quarta-feira, 8 de março de 2023

DE Under Review Copy (A NAIFA)

 

A NAIFA

A Naifa é um projecto musical português nascido em 2004 que procurou conjugar as linguagens clássicas do fado com aquilo que podemos latamente chamar de pop (num sentido não depreciativo). As suas canções foram criadas a partir de poemas de autores portugueses como Adília Lopes, José Mário Silva e José Luís Peixoto, interpretados na voz de Maria Mendes. Os seus membros foram Luís Varatojo (guitarra portuguesa), João Aguardela (baixo), Maria Antónia Mendes (vocalista) e Paulo Martins (bateria) sendo que o projecto terminou inesperadamente com o falecimento de João Aguardela, em 20 de Janeiro 2009, vítima de cancro no estômago. Luís Varatojo provinha de projectos bem distintos dos da sonoridade de A Naifa: Peste & Sida e Linha da Frente. Já João Aguardela havia sido o elemento central dos Sitiados, tendo sido mentor de diversos projectos a solo: Megafone e Groovebox. De resto, João Aguardela foi também um dos fundadores dos Linha da Frente. A ambos se juntou a magnífica e poderosa voz de Maria Antónia Mendes. Como disse Manuel Halpern, A Naifa é "O único grupo português que reveste o fado com uma sonoridade contemporânea", dizendo ainda que é "a banda pop mais portuguesa da actualidade." O primeiro álbum do grupo, "Canções Subterrâneas" foi muito bem acolhido pela crítica sendo que a qualidade que nele florescia era inegável. A banda regressou dois anos depois, em 2006, com "3 Minutos antes de a Maré Encher", continuando a apostar na mesma fórmula que tantos admiradores lhe granjeara. Finalmente, o úktimo registo de grande fôlego em 2008 foi editado, pouco antes da dissolução do grupo pelos motivos atrás referidos.

DISCOGRAFIA

 
CANÇÕES SUBTERRÂNEAS [CD, Sony, 2004]

 
HÉCULA [CD Single, Sony, 2004]

 
MÚSICA [CD Single, Sony, 2004]

 
3 MINUTOS ANTES DE A MARÉ ENCHER [CD, Zona Música, 2005]

 
UMA INOCENTE INCLINAÇÃO PARA O MAL [CD, Lisboa Records, 2008]

A NAIFA [DVD+Book, Edição de Autor, 2010]

 
NÃO SE DEITAM COMIGO CORAÇÕES... [CD, Antena Portuguesa, 2012]

 
AS CANÇÕES DA NAIFA [CD, Antena Portuguesa, 2013]

COMPILAÇÕES

 
LISBOA [CD, Lisboa Records, 2007]

 
BAIRRO ALTO HOTEL [CD, Universal, 2008]

 
T(H)REE [CD, Cobra, 2010]

 
SONS DE VEZ 10 ANOS [2xCD, CM Arcos de Valdevez, 2012]

 
BONS SONS [2xCD, SCOCS, 2012]


DE Under Review Copy (A JUNÇÃO)

A JUNÇÃO

Nascido em Oeiras e inicialmente chamado de A Junção do Bem, este projecto de pop-rock típica dos anos 80 era constituído por Emanuel Lima (baixo), Beat Velez (bateria), João Braga (guitarra), Jorge Martins (teclas) e Pedro de Faro (baixo). Desapareceram tal como havia surgido, num ápice. Faziam um pop rock muito desinteressante com a benção de pessoas como António Pinheiro da Silva, António Manuel Ribeiro e Renato Gomes. Graças á cumplicidade dos amigos ainda beneficiaram de alguma exposição mediática, nomeadamente através do semanário Blitz, mas o crivo criativo/qualitativo não os deixou perdurar.

DISCOGRAFIA

 
A JUNÇÃO [LP, Musicata, 1989]


A história de “Blizzard of Ozz”, o álbum mais imaculado de Ozzy Osbourne


 Demitido do Black Sabbath e imerso nos vícios, vocalista só se recuperou com seu primeiro disco solo, gravado com Randy Rhoads na guitarra, Bob Daisley no baixo e Lee Kerslake na bateria, além de Don Airey nos teclados

Sem meias-palavras: Ozzy Osbourne estava na merda em 1979. Demitido do Black Sabbath após uma década de sucesso e excessos ao lado da banda, o vocalista estava submerso em seus vícios e sem perspectiva de futuro.

O Madman sempre diz que não poderia ser outra coisa além de músico, porém, sua falta de aptidão para outras atividades piorava um quadro já agravado pelos problemas de dependência química. Ozzy nunca foi um visionário – tanto que era, inegavelmente, coadjuvante no Black Sabbath.

Como qualquer outra pessoa diante de uma impressionante adversidade, ele pensou em desistir. Em sua biografia, ‘Eu sou Ozzy’, ele diz que considerou largar sua carreira na música e trabalhar na construção civil. Parece absurdo imaginar isso, todavia, naquela época, ele não era o Ozzy “figuraça” que todos conhecemos. Era apenas o então ex-vocalista do Black Sabbath.

A sorte dele começou a mudar quando o empresário do Sabbath, Don Arden, o deu uma chance ao contratá-lo para sua gravadora, Jet Records. A filha do manager, Sharon, foi deslocada para monitorar cada passo de Ozzy, protegendo seu investimento. Ela, que se tornaria esposa do vocalista, foi quem colocou a vida e a carreira dele nos eixos, com seu poder de organização e solução de problemas.


A criação da banda solo de Ozzy Osbourne

Da esquerda para a direita: Randy Rhoads, Lee Kerslake, Ozzy Osbourne e Bob Daisley (foto: Fin Costello / divulgação)

Osbourne, então, começou a rascunhar um projeto solo, que se chamaria Blizzard of Ozz. O primeiro nome especulado para se juntar à formação foi o guitarrista Gary Moore, mas o irlandês também estava trabalhando em carreira solo, depois de uma curta segunda passagem pelo Thin Lizzy. Ainda assim, ele resolveu ajudar, fazendo audições com possíveis candidatos para a banda de Ozzy, pois sentia “pena” do Madman.

O baixista Bob Daisley, então notável por ter tocado com o Rainbow, afirma ter sido o primeiro a entrar, de fato, para a banda. “Fui de trem até Stafford, fui à casa de Ozzy e ele tinha alguns caras, como um baterista e um guitarrista. Eram caras legais, mas não curti, não houve química. Fui à cozinha com Ozzy e falei: ‘se você quer fazer algo sério, não acho que esses dois aí sirvam’. Ozzy falou: ‘ok, me dê um minuto’. Ele dispensou os dois”, relembrou Daisley, em entrevista ao ‘The Metal Voice’.

Ozzy, por sua vez, aponta que a primeira entrada foi a do guitarrista Randy Rhoads, que vinha do Quiet Riot, uma banda americana que, até então, só havia lançado discos no Japão. O Madman diz que quase chorou ao testemunhar Randy tocando pela primeira vez. Nem precisou de audição: ele foi contratado apenas pelo que havia mostrado durante seu aquecimento


Rhoads, uma indicação de Dana Strum (futuro baixista do Slaughter e Vinnie Vincent Invasion), seria a arma secreta de Osbourne. Com pouco mais de 20 anos, o guitarrista tinha um talento que impressiona até hoje. Não só isso: contava com disciplina e conhecimento excepcionais, frutos de seus anos como professor na escola de música da mãe, Delores.

A peça final seria o baterista Lee Kerslake, recém-saído do Uriah Heep. Uma nota que nos traz de volta ao presente: infelizmente, Kerslake faleceu em 2020, aos 73 anos, devido a um câncer em estágio terminal. Resistiu à doença e lutou contra ela por anos.

Reativemos a máquina do tempo: Lee entrou para a banda literalmente dias antes das gravações do primeiro álbum começarem no Ridge Farm Studio, em Rusper, na Inglaterra. As músicas foram compostas com um baterista provisório no lugar dele, chamado Barry Screnage, que era amigo de Ozzy, e ganharam um toque sublime com a chegada de Kerslake ao projeto.

Pelo menos outros dois bateristas foram considerados antes de Lee Kerslake, mas não deram certo. Dixie Lee, ex-Lone Star, chegou a tocar em algumas demos, só que não encaixou. Osbourne diz que queria Tommy Aldridge, da Pat Travers Band, todavia, ele já estava dedicado a outros projetos.

Nascia Blizzard of Ozz – o álbum e a ‘banda’

Foto: Fin Costello / divulgação

O primeiro álbum acabou ganhando o título ‘Blizzard of Ozz’, um trocadilho com ‘The Wizard of Oz’ (‘O Mágico de Oz’), que seria o nome do projeto. Ozzy jura de pés juntos que a intenção não era montar uma banda, como era o Black Sabbath, mas seguir em carreira solo, pois não queria ter os mesmos problemas de “divisão igualitária” do passado. Bob Daisley garante que a promessa inicial era de que seria um grupo.

Na época, essa questão não era importante. ‘Blizzard of Ozz’ foi gravado em pouco menos de um mês, entre 22 de março e 19 de abril de 1980, e todos os relatos apontam que o processo fluiu naturalmente. A produção ficou a cargo de Max Norman, que não é creditado, junto dos integrantes da banda. Chris Tsangarides seria o responsável pela função, mas os músicos não curtiram o resultado obtido com ele.

O Madman comenta, em seu livro, que a competição com o Black Sabbath era inevitável. “Estaria mentindo se dissesse que não me sentia competindo com o Black Sabbath quando gravamos ‘Blizzard of Ozz’. Eu queria tudo de bom para eles, mas parte de mim estava morrendo de medo que eles fizessem mais sucesso sem mim. E o primeiro disco deles com Dio estava bastante bom. Não saí correndo para comprar, mas ouvi algumas faixas no rádio. […] Mas, assim que terminamos ‘Blizzard’, sabia que tínhamos um disco fabuloso. Tínhamos dois discos, na verdade, porque havia muito material que ficou de fora quando terminamos”, afirmou.

Ainda é difícil comparar ‘Blizzard of Ozz’ com qualquer material do Black Sabbath. São trabalhos únicos, cada um a seu modo. Assim como havia algo especial no Sabbath, o quarteto responsável pelo primeiro álbum solo de Ozzy Osbourne tinha algo de diferente.

“Foi uma combinação única dos talentos de nós quatro”, relembrou Lee Kerslake, ao site ‘BraveWords’. “Em ‘Blizzard’, eu apenas co-escrevi uma música, mas toquei no álbum todo e o co-produzi com os caras. Lembro de ouvir pela primeira vez o resultado final e dizer a Max: ‘temos um grande sucesso aqui’. Era tão diferente de tudo. […] Quando o disco saiu na América, em 1981, estourou. Ninguém tinha ouvido algo assim antes. Os créditos são mais para Randy e Bob, pois eu apenas ajudei a organizar as ideias e colaborei mais com ‘Diary of a Madman’ (álbum seguinte, de 1981), mas tenho orgulho de tudo isso”, completou.

‘Blizzard of Ozz’, faixa a faixa

Foto: Fin Costello / divulgação

Logo na primeira faixa, ‘I Don’t Know’, dá para sacar que algo diferente estava rolando ali. Ozzy Osbourne entregou uma de suas melhores interpretações desde ‘Sabotage’ (1975), do Black Sabbath, enquanto Randy Rhoads mostra todas as suas credenciais, desde os riffs empolgantes, passando pelos belos momentos de guitarra limpa e desaguando no solo quase dissonante no miolo da faixa. A cozinha de Bob Daisley e Lee Kerslake funciona bem e as letras, assinadas por Daisley, também são boas.

‘Crazy Train’, na sequência, se tornou o maior hit da carreira de Osbourne. Não à toa: a música tinha tudo. A letra, atual, trazia uma mensagem consciente em meio à Guerra Fria. Os riffs espetaculares prendem a atenção e Rhoads volta a dar show no solo. A forma como o ritmo é conduzido por Daisley e Kerslake é, simplesmente, “classuda”.

A balada ‘Goodbye to Romance’, primeira composição da nova banda, traz o sentimento de Ozzy ao cantar sobre o seu “adeus” ao Black Sabbath e o suposto fim de sua carreira na música. Os arranjos de guitarra são incríveis – e Osbourne dá todo o crédito a Randy Rhoads, que, segundo o próprio, foi o primeiro músico a ter paciência de trabalhar com ele, inclusive na alteração do tom para encaixar melhor em sua voz.


A bela vinheta instrumental ‘Dee’ volta a destacar Randy em seu habitat natural, o violão erudito, mas o clima se subverte com a tensa ‘Suicide Solution’. Ozzy chegou a ser processado por essa música por, supostamente, ter sido a motivadora do suicídio de um adolescente depressivo. O Madman diz que a composição faz referência a Bon Scott, vocalista do AC/DC morto naquela época, enquanto Bob Daisley, que alega ser o criador da letra, aponta que a criou inspirado justamente em Osbourne. A ação na Justiça, claro, não deu em nada.

Outro momento de destaque no disco está logo em seguida: ‘Mr. Crowley’, que volta a reunir todos os diferenciais daquela banda. Até mesmo o tecladista Don Airey, contratado inicialmente como músico de estúdio, deu uma nova roupagem à música, com sua clássica e climática introdução. A construção melódica é um oferecimento de Randy Rhoads, que coloca suas influências neoclássicas para jogo – algo que também se reflete nos geniais solos de guitarra. Bastaria apenas essa música para que Rhoads, tragicamente morto em um acidente aéreo em 1982, entrasse para a história.

“Fãs de Beethoven e Brahms podem não entender, mas a abordagem erudita é uma tradição no heavy metal. O estilo não é tão melódico em sua natureza, geralmente está em tonalidades menores, então, você pode usar várias terças menores. Isso, automaticamente, soa erudito. Leslie West (Mountain) era um dos meus favoritos nesse sentido, pois fazia tudo com feeling”, disse Randy, à ‘Guitar World’, em 1981, também citando Jimmy Page, Jeff Beck e Ritchie Blackmore como responsáveis por esse link com a música clássica.


O álbum perde um pouco de fôlego nos seus momentos finais. ‘No Bone Movies’, por exemplo, está longe de ser ruim, mas não é tão inesquecível como as anteriores. Trata-se, inclusive, da única música do álbum com co-autoria de Lee Kerslake. A balada ‘Revelation (Mother Earth)’ nunca caiu em meu gosto, ainda que tenha, novamente, boa construção melódica. Todavia, o ritmo é devidamente retomado com ‘Steal Away (The Night)’, que, com sua batida rápida e envolvente, dialoga com as bandas de heavy metal que surgiam naquela época.

Sucesso e tretas

Com um repertório tão caprichado, não era de se espantar que ‘Blizzard of Ozz’ fizesse sucesso. Entretanto, os números assustaram até mesmo os envolvidos, pois emplacou rapidamente nos Estados Unidos. Hoje, o álbum tem mais de 6 milhões de cópias vendidas em todo o mundo. Na tal competição com o Black Sabbath, ao menos em números, Ozzy pode se sentir vencedor, já que sua antiga banda nunca chegou a esse patamar de vendas.

No entanto, o sucesso veio acompanhado de mais problemas. Há relatos de que os três instrumentistas estavam insatisfeitos com Ozzy Osbourne, por diferentes razões. Bob Daisley e Lee Kerslake cobravam a suposta promessa de que aquilo seria uma banda, não um projeto solo do vocalista. Randy Rhoads, por sua vez, não curtia tanto a vida na estrada e, curiosamente, não era grande fã de heavy metal – nem de Black Sabbath ele gostava. Pouco antes de morrer, o guitarrista chegou a dizer que deixaria o grupo para fazer faculdade de música.

“Quando o álbum saiu com o nome ‘Ozzy Osbourne’ maior que ‘Blizzard of Ozz’, fez parecer que Ozzy Osbourne lançou um álbum chamado ‘Blizzard of Ozz’. Randy não iria reclamar, pois sabia que era uma boa oportunidade para ele, então, aquilo deixou de ser uma banda”, relembrou Bob Daisley.

Após uma breve turnê pelo Reino Unido, o quarteto se reuniu para gravar o segundo álbum de Ozzy, ‘Diary of a Madman’ (1981), mas Daisley e Lee Kerslake foram demitidos logo em seguida, sendo substituídos, respectivamente, por Rudy Sarzo (colega de Randy no Quiet Riot) e Tommy Aldridge (que Osbourne queria na formação desde o começo). Os novos músicos foram creditados por ‘Diary’, ainda que não tenham tocado uma nota sequer. Vale lembrar que Bob retornou entre 1983 e 1985 e nos anos de 1987/8, 1990/1 e 1994/5, para trabalhar em estúdio.

“Os dois álbuns foram feitos com distância de 10 a 11 meses entre eles, incluindo uma turnê no meio. O primeiro álbum foi feito antes do contrato ser assinado e ainda estava pendente para o segundo, então, perguntamos: cadê o dinheiro do primeiro? Don Arden disse para não nos preocuparmos, então, confiamos. Depois de gravarmos ‘Diary’, Lee Kerslake e eu fomos demitidos. Ozzy queria Tommy Aldridge, que era amigo de Sharon. Desde a primeira turnê, me deixavam de lado e falavam que tirariam Lee para trazer Tommy, algo que eles sabiam que eu discordava”, comentou Bob Daisley, ao ‘The Metal Voice’.

A gravação na pressa de ‘Diary of a Madman’ deixou até mesmo Randy Rhoads chateado, conforme o próprio revelou em entrevista à ‘Guitar World’ em 1981. “Fizemos ‘Diary’ sem intervalo e, nele, focamos mais na composição, o que deixou minha guitarra não muito boa. Fizemos ‘Diary’ com pressa, para depois emendar a turnê do ‘Blizzard’ nos Estados Unidos. Algumas partes de ‘Diary’ ficaram ruins, em termos de guitarra. ‘Little Dolls’, por exemplo, nem tem um solo real. O que você ouve ali é só a guia, um solo bobo que coloquei antes de compor o solo real, mas não deu nem tempo de gravar. Muitas coisas minhas em ‘Diary’ estão sem feeling, soa meio comum”, disse.

Por todos os problemas que aconteceram depois, inclusive a morte de Randy Rhoads com apenas 25 anos na turnê de ‘Diary of a Madman’, a impressão que ‘Blizzard of Ozz’ passa é de um trabalho puro e imaculado. O álbum retrata apenas a ânsia de músicos que querem conquistar (ou, no caso de Ozzy, reconquistar) o mundo.

Até mesmo isso foi manchado em 2002, quando ‘Blizzard of Ozz’ foi relançado com o baixo e a bateria regravados, respectivamente, por Robert Trujillo e Mike Bordin. Os fãs reclamaram tanto que o álbum ganhou mais uma nova versão, em 2011, restaurando os músicos originais. Na última sexta-feira (18), outra edição comemorativa, agora pelos 40 anos do disco, chegou às plataformas digitais, mantendo Bob Daisley e Lee Kerslake.

Rabugento que sou, costumo dizer que Ozzy Osbourne só lançou dois álbuns realmente bons em carreira solo: este registro de estreia e o inspirado ‘No More Tears’ (1991). A forma como a carreira dele parece ter impedido que outros discos clássicos fossem produzidos, mas ‘Blizzard of Ozz’, o mais espontâneo de todos, não deixa dúvidas do potencial que os envolvidos tinham.

Ozzy Osbourne – ‘Blizzard of Ozz’

Ozzy Osbourne (vocal)
Randy Rhoads (guitarra, violão)
Bob Daisley (baixo)
Lee Kerslake (bateria, percussão)
Don Airey (teclados)

1. I Don’t Know
2. Crazy Train
3. Goodbye to Romance
4. Dee
5. Suicide Solution
6. Mr. Crowley
7. No Bone Movies
8. Revelation (Mother Earth)
9. Steal Away (The Night)

Cinco Músicas Para Conhecer: Nomes de Lugares

Paisagens e lugares (ruas, cidades, países) sempre foram inspirações artísticas. Na música não é diferente; muitas bandas famosas mencionam países ou cidades. Em termos de canções, é possível encontrar absolutamente de tudo um pouco – faixas inspiradas por situações ocorridas em um determinado lugar, lembranças, histórias fictícias, causos de turnês, canções de protesto, tributos, etc. Para essa seleção, o critério foi escolher faixas que mencionam apenas o nome do lugar no título, sem outros termos. O ouvinte é convidado a lembrar de outras faixas (há muitas) com esse tema na seção de comentários.


Crosby, Stills, Nash & Young – “Carry On” – Ohio [1970]

Essa icônica faixa saiu apenas em compacto, no lado B da maravilhosa faixa de abertura do álbum Déjà-Vu, “Carry On”. Contém um claro protesto cantado a 4 vozes e afinação grave das guitarras, retratando os 4 mortos em um protesto pelo fim da guerra do Vietnã ocorrido em Ohio/EUA. Outra coincidência é que o incidente ocorreu no dia 04 de maio de 1970. Era um período bastante turbulento nos EUA e várias reações violentas aconteciam de ambos lados. A composição de Neil Young captou bastante da emoção do momento – em cerca de 3 semanas a música e a letra estavam prontas e em poucos takes sua poderosa versão final foi produzida. Posteriormente, a faixa foi relançada em compacto, sendo dessa vez o lado A. Reações controversas aconteceram por conta do explícito teor político; enquanto parte do público usou a canção como bandeira e bradava com elas nos shows, algumas rádios baniram a faixa de suas programações. Dave Crosby, anos depois, afirmou se ressentir por ter capitalizado em cima da morte de estudantes inocentes.


Led Zeppelin – “Kashmir” – Kashemira [1975]

Uma das faixas mais ousadas do Led Zeppelin e de todo o rock da década de 70, sem exageros, presente em Physical Graffitti. “Kashmir” contém um clima inigualável, sendo a orquestração perfeita de uma trilha sonora imaginária para as remotas paisagens da Kashemira, uma região nas fronteiras da Índia, Paquistão e China. Todos os 4 zeppelins estão impecáveis na faixa – John Paul Jones é o maestro, John Bonham é a estaca precisa que fundamenta esse edifício musical, Robert Plant adorna a música com uma linha vocal surpreendente e Jimmy Page é a liga metálica que envolve todos esses elementos. Quem nunca se imaginou passeando pela Kashemira ao ouvi-la, que questione o poder dessa música.


Bob Dylan – “Mozambique” – Moçambique [1976]

Uma bela e despretensiosa música do repertório de Bob Dylan. Faixa do essencial Desire, de 1976, tem vocais divididos com a maravilhosa vocalista Emmylou Harris e um esperto violino tocado por Scarlet Rivera. Seu andamento mediano, a letra que trata de um leve romance no país africano, e os arranjos caprichosos tornam a faixa extremamente agradável até para aqueles que tem certa resistência a Bob Dylan. É engraçado imaginar que Dylan tente cruzar algo do folk/country norte-americano com o cenário de um país africano. A tentativa de fazer algo mais swingado dentro desse estilo fica até interessante, mas dá a impressão de que a menção a Moçambique foi feita mais como cenário da imaginação do compositor.


Van Halen – “Panama” – Panamá [1984]

A potente faixa que se tornou clássica no repertório do Van Halen, não faz exata menção ao país caribenho, mas sim a um carro de corrida chamado Panama Express. Dave Lee Roth se sentiu motivado a escrever sobre isso porque uma jornalista o criticou por escrever apenas sobre mulheres, farras e carros velozes. Contudo, Roth percebeu que nunca tinha escrito sobre carros velozes até então! Enfim, o Van Halen naquela época era pura diversão e muita distorção. Em termos musicais, temos em “Panama” tudo que o Van Halen faz de melhor – riffs marcantes, cozinha peso pesado, vocais sacanas e refrões pegajosos. A faixa faz parte de um dos principais da discografia do Van Halen – 1984.


The Cult – “New York City” – Nova Iorque [1989]

O The Cult estava na crista da onda na ocasião, mantendo acessa a chama de um hard rock direto e sem frescuras naquele fim de anos 80. A faixa está no lado B do álbum Sonic Temple, um de seus principais trabalhos. A letra retrata o cotidiano frenético da grande metrópole americana e o bizarro maquinário de trabalho e sucesso da cidade; na letra também há menção ao assassinato de Jonh Lennon, ocorrido 9 anos antes na cidade. Musicalmente, todo esse caos é trazido pela urgência dos riffs e da levada de bateria, além dos vocais esganiçantes de Ian Astbury.

Cinco Músicas Para Conhecer: Tentação

 

“Temptation” cuja tradução seria “Tentação” é um desejo ardente por algo ou o impulso para se praticar algo condenável pela sociedade. Este é um tipo de sentimento mais comum do que se imagina dentro das pessoas, mesmo aquelas que tentam ser “certinhas em tudo”. No mundo do rock então esta temática de composição perfaz a cabeça de muitos compositores dado que este tipo de sentimento é estimulado por todos os lados, seja nas situações que se encontram na vida estradeira de muitos ou mesmo incentivada pelos empresários para causar alguma “polêmica” e gerar mídia e burburinho em cima. Cá estão 5 músicas com esta temática tratada sobre bandas de estilos diferentes e sobre tentações diferentes que muitos de seus compositores tiveram, presenciaram ou de certa forma, abordando o tema a respeito das faces mais ocultas do ser humano.


New Order – Temptation [1982]

Peguei este tema logo após assistir ao clipe desta música e ficar admirado tanto com a qualidade da faixa quanto a ideia do vídeo. Um vídeo simples, mas que para mim foi muito marcante. A banda lançou este single sem fazer parte de nenhum álbum em 1982 conseguindo altas posições nos charts britânicos e americanos. As letras e o clipe não se relacionam, mas parece que a banda faz questão de deixar estas múltiplas interpretações para suas músicas. A música, segundo o vocalista Bernard Summer, fala sobre a tentação ainda por um amor perdido. O vídeo é uma referência ao falecido Ian Curtis do Joy Division e seu hábito de roubar discos de vinil de lojas. A música é um synth pop com uma veia post-punk típica da banda e os teclados aqui dão o tom máximo em uma das melhores canções do New Order.


Tané Cain – Temptation [1982]

Não são só os homens que expõem suas tentações no mundo do rock. Tané McClure (na época casada com Jonathan Cain, sim, aquele mesmo guitarrista e tecladista do Journey) foi convencida pelo seu marido a gravar um disco e entrar também no mercado musical e seu álbum auto-intitulado saiu em 1982, também no estilo AOR que marcou toda a carreira do Journey. O disco até não fez feio e um de seus singles emplacou nos charts americanos, mas a gravadora achou pouco e resolveu encerrar o contrato. Nesta canção de abertura do disco, percebe-se claramente que Tané resolveu homenagear o seu marido dizendo que não aguenta a tentação que ele provoca nela. O disco conta, obviamente, com o marido nos teclados e até mesmo Neal Schon nas guitarras. Tané até chegou a fazer demos para um segundo disco mas que não deu certo, mas ainda emplacou três músicas na trilha sonora do primeiro filme Exterminador do Futuro. Após esse período musical, Tané passou a se tornar uma conhecida atriz do gênero sexploitation (uma versão mais “leve” de pornografia) dos anos 80 e 90.


Slayer – Temptation [1990]

Por aqui está fácil entender que a letra nada mais é do que a tentação em vender a alma ao capiroto em troca da satisfação da ambição humana. Nunca fui lá muito fã do Slayer, mas algumas músicas me chamam a atenção e esta pauleira thrash do disco Seasons in the Abyss é uma delas. Não tem como não destacar o quanto o baterista Dave Lombardo, o melhor músico da banda enquanto esteve nela, arrebenta com sua agressividade no instrumento. Tom Araya também manda muito nos vocais por aqui, como também é de costume por parte dele.


Leaves’ Eyes – Temptation [2004]

Mudando radicalmente de estilo, aqui partimos para o metal sinfônico no primeiro disco do Leaves’ Eyes chamado Lovelorn, banda que a vocalista Liv Kristine fundou após ser kickada do Theatre of Tragedy. Seu marido na época, Alexander Krull, foi o principal produtor e engenheiro de som. Saindo um tanto do gothic metal de sua banda anterior e partindo para um lado mais sinfônico, Liv Kristine botou para fora novamente a tentação humana de ser dominada por um espírito maligno na canção que é a mais pesada do disco, com instrumental muito influenciado pela banda de Krull, o Atrocity.


The Hillbilly Moon Explosion – Temptation [2016]

A música original foi composta nos anos 30 por Bing Crosby, mas o cover desses suíços que misturam rockabilly, surf music e country deu uma vida nova a uma canção clássica americana de época. A letra é romântica ao chamar uma mulher de “tentação” e a desejando de maneira veemente. A base da versão é a surf music com um naipe de metais lembrando música mexicana que deu um ar “caliente” ainda mais com a voz sensual de Emanuela Hutter. Grande reinterpretação de um clássico! Esta música está no disco With Monsters and Gods.

Destaque

Inimigos Do Rei - Inimigos Do Rei (1989)

  Artista:  Inimigos Do Rei Disco:  Inimigos Do Rei Ano:  1989 Esta edição:  1999 (Re-edição em CD na série "Autêntico") Gravadora...