domingo, 21 de maio de 2023

“Lá Vem O Brasil Descendo A Ladeira” (Som Livre, 1979), Moraes Moreira

 



O encanto da convivência em comunidade dos Novos Baianos havia acabado para Moraes Moreira (1947-2020) em meados dos anos 1970. A banda vivia como uma trupe hippie num sítio em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro, onde tudo era dividido coletivamente. Poderia ser mágico para quem era solteiro, mas não estava se tornado um tormento para Moraes que tinha esposa e dois filhos para sustentar. Se já não bastasse a carreira da banda ser mal gerenciada naquele momento, Moraes ainda tinha que aguentar marmanjo fazendo mingau para saciar a fome da larica com o leite das crianças. Cansado da situação, Moraes decidiu deixar os Novos Baianos em 1974, e partir em carreira solo, visando ter mais liberdade na carreira artística e dar uma vida melhor para a sua família.

Ao deixar os Novos Baianos, Moraes começou a desenvolver uma parceria com a turma do Trio Elétrico Dodô & Osmar, com quem gravou o álbum Jubileu de Prata (1974). Nasce então uma amizade entre Moraes e o guitarrista Armandinho Macedo, filho de Osmar Macedo (1923-1997), um dos inventores do trio elétrico. Até 1975, os trios elétricos animavam os carnavais baianos apenas com musicais instrumentais, não haviam cantores. Moraes se tornou o primeiro cantor de trio elétrico no carnaval de 1975, em Salvador, ao se apresentar com o Trio Elétrico Dodô & Osmar. A partir de então, até 1980, Moraes gravou com o Trio Elétrico Dodô & Osmar mais seis álbuns em paralelo com a sua carreira solo.

Foi em 1975 que Moraes Moreira lançou através da gravadora Som Livre, o seu primeiro e autointitulado álbum solo. Nesse seu trabalho, Moraes foi acompanhado de de Armandinho Macedo (guitarra), Dadi Carvalho (baixo) – que havia recém deixado os Novos Baianos – e Mu Carvalho (teclados), irmão de Dadi, e o baterista Gustavo Schroeter, curiosamente, o núcleo que formaria dois anos depois a banda A Cor do Som. Armandinho passaria dividir a carreira entre os trabalhos com A Cor do Som e com o Trio Elétrico Dodô & Osmar.

O primeiro grande sucesso da carreira solo de Moraes Moreira foi “Pombo Correio”, música do seu segundo álbum solo, Cara e Coração, de 1976. Foi feita a partir de uma outra música, “Double Morse”, uma antiga música instrumental do Trio Elétrico Dodô & Osmar, de 1952. Em 1976, Moraes fez a letra para essa música e nomeou-a “Pombo Correio”. A música fez um enorme sucesso, e o fato de ter entrado na trilha sonora da novela Sem Lenço, Sem Documento, da TV Globo, em 1977, contribuiu muito para alavancar a carreira de Moraes, e deu visibilidade nacional ao Trio Elétrico Dodô & Osmar, autor da música original. Seguiu-se o terceiro álbum solo, Alto Falante (1978), cuja faixa título, Moraes fez homenagem aos serviços de alto falante da sua cidade natal, Ituaçu, na Bahia, muito úteis na época de sua infância, quando pouquíssimas pessoas tinham condições de comprar um aparelho de rádio. Eram muito comuns no resto do interior do Nordeste nos anos 1940 até os anos 1960 aproximadamente.

Capa do primeiro e autointitulado álbum solo de Moraes Moreira, lançado em 1975.

Mas a consagração veio com o quarto álbum solo, Lá Vem O Brasil Descendo A Ladeira, considerado por boa parte da crítica, o melhor álbum da carreira solo de Moraes Moreira. O álbum foi gravado nos estúdios SIGLA, da gravadora Som Livre, no Rio de Janeiro, com uma produção muito bem conduzida pelo produtor Guto Graça Mello. Para gravar Lá Vem O Brasil Descendo A Ladeira, Moraes Moreira cercou-se de músicos talentosíssimos, alguns deles, seus ex-companheiros de Novos Baianos como o guitarrista Pepeu Gomes, o baixista Dadi Carvalho (que naquele momento já integrava a banda A Cor do Som), o baterista Jorginho Gomes, e os percussionistas Charles Chalita e Baixinho. Moraes também contou com as participações especiais de Oswaldinho do Acordeon e da banda A Cor do Som.

Assim como os álbuns que gravou com os Novos Baianos, bem como os seus trabalhos solos antecessores, Moraes Moreira se mostra em Lá Vem O Brasil Descendo A Ladeira um artista completamente adepto da diversidade musical, da comunhão entre a música popular brasileira (samba, xote e frevo) com as referências da música internacional (rock e reggae).

Mas Lá Vem O Brasil Descendo A Ladeira trouxe um elemento novo que o diferencia dos álbuns anteriores do cantor baiano: o ijexá. O ritmo musical, originado na África e que na Bahia teve como abrigo os terreiros de candomblé, ganhou as ruas de Salvador através blocos de afoxé durante os carnavais baianos ao longo do século XX. O bloco Filhos de Gandhy foi o maior disseminador do ijexá. No seu álbum Refavela (1977), Gilberto Gil experimentou o ijexá através da faixa “Patuscada de Gandhy”. Mas enquanto Gil experimenta o ijexá em seu estado bruto, Moraes experimenta esse gênero num estado mais “diluído”, mais estilizado, misturado com um caldo sonoro pop.

O álbum Lá Vem O Brasil Descendo A Ladeira trouxe como novidade
ao trabalho de Moraes Moreira o ijexá, ritmo tocado por blocos
como Filhos de Gandhy (foto), nos carnavais de Salvador. 

O disco começa com a música que dá nome ao álbum. “Lá Vem O Brasil Descendo A Ladeira” é um samba que nasceu quando Moraes Moreira e João Gilberto (1931-2019) caminhavam numa madrugada no Rio de Janeiro. Ao avistar no raiar do dia, uma linda e imponente mulata descendo o morro onde morava para ir trabalhar, João Gilberto disse: “ - Lá Vem O Brasil Descendo A Ladeira!”. A frase ficou gravada da mente de Moraes Moreira que percebeu que aquilo renderia uma boa canção. Ao lado do seu ex-colega de Novos Baianos, Pepeu Gomes, Moraes compôs a música que se tornou um dos maiores sucessos do álbum. A letra faz referência ao povo brasileiro das camadas populares, sobretudo, as mulheres chefe de família, que criam seus filhos sozinhas, que acordam cedo para trabalhar e garantir o sustento da casa.

A faixa seguinte é a divertida “Pelas Capitais”, um frevo animado que faz um passeio pelas capitais do Brasil. “Eu Sou O Carnaval” é o primeiro ijexá presente no álbum, onde há uma interessante alternância de solos da guitarra de Pepeu Gomes e da sanfona de Oswaldinho do Acordeon, enquanto que Charles, Baixinho e Luciano fazem o pano de fundo percussivo da música. No seu álbum Viva Dodô & Osmar, de 1980, o Trio Dodô & Osmar gravou uma versão de “Eu Sou O Carnaval”, que funde frevo e ijexá, e traz Moraes Moreira nos vocais.

“O Prometeu” é um reggae estilizado em que Moraes é acompanhado pela A Cor do Som, e que conta com um belo naipe de cordas (violinos, violas e cellos) que dá um toque refinado à faixa que é essencialmente pop. Moraes e A Cor do Som se encontram novamente em “Coração Nativo”, que apesar de ser um xote, não tem sanfona. Ao invés disso, há um grande destaque para o bandolim de Armandinho, que também gravou a guitarra dessa música.

A Cor do Som foi banda de acompanhamento em algumas faixas
de  Lá Vem O Brasil Descendo A Ladeira. 

O lado 1 de Lá Vem O Brasil Descendo A Ladeira termina com “Som Moleque”, em que Moraes é acompanhado pelos seus ex-companheiros de Novos Baianos: Pepeu Gomes na guitarra, Dadi no baixo, Jorginho Gomes na bateria e Baixinho nas congas. O ritmo percussivo e pulsante da música contrasta com a delicadeza do naipe de cordas.

Dando início ao lado 2 do álbum, “Valentão” faz Moraes Moreira reencontrar-se com as suas raízes nordestinas, quando na infância, aprendeu a tocar sanfona, no interior da Bahia. “Valentão” conta a história de um sanfoneiro que não tinha medo de nada, e que matou um viajante numa festa em uma pequena cidade do sertão nordestino. Nesta faixa, Oswaldinho do Acordeon faz uma participação especial com a sua sanfona. Uma curiosidade nesta música é que o fato narrado teria sido verídico. Segundo entrevistas dadas pelo próprio Moraes Moreira, esse sanfoneiro valentão existiu na cidade em que ele nasceu. Foi esse mesmo sanfoneiro quem teria ensinado Moraes a tocar sanfona quando era criança.

“Chão da Praça” é um interessantíssimo misto de ijexá e rock, com participação de Pepeu Gomes nos solos de guitarra. A música parece simular uma espécie de encontro entre Jimi Hendrix e os Filhos de Gandhy no carnaval de Salvador. Essa música já tinha sido gravada antes pelo Trio Elétrico Dodô & Osmar no álbum Ligação, lançado no final de 1978, numa versão frevo arrasadora, com vocais do próprio Moraes Moreira e Armandinho fazendo solos de guitarra demolidores. Essa versão foi o grande sucesso do carnaval de 1979, em Salvador.

“Feito Muhammed Ali” traz de novo Moraes e A Cor do Som juntos. A faixa possui uma bela sobreposição de solos de guitarra de Armandinho. Em “Choro Pequenino” Moraes mostra o seu lado de intérprete, quando ele canta totalmente alinhado ao ritmo pulsante e envolvente da percussão da música. Nesta faixa, Armandinho mostra toda a sua habilidade no bandolim, instrumento que ele domina tão bem quanto a guitarra elétrica. “Assim Pintou Moçambique” é outro ijexá presente em Lá Vem O Brasil Descendo A Ladeira, e é ele quem fecha o álbum.

Detalhe da contracapa de  Lá Vem O Brasil Descendo A Ladeira. 

Lá Vem O Brasil Descendo A Ladeira foi um trabalho consagrador na carreira de Moraes Moreira, um divisor de águas. “Eu Sou O Carnaval”, “Chão da Praça”, “Pelas Capitais” e “Assim Pintou Moçambique” foram as faixas mais tocadas do álbum no rádio. Foi o último álbum de Moraes Moreira pela Som Livre. Em 1980, ele assinou contrato com a Ariola, gravadora alemã que estava se instalando no Brasil. Além de Moraes Moreira, outros artistas de peso forma contratados, dentre eles Alceu Valença, Ney Matogrosso, Milton Nascimento, Kleiton & Kledir, Marina Lima, MPB-4, Toquinho & Vinícius entre outros. Naquele mesmo ano de 1980, Moraes lançou pela Ariola, Bazar Brasileiro, outro elogiado e importante álbum do cantor, e que deu continuidade ao que foi desenvolvimento musicalmente em Lá Vem O Brasil Descendo A Ladeira.

Tendo como ponto de partida Lá Vem O Brasil Descendo A Ladeira, a presença de ritmos afro-brasileiros nos discos de Moraes Moreira se tornou mais frequente. A cada disco, Moraes mostra uma profundidade e envolvimento maior com esses ritmos, sempre conectados com o carnaval, levando o trabalho do artista a ser uma das principais influências para o surgimento da axé music a partir de meados dos anos 1980.

Faixas

Lado 1

  1. “Lá Vem O Brasil Descendo A Ladeira” (Pepeu Gomes - Moraes Moreira)
  2. “Pelas Capitais” (Jorge Mautner - Moraes Moreira)
  3. “Eu Sou O Carnaval” (Antônio Rizério - Moraes Moreira)
  4. “O Prometeu” (Moraes Moreira - Antônio Cícero)
  5. “Coração Nativo” (Fausto Nilo – Armandinho - Moraes Moreira)
  6. “Som Moleque” (Fausto Nilo - Moraes Moreira) 

Lado 2

  1. “Valentão” (Oswaldinho do Acordeon - Moraes Moreira)
  2. “Chão Da Praça” (Fausto Nilo - Moraes Moreira)
  3. “Feito Murammad Ali” (Abel Silva - Moraes Moreira)
  4. “Choro Pequenino” (Moraes Moreira)
  5. “Assim Pintou Moçambique” (Antônio Rizério - Moraes Moreira)

Ouça na íntegra o álbum Lá Vem O Brasil 
Descendo A Ladeira

"Chão da Praça" (versão frevo)
 Trio Elétrico Armandinho, Dodô & Osmar, 
participação Moraes Moreira (1978)


DE Under Review Copy (ALISON BENTLEY)

ALISON BENTLEY

Com base entre Vila Nova de Famalicão e Braga, os Alison Bentley são Jota Pia (voz), Nuñes (voz), Quintela (guitarra), Mário (guitarra), Zé (aka Falecido Barbosa, baixo) e Poupa (bateria) e praticam um interessante e energético old school 77 punk rock. Tocam com a intensidade de um animal e o divertimento de miúdos. Assumem-se em palco, tal como o são fora dele, divertidos e relaxados, Envolvendo-se no som como uma mistura de fúria, rebeldia, liberdade e irreverência, levantam uma pequena revolução festiva onde quer que estejam, seja no café da aldeia, seja na melhor sala de espectáculos do país. Percorreram o país em concursos e concertos, amados por uns, odiados por outros, mas em todos deixaram a sua marca e ninguém lhe fica indiferente. Apresentam o seu 3.º trabalho de originais, "The Disappointment of the Year", em edição Split com os lisboetas Dalai Lume, sucedendo-se a "Combo Nation Moove" (2004) e "Not Of Your Business" (2002). Revelando um som forte e fugaz, um garage rock rápido e explosivo, são energia destilada com atitude punk suficiente para pôr os Green Day à procura de outra cor, o groove subterrâneo dos The Hives e um balanço ska pelo meio. Sobre eles, a imprensa escreveu: "Ride On" poderia ser um power play do novo rock… (Blitz 13-12-2005); "Não sonham com a cena de ganhar dinheiro, antes preferem fazer muita e boa música, mesmo engavetados no incompreendido meio underground. Ambicionam crescer musicalmente com essa filosofia alicerçada no assumido DIY" (Público 23-01-2004); "Ponto de Partido no punk e hardcore britânico feroz e festivo, com vagos acenos aos desenvolvimentos imediatos na Manchester Industrial Cinzenta" (Blitz); "E porque o punk-rock se faz veloz e incisivo, os Alison Bentley nunca o perdem de vista. Nunca! São brevíssimos minutos (como dita a regra) são músicas de plena irreverência e energia" (A Trompa 02-06-2004); "Isto é punk-rock, mas não é um punk rock qualquer. Tem atitude. Mostram o espírito irreverente a cada acorde, a cada dissonância. Condiz com a sua juventude e transmitem um sentimento de autenticidade" (Rock Sound) ou, finalmente, "Correm o país em concertos e conseguem críticas bastante positivas na grande impensa nacional! E Porque? Combo Nation Move é uma das razões, quatro temas rápidos, furiosos e energéticos" (Ponto Morto).

DISCOGRAFIA

 
NOT OF YOUR BUSINESS [CDR, Edição de Autor, 2002]

COMBO NATION MOOVE [CDR, Edição de Autor, 2004]

 
SPLIT 07 [c/Dalai Lume] [CD, Edição de Autor, 2005]

COMPILAÇÕES

 
ARENA ROCK 2007 [2xCD, Recital Records, 2007]

 

ATAQUE FRONTAL [2xCD, Impulso Atlântico, 2008]



DE Under Review Copy (ALIEN SQUAD)

 Formados em Leiria em 1988 por Cláudio (guitarra), Pedro Cabunje (bateria), Paulo Pessanha (voz), Moura (baixo) e Cab (guitarra), chamaram-se inicialmente Alien Spider Webs em homenagem aos Alien Sex Fiend. Dessa altura pouco mais ficou para além de dois temas: "Raging Boys Transformation" e "Police on the Streets". E assim se chegará ao dia 12 de Novembro de 1989, data que marca o início oficial do projecto Alien Squad, tal como durante muito tempo o entendemos. Paulo Pessanha, que entretanto comprara uma guitarra, passa a assumir apenas o seu uso, ficando o projecto com dois guitarristas. Progressivas reestruturações no line up do grupo levarão à formação definitiva ou, pelo menos, mais estável: Cláudio (voz), Xano (baixo), Hugo (bateria) e P.A. (guitarra). Os Alien Squad foram uma banda de crossover, entre o hardcore e o trash metal, da década de 80. O primeiro registo oficial do grupo, intitulado "From Alienation to An Alien Nation" é editado apenas em 2000 e procurava resumir musical e politicamente a sua primeira década de existência, compilando os melhores temas escritos durante esse período. No encarte do CD, os melómanos eram inclusivamente avisados para o facto de alguns dos temas poderem soar datados. O teor das suas letras era basicamente de cariz sócio-político, disparando em todas as direcções mais ou menos estereotipadas do punk e do crust: guerra, religião, racismo, degradação ambiental ou as atrocidades a que os animais são submetidos. Se no álbum de estreia a banda assumia uma postura punk e mostravam ter de percorrer ainda um longo caminho (tanto no campo instrumental como no da produção e até lírico), no seu segundo trabalho surgem mais coesos e estruturados, enveredando por uma sonoridade mais trabalhada, erguida sobre estruturas thrash/core, mas sem nunca perder a toada punk/crust. Denotavam, para além disso, maior desenvoltura e uma óbvia evolução técnica, lírica e de composição (se bem que, na generalidade, os temas soem algo previsíveis e repetitivos). Mantendo (e mesmo elevando) o nível de crítica social, o colectivo não poupava os políticos, os efeitos perniciosos da tecnologia ou os ecologistas da moda. Mais cuidadas, as letras assumem agora um papel de destaque. Num laivo de inspiração, os Alien Squad decidiram inovar, encerrando o álbum com três interessantíssimas versões de originais seus, assinadas por outros tantos grupos – os Plastik Leiria Bombers, os R8374C e os Seas of the Moon. De realçar também que os Alien Squad foram a segunda banda punk em Leiria, depois dos Jesus Morto Da Cruz e que, na década de 90, três dos seus elementos fundaram os Injusticed League, outro projecto também muito respeitado.


DISCOGRAFIA


OFF-TWO-THREE-SHOCK! [Tape, Edição de Autor, 1994]

 
FROM ALIENATION TO AN ALIEN NATION [CD, Anti-Corpos DIY, 2000]

 
SONS OF A SWITCH [CD, Anti-Corpos DIY, 2002]

 
ORDER NOT GOVERNMENT [CD, Anti-Corpos DIY, 2005]

COMPILAÇÕES

 
ATAQUE FRONTAL [2xCD, Impulso Atlântico, 2008]



Sting - Bring on the Night




Esta deve ser uma das entradas mais fáceis de fazer, um vocalista incrível apoiado por uma banda incrível onde todos têm um nome no mundo da música, seja qual for o seu estilo.
Falar de Branford Marsalis ou Omar Hakim só por escolher dois dos músicos que aparecem é entrar nas profundezas do Jazz no caso de Marsalis e das melhores bandas de rock, fusion ou pop no caso de Hakim (Madonna, David Bowie, Miles Davi).
O lançamento do álbum "The Dream of the Blue Turtles" antes de Bring on the Night foi o teste decisivo para Sting, que precisava ficar o mais longe possível do Police e marcar seu próprio estilo e personalidade. Surpreendentemente, nesse álbum, ele foi mais longe do que qualquer um pensava que poderia, e efetivamente marca um novo começo na carreira de Sting. A digressão deste multi-platina inclui várias canções desse álbum, outras da era Police, B-sides e raridades que quando se ouve pela primeira vez deixa-nos sem fôlego. A soma destes talentos reflecte-se neste álbum duplo gravado ao vivo onde se nota que houve Sting durante algum tempo. A gravação é fantástica, assim como a atuação de todos no palco. Ouçam a música que deixo no final, uma pequena amostra do que é este álbum.
Muito talento, você não consegue parar de ouvir! Sting (1986) Bring on the Night Disco 1 01. Bring on the Night / When the World Is Running Down... 11:42 02. Consider Me Gone 4:51 03. Low Life 4:05 04. We Work the Black Seam 6:56 05. Driven to Tears 6:59 06. O sonho das tartarugas azuis / Demolition Man 5:54 Disco 2: Disco 2 01. Um mundo (não três) / O amor é a sétima onda 11:09 02. Moon Over Bourbon Street 4:21 03. I Burn for You 5:23 04. Another Day 4:42 05. Children's Crusade 5:26 06. Down So Long 4:35 07. Tea In the Sahara 6:25 Músicos Sting: Guitarra, vocal Darryl Jones: baixo


















Branford Marsalis: Saxofone
Kenny Kirkland: Teclados
Omar Hakim: Bateria
Janice Pendarvis:
Vocais Dolette McDonald: Vocais Sir Gordon Matthew Thomas Sumner, mais conhecido como Sting (seu nome artístico), é um músico britânico, que inicialmente trabalhou como baixista, e posteriormente como vocalista e baixista do grupo musical The Police.


O primeiro álbum que Sting gravou sozinho em 1985, O sonho das tartarugas azuis, Sting reuniu um grupo de músicos reconhecidos como estrelas do jazz. O disco incluía o single de sucesso Se você ama alguém, liberte-o. Em um ano, tornou-se platina tripla. Ele também cantou na introdução e no refrão da música Money for Nothing do Dire Straits. Em 1987, Sting publicou Nothing like the sun, disco que marcaria seu reencontro musical com Andy Summer. O LP trazia os sucessos Estaremos Juntos, Ainda Bate Meu Coração e Eles Dançam Sozinhos (música em referência às mães chilenas que perderam seus filhos, desaparecidos durante a ditadura militar de Pinochet), dedicada à sua mãe, falecida recentemente, e que logo se tornou dupla platina,



Deep Purple - Copenhagen 1972

 



Com músicas do ainda inédito álbum "Machine Head" que sairia naquele mesmo ano e em um mundo onde "Smoke on the Water" ainda não era "O" riff mais conhecido da história do rock, inclui também um cover e três canções gravadas ao vivo em NY um ano depois e como Bonus Track final, uma entrevista feita na Austrália.

As versões anteriores também foram lançadas em VHS, uma cópia que tenho em Lacer Disc e alguns DVDs que não estavam de acordo com os padrões da banda.
Como muitas versões semelhantes desta e de outras bandas remixadas ultimamente, a restauração é uma grande melhoria em relação à(s) versão(ões) anterior(es), mas infelizmente é um pouco alto e muito brilhante nos médios superiores, a famosa compressão "Brickwall", que pessoalmente me sobrecarrega.
Este lançamento acompanha o último álbum da banda, Now What?! (uma pergunta que também me faço depois de ouvi-lo), que apesar de ter algumas boas músicas no álbum como um todo, elas ficaram para trás... de novo.
Também acompanhando este lançamento estão os álbuns "Icon - Deep Purple" da série Icon da Spectrum Audio e o fantástico "Live In Paris 1975" lançado no ano anterior.















Deep Purple 
(2013) Copenhagen 1972 


01. Highway Star - 8:25
02. Strange Kind of Woman - 9:33
03. Child In Time - 17:26
04. The Mule - 9:23
05. Lazy - 11:16
06 .Space Truckin' - 22:10
07. Fireball - 5:11
08. Lucille - 5:55
09. Black Night - 6:14
10. Strange Kind of Woman [Ao vivo em Nova York 1973] [Ao vivo] - 6:18
11. Smoke On the Water [Ao vivo em Nova York 1973] [Ao vivo] - 5:24
12. Space Truckin' [Ao vivo em Nova York 1973] [Ao vivo] - 10:41
13. 1971 Entrevista australiana - 5:44

Músicos
Ritchie Blackmore; Guitarra    
Ian Gillan: Vocais, gaita     
Roger Glover: Baixo    
Jon Lord: Teclados  
Ian Paice: Bateria

MUSICA&SOM


Deep Purple - Copenhagen 1972 foi gravado no KB Hallen em Copenhagen, Dinamarca, em 1972, mas não foi lançado até 1987 no Japão sob o título Machine Head Live 1972, e na Europa três anos depois como Scandinavian Nights (Live in Denmark 1972).
É o único show completo gravado (em preto e branco) da formação do Mark II até o momento e apresenta uma rara versão ao vivo de "Fire Ball".
O lançamento também traz três faixas de 1973, filmadas durante um show em Nova York, EUA, na Hofstra University em Hempstead, Long Island, em cores. Este apresenta a única gravação de vídeo conhecida de "Smoke on the Water" feita pelo MK II.


 

Rush R30: 30th Anniversary Deluxe Edition

 

 
Como resultado da recente indução do Rush ao Hall da Fama do Rock 'n Roll este ano, posto este, o álbum que resume de forma excelente a carreira de uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos.

É um CD duplo que, como já fiz com alguns outros discos dessas características, é convertido em um único disco (não dois como veio originalmente), chegar e colocar no suporte digital de sua preferência (iPod, celular telefone, iPad, PC, etc.) que, como eu disse, resume quase toda a carreira do Rush, incluindo algumas músicas do álbum "Feedback" (The Yardbirds “Heart Full of Soul”, Eddie Cochrane “Summertime Blues”, The Who “The Seeker” e uma música de outro trio famoso, “Crossroads” do Cream).
O álbum começa com um tremendo tema de abertura que traz nada menos que “Finding My Way”, “Anthem”, “Bastille Day”, “A Passage to Bangkok”, “Cygnus X-1 Book I: The Voyage, Book II: hemisférios”. Essa entrada por si só vale o álbum inteiro.
Nesta gravação ao vivo do Rush, a voz de Geddy já mostra alguns problemas (às vezes graves) com as notas mais agudas.
Este disco só pode ser encontrado exclusivamente na caixa "R30: 30th Anniversary Deluxe Edition" e a gravação corresponde à apresentação em 24 de setembro de 2004 no Festhalle, Frankfurt, Alemanha.
Nesta caixa vêm dois DVD's, um com o recital de Frankfurt e outro traz algumas raridades e várias entrevistas de diferentes fases da banda, dois CD's (que são os que deixo aqui), e alguns picks (ou farpas).
Um dos melhores discos da banda, excelente apresentação, excelente como sempre.

Rush (2005) R30: edição de luxo do 30º aniversário













01.- Abertura R30 - (Finding My Way/Hino/Dia da Bastilha/Passagem para Bangkok/Cygnus X-1 Livro I: A Viagem, Livro II: Hemisférios) 02.- Spirit Of Radio 03.-
Force
Ten
04.- Animate
05.- Subdivisões
06.- Earthshine
07.- Red Barchetta
08.- Roll The Bones
09.- The Seeker
10.- Tom Sawyer
11.- Dream Line
12.- Between the Wheels
13.- Mystic Rhythms
14.- Der Tommler
15.- Resist (Acoustic)
16.- Heart Fill of Soul
17.- 2112 (Overture/Temples of Syrinx/Grand Finale)
18.- Xanadu (versão abreviada)
19.- Working Man
20.- Summertime Blues
21.- Crossroads
22.- Limelight

Músicos
Alex Lifeson: Guitarras (6 e 12 cordas).
Geddy Lee – Baixo, vocais, teclados, mellotron, baixo e pedais de sintetizador, guitarra rítmica
Neil Peart: bateria acústica e eletrônica e percussão. Segundo a Wikipedia em tradução livre e resumo, R30: 30th Anniversary World Tour é um DVD ao vivo da banda canadense Rush que foi lançado em 22 de novembro de 2005 no Canadá e nos Estados Unidos e em 28 de novembro de 2005 na Europa. O DVD foi lançado em um conjunto padrão e de luxo. A versão deluxe inclui dois CDs de áudio com o conteúdo do DVD, bem como várias entrevistas e cenas adicionais ao vivo.


O produto lançado viu a omissão das canções "Bravado", "One Little Victory", "By-Tor And The Snow Dog", "La Villa Strangiato", "YYZ", "Red Sector A", "The Trees" e "Secret Touch", já que essas mesmas músicas já haviam sido oferecidas no DVD Rush in Rio, show gravado no Brasil na última noite da Vapor Trails Tour 2002. Isso foi feito para eliminar a redundância. Este conjunto modificado é ouvido tanto no DVD quanto no CD de áudio da edição de luxo.


45 anos de “Lust For Life”: A sequência matadora de Iggy Pop

 Considerado uma verdadeira força da natureza, Iggy Pop é um monstro do Rock N’ Roll até os dias de hoje, com muita energia e talento! Com todos esses atributos, Iggy se engloba na categoria de maiores influências do gênero e lá em 1977, há exatos 45 anos ele lançou mais um grande disco, o “Lust For Life”! Chegou a hora de falar um pouco sobre ele!

Vale lembrar que de 1969 a 1973, Iggy fez parte dos Stooges que foi extremamente visceral e que viria a influenciar totalmente o Punk Rock posteriormente. E depois da dissolução da banda, Iggy não se afastou do Rock mas absorveu muitas influências dessa virada de metade da década de 70 e apenas em 1977 ele decidiu lançar seu primeiro disco solo que é o grande “The Idiot” e ainda em 1977 ele tinha material suficiente para lançar mais um disco fantástico e um pouco diferente que o anterior, o “Lust For Life”!

Por estar em meio de uma turnê, eles aproveitaram a banda de David Bowie como base para gravar esse novo disco e apesar de ser uma onda parecida com o disco anterior, eu vejo algumas diferenças como a produção um pouco mais suja e uma proposta um pouco mais animada digamos assim, rumando para algo que seria chamado de pós punk a seguir.

O disco abre com a icônica faixa título, uma energia incrível é passada nesta primeira faixa, super animada e dançante, das melhores do disco. E também amo a força de “Sixteen”, uma música super forte, paulada de Rock N’ Roll, uma faixa que cresce muito nas versões ao vivo. Já o maior clássico desse disco é “The Passenger”, o maior clássico da carreira solo de Iggy Pop, simplesmente uma composição perfeita! Agora, uma faixa menos conhecida e que eu adoro é “Tonight”, uma grande influência de David Bowie e que combinou muito com ele.

“Lust For Life” foi um verdadeiro sucesso comercial e impulsinou muito a carreira solo de Iggy Pop o consolidando como um gigante nome que só cresceu dali em diante! E de considerações finais, esse disco é super recomendado á todos e pode ser uma excelente porta de entrada para conhecer um pouco mais sobre ele! Fica a recomendação!




45 anos de “Close To The Edge”: Um gigante do Yes

 Rock Progressivo, esse é o tema do disco de hoje. E a banda escolhida é o Yes, um dos pilares do gênero que soube muito bem se reinventar e construir um estilo fantástico. Não por acaso o disco “Close To The Edge”, um dos maiores clássicos do rupo  completou 50 anos”

Em 1971 a banda havia lançado um dos maiores discos de Rock Progressivo de todos os tempos, o “Fragile” e depois disso eles embarcaram numa grande turnê de divulgação e não perderam o pique para começar a compor seu próximo disco. Intitulado como “Close To The Edge”, esse disco traria uma temática sonora bastante similar mas elevaria ainda mais o nome da banda.

Neste disco a música seria relativamente mais difícil que os anteriores, com composições bem mais complexas e nada radiofônicas digamos assim. Mas como um todo, fomos presenteados como uma verdadeira obra prima, artística e grandiosa. O disco seria longo com pouco mais de 1 hora duração divididos em 7 faixas.

Ele abre com a faixa título, uma peça enorme de 18 minutos, aqui vemos sobre o que se trata esse trabalho, uma complexidade que só músicos como do Yes fariam de maneira tão sublime, genial e de personalidade. “You And I” é uma das minhas favoritas, tão mágica, numa formato de balada e que adocica uma pouco mais o trabalho.

O disco “Close To The Edge” é um trabalho que deve ser apreciado com cuidado, fones de ouvido, um lugar reservado e muita atenção. É o maior clássico da carreira da banda e tem um tempero específico. Talvez não seja o disco para conhecer a banda, mas se você já conhece o trabalho deles pode ser uma excelente opção! Fica a homenagem nos 50 anos desse monumento do Rock!




55 anos de “Something Else By The Kinks”: O disco mais aclamado do The Kinks na década de 60

 Apesar de ser uma força enorme no Reino Unido, o Kinks nunca conseguiu atingir um status icônico na América do Sul. E hoje é um dia especial para falarmos um pouco sobre eles e ajudar a divulgar ainda mais essa grande banda já que comemora-se os 55 anos de “Something Else By The Kinks”!

Em 1966 a banda havia lançado o bom “Face To Face”, uma evolução em termos de disco até então mas que ainda tinha espaço para evoluir e fazer um disco mais coeso. Depois disso, em 1967, a cena musical explodiu no Reino Unido, e todas bandas deram passos muito importantes em suas discografias.

E com o Kinks não foi diferente, diante de tanta inspiração a sua volta, a banda trabalhou para que seu quinto disco fosse algo diferente, numa musicalidade mais excêntrica, com mais teclados envolvidos e letras mais introspectivas.

Sobre os destaques do disco, logo de cara temos “David Watts”, um dos maiores clássicos da carreira da banda, uma música maravilhosa e que influenciou muita gente. “Lazy Old Sun também é muito interessante assim como “Waterloo Sunset” que representa muito bem o disco.

Num geral, esse é o disco mais bem amarrado dos Kinks nos anos 60 e foi um trabalho crucial para o desenvolvimento do som característico que conhecemos. Lá fora ele é um disco aclamado e merece demais essa comoção, e tomara que no Brasil as pessoas possam ter a oportunidade de conhecer um pouco mais umas das melhores bandas de todos os tempos!




Destaque

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