quarta-feira, 17 de maio de 2023

Van Halen – A Different Kind of Truth [2012]

 Van Halen – A Different Kind of Truth [2012]

A maioria das pessoas que carregam o rock como parte importante de seu estilo de vida muito provavelmente já sabem, e quem ainda está boiando tem a obrigação de saber: colocou no mercado um dos álbuns mais aguardados desta década, A Different Kind of Truth. Muita desconfiança rondou o seio da família Van Halen nos últimos anos, proveniente de diversos detratores e mesmo de admiradores que não acreditavam que a atual reunião com o vocalista David Lee Roth vingaria e apresentaria novos resultados. Desde 2006, ano em que começou a se desenrolar a atual união, diversos fatores desencadearam reações negativas na base de fãs do grupo. O primeiro foi o fim da parceria com o baixista Michael Anthony, membro da banda desde 1974, algo que irritou grande parte do público, acostumado, mais que com suas linhas no instrumento, com suas harmonias vocais que sempre complementaram a sonoridade do Van Halen e lhe emprestaram uma característica em especial.A verdade é que, para quem acompanha a carreira do grupo com um mínimo de atenção, o anúncio pode até ter sido surpreendente, mas fez bastante sentido tendo em vista as então recentes declarações dos membros do grupo na imprensa, explicitando o pouco envolvimento de Michael no processo de criação e inclusive de gravação desde Van Halen III (1998). Mesmo desde os anos 80, Eddie Van Halen já dava sinais de que a contribuição do baixista era reduzida. Se isso se dava por imposição do próprio guitarrista ou por desinteresse, o fato é que essa atitude se tornou ainda mais presente na primeira metade da década passada, quando Michael passou a participar cada vez mais dos projetos de Sammy Hagar, seu companheiro de Van Halen durante muitos anos. A escolha de Wolfgang, filho de Eddie, como seu substituto sugeriu que o círculo familiar, completo pelo baterista Alex, tomaria ainda mais as rédeas do grupo, mas felizmente a volta de David Lee Roth foi confirmada em meados de 2007, resultando em uma bem sucedida turnê que durou até julho de 2008.

Desde então, a situação do grupo ficou um tanto nebulosa, mantida em um certo grau de sigilo, quebrado em janeiro de 2011, quando o produtor John Shanks (Bon Jovi, Take That, Melissa Etheridge) confirmou a entrada do quarteto em estúdio. O que parecia finalmente se encaminhar para um curso positivo, passou a ser questionado quando surgiu a informação de que diversas músicas que constariam de A Different Kind of Truth seriam baseadas em antigas demos que datavam dos primórdios da banda, mesmo antes da gravação de Van Halen I (1978), algo confirmado com o lançamento do primeiro single, “Tattoo”, que teve uma morna recepção.

Apesar do tortuoso caminho que levou ao primeiro álbum do grupo em 14 anos (e 28 desde o último registro com Roth, 1984), da desconfiança dos fãs e mesmo do discurso pessimista dos “secadores”, ninguém esperava o soco na cara que Eddie e companhia prepararam para ser desferido oficial e mundialmente no dia 7 deste mês. Mais que lançar um álbum de muita qualidade, o Van Halen apresentou um equilíbrio excelente entre boas composições, produção de primeira linha e performance irrepreensível. Contestado por muitos sem nunca sequer ter sido ouvido em estúdio, Wolfgang supre muito bem os graves, enquanto seu tio continua com a mesma sonoridade peculiar que desenvolveu ao longo dos anos, coisa rara em se tratando de bateristas, e seu pai está endiabrado como nos primeiros discos do grupo, fazendo jus a seu elevadíssimo status como um dos mais criativos e influentes guitarristas que o rock já gerou. Mesmo o vocalista David Lee Roth, que já beira a sexta década e trabalha com um instrumento cujo desgaste é natural e praticamente impossível de evitar, oferece uma performance de alto nível, trazendo velhas características sem soar datado, mantendo a classe a a malandragem intactas.

Alex Van Halen, David Lee Roth e Eddie Van Halen

Por falar nisso, revisitar o passado e mesmo assim soar atual é certamente uma das características mais fortes de A Different Kind of Truth, demonstrando que o Van Halen não tem medo algum de relembrar dos seus momentos mais gloriosos, o fazendo com empolgação e não de maneira a parecer nostalgia barata. Lampejos de 1984Fair Warning (1981) e até dos dois primeiros álbuns, lançados ainda nos anos 70, aparecem com destaque e certamente fazem a alegria dos apreciadores.

Citei anteriormente que o primeiro single, “Tattoo”, lançado cerca de um mês antes do disco, teve uma recepção morna, e isso se justifica pelo simples fato de ser uma canção que, apesar de boa, ficou abaixo das expectativas mais ardorosas. Felizmente, “Tattoo” talvez seja a faixa mais fraca do disco, apesar de ganchuda e dotada de um apelo comercial mais evidente, além de um desempenho especialmente bom de Eddie, que sola com sapiência, e Roth, que demonstra não ter perdido o tino para criar linhas vocais que fogem de melodias retas e expressam toda sua malemolência. Se havia uma má impressão após a audição de “Tattoo”, ela é dissipada com facilidade logo na ótima introdução de “She’s the Woman”, demonstrando o bom entrosamento entre Wolfgang e Eddie, que despeja repetidamente o riff inicial da faixa, incrementando-o com o passear de seus dedos pelo braço da guitarra de diferentes maneiras, ora estendendo-o com licks diversos, ora utilizando-se de bends bem encaixados, sem falar em seu pujante solo.

Certos timbres de guitarra em especial remetem ao arsenal de sonoridades desenvolvidas por Eddie, e “You and Your Blues” conta com uma dessas texturas. Seu alegre andamento e o forte uso de backing vocals remetem a 1984, último álbum registrado com Roth, além de algumas nuances da época em que o grupo contava com Sammy Hagar. Falando em backing vocals, é necessário citar que, nesse aspecto, a ausência de Michael Anthony não trouxe prejuízos ao disco, que soa muito bem mesmo sem seus agudos vocais de apoio. Talvez ao vivo sua falta seja mais sentida, mas esse não é o assunto que está em questão aqui, pois logo após “You and Your Blues” a rápida e pesada “China Town” toma os alto-falantes de assalto, fazendo-nos relembrar da insanidade de músicas como “I’m the One” (Van Halen I, 1978), “Hang ‘Em High” (Diver Down, 1982) e “Hot For Teacher” (1984). Aliás, é possível que, apesar de Fair Warning soar como uma patada de urso, A Different Kind of Truth seja o mais pesado álbum do grupo. “China Town” traz aquele Van Halen que sabe aplicar sua técnica em favor da boa música, incluindo o constante uso de dois bumbos por Alex, velocidade nas mãos de Wolfgang, além de um daqueles solos que só Eddie consegue criar com tanta qualidade e marca registrada.

“Blood and Fire” é outra que traz algumas semelhanças com o feeling mais pop de 1984 e parece ser uma boa candidata a protagonizar o lançamento de um segundo single extraído do disco, apesar de estar um pouco distante dos padrões ditos comerciais hoje em dia. Mesmo assim, seu refrão tem tudo para elevá-la a posições nas paradas condizentes com a qualidade do registro. Mais um avassalador solo de Eddie, acompanhado por boas viradas de Alex. O Van Halen solta o freio novamente em “Bullethead”, que além de contar com a mão pesada de Eddie, cuspindo riffs como um jovem louco para registrar pela primeira vez suas composições em estúdio, mostra que a idade não fez com que David Lee Roth perdesse o gosto por cantar material desse gênero.

Van Halen ao vivo em um show de aquecimento: Wolfgang, Eddie e David

Uma bizarra contagem e os tambores e pratos de Alex abrem “As Is”, mais uma a demonstrar que a locomotiva que conduz o Van Halen está desgovernada, soltando faíscas e pronta para arrasar com quem ousar se colocar em seu caminho. Um segmento falado no meio da canção relembra-nos desse recurso tão bem explorado por Roth em eras passadas, em músicas como “Mean Street”, “Dirty Movies”, “Unchained” (as três de Fair Warning) e “Panama” (1984). Quando se pensa que a sequência de canções pesadas dará um tempo, somos presenteados com “Honeybabysweetiedoll”, que conta com um riff que lembra “Gates of Babylon” (Rainbow), mas que não empresta base para que se declame um conto épico ou medieval, e sim para mais uma das várias letras sacanas de Roth, que demonstra mais uma vez sua afiada criatividade para criar melodias vocais que fogem do habitual.

Chegamos na nona faixa, e uma pergunta vem à mente: onde raios estão os teclados, tão presentes na sonoridade do grupo desde meados dos anos 80, em especial na era com o vocalista Sammy Hagar? Se eles existem, estão tão escondidos na mixagem que sequer se fazem perceber, deixando que o básico trio guitarra, baixo e bateria ressoem sem restrições. É isso que acontece na setentista “The Trouble With Never”, que chega a remeter à excelente “Crosstown Traffic”, de Jimi Hendrix, o que definitivamente não é um demérito, apesar da semelhança não ter sido muito bem vista por alguns críticos. Quaisquer desconfianças em relação a Wolfgang são deixadas de lado ao se ouvir a canção, na qual o jovem (de apenas 20 anos) arrasa em grooves que incrementam a música de maneira a soar muito mais “cheia”, mostrando que o sangue Van Halen é mesmo sinônimo de talento musical.

A rifferama desenfreada de Eddie continua com força em “Outta Space”, despejando notas com mais um daqueles timbres que só ele consegue extrair com tanta personalidade. “Outta Space” é intensa, direta, sem frescuras… Do jeito que talvez só os fãs mais otimistas esperassem. Outro momento no qual o passado do Van Halen é explicitamente revistado encontra-se em “Stay Frosty”, dotada daquele jeito cafajeste tão bem dominado por David Lee Roth, que encontrava, até então, seu maior expoente em “Ice Cream Man” (Van Halen I).

A faceta mais simples do Van Halen aparece na descompromissada “Big River”, que deixa claro como nenhuma outra a produção equilibrada e a boa timbragem dos instrumentos, todos bem ressaltados na mixagem. Uma introdução com cara de “ao vivo” abre “Beats Workin'”, faixa que finaliza em alta um disco que não conta com sequer um momento desperdiçado, ou como muitos dizem, sem “encheção de linguiça”. Ainda na música, há uma citação ao riff de “Day Tripper” (The Beatles), executado no baixo de Wolfgang, além de linhas vocais que remetem a “Feel Your Love Tonight” (Van Halen I).

Wolfgang, David e Eddie

Nunca fui pessimista em se tratando do que a família Van Halen poderia voltar a produzir com Roth, mas confesso que fui surpreendido com a qualidade abundante de A Different Kind of Truth, que desde já é candidato a figurar na minha lista congregando os melhores álbuns lançados em 2012, com forte tendência a ocupar um dos primeiros postos. Alex continua uma certeza constante, desempenhando seu papel como uma das poucas lendas da bateria rock ainda na ativa com tamanha relevância. Wolfgang desarmou os detratores e provou que, apesar da pouca idade, não deve em nada a Michael Anthony, tocando com galhardia. Eddie soa jovem como não o fazia há décadas, pronto a continuar influenciando gerações distintas de guitarristas ao redor do mundo através de sua técnica, criatividade e personalidade, além das magníficas texturas extraídas do instrumento. David Lee Roth, que talvez pudesse soar mais cansado, oferece um desempenho que não apenas é digno de seu passado, como supera a grande maioria de suas performances tanto com o Van Halen quanto em carreira solo, usando sua grande experiência a seu favor.

Fica difícil apontar destaques individuais em um álbum tão portentoso, mas uma certeza que fica é a de que esse é o melhor disco do grupo em muito, muito tempo. Van Halen I e Fair Warning continuam sendo indiscutivelmente meus favoritos, mas a banda pode se orgulhar de ter produzido mais um clássico para a posteridade. Os admiradores de Sammy Hagar que me perdoem, mas A Different Kind of Truth traz o Van Halen que me interessa, empolgante, urgente e perigoso. Gosto do “Red Rocker” no grupo e acredito que a fase “Van Hagar” seja dotada de ótimos motivos para que se escutem aqueles quatro discos, incluindo clássicos como “Love Walks In”, “Poundcake” e “Don’t Tell Me (What Love Can Do)”, entretanto, para mim, não é possível tecer comparações.

A maior esperança que surge após escutar o álbum é a de que ele possa ajudar a elevar novamente o status e o sucesso das bandas que praticam esse tipo de rock, grupos que não têm vergonha de arrebanhar plateias em arenas lotadas e fazê-las entoar seus refrões viciantes e acompanhar sua performance fazendo air guitar em frente aos palcos, protagonizando uma bela troca de energia. Aguardemos o resultado comercial de A Different Kind of Truth… Minha parte já fiz, e se eu fosse você, não esperaria mais nem um instante para adquirir uma cópia.

Tracklist:

1. Tattoo
2. She’s the Woman
3. You and Your Blues
4. China Town
5. Blood and Fire
6. Bullethead
7. As Is
8. Honeybabysweetiedoll
9. The Trouble With Never
10. Outta Space
11. Stay Frosty
12. Big River
13. Beats Workin’


Discografias Comentadas: Type O Negative

 


 “Black No1”  como muita gente pelo mundo, essa música foi a minha entrada ao universo do quarteto norte-americano.
Comprei o vinil de Bloody Kisses (do qual “Black No1” faz parte) e virei fã daquelas melodias lentas, daquele vocal grave e soturno e das intervenções de guitarras e teclados, principalmente estes, com timbres aos quais eu não estava acostumado a ouvir no mundo do heavy metal. Desde então, o grupo é um dos meus favoritos, e podem ter certeza de que a obrigação de reouvir seus álbuns para esta Discografia Comentada não foi nenhum sacrifício.
Os nova-iorquinos Peter Steele (baixo e vocais) e Josh Silver (teclados) começaram tocando juntos no Northern Lights, em 1976, o qual mudou o nome para Fallout em 1979, e chegou a lançar um EP em 1981. Silver deixou o grupo para ir tocar no Original Sin, e Steele formou o Carnivore, com quem gravaria dois aclamados LPs. Com o fim desta banda, Steele convidou o baterista Sal Abruscato para formarem um novo grupo, o qual seria chamado de Sub-Zero, e contava também com a presença do guitarrista Kenny Hickey (que também executaria alguns vocais) e de Silver de volta às teclas. Com a descoberta de outra banda com este nome, passaram a se chamar Type O Negative, e chamaram a atenção da Roadracer Records (depois Roadrunner Records), assinando contrato com esta gravadora. O resto é história, a qual contamos agora a vocês através de seus discos.
Slow, Deep and Hard [1991]
A estreia do Type O Negative tem muito pouco do estilo que veio a consagrar a banda no futuro, sendo praticamente a continuação do trabalho de Peter com o Carnivore. Sendo assim, as músicas são cruas, agressivas e muito mais rápidas do que a sonoridade posterior do grupo (o que é bem demonstrado na maior parte dos quase nove minutos de “Der Untermensch“), além dos vocais de Peter estarem mais agressivos, e não com a tonalidade bem grave que ele passaria a usar de Bloody Kisses em diante. Os quase dez minutos de  “Gravitational Constant: G = 6.67 x 10-8 cm-3 gm-1 sec-2” se destacam no track list (especialmente o trecho inicial, chamado “Unjustifiable Existence”), mas a melhor coisa do disco é o trecho final da faixa de abertura (seis dos doze minutos de “Unsuccessfully Coping with the Natural Beauty of Infidelity“), chamado “I Know You’re Fucking Someone Else”, e que, como todo o resto do álbum, trata de um relacionamento em que Peter se envolveu e foi traído pela namorada (tópico este que seria uma constante na carreira do grupo dali em diante, estando presente em quase todos os discos em pelo menos uma canção). A parte inicial desta música, chamada “Anorganic Transmutogenesis (Synthetic Division)”, também chama a atenção, e o trecho intermediário da mesma, intitulado “Coitus Interruptus”, traz algumas passagens que lembram a sonoridade posterior do quarteto, como a lentidão, o uso de violões e a melancolia, mas os gemidos de uma mulher em pleno ato sexual que fazem as vezes de letra para este trecho acabam afastando esta impressão. “Kill You Tonight” (parte dos quase oito minutos de “Xero Tolerance”) tem passagens quase punks, enquanto “Type ‘A’ Personality Disorder” (outro trecho da mesma canção) possui alguns samplers da obra de J.S. Bach. Partes dos mais de doze minutos de “Prelude to Agony” revelam a forte influência do Black Sabbath no som do Type O (o que seria uma constante em sua carreira), enquanto “Glass Walls of Limbo (Dance Mix)” são quase sete minutos de barulhos industriais repetitivos, acordes de teclado ao fundo “compondo um clima” e coros ao estilo dos cantos gregorianos (sendo uma faixa bastante desnecessária, diga-se de passagem). Estes cantos são executados pelo The Bensonhoist Lesbian Choir, creditado em todos os lançamentos do grupo dali em diante como “backing vocals”, sendo formado na verdade pelos próprios membros do Type O e por amigos de Peter Steele convidados para fazer os backings nos álbuns. Como se pode perceber pelas citações, todas as músicas são muito longas e repletas de variações no andamento (além de compostas de várias partes com títulos individuais), à exceção de “The Misinterpretation of Silence and its Disastrous Consequences”, que é apenas um minuto de silêncio. A capa é uma reprodução de uma penetração forçada, retirada de uma revista de sexo hardcore e retrabalhada em estúdio, tendo sido escolhida após sugestão de Peter Steele. Ela e o encarte iniciam o uso das cores verde e preto no trabalho da banda, cores que monopolizariam a parte gráfica do quarteto dali em diante, estando presentes em itens de merchandise, camisetas, instrumentos, equipamentos de palco, posters, fotos e, claro, nas capas de  todos os discos. Se você só ouviu os álbuns mais conhecidos do grupo, prepare-se para se surpreender ao encontrar aqui uma banda bem diferente do que você esperava.
The Origin of the Feces [1992]
Há muita controvérsia sobre se este disco foi mesmo gravado ao vivo ou não, mas a informação mais corriqueira é de que ele teria sido gravado em estúdio, com os barulhos do público sendo adicionados posteriormente, inclusive as muitas agressões verbais entre a banda e a plateia, e até uma interrupção do show por causa de uma ameaça de bomba (em “Gravity”), sendo tudo isto parte do doentio senso de humor do grupo (bem expressado em suas letras ao longo da carreira, diga-se de passagem). Aqui aparecem pela primeira vez “Are You Afraid” e a citada “Gravity” (que, na verdade, é uma versão retrabalhada de “Gravitational Constant”, do disco de estreia), duas composições que o Type O apresentaria ao vivo até o fim da carreira. “Unsuccessfully Coping with the Natural Beauty of Infidelity”, também de Slow, Deep and Hard, aparece completa aqui, apesar de listada na capa apenas como “I Know You’re Fucking Someone Else”, assim como “Pain” combina “Jackhammerape” e “Pain (Is Irrelevant)” (dois techos de “Prelude to Agony”), e “Kill You Tonight” é composta de trechos de “Xero Tolerance”. O disco ainda conta com as covers para “Hey Joe”, famosa com Jimi Hendrix (com outra letra e renomeada para “Hey Pete“) e uma quase irreconhecível “Paranoid“, do Black Sabbath (gravada em 1994 e adaptada ao estilo do grupo na época), incluída apenas no relançamento do disco no mesmo ano em que ela foi registrada, o qual contou com uma capa diferente (representada aqui), visto a original contar com um close up do esfíncter de Peter Steele, algo bem adequado ao título do álbum, mas considerado extremamente agressivo pelos conservadores americanos (procure na internet e confira esta “obra de arte”). Por pegar as melhores partes do disco de estreia, e ainda acrescer dois covers bem conhecidos, prefiro este álbum ao anterior, mas considero os dois primeiros lançamentos bem mais fracos que o restante da discografia do grupo.
Bloody Kisses [1993]
O disco que lançou o nome do grupo para o mundo inteiro, e possivelmente seu álbum mais conhecido e divulgado (além de ser o primeiro em que adotaram a imagem “vampiresca” e gótica que usariam até o final da carreira), abre com a vinheta “Machine Screw”, com os sons de uma mulher fazendo sexo, sendo seguidos pela faixa “Christian Woman”, um dos primeiros sucessos do grupo. Dividido em três partes, este épico de nove minutos teve dois clipes oficiais, um editado, com uma garota loira interpretando a personagem principal (e com letras menos polêmicas, pois o tema trata de uma menina que se apaixona pela imagem de Jesus Cristo, e se masturba olhando para ela), e outro mais longo e com a letra presente no disco, desta vez com uma morena interpretando a “pecadora”. “Black No 1” vem na sequência, e é o maior sucesso do disco e da banda. Com mais de onze minutos, também teve um vídeo clipe, em uma versão bastante editada. As rápidas “Kill All The White People” e “We Hate Everyone” parecem sobras dos discos anteriores, soando deslocadas no contexto do álbum, tanto que foram retiradas da versão europeia (assim como as vinhetas “Fray Way Come Out And Play”, “Dark Side Of The Womb”, “3.O.I.F.” e a de abertura) e substituídas pela lentíssima “Suspended In Dusk”, o que tornou o set list mais homogêneo (vale dizer que esta versão também possui uma capa diferente). O sombrio cover para “Summer Breeze” (quase irreconhecível perto da versão original da dupla Seals And Croft) e a ensolarada “Set Me On Fire” são duas das melhores músicas da carreira da banda, sendo que chegaram a aparecer depois em bootlegs em uma versão conjunta (com letras diferentes) intitulada “Summer Girl”. Não curto muito o clima soturno dos mais de dez minutos da faixa título, nem a variada “Too Late: Frozen” (com muitas alternâncias de climas), mas elas se adequam bem ao contexto do disco. “Blood & Fire” aparece aqui em uma versão diferente da que integrou a trilha do filme “Mortal Kombat”, e “Can’t Lose You” fecha o disco com um clima indiano em seu triste arranjo (proporcionado pela cítara do convidado Paul Bento, que também apareceria em outros álbuns mais adiante). Estas duas últimas faixas e todas as vinhetas não estavam presentes na versão em vinil. Apesar de não ser tão “depressivo” quanto discos posteriores, Bloody Kisses é com certeza o melhor momento da banda, e, com méritos, seu maior sucesso.
October Rust [1996]
Pode-se dizer que neste disco a banda adotou de vez a sonoridade que lhe seria característica, com músicas com velocidade reduzida, o vocal de Steele ficando na zona do grave na maior parte do tempo (embora sempre seja limpo, nunca caindo para o gutural), o uso de bastante distorção na guitarra e os teclados preenchendo os espaços deixados pelos outros instrumentos, hora conduzindo as melodias, hora apenas fazendo uma “cama” para os outros instrumentos. A agressividade e a rudeza dos dois primeiros discos foram deixadas de lado, em favor de canções mais melancólicas, embora não necessariamente lentas, como mostra o começo de “Be My Druidess“, um dos destaques, ao lado da bela “Love You To Death” (que também ganhou um clipe, o qual lhe reduziu a duração pela metade), da “retona” “Burnt Flowers Fallen” e da cover para “Cinnamon Girl“, de Neil Young (que aparece aqui totalmente reconstruída). “My Girlfriend’s Girlfriend” chega quase a soar como uma canção pop, e foi o grande hit do álbum, com um clipe levemente erótico tratando de um relacionamento a três, e indicado principalmente aos tarados de plantão. As demais músicas tem um clima bastante lúgubre e um ritmo geralmente mais “arrastado”, mas admitindo algumas variações de andamento ao longo de seus arranjos, como mostram a lúgubre “Red Water (Christmas Mourning)”, “Die With Me” (com seu início acústico e letra tratando de alguém que acompanha ao lado da pessoa amada seus últimos momentos), e a longa “Haunted”. Ainda aparecem quatro vinhetas, que pouco acrescentam ao resultado final. October Rust marca a estreia do baterista Johnny Kelly no lugar de Sal Abruscato (apesar de algumas fontes citarem o uso de bateria eletrônica nas gravações desde disco, de Bloody Kisses e dos posteriores, exceto o último, algo do qual não tenho confirmação), sendo que o grupo não sofreria mais alterações de line up até encerrar atividades. É neste disco também que aparece pela primeira vez a frase “Product Of Vinnland” na contracapa, acompanhada da bandeira desenhada por Steele (que é igual à bandeira da Noruega, com as cores alteradas para o verde e o preto característicos do Type O), fato que se repetiria em todos os lançamentos posteriores, além do local ser mencionado no título de “The Glorious Liberation of the People’s Technocratic Republic of Vinnland by the Combined Forces of the United Territories of Europa”, uma das vinhetas citadas.
World Coming Down [1999]
Após mais uma das tradicionais vinhetas de abertura, o disco já começa com tudo, com “White Slavery” mostrando bem as características do som do Type O Negative: uma bateria muito lenta, teclados em evidência, guitarras absurdamente distorcidas e a voz grave de Peter Steele dominando as composições. O disco segue neste ritmo, sendo uma sequência perfeita para o álbum anterior. Embora nenhuma canção tenha alcançado grande sucesso comercial, para quem curte este tipo de som é inegável a qualidade de canções como “Everyone I Love Is Dead“, “Everything Dies” (outra que foi editada para o clipe oficial), “Pyretta Blaze” (que tem uma parte quase alegre no refrão) e “All Hallows Eve”, além da longa faixa título, com mais de onze minutos de muita tristeza e melancolia. “Who Will Save the Sane?” tem algumas passagens no andamento que poderiam ser associadas ao jazz, mas o timbre da guitarra afasta a música deste estilo. A temática das músicas trata sobre perdas, mortes e desesperança, as quais se adequam ao clima proporcionado pelas melodias, sendo este o único disco em que o tradicional humor negro do grupo não aparece nas letras. Como sempre contando com algumas vinhetas (que, pelos títulos e sonoridades, acabam se integrando à temática presente no álbum), World Coming Down se encerra com um interessante medley dos Beatles, composto por partes de “Day Tripper”, “If I Needed Someone” e “I Want You (She’s So Heavy)”, claro que adaptadas ao estilo do grupo. No geral, é um álbum mais equilibrado que seu antecessor, embora tenha marcado o início do declínio comercial do grupo.
Life Is Killing Me [2003]
O sexto lançamento do Type O tem um dos melhores títulos de disco da história, demonstrando todo o senso de humor negro presente em boa parte das letras do grupo. No lado musical, após a intro “Thir13teen” (cover de um tema da série “Os Monstros” que, surpreendentemente, é uma música – e muito boa! – e não os barulhos desconexos ou faixas em branco de outros álbuns), surge “I Don’t Wanna Be Me” (veja o clipe oficial desta faixa aqui – particularmente, o achei ridículo, com temática focada apenas no título e não na letra da canção), mostrando um inusitado lado punk antes ausente quase por completo da música do grupo (a não ser por trechos do álbum de estreia), que também aparece em “I Like Goils” (resposta de Steele aos que o acusavam de ser homossexual após posar para a Playgirl americana) e “Angry Inch” (cover para a canção do musical da Broadway Hedwig and the Angry Inch), enquanto “(We Were) Electrocute” tem um clima meio anos 1960, algo diferente na discografia da banda. Além das citadas, a faixa título é um dos destaques, ao lado de “Anesthesia”, que retoma o estilo dos dois álbuns anteriores, o qual aparece também em “Todd’s Ship Gods (Above All Things)”, “Nettie” e “…A Dish Best Served Coldly”. Uma característica marcante é que neste álbum as músicas estão mais curtas que antes, sendo a variada “How Could She?” a mais longa, com sete minutos e meio, além da ausência das vinhetas de outros tempos, as quais na maioria das vezes só ocupavam espaço mesmo. Vale citar que o título de “IYDKMIGTHTKY (Gimme That)” é uma sigla para a frase “If You Don’t Kill Me, I’m Going To Have To Kill You”, o que já dá uma ideia do conteúdo lírico das músicas do Type O. “The Dream Is Dead” encerra sem maiores surpresas este que é um disco mais variado que o anterior, e, por este motivo, mais atraente. Algumas edições vêm com um CD bônus, com faixas que só saíram em singles, além do cover para “Black Sabbath” presente no tributo Nativity In Black, uma versão diferente de “Haunted” (chamada “Haunted-Per Version”) e a inédita “Out of the Fire (Kane’s Theme)“.
Dead Again [2007]
O último álbum do Type O Negative é o único lançado pela gravadora SPV (e não pela Roadrunner, como todos os anteriores, e com quem a banda veio a se desentender), e também é um belo resumo da carreira do quarteto, retomando a tradição de faixas longas e com muitas variações, a começar pela faixa título, que abre os trabalhos com um ritmo bem arrastado, passando depois para um andamento mais rápido. Ao lado de “September Sun” (no estilo tradicional do grupo, que conta com um belo solo de teclado próximo ao final, e que ganhou um clipe promocional, com menos da metade de seus quase dez minutos, óbvio!), “Halloween in Heaven” é um dos destaques do track list, mostrando mais uma vez o lado punk do Type O, e contando com a participação da cantora Tara Vanflower (do grupo Lycia) nos vocais – além de uma das melhores letras da carreira do grupo, citando vários músicos que já faleceram e deixaram saudades por aqui (algo que poucos anos depois viria a acontecer também com Peter Steele). “Tripping a Blind Man” tem um início que lembra “Who Are You?” (do Black Sabbath), em um ritmo bem arrastado, mudando depois para algo que parece saído dos dois primeiros discos, assim como partes de “Some Stupid Tomorrow” e o começo de “The Profits of Doom”, que tem um dos refrões mais legais do disco, e chegou até a ganhar um video clipe (editando seus mais de dez minutos, claro!). Os quase quinze minutos de “These Three Things” a tornam uma das maiores composições da discografia do quarteto, e o detalhe curioso é que o solo de guitarra próximo ao final tem uma citação a “Hey Jude”, dos Beatles. Detalhe: apesar de parecer muito com o baixista Luís Mariutti (ex-Angra e Shaaman), a foto na capa é do místico russo Grigoriy Rasputin, e não do músico brasileiro. Este CD também ganhou uma edição especial, agregando um DVD com o show do grupo no Wacken Open Air 2007. Não é o seu melhor momento, mas com certeza foi uma despedida digna para a carreira do grupo!
Josh Silver, Kenny Hickey, Peter Steele e Johnny Kelly
Dentre as coletâneas lançadas, destaca-se The Least Worst of Type O Negative, de 2000, a qual conta com faixas inéditas e versões que saíram apenas em singles (e que não são as mesmas presentes no CD bônus de Life Is Killing Me), sendo “Unsuccessfully Coping with the Natural Beauty of Infidelity” a única faixa presente em um disco anterior. Dentre as faixas inéditas, destaque para “It´s Never Enough” e “Stay Out Of My Dreams” (ambas sobras de World Coming Down), e para “Black Sabbath (From The Satanic Perspective)” (cover para o clássico da banda que lhe dá nome, mas com letra reescrita por Steele), que antes havia saído apenas na versão europeia do single de “My Girlfriend’s Girlfriend”. Além disso, há o DVD Symphony For The Devil (2006), que registra parte do show do grupo no Bizarre Festival em 1999, além de cenas do cotidiano do grupo, e que conta com um CD extra com um medley para três canções que ficaram conhecidas nas versões da banda do guitarrista Carlos Santana: “Evil Ways”, “Oye Como Va” e “Black Magic Woman” (curiosamente, nenhuma delas composta por Santana!). Este DVD e o que vem como bônus em algumas edições de Dead Again são os únicos registros “ao vivo” oficiais do grupo, visto que um álbum nestes moldes nunca foi lançado.
Em 14 de abril de 2010, Peter Steele veio a falecer devido a problemas cardíacos (com os quais ele convivia há bastante tempo), sendo que à época ele trabalhava nas composições para um futuro álbum do grupo. Não foi feito um anúncio oficial sobre o final da banda, mas é praticamente impossível que o Type O Negative continue sem a carismática e marcante figura de seu líder e principal compositor. Sendo assim, nos resta ouvir os discos que ele lançou em sua passagem pelo planeta, lamentar sua ausência e curtir com satisfação sua música! Enjoy it!



MUSICA AFRICANA


Zouk Machine - Maldòn [1989]



Zouk Machine é um grupo feminino de zouk de Guadalupe que teve vários sucessos, principalmente na França , como o single de verão número um no SNEP Singles Chart francês " Maldòn (la musique dans la peau)", em 1990, que vendeu mais de 1 milhões de cópias bem mais do que qualquer outra banda antilhana, mesmo Kassav . [1]

História 

Fundado em 1986 pelos membros do Experience 7 , Guy Houllier e Yves Honore, e composto por três guadeloupianos (Joëlle Ursull, Christiane Obydol, Dominique Zorobabel), o grupo fez sucesso com seu primeiro álbum Sové Lanmou (composto por Guy Houllier e Yves Honoré , que são respectivamente irmão e cunhado de Christiane Obydol). Joëlle Ursull deixou o grupo e embarcou em carreira solo, ficando em segundo lugar no Eurovision de 1990 com White and Black Blues " , composta por Serge Gainsbourg e Sylvain Augier.

No início dos anos 1990, Jane Fostin (de uma grande família musical de Guadalupe ) foi recrutada para continuar na frente.

Portanto, o sucesso do grupo ultrapassou a comunidade caribenha e a música " Maldon' (la musique dans la peau) " permaneceu em primeiro lugar no Top 50 por nove semanas em 1990. O grupo realizou algumas turnês pelo mundo, gravando em seguida álbuns Sa ké cho e Clin d'oeil . Vários membros também participaram do álbum Passer ma route de Maxime Le Forestier , junto com Julien Clerc e "Utile", além da trilha sonora de Asterix On vit ensemble et Au Revoir .

Em 1995, o grupo passou por uma situação de crise e o BMG lançou um primeiro best of . Jane Fostin finalmente deixou o grupo para se lançar em carreira solo. Seu primeiro single solo "La Taille de ton amour", cover de "Who do you love" de Deborah Cox, foi um sucesso na França, onde alcançou a 9ª posição, seguido por 4 álbuns com toques de R&B, incluindo um álbum de 2006 com o Zouk atingiu o single 'Pas de Glace', um dueto com Medhy Custos.

Membros 

Discografia 

Álbuns 

AnoÁlbumFrança
1986Sové Lanmou
1989Maldón
1991Kréòl24
1993Clin d'Oeil
1993O melhor da máquina de Zouk20
19997 Nuits Blanches


Teissy Cristina - Amor Fantasma (2019)





Crítica ao disco de Frutería Toñi - 'El porvenir está en las huevas' (2020)

 Frutería Toñi - 'El porvenir está en las huevas' (2020)

(10 Fevereiro 2020, Autoproducido




Hoje temos o enorme prazer de apresentar a nova obra fonográfica da grande andaluza 
FRUTERÍA TOÑI, cultivadores exaltados e divertidos de um jazz-prog eclético e aventureiro que os torna portadores da tocha do presente brilhante e do futuro não menos brilhante da cena do rock experimental espanhol. Mencionar o futuro aqui é apropriado porque o título desta nova obra é precisamente “O Futuro Está em Las Huevas”. Assim, com sarcasmo e tudo... mas sarcasmo não vale nada na hora de descrever e destacar o desperdício de engenho artístico que o pessoal da FRUTERÍA TOÑI capta em cada álbum que compõe e grava. Neste caso, o seu terceiro álbum de estúdio é uma das novidades mais exultantes e requintadas da música progressiva em Espanha e no mundo inteiro. A verdade é que este grupo de Málaga tem feito um trabalho altamente bordado. Com o diálogo contínuo entre as mentes mestras de Salva Marina [piano, teclados e voz],

O álbum começa grande (bem, vai crescer) com a faixa de 10 minutos e meio 'Agonía En Koyukuk'. O nome da cidade pertence a uma cidade do Estado do Alasca, olha onde... Bom, indo para o estritamente musical, a peça tem uma bela fanfarra a la PREMIATA FORNERIA MARCONI, a mesma que abre o campo para um breve segundo prelúdio na tonalidade do blues progressivo, mas as coisas aceleram quando o centro temático exibe um corpo sonoro ágil e graciosamente vibrante, que nos remete a um esquema de trabalho jazz-progressivo bastante sólido. À maneira de um cruzamento entre ON THE RAW, ACCORDO DEI CONTRARI e Canterbury no estilo de NATIONAL HEALTH, o conjunto despacha bem em um exercício muito solvente de dinamismo imponente e gancho melódico. Pouco antes de chegar à fronteira do quinto minuto, o grupo entra num halo efémero de expectativa acinzentada para ganhar força com vista a um novo exercício de dinamismo policromado. Isso não dura muito, pois pouco antes de chegar à fronteira do sexto minuto e meio, o grupo muda para um balanço lento e cerimonioso, momento oportuno para um impressionante solo de clarinete. Após esta passagem, o grupo retoma parte do dinamismo anterior para permitir que o piano elétrico delineie um solo virtuoso à la Zawinul. Muito, porque pouco antes de chegar à beira do sexto minuto e meio, o grupo se desvia para um suingue lento e cerimonioso, momento oportuno para um impressionante solo de clarinete. Após esta passagem, o grupo retoma parte do dinamismo anterior para permitir que o piano elétrico delineie um solo virtuoso à la Zawinul. Desta forma, o grupo dá um final requintado a um tema de entrada tão poderoso. 'Cipango Petite Suite' segue a seguir para mergulhar nas nuances do jazz-prog anteriormente presentes e alimentá-las com elementos sinfônicos progressivos meticulosamente desenhados. A paisagem sonora é espetacularmente embelezada sem nunca se tornar pesada ou abundante. Os diálogos entre o violino e os sopros são envolventes ao mesmo tempo que fornecem energia oportuna à elaboração do desenvolvimento temático.

Toni verdureiro

O item homônimo é na verdade uma miniatura de ¾ de minuto. De fato, 'El Porvenir Está En Las Huevas' é uma peça para piano com um clima impressionista e alguns sopros românticos: uma beleza que nos cativa justamente por durar tão pouco. Parece mais um epílogo para a segunda música do que um prólogo para a quarta. Assim, é a vez de 'El Monte De Las Tres Letras', uma canção permeada por um ar reflexivo através das transições entre uma serenidade sóbria e uma extroversão moderada que são usadas para organizar a engenharia melódica básica. A canção flui naturalmente pelo canal de seu esquema melódico delicadamente organizado. A dupla de 'El Traspié' e 'Los Álamos Verdes' ocupa os últimos 14 minutos do álbum. 'El Traspié' é a segunda música mais longa do álbum com seus 8 minutos e meio de duração, e sua primeira parte tem a missão de exibir uma nova amostra da faceta mais reflexiva da banda. Há algo que se situa entre o frugal e o melancólico no canto de Marina, assim como em alguns arranjos para violino. É como se tivéssemos uma balada CAMEL drasticamente reformulada por uma parceria de músicos de ARTI + MESTIERI e HAPPY THE MAN. Com a irrupção de uma segunda parte jovial, não sem elementos humorísticos que nos podem fazer evocar um “tímido ZAPPA”, a banda dá uma reviravolta bastante agradável ao esquema melódico. Quanto a 'Los Álamos Verdes', ela é construída como uma balada jazz-progressiva que está a meio caminho entre o ROBERT WYATT do período 74-75 e o HERBIE HANCOCK do início dos anos 70. Há um ar retrô nas inspirações composicionais, mas o dinamismo medido que o grupo cria ao seu redor parece muito novo, muito próprio. Uma peça convincentemente evocativa que aprimora os aspectos mais puramente reflexivos de todo o repertório da banda; Esse fechamento crepuscular é muito oportuno para um álbum tão bonito.

Toni verdureiro

Tudo isso é o que ele nos deu em "El Porvenir Está En Las Huevas", um álbum que não ocupa um total de 40 minutos de duração, mas que nem precisa estabelecer um novo grande momento para sua carreira musical. da FRUTERÍA TOÑI. Na passada sexta-feira, 21 de fevereiro, realizou-se o concerto de apresentação deste novo álbum na sala La Trinchera, em Málaga. A verdade é que esta banda está bem inserida no presente e no futuro da elite progressiva espanhola, e este novo álbum reforça a sua posição com uma potência titânica. Esse é o seu poder de convicção estética, já que sua proposta musical exala antes uma magia cristalina mais típica das marés quentes dirigidas por Poseidon do que das chamas incandescentes das mil tochas de Hefesto. Alegorias mitológicas à parte,

[Muito obrigado ao nosso prog-friend Ignacio Garcés por nos permitir usar uma de suas fotos nesta resenha, a mesma que dedicamos a ele]

- Amostras de 'El porvenir está en las huevas'  :


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