete para as bandas sonoras italianas dos anos 70

Sven Wunder parece ter vindo do nada. O músico sueco sobre quem pouco ou nada de sabe lançou nos últimos anos dois discos magníficos, Eastern Flowers e Wabi Sabi (do qual falámos no episódio 5 do Podcast Altamont). Se o primeiro namorava com o rock psicadélico turco, o segundo fundia o rock com texturas asiáticas, soando a trabalhos que teriam ficado esquecidos numa editora há muito falida e que conheceriam agora a merecida reedição. Tudo certo excepto ser música nova e conseguir soar fresco, e não um pastiche caricatural de sons passados no tempo dos nossos pais.

Para terceiro disco, Wunder ofereceu-nos agora este Natura Morta, que representará um regresso à Europa. Neste caso, os temas e a produção remetem-nos para as bandas sonoras de filmes italianos dos anos 60 e 70 (ainda que com resquícios das escalas mais exóticas onde o músico andou nos últimos anos). Da mesma forma, sente-se menos influência da estrutura rock.

Há mais sopros e cordas luxuriantes, paisagens sonoras contemplativas, numa muito bem conseguida fusão entre música de câmara e o formato canção instrumental, com pitadas jazz aqui e ali. Dos discos anteriores mantém-se uma secção rítmica incrível, com destaque para o baixo forte e descarado que nos lembra Gainsbourg e Jean-Claude Vannier.

Ouça-se “Barocco, ma non troppo”, que consegue começar na música clássica, avança decidida adentro do território funk e brinca com o jazz pelo meio. Melhor que tudo: funciona!

Tudo feito com extrema elegância e um amor ao detalhe que nos prende e nos faz ter vontade de continuar a viver neste filme. Por entre espiões bem vestidos, na estrada para Capri, com tempo para um cocktail com uma mulher bonita e uma perseguição automóvel antes de uma noite no casino.

Destaque

CAPAS DE DISCOS - 1970 Yesterday's Children - Yesterday's Children

  L.P U.S.A - Map City Records - MAP-3012. Contracapa Etiquetas lados 1 y 2.