sábado, 18 de fevereiro de 2023

ROLLING STONES LANÇAM VERSÃO DEFINITIVA DO FILME-CONCERTO “GRRR LIVE!”

 

NIALL HORAN REGRESSA 3 ANOS DEPOIS COM “THE SHOW”

 

ZA! & TRANSMEGACOBLA… COLABORAÇÃO GRAVADA EM DISCO

 

GLOCKENWISE COM NOVO DISCO… “GÓTICO PORTUGUÊS”


Fica disponível esta sexta feira, 17 de fevereiro, em todas as plataformas digitais “Gótico Português”, o quinto disco de estúdio dos Glockenwise. A edição marca o arranque da nova editora, Vida Vã, criada pelo coletivo.


 

Os Glockenwise formaram-se na margem. Na margem geográfica, em Barcelos, uma pequena cidade industrial no Minho, onde a ideia de passar pela vida com anseio de fazer música – ou qualquer outra arte, para o efeito – era, ainda nos anos 2000, relativamente exótica; e na margem estética, forjados na energia inconformista do punk, sempre pontuados por uma característica melancolia que serviu de fio condutor até à identidade sonora presente, e que os tem vindo a demarcar de classificações mais evidentes. No princípio, fugir da margem era um incentivo poderoso para fazer música, e era o tema fundamental do lirismo associado – “How to get out? Out of this town?”, cantavam em Columbine.

 

Gótico Português” é, se não um regresso, um olhar apreciativo da margem. Há um Portugal a fervilhar na margem, abundante em manifestações culturais interessantes e bizarras, rico e diverso em tradições visuais e orais. Onírico, criativo e surpreendente. Há um Portugal esquecido na margem, sedento de representação mas obstinado, que se arregaça para ocupar de forma inventiva o vazio deixado pelas carências materiais, culturais e metafísicas. Para os Glockenwise, quase como que por epifania, tornou-se claro o paralelo entre esta atitude voluntarista e criativa – que vai da olaria de Rosa Ramalho às bênçãos de Alexandrina de Balazar – e a cultura de música Do It Yourself, que lhes permitiu transgredir os limites que pareciam à partida impostos.

Temas sobre a identidade de quem está na meia-distância, dividido entre a margem e o centro, escritos para tempos de incerteza, que requerem ainda mais canções.

 

CAVALHEIRO TEM UM NOVO SINGLE… “DANÇA MACABRA”


 Cavalheiro tem um novo single. Chama-se “Dança Macabra“, conta com vídeo filmado por David Hernández (Adarme Visual) em Vigo, e surge num período entre álbuns do artista sediado em Braga.

Diz-nos Tiago Ferreira, aka Cavalheiro, sobre este novo single:

“Há uns anos fui revisitar a Capela dos Ossos em Évora com a minha mulher. À entrada está escrito sobre a porta: “Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”. E aquilo ficou cá comigo, nem sei bem porquê. Entretanto veio a pandemia e sem nada para fazer como toda a gente, pus-me a ler sobre a Peste Negra, descobri então a Dança Macabra. É na verdade uma alegoria medieval com várias expressões, mas que se resume a retratar a universalidade da morte como um conceito agregador de toda a vida. Também ficou comigo esta.

Findo que estava o Ilha Digital, quis fazer um single e não podia escolher outro tema que não fosse a Dança Macabra. Tive a sorte de poder colaborar com muita gente talentosa e amiga neste tema.”

COM PASSAGEM PELO PRIMAVERA SOUND PORTO… REMA LANÇA DOIS NOVOS SINGLES “HOLIDAY” E “REASON YOU”


 Rema está de volta com “Holiday” e “Reason You”, dois novos singles que são também os primeiros temas em nome próprio do músico desde que lançou o seu álbum de estreia, “Rave&Roses”, em 2022.

Ambos os singles apresentam uma sonoridade nova e evoluída de Rema; “Holiday” distingue-se pelo ritmo uptempo, refletindo o cantor sobre as lutas e os sacrifícios que fez na – desde Benin City até ao EP de estreia em 2019 – destacando a sua autoconfiança apesar das dúvidas, críticas e rejeição.

Por outro lado, Rema transporta o ouvinte através da sua voz encantadora e meditativa em “Reason You”, uma canção dedicada a uma pessoa em particular que lhe chamou a atenção.

No final de 2022, a digressão mundial esgotada de Rema provou porque continua a ser um dos artistas mais populares da atualidade. No próximo dia 9 de junho vai atuar no festival Primavera Sound Porto.

Lambchop – Showtunes (2021)


 

Kurt Wagner conseguiu mais um pequeno milagre: o mais recente longa duração da banda de Nashville volta a deslumbrar. Aos poucos, devagarinho, entranhando-se por camadas que vão tomando conta de quem o ouve com a devida atenção. Showtunes é um delicioso slow burner.

Todos nos lembramos dos Lambchop dos tempos de Nixon (2000) e dos tempos de Is a Woman (2002), ambos os discos igualmente deliciosos. Os que já haviam despertado para o génio de Kurt Wagner há mais tempo recordam-se, seguramente, de outros belíssimos e delicados trabalhos como How I Quit Smoking (1996) ou do inaugural I Hope You’re Siting Down / Jack’s Tulips, de 1994. Entretanto, os Lambchop já por cá andam há quase 30 anos, e o que mais espanta, provavelmente, é a forma como souberam, de tempos a tempos, reinventar o seu legado musical sem que, no entanto, prescindissem da imagem sonora de marca que sempre os caracterizou. Aliás, os Lambchop pertencem àquele tipo de bandas que julgamos que se esgotarão desde o primeiro par de discos, de tão idiossincráticos que são, mas que, felizmente, tal coisa nunca aconteceu. Algo semelhante aconteceu, eventualmente, com os Tindersticks ou com os Sleaford Mods, por exemplo, mesmo que em registos completamente diferentes. Acabam sempre, embora com algumas intermitências, por serem capazes de fazer álbuns muito dignos de registo.

Com o recentíssimo Showtunes, no entanto, algo de inusitado aconteceu. Embora também influenciado pelo uso de tecnologias sonoras eletrónicas (convém perceber que Showtunes é ainda descendente direto do soberbo Flotus, de 2016), a verdade é que carrega consigo um experimentalismo delicado que não desvirtua o passado sonoro da banda, mas antes o preenche com uma vasta gama de novos pontos de interesse. Perceber até onde as técnicas de estúdio permitem ir na gravação de um álbum é, talvez, a vertente mais curiosa de todo este trabalho sonoro. 31 minutos são suficientes para que se perceba o que dizemos. Ou seja, pouco mais de meia hora repartida por oito temas de qualidade inegável. Devemos, mesmo assim, ouvir Showtunes com parcimónia, devagar, aprendendo que só assim se poderá digerir melhor o prato completo. E é um prato cheio, claramente.

Acusticidade, eletrónica e experimentalismo. A receita tem, sobretudo, estes ingredientes bem frescos. E se a isso juntarmos a cortesia da voz de Kurt Wagner, as elegâncias melódicas das composições e o apuro das técnicas de gravação, então poderemos finalmente degustar do disco, sendo que aos poucos, à medida que o vamos ouvindo em repeat, fica-nos nos ouvidos um aftertaste duradouro.

Não são muitos os temas de Showtunes, como já referimos. Mesmo assim, destacaremos alguns, para não cedermos à tentação de fazer constar, neste texto, cada um deles. A vanguardista “Drop C” é das composições mais impressionantes de todo o álbum, assim como a longa e estranha “Fuku”, que parece que se vai arrastando com algum esforço nos seus sete minutos e pouco de duração, pontuada por sopros que lembram longínquas passagens de Miles Davis, mas que no fim surge tão redonda e perfeita. E para que o número de destaques fique no ponto exato, a canção que abre o álbum (A Chef’s Kiss), que talvez seja a que mais se aproxima da tradição sonora da banda.

Para terminarmos, a ideia a manter e a sublinhar é a de que a audição completa é amplamente aconselhável. Por isso, siga o nosso conselho: demore-se nela, não tenha pressa, perca tempo com Showtunes para que possa, finalmente, perceber que o tempo gasto foi, afinal, um tempo ganho.



The Smashing Pumpkins – Gish (1991)

 

O álbum de estreia dos Smashing Pumpkins, Gish, tem tanto de delicadeza e de sonho como de gasolina a arder.

Quando Gish aparece em ’91, alguns meses antes de Nevermind, pouca gente dá disso conta. Na era pré-Nirvana, o rock alternativo tinha pouca visibilidade, ficando circunscrito ao circuito das rádios universitárias. O facto de os Smashing Pumpkins serem de Chicago, longe dos centros de decisão da indústria musical, também não ajudou. Só depois do sucesso de Siamese Dream é que descobrimos, em retrospectiva, a pérola escondida do disco de estreia.

Onde Siamese Dream é um portento do formato-canção, Gish é mais proggy: música sem forma fixa fluindo como um líquido (os interlúdios instrumentais: tão ou mais importantes do que a melodia da voz).

Gish é uma caixa de duas mudanças, mete-se a primeira e é psicadelismo doce, mete-se a segunda e é rock pesado que não deixa prisioneiros.

As divagações quase prog acontecem quando se engata a primeira. As guitarras lânguidas e sonhadoras de “Rhinoceros” e de “Crush” entorpecem-nos os sentidos, provocando-nos uma sensação de maravilhamento. A voz de Billy Corgan, irritante quando se esforça (uma ovelha doente a balir), é bonita quando sussurra (uma brisa suave a passar). Pensem numa canção dos Love ou numa balada do Hendrix, apliquem-lhe um filtro indie moderno, e terão uma ideia aproximada de quanto tudo por aqui é delicado e onírico. As referências estão lá mas devidamente disfarçadas, excepto na lindíssima balada final: “Daydream” é uma cópia descarada de My Bloody Valentine e nem a bonita voz de D’Arcy consegue redimi-los da infâmia.

Relembramo-vos, porém, que há um lado de Gish que nada tem a ver com o éter do sonho: o lado rock’n’roll. A canção de abertura, “I Am One”, faz disso prova, esmagando-nos com os seus riffs de brita e alcatrão. Nós por aqui confessamos a nossa preferência pelos temas mais psicadélicos mas lá que “Bury Me” nos dá uma vontade sadia de destruir esquadras isso não podemos negar. É delicioso o contraste entre a voz frágil de Corgan, quase feminina, e o esmagador heavy rock de asfalto e gasolina.

Butch Vig co-produziu o disco em conjunto com Billy Corgan. Quando se juntam num estúdio dois perfeccionistas obsessivo-compulsivos, o resultado só pode ser um: a precisão clara e cristalina de Gish. A produção é quente e orgânica, um retorno à naturalidade dos anos 70. Reza a lenda que Corgan, descontente com o desempenho de James Iha (na segunda guitarra) e de D’Arcy (no baixo), regravou tudo sozinho. Que o então casal não tenha mandado Billy bugiar fê-los merecer cada grama de dignidade açambarcada. Já a bateria sincopada de Jimmy Chamberlin era intocável. O tipo vinha do jazz, nem é preciso dizer mais.

Se com Gish poderíamos imaginar todo o grandioso futuro dos Smashing? Corgan como um dos maiores escritores de canções da sua geração? A passagem da coroa depois da morte de Cobain? Não iríamos tão longe. Mas que já havia qualquer coisa (o assombro da beleza), disso não temos quaisquer dúvidas.



THE TWIST CONNECTION COM NOVO SINGLE… “SURE”

 

MOULLINEX MARCA O SEU REGRESSO COM OS TEMAS “FOGO” E “TOUR DE FORCE”

 

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  Continuamos com o rock peruano e todas as suas joias escondidas, agora em um estilo à la Beatles, algo que você já pode perceber pela capa...