quarta-feira, 31 de maio de 2023

Newen Afrobeat - Latin Afrobeat (Chile)



"Newen Afrobeat" é a primeira banda de Afrobeat do Chile, formada em 2009, é a resposta desta parte do mundo ao estilo criado por Fela Kuti.

Segundo LP de Newen Afrobeat que retoma a pesquisa da orquestra chilena com os mestres do afrobeat e suas visitas à terra natal do afrobeat em Lagos, Nigéria. Um álbum extremamente enérgico que fala sobre desigualdade, migração, protagonismo feminino, culturas indígenas e muito mais. 









TAU CETI - Meus Dois Mundos - 2019



Engenheiro por formação e músico por vocação, o tecladista paulistano José Eduardo D'Elboux deu início ao seu promissor projeto no fim dos anos 80 quando formou o Tau Ceti ainda como um trio. Os anos se passaram e após longos estudos, resolveu desengavetar um lindo álbum solo lançado oficialmente no segundo semestre deste ano.

Intitulado por 'Meus Dois Mundos', traduz com perfeição as duas principais paixões de D'Elboux: a música clássica e o Rock Progressivo. Nesse trabalho, o músico consegue imprimir seu enorme talento e destreza ao criar lindos e, muitas vezes, complexos arranjos para órgãos, pianos e sintetizadores em peças de extremo bom gosto.





Sendo assim, o disco é dividido em duas partes distintas. A primeira é dedicada ao Rock Progressivo, incluindo várias técnicas nitidamente inspiradas em Keith Emerson, seu maior mentor.

Nesse segmento, destaco logo de cara a faixa, 'Prelúdio para Sintetizador', que abre os trabalhos com um enorme impacto causado pelos poderosos timbres extraídos de um Alesis QS7 (famoso sinthy digital dos anos 90 conhecido por sua infinidade de recursos e programações).

Outras que merecem atenção pela criatividade nas instrumentações e hamonias muito bem construídas são 'Tempestades Noturnas' e Reflexões Ectoplasmáticas, sendo esta última elaborada com uma infinidade de belos timbres, incluindo passagens de um simulador de piano e um Hammond bastante característico aos tempos áureos de Emerson no ELP. 

Fechando com maestria a seção progressiva, temos a linda 'Prelúdio Improviso Para Piano', composição de extremo bom gosto a qual me cativou bastante e a tenho como uma de minhas preferidas do álbum. Seguindo pouco ou nada aos moldes do Rock Progressivo, é uma faixa que demonstra toda versatilidade que um belo piano pode proporcionar a quem sabe realmente manusea-lo, mesmo em formato digital.

A segunda parte do trabalho de D'Elboux é dedicada a música erudita onde o músico dá ênfase a um quarteto de grandiosos compositores: Bah, Beethoven, Borodin e Bruckner. Além de composições de sua própria autoria. 

O mais interessante nesse segmento erudita é a incansável utilização de um potente Moog Prodigy que se encaixa com precisão ao gênero musical proposto e que acabou sendo inspiração ao que conhecemos por Rock Progressivo.

Os destaques aqui vão para 'Épica', uma construção de harmonias baseadas na 'Sinfonia Nr. 2 em Si Menor para Alegro' de Borodin. Também uma de minhas favoritas do disco. Valendo atenção também para 'Prelúdio Para Órgão', onde D'Elboux utiliza uma timbragem que simula um belo órgão de igreja. Faixa curta porém, muito bem executada produzindo uma encantadora atmosfera sombria, por assim dizer. 

O disco se encerra com duas faixas bônus de altíssimo nível, anteriormente lançadas no disco homônimo da banda em 1995 e rearranjadas para o trabalho atual. 'Antares', se inicia com uma bela introdução de piano seguida por um lindo solo de Prodigy, faixa esta considerada por mim como a mais progressiva de todo o disco. Encontramos também alguns fragmentos que se equiparam a uma espécie de chorus, o que nos faz remeter a um onipresente Mellotron.

Fechando a audição, uma bela releitura de Toccata (Bach) onde, mais uma vez, o Prodigy aparece em destaque em seus pouco mais de três minutos de execução em surpreendentes solos. Aqui D'Elboux destila ainda mais toda sua técnica e nítida destreza com o instrumento. 




O responsável pela produção, gravação e mixagem fica a cargo do músico e produtor Eduardo Aguillar (Vitral), proprietário do Laborátorio Pedra Branca onde o disco em questão foi gravado. 

Devo salientar aos poucos leitores deste espaço que não estou muito acostumada com obras realizadas a partir de instrumentos sampleados. Nesse trabalho em específico, temos a percussão e alguns fragmentos de baixo e bateria elaborados em formato digital e gravados em MIDI (Musical Instrument Digital Interface), que permite gravar informações musicais (em partitura ou tocadas em tempo real) para posterior reprodução. Porém, o álbum ''Meus Dois Mundos'' foi tão bem produzido que esses ''instrumentos'' acabam ficando em segundo plano, não atrapalhando em nada a proposta elaborada por D'Elboux. 

Trata-se de um dos melhores trabalhos realizados em terras brasileiras esse ano e que vale muito a pena ser conferido. 

O disco está disponível nas principais plataformas de streaming, podendo também ser adquirido fisicamente através de contato direto com o músico através do email jedelboux@hotmail.com

Deixo abaixo, amostras em vídeo de algumas faixas contidas no álbum "Meus Dois Mundos":





CARAVAN - Record Plant - 1974

 



Caravan foi formado em 1968 a partir da dissolução do Wilde Flowers, depois que Robert Wyatt e Hugh Hopper se uniram para formar o Soft Machine. A formação original consistia nos primos David e Richard Sinclair (teclados e baixo respectivamente), os irmãos Jimmy e Pye Hastings (guitarra e sopros respectivamente) e o saudoso Richard Coghlan (bateria), que permaneceu na banda até a sua morte em 2013.

Em seu primeiro álbum lançado já em 68, eles ainda estavam encontrando sua identidade na cena emergente do Rock Progressivo mas, em seu segundo trabalho (estreantes no selo Decca), 'If I Could Do All Over Again, I´d Do It All Over You' (1970), eles estabeleceram seu som e estilo próprios, uma mesclagem de pop, folk e explorações baseadas no jazz. Seu próximo e mais icônico disco, 'In the Land of Grey and Pink' (1971), tornou-se o mais aclamado pela crítica, mas encontrou certa dificuldade comercial em meio a tantos nomes do gênero que já haviam alcançado um enorme sucesso em terras inglesas.

 Frustrado com a falta de retorno, Dave Sinclair deixa a banda para se juntar a Robert Wyatt em seu novo projeto, o que viria a se tornar o Matching Mole (nada comercial). Com isso, o Caravan conta com Steve Miller para seu próximo álbum, 'Waterloo Lily' (1972), que os levou em uma direção mais sombria e de pouco retorno. Contudo, o estilo jazz/blues mais direto de Miller se chocou com o resto da banda e ele logo saiu.

Já no ano seguinte, Dave retorna a banda, já que sua passagem pelo Matching Mole não durou muito e encontra Richard de saída para fundar o genial Hatfield and The North. Para a gravação de 'For Girls Who Grow Plump in the Night', entra o guitarrista e multi-instrumentista, Geoffrey Richardson que permance até os dias atuais.  

 Embora ganhando notoriedade, a banda nunca conseguiu alcançar o sucesso que merecia. A fim de reverter tal situação, saem em uma longa turnê para os EUA no ano de 74. Após o relevante sucesso obtido na América, partiram logo para a gravação de 'Cunning Stunts' (1975) e finalmente a banda foi reconhecida pelos principais meios de comunicação do Reino Unido e EUA. 

Logo após seu lançamento, Dave Sinclair saiu em definitivo e os álbuns posteriores, 'Blind Dog At St. Dunstans' (1976) e 'Better By Far (1977)', não conseguiram expandir o sucesso do disco anterior e a banda deu uma pausa. Um renascimento nos anos 80, resultou em alguns álbuns subseqüentes, mas não conseguiu igualar toda a produção dos anos anteriores. Mas, como parece ser o padrão, a formação original se reuniu para um evento em 1990 que reacendeu o interesse que se converteu em uma nova  turnê. 

O Caravan ainda se encontra na ativa e chegou a lançar uma coletânea em 2014 intitulada por 'The Back Catalogue Songs'.

O bootleg disponibilizado corresponde a primeira turnê americana gravado para uma rádio nos estúdios da Record Plant. A contra capa desse registro diz que foi gravado em 15 de outubro de 1974. Essa data provavelmente está incorreta, pois naquele mesmo dia eles tocaram em Columbus, OH. Havia dois estúdios da Record Plant naquela época, um na cidade de Nova York e outro em Sausalito, CA. O índex oficial Calyx lista em sua cronologia um programa de rádio ao vivo em São Francisco, em 10 de novembro de 1974. Como Sausalito está localizado do outro lado da ponte Golden Gate, creio que haja uma grande possibilidade de ser esta última data citada. Na primeira faixa, o locutor confirma a gravação na Record Plant, mas não menciona o local em específico.

Bom...

Essa informação fica para os colecionadores mais exigentes que fazem questão de possuir os registros com suas respectivas datas. 

Trata-se de um excelente registro não-oficial em ótima qualidade, disponibilizado em FLAC para uma maior apreciação.


01. Announcement by radio DJ
02. Memory Lain, Hugh
03. Headloss
04. For Richard
05. Band introduction / Virgin On The Ridiculous
06. Be All Right
07. Chance Of A Lifetime
08. The Love In Your Eye




GENESIS - Chicago - 1977

 



A era pós-Gabriel no Genesis, trouxe mudanças significativas no que diz respeito a qualidade ´progressiva' dos discos lançados após o brilhante The Lamb Lies Down on Broadway em 1975. Particularmente, a 'nova' fase que se iniciou na segunda metade da década de setenta até sua última reunião em 2007, nunca me encheu os olhos.

Porém, devo admitir que o disco Wind & Wuthering foi uma grande surpresa em termos de regularidade e proporções instrumentais, bem nivelado a qualidade com que a banda executava nos seus cinco primeiros registros (69-75).

Um outro fator relevante ao declínio progressivo do Genesis, foi a saída de Hackett logo após o encerramento da turnê do disco Wind & Wuthering. Turnê esta, que também passou pelo Brasil em três capitais, meses depois da apresentação do registro em questão. Os vocais praticados por Collins nesse registro em particular, são de bom nível e com a incrível habilidade em dividir as baquetas com as complexas letras do Genesis, além de ter o apoio de Chester Tompson durante toda a execução dos shows. Não é segredo pra ninguém que nunca fui fã assídua deste nobre baterista porém, reconheço suas características como um exímio músico mas que pouco me emociona com seus atributos vocais. (Não me joguem pedras!)

Gravado durante a tour americana na cidade de Chicago, em 16 de Fevereiro de 1977, esse bootleg possui faixas que mesclam os dois discos em evidência, 'A Trick of the Tail e 'Wind & Wuthering' e alguns dos melhores clássicos que se tornaram verdadeiros hinos do progressivo mundial. 

Mesmo em FLAC a qualidade é mediana porém, uma ótima adição aos colecionadores.

TRACKS:

DISCO I

01. Intro
02. Squonk
03. One For The Vine
04. Robbery, Assault And Battery
05. Your Own Special Way
06. Firth Of Fifth
07. Carpet Crawlers
08. In That Quiet Earth
09. Afterglow
10. I Know What I Like

DISCO II

01. Intro
02. Eleventh Earl Of Mar
03. Supper's Ready
04. Dance On A Volcano
05. Los Endos
06. The Lamb Lies Down On Broadway
07. The Musical Box (Closing Section)







JETHRO TULL - SONGS FROM MANCHESTER - 1977

 



Não é segredo pra ninguém que o álbum Songs From The Wood é o meu favorito de toda a discografia lançada pelo Jethro ao longo de quase 50 anos de estrada. 

Disco que compõe a primeira etapa de uma suposta trilogia (Heavy Horses-1978/Stormwatch-1979), aborda temas da natureza e de como o homem vem a maltratando na dependência abusiva de sua sobrevivência. 

Baseado em composições mais voltadas para o Folk, Ian Anderson abusa genialmente de belíssimas passagens de flauta entrelaçadas a melodias progressivas muito bem executadas por Barre, Palmer, Barlow e Glascock.

Certamente, o bootleg disponibilizado hoje, marca uma das primeiras apresentações que compunham a tour européia da banda para a divulgação do disco em questão que seria lançado oficialmente alguns dias depois.

Gravado em 02 de Fevereiro de 1977 no Apollo Theater em Manchester, o registro conta com versões impecáveis das faixas como "Jack In The Green", "Songs From the Wood", "Velvet Green" e "Hunting Girl", sendo estas as únicas executadas para a divulgação do mesmo e com boa receptividade do público presente. Uma pena a faixa "Cup of Wonder" ter ficado de fora...

Constam também boas versões de alguns clássicos indispensáveis como "Thick as a Brick", "Aqualung" e Locomotive Breath", sendo esta última um dos destaques de todo o disco. 

A qualidade de áudio é média porém, um bootleg indispensável para qualquer admirador do gênero progressivo.


TRACKS:

01. Wond'ring Aloud
02. Skating Away On The Thin Ice Of The New Day
03. Jack In The Green
04. Thick As A Brick
05. Songs From The Wood
06. Instrumental
07. To Cry You A Song
08. A New Day Yesterday - God Rest Ye Merry Gentlemen - Living In The Past
09. Velvet Green
10. Hunting Girl
11. Too Old To Rock'n'Roll Too Young To Die
12. Beethoven's 9th Symphony (2nd & 4th Movements)
13. Minstrel In The Gallery
14. Aqualung
15. Bach's Double Violin Concerto For Solo Guitar
16. Wind-Up - Back-Door Angels - Wind-Up (Reprise)
17. Locomotive Breath - Land Of Hope And Glory - Back-Door Angels (Reprise)






Pérolas Perdidas: Rush

 

Matéria: Uma Introdução Ao Rock Progressivo Italiano

Jean Pascal Boffo – Jeux De Nains (1986, CD, France)

 

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