sábado, 18 de fevereiro de 2023

ALBUM DE ROCK PROGRESSIVO

 

Cast - A Live Experience (1999)


E chegou o fim de semana prolongado e vamos deixar-vos muita música para conhecerem, apreciarem e curtirem, incluindo esta dupla ao vivo de Cast. Mais do melhor do rock mexicano, num trabalho cantado em inglês e lançado em 1999, este álbum é uma retrospectiva de Cast. É o seguinte: acontece que para comemorar os vinte anos do grupo, a Musea Records produziu um CD duplo ao vivo que contém material dos shows realizados no continente americano, do Canadá à Argentina. Básicamente, são os temas destacados dos seus primeros seis discos, el disco 1 contiene las piezas largas, "Rescue", "Door Of The World", "A Run in the Rain" y "Echoes", y el disco 2 contiene 10 composiciones de outros.

Artista: Elenco
Álbum: A live experience
Ano: 1999
Gênero: Symphonic rock
Duração: 141:54
Nacionalidade: México
 
Um álbum duplo ao vivo que saiu no mesmo ano de "Imaginary Window" 


O álbum tem uma sonoridade muito boa no geral, as músicas são muito bem interpretadas, acho que nas versões ao vivo o Cast encontra o ponto exato em suas músicas, que apesar de serem complexas, os músicos fazem um trabalho técnico impecável, mesmo no seções mais difíceis de interpretar. E é que Cast tem uma história de mais de 300 shows que os tornam uma banda diferente ao vivo do que no estúdio.
Vamos com um pouco de história sobre como isso levou à gravação deste álbum:
Cast é uma das bandas de rock progressivo mais destacadas do México, que em longos anos de experiência desenvolveu uma maneira particular e elegante de abordar o estilo, influenciado pelos grandes grupos sinfônicos clássicos como Emerson, Lake & Palmer, Genesis, Jethro Tull e sim. Além de ter mais de uma dezena de discos publicados, em sua carreira, a banda teve a importância crucial de ser a organizadora do festival internacional de rock progressivo Baja Prog, vitrine fundamental para bandas consagradas e emergentes do movimento.
A história do Cast remonta a 1979 na cidade de Mexicali, Baja California, quando o tecladista Alfonso Vidales, junto com outros músicos da região, criou o Cast, cujo significado significa Elenco ou Elenco. Assim, a banda iniciou sua jornada musical com a realização de seu primeiro álbum conceitual, inspirado no livro do escritor irlandês Jonathan Swift, "Gulliver's Travels". O grupo fortaleceu sua proposta ao longo dos anos com a publicação de várias demos até lançarem seu álbum “Complot”. Finalmente em 1993 consolidaram sua formação com os já citados Vidales, o baixista Rodolfo González, o baterista Antonio Bringas, o guitarrista e vocalista Francisco Hernández e o flautista, guitarrista e vocalista Dino Brassea. Nesse mesmo ano montaram um moderno estúdio de gravação,
Já com esse respaldo, a banda lançou entre 1994 e 1995 os álbuns "Landing In A Serious Land", "Third Call", com gravações feitas entre 1989 e 1994, "Sound of Imagination", que compila material de 1985, 1990, 1994 e 1995, "Four Aces" e "Endless Signs". A partir de 1996, Cast passou a fazer constantes turnês mundiais, visitando países como Inglaterra, Espanha, Holanda, Canadá, Estados Unidos, Argentina, Finlândia, Suécia e Itália. Em 1996 lançaram seu primeiro LP ao vivo "A View Of Cast", em 1997 "Angels and Demons" e em 1998 "Imaginary Window" e o ao vivo, "CAST-A Live Experience", que foi o primeiro a ser publicado sob beirais da importante gravadora francesa Musea.
Desde 1999, o inicialmente pequeno festival Baja Prog tornou-se um dos mais importantes para o rock progressivo mundial, com a participação de alguns dos grupos mais importantes da era clássica da atualidade, bem como dos grupos emergentes mais proeminentes. pedra. Em 2000 a banda lançou o excelente álbum duplo conceitual "Laguna de Volcanes" e o ao vivo "Castalia". Em 2001, com a substituição de Dino Brassea pelo guitarrista Carlos Humarán e a transferência de Francisco Hernández para os vocais principais, a banda liderada por Alfonso Vidales grava seu próximo LP que batizaram com o nome de "Infinity".
rockaxis
 


 
Li no Manticornio esse texto sobre a banda que me parece bem certeiro: "O CAST escolheu um bom nome para ser lembrado toda vez que um filme acaba, mas muito complicado começar uma busca na internet se você não for um internauta especialista. Da mesma forma em assim ele conceituou sua fórmula para fazer rock progressivo: bom para agradar a um bom número de pessoas, mas difícil de ser reconhecido por alguma característica particular, por alguma característica original que se destaca acima do grosso das bandas dedicadas a esse estilo musical". Isso os define perfeitamente.
Devo dizer, como única coisa, que este é um dos discos desta banda que mais gosto. Imagino que vários conheciam Castpor este espaço, em todo caso, se você pôde curtir esta banda, não hesite em levar este álbum que trago agora.
Elenco deve ser, sem dúvida, um dos projetos mais sérios e de maior qualidade do nosso continente. Com 21 anos de experiência e um recorde de 8 discos de estúdio e 2 discos ao vivo, este grupo mexicano formado por Alfonso Vidales (teclados), Francisco Hernández (guitarras), Dino Brassea (flauta e voz), Rodolfo González (baixo ) e Antonio Bringas (bateria) tem se caracterizado por entregar em cada produção uma demonstração plena de talento e elegância, grafados no maravilhoso lirismo que emerge de suas sofisticadas composições, que evocam a beleza e o sentimento de grupos como Camel, Genesis e Gentle Giant , entre outras, características que se somam ao seu exultante cunho latino-americano que lhes confere uma personalidade muito própria. "Pousando em uma mente séria", "Sounds of Imaginations" e "Third Call" correspondem aos três primeiros álbuns do Cast, que apareceram imediatamente em 1994. A esta trilogia juntaram-se mais tarde "Four Aces" e "Endless Sing" em 1995 e logo a seguir "Beyond Reality" e a bela "View of Cast Live ", ambos lançados em 1996. Após essa sequência de obras-primas, o grupo decidiu embarcar na criação de seu trabalho mais aventureiro para uso. "Anjos e Demonios". Eles levaram dois anos para fazer este registro, que marcou o último álbum independente da banda. Isso porque suas duas próximas produções: “A live Experience” e “Imaginary Window” surgiram no ano passado sob a égide da Musea Records. Para este início de milênio, A banda mexicana já lançou dois discos fantásticos: "Legacy", o novo trabalho de estúdio, e "Laguna de los Volcanes", um álbum duplo inteiramente cantado em espanhol. Arranjos ambiciosos, teclados incríveis e uma poderosa base rítmica; É necessário descrever mais? Afinal, com a Cast a delícia é simplesmente garantida......
Juan Barrenechea

Em suma, um álbum ao vivo muito bom dos experientes músicos do Cast . Muito bom trabalho vale a pena ouvir e apreciar.
 
Você pode ouvir o álbum do seu espaço no Bandcamp:
https://castoficial.bandcamp.com/album/a-live-experience-1999
 
 
Lista de faixas:
CD 1:
1. Intro-Rescue (20:46)
2. Door Of The World-Mirror House-Solo Drums (21:19)
3. Run In The Rain (10:32)
4. Echoes (19: 37)

CD 2:
1. Static Dreams (8:07)
2. Reunion (7:19)
3. Magic Is Gone (8:08)
4. House By The Forest (6:10)
5. Winter (3:35)
6. Dragon's Attack (8:58)
7. Hidden Poems (9:05)
8. Spirit Of Men (8:51)
9. Transparent Symbols (3:18)
10. In The Light Of Darkness (8:09)

Formação:
- Fransisco Hernandez / guitarra, voz
- Antonio Bringas / bateria
- Dino Brassea / voz, flauta
- Rodolfo Gonzalez / baixo
- Alfonso Vidales / teclados


Resenha do álbum: Telefon Tel Aviv – Dreams Are Not Enough

 

Josh Eustis começou seu retorno constante ao projeto Telefon Tel Aviv cerca de seis anos atrás, mas sem a imaginação selvagem de Charlie Cooper, ele ainda pode recapturar a magia de seus lançamentos anteriores?

Segundo muitos críticos, parece que Dreams Are Not Enough pode até ser uma melhoria em seus trabalhos anteriores, com uma abordagem mais equilibrada. Voltar ao Telefon Tel Aviv deve ter sido difícil. Depois de perder tragicamente seu parceiro musical para uma overdose acidental de álcool e pílulas para dormir, apenas um dia antes do lançamento de Immolate Yourself .álbum, é compreensível que Eustis precisasse de algum tempo. A dupla era amiga de infância e, ao lamentar a perda de Charlie Cooper, também lamentou a morte de seu pai. Desde 2009, Eustis se mantém ocupado com projetos musicais colaborativos, ao lado de bandas como Apparat e Nine Inch Nails. Ele também foi metade do Second Woman com Turk Dietrich e, como se isso não bastasse, conseguiu criar mais produção solo sob seu pseudônimo de Songs Of Magdalene.

Tanto o álbum quanto os títulos das faixas devem ser inspirados em um dos sonhos recorrentes de Eustis, o que ajuda a explicar a sonoridade dramática desse projeto em particular. Sonhos não são suficientesé claro que é um álbum experimental, com sua lista de faixas quase lida como uma espécie de poesia, optando por todas as letras minúsculas, bem como pontuação raramente vista. Isso sugere um estilo conceitual para os procedimentos e, por volta dos dois minutos da primeira faixa, você certamente ficará intrigado. “Eu sonho com isso frequentemente” empurra e puxa em direções opostas, acelerando e desacelerando livremente como uma espécie de máquina alienígena. A peça seguinte, “uma versão mais jovem de mim mesmo”, é muito mais controlada e apresenta a primeira das performances vocais distantes de Eustis. Atmosfera efervescente, acordes emotivos e entrega vocal dolorosamente sincera ao estilo de Thom Yorke se combinam para criar uma das faixas mais impressionantes do álbum; seu outro por si só é uma peça primorosamente cinematográfica digna de seu próprio título. Eustis mantém todos na dúvida enquanto passamos para a faixa três, onde sussurros assustadores colidem com sintetizadores metálicos dos anos 80. Seu uso de contraste aqui é tão eficaz, onde almofadas suaves e sedosas seguem rosnados sintéticos demoníacos. O silêncio se torna tão importante quanto o ruído, isso ao lado do padrão de bateria do intervalo das faixas é uma reminiscência dos primeiros trabalhos de dubstep de artistas como Jamie Vex”d.

Em outro lugar, ouvimos possíveis influências de Squarepusher ou Plastikman, e a cada poucas faixas Eustis aparece em outra peça sem bateria; agindo como um limpador de paleta musical. Não que sejam menos intensos ou emocionais, na verdade alguns são tão caóticos quanto o trabalho de Aphex Twin. “não vendo”  é outra faixa de destaque que realmente encapsula a natureza do álbum. Tons distorcidos combinam lindamente com vocais sonhadores e ofegantes. Tudo soa tão texturizado e bem considerado, desde os acordes fortemente encadeados até os golpes de caixa manipulados. A peça seguinte, “not respirando”,  vira as coisas de cabeça para baixo mais uma vez e é provavelmente a batida mais amigável para pista de dança/DJ do álbum. Quer Eustis tenha ouvido falar deles ou não, parece que poderia ser tocada por artistas como Pinch ou Mumdance.

De certa forma, o material anterior do Telefon Tel Aviv era muito difícil de digerir, criando um nicho de fãs do IDM. Dreams Are Not Enough é às vezes mais detalhado do que seus álbuns anteriores, mais impressionante musicalmente e criativamente. Eustis continua a ultrapassar limites, e o sentimento deste álbum realmente brilha. Dreams Are Not Enough é uma jornada terapêutica através da raiva, paz e tudo mais.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

10 discos essenciais: Bob Marley & The Wailers

 


Robert Nesta Marley nasceu em 6 de fevereiro de 1945, em Nine Mile, um vilarejo próximo à paróquia de Saint’Ann, na Jamaica. Em 1962, aos 17 anos, Bob Marley gravou o seu primeiro single, “Judge Not”. No ano seguinte, Bob Marley mais Peter Tosh, Bunny Wailer, Junior Braithwaite, Beverly Kelso e Cherry Smith, formaram os Wailing Wailers. O primeiro single do conjunto, “Simmer Down”, veio em 1964, e alcançou o 1º lugar na parada jamaicana. Braithwaite e Kelso deixam os Wailing Wailers em 1965, e um ano depois, o grupo chega ao fim.

Em 1966, Bob Marley e Rita Anderson se casam, e logo se mudam para os Estados Unidos para tentar uma vida melhor, mas oito meses depois retornaram para a Jamaica. Ao retornar para a Jamaica, Marley encontra uma realidade diferente da que deixou. Depois da visita do imperador da Etiópia, Haile Selassie, à Jamaica, em abril de 1966, houve um crescimento do rastafarianismo naquela ilha. Os rastafaris acreditavam que Selassie era a reencarnação de Jah. Marley logo passa a se interessar pela religião rastafari.

Bob Marley, Peter Tosh e Bunny Wailer decidem retomar o antigo grupo, porém como um trio e com nome reduzido a The Wailers. Em 1969, iniciam uma parceria com o produtor Lee Perry, e um ano depois, o grupo vira um quinteto com a entrada dos irmãos Aston Barrett (baixo) e Carlton Barrett (bateria). O grupo é rebatizado para Bob Marley & The Wailers, o que incomodará Peter Tosh.

Após dois álbuns Soul Rebels (1970) e Soul Revolution (1971), ambos lançados por pequenos selos jamaicanos, Bob & The Wailers assinam em 1973 um contrato com a gravadora inglesa Island Records, de Chris Blackwell, produtor e empresário inglês que viveu a infância e a juventude na Jamaica e conhecia muito bem a música jamaicana. A Island Records lança naquele mesmo ano Catch A Fire, álbum que projetou Bob Marley & The Wailers e o reggae internacionalmente. O grupo passa a contar com um tecladista, Earl Lindo. Em outubro de 1973 sai Burnin’, e logo após o lançamento, Peter Tosh e Bunny Wailer deixam os Wailers e partem cada para carreira solo.

A partir de 1974, Bob Marley & The Wailers passam por uma nova reformulação com a troca de alguns músicos e a inclusão de um trio de vocal de apoio, as I Three, formado por Rita Marley (esposa de Bob), Judy Mowatt e Marcia Griffiths. Naquele mesmo ano, lançam Natty Dread, álbum que traz a versão de estúdio de “No Woman, No Cry”, mas que irá se tornar mais famosa com a sua versão ao vivo, presente no primeiro álbum ao vivo de Bob Marley & The Wailers, Live!, lançado em 1975. Rastaman Vibration, de 1976, alcança o 35º lugar na parada de álbuns dos Estados Unidos, e assim, Bob Marley & The Wailers alcançam prestígio no mercado americano.

No final de 1976, a casa de Bob Marley é invadida por pistoleiros a tiros. Bob é baleado com um tiro de raspão abaixo do peito esquerdo, sua esposa Rita Marley sofre um tiro de raspão na cabeça, e o empresário do cantor, Don Taylor, levou cinco tiros. Milagrosamente, apesar do terror e dos tiros, todas as vítimas sobreviveram. Os criminosos fugiram.

Por causa do atentado, Bob Marley e a família deixaram a Jamaica e se mudaram para Londres por temerem novos atentados. No exílio londrino, Bob Marley grava os álbuns Exodus (1977) e Kaya (1978), este último lançado quando voltou a morar na Jamaica em 1978.

Em 1979 é lançado Survival, considerado um dos álbuns mais politizados de Bob Marley, e que inicia o discurso do astro do reggae mais direcionado pela defesa da África. No ano seguinte, em 1980, Bob Marley e seus músicos visitaram o Brasil, mas não fizeram shows. Em junho no mesmo ano, é lançado o último de Bob Marley em vida, Uprising, que traz hits como “Could You Be Loved” e “Redemption Song”.

No segundo semestre de 1980, um câncer que Bob Marley estava sofrendo se agrava. Entre o final de 1980 e começo de 1981, Marley passa por uma série de tratamentos para combater doença, e busca ajuda na Alemanha. Contudo, o câncer se generaliza: atinge pulmões, fígado e cérebro. Os médicos declaram que a situação é irreversível.

Durante a viagem de retorno da Alemanha para a Jamaica, Marley passa mal. Numa escala em Miami, é internado às pressas num hospital daquela cidade, onde morre, aos 36 anos.

Abaixo, confira dez álbuns essenciais para se entender a carreira de Bob Marley.       

 

Soul Revolution (Maroon / Upsetter, 1971). Produzido pelo lendário Lee “Scratch” Perry, Soul Revolution apresenta o reggae de Bob Marley & The Wailers em seu estado bruto, antes ser lapidado e embalado para exportação pela Island Records de Chris Blackwell. Soul Revolution traz algumas músicas que seriam regravadas por Marley e seus companheiros anos mais tarde como “Kaya” e “Don’t Rock My Boat” (rebatizada como “Satisfy My Soul”), ambas para o álbum Kaya, de 1978.
 



Catch A Fire (Island Records, 1973). Álbum que deu projeção internacional a Bob Marley & The Wailers e ao próprio reggae. Depois que o material foi todo gravado na Jamaica, o produtor e proprietário da Island Records, Chris Blackwell, acrescentou em Londres mais instrumentos e inseriu outros recursos para tornar o álbum mais “polido” e atrativo para o público internacional, mas sem tira a essência musical dos músicos. Destaque para as faixas “400 Years” (de Peter Tosh), “Concrete Jungle’ e Kinky Reggae.
 



Burnin’ (Island Records, 1973). Seis meses após Catch A FireBob Marley & The Wailers lançam Burnin’. Último álbum a contar com a presença de Peter Tosh e Bunny Wailer, Burnin’ traz canções que refletem o estado de tensão político-social que a Jamaica passava na época e ao próprio reggae. “Get Up Stand Up” é uma crítica aos manipuladores da fé alheia e uma defesa dos direitos humanos. Em “I Shot The Sheriff”, o narrador se mete em confusão ao tentar atirar no xerife, supostamente por legítima defesa. “I Shot The Sheriff” foi regravada em 1974 por Eric Clapton, e alcançou o 1º lugar na Billboard Hot 100, nos Estados Unidos, o que só ajudou a dar mais visibilidade ao trabalho de Bob Marley & The Wailers naquele país.        
                                                                                                                                                                                                                                                       

Natty Dread (Island Records, 1974). Primeiro álbum de Bob Marley & the Wailers sem Peter Tosh e Bunny Wailer, e o primeiro com as I Threes. A partir daqui, Bob Marley passa ser em definitivo o centro das atenções. Destaques para versão de estúdio de “No Woman, No Cry”, e a uma regravação de “Lively Up Yourself”, cuja versão original saiu em single em 1971.
 




Live! (Island Records, 1975). Gravado ao vivo no Lyceum Theatre, em Londres, Live! É o primeiro álbum ao vivo de Bob Marley & The Wailers, e apresenta o poder magnético do astro jamaicano no palco. O clima festivo do álbum dá uma ideia ao ouvinte de que naquele momento, o reggae já havia se consagrado for Jamaica. Live! Traz grandes sucessos de Bob Marley & The Wailers até então como “Trenchtown Rock”, “Lively Up Yourself” e “I Shot The Sheriff”. Mas é a versão ao vivo de “No Woman, No Cry” que se torna o grande sucesso do álbum e a versão definitiva e mais popular dessa canção.

 


Rastaman Vibration 
(Island Records, 1976). Rastaman Vibration foi o primeiro e único álbum de Bob Marley & The Wailers a figurar no Top 10 da Billboard 200, nos Estados Unidos, alcançando a 8ª posição. O single da faixa “Roots Rock Reggae” ficou em 51º lugar da parada da Billboard Hot 100, nos Estados Unidos. Os destaques ficam para a otimista “Positive Vibration” e “War”, uma canção sobre desigualdade social e racismo no continente africano, cuja letra foi baseada no discurso do imperador da Etiópia, Haile Selassie, numa assembleia da antiga Liga das Nações, em 1936, órgão que antecedeu a Organização das Nações Unidas (ONU).
 


Exodus (Island Records, 1977). Após sofrer atentado em 1976, Marley e sua família deixaram a Jamaica e se mudaram para Londres. No exílio londrino, Bob Marley & the Wailers gravaram Exodus, um trabalho muito influenciado pela turbulência política e social na Jamaica na época. A faixa-título foi inspirada no êxodo bíblico do Antigo Testamento sob uma visão rastafari, mas também influenciada no próprio drama sofrido por Marley, sua família e amigos. Contudo, o álbum traz momentos de leveza através de “Jamming”, “Waiting In Vain”, “Three Little Birds” e “One Love”.
 



Kaya 
(Island Records, 1978). Diferente do perfil politizado do seu antecessor, Exodus, Kaya é um álbum leve, suave, que traz canções com temas mais amenos, mais voltados ao amor e à maconha. Isso gerou uma série de críticas por parte da imprensa que acusou Bob Marley de ter se “amansado”, de se afastar da militância. Apesar das críticas da época de seu lançamento, o prestígio de Kaya cresceu com o passar do tempo, e muito por conta de trazer canções que se tornaram memoráveis como “Is This Love” e “Satisfy My Soul” e a faixa-título.
 



Survival (Island Records, 1979). Os temas brandos abordados em Kaya (1978), gerou críticas da imprensa musical a Bob Marley que for acusado de ter sido menos militante do que nos álbuns anteriores. Com Survival, Marley voltou com toda a carga, com um discurso politizado mais afiado do que nunca. A partir de Survival, Marley adota uma postura em defesa da África, a “terra-mãe” do povo negro. O álbum toca em assuntos que vão desde as questões ligadas aos europeus colonizadores em solo africano até segregação racial como o apartheid na África do Sul. Inicialmente, Survival foi pensado como início de uma trilogia que foca no continente africano, que prosseguiria com o álbum Uprising (1980) e concluiria com Confrontation (1983). Destaque para as faixas “So Much Trouble In The World”, “Africa Unite” e “Zimbabwe”. 


Uprising (Island Records, 1980). Último álbum lançado por Bob Marley em vida, Uprising é um trabalho que mostra o astro jamaicano ampliando o seu arco musical, indo além das fronteiras do reggae ao aproximar-se do afrobeat, funk e até folk music. Apesar das inovações, Uprising guarda uma atmosfera melancólica, talvez influenciada pela batalha que Marley travava contra o câncer, o que explica o álbum abordar temas mais voltados à espiritualidade, amor, pecado, união e cooperação. “Could You Be Loved” e “Redemptio Song” são as músicas mais conhecidas de Uprising.

“True Blue” (Sire Records, 1986), Madonna

 


Embora lançado no final de 1984, foi no ano seguinte que Like A Virgin fez de Madonna uma estrela pop mundial. O segundo álbum de estúdio da cantora americana emplacou cinco singles e vendeu mais de 20 milhões de cópias. Madonna ainda teve tempo de coestrelar o filme Desperately Seeking Susan (no Brasil, Procura-se Susan Desesperadamente). O impacto causado pelo sucesso do álbum Like A Virgin gerou no público uma grande expectativa para o próximo trabalho de Madonna.

Para alguns especialistas, o terceiro álbum é o mais importante na carreira de um artista, é um trabalho desafiador. É evidente que não é exatamente uma regra, porém, o terceiro disco carrega uma responsabilidade de ratificar o sucesso conquistado pelo artista por meio dos dois primeiros álbuns. O terceiro álbum tem o desafio de consolidar esse sucesso e mostrar que determinado artista não é um mero modismo, um “produto descartável”.

Com True Blue, Madonna conseguiu superar com desenvoltura o desafio do terceiro álbum. Em seu terceiro álbum de estúdio, Madonna manteve a receita musical do apelo pop de Like A Virgin, mas acrescentou algumas novidades ao seu trabalho como a musicalidade latina (algo que seria recorrente a partir de então nos seus trabalhos posteriores), a abordagem de temas mais delicados como o aborto e gravidez na adolescência, e o emprego da voz num tom mais grave, encorpado, diferente da voz estridente dos dois primeiros discos. Outra novidade trazida por True Blue foi que Madonna mudou o seu visual: trocou figurino new wave cheio de adereços, colar com crucifixo e o jeito adolescente por um visual adulto, um corte de cabelo curto e platinado.

Tendo já conquistado o público jovem, Madonna procurava através de True Blue atrair o público adulto que via com descrédito o seu trabalho por causa dos seus dois primeiros álbuns.

Visual novo: Madonna fotografada por Herb Ritts em sessão de fotos 
para a capa de True Blue.

True Blue foi gravado entre dezembro de 1985 e abril de 1986 no Channel Recording Studios, em Los Angeles, nos Estados Unidos. A produção ficou a cargo do músico e produtor Stephen Bray (ex-namorado de Madonna), de Patrick Leonard e da própria Madonna.  

Em março de 1986, foi lançado o single da balada romântica “Live To Tell”, a segunda da carreira de Madonna. A primeira foi “Crazy For You”, do álbum Like A Virgin. O single de “Live To Tell” surpreendeu o público ao apresentar uma Madonna mais adulta, mais mulher, uma voz mais grave. Assim como o single, o videoclipe de “Live To Tell” também refletiu essa nova Madonna. O single de “Live To Tell” agradou os fãs, e logo alcançou o 1º lugar da Billboard Hot 100, nos Estados Unidos, e entrou no Top 10 do Canadá, França, Países Baixos, Suíça e Reino Unido.

True Blue foi lançado em 30 de junho de 1986, e quase se chamou Live To Tell, título do primeiro single do álbum. Madonna dedicou o álbum ao ator Sean Penn, com quem havia se casado em agosto de 1985. Estava bastante apaixonada pelo marido. Mal sabia ela dos tormentos que iria passar com Sean Penn algum tempo depois.

Composto por nove faixas, True Blue começa com “Papa Don’t Preach”, música que traz na sua introdução um arranjo de cordas simulado por sintetizador que dá um tom de música clássica, mas que na sequência cede espaço para um ritmo dance pop. “Papa Don’t Preach” conta a história de uma garota adolescente que descobre que está grávida e diz ao seu pai, um homem severo, que terá o bebê e se casará com o namorado, pai da criança. No Brasil, “Papa Don’t Preach” foi incluída da trilha sonora da novela Hipertensão, da TV Globo, em 1986.

O ritmo dançante prossegue com “Open Your Heart”, primeira música gravada para o álbum, em dezembro de 1985. A música foi oferecida a Cyndi Lauper, mas ela rejeitou. A letra de “Open Your Heart” trata sobre uma garota que tenta conquistar o rapaz por quem está apaixonada, e para o qual diz que ele tem a chave para abrir o cadeado do coração dela. O videoclipe de “Open Your Heart” causou polêmica na época em que foi exibido pela primeira vez por causa da cena em que um garotinho tenta entrar num peep show onde Madonna faz o papel de uma dançarina sensual vestida num figurino inspirado em Lize Minelli e Marlene Dietrich.

Madonna em cena do videoclipe de "Open Your Heart",
em traje inspirado em Liza Minelli.

“White Heat” é dedicada ao ator James Cagney e ao filme estrelado por ele, filmado em 1947, e que possui o mesmo título da música. Na introdução da música, há um trecho de um diálogo original do filme. A letra de “White Heat” é sobre uma mulher empoderada, sedutora, dona dos seus desejos, e que toma a iniciativa frente ao seu amante.

O lado 1 da versão LP de True Blue termina com a ótima “Live To Tell”, que havia sido lançada em single três meses antes do álbum. “Live To Tell” é uma balada romântica maravilhosa em que Madonna mostra toda a sua maturidade como intérprete. A música era instrumental, composta por Patrick Leonard para a trilha sonora do filme Fire With Fire, mas foi recusada pela empresa produtora do filme. Leonard então mostrou a música para Madonna, que gostou e escreveu a letra. Ela gravou e decidiu incluí-la na trilha sonora do filme At Close Range (Caminhos Violentos, no Brasil), estrelado por seu marido Sean Penn. O diretor do filme, James Foley, aprovou e a música foi incluída na trilha sonora.

“Where’s The Party” abre em ritmo agitado o lado B da versão LP do álbum. Trata sobre uma garota que trabalha duro de segunda a sexta, e aproveita o sábado para se divertir e extravasar em alguma festa. A divertida, alegre e leve faixa-título vem na sequência, uma música que Madonna se inspirou no som de girl groups dos anos 1960 como The Ronettes e The Supremes. “Tru Blue”, a canção, versa sobre uma garota romântica que após tantas desilusões amorosas, encontrou o seu verdadeiro amor, e a ele devota todo o seu sentimento.

“La Isla Bonita” é uma das principais faixas de True Blue e um dos maiores sucessos da carreira de Madonna. Foi a primeira música gravada por Madonna com influência da sonoridade hispânica. Patrick Leonard e Bruce Gaitsch compuseram a canção, e Madonna complementou a letra, em que a cantora sonha que está numa ilha paradisíaca chamada San Pedro. Os bongôs na introdução da música foram tocados pelo percussionista brasileiro Paulinho da Costa, músico que já tocou com alguns dos mais importantes artistas da música pop americana.

Uma curiosidade na letra de “La Isla Bonita” é que embora a letra traga expressões e toda uma carga musical com inspiração hispânica, há uma citação sobre samba, o principal ritmo musical do Brasil, país onde o idioma é o português: “E quando o samba tocava / O sol se punha lá no alto”. É o velho desconhecimento de uma grande parcela do povo americano que acredita que toda a América Latina é uma só cultura e fala apenas espanhol. Outra curiosidade sobre “La Isla Bonita”, é que ela foi oferecida para Michael Jackson gravar, mas ele recusou.

O consagrado percussionista brasileiro, Paulinho da Costa,
tocou bongô em "La Isla Bonita".


Com influência da música pop do início dos anos 1960, “Jimmy Jimmy” é outra faixa com clima retrô presente em True Blue. A letra é sobre a admiração de uma garota por um bad boy do bairro onde mora. O álbum termina com “Love Makes The World Go Round”, outra faixa com influencia latina presente no álbum, e que traz em sua letra uma temática pacifista e social.

True Blue atendeu as expectativas do público pelo novo álbum de Madonna. O novo trabalho da cantora teve um ótimo desempenho nas paradas de álbuns de vários países. Alcançou o 1º lugar nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália, França, Alemanha e Brasil. Todos os cinco singles do álbum (“Live To Tell”, “Papa Don’t Preach”, “True Blue”, “Open Your Heart” e “La Isla Bonita”) alcançaram o Top 5 da Billboard Hot 100, nos Estados Unidos. Os singles de “Live To Tell” e “Papa Don’t Preach” atingiram o 1º lugar da Billboard Hot 100.

A performance de True Blue nas vendas foi ótima. Nos Estados Unidos, vendeu cerca de 7 milhões de cópias, e no Reino Unido, chegou à marca de 2 milhões de cópias vendidas. Em todo o mundo, True Blue vendeu 30 milhões de cópias. O terceiro álbum de Madonna foi o disco mais vendido no mundo em 1986, e o álbum feminino mais vendido na década de 1980.

Embora lançado no final de junho de 1986, a turnê promocional de True Blue só começou um ano depois, em 14 de junho de 1987. A turnê promocional de True Blue acabou agregada à turnê promocional da trilha sonora do filme Who's That Girl, lançado em julho de 1987. O filme foi estrelado por Madonna, que gravou também toda as faixas da trilha sonora. Foi na prática uma turnê promocional de dois discos ao mesmo tempo. Intitulada Who's That Girl World Tour, essa turnê foi a segunda da carreira de Madonna, mas a primeira que ela fez em escala mundial. A Who's That Girl World Tour passou pela América do Norte, Europa e Ásia, com 39 apresentações e envolveu um público total de cerca de 1,5 milhão de espectadores. A turnê terminou em 6 de setembro de 1987.

True Blue consolidou Madonna como a maior estrela feminina da música pop dos anos 1980, e elevou a cantora para o mesmo patamar de relevância pop de Michael Jackson e Prince. O álbum foi um disco de transição na carreira de Madonna, em que a cantora se distanciava do universo adolescente dos dois primeiros trabalhos para avançar para o universo feminino adulto a partir de Like A Prayer (1989). True Blue incluiu Madonna pela primeira vez no Guinness Book Of World Records, em 1988, no qual foi creditada como a cantora de maior sucesso do ano de 1986. 

Faixas

Lado 1

  1. "Papa Don't Preach" (Madonna - Brian Elliot)
  2. "Open Your Heart" (Madonna - Gardner Cole - Peter Rafelson)
  3. "White Heat" (Madonna – Patrick Leonard)
  4. "Live to Tell” (Madonna – Patrick Leonard)

 

Lado 2

  1. "Where's the Party" (Madonna - Stephen Bray - Patrick Leonard)
  2. "True Blue" (Madonna - Brian Elliot)
  3. "La Isla Bonita" (Madonna – Patrick Leonard - Bruce Gaitsch)
  4. "Jimmy Jimmy" (Madonna - Stephen Bray)
  5. "Love Makes the World Go Round" (Madonna - Stephen Bray)




"Papa Don't Preach"
(videoclipe original)

"Open Your Heart"
(videoclipe original)

 
"White Heat"

"Live to Tell”
(videoclipe original)

"Where's the Party"


"True Blue"
(videoclipe original)

"La Isla Bonita"
(videoclipe original)

"Jimmy Jimmy"


"Love Makes the World Go Round"

Destaque

We All Together - We All Together 2 (1974)

  Continuamos com o rock peruano e todas as suas joias escondidas, agora em um estilo à la Beatles, algo que você já pode perceber pela capa...