Maria Bethânia ainda desfrutava do estrondoso sucesso do álbum Álibi, lançado em 1978, quando em novembro de 1979, entrou em estúdio para gravar um novo álbum. No mês seguinte, em dezembro, chegava às lojas o novo álbum de Bethânia, Mel, um verdadeiro presente de Natal para os fãs.
Produzido por Perinho Ribeiro, o mesmo produtor do bem-sucedido Álibi, Mel seguiu a mesma concepção de seu antecessor, trazendo canções românticas com forte acentuação passional e sexual, sem, no entanto, cair no melodrama barato. Mel traz canções de compositores consagrados como Caetano Veloso, Waly Salomão (1943-2003), Gonzaguinha (1945-1991), Chico Buarque, Lupicínio Rodrigues (1914-1974), mas também canções de uma nova geração de compositoras que despontavam naquele final dos anos 1970 como Ângela Rô Rô, Ana Terra e Joyce.
Mel começa com a canção que dá nome ao álbum, composta pelo poeta Waly Salomão e Caetano Veloso. Os versos de Waly musicados por Caetano, tratam a paixão do eu lírico pela amada como uma dedicação incondicional de uma abelha operária à sua abelha-rainha numa colmeia. O ser apaixonado na canção, se oferece como um servo, um escravo da paixão e do desejo de sua amada: “Ó abelha rainha / Faz de mim um instrumento / De teu prazer, sim, e de tua glória”. Por causa do sucesso dessa canção, Bethânia ganhou dos fãs o apelido de “Abelha-rainha”.
“Ela e Eu”, de Caetano Veloso, é uma canção sobre fim de relacionamento, e muito embora se trate do fim de um relacionamento heterossexual, ela acabou ganhando com o tempo uma conotação homossexual por ter sido regravada posteriormente por cantoras lésbicas como Marina Lima e Simone.
“Cheiro de Amor” é um caso raro de um jingle que virou canção de sucesso radiofônico. A música foi composta pelo publicitário Duda Mendonça como um jingle do motel Le Royale, em Salvador. O jingle fez tanto sucesso nos intervalos comerciais das rádios de Salvador que chamou a atenção de Maria Bethânia que quis gravá-la. Ela pediu ao compositor Paulo Sérgio Valle e Jota Moraes que ampliassem a letra da canção que no jingle era curta. Embora tenha sido composta por homens, a canção conseguiu refletir o momento libertário em que as mulheres começavam a vivenciar, mostrando que além da independência econômica, elas também tinham o direito ao prazer sexual tanto quanto os homens.
“Da Cor Brasileira”, de Joyce e Ana Terra, é outra canção romântica presente no álbum. Os versos falam de uma mulher que descreve o homem que ama, mas que tem defeitos e qualidades. A descrição que essa mulher faz do seu homem, é feita de maneira carinhosa e terna, com a mesma suavidade dos arranjos que embalam o ritmo da canção.
A faixa seguinte é o samba-canção “Loucura”, de Lupicínio Rodrigues (1914-1974), gravada antes por Jamelão no começo dos anos 1970. Bethânia canta sobre o sofrimento de um homem desesperado que se sujeita a Deus para ser sacrificado em troca da volta do amor de sua vida que havia abandonado-o.
“Gotas de Sangue”, de Ângela Rô Rô, encerra o lado 1 da versão LP de Mel. É uma música em que Bethânia canta acompanhada por um piano tocado por Ângela Rô Rô. Em dezembro de 1979, quando Mel havia sido lançado, Ângela entrou em estúdio para gravar o seu primeiro álbum para o qual ela gravou a sua versão de “Gotas de Sangue”.
Maria Bethânia durante um show ao vivo da turnê Mel, em 1980.
O lado 2 começa com “Grito De Alerta”, de Gonzaguinha. De todas as canções do álbum, é a que guarda a história mais curiosa. Apesar de pertencerem a estilos diferentes, os cantores Gonzaguinha e Aguinaldo Timóteo eram amigos e pertenciam na época à mesma gravadora. Durante uma conversa com Gonzaguinha, Timóteo queixou-se sobre a sua relação homossexual com um jovem. O rapaz costumava sair à noite sozinho em busca de aventuras sexuais com travestis na orla do Rio de Janeiro, um comportamento que irritava Timóteo e o fazia sofrer. Ainda assim, o cantor alertava o rapaz sobre os perigos que corria. Sensibilizado, Gonzaguinha compôs “Grito De Alerta”, inspirada nessa história de amor homo afetivo de Aguinaldo Timóteo. Contudo, Timóteo só veio saber da existência da canção depois que Bethânia gravou, o que o deixou bastante irritado com Gonzaguinha, já que se tratava de uma história vivida por ele.
“Grito de Alerta” foi incluída na trilha sonora da novela Água Viva, de Gilberto Braga, exibida pela TV Globo em 1980. A canção se tornou um grande sucesso radiofônico, uma das mais tocadas no rádio naquele ano.
Aguinaldo Timóteo chegou a gravar a sua versão de “Grito De Alerta” para o seu álbum Deixe-me Viver, lançado ainda em 1979, pouco depois de Mel, de Maria Bethânia, mas sem grande repercussão. Gonzaguinha, o autor da música, gravou “Grito de Alerta” em 1980, que saiu no seu álbum De Volta Ao Começo.
Aguinaldo Timóteo, em 1979: seu relacionamento homossexual com uma jovem, inspirou Gonzaguinha a compor a canção "Grito de Alerta".
Se no álbum Álibi, Bethânia trouxe para as novas gerações “Negue”, uma antiga canção de “dor-de-cotovelo” de Adelino Moreira e Enzo de Almeida, gravada originalmente em 1960 por Carlos Augusto, a cantora baiana repetiu a dose em Mel, desta vez com ‘Lábios de Mel”, de Waldir Rocha. Foi gravada pela primeira vez por Ângela Maria (1929-2018), em 1955, em ritmo de toada. Com Bethânia, “Lábios de Mel” ganhou uma versão estilizada de mambo.
“Amando Sobre Os Jornais” descreve um casal que trocam carícias e fazem sexo sobre folhas de jornais, através de versos dotados de muito romantismo e erotismo. A canção foi composta por Chico Buarque para o musical O Rei de Ramos, de Dias Gomes (1922-1999). Naquele espetáculo, foi interpretada pela atriz e cantora Marília Barbosa, no papel de Taís.
Bethânia aparece novamente acompanhada apenas por um piano na faixa “Nenhum Verão”, que é tocado pelo próprio autor da música, Túlio Mourão. É uma canção de belíssimos versos sobre um amor que chega como um sol que brilha intensamente, mas que depois vai embora.
Encenação do musical O Rei de Ramos, de Dias Gomes, em 1979: a canção "Amando Sobre Os Jornais", foi composta por Chico Buarque para o espetáculo, e gravada depois por Maria Bethânia.
No samba romântico “Infinito Desejo”, de Gonzaguinha, o desejo é comparado a um delírio sem fim, e tratado como fome e sede de amor e sexo: “Ah, infinito delírio / chamado desejo / Essa fome de afagos e beijos / Essa sede incessante de amor / Ah, essa luta de corpos suados / Ardentes e apaixonados / Gemendo na ânsia de tanto se dar”.
“Queda D’Água”, de Caetano Veloso, encerra o álbum Mel. É a música mais curta do álbum, e traz apenas a voz de Bethânia e o violão tocado pelo produtor Perinho Albuquerque. A letra da canção descreve um ser humano perplexo com a imponência da natureza que se apresenta diante dele tal qual um ser divino.
Em janeiro de 1980, Maria Bethânia deu início à turnê promocional de Mel, começando com apresentações no Canecão, no Rio de Janeiro, que bateu recordes de público. O repertório da turnê foi composto não só de canções do álbum Mel, mas também alguns sucessos do álbum Álibi. Especialmente para essa turnê, Bethânia contou com uma orquestra de metais e violinos regida por Perinho Albuquerque, além da banda de apoio já acompanhava a cantora.
Ainda em 1980, foi inaugurado em Salvador o Cine e Teatro Maria Bethânia, uma casa de espetáculos batizada em homenagem à cantora. A inauguração teve um show de Maria Bethânia que fazia parte da turnê do álbum Mel. O show de inauguração do teatro comandado por Bethânia, teve participações especiais de Alcione, Gal Costa, Gilberto Gil e Erasmo Carlos. Infelizmente, nos anos 1990, o teatro foi desativado e virou um bingo.
O álbum Mel foi um sucesso de público e de crítica. As vendas do álbum chegaram à marca de 800 mil cópias. Das suas doze faixas, pelo menos metade foi bem executada em rádio: “Mel”, “Grito de Alerta”, “Cheiro de Amor”, “Da Cor Brasileira”, “Infinito Desejo” e “Ela E Eu”, esta última chegando a figurar na trilha sonora da novela Coração Alado, da TV Globo, em 1980.
Faixas
Lado 1
1. “Mel”(Caetano Veloso - Waly Salomão)
2. “Ela E Eu” (Caetano Veloso)
3. “Cheiro De Amor” (Duda Mendonça - Jota Morais - Paulo Sérgio Valle - Ribeiro)
O movimento punk sacudiu o cenário musical britânico em 1977 sem deixar pedra sobre pedra. Embora causasse toda uma transformação na música no Reino Unido e influenciasse o rock e a música pop no resto do planeta, o punk começou a perder fôlego já em 1978. A implosão dos Sex Pistols naquele ano foi a senha para que se percebesse que um ciclo estava se encerrando. A morte do baixista dos Pistols, Sid Viscious, em fevereiro de 1979, foi a pá de cal para o encerramento desse ciclo.
Se por um lado, a avalanche punk chegava ao fim, um novo momento musical no Reino Unido iniciava com a chegada do que ficou conhecido como pós-punk, que trazia dezenas de bandas dos mais variados estilos, mas que carregavam no seu “DNA musical” o principal legado do punk: o “faça você mesmo”.
Enquanto o punk havia se fragmentado e dado origem a um leque de estilos e tendências, um dos seus principais representantes seguia firme e forte, tentando sobreviver: o The Clash.
O quarteto inglês vinha de seu segundo álbum estúdio, Give ’Em Enough Rope, lançado em novembro de 1978, produzido por Sandy Pearlman, conhecido por ter produzido álbuns da banda de hard rock Blue Öyster Cult. A indicação desse produtor partiu da CBS, que buscava “polir” o som do Clash para atender o gosto do mercado norte-americano. Embora tivesse recebido críticas positivas da imprensa musical, Give ’Em Enough Rope teve um desempenho comercial modestíssimo nos Estados Unidos, onde ficou em 128º lugar na parada, enquanto na terra natal do Clash, o Reino Unido, o álbum ficou em 2º lugar.
Capa do álbum Give 'Em Enough Rope.
No momento em que lançava o seu segundo álbum, nos bastidores, o Clash travava um conflito com o seu próprio empresário, Bernard Rhodes, que mostrava-se um autoritário. Chegou a propor a saída de Mick Jones para a entrada de Steve Jones, ex-guitarrista dos Sex Pistols que havia recém encerrado atividades. Demitido, Rhodes foi à forra e entrou com uma ação judicial para bloquear o faturamento do Clash.
Sem dinheiro, a banda teve a sua primeira e sonhada turnê pelos Estados Unidos financiada pela CBS, em fevereiro de 1979. Apesar de tudo, a passagem do quarteto pelos Estados Unidos teria sido bem proveitosa e inspiradora. O contato da banda com a música norte-americana acabou abrindo um leque de possibilidades musicais para o Clash, indo além do minimalismo musical punk que a banda ajudou a propagar. Toda a bagagem musical inspiradora da turnê norte-americana iria influenciar o perfil musical do próximo álbum: London Calling.
A partir de maio de 1979, o Clash iniciou os ensaios para o repertório do novo álbum no Vanilla Studio, no bairro de Pimlico, em Londres, Inglaterra. O estúdio ficava no prédio que no passado foi um fábrica de borracha, e que naquele momento, servia de oficina de carros. Para ter acesso ao estúdio, Joe Strummer, Mick Jones, Paul Simonon e Topper Headon, chegaram até a ter que passar pelos carros, mecânicos e fumaça.
Com material suficiente para preencher um álbum duplo, o Clash começou as gravações do novo álbum em agosto de 1979, no Wessex Studios, em Londres. Para conduzir a produção do álbum, o Clash contou com o apoio de Guy Stevens (1943-1981), produtor que já havia trabalhado nos álbuns do Mott The Hoople.
O saudoso Guy Stevens, produtor do álbum London Calling.
Embora houvesse a decisão de que o novo álbum seria lançado em formato duplo, a postura politizada e anticapitalista do Clash – em especial, a de Joe Strummer – levou a banda defender a ideia do álbum duplo ser vendido ao preço de álbum simples. Isso criou um mal-estar entre a banda e a gravadora CBS. Muito convicto da sua ideia, o quarteto conseguiu convencer a gravadora, e o álbum duplo foi vendido a preço de álbum simples.
London Calling chegou às lojas em 14 de dezembro de 1979, há cerca de pouco mais de uma semana antes do Natal daquele ano. O álbum apresentava ao público e à crítica, um Clash mais diversificado musicalmente, ultrapassando as fronteiras do punk rock, transitando em estilos que passavam pelo pop, jazz e rockabilly, além de se reencontrar com estilos que a banda já experimentara nos dois álbuns anteriores como ska e reggae. Porém, o discurso politizado do grupo continuava afiado como nos dois primeiros álbuns tal qual uma lâmina.
A capa de London Calling mostra o baixista Paul Simonon quebrando o seu baixo Fender Precision durante um show do Clash no Palladium, em Nova York, em setembro de 1979, a partir de uma fotografia feita pela fotógrafa inglesa Pennie Smith. O designer gráfico Ray Lowry foi responsável concepção gráfica da capa do álbum, que apresenta a tipografia inspirada na da capa do primeiro álbum de estreia de Elvis Presley, de 1956.
Capa do primeiro e homônimo álbum de Elvis Presley (à esquerda), inspirou a capa de London Calling do The Clash.
Primeira faixa do disco 1, e consequentemente, a que abre o álbum de maneira geral, “London Calling” deu nome ao álbum duplo. Composta por Joe Strummer e Mick Jones, “London Calling” tem seu título inspirado na frase de identificação da BBC World Service, “This is London calling...” (“Esta é Londres chamando...”), expressão usada pela emissora durante a Segunda Guerra Mundial. A letra tece críticas à violência policial londrina, além de ressaltar, ainda que de maneira sutil, o papel renovador e revolucionário do punk no rock: “Toda aquela falsa beatlemania comeu poeira”.
“Brand Nem Cadillac” foi originalmente gravada em 1959 por Vince Taylor (1939-1991), cantor que foi um dos pioneiros do rock na Inglaterra. A versão do Clash, que traz Joe Strummer no vocal principal, se apropria do rock dos anos 1950, mas injeta o vigor do punk rock a esse clássico dos primórdios do rock inglês.
A faixa seguinte, “Jimmy Jazz”, apresenta a incursão do Clash no jazz, algo um tanto quanto inusitado para uma banda que tem suas origens dentro da crueza do punk rock. Os destaques são o naipe de metais e o solo de saxofone. “Hateful”, tem ritmo rápido, contagiante, com vocais de chamada e resposta.
Joe Strummer e Mick Jones dividem os vocais em “Rudie Can’t Fail”, um misto de reggae e rock que encerra o lado 1 do disco 1 de London Calling. A letra de “Rudie Can’t Fail” trata sobre um jovem que tem uma vida desregrada, a tal ponto de tomar cerveja no café da manhã.
Vince Taylor, primeiro astro do rock da Inglaterra: seu grande sucesso de 1959, "Brand New Cadillac", foi regravado pelo The Clash para o álbum London Calling.
O lado 2 do disco 1 começa com o pop rock “Spanish Bombs” com Strummer e Jones dividindo os vocais. A letra foi escrita por Strummer após ouvir uma notícia no rádio sobre um atentado terrorista provocado pelo ETA (organização nacional basca armada) a hotéis na Costa Brava, na Espanha, em 1979. A música faz referências à Guerra Civil Espanhola (1936-1939) ao poeta espanhol Federico García Lorca (1898-1936) e às próprias ações dos separatistas bascos.
“The Right Profile” é outra incursão do Clash no jazz presente em London Calling, porém com um arranjo mais pesado e robusto do que o de “Jimmy Jazz”. Mick Jones canta sobre o consumismo descontrolado e nocivo em “Lost In The Supermarket”, um pop rock com um arranjo leve e com apelo radiofônico.
“Clampdown” originalmente era instrumental, mas depois ganhou letra e um novo título. Escrita por Joe Strummer, a letra discute a exploração da força de trabalho pelo sistema capitalista de forma voraz. Trata-se de um olhar bastante particular de Strummer que tinha uma orientação política de esquerda.
Composta pelo baixista Paul Simonon, “The Guns Of Brixton” é um rock com sutil influência do reggae. A música faz referência ao bairro de Brixton, em Londres, onde no final dos anos 1970, eram comuns o tráfico de drogas e a violência policial. O bairro era conhecido por abrigar comunidade de imigrantes africanos. Embora se trate de uma música que é um misto de reggae e rock, “The Guns Of Brixton” é a faixa que possui a letra mais punk de todo o álbum. E é ela quem encerra o lado 2 do disco 1.
Electric Avenue, uma das principais ruas do Brixton: bairro londrino é tema da música "The Guns Of Brixton.
O disco 2 que começa no lado 3, tem como primeira faixa “Wrong ‘Em Bayo”, um animado ska cuja letra trata sobre uma partida de pôquer em que dois jogadores tenta um trapacear o outro.
“Death Or Glory” é uma homenagem ao rock’n’roll, mas que ao mesmo tempo, tece críticas indiretas às grandes estrelas do rock anteriores à explosão do punk. A letra traz um dos versos mais polêmicos do Clash: “He who fucks nuns will later join the church”. (“Aquele que fode freiras mais tarde se junta à igreja”).
“Koka Kola” é uma música com ares de jingle comercial. De curta duração, a faixa critica de maneira irônica o capitalismo e as ilusões que o mundo da publicidade vende. O Clash traça um raciocínio paralelo entre Coca-Cola e a cocaína.
Única faixa composta pelos quatro membros juntos, “The Card Cheat” possui um arranjo grandioso, imponente, e um vocal dramático de Mick Jones. O piano é o grande destaque da base instrumental desta canção. A faixa encerra o lado 3 do disco 2.
O lado 4 do disco 2 começa com “Lover’s Rock”, uma canção anti-machista que fala de amor e sexo. “Four Houseman” parece insinuar que os quatro membros do Clash seriam os quatro cavaleiros do apocalipse. A otimista “I’m Not Down” afirma que devemos encarar os desafios da vida com coragem e resistência: “I've been beat up, I've been thrown / Out but I'm not down, I'm not down / I've been shown up, but I've grown up / And I'm not down, I'm not down”. (“Eu fui machucado, eu fui jogado para fora / Mas eu não estou triste, eu não estou triste / Eu fui exposto, mas eu cresci / E eu não estou triste, eu não estou triste”).
“Revolution Rock” foi gravada originalmente por Danny Ray, um cantor jamaicano de reggae, em 1979, lançada como single meses antes do álbum London Calling ser lançado. A versão do Clash mostra a banda inglesa completamente imersa no reggae, e em nada lembra uma banda punk. Destaque para o naipe de metais e o ritmo seguro e desafiador da bateria de Topper Headon. Os arranjos das músicas são capazes de transportar o ouvinte a alguma praia paradisíaca jamaicana.
The Clash, da esquerda para a direita: Joe Strummer, Paul Simonon, Mick Jones e Topper Headon.
Na época de lançamento, as cópias de London Calling traziam registrado na lista de faixas “Revolution Rock” como a última faixa. Mas os compradores, ao adquirirem o álbum e ouvi-lo, acabavam descobrindo que havia uma “faixa oculta”, e que esta sim encerrava o álbum. Trata-se de “Train In Vain”, música que fora gravada de última hora, e quando foi incluída no álbum, as cópias das capas já estavam impressas e não traziam o nome desta música. “Train In Vain” é uma das melhores faixas do álbum, e trata sobre uma desilusão amorosa, uma temática pouco comum para uma banda punk. A canção possui um arranjo simples, direto, com uma inclinação pop e radiofônica. Um solo de gaita dá um toque diferenciado à canção. As reedições posteriores de London Calling passaram a incluir “Train In Vain” na lista de faixas.
A diversidade musical e os versos politizados de London Calling foram muito bem recebidos pela crítica especializada. Comercialmente, London Calling teve um ótimo desempenho em se tratando de um álbum de uma banda punk. No Reino Unido, o álbum chegou ao 9º lugar e foi certificado com disco de ouro um mês após o seu lançamento. Foi 2º lugar na Suécia e 4º lugar na Noruega. Nos Estados Unidos ficou em 27º lugar na Billboard Pop Albums. London Calling alcançou a marca de 2 milhões de cópias vendidas na época de lançamento.
Em dezembro de 1979, saiu o single da faixa “London Calling”, que chegou ao 11º lugar na UK Singles Chart, no Reino Unido. A música ganhou um videoclipe dirigido por John Letts.
O álbum gerou mais dois singles, “Clampdown”, lançado em 1980 (apenas na Austrália), e de “Train In Vain”, lançado em fevereiro de 1980.
Capa do single de "London Calling".
Motivado pelo sucesso de público e de crítica de London Calling, o Clash decidiu ousar ainda mais no álbum seguinte. Em dezembro de 1980 foi lançado o álbum triplo Sandinista, contendo nada menos do que 36 faixas e um caldo musical ainda mais abrangente do que o do álbum anterior, desta vez incluindo dub, rhythm and blues, funk, calypso, disco music e o nascente rap. O álbum mostra o Clash mais antenado do que nunca com as questões político-sociais: o título do álbum faz alusão ao movimento sandinista que sacudiu a Nicarágua entre o final dos anos 1970 e começo dos anos 1980. Um novo conflito entre o Clash e a CBS aconteceu porque a banda insistiu para que o álbum triplo fosse vendido ao preço de um álbum simples.
Ao longo do tempo, London Calling firmou-se como um dos mais importantes álbuns da história do rock. Em 2003, o álbum duplo do Clash ficou em 8º lugar na lista dos 500 Melhores Álbuns de Todos Os Tempos da revista Rolling Stone.
Faixas
Todas as canções foram escritas e compostas por Joe Strummer e Mick Jones, exceto as indicadas.
Disco 1
Lado 1
“London Calling”
“Brand New Cadillac” (Vince Taylor)
“Jimmy Jazz”
“Hateful”
“Rudie Can't Fail”
Lado 2
“Spanish Bombs”
“The Right Profile”
“Lost In The Supermarket”
“Clampdown”
“The Guns Of Brixton” (Paul Simonon)
Disco 2
Lado 3
“Wrong 'Em Boyo” (Clive Alphonso)
“Death Or Glory”
“Koka Kola”
“The Card Cheat”
Lado 4
“Lover's Rock”
“Four Horsemen”
“I'm Not Down”
“Revolution Rock” (Jackie Edwards - Danny Ray)
“Train In Vain”
The Clash: Joe Strummer (vocais, vocais de apoio, guitarra rítmica e piano), Mick Jones (guitarra solo, piano, gaita, vocais de apoio), Paul Simonon (baixo, vocais de apoio, vocal principal em "The Guns of Brixton") e Topper Headon (bateria e percussão).
Esse mês de julho comemora os setenta e três anos de um dos principais músicos (se não o principal) que já nasceram em nosso país, Arnaldo Dias Baptista. Líder e fundador dos grupos Mutantes e Patrulha do Espaço, Arnaldo é um exímio multi-instrumentista, tocando com muita natureza baixo, órgão, piano, violão, bateria e até instrumentos de sopro, além de possuir uma voz marcante, consagrada por uma carreira repletas de histórias, as quais vão desde seus desafetos com os ex-colegas de Mutantes Rita Lee (ex-esposa) e Sérgio Dias (irmão caçula), passam pela carreira sozinho, fazendo shows na turnê Shining Alone, um grave período de recuperação pós-tragédia no Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo e retornam a ativa com dois álbuns independentes, a colaboração do amigo Luiz Calanca e o retorno aos palcos com a serie de shows Sarau O Benedito.
Em sua longa carreira, Arnaldo lançou apenas quatro discos solo, e ainda dois discos com a seminal Patrulha do Espaço. Vamos à eles (e se você quiser conhecer os álbuns gravados por Arnaldo com o Mutantes, acesse aqui).
Lóki? [1974]
Acompanhado por Liminha (baixo) e Dinho Leme (bateria), além da participação especial de Rita Lee e com a colaboração do maestro Rogério Duprat nos arranjos, Arnaldo estreiou sua carreira solo com um álbum inigualável dentre a discografia padrão do rock nacional, quiça do rock mundial. Gravado de forma totalmente improvisada, em um único take e apenas com o overdub das orquestrações, nele Arnaldo despeja suas emoções e sentimentos contra Rita e Serginho, através de canções que marcaram para sempre a MPB, apresentando-se principalmente com o piano. Não à toa, Lóki? sempre é lembrado nas listas de melhores discos da história. Sua incapacidade de aceitar a separação com Rita aparecem em quase todo o álbum, através da comovente “Desculpe“, única canção a contar com o moog, e com uma sensacional linha de baixo, “Vou Me Afundar Na Lingerie”, uma leve balada com Arnaldo “fingindo” ter esquecido Rita, o que é dispensado na arrepiante “Te Amo Podes Crer”, aonde ouvimos o choro e lamento de Arnaldo do fundo de seu coração, “Será Que Eu Vou Virar Bolor?“, um rockaço a la Jerry Lee Lewis, e “É Fácil”, uma letra simples de apenas duas frases, mas com uma genialidade absurda. “Não Estou Nem Aí” faz a divisão entre os temas centrais, contendo um belo trabalho de Dinho, e sendo uma passagem reflexiva para Arnaldo seguir sua carreira. O afastamento prematuro do Mutantes, quando o grupo migrou para o rock progressivo e viveu em um período de retiro na Serra da Cantareira, é relembrado com a pérola “Uma Pessoa Só” (que havia sido gravada em 1973 pelo grupo no álbum O A E O Z, lançado somente vinte anos depois) e jogada de frente para o ventilador na canção que acabou dando nome ao álbum, o samba “Cê Tá Pensando Que Eu Sou Lóki?”. No meio do LP, Arnaldo demonstra seu virtuosismo e inspiração na música clássica em “Honky Tonky (Patrulha do Espaço)”, peça solo ao piano com alta capacidade de interpretação. E finalmente, uma das melhores canção da carreira de Arnaldo, “Navegar de Novo“, com o músico atirando sua raiva para a sociedade cantando dramaticamente acompanhado apenas pelo piano. Incompreendido e um fracasso comercial quando de seu lançamento, hoje é venerado por dez entre dez pessoas que o ouvem. Certamente, daqui há cem anos, quando forem citados os melhores discos de todos os tempos na música brasileira, Lóki? estará entre eles.
Após Lóki?, Arnaldo seguiu sua carreira fazendo shows espassadamente, e inclusive chegou a ser convidado para reintegrar o Mutantes (convite esse que acabou apenas com Arnaldo participando como músico solo no intervalo das longas apresentações do grupo). Em 1977, fundou o Patrulha do Espaço, grupo que revelou o talentosíssimo baterista Rolando Castelo Jr., e fez shows pelo Brasil inteiro, mas o próprio Arnaldo se demitiu do grupo no ano seguinte, e peregrinou sozinho pelos palcos principalmente de São Paulo, apresentando o show Shining Alone e tentando buscar uma gravadora para apoiá-lo. Aqui surge a figura importante de Luiz Calanca.
Singin’ Alone [1982]
Como seu único disco havia sido um fracasso comercial, ninguém se atrevia para realizar a façanha de produzir um álbum seu, e para piorar, ele mergulhava cada vez mais em drogas pesadas, principalmente LSD, que o levaram por diversas vezes a ser internado no hospital citado acima. Mas, no final de 1981, entra nos estúdios Abertura e, a la Paul McCartney nos primeiros discos solo, grava todos os instrumentos de seu segundo álbum, Singin’ Alone. Lançado no ano seguinte pelo selo Baratos Afins, de Luiz Calanca, ele é tão bom quanto Lóki?, e contém mais joias espetaculares do cancioneiro Arnaldiano, tentando provar a si mesmo que ainda tinha conhecimentos e talentos musicais que o fariam a voltar a ativa, e que assim como seu antecessor, foram gravadas quase que totalmente em um único take para cada instrumento. O interessante é que temos muitas canções com letra em inglês, cantadas gravemente, e uma vasta mistura de estilos. “Corta Jaca” parece aquelas músicas feitas por duplas sertanejas do interior paulista, com um belo trabalho de Arnaldo tanto no piano como nos vocais, também destacados em “Jesus Come Back To Earth” (em uma linha muito similar a “Será Que Eu Vou Virar Bolor?”) e “O Sol” (reconhecida posteriormente como “Sunshine”). “Hoje de Manhã Eu Acordei”, “”Sitting On The Road Side” e “Ciborg” são ótimos rock and rolls, e “Bomba H Sobre São Paulo” é uma dramática mistura de sons, para “Young Blood” e “Train” encerrar o álbum deixando um gosto de quero mais. Em tempo, Arnaldo ainda nos brinda com o seu inglês na linda balada desabafo “I Feel In Love One Day”, a experimental “Cowboy”, além da viajante “Coming Through The Waves Of Science”, com muito peso e até a citação de “Let’s Spend The Night Together”, dos Stones. Vale a pena ressaltar que grande parte das canções são da época da Patrulha, e algumas outras foram compostas em pequenas viagens de Arnaldo entre São Paulo e a cidade de Catanduva, sendo que uma delas, “Corta Jaca” foi composta quando essa viagem foi feita a pé!
Arnaldo e Lucinha Barbosa
Pouco antes do lançamento de Singin’ Alone, ocorreu o acidente que mudou a vida de Arnaldo. Após uma série de crises, e sofrendo com a depressão, o músico foi internado no Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo, de onde atirou-se do terceiro andar do setor de psiquiatria. Segundo o próprio, ele atirou-se simplesmente por que não queria passar a virada de ano sendo tratado como louco, jogando o jogo mais alto que existe: a vida. De qualquer forma, Arnaldo ficou em coma durante três meses, sendo liberado em maio de 1982 para seguir um longo tratamento de recuperação ao lado de alguns médicos e de sua nova esposa, Lucinha Barbosa, uma fã antiga que passou a cuidá-lo como carinho, dando origem a uma linda história de amor que continua até os dias de hoje.
Essa foi a fase mais complicada de Arnaldo durante toda sua carreira, já que a queda afetou gravemente os movimentos e também a fala de Arnaldo, mas felizmente não afetando sua genialidade. Suzana Braga (que havia participado como backing vocals em algumas canções de Singin’ Alone), procurou Luiz Calanca, e enquanto Arnaldo estava em coma, conseguiu assinar o contrato para o lançamento do álbum, que se tornou o primeiro desse importante selo nacional.
Disco Voador [1987]
Arnaldo seguiu em constante recuperação, investindo agora na pintura e também em algumas esculturas. E novamente com a ajuda de Calanca, lançou seu terceiro e complexo álbum em 1987. Para Arnaldo, um álbum de terapia, enviado para Calanca através de um k7 gravado em dois canais na sua própria casa, em Juiz de Fora. Para os fãs, um disco extremamente confuso e de difícil audição. Um Arnaldo triste e com diversos problemas de fala registrou algumas canções acompanhados apenas de um sintetizador, que fazia as notas do órgão e também o acompanhamento percussivo. Como advertência, o álbum traz um anúncio de que somente os fãs deveriam comprar o disco, o qual foi lançado em uma pequena tiragem de cópias. Temos algumas regravações para “Balada do Louco”, uma inglês (“Crazy – Ones Ballad”) e outra em francês (“Le Foulle Balad”) e “Jesus Come Back To Earth” (agora chamada “Jesus Volte A Terra”). A língua britânica também é utilizada para interpretar “OVNI” e “I Wanna To Take Off Every Morning” (versão para “Não Estou Nem Aí”). No mais, temos um esforçado Arnaldo tentando voltar a cantar, e mostrando sua genialidade através de letras interessantes como “Eu” e “Traduções”. É admirável ouvi-lo tocando teclados em “Rodas“, e comovente sua declaração de amor para Lucinha Barbosa em “Maria Lúcia“. Como o disco já anuncia, somente fãs reais compreendem o que está nesse disco no mínimo curioso, e de extremo valor para a carreira de Arnaldo.
O Elo Perdido [1988]
No ano seguinte, o selo Vinil Urbano resgatou a obra de Arnaldo com a Patrulha, e lançou mais um álbum essencial. Arnaldo e a Patrulha estão afiadíssimos, com uma performance impecável e brilhante, soltando a mão em hards diretos, que em nada lembram Mutantes ou a fase Lóki?. Aqui temos algumas canções que apareceram em Singin’ Alone, interpretadas com um grupo extremamente competente, expressadas em “Corta Jaca” e “Trem”, misturando country com música clássica e hard rock, além de Arnaldo soltando a voz como nunca, sem desafinar e mesmo assim, exalando emoção. “Emergindo da Ciência” é a versão em português para “Coming Through The Waves Of Science”, com toques de progressivo, e “Raio de Sol” é a canção mais rock and roll de todo o LP, bem diferente do que ouvimos no segundo álbum do cantor. Também temos novidades, como a pesada “Sexy Sua” (regravada por Lobão), o bluesão “Um Pouco Assustador” e mais uma balada emocionante, “Fique Aqui Comigo“. Abrindo O Elo Perdido, aquela que considero a melhor canção da carreira de Arnaldo, “Sunshine“, uma autobiografia sobre seu período pós-Mutantes, que contei um pouco de sua história aqui. Uma pena que o disco vendeu pouco, mas trouxe para os brasileiros (e os fãs mundiais) o talento de uma banda poderosa e de importância extrema para nosso país, além de Arnaldo com um vigor jamais atingido posteriormente, talvez na sua melhor fase como músico.
Ainda em 1988 foi lançado o excelente álbum “Faremos Uma Noitada Excelente …”, trazendo uma apresentação de Arnaldo com a Patrulha do Espaço no Teatro São Pedro de São Paulo, na data de 13 de maio de 1978. Apesar da mixagem não ser das melhores, a parte musical é perfeita, com versões pesadas e muito bem tocadas para “Emergindo da Ciência”, “Um Pouco Assustador“, “I Feel In Love One Day” e “Hoje de Manhã Eu Acordei”. Destaque para o longo solo de bateria feito por Rolando e para a peça clássica ao piano “Arnaldo Soliszta”.
No ano seguinte veio o tributo Sanguinho Novo, com artistas como Sepultura, Ratos de Porão, Atahualpa Y Us Panquis e Paulo Miklos recriando canções compostas por Arnaldo, seja em carreira solo, seja com a Patrulha do Espaço, seja com o Mutantes.
Na década de 90, o nome Arnaldo Baptista ganhou força internacionalmente, graças aos fãs famosos que não pararam de enaltecer a obra do músico (e consequentemente dos Mutantes). Dentre os principais nomes, Kurt Cobain (Nirvana), David Byrne (Talking Heads) e Sean Lennon (filho de John Lennon) foram os principais. O primeiro apresentou Arnaldo para a geração grunge, enquanto o segundo fez questão de conhecer pessoalmente o músico. O último trouxe novamente Arnaldo aos palcos durante a terceira edição do Rock in Rio, em 2001. A partir dali, uma nova fase começava.
Let It Bed [2004]
Passados alguns anos sem notícias de Arnaldo, eis que no início deste século a lenda retorna a ativa, dessa vez com a colaboração de Lobão e John Ulhoa (Pato Fu). Apesar de não trazer um material de tão alta qualidade quanto seus antecessores, é um disco muito bem elaborado, principalmente pelos arranjos. São canções relativamente curtas, que vão do jazz de “Everybody Thinks I’m Crazy”, a balada acústica “Nobody Knows”, a colagens proto-funk em “To Burn Or Not To Burn“. Algumas faixas são puro experimentalismo, como “Gurum Gudum” e “LSD”, enquanto outras são reveladas principalmente pelos arranjos, no caso “Bailarina”. “Deve Ser Amor” e “Encantamento” mostram o virtuosismo conservado de Arnaldo ao piano, mesclado com modernidades que caíram bem na concepção final da faixa, ainda mais com a citação de “Mutantes E Seus Cometas No País dos Bauretz” feita pelo piano na primeira, e a delirante guitarra alucinógena na segunda. Existe um reaproveitamento de canções da época da Patrulha do Espaço e da fase Shining Alone, mas nunca gravadas oficialmente, no caso “Imagino”, aproveitando a letra da sensacional “Imagino A Minha Morte”, e “Ai Garupa”, com a letra da canção de mesmo nome e a participação vocal de Lucinha, além da vinheta “Carrossel”, cujo tema foi utilizado no final de “Emergindo da Ciência” no álbum “Faremos Uma Noitada Excelente …”. Os melhores momentos ficam por conta do encerramento, com uma versão ao vivo de “Tacape” gravada durante a turnê Shining Alone em 1981 no Teatro da Universidade Católica de São Paulo (TUCA) e “Cacilda“, utilizando uma gravação vocal/piano de Arnaldo do final da década de 70, e com um belo arranjo de cordas, e cujo show completo foi lançado em streamingem 2013.
Em 2006, comemorando os 40 anos do tropicalismo, Arnaldo foi convidado para retornar ao Mutantes, ao lado de Sérgio Dias (guitarra, vocais), Dinho Leme (bateria) e Zélia Duncan (vocais), além de uma mega banda de acompanhamento.
O show foi registrado no álbum Live at the Barbican Center (2008), que até o momento, é o último disco a conter gravações com Arnaldo. O músico deixou os Mutantes no início de 2010, e em 2012, retornou aos palcos com a turnê Sarau O Benedito. Se virá mais uma gravação nos moldes de Let It Bed, não se sabe.
Porém, o imenso legado deixado por Arnaldo até o presente momento é o suficiente para que o mundo respeite e venere esse grandioso músico. A Consultoria do Rock deixa os parabéns para Arnaldo, desejando muita saúde e paz, pois a genialidade desse ser de outro planeta irá permanecer eternamente.