quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

10 discos essenciais: Erasmo Carlos

 


Amigo de fé, irmão, camarada de Roberto Carlos, Erasmo Carlos nasceu em 5 de junho de 1941, no Rio de Janeiro. Seu nome de batismo é Erasmo Esteves, cresceu no bairro da Tijuca, onde na adolescência, nos anos 1950, teve os primeiros contatos com o rock’n’roll junto com outros amigos de sua mesma idade como Roberto Carlos, Tim Maia e Jorge Ben, amigos esses que anos mais tarde, assim como ele, se tornaram mais tarde grandes estrelas da música brasileira.

A carreira musical de Erasmo começa em 1957, quando formou a banda The Snakes com Arlênio Lívio, Edson Trindade e José Roberto, três dissidentes de uma outra banda juvenil, The Sputniks, que haviam acabado após um desentendimento entre dois outros membros do grupo, Roberto Carlos e Tim Maia. Os Snakes chegaram a lançar em 1961 um compacto (single) e um álbum, mas pouco tempo depois, o grupo se dissolveu. Através de Carlos Imperial, Erasmo entrou na banda Renato & Seus Blue Caps para ser vocalista. O grupo acompanhou Roberto Carlos em 1963 na gravação de “Splish Splash”, de Bobby Darin, cuja versão em português foi escrita pelo próprio Erasmo. A música na voz de Roberto se tornou um grande sucesso, e a partir de então, Roberto e Erasmo iniciaram a mais bem sucedida parceria da música brasileira. Nessa mesma época, Erasmo também se dedicava a escrever versões em português de sucessos do rock internacional.

Em 1964, Erasmo Carlos deixa o Renato & Seus Caps para iniciar carreira solo. Lança em 1965, pela gravadora RGE, o seu primeiro álbum solo, A Pescaria. Em setembro do mesmo ano, estreia na TV Record, em São Paulo, o programa Jovem Guarda. Comandado por Roberto Carlos, Erasmo e Wanderléa, o programa exibido nas tardes de domingo apresentando bandas e jovens cantores de rock, se torna um fenômeno popular televisivo. Conquista milhões de jovens em todo o Brasil e dita o gosto musical da juventude brasileira. O programa deu grande visibilidade a Erasmo, que no programa, recebeu o apelido de “Tremendão”.

Com o fim do programa Jovem Guarda, Erasmo redireciona a sua carreira ao tentar se desvencilhar do ídolo juvenil e tenta buscar um tipo de música mais madura. E essa busca se concretiza em 1971, quando é contratado pela gravadora Philips, onde ele vai conectar a sua vocação roqueira com a MPB. Naquele ano, lança pela Philips, o elogiado Carlos,Erasmo. A partir de 1972, os discos de Erasmo passaram a ser lançados pelo selo Polydor, subsidiária da PolyGram, grupo fonográfico criado naquele ano após fusão dos selos fonográficos da Philips com os da Siemens. Com Carlos, Erasmo, o cantor inicia a melhor fase de álbuns de canções inéditas de sua carreira que vai até o álbum Pelas Esquinas de Ipanema (1978).

Em 1980, lança Mulher (Sexo Frágil), o álbum mais vendido da carreira de Erasmo Carlos, e que traz sucessos como “Mulher”, “Pega na Mentira” e “Minha Superstar”. Durante toda a década de 1980, o cantor lança anualmente discos com apelo comercial, mas sem a qualidade artística dos seus álbuns da década de 1970. Nos anos 1990, a carreira de Erasmo sofre um declínio, o cantor lança em toda aquela década apenas dois álbuns, Homem de Rua (1992) e É Preciso Saber Viver (1996).

Mas nos anos 2000, a carreira de Erasmo começa a recuperar o prestígio. Em 2001, seu álbum Pra Falar de Amor emplaca a canção “Alguém na Multidão”, dueto do cantor com Marisa Monte. Vinte e sete anos depois de Erasmo Convida (1980), Erasmo Carlos lança em 2007 o Erasmo Convida II que traz novos e ilustres convidados como Chico Buarque, Lulu Santos, Zeca Pagodinho, Adriana Calcanhoto, Skank, Los Hermanos, Djavan entre outros. Em 2009, lança pelo selo Coqueiro Verde, o álbum Rock’n’Roll, produzido por Liminha, que apresenta Erasmo retomando a sua vocação roqueira. No ano seguinte, Erasmo Carlos lança a sua autobiografia, Minha Fama de Mau, pela Editora Objetiva.

Em 2014, Erasmo é agraciado com o prêmio Grammy Latino de “Melhor Álbum de Rock Brasileiro”, pelo álbum Gigante Gentil. No ano seguinte, é lançado o DVD Meus Lados B, trazendo apenas músicas pouco conhecidas de Erasmo. Na premiação do Grammy Latino em 2018, em Las Vegas, Estados Unidos, Erasmo recebe o Prêmio Excelência Musical, oferecido pela Academia Latina de Gravação, um justo reconhecimento pelo conjunto de sua obra. Em 2019, Erasmo Carlos lança Quem Foi Que Disse Que Eu Não faço Samba..., um EP com sambas, sambalanços e samba rocks compostos por ele ao longo de sua carreira.

Abaixo, confira dez discos que ajudam a compreender a carreira de Erasmo Carlos.


A Pescaria (RGE, 1965). Primeiro álbum da carreira solo de Erasmo Carlos, A Pescaria, foi lançado cerca de três meses antes da estreia do programa Jovem Guarda, na TV Record. Com um repertório baseado em rock’n’roll, surf rock e baladas românticas, A Pescaria emplacou alguns dos maiores clássicos da Jovem Guarda como movimento musical, como a faixa “Festa de Arromba” (um rock sobre uma festa reunindo os grandes astros da música jovem brasileira da época), “Terror Dos Namorados” e “Fama De Mau”.




Você Me Acende (RGE, 1966). Em seu segundo álbum, Você Me Acende, Erasmo já havia alcançado a fama de astro da Jovem Guarda. Já conhecido pelo apelido de “Tremendão”, Erasmo havia assumido a persona de “bad boy”, e isso fica evidente na capa. Você Me Acende dá continuidade ao rock juvenil e descontraído do álbum anterior, A Pescaria. Mas o álbum traz um Erasmo em sua primeira inovação em “O Carango”, antecipando o canto cheio de malandragem que se tornaria a marca registrada de Wilson Simonal (1938-2000). Porém, a baladinha “Gatinha Manhosa” foi talvez a faixa mais famosa do álbum. Você Me Acende traz outros bons e divertidos momentos nos rocks “Alô Benzinho”, “Você Me Acende” (versão de “You Turn Me”, de Ian Whitcomb), “Peço A Palavra” e “É Duro Ser Estátua”.


Erasmo Carlos E Os Tremendões (RGE, 1966). Último álbum de Erasmo Carlos pela RGE, Erasmo Carlos E Os Tremendões traz indícios dos caminhos que o cantor tomaria para a sua carreira pós-Jovem Guarda. Há flertes com a MPB (“Teletema” e “Saudosismo”) e o samba rock (“Coqueiro Verde”). Erasmo até se aventura num clássico de Ary Barroso (1903-1964), nada menos que “Aquarela do Brasil”. Gravada para a trilha sonora do filme Roberto Carlos E O Diamante Cor de Rosa (1970) e incluída no álbum Erasmo Carlos E Os Tremendões, a balada romântica “Vou Ficar Nu Pra Chamar Sua Atenção” tem uma letra que mistura inocência e malícia, e uma sonoridade que remete ao Erasmo dos tempos da Jovem Guarda.   



Carlos, Erasmo (Philips, 1971). Este álbum marca a estreia de Erasmo Carlos na gravadora Philips, na época composta por elenco de grandes estrelas da MPB, dentre as quais Caetano Veloso, Chico Buarque, Elis Regina e Gilberto Gil. O disco estreitou a aproximação do rock praticado por Erasmo com a MPB. Além de canções da dupla Roberto e Erasmo, o álbum traz canções de compositores da MPB como Caetano Veloso, Taiguara, Jorge Ben e dos irmãos Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle. No repertório, há um leque de estilos que passa pela MPB, samba rock, soul e claro, o rock. Os destaques ficam para “De Noite Na Cama”, “É Preciso Dar Um Jeito Meu Amigo” e “Agora Ninguém Chora Mais”. A curiosidade fica por conta de “Maria Joana”, composta por Roberto e Erasmo, e que traz uma letra que parece ser uma sutilíssima alusão à maconha.


Sonhos e Memória (1941-1972) (Polydor, 1972). Disco de teor autobiográfico e nostálgico, que já começa pelo próprio título, traz o ano de nascimento e o ano de lançamento do álbum. “Largo da 2ª Feira” é uma canção saudosista em que Erasmo relembra a infância e adolescência no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro.  Em “Bom Dia, Rock’n’Roll”, Erasmo presta um tributo aos pioneiros do rock que ele aprendeu a admirar quando era adolescente, nos anos 1950. “Mané João” é um samba minimalista com inserções de piano rock’n’roll, que traz nos seus versos uma história trágica que remete a “Domingo no Parque”, de Gilberto Gil. Erasmo faz uma releitura de “É Proibido Fumar”, que ganha aqui neste disco, uma versão mais pesada e agressiva do que a original gravada por Roberto Carlos em 1965. 


1990 - Projeto Salva Terra (Polydor, 1974). Após o ano de 1973 sem lançar álbum, apenas se concentrando em compactos, Erasmo Carlos retorna ao formato álbum com 1990 - Projeto Salva Terra, um trabalho em que o ex-ídolo da Jovem Guarda prossegue a sua experiência com a MPB e o samba rock, mas sem abrir mão do rock. Neste disco, Erasmo volta a regravar um antigo sucesso gravado por Roberto Carlos, “Negro Gato”, que aparece aqui numa versão mais pesada. O country rock “A Lenda de Bob Nelson” é uma homenagem de Erasmo ao seu ídolo de infância, Bob Nelson, cantor brasileiro que fez sucesso nos anos 1940 cantando canções em português inspiradas em filmes de faroeste. A faixa “1990 – Projeto Salva Terra” traça um futuro apocalíptico para o planeta Terra. O futurismo é tema também de “Haroldo, O Robô Doméstico”, um rock divertido sobre um robô humanizado, atrapalhado e apaixonado, que teve um final trágico. “Cachaça Mecânica” é claramente inspirada em “Construção”, de Chico Buarque. Mas sem sombra de dúvidas, a principal faixa do álbum é “Sou Uma Criança, Não Entendo Nada”, que se tornou um grande sucesso radiofônico.


Banda dos Contentes (Polydor, 1976). Neste álbum, nota-se uma menor influência da MPB em relação aos álbuns anteriores, e um maior protagonismo do rock. “Filho Único” foi a faixa de maio sucesso do álbum, graças à sua inclusão na trilha sonora da novela Locomotivas, da TV Globo, em 1977. A bela “Queremos Saber”, de Gilberto Gil, traz indagações sobre os avanços tecnológicos. “Terra de Montezuma”, de Ruy Maurity, é uma canção com ritmo musical andino sobre a cultura asteca antes da chegada dos colonizadores espanhóis nas Américas. Banda dos Contentes trouxe aquela que seria a primeira versão de “Paralelas”, gravada antes mesmo de seu autor, Belchior, e ainda com a letra original, que foi modificada posteriormente na versão gravada por Belchior e Vanusa. O álbum termina em clima de filme de faroeste com a boa “Billy Dinamite” que conta a história de amor de um cowboy e da índia Pão de Mel.


Erasmo Convida (Polydor, 1980). A ideia de gravar um álbum recheado de convidados fazendo dueto com Erasmo Carlos em regravações dos seus grandes sucessos, surgiu durante um almoço entre o diretor artístico Guti, o produtor Jairo Pires e o próprio Erasmo. Porém, a ideia de gravar um disco com convidados ilustres parecia ser uma tarefa difícil. Contudo, Erasmo encarou o desafio, listou o repertório, e em pouco tempo, conseguiu reunir um elenco estelar de convidados. Dentre os duetos, merecem destaque o dueto de Erasmo com o eterno amigo Roberto Carlos (“Sentado À Beira do Caminho”), com Rita Lee (“Minha Fama de Mau”), com Tim Maia (“Além do Horizonte”) e com Caetano Veloso (“Quero Que Vá Tudo Pro Inferno”).



Mulher (Sexo Frágil) (Polydor, 1981). Desde a chegada de Erasmo Carlos à Philips, Mulher (Sexo Frágil) foi o maior sucesso comercial de Erasmo Carlos. Na época de seu lançamento, o álbum causou polêmica por causa da capa que mostra Erasmo supostamente amamentado pela sua então esposa, Narinha. A faixa de maior sucesso radiofônico foi “Mulher”, composta por Erasmo e Narinha. Outras faixas que também se tornaram sucesso foram “Minha Superstar” (balada que Erasmo dedicou a Narinha) e a bem humorada “Pega Na Mentira”, em que Erasmo conta as mais absurdas mentiras, e inaugura a fase em que o cantor passou a incluir a cada disco uma canção com apelo cômico.


Rock’n’Roll (Coqueiro Verde, 2009). Nos anos 2000, Erasmo Carlos promoveu o renascimento da sua carreira, e este álbum, Rock’n’Roll, ajudou a resgatar a imagem roqueira do ex-astro da Jovem Guarda. É um disco com um repertório com canções de arranjos simples, rock’n’roll básico, sem firulas. “Cover” é um rock’n’roll divertido em que Erasmo brinca ao dizer que gosta de ser cover de si mesmo. “Jogo Sujo” parece tratar a vida como um jogo, onde sempre temos que apostar. A balada “Chuva Ácida” é uma canção sobre um relacionamento que chegou ao fim: “Canções de amor servem pra chorar as mágoas e esconder a dor”. O rock balada “A Guitarra É Uma Mulher” traz uma guitarra deliciosamente chorosa tocada brilhantemente pelo guitarrista Billy Brandão. Destoando de todo o álbum, “Celebridades” é uma faixa em que Erasmo faz uma rara inserção no ska.


Elisa C. Martin resgata o vigor espanhol no recém-lançado álbum “Nothing Without Pain”


Eu sou Elisa C. Martin, ‘La Guerrera’, e eu voltei para ficar!

A espera dos fãs da cantora Elisa C. Martin finalmente chegou ao fim. Recentemente, a reconhecida cantora espanhola lançou o emocional e autobiográfico álbum de estúdio “Nothing Without Pain”.

Em uma preparação técnica para esse momento, Elisa lançou diversos singles que receberam ótimas críticas do público e da imprensa especializada em heavy metal no mundo inteiro.

O álbum foi produzido e gravado na Espanha e em Los Angeles, com suporte do músico e produtor Damien Rainaud (Dragonforce, Baby Metal, Fear Factory, entre outros) e do reconhecido guitarrista brasileiro Bill Hudson (Doro, Dirkschneider, Northtale, Trans-Siberian Orchestra), que participa das faixas como guitarrista.

“A Guerreira”, como é popularmente conhecida na cena rock, compilou em 11 faixas o resultado de anos de trabalho. Nessas músicas, ela canta seus medos, dores, superações, paixões e amores. Agora, o público pode viver essa experiência sonora de altíssima qualidade.

O álbum digital completo está disponível nas principais plataformas de áudio e a música de trabalho é a energética “No Fear”, que reflete sobre a persistência e garra de sua própria intérprete. A faixa conta com um videoclipe, que está disponível no canal da cantora no YouTube. Assista:

Sobre o álbum, a cantora espanhola comenta: “‘Nothing Without Pain’, sem dúvida, é o álbum mais especial de toda a minha carreira. Em cada uma das músicas que escrevi, você encontrará um pedaço da minha vida: alegria, medo, tristeza, luta, amor e, principalmente, muita sinceridade. Vieram do fundo do meu coração, sem nenhuma censura e sem pensar em um estilo em particular”.

A artista ainda adiciona: “É um álbum muito inspirador. Tenho certeza de que quando você o ouvir, a música e a letra farão você sentir que pode lidar com qualquer coisa. Que você tem que tentar mais uma vez. Que você merece uma segunda chance e, acima de tudo, que você tem que seguir em frente quando recebe os golpes da vida. Nada se conquista sem dor”.

Eu sou Elisa C. Martin, ‘La Guerrera’, e eu voltei para ficar!”.

RUA DAS PRETAS COM NOVO SINGLE… “LISBOA, LISBOA”

 

RHYE, NOVOS RELAXANTES!

 


Depois do álbum "Home" e da respectiva digressão que passou pelo Hard Club em Junho, Mike Milosh aka Rhye regressou ao conforto do lar e azáfama do estúdio para a composição de um novo EP a sair em Março pela Secular Sabbath Records. De "Passing" conhece-se "A Quiet Voice", uma das variedades da nova categoria de relaxantes sonhadores... Atenção, pode provocar dependência!

DAVID SYLVIAN, PRECIOSIDADES!
















A vida de David Sylvian continua, por estes dias, uma misteriosa jornada afastada da ribalta e que a chegada de uma doença, assumida em 2012, estreitou na visibilidade e mediatismo. 

A rara entrevista, melhor, as histórias que contou em nome próprio em Outubro passado no programa de Mary Ann Hobbs da BBC Radio6 são, por isso, uma pequena janela aberta sobre alguma da escuridão dos seus dias pela América concentrada na faceta artística - a fundação de uma editora, a contínua propensão pela composição, as tournées antigas, as novas tendências ou as colaborações são narradas de forma seleccionada e tão motivacional que merecem audição obrigatória para um qualquer dos muitos fãs da sua milagrosa música. 

Não virando costas nunca às canções, Sylvian vai, aos poucos, colocando novidades ou autorizando reedições que é preciso percorrer em várias plataformas e que requerem atenção e paciência. Seguem-se algumas dessas preciosidades...

 

Os discos "Manafon" (2009) e "Blemish" (2003) foram repostos em versões de vinil melhoradas por Tony Cousins no Metroplis Studios de Londres e encontram-se, três meses depois, praticamente esgotadas, o mesmo tendo acontecido à reedição da compilação "Sleepwalkers" (2010) que a Groenland publicou recentemente

Nesta última, cabe um par de inéditos - "Modern Interiors" e "Do You Know me Now?", tema que recebeu video a cargo de Yuka Fujii, parceiro noutros projectos conceptuais, e que será também o título de uma nova caixa em CD que a sua editora Samadhisound publicará em parceria com a Universal no final do corrente ano com design do habitual colaborador Chris Bigg.


Durante a digressão "Slow Fire" de 1995, Sylvian escreveu o tema "I Do Nothing" que chegou a tocar em algumas das noites de concertos. Propôs-se melhorá-la, arranjada, para o disco "Dead Bees on a Cake" (1999) mas o inédito acabou perdido num computador avariado até que foi encontrado numa cassete pelo referido Yuka Fujii. O achado, captado ao vivo, mereceu alguns retoques e está, desde o início do mês, oficialmente disponível via Soundcloud.
  

Outra maravilha indispensável é "Grains (Sweet Paulownia Wood)", versão incluída no disco, já por aqui recomendado, de homenagem ao amigo Ryuichi Sakamoto saído em Dezembro e que por si só vale o tributo. Do álbum faz ainda parte uma variação electrónica de "Forbidden Colors", outro original de Sylvian ao lado de Sakamato (1983), a cargo de Gabriel Wek.   
   

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Resenha Марення Осені Álbum de Morkt Tre 2022 EP/Single

 

Resenha

Марення Осені

Álbum de Morkt Tre

2022

EP/Single

O MORKT TRE (ou MØRKT TRE) outro bom nome oriundo da cena black metal do leste europeu, lançou no finalzinho de 2022 um curto, mas ótimo registro. 

Disponibilizado de forma independente e virtual, o EP “Марення Осені” (2022), sucessor do impronunciável “Земля забута богом і людьми” (2020) chama atenção pela sua fúria, bom uso de teclados e passagens mais viajantes.

Quanto ao grupo, não há muitas informações a passar aos leitores: MORKT TRE, apesar de ser um grupo ucraniano, significaria o equivalente em norueguês a “árvore escura” ou “madeira escura”. A formação no Bandcamp indica quatro membros, mas sua página no Facebook, indica que seria uma dupla - e ainda assim, os nomes não coincidem. A habitual aura de mistério do black metal...

“Марення Осені” (2022) contém apenas nove faixas, sendo que quatro delas aparecem como “mix” das versões originais - particularmente, gostei mais das faixas originais, seu som soa mais denso e combina melhor com o estilo do grupo. “Мить Nіта” é uma linda música, com andamento lento e uma linha de baixo espetacular; “Зима” é uma típica música de black metal: pesada, com passagens rápidas e batera a milhão alternando com trechos mais viajantes, além de teclados bem carregados; “Стихія” tem toques de thrash metal, mais teclados e termina magistralmente com um furioso e matador solo; “Мряка” é a faixa mais bruta do disco e a instrumental “Присутній”, tocada pelo músico sueco SWARTADAUÞUZ (esse cara tem tanta banda ativa e participações em outros grupos que faltaria espaço aqui para citar sequer a metade deles), é a única que não aparece duas vezes.

Dois fatos curiosos: “Марення Осені” (2022) foi “improvisado e gravado durante um dia, em novembro de 2020”, sendo que seu lançamento só ocorreria em primeiro de dezembro de 2022, Todas as suas letras e a voz da faixa de abertura são de Yuriy Ruf, poeta, escritor e cientista ucraniano morto aos 41 anos durante combate na guerra contra a Rússia, em abril de 2022. Pode ser que o EP tenha sido lançado como uma homenagem a Yuriy...pode ser, pois tudo sobre o grupo é nebuloso e vago. 

Recentemente, o MORKT TRE anunciou sua participação no tributo “Echoes Of Wizard's Chamber” dedicado ao norueguês MORTIIS com a faixa “Імператор незвіданого світу".

Formação:
Ercld
Emperor
Sttng
Basic Muse

Faixas:
01 Мить Nіта
02 Зима
03 Стихія
04 Мряка
05 Присутній (SWARTADAUÞUZ cover)
06 Мить Nіта (agressive mix)
07 Зима (agressive mix)
08 Стихія (agressive mix)
09 Мряка (agressive mix

Resenha Fauna Álbum de Haken 2023

 

Resenha

Fauna

Álbum de Haken

2023

CD/LP

Fauna, sétimo disco da banda inglesa, Haken – novamente um álbum de nome solo -, será lançado somente no dia 3 de março, mas o 80 minutos teve a honra de receber o material com mais de um mês de antecedência para ser avaliado, e devo confessar, pode até ser o disco mais “sem brilho” da banda até hoje, mas passa longe de algo descartável como um todo, e tem sim vários ótimos momentos. Fauna pode ser considerado um disco conceitual, onde cada uma de suas músicas tem um animal atribuído a ela.  

Em relação as músicas do álbum, Ross Jennings, vocalista da banda, disse, “ao compor e apresentar os esboços iniciais da música, tínhamos uma mentalidade de 'vale tudo' e, embora soasse atipicamente Haken, era uma peça que nos entusiasmava explorar e integrar em nosso cânone de música. No que diz respeito às letras, apoiei-me fortemente em um dos meus escritores favoritos, Philip K Dick, para me inspirar. Mantendo em mente nosso conceito vago de animais espirituais, reli Androids Dream Of Electric Sheep? (Que mais tarde seria adaptado para o filme Blade Runner de 1982) sabendo simbolicamente que os animais tiveram um papel fundamental na história. Isso, além de revisitar os dois filmes da franquia Blade Runner, abrindo alguns tópicos filosóficos mais profundos sobre a natureza da identidade que serviram de espinha dorsal para o conteúdo lírico.” 

Em Fauna, a banda conta com um novato que não é tão novato assim, Peter Jones, que já havia trabalhado com a banda em Vector, onde desempenhou a função de bateria eletrônica, porém, sua vaga em Fauna é nos teclados, vaga desocupada por Diego Tejeida, que saiu amigavelmente do grupo por conta de visões musicais diferentes entre o que a banda estava tomando e ele estava interessado em fazer.  

“Taurus” é a faixa que inicia o disco. Uma peça que possui um bom refrão, riffs djent e, de certa forma, alguns acenos aos discos anteriores, Vector e Virus. No geral, um ótimo e animador começo de álbum. “Nightingale” é uma combinação clássica do antigo Haken com o mais novo, sendo esse segundo tendo uma maior predominância no resultado final. Bastante pesada, mas ao mesmo tempo de linhas jazzísticas - incluindo o teclado inicial -, não vejo motivo para que não agrade todo tipo de fã da banda. 

“The Alphabet of Me” inicialmente tem um teclado bastante simples e que grudou na minha cabeça de tal forma que achei que eu não fosse parar de cantarolar ele nunca mais. Confesso que a bateria eletrônica não me agradou muito. Após alguns versos sendo cantados apenas com o teclado citado ao fundo, Ross canta os versos seguintes da peça de uma maneira extremamente rápida. No fim, é uma boa mistura de seguimentos e elementos mais suaves com outros mais pesados e enérgico. “Sempiternal Beings”, começa por meio de uma bateria suave e de tempo quebrado, além de um teclado bastante tímido que ambienta serenamente o fundo da música com Ross cantando de forma melódica, até que por volta de 1:25, toda a banda entra primeiramente em uma explosão instrumental e depois se estabelece em um ritmo e peso médio. No geral, as partes mais pesadas estão nos refrãos. Um dos destaques do disco.  

“Beneath the White Rainbow”, começa com muita agressividade, mas logo nos 20 segundos silencia e a faixa então entra em um ritmo muito mais lento, porém, não demora muito para mudar o ritmo novamente, sendo uma das músicas com a melodia mais diversificada do álbum. Gosto muito do refrão, bastante marcante. “Island in the Clouds” começa com a seção rítmica tocando de uma maneira bastante marcante sob alguns vocais melódicos. Quando as guitarras entram, a peça ganha mais peso. Em seu núcleo, a música fica mais lenta e os vocais de Ross ficam distorcidos, então que a faixa vai crescendo até atingir um clima sinfônico e silenciar em seguida pra preparar o ambiente para o refrão regressar à peça e encaminhá-la para o final.  

“Lovebite”, com menos de 4 minutos é a peça mais curta do disco. É mais uma música que começa de forma bastante pesada e frenética, mas novamente na hora de Ross cantar pela primeira vez, diminui a agressividade e entrega um clima mais suave. Se trata de uma balada, porém, não muito melódica - exceto pelos vocais nos refrãos que soam melódicos. Confesso que mesmo sendo curta, achei uma música bem cansativa, provavelmente vou ter o hábito de pulá-la sempre que ouvir o álbum. “Elephants Never Forget”, se a faixa anterior é a menor do disco, aqui estamos diante da maior delas, com os seus pouco mais de 11 minutos. Primeiramente, o piano aparece isoladamente, logo depois, os demais instrumentos vão entrando na música até desenvolverem um ritmo bastante suingado, com Ross cantando de uma maneira muito influenciada pelos vocais do Gentle Giant – o próprio suingue da banda também é influenciado pela banda inglesa dos irmãos Shulman. Em seu decorrer, possui ótimas mudanças de andamentos, solos de guitarra e teclados, diferentes humores e um peso instrumental bastante característico da banda, minha preferida do disco. Próximo do final a música, é repetido o tema instrumental do início. “Eyes of Ebony”, quando eu li o nome dessa música pela primeira vez, foi impossível de não lembrar de “Ebony Eyes”, do finado Rick James, e grande sucesso nos anos 80. Mas enfim, vamos à música aqui em questão. É a faixa que fecha o disco. Baixo e bateria em destaque junto de uma guitarra tímida e vocais suaves começam a música, que ganha um peso por volta dos 1:57, mas não demora muito para silenciar, ficando só uma linha de baixo bastante limpa e isolada, então os demais instrumentos vão se agregando, com os vocais sendo o último a aparecer, fazendo com que aos poucos, tudo vá se tornando cada vez mais enérgico, porém, silenciando mais uma vez, criando um clima atmosférico, com Ross entrando com vocais serenos e guiando a música para o seu final e que também é o final do disco.  

Mas então, vem aquela pergunta, o que Fauna representa dentro da discografia do Haken? Bom, mostra uma banda que não tem medo de mudanças, mesmo sabendo que certamente vai desagradar os mais puristas e que ainda hoje esperam algo que soe igual a Aquarius, Visions e The Mountain, os três primeiros e mais aclamados álbuns da banda. Fauna é diferente, porém, divertido, inovador – ainda que não da forma que muitos esperam – e conceitualmente admirável.

Resenha The Theory of Molecular Inheritance Álbum de Arena 2022

 

Resenha

The Theory of Molecular Inheritance

Álbum de Arena

2022

CD/LP

Tudo parecia estar bem com o Arena após a chegada do vocalista Paul Manzi. Com características bem distintas de seus antecessores, sua personalidade trouxe nova cara à banda, sendo que lançaram três álbuns que estão entre os meus favoritos do grupo britânico. E não é que Manzi resolveu sair?

Mais uma vez, a banda viu-se em uma nova situação de mudança de formação. Depois de um tempo, conseguiram enfim recrutar seu quinto vocalista com um nome de peso dentro da cena prog: Damian Wilson, já conhecido por fãs do estilo principalmente pelas participações nos projetos de Arjen Lucassen (Ayreon, Star One, etc.) e na banda Threshold. E mais uma vez, foi escolhido um vocalista com características diferentes do anterior, algo que, para nossa alegria, resultou em mais um grande acerto.

Damian Wilson chegou na pandemia e a banda foi meio que obrigada a dedicar-se ao novo álbum de estúdio. Geralmente funciona melhor quando a nova formação é testada na estrada primeiro, principalmente para ganhar entrosamento. Mas, assim que conseguiram pisar novamente em um palco juntos, os fãs estavam lá, prontos para recepcionar Damian. E deu tudo certo.

O Arena já vinha desfrutando do sucesso de "Double Vision", o melhor da fase Manzi. Com um bom material em mãos e tempo para pensar, "The Theory of Molecular Inheritance" não veio como continuidade apenas para cumprir tabela. É de fato uma evolução do som da banda, agora com um vocalista que consegue ainda mais explorar todas as facetas do Arena, seja quando o som é pesado ou quando é mais suave e dramático. É possível encontrar aqui passagens que remetem a todas as fases da discografia, com John Mitchell inspiradíssimo, seja com riffs ou solos de guitarra, e principalmente Clive Nolan, que resgatou o seu bom gosto pelos timbres de sintetizadores da década de 70. É neo, é clássico, é moderno, e tudo muito bem pensado e combinado. Só não é virtuoso, mas quem é fã da banda já sabe que não é aqui que você encontrará essa característica.

"The Theory of Molecular Inheritance" soa como álbum conceitual. Não consegui identificar se de fato conta uma história no decorrer do tracklist, mas as canções certamente discutem um mesmo tema, que tem a ver com genes, nosso organismo e a hereditariedade. Damian Wilson precisa ser merecidamente mencionado neste parágrafo que trata o tema lírico, já que é todo seu o mérito de entregar toda a interpretação que cada faixa pede, seja em momentos mais pesados ou naqueles mais suaves e dramáticos. Se as faixas de abertura "Time Capsule" e "The Equation (The Science of Magic)" permitem com que o fã se sinta em casa, é nas maravilhosas "Twenty-One Grams", "The Heiligenstadt Legacy" e "Under the Microscope" que o nível sobe e impressiona. "Integration" é de arrepiar e merece a menção, já que mescla um início doce com uma linda passagem instrumental, feita exclusivamente para os fãs de Genesis e da primeira fase do Marillion. Já as demais, são complementos de altíssimo nível e também merecem a atenção do ouvinte.

Como uma fênix, o Arena mostra, aqui em seu impressionante novo álbum, que mesmo com os percalços e as recorrentes trocas de vocalistas, é em seu talento musical que está a sua força, e "The Theory of Molecular Inheritance" está aí para comprovar.

Faixas:

1. Time Capsule (5:30)
2. The Equation (The Science of Magic) (6:28)
3. Twenty-One Grams (6:34)
4. Confession (2:20)
5. The Heiligenstadt Legacy (5:42)
6. Field of Sinners (6:27)
7. Pure of Heart (6:18)
8. Under the Microscope (6:51)
9. Integration (4:48)
10. Part of You (5:54)
11. Life Goes On (5:11)

Total Time 62:03

CD2 (Deluxe Edition Ear Book Only)
1. Vindication
2. The Equation (The Science of Magic) (Acoustic Version)
3. Pure of Heart (Acoustic Version)
4. The Heiligenstadt Legacy (Acoustic Version)
5. Life Goes On (Acoustic Version)
6. Twenty-One Grams (Instrumental Version)
7. Field of Sinners (Instrumental Version)
8. Part of You (Instrumental Version)

Insanidade anuncia lançamento de novo álbum “Dogs Of The Subway” em fevereiro


Insanidade anuncia lançamento de novo álbum “Dogs Of The Subway” em fevereiro

“Dogs Of The Subway” é o quarto álbum da Insanidade e o terceiro de estúdio. O álbum possui nove faixas e foi produzido pelo o nosso baixista e produtor Gustavo Vázquez no estúdio RockLab em Anápolis/Go. A banda anuncia o lançamento do disco em fevereiro. O quarteto se encontra dando os retoques finais ao material e em breve irá divulgar a data de lançamento.

“Dogs Of The Subway” trás praticamente todas as influências bandas, sons que vão do tradicional Rock n Roll, tem Punk, Trash Metal, Stoner/Doom, Hard Rock. Apesar da banda misturar quase todas as suas influências, é um álbum pautado no Rock n Roll bebendo na fonte de The Stooges, MC5 e The Hellacopters. São 9 sons que todo de pura roqueragem.

A capa do álbum ficou encarregado mais uma vez pelo Victor Jam (Bicicleta sem Freio) ele que já fez a capa do nosso primeiro álbum “Hello Suckers” e do álbum “Ao Vivo”.

“Cê” (Universal Music, 2006), Caetano Veloso

 


Cê representou uma ruptura significativa na discografia do cantor e compositor baiano Caetano Veloso. Desde a década de 1990 até o lançamento de , o repertório dos discos de Caetano era baseado na MPB, nos ritmos latinos e afro-baianos como axé music e o samba-reggae. Em abril de 2004, Caetano lançou A Foreign Sound, um álbum em que ele regravou clássicos do cancioneiro americano, todos cantados em inglês.

Depois de A Foreign Sound, Caetano planejava gravar um álbum apenas de samba com canções inéditas compostas por ele. Mas a ideia do disco de samba se perdeu após conversas bastante estimulantes entre Caetano Veloso e o guitarrista Pedro Sá sobre rock, sobre tudo a respeito de discos de bandas alternativas do gênero que eles estavam ouvindo na época, como Pixies, Pavement, Artic Monkey e Arcade Fire. Pedro Sá já trabalhava com Caetano desde o disco Noites do Norte, lançado pelo cantor em 2000. A ideia de gravar um disco com uma levada rock foi ganhando corpo e seriedade, e em pouco tempo, já contava com uma banda de apoio para as gravações, o power trio batizado como Banda Cê formada por Pedro Sá (guitarra), Ricardo Dias Gomes (baixo) e Marcelo Callado (bateria). Uma banda enxuta, apenas o básico necessário para acompanhar Caetano Veloso nessa nova e ousada empreitada em sua carreira.

Caetano Veloso e a Banda Cê, ao fundo, da esquerda para a direita:
Marcelo Callado, Ricardo Dias Gomes e Pedro Sá.

Produzido por Pedro Sá e Moreno Veloso (filho de Caetano Veloso) – os dois amigos de infância, inclusive -  é um trabalho em que Caetano deixou de lado os arranjos elaborados do maestro e arranjador Jaques Morelenbaum dos seus discos anteriores, e direcionou-se para uma sonoridade mais crua, simples, minimalista, inspirada no indie rock. O resultado é um frescor e jovialidade na musicalidade de Caetano Veloso.

Na época da concepção de , o relacionamento de 19 anos de Caetano Veloso e Paula Lavigne havia chegado ao fim. Algumas faixas do álbum refletem esse momento difícil na vida do cantor, expondo através de versos as suas dores e ressentimentos, de maneira clara, direta e até mesmo agressiva em alguns momentos.

O fim do relacionamento conjugal do cantor aparece já na primeira faixa do álbum, “Outro”, que traz nos versos um desabafo do artista, onde reconhece os seus erros, mas que dará a volta por cima, e que quando passar por ela, ela não irá reconhecê-lo. Oposta ao ritmo frenético de “Outro”, “Minhas Lágrimas” é lenta, arrastada e melancólica.

Paula Lavigne e Caetano Veloso: fim de relacionamento inspirou
algumas faixas do álbum .

“Rocks” é uma faixa essencialmente rock’n’roll, faz jus ao título que possui e é mais uma das faixas em que Caetano se inspirou na sua separação com Paula Lavigne. No refrão, Caetano manda um recado direto, sem rodeios: “Você foi mó rata comigo”. A base instrumental é forte, agressiva e corresponde à crueza da letra.

Em seguida, os ânimos se acalmam com “Deusa Urbana”, uma balada carregada de erotismo nos versos, nos quais Caetano demonstra uma completa devoção erótica ao corpo feminino. “Waly Salomão” é uma canção em que Caetano Veloso presta homenagem ao poeta baiano tropicalista que dá nome à música, falecido em 2003: “Meu grande amigo / desconfiado e estridente / eu sempre tive comigo / que eras na verdade / delicado e inocente”.

“Não Me Arrependo” é a melhor faixa do disco, e é também mais uma das canções do disco que tocam na separação conjugal de Caetano e Paula. Aqui, o tom confessional do cantor é mais ameno. Caetano faz uma espécie de análise do relacionamento que vivenciou com a ex-mulher e, apesar de tudo, para ele a história que viveram juntos permanecerá: “Não, nada irá neste mundo / Apagar o desenho que temos aqui / Nem o maior dos seus erros / Meus erros, remorsos / O farão sumir...”.

Seduzido pela beleza da modelo Ilde Silva, Caetano Veloso compôs “Musa Híbrida”. O título faz referência à miscigenação racial da modelo baiana, retratada na letra da canção: “A minha voz tão fosca / brilha por teus lábios bundos / a malha do teu pelo / dongo, congo, gê, tupi, batavo, luso, hebreu e mouro / se espalha pelo mundo / vamos refazer o mundo / teu buço louro / meu canto mestiçoso”. Após o fim do seu relacionamento com Paula Lavigne, Caetano teve um breve romance com Ilde Silva. 

Musa inspiradora: a modelo baiana Ilde Silva foi a inspiração para
Caetano Veloso compor "Musa Híbrida".

“Odeio” também reflete o fim da relação conjugal de Caetano e traz um refrão direto, claro e cheio de raiva: “Odeio você, odeio você”. A irônica “Homem” trata sobre a masculinidade, onde Caetano diz que das mulheres, inveja apenas a “longevidade e os orgasmos múltiplos”. Em “Porquê?”, Caetano canta estranhamente versos repetitivos com sotaque português. “Um Sonho” é mais uma canção presente no álbum inspirada em mulher, e teria sido dedicada por Caetano à atriz e modelo Luana Pivani.

O álbum termina com “O Herói”, uma música que é mais declamada do que cantada. A letra é sobre um militante negro que se opõem à falsa “harmonia racial” brasileira, mas que depois se descobre um “homem cordial” e instaurador da “democracia racial”.

Lançado em setembro de 2006,  (expressão que é uma corruptela de “você”), surpreendeu o público e a crítica. Após um álbum como A Foreign Sound, ninguém imaginaria que Caetano lançaria um trabalho com uma proposta radicalmente diferente, completamente inspirado no indie rock, muito embora experiência do cantor baiano com o rock não fosse uma novidade. Desde o primeiro álbum solo, em 1968, passando pelo álbum Transa (1972) e Velô (1984), Caetano experimentou elementos do rock nas suas canções. Mas em , Caetano já era um artista com 64 anos de idade, mas bebia em referências do rock contemporâneo e estava acompanhado de jovens músicos na faixa dos trinta e poucos anos. Essa virada musical de Caetano revigorou o seu trabalho e o aproximou ainda mais das novas gerações.

O lançamento do disco foi sucedido por uma turnê em que Caetano foi acompanhado pela Banda Cê, a mesma que gravou com ele o álbum . Em setembro de 2007, foi lançado o CD e DVD Multishow ao Vivo: Cê, gravado ao vivo num show na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro. Ainda em 2007, Caetano foi premiado com o Grammy Latino na categoria “Melhor Álbum de Compositor” e a canção “Não Me Arrependo” ganhou na categoria “Melhor Canção Brasileira”.

 foi o início de uma trilogia que inclui os álbuns Zii e Zie (2009) e Abraçaço (2012), quando encerrou-se a parceria de Caetano Veloso e a Banda Cê.

Faixas

Todas as canções foram compostas por Caetano Veloso.

  1. “Outro”
  2. “Minhas Lágrimas”
  3. “Rocks”
  4. “Deusa Urbana”
  5. “Waly Salomão”
  6. “Não Me Arrependo”
  7. “Musa Híbrida”
  8. “Odeio”
  9. “Homem”
  10. “Porquê?”
  11. “Um Sonho”
  12. “O Herói”

 

Banda Cê: Pedro Sá (guitarra), Ricardo Dias Gomes (baixo) e Marcelo Callado (bateria).

 

“Outro”

“Minhas Lágrimas”

“Rocks”

“Deusa Urbana”

“Waly Salomão”


“Não Me Arrependo”

“Musa Híbrida”

“Odeio”

“Homem”

“Porquê?”

“Um Sonho” 


“O Herói” 

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