sábado, 28 de janeiro de 2023

SAIBA TUDO SOBRE Plutónio

Plutónio

João Ricardo Azevedo Colaço, conhecido principalmente por seu nome artístico Plutónio (Lisboa28 de Junho de 1985), é um rapper português, com ascendência moçambicana e cantor de hip hop tuga

Discografia

Álbuns

TítuloDetalhes
Histórias da Minha Life
  • Lançado: 1 de outubro de 2013 (POR)
  • Gravadora: Soldier Music
Preto & Vermelho
  • Lançado: 3 de junho de 2016 (POR)
  • Gravadora: Bridgetown Records
Sacrifício: Sangue, Lágrimas & Suor
  • Lançado: 22 de novembro de 2019 (POR)
  • Gravadora: Bridgetown Records

 

Parecido com






Fotos







Faixas principais

10 discos essenciais - Caetano Veloso

 


Com uma carreira tão longeva e uma obra tão vasta e sólida, Caetano Veloso é um dos mais importantes e influentes artistas da história da música popular brasileira. Desde que começou a sua carreira nos anos 1960, Caetano sempre se mostrou sintonizado com o novo, com as mudanças e revoluções nas artes, mas sem abrir mão das tradições culturais que serviram de alicerce para a sua formação como artista.

Caetano Emanuel Vianna Telles Velloso nasceu em 7 de agosto de 1942, em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, quinto filho de sete filhos do casal José Telles Velloso (1901-1983), funcionário público do Departamento de Correios e Telégrafos, e de Claudionor Vianna Telles Velloso (1907-2012), dona de casa, mais conhecida como Dona Canô. Aos cinco anos de idade, Caetano já revelava seu gosto pelas artes, interessando-se por pintura, desenho e música. Gostava de ouvir rádio, especialmente as músicas de Luiz Gonzaga (1912-1989).

Em 1959, já adolescente, Caetano descobre a bossa-nova depois que ouve pela primeira vez a música de João Gilberto (1931-2019), através de um amigo que tinha o disco Chega de Saudade. Caetano muda-se com sua família para Salvador, em 1960, onde irá concluir o ensino colegial (atual ensino médio). Entre 1960 e 1962, Caetano escreveu críticas de cinema para o jornal Diário de Notícias, de Salvador. Nesse mesmo período, aprende a tocar violão e se apresenta em bares da capital baiana com sua irmã, Maria Bethânia. Em 1963, ingressou na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia. Naquele mesmo ano, conheceu Gilberto Gil, Gal Costa e Tom Zé.

Ainda em 1963, a pedido do diretor teatral baiano Álvaro Guimarães (1943-2008), Caetano compõe a trilha sonora para a montagem baiana da peça “O Boca de Ouro”, de Nélson Rodrigues (1912-1980). Juntamente com Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia e Tom Zé, Caetano participa do espetáculo teatral Nós, Por Exemplo, que estreou na inauguração do Teatro Vila Velha, em Salvador, em junho de 1964.

No ano seguinte, em 1965, Caetano abandona a faculdade em Salvador e parte para o Rio de Janeiro para acompanhar a irmã Maria Bethânia, chamada para substituir Nara Leão (1942-1989) no show Opinião. Em meados daquele ano, Caetano gravou o seu primeiro compacto (single) com as canções “Cavaleiro” e “Samba em Paz”, pela RCA Victor. Gal, Tom Zé e Gil, que também haviam deixado Salvador, se juntam a Caetano e encenam em São Paulo o espetáculo Arena Canta Bahia, no TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), sob direção de Augusto Boal (1932-2009).

Em 1967, assina contrato com a gravadora Philips, e lança com Gal Costa, o disco Domingo, um trabalho totalmente influenciado pela bossa-nova. Apresenta-se no 3° Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, com a canção “Alegria, Alegria”, que se classificou em quarto lugar.

Caetano começa o agitado ano de 1968 lançando o seu primeiro e autointitulado álbum solo, o da capa psicodélica. O movimento tropicalista ganha força e revoluciona a música brasileira. Caetano se torna uma das grandes lideranças desse movimento de vanguarda ao lado de Gilberto Gil. O disco-manifesto Tropicália Ou Panis Et Circensis, que reúne Caetano, Gil, Gal Costa, Tom Zé, Mutantes, Rogério Duprat e Nara Leão, é lançado e consolida o movimento tropicalista.

No final do ano, Caetano Veloso e Gilberto Gil são presos no Rio de Janeiro, acusados de desrespeito ao hino e à bandeira nacional. São transferidos no começo de 1969 para Salvador, onde permanecem sob regime de confinamento. Em julho daquele ano, Caetano e Gil, juntamente com suas respectivas esposas, deixam o Brasil e partem para o exílio em Londres, na Inglaterra. No mês seguinte, já com Caetano exilado em Londres, foi lançado aqui no Brasil o segundo disco solo do cantor, o autointitulado álbum da capa branca, cujos vocais foram gravados durante o regime de confinamento em Salvador, e a base instrumental complementada em São Paulo.

Durante o período no exílio, Caetano escreveu artigos para o jornal O Pasquim, compôs novas canções que foram gravadas por outros artistas que estavam no Brasil como Gal Costa (“London, London”), Maria Bethânia (“A Tua Presença”), Elis Regina (“Não Tenha Medo”), Erasmo Carlos (“De Noite Na Cama”) e Roberto Carlos (Como Dois E Dois”). Em 1970, Caetano lança na Inglaterra o álbum que leva seu nome através da gravadora Famous.

Após três anos de exílio em Londres, Caetano retorna para Brasil no começo de 1972. Naquele momento, foi lançado Transa, álbum gravado por Caetano em Londres. Durante os três seguintes, Caetano seguiu excursionando e trabalhando como produtor, até que em 1975, lançou ao mesmo tempo dois álbuns, Jóia e Qualquer Coisa. Em 1976, Caetano juntou-se a Gal, Gil e Maria Bethânia e formaram o grupo Doces Bárbaros, que promoveu uma turnê por dez capitais brasileiras e lançou o álbum duplo Doces Bárbaros - Ao Vivo. O álbum Muito (Dentro da Estrela Azulada), de 1977, é o primeiro trabalho que Caetano gravou com A Outra Banda da Terra, banda de apoio que acompanhou o cantor até 1983.

Em 1981, o álbum Outras Palavras vendeu 100 mil cópias e garantiu a Caetano Veloso disco de ouro, o primeiro do artista após quase vinte anos de carreira. O segundo disco de ouro veio no ano seguinte com o álbum Cores, Nomes. Com o álbum Uns, de 1983, Caetano encerrou a parceria com A Outra Banda da Terra, enquanto que com Velô, de 1984, o cantor baiano passou a ser acompanhado pela Banda Nova. Ao longo da década de 1980, Caetano prosseguiu lançando discos, fazendo turnês e conquistando prêmios. Com Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso apresentou, em 1986, o programa de televisão Chico e Caetano, na TV Globo, onde os dois cantavam suas canções e recebiam artistas convidados.

Caetano e Gilberto Gil lançaram em agosto de 1993 o álbum Tropicália 2, em comemoração aos 25 anos do disco-manifesto Tropicália Ou Panis Et Circensis, e aos 50 anos de idade de Caetano e Gil (completados em 1992), e aos 30 anos de amizade entre os dois. Em 1997, Caetano lançou o livro de memórias Verdade Tropical. No ano seguinte, em 1998, a versão de Caetano para “Sozinho”, antigo sucesso do cantor Peninha, foi uma das canções mais tocadas do ano no Brasil, levando o álbum Prenda Minha (1998), do qual a versão do cantor baiano faz parte, a vender mais de 1 milhão de cópias. O álbum Livro (1998) conquistou em 2000 o prêmio Grammy de “Melhor Álbum de World Music”. Caetano fez em 2001 uma participação especial no filme Fale Com Ela, de Pedro Almodóvar, cantando a canção “Cucurrucucú Paloma”. Em 2003, se apresentou na cerimônia do Oscar cantando com a cantora e atriz mexicana Lila Dows a canção “Burn It Blue”, da trilha sonora do filme Frida, de 2002. Ainda em 2003, Caetano ganha o Grammy Latino na categoria de “Melhor Álbum de MPB”, pelo álbum Eu Não Peço Desculpas, gravado em parceria com Jorge Mautner.

Com álbum , de 2006, Caetano surpreende o público e a crítica ao lançar um álbum de rock, gravado com a Banda Cê, formada por músicos jovens, e abre uma trilogia de álbuns que se completa com os discos Zii E Zie(2009) e Abraçaço (2012). Em 2016, Caetano participa da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, cantando “Isso Aqui, O Que É”, com Gilberto Gil e Anitta. Dois anos depois, em 2018, lança o álbum Ofertório/Ao Vivo, ao lado dos filhos Moreno Veloso (filho do primeiro casamento de Caetano com Dedé Veloso), Zeca Veloso e Tom Veloso (filhos do segundo casamento de Caetano com Paula Lavigne). O cantor lançou em 2021, Meu Coco, o primeiro álbum de inéditas de Caetano após nove anos.

Abaixo, confira dez discos essenciais para se entender a obra de Caetano Veloso.

Caetano Veloso (Philips, 1968). Após o calmo e bossa-novístico Domingo, de 1967, gravado em dueto com Gal Costa, Caetano Veloso lançava o seu primeiro e autointitulado álbum solo. Com capa psicodélica ilustrada pelo artista gráfico baiano, Rogério Duarte (1939-2016), o álbum traz canções que se tornaram legendárias: “Tropicália” e o seu “mosaico” de referências de ícones da cultura brasileira (Carmem Miranda, Jovem Guarda, “Garota de Ipanema”, “Iracema”), “Soy Loco Por Ti America” (uma ode a Che Guevara) e a canção que revelou Caetano Veloso, “Alegra, Alegria”, uma mistura da tradição da marcha rancho com a vanguarda do rock psicodélico. Os versos carregam símbolos da cultura de massa como Coca-Cola, Brigitte Bardot, televisão, revistas e o telefone.


Caetano Veloso (Philips, 1969). Também conhecido como “álbum branco”, o segundo álbum de Caetano Veloso foi gravado quando ele estava em prisão domiciliar em Salvador com Gilberto Gil pelo regime ditatorial militar. Todas as faixas foram gravadas com Caetano acompanhado por Gil ao violão. As fitas foram enviadas para São Paulo, onde os outros instrumentos foram inseridos nas gravações. Quando o álbum foi lançado, Caetano já estava exilado em Londres. Assim como o álbum anterior, o “álbum branco” de Caetano é marcado pelo ecletismo: vai do frevo elétrico de “Atrás Do Trio Elétrico” ao experimentalismo anticomercial de “Acrílico”, do folclore baiano de “Marinheiro Só” ao pop lisérgico tropicalista de “Não Identificado”, e da melancolia de “Irene” à latinidade de “Cambalache”. 


Transa (Philips, 1972). Gravado em Londres, ainda no período de exílio de Caetano Veloso na Inglaterra, Transa foi lançado quando o cantor estava retornando em definitivo ao Brasil após três anos morando como exilado na capital inglesa por causa da ditadura militar. Transa expôs a saudade, a nostalgia de Caetano em relação ao seu país enquanto estava no exílio, mas sem o tom melancólico do álbum anterior. O álbum foi gravado ao vivo dentro do estúdio e traz canções que transitam entre o samba, a bossa-nova, baião, rock'n'roll e cancioneiro nordestino, em arranjos minimalistas e experimentais. Transa traz canções marcantes como "You Don't Know Me" (dueto com Gal Costa), "Nine Out Of Ten" (primeira música brasileira a incorporar elementos do reggae), "Triste Bahia" (com versos de Gregório de Mattos) e "Mora Na Filosofia".


Qualquer Coisa (Philips, 1975). Após o álbum Transa, Caetano ficou três anos sem lançar álbuns com canções inéditas. Mas esse intervalo de tempo foi suficiente para o cantor acumular um farto material inédito. Caetano pensou em lançar um álbum duplo, mas acabou optando pelo lançamento simultâneo de dois álbuns simples, Jóia e Qualquer Coisa, em 1975. Dos dois álbuns, Qualquer Coisa teve mais popularidade. Com uma capa que emula a capa do álbum Let It Be, dos Beatles, Qualquer Coisa traz um repertório composto por releituras de canções famosas de outros artistas como Beatles (“Eleanor Rigby”, “For No One”, “Lady Madonna”), Jorge Ben (“Jorge da Capadócia”) e Chico Buarque (“Samba e Amor”). Das canções de Caetano, a faixa-título é a mais conhecida.


Bicho (Philips, 1977). Quando foi ao Festival Mundial de Arte e Cultura Negra, em Lagos, na Nigéria, com Gilberto Gil, em 1977, Caetano Veloso teve contato com o que havia de mais contemporâneo na música pop africana. Embora o contato não tenha sido tão impactante como fora com Gil ( que resultou no ótimo disco Refavela), Caetano absorveu alguma referência do que viu lá e empregou no álbum Bicho. O álbum contém canções que se tornaram célebres na carreira do cantor como a longa “Odara”, “Gente”, “O Índio”, “Tigresa” e “O Leãozinho” (dedicada a Dadi Carvalho, baixista da banda A Cor do Som). Apesar das canções hoje famosas, o disco foi criticado pela imprensa musical, principalmente as faixas “Odara” e “O Leãozinho”. Era a consequência dos embates que Caetano e imprensa vinham travando desde 1976.


Muito (Dentro da Estrela Azulada) (Philips, 1978). Os confrontos e troca de farpas entre Caetano e imprensa prosseguiram durante o ano de 1978, quando o cantor baiano lançou Muito (Dentro da Estrela Azulada). A crítica musical foi implacável, execrou o disco. Não poupou nem mesmo a capa do disco, em que aparece Caetano acompanhado de sua mãe. Caetano por sua vez, respondia às críticas da imprensa nos shows, transformando os palcos em tribunais. Embora tenha sido um fracasso em vendas – talvez por força da troca de farpas entre o artista e a imprensa – Muito foi conquistando o seu reconhecimento ao longo do tempo, afinal, como ignorar um disco que contém canções como “Sampa” e “Terra”? 


Cinema Transcendental (Philips, 1979). Álbum recheado de canções que se tornaram grandes sucessos e que foram ao longo do tempo regravadas pelos mais diversos artistas. “Menino do Rio” é uma canção inspirada no jovem surfista carioca Petit (1957-1989) e composta por Caetano sob encomenda para Baby Consuelo, que gravou a canção e foi incluída na trilha sonora da novela Água Viva, da TV Globo, em 1980, e se tornou um grande sucesso. Caetano gravou pouco depois, chegou a ter alguma repercussão, porém sem a mesma dimensão da versão de Consuelo. Em “Trilhos Urbanos”, Caetano rememora seus tempos de infância em Santo Amaro da Purificação, sua cidade natal. O baião “Cajuína” é um tributo ao poeta tropicalista Torquato Neto (1944-1972). Uma gíria dos negros soteropolitanos virou título da canção “Beleza Pura”, composta e gravada por Caetano, mas que alcançou grande sucesso nas paradas de rádio com a versão da banda A Cor do Som, ainda em 1979, e que três décadas depois, foi regravada pelo Skank. Vale destacar ainda “Lua de São Jorge” e a linda “Oração Ao Tempo”.


Velô (Philips, 1984). A parceria de Caetano Veloso e a Outra Banda da Terra havia chegado ao fim em 1983 com o álbum Uns, após seis anos de trabalhos juntos. O álbum Velô foi o primeiro disco de Caetano com uma nova banda de apoio, a Banda Nova. É perceptível neste trabalho uma inclinação de Caetano para o pop rock, provavelmente motivado pelo novo momento que o rock brasileiro vivenciava na década de 1980. “Podres Poderes” traz um Caetano expressando a sua indignação contra as lideranças políticas e à indiferença de uma parcela da sociedade à cruel realidade social do Brasil. O cantor mostra toda a sua alma de poeta em “O Quereres” e “Língua”, esta última com a participação especial da cantora Elza Soares (1930-2022). Na balada pop “Shy Moon”, Caetano faz dueto com o rock star inglês radicado no Brasil, Ritchie.


Tropicália 2 (Philips, 1993), Caetano Veloso e Gilberto Gil. Para celebrar os 50 anos de idade que ambos completaram em 1992, os 30 anos de amizade e os 25 anos do disco Tropicália Ou Panis Et Circensis, em 1993, Caetano Veloso e Gilberto Gil gravaram Tropicália 2. O caldeirão tropicalista foi atualizado ao trazer referências da música eletrônica, rap e axé music. O rap e a MPB se encontram em “Haiti”, uma crítica ao racismo dissimulado da sociedade brasileira. Caetano e Gil prestam uma linda homenagem ao samba em “Desde Que O Samba É Samba”. A dupla tropicalista revisita a obra do sambista baiano Riachão (1921-2020) em “Cada Macaco No Seu Galho”.


 (Universal Music, 2006). Após uma longa sequência de discos em que trafegou entre a MPB, música baiana e ritmos afro-latinos, eis que Caetano, aos 64 anos, surpreendeu o público e a crítica com um disco de rock, . Gravado com a Banda Cê, um power trio formado por músicos jovens, Cê é um disco com uma sonoridade crua, minimalista e sintonizado com o que se fazia de contemporâneo no rock mundial na época. Tematicamente, boa parte das canções foram influenciadas pelo fim do casamento de Caetano com a atriz e produtora Paula Lavigne, como “Rocks”, “Odeio” e a bonita “Não Me Arrependo”. “Musa Híbrida” é dedicada à modelo Ilde Silva, com quem Caetano teria vivido um breve romance após o fim do seu casamento com Paula Lavigne. Na faixa “Homem”, Caetano diz que inveja a “longevidade e os orgasmos múltiplos” das mulheres.


50 anos que o gênio Tim Maia explodiu o Soul e o Funk no Brasil, e convidou todos a dançar

 

Entre o finalzinho dos anos 60 e o início dos anos 70, um dos capítulos mais mágicos e emocionantes da história da música brasileira, foi quando surgiram uma legião de bandas/artistas que se tornaram responsáveis em trazer e disseminar a maravilhosa e badalada Soul Music americana para o Brasil, injetando elementos do Funk e do R&B na nossa música, iniciando assim uma incrível avalanche e febre que dominaria as paradas brasileiras.

Com toda a certeza, a principal e mais icônica figura deste movimento artístico revolucionário morava dentro de um imenso corpo que se chamava Sebastião Rodrigues Maia, mais popularmente conhecido como Tim Maia. Dono de um poderoso vozeirão que seria reconhecido até mesmo nos mais longínquos confins do universo, Tim foi o grande mentor da Black Music em terra brasileira, e que há mais de 50 anos atrás, convidou todo o Brasil a dançar e se emocionar com seu sensacional primeiro disco lançado em janeiro de 1970, tornando-se o mais importante pioneiro na alta escalada do Soul e do Funk no Brasil.

O LP tinha em seus respectivos sulcos um conteúdo maravilhoso de um repertório irrepreensível, com canções sensacionais e arranjos exuberantes de alto nível. Em seus 31 minutos de duração, Tim “brinca” com a música negra americana de forma genial, misturando com ritmos mais brasileiros, como na faixa de abertura “Coroné Antonio Bento”, uma divertida e original fusão entre Soul e Baião. O álbum continua seu desenrolar entre Baladas Soul lindíssimas e lacrimejantes como “Você Fingiu”, “Eu Amo Você”, (ambas escritas pelo genial Cassiano, que assinou a grande maioria das faixas aqui presentes, por sinal) e as clássicas e maravilhosas “Primavera” e “Azul Da Cor Do Mar”, e também momentos mais afastados da Soulfrência, onde temos os grooves malemolentes e irresistívelmente Funkys de “Cristina”, “Padre Cícero”, e “Jurema”. Ainda há uma bela homenagem ao time rubro negro carioca com o balanço sacolejante e frenético de “Flamengo”.

Os Passos Agigantados Que Mudaram O Jazz

De tempos em tempos, as grandes revoluções musicais acontecem. No Jazz, um terreno tão propício para a explosão criativa, não poderia ser diferente. E dois desses divisores de águas aconteceram em anos consecutivos, e um nome estava envolvido em ambos: John Coltrane.

Em maio de 1959, duas semanas após concluir as gravações do que é considerado o maior disco de Jazz da história, o lendário “Kind Of Blue” de Miles Davis, ele inicia os trabalhos no que seria seu primeiro álbum pela Atlantic Records. Obcecado por novas possibilidades harmônicas e com a missão de levar o Jazz ao limite, ele traz ao mundo, em 1960, seu devidamente entitulado “Giant Steps”, que hoje completa 60 anos.

A faixa título é como um soco no estômago, já nos arrebatando com seu andamento acelerado, solos alucinantes do divino tenor, e uma estrutura harmônica revolucionária: as Coltrane Changes. Consistindo, basicamente, do uso de diversos “centros tonais” em uma só composição. O resultado? Um Standard absoluto e revolucionário do Jazz, que redefiniu os padrões da improvisação no estilo, sendo até hoje um rito de passagem para qualquer aspirante a Jazzista.

“Cousin Mary” é um Swing mais calmo, um tema sincopado que evolui até mais uma improvisação destruidora de Coltrane, juntando a explosão àquela ímpar qualidade de escolher sempre a nota correta, que toca nossa alma. O mesmo ocorre em “Spiral”, que mostra toda a força do quarteto, da sólida base da cozinha de Art Taylor/Paul Chambers, ao curto, mas sensacional, solo de piano, cortesia de Tommy Flanagan.

“Countdown” e a derradeira “Mr P.C.” são momentos explosivos. Temas com um andamento muito acelerado, e uma performance insana de Coltrane, com solos alucinantes, que parecem passear livremente por caminhos musicais tortuosos.

John traz consigo uma cota de homenagens. A primeira delas à sua filha, no swing cativante de “Syeeda’s Song Flute”. A segunda delas é, talvez, seu momento mais sublime, “Naima”. Composto para sua esposa à época, e gravado com a formação reminiscente do já citado “Kind Of Blue”, é a peça mais delicada do disco. Composta, basicamente, da repetição de um belíssimo tema (com um breve solo do pianista Wynton Kelly), ela atinge o pico da emoção, e todo o lirismo que esbanja o Sax Tenor de Coltrane, se tornando mais um grande Standard do Jazz.

“Giant Steps” é, nada mais nada menos, do que um dos maiores discos da história. Uma revolução musical no Jazz, que, ao mesmo tempo, lançou Coltrane como o maior inovador do estilo, atingindo um reconhecimento que poucos recebem ainda em vida. Seis décadas depois, ainda são passos agigantados que mudaram TUDO!

 

“What’d I Say” – O hit que abriu as portas para o gênio Ray Charles

 

O nosso quadro As 100 canções de todos os tempos abre o seu baú para uma canção composta pelo “pai do soul”, Ray Charles. Estamos falando de “What I’d Say”! Em 2002, foi consagrada em 10° lugar pela revista Rolling Stone em sua lista das 500 melhores canções de todos os tempos. E mesmo sendo uma canção de 1959, permanece tão atual como qualquer clássico de Ray Charles.

E falando de uma canção de 60 anos atrás, que tem força, swing e ritmo para tocar em qualquer rádio e ter o mesmo efeito que causou em seu lançamento. Ela que foi um single do fenômeno gospel e R&B da época, fez parte do álbum homônimo de Ray Charles. Quando paro para ouvir essa música a divido em três partes apesar de ela ter duas partes. Ela começa como um blues sombrio com suas guitarras bem metálicas, porém você é convidado a entrar em um “saloon” de filmes do velho oeste ouvindo o piano de Ray Charles tocar. É quando menos se espera, estamos todos envolvidos pela canção que de faz você se mexer sem querer. Essa é a melhor forma de definir uma canção do pianista Ray Charles. Na segunda parte, você vai ser tomado por um refrão chiclete com backing vocal que elevam o ritmo da canção e te faz celebrar essa canção. O terceiro e ultimo ato de eleva para a mistura dos ritmos e dançar e cantar. Dificilmente vai colocar essa canção sem bater os pés no chão dando ritmo, estalar os dedos e participar do coral de Ray Charles.

Quero deixar para vocês um ótimo dever de casa, para quem ainda não conhece a fundo a carreira e a obra de Ray Charles. Deixo o seu filme “Ray” ou “Ray Charles” (o nome dado no Brasil) estrelado por Jamie Foxx e dirigido por Taylor Hackford. O filme vai ajudar bastante no entendimento da carreira e principalmente no talento do cantor. A canção What I’d Say, esta em destaque no filme e na carreira do cantor como uma das canções que ajudaram Ray a entrar no mapa da indústria da musica trazendo os primórdios do soul music. 

CAPAS E FOTOS DO ROCK PORTUGUÊS


Uma foto dos GNR na década de 1980

Uma foto dos STEAMER's na Boite Tosco, nos anos 60 (do blog Os reis do Ié Ié)

A capa de um EP de MÁRIO BESSA E OS VIKINGS (anos 60)

Uma foto dos SPECULLUM BAND, ao vivo

Carocha (Victor) de OS STEAMER's na Boite Tosco

Uma foto de OS STEAMER'S

A capa de um EP de JOSÉ MANUEL CONCHA e OS CONCHAS (anos 60)

A capa de um EP de OS DUQUES (anos 60)

NO BAIRRO DO VINIL

 Santinho das Neves - Arriba a leva

São poucos os artistas que conhecemos que conseguiram conciliar a actividade artística com qualquer outro tipo de actividade profissional. Em regra, a primeira era preterida em favor da segunda, face à escassez de espectáculos regulares e, sobretudo, porque do ponto de vista financeiro a vida artística era pouco atraente para a esmagadora maioria dos artistas.
Ainda mais raro era a conciliação das lides do espectáculo com o desporto. Não porque existisse um antagonismo necessário entre estas actividades, ou uma suposta incompatibilidade entre a vertente física e a vertente mais artística do ser humano, mas sim porque também neste domínio não existiam grandes oportunidades de prosseguimento de uma carreira desportiva em regime profissional. Ainda assim, de memória, relembramos, por exemplo, entre outros, o caso da cançonetista Manuela Novaes que se sagrou campeã nacional de lançamento do disco e do ex-futebolista Diamantino (não confundir com Diamantino Miranda, glória do Benfica) que também gravou discos, ou ainda de um caso bem mais conhecido a nível mundial: Júlio Iglésias, guarda-redes (suplente) do Real Madrid, que atingiu sucesso à escala planetária.


O caso que recuperamos hoje do esquecimento é também de um atleta do Sporting Clube de Portugal (entre outros clubes) de nome Manuel Santinho das Neves, que foi nada mais, nada menos do que 10 vezes campeão nacional de lançamento do dardo. Para uma parca biografia da sua carreira, socorremo-nos da contracapa do disco, onde se pode ler que Santinho das Neves começou a cantar e a tocar viola ainda em garoto, tendo começado a cantar em público nas suas deslocações ao estrangeiro, em Copenhaga, Malmo, Amsterdão e nas ex-colónias portuguesas. Contudo, o seu compromisso com o atletismo foi retardando a gravação do seu primeiro disco (e único que dele conhecemos), cuja produção, aliás, foi interrompida por diversas vezes devido a competições no estrangeiro.
Não deixa de ser curioso o facto de aí se escrever também que este era o primeiro disco de um português que, em Portugal era conhecido apenas como atleta mas que no estrangeiro era conhecido sobretudo como um artista. È que na verdade, em Portugal, Santinho destacou-se sobretudo no atletismo, principalmente na disciplina do Lançamento do Dardo, quand“na época de 1959, durante o Torneio Primavera, conseguiu um surpreendente lançamento de 64,03m, que era simultaneamente Recorde Nacional e Recorde Ibérico. Posteriormente melhorou várias vezes esse recorde, até o fixar em 71,38m, durante um Portugal-França disputado em Julho de 1966, uma marca que perdurou mais de 18 anos. A sua carreira teve altos e baixos, em grande parte porque se radicou em França, pelo que só vinha a Portugal na altura das competições principais, mostrando-se sempre disponível para ajudar o Sporting e destacando-se pela positiva com os 5 títulos de Campeão de Portugal do Lançamento do Dardo, obtidos entre 1962 e 1972, quatro dos quais em representação do Sporting (1962, 1967, 1971 e 1972) e um enquanto atleta individual (1965).” 

Foto e texto em itálico, da Wikipedia do Sporting, in http://www.forumscp.com/wiki/index.php?title=Santinho_das_Neves
Em termos de vida artística, desconhecemos se Santinho das Neves tenha gravado discos em França, ou se o disco que hoje apresentamos não terá passado de uma mera aventura isolada. No entanto, apesar de não se tratar de um disco surpreendente, não podemos deixar de salientar os interessantes arranjos de Jorge Machado, que dão aos quatro temas que compõem o disco um salutar equilíbrio entre a vertente orquestral e a vertente popular das canções que o compõem,  “Sapatinho” e “Arriba a leva” (de cariz popular)  e os restantes dois temas “De cabeça à roda“ e “Ver o mar”, curiosamente com música do também atleta e respeitado sportinguista Moniz Pereira, também elas num registo a lembrar o canto popular. 

Fica então um excerto destas quatro canções para os nossos leitores.


Santinho das Neves 
RCA Victor TP 596
A1) De cabeça à roda (Moniz Pereira - Fernando Correia)
A2) Sapatinho (Popular - Arranjos - Jorge Machado)
B1) Ver o mar (Moniz Pereira - Emílio Vasco)
B2) Arriba a leva (Popular - Arranjos Jorge Machado)


Marcelo Rizzo canta o amor próprio em “MEU”

 

Afetos e despedidas são parte da obra do cantor e compositor Marcelo Rizzo, mas em “MEU” ele se mostra à flor da pele para falar da luta por amor próprio em meio a um processo de término. A faixa estará em seu novo EP, que será lançado em breve, e ganha um lyric video dirigido pelo próprio artista.


’MEU’ foi escrita depois de um término difícil. A letra fala sobre terminar um relacionamento problemático e se reapropriar das coisas que você havia perdido. Muitas vezes a gente se deixa levar estando num relacionamento e acaba abdicando da nossa individualidade, em função do outro. E terminar algo assim, algo que você conclui no final que te fazia mais mal do que bem, traz uma sensação de alívio e retomada de poder. Você tem seu tempo pra você, sem se preocupar sobre os desvios daquela pessoa, sobre o que aquela pessoa podia fazer pra te ferir, se preocupar sobre infidelidade. E acho importante ter essa fase do término, de revolta, de se sentir ‘vingado’ por ter ido embora com o que aquela pessoa tinha de mais valioso: você”, conta Marcelo Rizzo.

Relacionando-se com a música desde 2003, foi em 2009 que Marcelo Rizzo decidiu começar a gravar as suas composições de forma amadora, com o auxílio de um computador. Em 2016, tomou coragem para investir em suas canções. Após “Pouco a Pouco” (2019), ele lançou “Farol” e “Quase”, que também estarão nesse EP. 


“Este novo single fala sobre o aspecto prático do término, de ‘quero isso e aquilo de volta’ e demonstra que na real o que é mais importante ter de volta é justamente seu amor, seu tempo, sua individualidade”, reflete Rizzo.

Destaque

CAPAS DE DISCOS - 1970 La Máquina Del Sonido

  CD México 2008 - Sony Music Entertainment México. Contracapa Discoteca. Folheto. Folheto. Folheto. Folheto.