quinta-feira, 18 de maio de 2023

Melhores de Todos os Tempos: 2005

 


System of a Down: Daron Malakian, John Dolmayan, Serj Tankian e Shavo Odadjian

Normalmente utilizo este espaço para introduzir a publicação de uma maneira mais impessoal, tomando distância das minhas paixões musicais e apresentando o grande vencedor da vez. Desta vez, porém, aproveito para expor uma opinião bastante pessoal, talvez compartilhada por mais pessoas: a de que 2005 foi o ano com o maior número de bons lançamentos desde o final da década de 1980. Em outros anos pode até ter havido um número maior de discos merecedores da alcunha de "clássico", mas a quantidade de álbuns dignos de uma audição mais atenta foi grande nesse ano. Vários deles estão elencados abaixo, incluindo duas obras do System of a Down, destaque maior da vez, que ocupa o primeiro posto com Mezmerize e a quarta colocação com Hypnotize. E você, leitor, concorda com minha afirmação? Manifeste-se nos comentários. Lembrando sempre que nossa listagem final segue o sistema de pontuação do campeonato mundial de Fórmula 1.

01 Mezmerize
System of a Down - Mezmerize (102 pontos)
Alexandre: Um ano superior para o System of a Down em relação a 2001, com o já premiado Toxicity.  É até difícil separar em qualidade este Mezmerize do seu sucessor, Hyptnotize. Acho que o grande diferencial é o principal single, "B.Y.O.B.", condição pela qual eu decidi colocar Mezmerize na frente em minha lista final. Acho que o restante da minha análise poderia contemplar tanto um quanto outro álbum. Ambos trazem ótimas canções, são muito coesos, direto ao ponto e entregam uma pancadaria muito bem feita e evoluída em comparação aos álbuns que a banda lançou anteriormente. A decisão gradual de mais partes vocais serem cantadas por Serj Tankian e Daron Malakian, não só em boa parte das canções de Mezmerize, mas também em Hypnotize, elevou por demais as harmonias e me agrada muito mais do que apenas ouvir Serj. Eu somente não tenho tanta conexão assim com a banda, mas considero a vitória muito justa, seja qual álbum fosse escolhido. Para terminar o comentário, indico, além de "B.Y.O.B.", algumas outras faixas de destaque: "Cigaro", "Radio/Video", "Question!" e "Lost in Hollywood".
Alissön: A primeira parte desse projeto ambicioso dos mezzo armênios do SOAD é a que realmente importa aqui. Mostrando toda a versatilidade em unir elementos étnicos com as modernidades advindas do metal dos anos 1990, a banda entrega aqui o seu desempenho mais conciso, em um disco que é irrepreensivelmente espetacular. A poética também mostra-se afiadíssima, abordando assuntos muito relevantes. Críticas ao governo e postura antiguerra colocam a banda um nível acima de muitos grupos de metal qualquer. Ainda me surpreendo com quão bem recebido o álbum foi pela comunidade de ouvintes casuais, pois apresenta dinâmicas e alternâncias de andamentos de certa forma complexas. Mas, seja como for, Mezmerize já é um clássico moderno e um disco que merece ser lembrado no futuro.
André: Creio que seja o disco mais famoso deles. Ao menos é o que eu mais lembro de ouvir tocar direto seus singles na MTV e nas rádios. Em uma época em que Linkin Park e Blink-182 estavam deixando de ser as principais referências do rock no mainstream, esses caras puxaram para si a responsabilidade e estavam em seu auge. "B.Y.O.B." e "Cigaro" são clássicos dessa década de 2000. É uma grande banda, uma pena que a falta de novos lançamentos os apagou demais nesta década de agora.
Bernardo: Um merecido primeiro lugar. Verdadeira obra-prima do nosso jovem século,  que sintetiza tendências musicais – hardcore, metal alternativo, ritmos quebrados e dançantes... Daron Malakian e Serj Tankian  se revelaram compositores de mão cheia. "B.Y.O.B.",  "Cigaro",  "Question!" e "Revenga" são verdadeiros Hinos com H maiúsculo, com riffs vibrantes, refrãos empolgantes e momentos experimentais que moldaram a cara da nossa época.
Christiano: Toxicity já era um dos melhores discos dos anos 2000, mas o System of a Down conseguiu se superar com Mezmerize. Erroneamente associado às bandas de nu metal, o SOAD provou que sempre é possível ser criativo em um estilo muitas vezes conservador, como o heavy metal. Em relação aos álbuns anteriores, Mezmerize aperfeiçoa o que já vinham fazendo, uma mistura de várias influências, só que com muito mais ousadia, peso, melodias inesperadas e uma incrível habilidade de juntar isso tudo em músicas igualmente estranhas, surpreendentemente acessíveis. Talvez tenham sido uma das últimas grandes bandas de rock a atingir grandes públicos em todo o mundo, com direito a videoclipes na MTV ("B.Y.O.B." é um bom exemplo) e shows lotados por onde passavam. Infelizmente, resolveram dar um tempo após o lançamento de Mezmerize (e do irmão Hypnotize), que merecidamente foi eleito o melhor disco desse ano.  Não vou destacar nenhuma faixa, pois o álbumé ótimo de ponta a ponta.
Davi: O auge criativo do System of a Down. Os músicos conseguiram, mais uma vez, fazer um álbum pesado e com uma forte veia comercial. De diferente, traziam o guitarrista Daron Malakian apostando um pouco mais nos vocais. De resto, é o System de sempre. Os riffs impactantes de Daron e as linhas vocais criativas de Serj Tankian continuavam sendo o grande destaque do conjunto. O álbum não é muito longo. Pouco mais de meia hora, mas as músicas são excelentes. Os destaques ficam por conta de “B.Y.O.B”, "Revenga", “Cigaro”, “Violent Pornography” e "This Cocaine Makes Me Feel Like I'm on this Song”.
Diogo: Justíssima a colocação não apenas de Mezmerize, mas do próprio System of a Down no topo. Por mais que haja um ou outro álbum lançado em 2005 que eu considere superior, o ano foi do grupo de Daron Malakian, que colocou seus discos entre os mais vendidos, suas canções nas rádios e videoclipes nos canais musicais, tudo com o maior merecimento possível. Não chego a dizer que reproduziram o nível de qualidade de Toxicity (2001), que conta com algumas faixas especialmente fantásticas, mas chegaram muito perto. Exemplo disso são algumas das joias mais brilhantes do catálogo do grupo, como "B.Y.O.B.", "Revenga", "This Cocaine Makes Me Feel Like I'm on this Song”, "Violent Pornography" e a mais tresloucada de todas, a viciante "Cigaro", prima mais jovem de "Needles" (Toxicity). Já devo ter afirmado isso antes, mas admiro especialmente o System of a Down por conseguir colocar tanta porralouquice musical em destaque nas mídias, conseguir vender muitas cópias e atrair multidões para seus shows. Melhor ainda que é com música de qualidade.
Fernando: Um desavisado vai achar que é uma banda thrash com a faixa de introdução do álbum, mas é só entrar a voz em “B.Y.O.B.” que reconhecemos o grupo de cara. Aliás, essa é a melhor faixa do grupo. Mas a seguinte, “Revenga”, já cai um pouco. O System of a Down tem material para uma boa coletânea simples. Bom também que eles resolvem o álbum com pouco tempo e não precisam preencher os 80 minutos do CD.
João Renato: O disco que mudou a percepção de muitos que, até então, eram desconfiados com a geração que tomou os holofotes. Não apenas com a banda, mas toda uma cena que surgia como a grande potência do rock. Desagradou headbangers, o que sempre é uma qualidade a ser destacada. E o principal, mostrou uma musicalidade acima da média, criativa e empolgante.
Leonardo: Depois de anos, ouvi o disco novamente apenas para escrever esta resenha. E, mais uma vez, não me impressionou. As referências étnicas continuam lá, assim como os vocais gritados e as guitarras nervosas. Mas faltam ganchos, refrãos e melodias mais memoráveis.
Mairon: Quando montei a lista, tinha uma certeza desde o início: os dois discos de despedida do SOAD estariam entre os dez mais. O problema era saber qual ficaria na frente. Escolhi Mezmerize por diversas razões: "Old School Hollywood" (só ela já seria o suficiente para o álbum ficar entre os dez mais), o riff paranóico de "This Cocaine Makes Me Feel Like I'm on this Song", os vocais e o trabalho instrumental de "Sad Statue", a esquizofrenia contagiante de "Cigaro", a delicadeza de "Lost in Hollywood" e, principalmente, por conta dos dois clássicos, a lindeza de "Question!" e a paulada sonora de "B.Y.O.B." ("Bring Your Own Bombs"). Gosto das participações vocais de Malakian em "Revenga", o embalo oriental/reggae de "Radio/Video" e o estilo hip hop de "Violent Pornography", que não sei por que, me lembra a canção de abertura daquele famoso seriado do Will Smith, "Um Maluco no Pedaço". Quantas menininhas viraram roqueiras por causa deste disco? Coisa boa. Primeiro lugar na Billboard, segundo no Reino Unido e primeiro aqui na Consultoria. É mais que merecido, é um baita disco.
Ulisses: Ouvir este disco me leva diretamente a seu ano de lançamento, em que os videoclipes de "B.Y.O.B." e "Question!" queimavam seus frames profundamente em minha mente, e quando eu me impressionava com a mistura de metal com reggae e ska de "Radio/Video" (minha faixa favorita do CD) ou com a loucura empolgante de "Cigaro". Os momentos mais melódicos de "Old School Hollywood" e "Lost in Hollywood" também são muito bons. Composto por 11 petardos, o disco já nasceu clássico e nem precisava do outro (Hypnotize) para isso.

02 The Black Halo
Kamelot - The Black Halo (80 pontos)
Alexandre: Único representante do metal melódico da lista final, eu o deixei de fora pelo álbum do Masterplan (Aeronautics), mas sua presença aqui não é nenhum absurdo, é claro. Novamente (pela terceira vez seguida), enalteço os vocais de Roy Khan pela excelente escolha de suas linhas, sem abusar dos agudos tão clichês do gênero. De cara me chama atenção a boa participação de alguns dos músicos convidados, como Jens Johansson, estraçalhando nos teclados das duas faixas iniciais. Aliás, "When the Lights Are Down", além de ser uma ótima canção, tem um instrumental de tirar o fôlego. Outra presença de luxo é da sempre afinadíssima Simone Simmons, no bom single "The Haunting". Ressalto também a canção "Memento Mori", com outros dois convidados: Shagrath e Mari Youngblood, esta última já mais conhecida dos fãs da banda desde o trabalho anterior. Considero The Black Halo, independentemente da ousada proposta temática, um pouco menos inspirado, mais sinfônico e lento que os antecessores Epica (2003) e Karma (2001), fatores que me agradam menos no conjunto da obra. Mas é uma boa escolha para o ano, sem dúvida.
Alissön: Eu pensei que o disco soaria tão bom quanto soou anos atrás, quando tive contato com ele pela primeira vez. Não foi bem esse o caso. O clima gótico unido ao power metal gerou um produto bem mesclado. Um estilo fez o serviço de anular os maneirismos do outro. Para o power metal, diminuíram a velocidade incessante e a felicidade quase babaca. Para o gótico, saiu aquele clima piegas e brega. O álbum exagera a dose nas baladas, mas isso não é necessariamente um problema, a menos que você seja como eu, que não é muito chegado nelas. É interessante por ser um ponto fora da curva para o estilo, apesar de não ter sobrevivido tão bem ao teste do tempo como eu supus que o faria.
André: Brilhante é a melhor palavra que define este álbum, tema de uma de minhas primeiras resenhas aqui do site e que a Uol Host fez o favor de comer com farinha. Toda a banda tem desempenho perfeito e as composições são explosivas e marcantes. Casey Grillo é excelente em suas viradas e batidas e Roy Khan mais uma vez brilhou com seus vocais interpretando todas as letras de forma emocional, algo que se tornou sua característica. Aquela marcha de "March of Mephisto" sempre estará marcada em minha memória. "When the Lights Are Down", "Soul Society" e "The Haunting (Somewhere in Time)", com a linda ruiva Simone Simmons, também se destacam. Tirando o incômodo que a produção de Sascha Paeth costuma me trazer, visto que sempre deixa o baixo em último plano, tudo aqui se encaixa perfeitamente e me empolga do início ao fim.
Bernardo: Não é minha praia,  com todos seus toques sinfônicos. Raramente consigo terminar um álbum de power metal,  dessa vez não foi exceção.
Christiano: Começou bem com “March of Mephisto”. Desandou feio com “When the Lights Are Down”. Ficou muito chato em “Abandoned”. Melhorou em “Moonlight". Ficou insuportável quando chegou em “Nothing Ever Dies”. Resumo: continuo não entendendo como tanta gente pode gostar dessa banda. Por outro lado, dos que já escutei, este é o disco menos ruim deles.
Davi: Excelente trabalho do Kamelot. Aqui, mudaram um pouco seu som. Continuaram apostando no power metal, mas as influências de Helloween estão menos descaradas. A sonoridade é mais moderna, mais acessível. A estrutura do álbum é parecida com a de Epica. Começa pesadão, entram umas baladas lá pela metade e depois volta a ficar pesadão para a parte final. Não faltam também os famosos interlúdios. Roy Khan continuou sendo o grande destaque. Faixas preferidas: “This Pain”, “Soul Society”, “Nothing Ever Dies” e o hit “The Haunting” que conta com a participação da belíssima Simone Simmons (Epica).
Diogo: Quem não gostou de Karma e Epica, que deram as caras em edições anteriores, não vai dar a mínima bola. Das duas uma: ou vai ouvir muito superficialmente, sem prestar o mínimo de atenção, ou simplesmente vai ignorá-lo. Erro grave: The Black Halo é um álbum superior, que por bem pouco não citei em minha lista (provável 12º colocado). O evidente power metal melódico de outrora deu lugar a uma sonoridade mais elaborada, variada e muito mais ambiciosa, criando uma dinâmica interessante ao longo de seu tracklist, que alterna músicas rápidas, cadenciadas, baladas e algumas surpresas, como "March of Mephisto", cujo andamento marcial combinou perfeitamente com a proposta, assim como os vocais guturais de Shagrath (Dimmu Borgir). Os amantes daquilo que alguns participantes convencionaram chamar de "metal espadinha" têm vez com ótimas músicas, bem superiores aos que os colegas de gênero vêm fazendo nos últimos 15 anos: "When the Lights Are Down", "Nothing Ever Dies" e "Soul Society", esta última com um refrão cuja qualidade o Helloween não consegue reproduzir desde sei lá quando. "Baladeiro" que sou, tenho uma queda pelo melhor exemplar do tipo no tracklist, a belíssima "Abandoned", ressaltando a interpretação de Roy Khan, cada vez melhor. O destaque maior do álbum, contudo, é a demonstração-mor de sua faceta mais pop: "The Haunting (Somewhere in Time)". Não apenas pelo ótimo dueto entre Khan e Simone Simmons, mas especialmente pelas melodias vocais muitíssimo bem encaixadas em uma letra bem acima da média ("I was a liar in every debate / I rule the forces that fueled your hate", nunca mais vou esquecer). Parabéns ao Kamelot por mostrar um caminho diferente em meio a um subestilo que já vinha se arrastando. Escute antes de repetir preconceitos.
Fernando: E dá-lhe Kamelot! O povo aqui pelo jeito curte a banda. Certeza que isso é coisa do Marco Gaspari. Mas a entrada de The Black Halo, provavelmente o ponto máximo de sua carreira, era quase certa, já que quase todos os outros discos do grupo entraram.
João Renato: O álbum que definiu a história do Kamelot. A conclusão da saga "Fausto" vem ainda mais dark e emocional. Talvez o último disco realmente icônico do combalido power metal, embora eu não goste de encaixar a banda no estilo, especialmente após Epica. Roy Khan encaixa emoção em cada frase, enquanto os instrumentistas oferecem um pano de fundo acachapante. Agora, voltemos ao desfile de preconceitos que nada tem a ver com a música, mas com escolhas pessoais contestadas.
Leonardo: O melhor disco do Kamelot e um dos melhores álbuns de power metal melódico na década de 2000. A banda já vinha de uma sequência de ótimos lançamentos, mas tudo chegou a outro nível neste disco. Os riffs cheios de classe, o vocal impressionante de Roy Khan, as composições variadas... Em um momento no qual o metal melódico já estava cansativo e desgastado, o Kamelot surgiu com um álbum moderno, sem abandonar as raízes do estilo. Destaque para a excelente "When the Lights Go Down" e a ótima balada "Abandoned".
Mairon: Tem discos que você não precisa ouvir mais do que a primeira música para saber que não é para você. Este aqui é o caso. Aturei a primeira música por consideração, mas quando começou a bateria na velocidade da luz de "When the Lights are Down", só me restou dizer: "Tô fora total!!!". Pior que os caras já apareceram na série mais do que muita banda consagrada. Pode isso, Arnaldo?
Ulisses: Tudo o que o Kamelot conquistou disco por disco mantém-se ou é melhorado aqui: a voz dosada e a entrega absurda de Roy Khan, a prosa impecável e composições que não se limitam à velocidade da luz, preferindo investir em melodias abundantes, refrãos cativantes e atmosferas bem dosadas, que realizam com sucesso a missão de continuar a história de Ariel, Mephisto e Helena. Apesar de ter sido com a veloz e tradicional "When the Lights Are Down" que eu conheci a banda, foi nas faixas de cunho mais ambicioso que The Black Halo me ganhou, caso da emocionante entrega de Khan em "Abandoned", da prog metal "Memento Mori" ou do dueto com Shagrath (encarnando Mephisto) na gótica abertura "March of Mephisto". O resultado do esforço colocado em The Black Halo, que inclui vários músicos convidados, além de orquestra e corais, é que este transcende o mero rótulo de power metal, entregando canções envolventes do começo ao fim e performances com uma beleza de cair o queixo. Ouça e comprove!

03 Enemy of God
Kreator - Enemy of God (48 pontos)
Alexandre: Um trabalho que não tem uma avaliação mais favorável em função do vocal gritado, algo que não me agrada. Ainda assim, o considero uma boa escolha para quem gosta do estilo, pois o instrumental (em especial as guitarras) é bem azeitado e por vezes com ótima dose de melodia e guitarras dobradas no meio da pancadaria, com bons momentos que podem ser considerados mais próximos ao heavy metal do que propriamente ao thrash metal, embora este seja mais predominante no trabalho como um todo. A faixa que mais me agradou, talvez por trazer mais elementos de heavy metal, é a que fecha o álbum, "The Ancient Plague". Tivesse ela um vocal mais harmônico e seria uma grande canção. Também destaco o trecho no meio de "When Death Takes its Dominion". Por fim, entendo que este álbum do Kreator acaba por soar melhor para mim que o do Exodus, o outro representante do estilo na lista final.  Mas eu não o indicaria como um dos finalistas.
Alissön: Enemy of God é a sequência do período mais previsível da trajetória do Kreator. Pode até parecer mais veloz que o disco anterior, mas, em suma, o padrão musical é basicamente o mesmo: início urgente, refrãos imponentes, ênfase melódica e um toque de grandiosidade, mas que vai se tornando enfadonho a partir da metade do disco, se não até antes. Empolga apenas os órfãos de thrash metal. Diferente disso, é uma experiência extremamente enfastiante.
André: É o melhor álbum deles desde Renewal (1992). Thrash metal moderno, pesado, sem apelar apenas para a velocidade e para os mesmos riffs repetitivos de guitarra. Chega a soar próximo das bandas suecas de death metal melódico. É o Kreator finalmente mesclando melhor suas diferentes fases (do puro thrash às melodias de Endorama, de 1999) e lançando um grande destaque da década. Por sinal, 2005 foi o melhor ano dessa safra em termos de lançamentos. Até as capas dos discos são legais, sendo esta de Enemy of God uma das minhas favoritas.
Bernardo: O Kreator sempre foi um dos luminares do thrash metal não importando o país, então não me entendam mal quando digo que essa sua fase pós-retomada representa seu auge artístico em termos de maturidade. Agressivo e  pesado, mas também sombrio e complexo. Não chega no nível de Violent Revolution (2001) ou do clássico Pleasure to Kill (1986), mas nem sou louco de desprezar um disco com faixas como "Voices of the Dead",  "Suicide Terrorist" e "Impossible Brutality". Mas talvez minha favorita seja a abertura, a faixa-título "Enemy of God", com um refrão pra berrar junto.
Christiano: Não deixa de ser interessante o Kreator ter voltado a fazer seu thrash tradicional após ter tentado novos caminhos com Endorama. Depois disso, não tentaram mais alterar o som que os consagrou. Considero Enemy of God uma boa sequência para Violent Revolution, talvez até um pouco superior. Não reinventaram a roda, mas conseguiram criar um belo disco.
Davi: Discaço! Comprei na época e ainda hoje me empolga. O álbum tem todas as características que um registro de thrash metal deve ter. Riffs cortantes, bateria veloz, peso e melodia. Mille Petrozza tem um estilo vocal bem característico e que casa muito bem com a proposta deles. “Dystopia”, “Impossible Brutality”, “Enemy of God”, “One Evil Comes - A Million Follow” levantam até defunto. O álbum só tem um defeito. Ele sofre da "And Justice For All disease". Ou seja, o baixo está muito baixo. De todo modo, é um dos álbuns mais inspirados do gênero nos últimos 15 anos.
Diogo: Enemy of God já esteve em altíssima conta comigo e inclusive considero-o melhor que Violent Revolution, que citei na edição dedicada a 2001, mas tendo em vista a fortíssima concorrência, preferi deixá-lo de fora de minha lista pessoal. Sua entrada, porém, não é surpresa alguma: trata-se de um disco muito maduro e coeso, feito por um grupo no auge de sua capacidade técnica, vide grandes faixas como "Impossible Brutality", "Suicide Terrorist", “One Evil Comes - A Million Follow” e a faixa-título. O Kreator soube dosar suas melhores características afloradas nas duas décadas anteriores, com exceção de algo bem importante: a rispidez, que fez de um disco como Pleasure to Kill (1986) um grande marco no estilo e ajudou a tornar tão especiais músicas como "Flag of Hate" (Endless Pain, 1985), "Behind the Mirror" (Terrible Certainty, 1987) e "Betrayer" (Extreme Aggression, 1989). Deixando claro: Enemy of God é um belo disco, digno de estar aqui. Minha crítica vem mais como um "chacoalhão", na esperança de que o Kreator ainda tenha um pouco daquela energia adolescente que o grupo tinha na década de 1980. Unida à capacidade atual do quarteto, essa característica pode ser garantia de uma carreira ainda bem frutífera.
Fernando: Já pela capa percebemos que o Kreator tinha a intenção e voltar às suas origens oitentistas. Ótimo disco dessa volta do Kreator agressivo, com riffs marcantes e bons solos.
João Renato: Uma coisa legal de se ver no trio de ferro do thrash alemão (não me venham com Big Four Teutônico, o Tankard é ótimo, mas está muito abaixo dos outros) é como buscaram se renovar no novo século. Não que tenham reinventado suas sonoridades, mas aprimoraram o que sabiam fazer, oferecendo arranjos mais elaborados e produções de primeira linha. Enemy of God, junto de Violent Revolution (2001), é o que mais gosto na fase mais recente do Kreator.
Leonardo: Ainda que mantenha a linha mais melódica que o grupo adotou no disco anterior, Violent Revolution, em Enemy of God o Kreator optou por soar mais extremo e ríspido, e o resultado foi fenomenal. Repleto de riffs com palhetadas abafadas, levadas insanas de bateria e o vocal característico de Mille Petrozza, o álbum é um deleite para os fãs de thrash metal, e marca presença nesta lista com justiça. Destaque para a sensacional "Suicide Terrorist".
Mairon: Thrash Metal para ninguém colocar defeito. A abertura com a faixa-título me lembrou o Slayer dos bons tempos, e a coisa seguiu na mesma linha através de "Impossible Brutality", "Suicide Terrorist" e todas as demais canções do disco, apesar de não ter gostado, no geral, de "Voices of the Dead" e "One Evil Comes - A Million Follow". Os alemães tomaram uma dose de Slayer muito grande, e é indiscutível as inspirações em todas as faixas de Enemy of God. Até "Dystopia" bebe de Slayer, porém da fase anos 2000. Quando não é Slayer, é Metallica, como atesta a longa introdução de "Dying Race Apocalypse". Destaque especial para "When Death Takes It's Dominion" e os nove minutos embasbacantes de "The Ancient Plague", cuja introdução já vale o disco, além da perfomance absurda de boa do batera Ventor. Gostei do disco, assim como na edição dedicada a 2001, e, apesar de não ser um estilo que eu curta muito ouvir hoje em dia, encontrei qualidades suficientes para que eles esteja colocado entre esses dez mais, apesar de achar que de METÁU só o Exodus já servia.
Ulisses: Disco padrãozão de thrash, sem escorregões, mas ao mesmo tempo não sendo particularmente memorável além de uma bateria aqui ("Impossible Brutality"), umas guitarras acolá ("Murder Fantasies")...

04 Hypnotize
System of a Down - Hypnotize (42 pontos)
Alexandre: Poderia até bater Mezmerize, que venceu esta edição. Arrisco aqui um palpite, deve ter ficado em segundo (neste momento em que tecemos nossos comentários, ainda não sabemos a ordem final, apenas o vencedor). Se ficou em segundo, também é justo. Isso porque os álbuns são praticamente gêmeos em qualidade, sendo que este até começa melhor, em minha opinião.  Até a faixa-título, Hypnotize é perfeito. Daí para frente oscila um pouco, mas sem comprometer de forma alguma. Destaco também as harmonias de "Lonely Day", quase ao fim do disco.  Considerando que os dois álbuns foram gravados juntos, eles poderiam ser lançados como um só, pois a duração de um único CD comportaria todo o conteúdo de Mezmerize e Hypnotize. Não sei se a ideia em dividir em dois lançamentos partiu da gravadora, para duplicar os lucros, ou se a própria banda sentiu receio em lançar mais de 20 músicas de uma vez. Passo a palavra para os especialistas aqui da Consultoria do Rock, já que me considero um conhecedor raso do grupo. Não obstante esse detalhe, ambos merecem estar na lista final, com sobras.
Alissön: Apesar de ter vendido a empreitada como um álbum duplo que se interconectava em seus conceitos, a verdade é que Hypnotize se assemelha muito mais a um disco de sobras. Enquanto seu irmão mais velho é orgânico e naturalmente cativante, este aqui se esforça, mas não consegue emplacar algum momento naturalmente marcante. Para piorar, o disco caminha por entre dois extremos. Ora vai fundo em canções curtas e quase punks, sendo esses os momentos em que o álbum mais agrada. Em outros, o lado melancólico solta suas amarras em uma choradeira e interpretações exageradas, tanto dos vocais quanto da levada harmônica equivocada dos riffs. Mediano e problemático, Hypnotize encerra de maneira irregular a história de uma das bandas mais emblemáticas do heavy metal dos anos 2000.
André: Apesar de considerarem como um disco duplo junto a Mezmerize, este aqui é bem menos interessante. Tem lá suas boas canções, como "Hypnotize" e "Holy Mountains", mas sem os mesmos riffs e estruturas ganchudas do álbum anterior. É disco para quem curte Reload (1997), do Metallica.
Bernardo: Um álbum duplo com títulos sinônimos cuja proposta funcionou: difícil ouvir e não ficar embasbacado com a profunda compreensão que os caras demonstraram de música moderna. Dito isso, enquanto vejo Mezmerize como um disco mais sólido e com mais cara de clássico, sempre vi Hypnotize como o gêmeo mais radical e desvairado. Ainda mais experimental,  com a ultrasônica "Attack" doendo nos ouvidos até hoje. Também temos "Kill Rock 'n' Roll", dotada de uma beleza esquisita, com a qual você se empolga e se estranha ao mesmo tempo. Enquanto tentamos decifrar o SOAD,  eles continuam nos bombardeando com pedradas como "Holy Mountains",  até encerrar tudo com as lentas e arrasadoras "Lonely Day" e "Soldier Side", que chamar de power ballad seria um eufemismo. Não tem jeito,  os caras são os reis do rock da década de 2000. SOAD é FOAD!
Christiano: Sempre entendi que Mezmerize e Hypnotize formavam um álbum duplo. A única diferença é que foram lançados com alguns meses de diferença. Por isso, achei injusto atribuir dois lugares para um disco duplo, principalmente se considerarmos que 2005 foi um ano com ótimos lançamentos. É claro que isso não diminui os méritos do álbum, que é tão bom quanto seu irmão gêmeo. Só por abrir com uma pedrada como “Attack”, já valeria um primeiro lugar. Mas ainda tem “Lonely Day”, “Tentative”, “Hypnotize” e mais um monte de ótimas músicas que fazem deste um dos grandes discos dos anos 2000.
Davi: Na verdade, esta é a parte 2 de Mezmerize. Os músicos resolveram dividir o material em dois discos e aqui está a parte final. Sendo assim, a sonoridade é bem próxima. A jogada ainda era a mesma. Assim como no primeiro volume, Daron aparece explorando um pouco mais seus vocais do que nos primeiros álbuns. Os arranjos são todos na mesma pegada. Contudo, acho o tracklist de Mezmerize mais empolgante. Tem boas músicas, mas nenhuma que eu coloque entre as melhores escritas pela banda. Acho  que “Holy Mountains” é a minha favorita por aqui.
Diogo: A diferença de qualidade entre Mezmerize e Hypnotize costumava ser mais evidente para mim. Audições recentes, porém, fizeram com que o último disco do System of a Down subisse bastante no meu conceito e adentrasse minha lista, batendo alguns álbuns com os quais tenho uma relação mais próxima há muitos anos. Pode até não ter o mesmo arrojo de seu irmão mais velho, mas Hypnotize tem crueza e energia de sobra, especialmente quando investe no lado mais hardcore, destacando patroladas como "Attack", "Dreaming" e "U-Fig". No lado mais melódico, o grande sucesso foi "Lonely Day", mas a melhor mesmo é "Holy Mountains", alternando peso e agressividade com harmonias mais palatáveis de forma inteligente. É uma pena que desde então o grupo não tenha mais lançado nenhum disco, mas fica aqui a dica para quem ainda não se ligou: ouçam Harakiri (2011), terceiro álbum solo de Serj Tankian, que não se arrependerão.
Fernando: Dois álbuns do SOAD em um mesmo ano me parece um exagero. Parece um disco de sobras. Mas pelos meus comentários, as pessoas podem pensar que não gosto da banda. Como disse a respeito de Mezmerize: uma coletânea bem feita estaria em minha coleção. Apesar de não gostar de várias das músicas do grupo, eles não me incomodam e acho que foram muito importantes para trazer e manter um monte de adolescentes no mundo do metal.
João Renato: Um degrau abaixo de Mezmerize em termos de inspiração, mas ainda um excelente disco. Ou talvez seja apenas minha impressão, já que fiquei tão entusiasmado com o primeiro que, mesmo após esse ter saído, foi difícil tirá-lo do playlist. De qualquer modo, uma demonstração de força e qualidade.
Leonardo: A mesma reação que tive com o disco que encabeça esta lista… Pesado, nervoso, às vezes até agressivo. Mas não me comove.
Mairon: Como deixei bem claro comentando Mezmerize, acho as canções penúltimo disco do SOAD melhores do que as do último. Não que Hypnotize não tenha seus momentos de excepcionalidade – "Attack", "U-Fig", "Soldier Side", "Vicinity of Obscenity", a clássica "Lonely Day" e a faixa-título –, só que não tenho a mesma simpatia por "Kill Rock 'n' Roll", "She's Like Heroin" e "Stealing Society", acho que muito porque não consigo me adaptar à voz de Malakian, que, nessas faixas, ganha mais espaço que Tankian. Hypnotize é um bom disco, mas se tivessem lançado um único álbum simples, com "Dreaming", "Tentative" e "Holy Mountains" em Mezmerize, este certamente seria um dos dez melhores discos da história. Como inventaram de lançar dois álbuns no mesmo ano, os dois ficam entre os dez melhores de 2005, o que já é um baita resultado para os armênios.
Ulisses: Apesar de Mezmerize e Hypnotize serem discos separados lançados no mesmo ano, eles se complementam em alguns aspectos, como na arte da capa e no conceito de algumas faixas (caso das "Soldier Side"). O problema é que Hypnotize, entre os dois, é o primo pobre, com um tracklist notadamente menos arrojado quando você os coloca lado a lado. Ainda assim, em uma primeira audição dá para aproveitar, no mínimo, metade dele, visto que logo de cara já traz algumas das melhores composições do quarteto armênio, sendo a primeira metade impecável. A segunda é menos imediatamente cativante, porém tentativas subsequentes revelam bons momentos: a melosa "Lonely Day", ainda que inofensiva, tem todo o merecimento de ser hit; "Tentative" é poderosa em seu autocontrole e as psicóticas "U-Fig" e "Vicinity of Obscenity" não ficam devendo em nada para as maluquices dos dois primeiros álbuns. A verdade é que, independentemente de qual dos dois você prefira, ambos se sustentam com folga aqui em 2005.

05 Tyranny of Souls
Bruce Dickinson - Tyranny of Souls (42 pontos)
Alexandre: A ideia de Bruce em Tyranny of Souls foi manter os elementos que o fizeram chamar atenção dos fãs e até de Steve Harris para seu retorno ao Iron Maiden, após dois ótimos álbuns em 1997 e 1998, que venceram as respectivas edições desta série com muita propriedade, no meu entendimento. Este CD também tem Roy Z como principal parceiro e aposta igualmente na sonoridade mais próxima ao heavy metal de essência, ao invés de algum experimentalismo que Dickinson tentou nos primeiros anos de sua carreira solo. Falta a classe de Adrian Smith em uma principal comparação a Accident of Birth (1997) e The Chemical Wedding (1998). E, principalmente por isso, eu ousaria atestar, Tyranny of Souls não chega ao nível dos acima mencionados. Mas o trabalho é muito merecedor de estar na lista final, novamente tendo ótimas performances de Dickinson e Roy Z. O álbum quase não apresenta faixas fracas ("Devil on a Hog" é que menos me agrada) e entrega um bom apanhado de músicas de ótima qualidade, entre as quais posso destacar "Abduction", "Soul Intruders", "Kill Devil Hill" e "River of No Return".
Alissön: Bruce jogou na zona de conforto e entregou um disco coeso, bem composto e executado. Não há grandes surpresas ou novidades, é basicamente uma sequência direta de Accident of Birth. Até por conta disso, não se torna uma peça única em sua carreira, mas isso não torna o registro menos digno.
André: Bom disco do senhor Air Raid Siren. Nada que irá revolucionar os seus ouvidos, apenas dez faixas de um heavy metal tradicional bem tocado, com a sempre marcante voz de Bruce. Roy Z pelo jeito sempre será aquele músico que gosta de ser esquecido embora seu nome sempre esteja estampado em vários discos de destaque dessa mesma época, como produtor. Minhas preferidas aqui são a curiosa "Power of the Sun" (o que é aquela viagem vocal de Dickinson no início da canção?) e a mais lenta e quase doom "Believil". Interessante que o álbum não soa em nada como o Iron Maiden. Talvez por não ter Adrian Smith dessa vez.
Bernardo: Um álbum solido de Dickinson,  seu primeiro solo desde a volta do Maiden. Um tipo diferente de jogo ganho,  mas ainda assim um jogo ganho. Os fãs,  claro,  gostaram muito. Ouvir o que você quer e evitar surpresas é o ponto, acredito eu. Mas os temas sobre os quais Dickinson escreve (Shakespeare, Irmãos Wright, extraterrestres) são interessantes.
Christiano:  Considero a carreira solo de Bruce Dickinson infinitamente superior a tudo o que o Iron Maiden fez após Fear of the Dark (1992). No entanto, Tyranny of Souls é o seu disco mais fraco e menos inspirado, parecendo uma tentativa fracassada de emular o que havia sido feito em The Chemical Wedding. Pode ser que a ausência de Adrian Smith como compositor tenha contribuído para isso. Um outro ponto negativo é que os vocais de Bruce parecem meio forçados em algumas faixas. Por outro lado, não tem como negar que músicas como “Kill Devil Hill”, “Navigate the Seas of the Sun” e “Devil On a Hog” são muito boas.
Davi: Excelente álbum de Bruce Dickinson. A mixagem tem um toque moderno, perceptível na sonoridade da guitarra, mas os arranjos são bem tradicionais. Faixas como “Power of the Sun” e “Kill Devil Hill”, por exemplo, poderiam estar em algum álbum do Iron Maiden. Enquanto a donzela vinha (e ainda vem) apostando cada vez mais em músicas longas e épicas, Bruce veio com uma sonoridade mais direta. Seu trabalho vocal, como sempre, é excelente. E o disco é repleto de ótimas composições. Além das duas citadas, vale prestar atenção em “Abduction”, “Soul Intruders” e “Devil on a Hog”. A bola fora fica por conta de “Navigate the Seas of the Sun” e “Believil”. Bem que ele poderia gravar mais um álbum solo...
Diogo: Perdoem-me quem votou neste disco, mas, para mim, trata-se de um evidente caso em que o nome que está na capa pesou muito para que ele desse as caras por aqui. O álbum é bom, gosto dele, mas não apaga essa impressão. Apesar de Bruce e de Roy Z permanecerem como figuras principais na composição e na execução, senti falta da Tribe of Gypsies no apoio e, especialmente, da classe de Adrian Smith na segunda guitarra. Mesmo assim, mérito para o baterista Dave Moreno, que ajudou a trazer um certo frescor ao disco, ajudando a fazer com que as faixas se afastassem mais da sonoridade típica do Iron Maiden – especialmente na ótima "Abduction" e em "Soul Intruders", ambas destacando a produção mais moderna. Mesmo assim, não é difícil imaginar algumas das canções encaixadas em álbuns recentes do grupo. É o caso de "Kill Devil Hill" e "Power of the Sun", que consigo imaginar devidamente rearranjadas à moda Steve Harris. Os destaques negativos ficam por conta de "Navigate the Seas of the Sun" e "Devil on a Hog", que não apenas destoam do tom mais heavy do disco como também são composições inferiores.
Fernando: Os dois discos solo anteriores de Bruce são muito bons e Brave New World (2000) foi algo que fez jus à carreira do Iron Maiden. Assim este álbum acabou ficando perdido. É um disco muito legal, mas não tão marcante quanto esses três citado. Porém mostra que o cara dificilmente erra a mão.
João Renato: Um álbum agradável, porém, nada de mais. Bom de ouvir, músicas que fluem sem atropelos. Mas falta o punch de Accident of Birth ou a ousadia de The Chemical Wedding. Um lançamento para cumprir tabela. Talvez o fato de não ter sido feito por uma banda, embora os compositores principais ainda sejam os mesmos, tenha influenciado.
Leonardo: Primeiro disco solo do vocalista lançado após seu retorno ao Iron Maiden, Tyranny of Souls não teve muito alarde, e parecia ser um disco despretensioso. Contudo, na primeira ouvida já é possível perceber a qualidade do material. Ainda que não seja tão surpreendente quanto seus dois antecessores, o álbum é repleto de canções fortes, ótimos solos e melodias do guitarrista Roy Z e a performance sempre arrebatadora do vocalista.
Mairon: Ah não, esse cara de novo aqui? Fazer o que, vamos lá... Achei o álbum interessante, pesadão e nada a ver com o Iron Maiden, o que já é um ponto para Bruce Dickinson, mas isso até 1'40", pois basta entrar a voz do dono do disco para cairmos na mesmice que o Iron Maiden faz desde 1999. Cara, como que pode isso? Se "River of No Return" tivesse sido gravada nos anos 1980, teria feito algum sucesso... Salva-se David Moreno na bateria de "Abduction" e na velocidade da introdução de "Soul Intruders", mas só. Dose ouvir "Power of the Sun", a faixa-título e a coisinha "meiga" que é essa "Navigate the Seas of the Sun", buda que partiu... Dez mais, nem Bruce acredita...
Ulisses: Disco todo irregular. Boa parte dele entra por um ouvido e sai pelo outro. O que fica na memória é a balada semiacústica "Navigate the Seas of the Sun", a maligna "Believil" e o doom da faixa-título.

06 Fused
Iommi - Fused (41 pontos)
Alexandre: Um projeto solo disfarçado de trabalho entre a dupla de dinossauros do hard rock e do heavy metal. Hughes e Iommi juntos é ter praticamente certeza de ouvir algo de qualidade. Isso acontece novamente em Fused, mas quem esperava uma sonoridade distante do Black Sabbath, novamente flertando com o hard, principalmente do álbum Seventh Star (1986), pode até se decepcionar, pois vai encontrar algo mais próximo do som da banda principal de Tony Iommi. Tivéssemos Dio ou Ozzy cantando aqui e a comparação seria inevitável. Como Hughes tem múltiplas influências e os arranjos soam ligeiramente mais modernos, a coisa fica no meio do caminho. Ninguém aqui é louco de achar isso ruim, mas este Fused tem mais do Black Sabbath que o próprio Seventh Star, o subestimado disfarçado álbum solo que traz a alcunha do Black Sabbath. Ainda que considere aquele álbum superior a este, entendo que Fused sobra fácil na safra de 2005. Posso destacar tranquilamente as faixas "Dopamine" e "The Spell". Mas o grande momento é a genial "I Go Insane", quando Iommi e Hughes acertam em cheio nas doses de harmonia e categoria ao entregar inicialmente uma balada que se modifica ao ganhar peso do meio para frente.
Alissön: Todos os elogios a este disco devem-se aos nomes estampados na capa, e nada mais. Tanto a parte instrumental quanto o desempenho vocal estão aquém de tanto enaltecimento. Glenn Hughes apresenta seus maneirismos mais irritantes. Apesar de ser inegavelmente um bom cantor, entope cada canção com gritos e afetações completamente desnecessárias (o que faria cada vez mais nos discos seguintes de sua carreira). Da parte instrumental, nada pode ser dito de relevante. Tanto o padrão dos riffs quanto a produção dão uma cara forçosamente moderna e até grunge a grande parte das músicas. É interessante para quem se surpreende facilmente com algum riff mais pesado e uma produção cristalina. Para quem já está anestesiado, o disco ou passará batido ou se tornará uma tortura para findar sua audição.
André: O bigodudo sempre foi um dos meus guitarristas favoritos. Porém, da mesma forma que Gilmour (o meu favorito), este não consegue lançar discos solo que me agradem. Não sei se é porque tomo suas bandas principais como base, mas é algo que não tenho como negar. Acho o vocal de Glenn Hughes nesse período sofrível (no Voodoo Hill eu já percebia isso), talvez por tentar emular seus velhos tempos de Deep Purple, embora a produção tenha dado uma boa mão a ele quanto a este disco. Curiosamente, no Black Country Communion já notei um desempenho bem melhor. Quanto às composições, dão a impressão de serem todas fillers do Sabbath com uma produção atual. Álbum mediano apenas.
Bernardo: Poderia ser chamado de Black Sabbath tranquilamente,  uma vez que Seventh Star era para ser um álbum solo e só saiu com o nome da banda por pressão da gravadora. Por falar nele,  Iommi reedita aqui a parceria com o lendário Glenn Hughes. A criatividade do mito Tony Iommi para riffs parece não conhecer limites, e, somada com o baixo e a voz de Hughes,  consagrado pelo seu groove empolgante, resulta em um álbum que empolga do início ao fim. "Dopamine" é uma bela abertura, mas viajei mesmo foi na longa "I Go Insane".
Christiano: Disco interessante. As guitarras de Tony Iommi soam bastante modernas. Glenn Hughes fez um bom trabalho como vocalista, lembrando os tempos de Seventh Star. No entanto, as músicas são bastante simples e sem grandes novidades. Achei as faixas “Saviour of the Real”, “Grace” e “What You’re Living For” as mais interessantes, justamente por serem menos previsíveis.
Davi: Caraca, fazia tempo que não ouvia este disco. É aquele típico álbum que não tinha como dar errado. Para a bateria trouxeram Kenny Aronoff. Excelente músico, que já tocou com todo mundo que você puder imaginar. Desde John Fogerty e Santana até Celine Dion e Alanis Morissette. Fora ele, temos dois gênios juntos: Glenn Hughes e Tony Iommi. A primeira vez em que a dupla havia trabalhado junto foi no polêmico (e ótimo) Seventh Star. Se lá tinha uma pegada mais comercial, aqui é o oposto. O disco é bem pesadinho. Contudo, não é um trabalho tipicamente Sabbath. Alguns inícios de música até remetem à banda, caso de “The Spell”, por exemplo, mas é só o Voice of Rock entrar cantando que a canção ganha nova dinâmica. Mais melódica, menos arrastada. Prefiro assim. Se é pra fazer algo longe da banda, que faça diferenciado. Faixas de destaque: “Wasted Again” e “Grace”.
Diogo: Escolher apenas dez discos lançados no melhor ano para a música em muito, muito tempo, foi uma tarefa dificílima. No decorrer do processo, álbuns entraram na lista, outros saíram, posições oscilaram... Apenas uma coisa foi muito evidente desde o início: a certeza de que Fused é meu lançamento favorito de 2005. Mais do que isso: trata-se do melhor lançamento diretamente relacionado ao Black Sabbath desde Dehumanizer (1992), talvez desde Diary of a Madman (Ozzy Osbourne, 1981). Sei que alguns vão julgar minha posição como exagerada, mas a quantidade absurda de vezes que já ouvi este disco não me deixa mentir: Tony Iommi e Glenn Hughes criaram uma obra viciante, dinâmica, com elementos variados das facetas de suas carreiras, mas sem nenhuma óbvia conexão com alguma de suas obras previamente lançadas. Dia vai, dia vem, ainda estou derretendo os alto-falantes ao som de "Dopamine" como se fosse a primeira vez em que a ouvi, me empolgando com os riffs e as linhas vocais de "What You're Living For" e ficando embasbacado com "I Go Insane" e todo seu arrojo, evoluindo de uma baladaça para algo muito mais ambicioso. Adoro Seventh Star e gosto muito de The 1996 DEP Sessions (2004), mas Fused é, sem dúvida, a grande parceria entre a dupla. Digo mais, caso não tenha ficado claro o suficiente: trata-se de um disco superior aos últimos registros de Iommi ao lado de Ozzy (13, do Black Sabbath, de 2013) e de Dio (The Devil You Know, do Heaven & Hell, de 2009). Mais destaques: todo o restante das faixas. Mérito ainda para o baterista Kenny Aronoff, que executa um ótimo trabalho, com a pegada que o álbum merece. Espero que Iommi e Hughes possam trabalhar juntos novamente.
Fernando: Quando fiz a minha lista eu acabei me esquecendo deste disco. Ainda bem que outros lembraram. No geral, as músicas são legais, mas em algum momento nem parece que as guitarras são comandadas por Tony Iommi. O fato das composições terem sido divididas deve explicar o porquê disso ter acontecido.
João Renato: A parceria de Tony Iommi e Glenn Hughes sempre rendeu – mesmo em Seventh Star, que, apesar do momento pessoal confuso dos envolvidos, conseguiu oferecer algumas ótimas composições. Fused é pesado e muito bem pensado, chegando a surpreender quem acompanha a carreira do baixista e vocalista, que soltou o demônio que há dentro de si. Não figura entre os meus discos preferidos da dupla, mas tem inegável qualidade.
Leonardo: Se tem uma coisa difícil de acontecer, é Tony Iommi lançar um disco ruim. Seus riffs e solos costumam salvar até a mais sem graça das músicas. E Glenn Hughes é um músico consagrado e ótimo compositor, ainda que em alguns momentos seu vocal soe extremamente exagerado. Mas o disco flui bem, mostrando o talento dos dois músicos, com resultados bastante satisfatórios.
Mairon: Quase 20 anos depois do contestado Seventh Star, a dupla Tony Iommi e Glenn Hughes reuniu-se para um trabalho que só podia dar certo, e logicamente deu. A fusão do peso de Iommi com o soul de Hughes acaba satisfazendo os admiradores de ambos os artistas. Não há nada parecido com o Black Sabbath ou com o Deep Purple, e tampouco com o próprio Seventh Star, mas sim uma mistura de estilos que vale cada centavo investido.  Algumas canções lembram bastante a carreira solo de Hughes, como “Dopamine”, "Saviour of the Real” e “What You’re Living For", em que a guitarra conhecida e reconhecida de Iommi brilha nos solos, e outras que são mais sabáthicas, como “Wasted Again”, “The Spell” e “Face You Fear”, temperadas com a sensualidade vocal de Hughes. “Resolution Song” e “Grace” são carregadas de peso nos riffs e na pegada da cozinha, fugindo de qualquer comparação possível com algum trabalho anterior da dupla. Ainda há espaço para a balada “Deep Inside a Shell", que, mesmo com os riffs pesados de Iommi, é uma peça que poderia facilmente encontrar-se nos belos discos do Hughes Turner Project. O álbum encerra-se com uma das melhores canções da década passada, a pseudobaladaça “I Go Insane", na qual Iommi mostra o porquê de ser tão venerado como guitarrista e Hughes exprime toda sua categoria nos vocais. Digo "pseudo" porque na sua segunda metade, Jesus, que coisa mais linda aquela pegada para a entrada do despejo de riffs e o solo de Iommi. Resumindo, Fused é uma ótima combinação entre dois gigantes da música, que infelizmente parou só nesta colaboração. Fica a lástima de que outros discos de Hughes não tenham entrado em edições anteriores (o que o poder de um bigode não faz...).
Ulisses: Iommi é meu guitarrista favorito, mas sua carreira solo não me diz muita coisa. A maioria das composições de Fused são tão parecidas umas com as outras que acabam se mesclando, carecendo de elementos que as tornem diferenciáveis e memoráveis, ainda que, cada um a seu modo, Hughes e Iommi entreguem ótimas performances. Tem seus bons momentos, sim, vide "Saviour of the Real, "What You're Living For" e "I Go Insane", mas havia muita coisa melhor em 2005, e não consigo deixar de achar que este disco entrou mais pelo nome do que pela qualidade, apesar de ainda julgá-lo o melhor na discografia solo do bigodudo.

07 Lipservice
Gotthard - Lipservice (41 pontos)
Alexandre: Banda desconhecida para mim até hoje. Hard rock bem feito, bons solos de guitarra, vocal agradável.  O começo de "Stay for the Night" é “chupado” da introdução de "Give Me All Your Love", do Whitesnake, que, aliás, eu entendo como uma das maiores influências do grupo, em sua fase mais platinada. Outras bandas obviamente podem ser citadas, aquelas que encheram o globo de “farofada”: Poison, Mötley Crüe, Def Leppard, Bon Jovi, é por aí. E assim como boa parte dos álbuns menos cotados dessas bandas, o problema é cair no lugar comum. Alguns refrãos exageraram na quantidade de “açúcar”, o que eu dispensava, como o de "Round and Round" (que, aliás, é o título de uma das faixas mais conhecidas do Ratt, outra banda do cast “farofa”).  Não há nada de novo no trabalho e estar na lista final de 2005 não faz muito sentido, ainda que seja um bom álbum. Seria melhor se tivesse uns dez minutos a menos, com cerca de dez, 11 faixas. Estaria de bom tamanho. A canção que mais me agradou foi "Said and Done".
Alissön: Meu problema aqui é: não sou o maior fã de hard rock e não suporto AOR. A audição não foi incômoda, mas não tenho algo concreto a dizer além de destacar a boa produção.
André: Gosto muito do hard rock dos suíços do Gotthard. Não inovaram em nada no estilo, mas apresentam composições de muita qualidade. É o Bon Jovi que eu gosto. Embora Need to Believe (2009) seja meu preferido da banda, Lipservice também é muito bom. O disco é menos AOR do que o costume, mas apresenta um bom gosto incrível de Leo Leoni quanto às suas melodias de guitarra. "Anytime Anywhere" lembra muito o jeitão do Dokken. Gosto deles um pouco acima dos conterrâneos do Krokus, embora estes últimos pratiquem um hard mais pesado. No mais, Steve Lee foi um grande vocalista, sua morte foi uma tragédia para a Suíça, onde são idolatrados.
Bernardo: Tiozões tocando hard rock nostálgico em um álbum longo além da conta. Passo.
Christiano: Mais um disco mediano na lista. Hard rock oitentista genérico, só que gravado em 2005. Não vou dizer que é ruim, mas músicas como “Everything I Want”, “I Wonder” e “I’ve Seen an Angel Cry” são, no mínimo, constrangedoras. As faixas mais agitadas, como “Dream On” e “Cupid Arrow” são até razoáveis, mas deixam aquela sensação de mais do mesmo.
Davi: Este disco me traz ótimas recordações. Assisti a banda nessa época e ainda fiz uma entrevista com Steve Lee e o Leo Leoni. Nessa época, a banda estava em uma crescente e prometia despontar. Ótimas memórias. Em relação ao álbum, acho excelente. Não é o meu preferido da banda, que sempre foi G. (1996), mas sempre curti. Ótimo trabalho vocal, ótimos riffs, um disco bem para cima. “All We Are”, “Dream On”, “I Wonder”, “Stay for the Night”, “Anytime Anywhere” e “Said & Done” sempre foram minhas preferidas. Bacana ver este disco por aqui! Ótimo grupo que nunca teve o destaque que merecia.
Diogo: Lembro muito bem onde eu estava na tarde de 5 de outubro de 2010, quando recebi a notícia de que Steve Lee havia morrido após um caminhão ter se chocado com uma moto estacionada, que foi arremessada contra seu corpo. Lembro inclusive que foi um ex-colaborador da Consultoria do Rock que deu a notícia. Por que digo isso? Para ilustrar quão marcante e triste foi esse momento para mim, que já acompanhava a carreira do grupo suíço havia alguns anos, inclusive considerando Lipservice como um de seus melhores álbuns, abaixo de G., mas não por grande diferença. Foi-se o carismático vocalista, mas ficou um belo catálogo. Se você busca grandes surpresas, está ouvindo o grupo errado, mas se quer uma boa alternância entre músicas mais calcadas no hard e power ballads, Lipservice pode ser a opção certa. Do primeiro tipo, preciso ressaltar a pegada enérgica de "All We Are" (mais heavy, chega a lembrar "Stallions of the Highway" e "Backs to the Wall", do primeiro disco do Saxon, de 1979), "Dream On", "Cupid's Arrow" e "Anytime Anywhere", simples e funcional. Em se tratando das baladas, que são meu fraco, me derreto mais que manteiga: "Everything I Want" e "Nothing Left at All" foram alvo de muitas audições repetidas ao longo dos anos. Fico surpreso com a aparição de Lipservice por aqui, uma vez que seu melhor álbum, G., foi lembrado apenas por mim na edição dedicada a 1996.
Fernando: Em um período em que achava que o hard rock havia ficado nos anos 1980, eu descobri o Gotthard justamente com este disco. “Anytime Anywhere” é demais!! A partir de Lipservice descobri os outros discos e várias outras bandas que estavam praticando essa vertente. É curioso que um estilo com muito mais apelo seja bem underground.
João Renato: O álbum que fez o Gotthard surgir com força na América do Sul – considerando um nicho, é claro –, enquanto já possuía status representativo na Europa, especialmente na Suíça, sua terra natal. Não é o melhor que a banda lançou, mas tem vários momentos de grande destaque. Hard rock simples e direto, com melodias de fácil assimilação.
Leonardo: Apesar de ser um profundo admirador do hard rock oitentista e de seus filhotes surgidos nos anos 1990 e 2000, o Gotthard é uma banda que nunca despertou minha admiração. É tudo muito certinho, redondinho e sem graça. Falta malícia, pegada e sujeira. Este disco ratificou minha impressão sobre a banda. Tudo muito pasteurizado. Não é ruim, alguns riffs são interessantes, mas não chama minha atenção.
Mairon: Engraçado que sempre tem um disco queridinho do DB para entrar na lista... É o típico som que não é para mim. Sério que este álbum é de 2005?? Datadíssimo e sem um pingo de criatividade. Ouvi apenas por respeito, mas que disco bem chatinho. Aguentar as baladinhas "Everything I Want" e "Nothing Left at All" foi uma das piores coisas da série. Para não passar sem dar uma informação ao leitor, este é o disco da insuportável "Anytime Anywhere", a canção mais Bon Jovi que o Bon Jovi nunca gravou. Só isso já basta para servir de sinônimo de "afaste-se".
Ulisses: É aquela coisa, né? O disco não é ruim, mas daí a dizer que é um dos dez melhores do ano... Para não passar por chato, vou admitir que "All We Are", "I've Seen an Angel Cry" e "Anytime Anywhere" são realmente boas.

08 Octavarium
Dream Theater - Octavarium (38 pontos)
Alexandre: O álbum desce alguns degraus na carreira do grupo, principalmente porque não traz uma sonoridade diferente em relação aos seus antecessores, coisa que a banda vinha fazendo de álbum para álbum. Ainda assim, é um bom trabalho, em minha opinião o melhor da lista final. As faixas de destaque são a própria "Octavarium", mais ambiciosa e bem desenvolvida em um arranjo longa-metragem, "The Root of All Evil", competente abertura para o CD, e principalmente "Sacrificed Sons", essa mais épica e repleta de harmonia. "Panic Attack" também é uma música interessante. Mas o álbum está longe de ser coeso e tem faixas dispensáveis, especialmente "I Walk Beside You" e "Never Enough", esta trazendo vocais que emulam o Muse, no meu entender, de forma até descarada, apesar do instrumental competente. Escrever sobre a maestria e o virtuosismo dos músicos é “chover no molhado” mais uma vez, não há o que questionar acerca disso. Mas se percebe que a inspiração nas composições se mostra claramente abaixo dos álbuns anteriores. Ainda assim, sobra em 2005.
Alissön: Foi tanta informação redundante jogada em uma hora e 26 minutos de disco que fica difícil fazer uma média disso tudo. Ao invés de evoluírem, as músicas ficam apenas rodando em torno de arpeggios e futilidades técnicas sem necessidade alguma para o desenvolvimento e progressão das mesmas. Não é completamente descartável. Possui alguns bons momentos, especialmente quando a banda faz algo mais objetivo ("The Root of All Evil" e "Panic Attack"), mas no todo é um disco enfadonho, com composições mais elaboradas, apesar de tecnicamente irrepreensíveis.
André: Eu lembro do meu amigo empolgado quando comprou este CD e me mostrou em sua casa. Ouvimos por inteiro e lembro de ter ficado de queixo caído. Duas coisas que eu deveria ter pensado melhor para a lista deste ano: uma foi ter esquecido de Keeper of the Seven Keys: The Legacy, do Helloween (que duvido que entrasse, mas eu gosto muito dele). Outra foi ter deixado de lado este disco. Ao ouvi-lo, arrependo-me de não tê-lo em minha lista. Sorte que entrou mesmo assim. É um disco mais leve que Train of Thought (2003), mas não menos excelente. Creio que tenha sido o melhor disco "menos metal, mais prog" deles até hoje. "The Root of All Evil" é mais um petardo da "saga da cachaça" de Mike Portnoy, "I Walk Beside You" talvez seja a melhor música "pop" deles e os 24 minutos de "Octavarium" demonstram claramente por que sempre foram a principal referência do metal progressivo. Todos estão tinindo em seus instrumentos (e vozes). Eu definitivamente adoro essa fase.
Bernardo: Fugindo do peso de Train of Thought,  Portnoy orientou a banda em um progressivo mais melódico e ainda mais virtuoso, o que dá a impressão de que, assim como Nigthwish e Angra,  qualquer coisa que a banda lançou vai ser eleita, independente do resultado.
Christiano: Na época do lançamento de Octavarium, eu já achava que o Dream Theater estava fazendo hora extra na carreira. Os dois discos anteriores davam claros sinais de desgaste criativo. Felizmente, quando fui escutar o “disco novo”, vi que estava muito enganado. De forma surpreendente, resolveram acrescentar alguns elementos de música pop ao som caracteristicamente virtuoso e pesado. O resultado foi surpreendente: “I Walk Beside You” tem alguns traços de U2 e Coldplay; “The Answer Lies Within” é uma balada de melodia muito bonita; “Sacrificed Sons” lembra algumas coisas que o Marillion fez em discos como Radiation (1998). Não tem como não mencionar “Panic Attack”, que é uma das mais pesadas do álbum e conta com uma introdução que já faz valer o disco. Para finalizar, criaram uma faixa de 24 minutos – que dá nome ao álbum – que, embora seja bastante longa, é igualmente interessante.
Davi: Train of Thought dividiu opiniões.  Teve gente que gostou do novo direcionamento musical com uma pegada mais suja e arranjos menos complexos. Teve gente que os acusou de estarem preguiçosos. A resposta veio neste que, para mim, é o ultimo grande álbum do Dream Theater. Octavarium traz algumas músicas sujas e diretas (caso de “The Root of All Evil”), mas não para por aí. O álbum busca referências em tudo quanto é canto. “I Walk Beside You” foi a nova faixa pop do conjunto. “Never Enough” trouxe o som dos músicos para o presente, com claras referências de Muse. “Sacrificed Sons” voltou a explorar as passagens à la Rush. Há ainda a faixa-título, uma linda e impactante viagem musical de aproximadamente 30 minutos. Aqui, mostraram que estavam não apenas com a técnica em dia, mas também com a criatividade a milhão. Volta, Portnoy!
Diogo: O Dream Theater até se recuperou bem com Train of Thought, focando em músicas mais concisas e pesadas, mas logo voltou ao mesmo nível de enfado que se iniciou em Six Degrees of Inner Turbulence (2002). Por um lado é admirável que o grupo não queira se repetir (Octavarium é um disco muito mais leve que seu antecessor, tanto na instrumentação quanto na atmosfera), mas a necessidade maior sempre é que as composições correspondam, e dessa vez elas não corresponderam. Não tenho nada contra o quinteto soar mais pop, como em boa parte da primeira metade do tracklist, mas são canções que não me prendem. Mesmo "I Walk Beside You", com a qual eu até costumava simpatizar mais, não envelheceu muito bem. O lado mais pesado do álbum, bem ilustrado em "Panic Attack", não chega nem perto daquilo registrado em Train of Thought, em especial da excelente "As I Am", cujo caminho infelizmente não foi seguido. Permanecendo no terreno progressivo, seria bem mais interessante ver Frances the Mute (The Mars Volta) ocupando esta posição.
Fernando: Vale pela faixa-título, que, apesar de seus mais de 20 minutos, não parece apenas uma junção de diversas partes que os músicos uniram para produzir uma música longa. As outras faixas são apenas ok.
João Renato: Reza a lenda que o Dream Theater explorou caminhos diferentes após seu “disco Metal”, que foi Train of Thought. Realmente, dá para notar alguns elementos mais pop em Octavarium. Porém, nada que descaracterize a proposta da banda, que é fazer o ouvinte não lembrar como as músicas começam assim que elas chegam à metade. Brincadeiras à parte, é um emaranhado que não me agrada.
Leonardo: Considerado por muitos o disco da “volta” do Dream Theater ao metal progressivo, depois do pesado Train of ThoughtOctavarium apresenta exatamente os principais defeitos do estilo: músicas extremamente longas, repletas de solos pouco memoráveis e momentos que chegam a dar sono. Recomendado para noites de insônia.
Mairon: Relutei muito em colocar ou não este disco na minha lista. De início, estava no top 5, mas ouvindo-o com mais atenção, gosto realmente apenas da bela faixa-título. Acho que a voz do LaBrie está cada vez mais insuportável, ao mesmo tempo em que, para mim, as batidas de Portnoy são secas e não acrescentam nada a canções que poderiam ser bem melhores. Por outro lado, Jordan Rudess se sobressai em "The Root of All Evil" e John Petrucci é o cara da vez na pancada "Panic Attack". No geral, porém, é dose aturar "The Answer Lies Within", "These Walls", "I Walk Beside You", "Never Enough" e "Sacrificed Sons" até chegar em "Octavarium". Só que nela a coisa realmente pega. A delicadeza e o trabalho dedicado para seus 24 minutos, construindo talvez a melhor faixa dos norte-americanos, é de uma contagiante forma para o cérebro que só por causa dela o disco merece estar entre os dez mais, sendo que o que Rudess e Petrucci fazem ao longo dela é de tirar o chapéu. Não votei em Octavarium pois acho que outros discos foram melhores na época no contexto geral, mas era minha 11ª opção. Se fosse só pela maravilhosa faixa-título, que curiosamente ouvi primeiro com a Orquestra da Juventude Contemporânea de Istambul (Çağdaş Gençlik Senfoni Orkestrası), em uma versão instrumental que só por não ter a voz de LaBrie já é sensacional, era primeiro lugar na certa.
Ulisses: Uma pena que eles não mantiveram a sonoridade do antecessor (Train of Thought). Não que Octavarium não seja pesado – "The Root of All Evil" e "Panic Attack" estão aí pra isso –, é que o disco volta a pender para o progressivo, tendo os teclados de Rudess proeminentes, sem tanta dominação por parte de Petrucci e sem aquela atmosfera carregada do anterior. Fizeram um álbum sólido e variado, inclusive com algumas das melhores performances de LaBrie, especialmente nas melódicas "The Answer Lies Within" e "I Walk Beside You". Vale lembrar da faixa-título, um colosso de 24 minutos que consegue manter a atenção do ouvinte mais do que muito disco por aí (*cof, cof* Exodus *cof*).

09 Confessions on a Dancefloor
Madonna - Confessions on a Dance Floor (37 pontos)
Alexandre: Não sou fã da cantora, mas sigo razoavelmente sua carreira, pois minha esposa tem todos os seus álbuns. Já estive acompanhando-a em três shows da rainha do pop. Em uma lista final onde não há “aquelas” surpresas que normalmente são de doer o fígado, talvez esta seja a pior escolha.  Acho que a boa fase de Madonna se foi no início dos anos 1990, mas precisamente até o álbum Bedtime Stories (1994). De lá pra cá, pouca coisa se salva, mas este trabalho é ligeiramente superior aos demais álbuns lançados desde Ray of Light (1998), inclusive. Não significa lá muita coisa, embora eu possa destacar algumas canções que funcionam dentro do universo eletrônico que tem sido a tônica de sua carreira nesses álbuns mais recentes. São proeminentemente os singles, como "Sorry" e seu refrão pegajoso, e principalmente "Get Together". "Hung Up" (e o sampler/homenagem ao Abba) dá pro gasto. A faixa final, "Like It Or Not", é interessante também. Mas é pouco, trata-se de um disco que perde fôlego antes de sua metade, e é sem dúvida um exagero estar nesta lista. A faixa "I Love New York" é horrorosa, preciso mencionar. Álbum para dar suporte à turnê subsequente, ajudar a caixa registradora a encher e só.
Alissön: Confessions é algo entre a eurodance e o synthpop dos anos 1980. Após ter gasto todo seu catálogo de engajamento social no dispensável American Life (2003), Madonna resolveu refrescar as ideias e fazer um disco com aquilo que ela sabia melhor fazer: música escapista. O hit principal do disco, "Hung Up", é um verdadeiro assombro e segue sendo uma música muito boa e refrescante de se ouvir. E nessa mesma pegada o álbum segue. Inegavelmente ele decai a partir da metade de sua duração, quando o tom vai ficando mais sombrio e as músicas mais piegas e forçadas. Mas isso não estraga o saldo geral da festa: disco divertido e perfeito para esvaziar a cabeça e levantar o astral.
André: Só o que me agrada mesmo em Madonna é sua voz sempre sensual. Quanto ao resto, é música de balada, coisa em que nunca fui chegado.
Bernardo: Quando a gente ouve o sample de "Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight)", do ABBA, como base de  "Hung Up",  está dado o recado: a Khaleesi do Pop não estava para brincadeira. Faz jus ao título, sendo um de seus álbuns mais dançantes e melódicos, além de inspirado como não se via há anos. O trono do pop não era conquistado aqui,  mas sim reafirmado. Ideal para a trilha sonora de uma festa. "Sorry" e "Get Together" são outros musicões. Ouvi muito na época.
Christiano: Este disco da Madonna só entrou nesta lista por conta da marca. É claro que “Hung Up” é uma música divertida, e tocou até cansar na época do lançamento. “Sorry” é outra bastante conhecida, mas não deixa de ser uma dance music genérica. “Future Lovers” é uma das mais interessantes do álbum. No mais, não consegui ver nada de especial que justifique a inclusão na lista.
Davi: A rainha do pop voltou à ótima forma, mais uma vez. Depois do (bom) American Life, Madonna retornou ao topo com Confessions on a Dance Floor. Mesclando os beats dos anos 2000 com a sonoridade dance dos anos 1970 e 1980, Madonna criou um álbum extremamente cativante. Bem produzido e com composições inspiradas, é certamente um dos destaques em sua (ótima) discografia. Vale ressaltar as faixas “Get Together”, “Sorry”, “I Love New York” e“Jump”, além do hit “Hung Up”, através do qual homenageou o Abba ao utilizar um pedaço de “Gimme! Gimme! Gimme!” para construir o arranjo. Belo álbum!
Diogo: Confessions on a Dance Floor é, sem dúvida, o destaque maior da discografia de Madonna pós-Ray of Light. Mas convenhamos, isso não é grande coisa considerando as constantes derrapadas que a cantora tem dado de dez anos para cá. Aliás, pode-se dizer que nem são derrapadas: ela se enfiou em um atoleiro do qual está difícil de sair, com canções pouco memoráveis e colaborações que a colocam mais como uma seguidora do que como a líder que outrora fora. Sobre Confessions, destaco que a ideia de servir como trilha sonora para uma festa funciona muito bem: as transições entre cada faixa são muito bem feitas e o álbum flui com naturalidade, como se fosse uma longa música com sutis mudanças, moldando canções em que o bom gosto ainda impera, ao contrário de certas tranqueiras extraídas de Hard Candy (2008) e MDNA (2012). Os maiores hits foram "Hung Up" e "Sorry", duas boas músicas, mas uma audição mais atenciosa revela que o final do tracklist reserva momentos interessantes na forma de "Isaac", "Push" e "Like It Or Not". Por mais que Confessions até seja um disco legal de se ouvir, não se trata de algo próximo ao que Madonna fez em álbuns como Like a Prayer (1989) e True Blue (1986), recheados de músicas que me pego cantarolando a qualquer hora, quase sem querer.
Fernando: O Diogo insiste com o Richie Kotzen assim como o Mairon insiste com a Madonna.
João Renato: Eu tentei, mas não rolou. Falta a profundidade de Ray of Light, que até conseguiu me conquistar temporariamente. É muita alegria para um depressivo como eu.
Leonardo: Dance music ali, um pouco de disco ali… E o álbum vai passando sem provocar maiores reações, a não ser que você esteja em uma pista de dança.
Mairon: E a rainha do pop conseguiu vencer os metaleiros e entrar mais uma vez na série. Madonna era para aparecer mais vezes por aqui, não só por conta de sua importância musical para os anos 1980 (não entendo como Like a VirginTrue Blue e Erotica não ficaram entre os dez mais de seus anos), mas também porque fez discos muito bons. "O álbum que alcançou o topo das paradas em mais países" pega uma nova fase da cantora, afastada das polêmicas sexuais e também do envolvimento com o mundo indie, e veio descarregar sua musicalidade através de um disco de pop eletrônico que marcou a primeira década do século XXI. Só por "Hung Up" (resgatando o riff de “Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight)", do ABBA), a sensualidade de "Like It Or Not", e os embalos de "Jump" e "Sorry", este disco já é um dos melhores dos últimos 15 anos, com seus ritmos dançantes que mostram como os anos 1980 teve seus ótimos momentos. Mas ainda temos o embalo de "Get Together", as vozes espaciais de "Forbidden Love", a viajante "Isaac", com seu clima oriental impregnado pela voz de Yitzhak Sinwani entoando o poema "Im Nin'alu", de Yemenite Hebrew, e os eletrônicos hipnóticos de "Future Lovers" e "Let It Will Be" e a grudenta "Push". O único deslize é "How High", totalmente compensado por aquela que, para mim, é o maior destaque do álbum, a grandiosa "I Love New York", que fará muito roqueiros se jogarem no milho temendo o pecado de gostar de Madonna. A turnê trouxe polêmica por conta de "Live to Tell" com Madonna crucificada no palco, e ainda um show de pole dance de uma veterana Madonna durante "Like a Virgin", colocando muita menininha no chinelo. Discaço, tomara que esteja entre os três mais, e está chegando a hora de cumprir a promessa...
Ulisses: Bom disco de dance pop. Direto, honesto e bem construído  o tracklist é bem mesclado e transporta o ouvinte para dentro de uma discoteca. O terço final do álbum contém algumas surpresas: "Isaac" é a mais pretensiosa, destoando de todas as outras, com seus cânticos religiosos misturados a batidas eletrônicas, mas nada que atrapalhe; já "Like It Or Not" encerra o disco de forma sutil e introspectiva.

10 Shovel Headed Kill Machine
Exodus - Shovel Headed Kill Machine (30 pontos)
Alexandre: Não há o que questionar acerca da competência do álbum, mas não é algo que entra no meu gosto pessoal, em especial pelo vocal gutural/gritado.  O instrumental é muito bem feito, em especial as guitarras, muitas vezes em dobra.  Um estilo mais próximo ao Slayer (entre os do propalado Big Four do thrash), mas considero os solos do Exodus – pelo menos neste álbum – bem superiores, podendo destacar os de "Karma’s Messenger" e "Now Thy Death Day Come". O outro destaque é Paul Bostaph nas panelas, destilando a agressividade necessária com muito talento. Não o citei, não me agrada o trabalho da banda, mas não posso considerar ruim. Indicado para os apreciadores do estilo.
Alissön: Preguiçoso é algo que não pode ser dito deste disco. Não por conta da sonoridade, pois a banda já vinha ensaiando uma espécie de modernização de seu som no anterior. Por sua vez, Kill Machine é um disco que não se preocupa em correr riscos. Músicas mais longas e ambiciosas dividem destaque com a agressividade e os compassos grooveados das composições, criando uma dinâmica interessante de se acompanhar. Ainda que canse na metade de sua duração pela repetição de idéias, é o disco que mais aprecio da banda, mais por ter cansado do som clássico do thrash 80's do que por outro motivo específico.
André: Acho este disco muito melhor que Tempo of the Damned (2004). O vocal mais esganiçado de Rob Dukes lembra até mesmo o de Mille Petrozza, do Kreator. Até hoje não entendo a implicância dos fãs com o senhor cicatriz. Certo que depois ele mandou a banda se foder, mas não vejo problema nenhum quanto ao seu desempenho por aqui. Quanto ao instrumental, Gary Holt tirou mais uma sacolada de grandes riffs da cartola e Bostaph entrou muito bem na bateria. Nada muito complexo e técnico dessa vez, apenas caia no moshpit ao som de pauladas como "Deathamphetamine" e "44 Magnum Opus".
Bernardo: Entre um disco e outro, o Exodus perdeu baterista, vocalista e guitarrista pelas mais variadas razões. Reforços foram contratados, entre eles Paul Bostaph, ex-Slayer, e o resultado foi este álbum, com nítido tom de segurar a onda e sobreviver em pleno auge do revival do thrash. Destaco "Deathamphetamine", a mais longa do álbum.
Christiano: Tempo of the Damned é um bom disco, mas não entendi como este Shovel Headed Kill Machine pôde ter entrado em uma lista de melhores do ano. Não vou dizer que é um álbum ruim, só não consegui perceber nada de extraordinário durante a audição. Paul Bostaph fez um trabalho correto e bem técnico, mas a criatividade de Tom Hunting, baterista do disco anterior, fez falta. Os vocais de Rob Dukes também não trouxeram grandes novidades para a sonoridade da banda. Para piorar, a produção deixou o álbum com uma sonoridade irritantemente pasteurizada. Enfim, só mais um lançamento na carreira do Exodus.
Davi: Bom álbum, mas longe de ser um destaque na discografia do Exodus. Ok, agressivo, sujo, incrivelmente bem tocado e bem gravado. O trabalho de bateria de Paul Bostaph é animal, mas as faixas deixam um pouco a desejar. Nenhuma que considere memorável. O grande destaque do disco, para mim, é realmente o trabalho de guitarra de Gary Holt. Acho um disco legal, mas não genial.
Diogo: O que você faz quando três integrantes importantíssimos de seu grupo deixam a formação em um curto espaço de tempo? Gary Holt poderia ter dado uma pausa, reavaliado seu caminho com o Exodus, mas não: convocou um baterista e um guitarrista gabaritadíssimos, além de um vocalista desconhecido, mas que surpreendeu positivamente (pelo menos a mim) com seu trabalho. Pouco mais de um ano e meio após o lançamento de Tempo of the Damned, disco que colocou a banda de volta à ativa, saiu Shovel Headed Kill Machine, um álbum mais agressivo, moderno e extremo, além de menos melódico. Não espere músicas como "Sealed With a Fist" (de Tempo of the Damned) ou "Thorn in My Side" (de Force of Habit, 1992): mesmo aquelas mais cadenciadas, como "Shudder to Think", ganharam mais agressividade com os vocais de Rob Dukes. Na bateria, Paul Bostaph entrega mais uma performance de luxo, com técnica mas sem excessos, honrando a posição de Tom Hunting. E Lee Altus, bem, seu estilo mesclou-se tão bem ao de Gary Holt que nem deu tempo de sentir saudade de Rick Hunolt. Pedradas do nível de "Raze", "Karma's Messenger", "I Am Abomination", "Altered Boy" e "44 Magnum Opus" acumulam-se uma sobre a outra de forma a constituir o grande disco de thrash metal de 2005 – além de um dos melhores nos últimos 20 anos –, mas "Deathamphetamine" é covardia. Não entrou na minha lista porque o ano foi sensacional, mas foi por pouco.
Fernando: Nem aqueles que curtem o Exodus com Zetro na voz podem desprezar este álbum. Exodus brutal talvez como nunca foi. A presença do ótimo Paul Bostaph também ajudou.
João Renato: A entrada de Rob Dukes nos vocais colocou o Exodus um passo adiante em agressividade. Porém, o disco está alguns passos atrás em inspiração, quando comparado ao seu antecesssor, Tempo of the Damned. Mesmo assim, possui vários momentos de estimado valor. E Gary Holt é uma verdadeira máquina de riffs.
Leonardo: O disco anterior do Exodus, Tempo of the Damned, é um dos melhores álbuns de thrash metal do novo milênio. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito deste Shovel Headed Kill Machine. O disco tem boas ideias e riffs, mas o tamanho excessivamente longo das faixas acaba deixando sua audição cansativa. O então novo vocalista da banda, Rob Dukes, ainda estava tentando encontrar a melhor forma de cantar as músicas do grupo, e neste lançamento a influência da voz de Phil Anselmo ficou bastante evidenciada, descaracterizando um pouco o grupo. Felizmente, tudo melhoraria nos álbuns seguintes.
Mairon: Disco fantástico, que marca a entrada de Paul Bostaph para as baquetas do Exodus e de Rob Dukes para os vocais da banda. É um álbum coeso, denso, e que destrói pescoços não preparados para a brutalidade sonora. Bostaph é o cavalo-vapor de "Raze", “Now Thy Death Day Come”, “I Am Abomination” e da faixa-título, fazendo aqui talvez a melhor performance de sua carreira, enquanto as guitarras de Gary Holt e Lee Altus comandam “Karma’s Messenger” – ignorância de solo, meu Deus –, “Shudder to Think” e “Going Going Gone”. Ponto máximo para a impactante violência de “Deathamphetamine”, a melhor faixa do álbum em disparado, com seus quase nove minutos de pancadaria gratuita, seguida de perto pela épica "Altered Boy” e pelo fantástico instrumental construído para “44 Magnum Opus”, mostrando que sim, é possível fazer um disco de heavy metal com muita intrincação e qualidade. Escrevi uma resenha sobre esse petardo aqui. Atrevo-me a dizer ainda que é o melhor disco do Exodus, apesar de saber que os fãs do clássico disco de estreia jogarão pedras. Que assim seja, e que bom que entrou entre os dez mais, fiquei faceiro.
Ulisses: Gostei do vocal sulfúrico desse Rob Dukes. Mas a pitada extra de groove retira força do tracklist, deixando-o cansativo, genérico até.

Listas individuais
Alexandre Teixeira Pontes
  1. Judas Priest – Angel of Retribution11 Angel of Retribution
  2. Deep Purple – Rapture of the Deep
  3. Dream Theater – Octavarium
  4. Bruce Dickinson – Tyranny of Souls
  5. Audioslave – Out of Exile
  6. Iommi – Fused
  7. Spock’s Beard – Octane
  8. System of a Down – Mezmerize
  9. System of a Down – Hypnotize
  10. Masterplan – Aeronautics
Alissön Caetano Neves
  1. Taake – …Doedskvad12 Doedskvad
  2. Moonsorrow – Verisäkeet
  3. Venetian Snares – Rossz csillag alatt született
  4. Gorillaz – Demon Days
  5. Meshuggah – Catch 33
  6. Korn – See You on the Other Side
  7. Gojira – From Mars to Sirius
  8. CunninLynguists – A Piece of Strange
  9. Earth – Hex; of Printing in the Infernal Method
  10. Wolfmother – Wolfmother
André Kaminski
  1. Lacrimosa – Lichtgestalt13 Lichtgestalt
  2. Kamelot – The Black Halo
  3. Pagan’s Mind – Enigmatic: Calling
  4. Exodus – Shovel Headed Kill Machine
  5. Porcupine Tree – Deadwings
  6. Paradise Lost – Paradise Lost
  7. Kreator – Enemy of God
  8. Vision Divine – The Perfect Machine
  9. Nosound – Sol29
  10. System of a Down – Mezmerize
Bernardo Brum
  1. Kanye West – Late Registration14 Late Registration
  2. System of a Down – Hypnotize
  3. System of a Down – Mesmerize
  4. Gorillaz – Demon Days
  5. Sufjan Stevens – Illinois
  6. Sigur Rós – Takk
  7. Queens of the Stone Age – Lullabies to Paralyze
  8. Beck – Guero
  9. The White Stripes – Get Behind Me Satan
  10. The Mars Volta – Frances the Mute
Christiano Almeida
  1. System of a Down – Mezmerize15 Chaos and Creation in the Backyard
  2. Paul McCartney – Chaos and Creation in the Backyard
  3. Richard Hawley – Coles Corner
  4. Depeche Mode – Playing the Angel
  5. Kino – Picture
  6. Presto Ballet – Peace Among the Ruins
  7. The Rosebuds – Birds Make Good Neighbors
  8. Supergrass – Road to Rouen
  9. Opeth – Ghost Reveries
  10. Kate Bush – Aerial
Davi Pascale
  1. Madonna – Confessions on a Dance Floor16 A Bigger Bang
  2. The Rolling Stones – A Bigger Bang
  3. Dream Theater – Octavarium
  4. Céu – Céu
  5. System of a Down – Mezmerize
  6. Foo Fighters – On Your Honor
  7. Bruce Dickinson – Tyranny of Souls
  8. Pitty – Anacrônico
  9. The Darkness – One Way Ticket to Hell
  10. Wolfmother – Wolfmother
Diogo Bizotto
  1. Iommi – Fused17 Have a Nice Day
  2. Bon Jovi – Have a Nice Day
  3. The Mars Volta – Frances the Mute
  4. System of a Down – Mezmerize
  5. Gotthard – Lipservice
  6. System of a Down – Hypnotize
  7. Candlemass – Candlemass
  8. Rammstein – Rosenrot
  9. Bruce Springsteen – Devils & Dust
  10. Harem Scarem – Overload
Fernando Bueno
  1. Gotthard – Lipservice18 Frances the Mute
  2. Bruce Dickinson – Tyranny of Souls
  3. Kreator – Enemy of God
  4. The Mars Volta – Frances the Mute
  5. Porcupine Tree – Deadwing
  6. Kamelot – The Black Halo
  7. Candlemass – Candlemass
  8. Neal Morse – ?
  9. RPWL – World Through My Eyes
  10. Nevermore – This Godless Endeavor
João Renato Alves
  1. Kamelot – The Black Halo19 Dirty Diamonds
  2. Alice Cooper – Dirty Diamonds
  3. Kreator – Enemy of God
  4. System of a Down – Mezmerize
  5. Glenn Hughes – Soul Mover
  6. Black Label Society – Mafia
  7. Gotthard – Lipservice
  8. The Rolling Stones – A Bigger Bang
  9. Iommi – Fused
  10. Opeth – Ghost Reveries
Leonardo Castro
  1. Crashdïet – Rest in Sleaze20 Rest in Sleaze
  2. Hardcore Superstar – Hardcore Superstar
  3. Candlemass – Candlemass
  4. Kreator – Enemy of God
  5. Primordial – The Gathering Wilderness
  6. Deceased – As the Weird Travels On
  7. Bruce Dickinson – Tyranny of Souls
  8. Kamelot – The Black Halo
  9. Dark Tranquility – Character
  10. Masterplan – Aeronautics
Mairon Machado
  1. Los Hermanos – 421 4
  2. Exodus – Shovel Headed Kill Machine
  3. Glenn Hughes – Soul Mover
  4. Madonna – Confessions on a Dance Floor
  5. Robert Plant – Mighty ReArranger
  6. System of a Down – Mezmerize
  7. Iommi – Fused
  8. Uakti – Oiapok Xui
  9. System of a Down – Hypnotize
  10. Franz Ferdinand – You Could Have It So Much Better
Ulisses Macedo
  1. Kamelot – The Black Halo22 Reason
  2. Shaman – Reason
  3. System of a Down – Mezmerize
  4. System of a Down – Hypnotize
  5. Epica – Consign to Oblivion
  6. Dream Theater – Octavarium
  7. Disturbed – Ten Thousand Fists
  8. Аркона – Во славу великим!
  9. Coheed and Cambria – Good Apollo I’m Burning Star IV, Volume One: From Fear Through the Eyes of Madness
  10.  Tribuzy – Execution




Recomenda: Anos 2010

 


Kadavar 1

Eu arruíno a postagem, ridicularizo o site, todavia, JAMAIS deixarei de cumprir a minha palavra. O resultado foi este!

Death Grips 1
Death Grips - The Money Store [2012]
 Por Alisson Caetano
A música projetada pelo trio norte-americano Death Grips é o mais longe que se pode ir no que diz respeito a atitude e intensidade punk na atualidade. Stefan Burnett é um completo insano em seu papel de MC (MC Ride, no caso). Sua voz soturna, forte e estrondosa casam perfeitamente com as montagens frenéticas e industriais das faixas, a cargo do produtor Andy Morin e do baterista Zach Hill. The Money Store passa muito longe de convenções e ritmos estabelecidos na história do hip hop. Na verdade o que a banda faz é desconstruir o estilo e remontá-lo de uma forma completamente caótica, perversa e subversiva. Não será a audição mais confortável que você irá experimentar, mas esta também nunca foi a intensão da banda com suas músicas.
André: Sem chances. Não tinha ninguém com uma sonoridade mais tipo o Gabriel, o Pensador em termos de hip hop para mandar nós ouvirmos?
Christiano: Esse disco tem uma capa bem legal. Aliás, parece que imagem aqui, de fato, é bem mais importante que música. Por todo o álbum, são exploradas as diversas formas de intercalar samples distorcidos com narrações marrentas. Se partirmos da ideia de que uma privada em uma sala de exposição é arte, isso aqui pode ser considerado um disco a ser recomendado.
Davi: Eu tento, tento, tento e não consigo sentir a menor simpatia por grupos de hip hop. Até acho que existem coisas bacanas no cruzamento do gênero com o rock ou o heavy metal, o que não é o caso aqui. Repleto de programações, elementos eletrônicos, efeitos, uma pegada mais experimental para ser um pouco mais preciso. Definitivamente, não é para mim. Audição bem cansativa.
Diogo: Faz poucos anos que comecei a ouvir rap com ouvidos mais abertos, sem pré-julgamentos. Talvez seja por isso, talvez não, mas não consegui experimentar algum prazer auditivo ao percorrer o tracklist de The Money Store. Ok, é um álbum experimental, vai muito além do rap, faz uma intersecção com o rock, especialmente em sua vertente mais industrial, incorpora até mesmo elementos noise, mas curtir de verdade eu não curti. O único momento em que passei perto disso foi em “I’ve Seen Footage”, que chegou a lembrar os bons momentos de quando o gênero ainda estava engatinhando, no início dos anos 1980. Entre álbuns como No One Can Do It Better (The D.O.C., 1989) e The Chronic (Dr. Dre, 1992), e registros como este do Death Grips há um grande universo, e eu pendo bem mais para o lado dos dois primeiros.
Fernando: Ouvi o disco todo e admito que em alguns momentos pensei em desistir. Muito “ritmo” e “poesia” para meu parco conhecimento musical.
Mairon: Gostar de hip hop já é brabo, imagina gostar de experimental hip hop. Que coisa braba, fala sério. Se tivesse que apostar quem indicou esse disco, certamente iria apostar em Alisson Caetano, o único capaz de admirar tamanha caca.
Marco: Alisson Caetano marcando época na consultoria. Isso aí meu caro, nossos ouvidos não valem nada.
Ronaldo: A primeira sensação é de estranhamento. A segunda, também. Os sons de sintetizadores e sequenciadores são tão minimalistas que chegam a ser sufocantes, criando um clima constante de transe. A batida muito frenética remete ao trip-hop e é repleta de graves profundos servindo de cama para verborragias rap. O bolo todo soa bastante experimental, por unir dois universos aparentes conflitantes, um no qual a letra e a voz são importantes como veículo e outro no qual esses elementos são totalmente desprezíveis e diluídos entre toneladas de sons artificiais. Se você deseja ser provocado por um som diferente, experimente.
Ulisses: Uma cacofonia total. Na segunda audição eu consegui apreciar melhor o rap intenso de Stefan Burnett, mas essas batidas são um tanto enfadonhas.

Solipsist
The Zenith Passage - Solipsist [2016]
Por André Kaminski
Lá estava eu atrás de uns discos diferentes lançados este ano. Da parte death metal, acabei achando esta novata banda The Zenith Passage bastante curiosa por mesclar uma temática espacial em suas letras, um instrumental com riffs velozes que param abruptamente, dando um jeito de insanidade (mesmo em se tratando de uma banda supostamente técnica) e momentos repentinos de calmaria. É algo bem diferente do que o metal extremo costuma produzir e por sinal, tenho buscado outras bandas similares tais como Necrophagist e Augury. Este tema é uma boa oportunidade para saber a opinião dos consultores sobre este subgênero do metal extremo.
Alisson:  É bem triste ver que o technical death metal virou uma piada horrorosa hoje em dia. Músicas sem feeling, apenas uma massaroca de bumbos duplos, velocidade a milhão e zilhões de arppegios, um exibicionismo sem graça nenhum, tudo empacotado em uma produção digital e cristalina sem identidade. Solipsist é só isso aí mesmo: death metal plástico, com várias idéias do Deeds of Flesh mal executadas e que resume exatamente o quão mal lecionados foram estes garotos.
Christiano: É muito comum escutarmos que death metal é um estilo bastante avesso a experimentações. Porém, bandas como Death e Carcass conseguiram reformular o estilo, apontando novos caminhos e mostrando muita originalidade. O The Zenith Passage parece confirmar que sempre é possível expandir os limites de qualquer linguagem musical, por mais conservadora que ela seja. Ao dar o play em Solipsist, a primeira sensação que tive foi a de total imprevisibilidade: pausas abruptas após passagens rápidas e pesadas, contrastes inesperados entre momentos de extrema velocidade e belas passagens de teclados e piano. Tudo isso recheado com muita técnica e precisão. O trabalho de baixo e bateria é absurdamente intricado, assim como as guitarras, que transitam entre riffs pesados e solos melódicos. Confesso que o tipo de som praticado pelo The Zenith Passage não ocupa os primeiros lugares em minha lista de preferências, mas não tem como ignorar o belo trabalho que fizeram em Solipsist. Ótima dica.
Davi: Sabe aquelas bandas que em pleno 2016 insistem em criar um logo que mal dá para ver o nome da banda porque querem parecer old school? É isso aí. Vocal urrado, bateria veloz, som agressivo. Sendo honesto, o instrumental é excelente, os riffs são bem construídos, mas o vocalista é incrivelmente chato e qualidade de gravação razoável, apenas. Guitarra está bem gravada, mas falta grave. Baixo é quase inaudível, o som do bumbo é sofrível. Se você curte aquelas podreiras nível Sarcofago, é capaz que você goste, mas não tenho paciência, não. Não é meu estilo de heavy metal.
Diogo: Pensei que ficaria sozinho nas indicações de metal extremo, mas eis que aparecem esses californianos com um death metal técnico – algo que costuma me agradar – mas suficientemente estranho em algumas estruturas e intervenções instrumentais, além de enfadonho em muitos momentos. Ouvir o álbum é ter a certeza de que os músicos possuem muita técnica, especialmente os guitarristas, mas é justamente das mãos deles que saem algumas coisas que não me agradaram. Devido aos timbres escolhidos, inclusive, certas horas parece que estamos ouvindo teclados, não guitarras. Está na cara que o quarteto consumiu com farinha discos de bandas como Pestilence, Cynic, Atheist e Suffocation, mas não acho que tenham conseguido reproduzir o mesmo nível de composição dessas formações. Do jeito que estou escrevendo até parece que eu detestei o grupo, quando na verdade eles são melhores que alguns com os quais fui mais condescendente nesta mesma edição, mas, como se trata de um subestilo que admiro, esperava mais.
Fernando: Pesado e rápido, porém chato.
Mairon: Que atrocidade é essa? Com exceção das viagens instrumentais de "Dreamsphere", não consegui aproveitar muito. Vocais guturais e essa bateria britadeira não me agradam em nada, e sinceramente, estou cada vez pegando mais antipatia com isso. Longe de ser música, pelamordedeus.
Marco: Sonzeira da boa e que levanta até defunto! Pena que nada consegue levantar uma outra coisa importante por aqui.
Ronaldo: É tudo tão rápido que não dá nem pra entender. Os ouvidos saem triturados. A faixa “Dreamsphere” é um exercício interessante. Ademais, não há assimilação possível para quem não venere distorção somada à exibição de técnica e velocidade.
Ulisses: Death metal é um estilo que sempre me cansa muito rápido. Geralmente a coisa é ainda pior no tech death. Solipsist, ao menos, traz uma boa produção, alguns momentos instrumentais muito interessantes (ouça "Deus Deceptor") e certa influência de jazz. Gostei de como soam quando não estão afogando tudo em blast beats e guturais: "Dreamsphere" é um bom exemplo. Pena que uns 80% do disco é aquele liquidificador na minha orelha; aí é lasca!

Home Again
Michael Kiwanuka - Home Again [2012]
Por Christiano Almeida
Desde Amy Winehouse, podemos dizer que estamos assistindo a uma espécie de renascimento da soul music. Com isso, nomes como Sharon Jones and the Dap-Kings, Monophonics e Charles Bradley vem se destacando em um cenário musical caracterizado pela diversidade. Michael Kiwanuka é mais um representante dessa leva de novos artistas influenciados pelos clássicos da música soul. Em “Home Again”, seu primeiro registro em estúdio, lançado em 2012, temos um dos discos mais agradáveis dos últimos anos. Além de possuir uma bela voz, Michael é também guitarrista e compositor. Músicas como “Always Waiting”, “Tell me a Tale” e “Rest” são boas amostras de seu extremo bom gosto e sensibilidade. Referências a nomes consagrados do gênero são inevitáveis, o que não retira o mérito da criação de uma obra tão bela e contemplativa em tempos tão velozes e frios como os atuais.
Alisson: Parcos 29 anos, mas já canta como quem já possui esse mesmo tempo de estrada. A opção por temas, arranjos e produção "de época" conferem um charme peculiar ao trabalho. E charme é algo que sobra ao disco. De belos souls tocantes à blues sentimentais, Home Again é daqueles discos que são um deleite absoluto em sua plenitude auditiva.
André: Longe de mim dizer que é um disco até mesmo mediano, apenas gostaria que o ótimo cantor Kiwanuka desse, nem que fosse de vez em quando, uma "sacolejada" na gente com canções mais rápidas e animadas. Charles Bradley é bem mais o estilo de soul ao qual eu curto. Independente do meu gosto, sei que tem muita gente que ama esse tipo de música doce e calma e "Rest" é um exemplo de ótima faixa feita sob medida para tais ouvidos.
Davi: Não conhecia. Achei muito bacana. Rapaz tem um ótimo timbre, manda bem e criou um disco muito agradável de se ouvir. Disco calmo, mas com arranjos bonitos, muitas vezes bebendo na fonte daquele soul estilo Marvin Gaye, Otis Redding. Claro, guardadas as devidas proporções, mas é nítido que ele bebe na fonte. “Tell Me a Tale”, por exemplo, soa como uma canção dos anos 60, conseguiu reproduzir a sonoridade da época direitinho. Outros grandes momentos ficam por conta de “I´ll Get a Long”, “Bones” e “Any Day Will Do Fine”.
Diogo: Rapaz, eu me senti quase um criminoso após encerrar a primeira audição deste disco. Por quê? Pois não senti tanta qualidade a ponto de justificar as críticas positivas que esse rapaz tem recebido. Coloquei o álbum para tocar mais uma vez e reconheci em canções como “I’m Getting Ready” e “I Won’t Lie” boas amostras do seu talento, mas não o suficiente para justificar comparações com cantores de calibre de Otis Redding e Marvin Gaye. Falta muito feijão com arroz para que Michael possa se aproximar dessas figuras antológicas, especialmente uma diversidade maior no tracklist. Os andamentos das faixas são muito parecidos, o que acaba deixando o disco um tanto monótono, especialmente para quem não é tão chegado assim no gênero. Desculpa aí, pessoal.
Fernando: Boa surpresa. Som de fácil assimilação e uma voz agradável. Porém é um tipo de música que tem que estar no clima para ouvir. Ouvi logo depois do Kadavar e tive que dar um tranco no cérebro para conseguir absorver.
Mairon: Um disco tranquilo de se ouvir. Michael Kiwanuka tem uma boa voz, o som é calmo, sem exageros, de onde curti bastante "Tell Me A Tale, a linda "Rest", cujo arranjo de cordas é muito bonito, e o jazzão "Bones". Para se ouvir como plano de fundo de uma tarefa diária como limpar a casa ou preparar um almoço. Não é dos que mais me atrai, mas tão pouco é algo menosprezível.
Marco: Ouvir esse disco foi como atravessar um mar de leite condensado com açúcar a nado por quase 50 minutos. Uma sonoridade que me faz lembrar dos tempos em que vendia este corpinho na boêmia paulistana dos anos 60.
Ronaldo: Da unha do dedo mínimo do pé até a ponta do fio de cabelo mais no alto da cabeça, esse cara buscou o som mais fidedigno à década de 1960 fora da década de 1960 que eu já pude ouvir (e considero que já foram inúmeras tentativas a que fui apresentado). Ouvir esse disco é uma experiência e me admira o capricho nessa busca tão específica por uma sonoridade. Mas vou te contar o melhor de tudo, caro leitor: as composições, a interpretação e a voz desse camarada também lembram as melhores coisas do pop acústico dos anos 1960. Lindo disco.
Ulisses: Bom disco de soul e folk. Confortável, contemplativo e aconchegante, mas recatado demais às vezes. Não é por acaso que o melhor momento do álbum é justamente na animada abertura "Tell Me a Tale". Similar, "I'll Get Along" traz ótimas melodias vocais. O lado emocional aparece com mais força na bela "Always Waiting", a melhor do álbum nesse estilo.

ModeHuman
Far From Alaska - ModeHuman [2012]
Por Davi Pascale
De todos os discos brasileiros que ouvi nos últimos anos, esse foi um dos que mais me chamaram a atenção. A banda foi criada em 2012, em Natal, e conseguiram um trabalho bem coeso em seu debut. Muito bem gravado, as composições são super fortes. A voz da Emmily Barreto e os riffs de Rafael Brasil são os grandes destaques. Muitos vão reclamar que falta aquele jeitinho brasileiro. Realmente, o som realizado pelos garotos não é ‘abrasileirado’, mas é realizado com propriedade. Espero que consigam se firmar e criar uma carreira sólida.
Alisson: Há alguns sérios problemas com esse disco. O primeiro, e mais notável, é a falta de coesão de ideias, sem uma unidade criativa que guie as músicas pelos 61 minutos de duração do disco -- outro erro, o disco é longo além da conta. O disco dá guinadas em sua musicalidade sem maiores cerimônias. Por hora é psicodélico, logo em seguida, é stoner despido de qualquer enfeite, isso quando não se mete a fazer alguns passeios pelo punk e até pelo blues rock. Isso faz com que o ouvinte não crie uma conexão com aquilo que se ouve, tirando consistência do álbum. Entendo a intensão de Emmily Barreto com sua voz mais carregada e despojada. Mas já ouvimos esse estilo de voz feminina sacanamente masculina tantas vezes que torna-se um fardo suporta-lo por tanto tempo em um disco. É caricato, seu inglês não possui uma boa pronúncia e passa longe de soar agradável. O disco possui boas passagens instrumentais, mas também pecam muito, hora pelo exagero, hora pela falta. Falta boas viradas de bateria além do 4 x 4 básico de sempre, como também falta resolverem desligar o pedal do drive da guitarra por alguns instantes. A produção dá sua força ao agregar corpo às guitarras e volume ao baixo, enquanto mantém as bases de bateria firmes e estrondosas. Porém, é um problema sério quando o único ponto positivo de algum registro for sua boa produção.
André: Notei uma saraivada de referências aqui, desde aquele hard rock punkeado, blues, um tanto de stoner e um tanto de alternativo. A vocalista me lembra muito as suecas do Crucified Barbara. O instrumental tem uma certa semelhança com o Blues Pills. Audição muito boa, gostei principalmente de "Communication" e "The New Heal".
Christiano: Só conhecia do Far From Alaska de nome. Logo de início, gostei da sonoridade de ModeHuman, que transita entre a psicodelia, stoner e algumas referências de rock alternativo. O disco todo é muito agradável, mas alguns momentos como “Politiks”, “Tiny Eyes” e “Mama” se destacam. Quando fui procurar informações sobre a banda, descobri que são brasileiros. Confesso que fiquei surpreso, principalmente pelos belos vocais de Emmily Barreto, que além ser uma ótima vocalista, tem uma pronúncia invejável. Banda muito interessante e extremamente competente.
Diogo: Não precisei nem procurar informações a respeito do grupo para saber, após entrar o vocal, que se trata de uma formação brasileira – o sotaque é inconfundível. Não que isso seja um demérito, apenas uma curiosidade que achei interessante levantar. Depois, ao procurar dados, vi que identificam o grupo como praticante de stoner rock. Bom, para minha felicidade, o quinteto não faz uso daqueles timbres forçosamente podrões que infestam os álbuns dos praticantes desse estilo. Além disso, o fato de ter uma cantora também nos poupa de outros cacoetes dos quais não gosto. Na verdade, achei que a sonoridade praticada pelo Far From Alaska enquadra-se simplesmente como rock pesado, básico mas cativante, bem produzido e agradável de se ouvir. Só achei que o tracklist poderia ser um pouco mais curto.
Fernando: Depois de duas bombas o Far From Alaska pareceu o Led Zeppelin nos primeiros acordes. Banda de rock alternativo, com vocal feminino de Natal. Não lembro muitos nomes nacionais desse estilo musical. Não sou especialista, mas lembro-me de quando ouvia com certa frequência Pixies, Sonic Youth e outras bandas do estilo. E a referência com bandas clássicas não me pareceu exagerada, mesmo já não tendo tanto contato com essa vertente do rock há um bom tempo, apesar deles não pararem só aí. A mistura de estilos acontece ao longo do disco todo. Gostei de “Deadmen” e “Another Round”. Fosse uma banda norte americana já teríamos conhecido há muito tempo, só achei o álbum longo demais.
Mairon: Sempre ouvi falar bem do Far From Alaska, mas nunca tinha me animado a ouvir o som do grupo. Foi uma bela experiência ouvir esse álbum conceitual sobre a roboa que chega na terra e recebe diversas instruções para se dar bem por aqui. Só lamento que o disco tenha sido gravado em inglês, já que faixas como "Thievery", "The New Heal", "Greyhound", "Deadmen", os eletrônicos de "About Knives" e as linhas country de "Politiks" chamam a atenção dos ouvidos positivamente, e se fossem em português, poderiam tornar a história mais assimilável. Boas canções complementam o disco, como "Tiny Eyes", "Mama" e "Rainbows", com destaque totalmente positivo para "Dino vs Dino", "Rolling Dice", "Another Round" e a sensacional "Communication", além da viajante "Monochrome". Guitarras destorcidas com boas proporções e uma sensualíssima voz feminina, dando um banho em pobres coitadas como Mallu Magalhães, o que fizeram dessa feita uma das melhor audições, e que podia apenas ser um pouquinho mais curto.
Marco: Mais uma banda criativa a surgir no Brasil pós-Dilma. Gostei do som desses que podiam ser meus netos e minhas netas. Com certeza, queria ser vô da menininha que canta em inglês (por que não em português?), já que ia poder dar uma boa achincalhada nos meus futuros genros (pretendentes iam ter de monte).
Ronaldo: Apoiando-se em alguns riffs já velhos conhecidos entre a galera que não começou a ouvir rock ontem, a banda tempera isso com boas ideias, especialmente usando teclados de forma inteligente. Contudo, a forma como a vocalista Emilly Barreto posta sua voz já anda bem batida e chega a comprometer um bocado o resultado final. Mas a banda é inteligente o suficiente para soar safada e sissuda e produzir um rock bem contemporâneo, ainda que não exatamente original. A faixa “Another Round” sintetiza o álbum todo.
Ulisses: Já tinha ouvido falar dessa banda; eles andam bem famosinhos ultimamente. E não é por menos: O grande ponto forte deles é conseguir mostrar muita identidade própria logo de cara, tanto na parte instrumental, em que misturam stoner, indie, grunge e hard rock sem perder o horizonte de vista, quanto pelo vocal carismático da Emmily. É riff grudento aqui, passagens de sintetizador acolá; neguinho usa até vocoder e lap steel guitar, mas em momento algum parece que a coisa está saindo de controle. Só acho que o disco se estende um pouco além da conta (uma hora de música, quinze faixas), mas nada que tire o mérito geral do quinteto. Ótima indicação!

New Bermuda
Deafheaven - New Bermuda [2015]
Por Diogo Bizotto
Rótulos como “post-black metal”, “shoegaze” e “blackgaze”, colados ao Deafheaven, tinham tudo para me afastar do grupo. A hipsterização para cima da banda, assim como seu visual, também. Como preconceito existe mesmo é para ser quebrado, conferi pela primeira vez o trabalho desses californianos através de New Bermuda. Olha, ainda bem que o fiz, pois perderia um dos melhores álbuns que ouvi nos últimos anos. O ouvinte precisa ter bem claro que o conteúdo de New Bermuda não tem muito a ver com discos como Under a Funeral Moon (Darkthrone, 1993), Battles in the North (Immortal, 1995) ou In the Nightside Eclipse (Emperor, 1994); mesmo assim, trata-se de um álbum de black metal, por mais que esse não seja seu único foco. No decorrer de suas cinco longas – sem excessos, frise-se – faixas vai encontrar a rispidez dos vocais de George Clarke, legitimamente black metal, riffs thrash, blast beats, dissonância, interlúdios de calmaria em meio à agressividade e, sim, muitos lampejos daquilo rotulado como “alternativo”. O melhor é que tudo é coeso e as transições não soam forçadas, fazendo de New Bermuda e sua atmosfera tétrica uma audição essencial.
Alisson: Não tenho nada contra que curta Deafheaven, diferente dos puristas que os apedrejam sem dó nem piedade. Acho precipitado julgar a banda como inovadora e os representantes mór do blackgaze. Para desavisados, o senso de novidade será iminente. Quem é mais atento sabe que o som é Burzum + Isis até o talo. O que me incomoda é que esse casamento não é feito de maneira original e natural. Um estilo precisa dar espaço ao outro nas canções, o que gera certo incômodo por não haver tanto equilíbrio de estilos, como o Alcest já fez de maneira sublime em sua discografia. Acho justo o reconhecimento pelo qual o Deafheaven vem passando, mas em termos de blackgaze, há trabalhos mais relevantes que este.
André: Fala aqui o cara que gosta de death metal mas não gosta de black metal. Pois é, vai entender... este disco me trouxe surpresas agradáveis e desagradáveis ao mesmo tempo. Uma muito agradável por exemplo é a faixa "Baby Blue". O seu final é simplesmente magnífico, riffs bonitos e uma atmosfera classuda, me lembrando os melhores momentos do My Dying Bride. Todavia, logo o ínicio de "Come Back" já me remete aos momentos black metal que não costumo admirar. É curioso como o vocal rasgado do vocalista George Clark não parece deslocado na sonoridade toda, simplesmente é algo que dificilmente conseguiria imaginar nesse tipo de disco. Uma boa surpresa, mesmo para mim que não sou nem um pouco chegado ao estilo.
Christiano: Lembro que Sunbather, de 2013, marcou presença em várias listas dos melhores discos daquele ano. Na época, fui conferir e achei o som meio comum para tanto alarde. No entanto, após escutar com mais atenção este New Bermuda, terceiro álbum da banda, a fusão de black metal com shoegaze pareceu funcionar melhor. A abertura do disco com “Brought to the Water” traz bons momentos, revezando momentos de muita velocidade com ambiências calmas. Até alguns solos bastante melódicos funcionam muito bem. “Luna” é começa com um riff interessante, mas é um pouco longa demais. “Baby Blue” é um dos melhores momentos de todo o disco, com uma bela introdução e solos que lembram muito Kirk Hammett, mostrando que é possível ser pesado sem o uso massivo de blastbeats. Juntamente com “Gifts for the Earth”, é a melhor faixa de New Bermuda. Achei o disco bem interessante. Claro que se as faixas fossem menos longas e construídas sem tanta preocupação com velocidade, o resultado seria bem melhor.
Davi: Forte influência de black metal. Bateria martelada, vocal vomitado, o diferencial é que (infelizmente) as musicas são longas. Tipo de som que nunca me atraiu e essa banda não conseguiu mudar minha percepção. Chato pra dedéu. Pelo menos, é bem gravado...
Fernando: Todas essas bandas mais recentes de black metal me parecem ter o objetivo de ser o novo Burzum, ou algo do tipo. Apesar dos trechos instrumentais serem muito bons, a melodia acaba sendo estragada pelo tipo de voz. Não pelo estilo de canto e sim pela sobreposição dele sobre as músicas. Me parece que o cantor está dentro de uma sala com pouca acústica e o microfone está do lado de fora da porta. O clima arrastado e com pouca variação do disco acaba tornando difícil ouvir faixas mais longas, todas com cerca de 10 minutos cada.
Mairon: Putz, que que é isso? Não gostei desse vocal pseudo gutural, e também da insanidade da bateria, tocada de forma tão veloz que é impossível escutá-la com perfeição, mas apesar disso, consegui encontrar qualidade na parte instrumental, principalmente quando os músicos tentam tocar algo mais audível e calmo, como a bonita e longa introdução de "Baby Blue", com certeza a melhor música desse disco. O grande problema mesmo é o vocal, que coisa insuportável. Obrigado pela dica, mas não irei ouvir essa "coisa" nunca mais.
Marco: Quando eu era adolescente, eu brincava com uns amiguinhos são-paulinos de Blackgaze. A dor dessa brincadeira me levou a ser um Corinthiano feliz hoje em dia.
Ronaldo: É (quase) tudo tão rápido que não dá nem pra entender. Os ouvidos (quase) saem triturados. Pra piorar, essa banda ainda mistura isso com passagens repletas daquelas melodias chorosas tão típicas do pop-rock dito indie.
Ulisses: O Deafheaven me remete à três anos atrás, quando ficaram bastante conhecidos com seu disco da capa rosa (Sunbather). Na época, fui conferir o burburinho ao redor do álbum e me deparei com um registro quase impenetrável. Aqui em New Bermuda a coisa não mudou muito de figura. O lado black metal não me diz nada, mas pelo menos consigo apreciar as passagens mais atmosféricas e melódicas (o final de "Come Back" é lindo!), sendo possível perceber influências de thrash e post-rock também. Gosto de alguns poucos momentos do disco mas, no geral, já aprendi que devo ficar longe da banda.

The Bomb Shelter Sessions
Vintage Trouble - The Bomb Shelter Sessions [2014]
Por Fernando Bueno
Fui o responsável por escolher o disco mais antigo da lista. Mesmo em uma lista de novidades fiquei com as velharias. Além do mais, o Vintage Trouble não faz questão alguma de ser revolucionário. Tirou o pó de suas influências já bem estabelecidas de blues e soul e apenas acrescentou um frescor de dias atuais. OS conheci por conta de um CD bônus da revista Classic Rock e não parei de ouvir. Depois disso eles até já vieram duas vezes para o Brasil e passaram desapercebido pelos ouvidos, que mais parecem um penico, do grande público brasileiro.
Alisson: Bem tocado, extremamente bem produzido, dono de uns grooves de rachar o assoalho e uma perícia na execução dignas de bandas experientes. Não vai inovar coisa alguma, muito menos agradar quem procura novidades. Mas também em momento algum esta era a intensão. Deixe rolando em um encontro com os amigos que será sucesso.
André: O senhor Eudes Baima esses tempos comentou "Por que acabaram com o rock 'n' roll? Era tão legal". Tá aí senhor! Divirta-se com esse discaço! Composições legais, instrumentistas excelentes, vocalista carismático... quer mais o quê? Uma das melhores coisas que ouvi nesses últimos tempos. Espero que façam muito sucesso ainda.
Christiano: Já tinha visto uma apresentação, pela TV, de um show do Vintage Trouble. Lembro de um momento em que o vocalista, Ty Taylor, se jogava e interagia de modo impressionante com a platéia, promovendo uma verdadeira festa. A mistura de blues, rock e soul funciona muito bem, principalmente porque todos esses elementos são fundidos em músicas cativantes e que despertam a atenção logo nas primeiras audições. Músicas como “Still and Always Will”, “Gracefully” e “Run Outta You” são bons exemplos para mostrarmos para aqueles amigos que dizem que “hoje em dia não existem bandas tão boas como as de antigamente”. Ótima dica.
Davi: Outra ótima dica dessa lista. Uma das bandas mais legais que surgiram nos últimos tempos. Fazem uma feliz mescla de blues rock com o universo musical da Motown (perceptível, principalmente, no trabalho vocal de Ty Taylor). Outro grande destaque é o trabalho de guitarra inspirado de Nalle Colt. Os caras criaram uma sonoridade que é simplesmente contagiante. Destaques ficam por conta de “Still And Always Will”, “Nancy Lee”, “You Better Believe It”, “Total Strangers” e “Run Outta You”.
Diogo: Já havia ouvido falar do Vintage Trouble, mas, pelo nome, pensei se tratar de mais uma dessas formações hard rock com tesão excessivo pelos anos 1960 e 1970 e aversão à década de 1980. Ainda bem que me enganei, pois se trata de uma formação rhythm ‘n’ blues das mais dignas. O som remete sim a tempos passados, mas isso não ocorre de maneira forçada. A bela “Still and Always Will”, por exemplo, encaixa-se bem tanto em um contexto sessentista quanto na atualidade. Uma coisa é ser influenciado, mesmo que muito; outra bem diferente é ser pastiche. A balada “Gracefully” deve ser a música mais marcante entre todas as que ouvi enquanto escrevia minha contribuição para esta publicação. “Not Alright By Me” começa parecendo cover de “People Get Ready”, mas depois se transforma em outra balada formidável. The Bomb Shelter Sessions só não é a melhor indicação presente nesta edição pois a minha é melhor (risos).
Mairon: Rock 'n' roll dos bons, com cara de anos 70. Já conhecia a banda por conta do sucesso "Nobody Told Me", mas vi que eles são bem mais que uma nova bandinha comercial. Quando comecei a ouvir o riff de "Still And Always Will", achei que ia vir algum cover de Rolling Stones, tipo "Can't You Hear Me Knockin'" e tive certeza que a harmônica em "You Better Live" ia me levar para alguma canção perdida de Stevie Ray Vaughan. Curti a linha soul de "Not Alright By Me", que merece um sonoro "Puta que pariu, que música linda", e as baladaças "Gracefully" e "Run Outta You". Belo disco, com certeza, um dos melhores aqui indicados.
Marco: A única obra aqui apresentada que os velhinhos da ASPABROMI se divertiram ao ouvir. A ASPABROMI agradece. Já convidei o Eudes para ouvir aqui comigo. A sós.
Ronaldo: A estrutura é a mesma do bom e velho rock n’ roll que vem desde 1957. Mas tem a carinha e a assinatura desses tempos atuais, em que realmente não há como exigir que originalidade seja uma premissa dentro de estilos com uma história já quase secular. O som tem grooves bem divertidos e sacanas, um bom vocalista e composições com apelo. Tudo muito bem feito. Belo e despretensioso divertimento.
Ulisses: Nem parece que isso aqui foi feito em 2011. É daquele caldeirão de R&B direto dos anos 60. A voz soulful e cheia de personalidade de Ty Taylor é cativante, e Nalle Colt dita o andamento em faixas enérgicas como "Blues Hand Me Down", "Nancy Lee" e "Total Strangers", ou abrindo espaço para o soul de "Gracefully" e "Nobody Told Me". Uma boa recomendação.

Naxatras
Naxatras - Naxatras [2015]
Por Mairon Machado
Quando eu ouvi esse disco, fiquei embasbacado. Regado de muita psicodelia, principalmente nos vocais de John Vagenas e efeitos da guitarra de John Delias, esse trio grego conquistou meus ouvidos, fazendo um som espacial setentista que é uma viagem incrível pela capacidade criativa de três cérebros diferenciados. Ouvir o perturbante e repetitivo riff de "I am the Beyonder" é um coice nos peitos naqueles que, como eu, acreditam que somente as décadas de 60 e 70 foram capazes de produzir material de qualidade. O álbum de estreia do trio hipnotiza o cérebro rapidamente, e logo na terceira faixa, “Space Tunnel”, você já está babando pela sala, seja pela criatividade maluca, pelas viajantes psicodelias do vocal ou pelos alucinógenos solos de guitarra. Porém, é em “Downer” que a coisa encrespa, com uma levada bluesy chapante que faria Jim Morrison viajar no deserto sem um pingo de LSD. Tudo passa em um clima de ensaio em uma garagem enfumaçada de entorpecentes, e dela, saem “Shiva’s Dance”, corroendo o cérebro até o último neurônio, a sobriedade instrumental de “Waves”, a chapante "Sun is Burning", os delírios orientais de “The West”, o crescendo enigmático da inacreditável “Ent”, enfim, um disco perfeito e surpreendente. Havia prometido uma resenha dele quando fiz minha lista de Melhores de 2015, mas acho que agora irá se fazer desnecessário.
Alisson: Algumas boas ideias com execução primária e uma produção completamente equivocada. Ainda que muito similar às produções do Hawkwind dos anos sessenta, neste caso as músicas são prejudicadas por soarem vazias e cheias de lacunas sonoras, enquanto que o intuito do psicodélico é exatamente o oposto do que foi feito aqui. A execução não é nenhum primor também. Viradas de baterias simples e até previsíveis, guitarras apáticas e um vocalista na mesma empolgação das guitarras. Tem propriedade, algumas linhas de baixo chamativas e um trabalho de teclados interessante, mas falta muita consistência à estes gregos.
André: Psicodélico, blueseiro e hard rock. São as três coisas que definem o Naxatras. Se gosta dos três estilos misturados, é um disco que deva ouvir. Talvez o que atrapalhe uma audição melhor seja a sua produção por demais retrô, que de vez em quando passa a impressão de uma certa "pobreza" maior do que deveria. Independente disso, se você curte aqueles discos de bandas B dos anos 70, certeza que irá te agradar. Creio que seja um álbum que mereça mais audições minhas no futuro.
Christiano: Mais um disco que explora as sonoridades setentistas, dessa vez com um enfoque maior na mistura entre psicodelia e stoner rock, com timbres meio abafados e sem muitos efeitos. A bateria parece ter sido gravada com os tambores cobertos por toalhas, o que teve um resultado bem interessante, encaixando perfeitamente na atmosfera das músicas. “Space Tunnel” é uma viajem psicodélica digna de bandas “lado Z” daqueles selos especializados em desenterrar raridades dos anos 60 e 70.  “The West” lembra algumas coisas do Kyuss, com um riff hipnótico e levada arrastada, tendo algumas viagens lisérgicas dignas de admiração. Bom disco.
Davi: Banda grega que aposta em um rock n roll psicodélico. Mais uma banda a beber na fonte das décadas de 60 e 70. No papel, a ideia funciona bem. Porém, o resultado realmente não me cativou. O instrumental é bom e destaco as guitarras bem construídas de John Delias. Infelizmente, as composições não me chamaram a atenção e achei o trabalho vocal bem fraco. Foi interessante ouvir, conhecer, mas não compraria.
Diogo: O Naxatras faz um rock progressivo que eu não consegui enquadrar muito bem em nenhuma corrente. Isso pode querer dizer duas coisas: que meu conhecimento sobre o prog é limitado (o que é verdade) ou que a banda tem personalidade (o que, em parte, parece ser verdade). Na primeira faixa, “I Am the Beyonder”, senti uma atmosfera estilo Pink Floyd pré-Dark Side of the Moon (1973), o que é bom. Ao mesmo tempo, a segunda música, “Sun Is Burning”, tem um riff principal que se assemelha ao de “Stranglehold”, clássico de Ted Nugent. Confuso? Apesar de parecer um pouco, o álbum desenrola-se muito bem, com coesão, e constitui uma audição agradável. A viagem de “Waves”, por exemplo, é excelente mostra da capacidade desses gregos. Gostaria de um vocalista melhor, é verdade, mas parece que, cada vez mais, isso é algo em extinção. Boa indicação.
Fernando: Som viajandão, bom de ouvir, principalmente quando se precisa de um pouco de sossego para fazer algum trabalho operacional que não seja necessário pensar muito. Vi que são adeptos à tendência de utilizar somente equipamentos analógicos e isso aparece no som.
Marco: Vaginas eu prefiro as brasileiras, mas de Vagenas fico com o baixista dessa ótima banda grega que meu amiguinho Mairon Machado me apresentou ano passado. Na verdade eu já conhecia, mas quis agradar ele dizendo que era surpresa para mim. Naxatras é a prova de que velharia já chega eu no mundo... agora, só ouço os mudernos.
Ronaldo: Ainda que pese sobre os ombros desse grupo grego à alcunha de retro-rock eles o fazem com tanta competência que todas as escancaradas referências ao Gong e ao Pink Floyd que se encontram no disco adquirem menor importância. Assim como muitas bandas atuais de inspiração setentista-psicodélica, enveredam por uma linguagem majoritariamente de rock instrumental e conseguem um resultado empolgante, com passagens memoráveis. O som corre por paisagens oníricas, timbragens repletas de ambiências e ondulações, flutuações melódicas e mágicas pulsações de uma verdadeira psychedelicatessen.
Ulisses: Uma enrolação sem fim. Daqueles discos "viajantes" que você ouve já querendo que acabe.

Supernova
Banda Malta - Supernova [2014]
Por Marco Gaspari
Adoro! Torcia muito por eles no SuperStar! É a banda que mais amo no momento! É a salvação do rock brasileiro! E um último recado: Yoko Ono lixão!
Alisson: O Marco é fresco.
André: O Marco é fresco.
Christiano: O Marco é fresco.
Davi: O Marco é fresco.
Diogo: O Marco é fresco.
Fernando: O Marco é fresco.
Mairon: O Marco é fresco.
Ronaldo: O Marco é fresco.
Ulisses: O Marco é fresco.

Berlin
Kadavar - Berlin [2015]
Por Ronaldo Rodrigues
Alguns dos riffs de guitarra mais eficientes da atualidade embalado em um som dinossáurico, bons instrumentistas e composições empolgantes que revitalizam o melhor do rock clássico. Esse é o trio alemão Kadavar, que tenta manter um ritmo consistente de produção de novas canções (já tendo 3 discos de 2012 pra cá), em um nível bem diferente do mainstream da música atual, que leva 4-5 anos pra produzir um disco no máximo medíocre. A banda se apoia também em alguns clichés de stoner rock, como bases repetitivas com afinações graves e descaradas emulações de Black Sabbath. Até nesses casos, o resultado do Kadavar está acima da média entre a infestação de bandas nesse estilo a partir dos anos 2000. A produção sonora de Berlin alia o melhor dos dois mundos – a sonoridade orgânica do som dos 1970 com a resolução sonora das tecnologias atuais.
Alisson: Berlin é um disco que joga na segurança, e ainda assim apresenta um saldo muito bacana. Hard rock dos que mais gosto de ouvir. Setentista até o osso, sem rebuscamentos, toques de krautrock - apesar de menos intensos, como nos dois primeiros - e aquela aura toda típica das bandas de época. Foi uma das audições mais legais que tive ano passado e são uma das bandas mais legais a surgirem nos últimos anos.
André: Já conheço este belíssimo disco do Kadavar e até o incluí na minha lista de melhores de 2015 como um destaque do ano (embora não entre os 10). É um stoner rock sabbathista até a alma, porém, com uma certa cara própria que é até difícil de explicar.
Christiano: Já conhecia o Kadavar e sempre tive simpatia pelo grupo. Berlin é o terceiro disco dos caras, que praticam um stoner rock de acordo com todos os preceitos do estilo: riffs pesados e meio arrastados, referências explícitas a bandas setentistas e timbres orgânicos. Pelo que pude perceber, Berlin é um disco mais diversificado que os anteriores, pois explora um som mais hard rock e até mesmo psicodélico.“Thousand Miles Away from Home”, “Filthy Illusion” e “Spanish Wild Rose” são bons exemplos disto. É desnecessário dizer que todo o disco é recheado de belos riffs de guitarra, mas não posso deixar de mencionar “Circles in My Mind”, que é uma aula simplicidade e eficiência.
Davi: Um dos nomes mais cultuados da cena rock no momento. O trabalho deles realmente é bem bacana. Um dos melhores álbuns dessa lista. A influência de anos 70 come solta. O trabalho vocal, contudo, me lembrou o de uma banda contemporânea (pelo menos nesse disco, não ouvi os outros ainda), o Hellacopters. Se bem que o grupo de Nicke Andersson também tinha essa vibe retro. A pegada aqui é um rock 'n' roll enérgico com altas influências de Stooges, Jimi Hendrix, Cream e Black Sabbath. Gosta dessa pegada? Vá sem medo de ser feliz! Faixas de destaque: “Lords Of Illusion”, “Filthy Illusion”, “Pale Blue Eyes” e “Spanish Wild Rose”.
Diogo: Eu olho para fotos desses cidadãos e já sei que tipo de som eles fazem, é pequena a chance de errar. Aquele rock pesado de evidente inspiração setentista, em grupos como Black Sabbath, Mountain, West Bruce & Laing e outros menos conhecidos, sem esquecer uma boa dose de blues e psicodelia. Bingo! Mas vá, até que o Kadavar é competente em sua proposta. A música escolhida para ser videoclipe, “Last Living Dinosaur”, é bem boa. Não foca em riffs extremamente repetitivos, como outras formações do tipo, e flui legal, não soa quadradona. Os timbres não são tão do meu agrado e sinto a falta de um vocalista melhor, mas até que a indicação não foi ruim. Foi bom para verificar se a minha impressão inicial se confirmava. Não é, porém, algo que pretendo ouvir novamente.
Fernando: Esse era o único disco da lista que eu já conhecia, excetuando-se, obviamente, o que eu mesmo indiquei. Muito bom o som deles, existem várias bandas praticando esse som na linha do stoner e acreito que eles estejam entre os melhores. Vale muito a pena.
Mairon: Caraca, voltamos aos anos 70? Hardzão potente para ninguém colocar defeito, na linha de grupos como Mountain e Sir Lord Baltimore, bem como inspirações características em Black Sabbath, vide "Stolen Dreams", "Last Living Dinosaur", "The Old Man" e "Into the Night" (essa com o riff descaradamente chupado de "War Pigs") e The Jimi Hendrix Experience, através de "Pale Blue Eyes" e "See the World With Your Own Eyes". A guitarra de Christoph Lindemann é chapante como os grandes guitarristas setentistas, e não tem nenhum defeito nesse discaço. Todas as faixas são exímios exemplos de como é possível fazer som de qualidade, e as que mais me chamaram a atenção foram "Lord of the Sky", "Filthy Illusion", "Thousand Miles Away From Home", "Spanish Wild Rose" e "Circles in My Mind", canções que apesar de todas as influências visíveis nos anos 70, apresentam novidades para os ouvidos. Ótima indicação.
Marco: Fizeram barba, cabelo e bigode neste disco. A barba e o bigode eu já tenho, mas o cabelo caiu e o aeroporto de mosquito aqui passa por ampliação.
Ulisses: Não acompanho esse power trio alemão, mas este registro me parece menos, digamos, sujo ou empoeirado do que aquilo que ouvi deles no passado. Tudo bem, ficou melhor assim. Os três caras são bastante entrosados e trouxeram um disco divertido, variado e que não cansa. Quem curte essa onda de stoner, retrô e similares não tem motivos para deixar Berlin de lado.

Winter
Oceans of Slumber - Winter [2016]
Por Ulisses Macedo
Essa banda texana foi formada em 2011 com o intuito de praticar um metal progressivo, extremo e técnico. Embora já chamassem atenção dos headbangers com seu álbum de estréia, lançado de forma independente, foi com a entrada do tecladista Beau Beasley e, principalmente, da vocalista Cammie Gilbert que a coisa mudou de figura. Quando se fala em voz feminina no metal, 99% das vezes a gente pense nas bandas sinfônicas de vocal operático, mas não é o caso aqui. Sua performance remete a cantoras de soul e blues, com uma presença expressiva. E que se encaixa perfeitamente nas composições, que dosam o peso com a melancolia doom, os blast beats e guturais com passagens acústicas ou atmosféricas. Seja no interlúdio a capella "Lullaby", no blues-rock de "Turpentine" ou no excelente cover de "Nights of White Satin", a banda entrega variedade comedida e bastante profundidade.
Alisson: Conhecia a banda de outros tempos, quando ouvi o disco Aetherial [2013]. Aquele disco havia me impressionado bastante pela versatilidade musical, pegando a sujeira psicodélica do Mastodon e colocando algumas passagens de death metal no meio, isso tudo com uma execução muito precisa. Winter já cresce como um dos discos de metal mais interessantes deste ano, mesmo que não tenha me conquistado tanto quanto seu disco de estreia, e isso se deve ao fato da entrada de Cammie Gilbert. Boa vocalista, mas preferia os vocais Mastodônticos de Ronnie Allen, mas é só questão de preferência pessoal. Muito bom gosto aliado à músicas cheias de passagens de contemplações melódicas. Para quem procura boas opções metálicas no ano de 2016, conferir este disco pode ser uma boa pedida.
André: Junto ao Kadavar e o Vintage Trouble, entre os melhores discos desta edição. Metal progressivo diferenciado, com guturais e com destaque para a vocalista Cammie Gilbert, com um baita vozeirão. "Suffer The Last Bridge" é um ótimo destaque. Interessante que o tipo de metal progressivo que fazem parece uma mistura do estilo mais direto do Evergrey com aquela aura mais atmosférica que lembra o Pain of Salvation. Extremamente recomendado.
Christiano: Banda com instrumental bem trabalhado. No entanto, a mistura de vocais femininos com guturais, tipo “a bela e a fera” já foi explorada à exaustão pelas bandas de gothic metal da década passada. Isso não quer dizer que temos um disco ruim. Pelo contrário, a mistura de peso com climas densos e meio viajantes soa muito bem. Aliás, influências progressivas permeiam todo o álbum, inclusive com uma versão para “Nights in White Satin” do Moody Blues. Infelizmente, o vocal forçadamente expressivo de Cammie Gilbert não funcionou muito bem, contribuindo de forma negativa para o resultado final.
Davi: Heavy metal! A sonoridade do grupo bebe em diferentes fontes. É possível pegar elementos do doom, do death melódico e até mesmo do progressivo. Os músicos são bons, com destaque para o excelente baterista Dobber, mas sendo bem honesto essas bandas onde misturam voz limpa e voz gutural já estão me cansando. A ideia das vinhetas com uma pegada mais atmosférica foi bacana, o inesperado cover do Moody Blues foi interessante, mas é um trabalho que conforme vai avançando, ele vai cansando. Um álbum até curioso, mas não virei fã.
Diogo: Muito bom ouvir uma voz diferente do esperado em se tratando de rock pesado. O som do Oceans of Slumber é envolvente, mas é a vocalista Cammie Gilbert que mais se destaca. A sensação é parecida com a que tive ao ouvir Jennie-Ann Smith no Avatarium, que seria minha citação caso não contasse com músicos já gabaritados. As intervenções vocais guturais masculinas, inclusive, poderiam até ser limadas sem prejuízo algum, e olha que não tenho nada contra esse estilo vocal. As músicas de trabalho, “Winter” e “Suffer the Last Bridge”, são boas mostras da capacidade do sexteto texano, dosando sensibilidade pop na medida certa e permitindo que a voz de Cammie seja o fio condutor das canções. Temia que o cover para “Nights in White Satin” pudesse estragar minha impressão sobre o grupo – amo a original –, mas a versão ficou honesta. Gostei da proposta do Oceans of Slumber, é moderna sem soar forçada ou artificial.
Fernando: Logo na metade da primeira música eu já tinha gostado do progressivo com a voz feminina e não é que do nada a música fica mais pesadona e entra uma voz pra nenhum fã de death metal botar defeito. Essa alternância de vocal feminino com masculino gutural nem é algo incomum, mas fez uma diferença enorme no som do Oceans of Slumber. Interessante a releitura para “Nights in White Satin” do Moody Blues que tem até blast beats (!).
Mairon: O disco começou bem. Belo vocal feminino, bom arranjo instrumental, mas quando começou o vocal gutural, bah, destruiu com a música. Mas ainda bem que isso não é predominante em Winter, já que quando os vocais guturais não aparecem, temos um metal de boa qualidade, vide "Devotion", "Tupertine", com sua levada bluesy que a torna a melhor canção do disco, "... This Road" e a reconstrução da lindíssima "Nights in White Satin", onde a vocalista Cammie Gilbert dá show, enquanto a banda exagera na velocidade principalmente na bateria e no solo. Cammie aliás é a figura central da banda. O que ela faz na bela "Lullaby" é de tirar o chapéu. Só o fato de não ser uma cantora lírica nos moldes de Tarja Turunen já é mais um ponto positivo para a banda. Gostei.
Marco: Oceans of Slumber é uma banda tão boa quanto trocar a fralda geriátrica cagada.
Ronaldo: A bela capa guarda um trabalho com um raro cuidado com a questão melódica, especialmente nas linhas vocais, em bandas com essa tendência de metal progressivo. Ainda que as partes mais pesadas das canções tendem a homogeneizar o som da banda no meio em que ela se insere, nas partes mais tranquilas e nas alterações de dinâmica entre partes lentas e agitadas encontram-se os maiores trunfos dessa banda. Os ganchos que unem essas partes tem muita força e consistência, além de serem temperadas pela instigante voz da vocalista Cammie Gilbert. A insistência em vocais guturais, os mesmos timbres de guitarra distorcida e baixo que se ouvem em 10 a cada 10 bandas do estilo, excesso de bumbos duplos e afinações graves quase afogam (na verdade até tem horas que isso acontece) as qualidades que o grupo dignamente mantém. A versão do grupo para o clássico progressivo “Night in White Satin” é sintomática e apresenta, na mesma faixa, as qualidades e os defeitos que o grupo possui.





Destaque

Aretha Franklin - Aretha (1986)

  Não se deixe enganar pelo título genérico; este é um novo álbum de Aretha Franklin de 1986, um sucesso moderado, notável por conter cinco ...