quinta-feira, 13 de julho de 2023

BIOGRAFIA DOS MPB4

 

MPB4


MPB4 é um grupo vocal e instrumental brasileiro formado em NiteróiRio de Janeiro, em 1965. A primeira formação contou com Miltinho, Magro, Aquiles e Ruy Faria.

Em 2004, Ruy Faria saiu do quarteto (saída esta por conta de divergências comerciais com um dos integrantes, Miltinho), sendo assim substituído por Dalmo Medeiros, ex-integrante do grupo Céu da Boca, convidado para ficar em seu lugar.

Em 2012, o grupo perde Magro Waghabi, vítima de um câncer, aos 68 anos. O cantor, compositor e arranjador, Paulo Malaguti Pauleira, ex-integrante do Céu da Boca e integrante do Arranco de Varsóvia, é convidado para substituir Magro. Após alguns shows por São Paulo, Fortaleza e Minas, sendo anunciando ainda como participação especial, nos dias 25 e 26 de janeiro de 2013, Paulo Malaguti Pauleira foi apresentado oficialmente como novo integrante do MPB4, em dois emocionantes shows no Rival Petrobras. Em 11 de janeiro de 2018, morre aos 80 anos Ruy Faria, que ficou até 2004.[1]

Seus principais gêneros musicais são o samba e a MPB. Com um repertório marcado por composições de personalidades da música popular brasileira, como por exemplo, Noel RosaMilton NascimentoChico BuarqueJoão BoscoPaulo César PinheiroAldir BlancVinicius de Moraes e Tom Jobim. O grupo apresenta-se em todo o Brasil, com sucesso de público e de crítica.

Integrantes

Primeira formação
Membros integrados posteriormente
  • Dalmo Medeiros (Rio de Janeiro, 26 de novembro de 1951) no lugar de Ruy Faria.
  • Paulo Malaguti Pauleira (Rio de Janeiro, 3 de novembro de 1959) no lugar de Magro Waghabi.


Década de 1960

MPB4, anos 1960. Arquivo Nacional.

A formação do grupo ocorreu em meados de 1964, quando Aquiles, Magro, Ruy e Miltinho integravam o Centro Popular de Cultura, afiliado à União Nacional dos Estudantes - UNE. Magro e Miltinho eram estudantes do 3.º ano de Engenharia da Universidade Federal Fluminense - UFF. Ambos tinham formação musical iniciada desde criança: Miltinho aprendeu violão na adolescência, com o instrumentista, Jodacil Damasceno, e Magro havia participado da Sociedade Musical Patápio Silva, além de ter aprendido teoria musical com Eumir Deodato e Isaac Karabtchevsky.

Ruy tinha acabado de se graduar em Direito pela mesma universidade e era escriturário da antiga agência do Instituto de Assistência e Previdência Social - IAPS. Ao mesmo tempo, trabalhava na noite carioca em dois grupos vocais e tinha sido ''crooner'' em Santo Antônio de PáduaRio de Janeiro. Aquiles era estudante secundarista e participava do coral de uma escola estadual de Niterói. De família católica, aos 17 anos, resolveu seguir carreira musical com os outros três integrantes.

Cada um dos integrantes tem um gosto musical diferenciado, embora eles tenham sido influenciados pelo grupo vocal, Os Cariocas. Miltinho, desde a adolescência, curtia música americana e Bossa-nova com os grupos Os Cariocas e Tamba Trio. Aquiles, ao mesmo tempo que tinha preferência pelo Trio Irakitan, era fã de Elvis Presley.

Em 1965, resolvem ser músicos profissionais e viajam para São Paulo. Já tinham gravado o compacto simples "Samba Bem", em 1964, pelo selo Elenco. No início, os quatro rapazes passaram por dificuldades, pois já haviam trilhado carreiras promissoras na época e seus familiares lamentaram a decisão tomada, embora não tenham enfrentado tamanhas resistências. Além disso, Aquiles era menor de idade e seu pai desejava emancipá-lo. Entretanto, tal procedimento era demorado e Ruy Faria tornou-se seu tutor. A passagem da adolescência para a vida adulta foi abrupta para Aquiles, segundo o relato de Ruy Faria, pois foi comparada à troca da Coca-Cola por cerveja.

Lá, entram em contato com artistas recém-lançados na época, como Chico BuarqueNara LeãoSidney MillerQuarteto em Cy, entre outros. Desde o início do grupo, tornam-se ativistas de uma nova proposta, a de uma música brasileira mais popular a todos os que escutarem, de forma que sejam exaltados o povo brasileiro e seus costumes e, principalmente, a crítica à situação política do país, imerso na Ditatura Militar. Desta maneira, entraram em seu repertório as músicas de protesto e sambas.

A parceria com Chico Buarque iniciou-se nesta viagem e durou aproximadamente dez anos. Durante esse período, o MPB4 firmou sua musicalidade e acompanhava-o em suas apresentações como escudeiro musical, com boas interpretações das composições de Chico, que já foi considerado como o "quinto integrante de um quarteto". Um dos maiores destaques nessa década são as músicas "Quem te viu, quem te vê" e "Roda Viva", ambas de 1967. Além disso, ganharam espaço também nos famosos festivais de música, produzidos pela Rede Record.

MPB4, anos 1960. Arquivo Nacional.

Em 1966, foi lançado o primeiro LP do grupo, com o título "MPB4". O destaque vai para as músicas "Lamento" e "Teresa Tristeza". Em 1967, foi lançado outro trabalho, com as músicas "Quem te viu, quem te vê", "Brincadeira de Angola", "Cordão da Saideira" e "Gabriela", que ficou em 6º lugar no III Festival da Música Popular da Rede Record. No mesmo festival foi apresentado o dueto "Roda Viva", com Chico Buarque, que ficou em 3º lugar.[2]

Em 1968, lançam mais um LP com o mesmo título do grupo. Desta vez, a novidade é que cada integrante do grupo tem autonomia sobre uma faixa, como explicou Magro no programa Ensaio, de 1973. Aquiles cantou a música "Estrela é Lua Nova" com o coral da Escola Municipal de Niterói, onde estudou. Miltinho estreia como compositor, na faixa "Vim pra ficar". Entretanto, apesar das inovações do grupo, o disco não obteve o reconhecimento esperado.

Ao mesmo tempo, os quatro rapazes enfrentavam dificuldades financeiras e a marca ferrenha da Censura, apesar de serem requisitados para apresentações nos palcos e na televisão. Além disso, em 1968, Chico Buarque vai à Itália para se proteger da Ditadura Militar. Sem seu parceiro, o grupo perdeu o norte e seus integrantes quase desistiram da carreira. O MPB4 tinha seus espetáculos encerrados a qualquer tempo pela Censura. Para driblá-la, os quatro integrantes tinham truques para enganar os censores, além de negociar as letras das músicas, prática que continuaria na década seguinte.

A composição vocal do MPB4 até 1968 era: Ruy, primeira voz; Magro, segunda; Miltinho, terceira; e Aquiles, quarta voz. A partir de então, quando Aquiles estudou belcanto (impostação vocal), sua professora discordou da sua posição nas vozes do quarteto e sugeriu a troca das posições vocais. Então, Miltinho, ficou com a quarta voz, e Aquiles, com a terceira. A troca permanece até hoje e percebe-se que a sonoridade das vozes ficou harmônica.

Década de 1970

Em 1970, o MPB4 lança o LP "Deixa Estar", um dos marcos principais da carreira do quarteto. O destaque principal é a música "Amigo é pra essas coisas", de Aldir Blanc e Sílvio da Silva Júnior, que reflete também o espírito do quarteto em enfrentar dificuldades juntos. Como Chico Buarque ainda não estava no Brasil, a música foi uma espécie de "independência" ao parceiro, pois eles não seriam vistos mais como "Porta-vozes do Chico", mas um quarteto vocal com personalidade própria. Outros destaques são "Candeias", com o primeiro arranjo vocal de Miltinho, "Boca do Mota", de Milton Nascimento e "Derramaro o Gai".

Em 1971, foi lançado o LP "De Palavra… Em Palavra...", que consolida o estilo do trabalho anterior. Destacam-se as músicas "Cravo e Canela", de Milton Nascimento, "O Cafona", de Marcos Valle, "Eu chego lá", de Ataulfo Alves, "De Palavra…Em Palavra…", de Miltinho e Magro, e "Pois é, pra quê", de Sidney Miller.

A parceria com Chico Buarque continua firme até meados dessa década. Ele e o quarteto viajaram para alguns países, como Argentina e Portugal. As marcas da resistência e contestação contra o Governo Militar continuam firmes nos trabalhos do quarteto, mesmo que eles tenham seus espetáculos encerrados arbitrariamente e buscado negociações em Brasília. A questão financeira também seria complicada para o MPB4, como explica Ruy Faria, em entrevista concedida à jornalista Rosa Minine. Para custear as apresentações, eles pegavam empréstimos nos bancos e, mesmo assim, corriam o risco de ter o investimento perdido com um simples ato da Censura. Mesmo alcançando sucesso de crítica e público, o sossego contra as perseguições viria a partir de 1979, ano da Lei da Anistia.

O ano de 1972 foi importante para o MPB4, pois é lançado o LP Cicatrizes, considerado como um dos trabalhos mais promissores. Miltinho destaca-se como compositor da música-título, com a parceria do jovem Paulo César Pinheiro. Os arranjos, instrumental e vocal, de Magro tornam-se mais ousados, com destaque para as músicas "Agiboré", "San Vicente", "Partido Alto" de Chico Buarque, e "Pesadelo".

Ainda no mesmo ano, o MPB4 foi considerado como o melhor Conjunto Vocal pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Um dos jurados que participaram da votação foi o jovem jornalista Maurício Kubrusly.

Em 1973, o quarteto grava a música-tema de O Bem-Amado, composta por Toquinho e Vinícius de Moraes, para a novela de Dias Gomes. Com o nome de Coral Som Livre, os rapazes do quarteto cantam de forma escondida, para driblarem os censores, que teimavam em persegui-los.

No mesmo ano, o quarteto participa das apresentações do projeto Phono 73, ao lado de Chico Buarque. Justamente no período mais duro da Ditadura Militar brasileira, esse evento ganhou um viés político, a partir da apresentação de artistas que foram perseguidos pelo regime, como Gal CostaCaetano VelosoGilberto Gil. Além disso, destacaram-se também os estreantes Raul Seixas e Odair José, e artistas consagrados, como Elis Regina.

Em 1974, o MPB4 lançou dois excelentes LPs, com avaliações positivas da crítica e do público. O LP 'Antologia' reúne pout-pourri de vários sambistas e outros nomes consagrados da música brasileira, como Dorival CaymmiNoel RosaPaulinho da Viola e o próprio Chico Buarque. Este disco alcança a venda de 70.000 cópias, um valor expressivo para a época. O LP 'Palhaços e Reis' destaca-se pelas composições de Gonzaguinha e Ivan Lins, tais como Tá Certo, Doutor e Palhaços e Reis, que também ganharam relevo nas vozes do quarteto e nos arranjos inovadores de Magro.

No ano seguinte, 1975, o MPB4 emplaca o sucesso Porto, para a novela Gabriela Cravo e Canela. A mesma música é usada também no remake desta novela, em 2012, com muito sucesso. Ainda por cima, lança o LP 'MPB4 10 anos', em comemoração ao décimo aniversário do grupo. Destaques para as músicas Inbalança e De Frente Pro Crime.

Nos anos 1970, participaram de espetáculos históricos, tais como Construção (1971), Phono 73 (1973), MPB4 no Safári (1975) e Cobra de Vidro (1978). Além disso, lançam discos que consolidam a carreira do quarteto vocal, tais como De Palavra em Palavra, (1971), Cicatrizes (1972), Canto dos Homens (1976) e Cobra de Vidro (1978), entre outros trabalhos de sucesso de crítica e público.

Década de 1980

Nos anos 1980, lançaram dois trabalhos infantis: Flicts (com o Quarteto em Cy, em 1980) e Adivinha o que é (1981), além da participação no especial da Globo, Arca de Noé, com a música 'O Pato'. Outro trabalho de destaque é o disco "Amigo é Pra Essas Coisas" (1989), com a participação dos filhos dos integrantes do MPB4 na banda de acompanhamento.

Década de 1990

Nos anos 1990, lançaram discos importantes e com grande aceitação de crítica e de público, como Samba da Minha Terra (1991). Os primeiros discos do grupo, ao vivo, foram A Arte de Cantar ao Vivo (1995) e Melhores Momentos (1999). Continuam com a parceria com o grupo Quarteto em Cy em Bate-Boca (1997) e Somos Todos Iguais (1998).

Década de 2000

Em (2000), o quarteto lança dois trabalhos, um deles com o Quarteto em Cy, Vinícius e a Arte do Encontro. Em 2004, Ruy Faria sai do grupo e Dalmo Medeiros torna-se integrante do MPB4. Em 2006, é lançado o DVD "MPB-4 40 Anos", com a participação de Chico BuarqueMilton NascimentoCauby PeixotoRoberta Sá, entre outros artistas consagrados. Em 2008, o grupo gravou, junto com Toquinho, CD e DVD ao vivo, lançados pela Biscoito Fino.

Década de 2010

Em 2012 é lançado, pela Biscoito Fino, o CD "Contigo Aprendi[3]", com versões inéditas para o português, feitas por diversos compositores brasileiros, para grandes boleros. Magro Waghabi morre[4] em São Paulo (SP) após uma longa batalha contra o câncer, no dia 8 de agosto de 2012, aos 68 anos. Paulo Malaguti Pauleira entra em seu lugar.

Ao lado de Miltinho, Aquiles e Dalmo, em 2013 o cantor e tecladista Paulo Malaguti Pauleira[5] passou a integrar a nova formação do grupo, inaugurada em show de lançamento do CD “Contigo aprendi”, no Teatro Rival (RJ). Nesse mesmo ano, foi indicado ao Prêmio da Música Brasileira, na categoria Melhor Grupo MPB, pelo CD “Contigo aprendi”.[6]

Em 2014 o MPB4 seguiu em turnê pelo país com o show de carreira. Dentro vários shows, uma turnê por seis unidades do Sesc Rio foi realizada. O LP "Adivinha o que é" (1981) ganhou reedição em CD e em DVD,[7] com animações, lançados pela Universal Music. O livro "Vozes do Magro" foi lançado em dezembro, com noites de autógrafo na Livraria Argumento (RJ) e Livraria Cultura (SP).

O ano de  2015 começou no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, com o show "Chico 70",[8] com MPB4, Roberta Sá e Marina de La Riva. Ao longo do ano o MPB4 seguiu em turnê pelo país. Em outubro estreou no Tom Brasil, em São Paulo, o show "Toquinho, Ivan Lins e MPB4 - 50 anos de música". No final do ano começaram as gravações do CD comemorativo de 50 anos de carreira do MPB4.

O ano de 2016 começou com uma série de shows "Toquinho, Ivan Lins e MPB4 - 50 anos de música" em várias cidades do país. Em maio o CD "O Sonho, a Vida, a Roda Viva" (Selo Sesc) que comemora 50 anos do MPB4 foi lançado com três dias de shows no Sesc Vila Mariana. O primeiro dia contou com a participação especial de Kleiton e Kledir. Em junho foi a vez do Rio de Janeiro receber este show, em temporada de cinco semanas no Teatro Municipal Serrador, com patrocínio do Fomento Cidade Olímpica, da Prefeitura do Rio. Em um dos shows Guinga fez participação especial.

Em 2017 o MPB4 segue com a turnê de lançamento do CD "50 anos - O Sonho, a Vida, a Roda Viva!". Nos dias 5, 6 e 7 de maio estreou o show "Você corta um verso eu escrevo outro", como parte do projeto "Cortina Fechada" do Sesc Vila Mariana. Em 15 de novembro realizou show no Teatro Riachuelo Rio para lançamento do CD e DVD comemorativos de 50 anos de carreira. Neste ano o MPB4 ganhou o Prêmio de Música Brasileira na categoria Melhor Grupo de MPB.

Discografia

  • "Samba bem" (1964) Sarau Compacto duplo
  • "Samba lamento/São Salvador" (1965) Elenco Compacto simples
  • "MPB4" (1966) Elenco LP
  • "MPB-4" (1967) Elenco LP
  • "MPB-4" (1968) Elenco LP
  • "Deixa estar" (1970) Elenco/Philips LP/CD/Digital
  • "De palavra em palavra" (1971) Elenco/Phonogram LP
  • "Cicatrizes" (1972) Phonogram LP/CD/Digital
  • "Antologia do samba" (1974) Phonogram LP/CD/Digital
  • "Palhaços & Reis" (1974) Phonogram LP/Digital
  • "10 anos depois" (1975) Phonogram LP/CD/Digital
  • "Canto dos homens" (1976) Phonogram LP/CD/Digital
  • "Antologia do samba nº 2" (1977) Phonogram LP
  • "Cobra de vidro" (1978) Phonogram LP/Digital
  • "Bons tempos, hein?!" (1979) PolyGram LP/CD/Digital
  • "Vira virou" (1980) Ariola LP/CD/Digital
  • "Flicts-Ziraldo e Sérgio Ricardo" (1980) LP
  • "Adivinha o que é?" (1981) Ariola LP/CD/Digital
  • "Tempo tempo" (1981) Ariola LP
  • "Caminhos livres" (1983) Ariola LP/Digital
  • "4 Coringas" (1984) Barclay LP
  • "Feitiço carioca-do MPB-4 para Noel Rosa" (1987) Continental LP/CD
  • "Ao vivo-do show Amigo é pra essas coisas" (1989) Som Livre LP/CD/Digital
  • "Sambas da minha terra" (1991) Som Livre CD/Digital
  • "Encontro marcado-MPB-4 canta Milton Nascimento" (1993) PolyGram CD
  • "Arte de cantar-MPB-4 ao vivo" (1995) Som Livre CD/Digital
  • "Bate-boca-Quarteto em Cy e MPB-4" (1997) PolyGram CD
  • "Somos todos iguais-Quarteto em Cy e MPB-4" (1998) PolyGram CD
  • "Melhores momentos - Ao Vivo" (1999) CID CD
  • "Vinícius-A arte do encontro. MPB-4 e Quarteto em Cy" (2000) Som Livre CD
  • "MPB-4 e a nova música brasileira" (2000) Abril Music CD/Digital
  • "MPB-4 40 anos ao vivo" (2007) Emi Music CD/Digital
  • "MPB-4 40 anos ao vivo" (2007) Emi Music DVD
  • "Toquinho e MPB-4 - 40 anos de música" (2008) Biscoito Fino CD/Digital
  • "Toquinho e MPB-4 - 40 anos de música" (2009) Biscoito Fino DVD
  • "MPB4 - Programa Ensaio 1973" (2010) Biscoito Fino DVD
  • "Contigo Aprendi" (2012) Biscoito Fino CD/Digital
  • "Adivinha o que é?" (2014) Universal Music DVD
  • Três Tons de MPB4 (Caixa com 10 Anos Depois, Canto dos Homens e Vira Virou) (2015) Universal Music CD/Digital
  • "O Sonho, a Vida, a Roda Viva!" (2016) Selo Sesc CD/Digital
  • "O Sonho, a Vida, a Roda Viva! Ao Vivo” (2017) MP,B / Som Livre CD/Digital
  • "O Sonho, a Vida, a Roda Viva! Ao Vivo” (2017) MP,B / Som Livre DVD
  • "Barra Pesada" (2019) (Caixa com 5 CDs com registros ao vivo inéditos de shows nos anos 70) (2019) Discobertas CD/Digital

Discos eventuais

Espetáculos

Prêmios

  • 1972 - Associação de Paulista de Críticos de Arte (APCA), na categoria Conjunto Vocal.
  • 1988 - Prêmio da Música Brasileira - Melhor Grupo de MPB.
  • 1990 - Prêmio da Música Brasileira - Melhor Grupo de MPB.
  • 1996 - Prêmio da Música Brasileira - Melhor Grupo de MPB.
  • 2017 - Prêmio da Música Brasileira - Melhor Grupo de MPB.

Resenha Obras De Violeta Parra Álbum de Los Jaivas 1984

 

Resenha

Obras De Violeta Parra

Álbum de Los Jaivas

1984

CD/LP

Falar de música chilena sem falar de "Los Jaivas" é um pecado.
Os Teclados de Cláudio e Eduardo Parra são mágicos, não bastasse a Guitarra sempre inspiradíssima de Gato Alquinta e todos os músicos e instrumentações "ancestrais" desta maravilhosa BANDA Monumental!

Los Jaivas é Mágia, muito além de Emoção ou Atmosfera!
Pois é isto, que me vem à cabeça quando escuto algumas obras maravilhosas de "Los Jaivas" espalhadas por toda discografia entre álbuns compostos por obras Progressivas, Prog Folk, Folk Prog e muitas vezes 100% Folk Sul Americano entre outras referências (num paralelo ao Gryphon no Folk Britânico), excelentes (dependendo do gosto pessoal e ponto de vista do ouvinte observador apaixonado por música).
Incrível (de arrepiar) a presença da mística andina nas composições e performances do músicos!

Obras de Violeta Parra, 1984:
"Álbum Duplo (ousado)" apresenta um equilíbrio das referências num improvável 1984, numa exuberância mágica das qualidades e inspirações desta BANDA em composições de Violeta Parra (considerada a mais importante folclorista e fundadora da música popular chilena - 



Resenha 66 Álbum de O Terno 2012

 

Resenha

66

Álbum de O Terno

2012

CD/LP

O Terno é um trio paulistano formado em 2009 por três amigos. De início, faziam covers de Os Mutantes, The Beatles e The Links, mas viram que esse hobby entre amigos poderia virar algo mais grandioso. O que justamente aconteceu. "66" foi feito com ajuda de financiamento coletivo via Cartase, (o que ocorreu também com o segundo álbum do trio, que é auto intitulado com o nome da banda) uma plataforma de financiamento coletivo online. O álbum, de início, foi disponibilizado em dois formatos, CD e download, que era disponibilizado de forma gratuita no antigo site d o trio, hoje esses site não existe mais. Em 2014, o álbum ganhou uma versão em LP. Resumindo nesse pequeno que irei destrinchar ao logo dessa resenha, "66" transforma O Terno no Rush brasileiro? Não, o máximo de que poderia ser o Rush brasileiro seriam duas bandas: Engenheiros do Havaí e Paralamas do Sucesso, no qual, Paralamas sola facilmente Engenheiros. Se a ideia era se tornar um Rush ou Cream se deram mal pois, fizeram algo que mistura bem a brasilidade da música junto com um rock de primeira qualidade que criou um som bem original.

O disco abre com a faixa título do álbum, "66". A faixa mostra como o trio paulistano mistura o rock clássico na famosa moda do Beat, junto com um vocal poderoso de Martim Bernardes e junto a um ritmo eletrizante que é acompanhado a um órgão marcante e uma guitarra bem polida e limpa. O andamento fica mais caótico, mas organizado com um solo de guitarra esplêndido que harmoniza com a proposta da música de mostrar: o que O Terno?Uma boa faixa de abertura. "Morto" é clássico do trio, mistura uma estética melancólica que é acompanhada pelo órgão massivamente majestoso. A bateria da faixa, para o kit que o baterista Gabriel Basile tem, é bastante completa de fazer andamento que combinam com a estética. O baixo também é presente na faixa, mesmo sendo tocado com palheta, já que baixo sendo tocado junto com palheta, não tem o costume ter uma presença forte em músicas, principalmente se for como solo. A guitarra é apagada afinal, os instrumentos que acompanham a faixa, preenchem muito bem a faixa. A faixa é a mais longa e uma das melhores do disco. "Eu Não Preciso de Ninguém" começa com uma guitarra mais inchada e que tem uma distorção bem agradável. A faixa faz uma psicodelia de uma forma bastante rápida, técnica e satisfatória para o ouvinte. O baixo é bastante groovado. A bateria é novamente completa para o som e charmosa. O solo de guitarra é simples, mas cativante e na hora do solo, entram os órgãos tocando por Tim Bernardes, vocalista, guitarrista, principal compositor e líder do trio. "Enterrei Vivo" é de início puma faixa mais calma em comparação com outras faixas, tendo um início com assovios dos membros do trio. Mas com entrada de efeitos sonoros de distorção, transformar a faixa em uma mistura aleatório de eletrônica, tropicália, blues e hard-rock. A guitarra é bem distorcida. Na maior parte do tempo não é limpa e até mesmo, suja. A bateria não tem tanto destaque, mas não compromete a estrutura da música. O baixo é bem tocado, mas não chama tanto a atenção. Uma faixa bem diferenciada. "Zé, Assassino Compulsivo". Tem um início bem caótico. Um exemplo que dou para a faixa é o início de "Workin' Them Angela" do Rush, que faz parte do álbum "Snakes & Arrows" (2007). A letra da faixa é bem macabra, narrando a história de um assassino, que é compulsivo em matar. A psicodelia dessa faixa é mais presente do que nunca, com uso de órgãos e sintetizadores, fazendo imersões com o ouvinte, ao menos, comigo isso aconteceu. A bateria volta a ter algum destaque, principalmente no uso mais massivo nos pratos de impacto. A guitarra é um pouco mais limpa comparando com a faixa anterior. O baixo não agrega em nada na música, mas tenta ser um pouco mais presente no refrão e é competente em seu papel. "Quem É Quem" tem um início bem reggae, lembrando os tempos de Bob Marley e The Police. Na faixa, temos adição de saxofone, deixando o clima da música mais profundo para o ouvinte se sentir mais imersivo. A música faz uma movimento interessante, misturando rap sendo feito com instrumentos de.rock, sendo o resultado bastante satisfatório para quem vós lhe escreve. A bateria é ousada em não usar muito a caixa e usando mais os tons. A guitarra e baixo não ousama em quase nada, mas juntos com a bateria fazem uma sinergia única. Realmente não dá para explicar o resultado dessa junção, resumindo, isso é O Terno.
"Modão de Pinheiros" a princípio, para ser uma moda de caipira a julgar pelo nome e de início é... Não, começamos a ouvir saxofone, que reaparece no final da faixa. A música começa um riffaço de guitarra um pouco abafado acompanhado pelo baixo gorduroso e a bateria tecnicamente simples e preenchendo o ambiente. O ritmo da música faz realmente parecer um modão e dos bons. A música faz uma sátira dos modões de violão com a vida urbana e "elitizado" com a cidade de São Paulo. "Purquá Mecê" tem um início bem distorcido, remetendo a psicodelia. A faixa mantém o instrumental bem abafado, justamente o contrário do vocal, que é bem limpo. A música continua com a presença do saxofone e tem adição de violão. A bateria é glamourosa. O baixo tem mais protagonismo, tem até mesmo um solo de no máximo de 7 segundos. A guitarra é o destaque, assim como o solo beeeem distorcido. "Compromisso" tem um riff condensado de efeitos de distorção de guitarra. A bateria é mais barulhenta e mais caótica em utilizar mais pratos e a caixa. O baixo não tem muito destaque, nem se quer, tem uma distorção que o alimente um pouco de luz. A guitarra é o charme real da faixa. Bem distorcida e abusando e muito, dos efeitos de distorção. Uma boa mistura de psicodelia e hard-rock. Por fim, temos "Tudo Por Ti". Temos um início bem rápido de órgão e o retorno eletrizante do saxofone. A bateria remete ao jazz fusiona. A guitarra é levemente abusiva com os efeitos de distorção. O baixo de início não tem muito destaque, mas aos poucos do tempo da faixa, ganha gradativamente um pequeno destaque. Uma excelente faixa de abertura. Para a proposta do O Terno, "66" não é a salvação do rock, afinal, o rock nunca morreu, só não está mais em tanta evidência como anos 1980 e 1990 no Brasil e no mundo. Afinal, pessoas que dizem isso, não pesquisam sobre novas bandas que surgem a todo momento não só no Brasil, mas em qualquer país do mundo. O Terno mostra que qualquer banda pode chegar ao lugar onde eles chegaram, o que basta para isso é desenvolver um som que seja o mais único e original possível, mesmo sua banda fazer covers. Uma das grandes estreias e álbuns da música brasileira do século 21. Como eu já disse, nunca O Terno será o Rush paulistano, pois não fazem algo progressivo, o que semelha eles ao trio canadense é logicamente a quantidade de músicos participantes da banda. E ainda bem não quiseram fazer o trio de Rush brasileiro, pois não combinaria em nada com a banda. "66" é testemunha que a música brasileira não morreu e vivemos de músicas que, para muitos, não podem ser consideradas músicas. Discordo dessa afirmação anterior. O rock, MPB não atrai tanto os público mais jovem como o funk, sertanejo atrai pois não está mais em evidência como era há 30 e 40 anos atrás e viraram gêneros de nicho e o público em geral, acha que rock e metal são a mesma coisa, obviamente estando enganados. "66" é um disco coeso, que por ter simplicidade, chama a atenção do ouvinte por temas engraçados, macabras e cativantes. Isso seria melhorado dois anos depois com o lançamento do segundo álbum do trio, o auto intitulado "O Terno (2014) que trazia hits, mas isso é uma outra história.


ROCK ART

 




Resenha Sorceress Álbum de Opeth 2016

 

Resenha

Sorceress

Álbum de Opeth

2016

CD/LP

Bem, notei que um dos colaboradores mais ativos da comunidade, Tiago Meneses estava escrevendo resenhas excelentes do Opeth. Notei que até então que não tinha uma resenha sobre "Sorceress" (2016). Então estou aqui hoje para dissertar essa pedrada e relatar a minha experiência da banda de metal progressivo, death metal escandinava, para ser mais preciso, diretamente da Suécia. Opeth iniciou uma trilogia em 2011 com o lançamento de "Heritage" que venhamos e conversamos, é um ótimo álbum, no mínimo para se dizer sobre ele. Mikael Åkerfeldt, vocalista, guitarrista, compositor e líder do quinteto sueca se inspirou em mitos nórdicos/suecos de uma feiticeira que mata pessoas para criar "Sorceress". Fora a adição de momentos que fazem lembrar de grandes bandas como os gigantes anglo-saxões Deep Purple, Fleetwood Mac, Led Zeppelin e Black Sabbath, Dream Theater e os compatriotas do Katatonia. Uma mistura de peso e elementos de cadência que foi se aprimorando desde algo mais acústico, e ao mesmo tempo, pesado, como no início dessa trilogia "Heritage" (2011) e o caos cadenciado e com uma proporção maior ao teclado, remetendo aos grandes tempos do progressivo clássico dos anos 1970, "Pale Communion" (2014), de um som que é um caldeirão de folk, metal e leves pitadas de prog, para algo que é homogêneo de hard-rock, heavy metal, metal progressivo, folk e death metal em um único material, diferente de álbuns que sempre abordam um único gênero musical.

O disco abre com um interlúdio de violões junto a flautas, entrando em um clima que dimensiona o ouvinte a algo intimista e que remete a era medieval, vulgo, Idade Média entitulado de "Persephone". O interlúdio mostra que a adição dos teclados em "Heritage" (2011) foi uma decisão que prova que eles fazem o som do Opeth ser mais original e diferencia a banda de outras bandas de metal progressivo que também tem tecladistas. Uma faixa se que funcionaria no meio do álbum, mas no início, é estranho. Sei que ela serve para contextualizar o ouvinte na hora de se ouvir o álbum, mas só lembrando que isso é minha humilde opinião. Depois seguimos para a verdadeira faixa de abertura, ao menos para mim que também é a faixa título do disco, "Sorceress". A faixa começa com uma virada de bateria rápido e ardente. O órgão entra de maneira suave e de maneira elegante e até mesmo, marcante e quiçá, antológica. O baixo não é tão empolgante, mas não compromete a música. As guitarras de início não são rasgadas, mas o tempo da música muda e finalmente entra o peso das guitarras PRS, afinal para Åkerfeldt, som das guitarras Paul Redd Smith são, na opinião do guitarrista base do quinteto, "são melhores para o som do Opeth, pois fazem o som que eu o identifico que são característico do Opeth". O baixo nesse novo andamento é mais groovado e ganha mais destaque. A bateria é pesada e exagerando, épica e o teclado se diminui ganhando a famosa tarefa de ajudar no tom da música nos climas de fundo da faixa "pink floydianos" que qualquer banda de prog metal faz. É uma faixa excelente e que é "a verdadeira faixa de abertura" do álbum. "The Wilde Flowers" segue na mesma sintonia da faixa anterior, mas só com algumas diferenças. Os teclados, sintetizadores e órgãos são mais contidos, aparecendo em formas mais aparentes para os ouvidos dos nos refrões e midanças de ritmos, já que comandam em todo o disco a cadência das faixas na maioria das vezes. As guitarras são menos rasgadas e levemente em grau superior, polidas em comparação a faixa anterior. A bateria segue e o baixo seguem da mesma forma, arrebatadores e coesos. E no final, tem um segmento mais metaleiro impossível, lembrando os tempos do início da banda, que era algo mais puxado para o death metal e talvez, black metal. Um arroz com feijão, junto com um filé mignon finíssimo que só Opeth poderia fazer. "Will O the Wisp" tem um segmento mais leve em termos pesados, trazendo violões, instrumentos de percussão, um baixo (finalmente) presente na faixa inteirinha e sintetizadores imitando flautas e quiçá, violinos. Uma faixa apreciativa e calma, se distanciando da fase inicial da banda e consolidando a fase mais progressiva presente desde "Heritage" (2011). "Chrysalis" é uma música que é praticamente Opeth fazendo um excepcional hard-rock no estilo de grandes bandas como Deep Purple, Led Zeppelinn e que lembra a música "Higher Ground" do Red Hot Chili Peppers, presente no álbum "Mother's Milk" (1989). Mas com uma diferença, um vocal não muito rasgado e teclados mais presentes. O solo de guitarra é simplesmente animal! Técnico e vibrante. A bateria é uma excelente mistura que Mike Portnoy e Ian Paice fariam se estivessem no mesmo corpo, um som técnico, agressivo e diversificado que harmoniza com a proposta da faixa. Uma faixa contagiante e pesada, no instrumental da faixa. "Sorceress 2" é a continuação da segunda faixa e começa de uma maneira mais intimista e acústica, com um violão e faltas, que foram feitas por um sintetizador. É uma faixa que não empolga de único, empolgando mesmo no meio para o fim da música, mas não compromete a estrutura da história que é contada pela letras de Åkerfeldt. "The Seventh Sojoum" é uma faixa que é quase inteiramente instrumental. A faixa começa com vilões e instrumentos de percussão fazendo um som que é parecido com um tango argentinos misturado com influências medievais e árabes. Com a adição de violinos fazendo um final de andamento parecido uma suíte, de tão épico que foi a essa parte, elevando a capacidade da Band de fazer um som que não seja de rock/metal e seus subgêneros..Os mesmos do quinteto no final fazendo um coral de vozes agudas, que para mim, agradaram bastante. Uma faixa que é não desprezível e que é subestimada. "Strange Brew" não é um cover da faixa de mesmo nome do trio inglês Cream, do álbum "Disraeli Gears", no qual, já fiz uma resenha. É uma faixa totalmente diferente da faixa de mesmo nome. É obviamente mais pesada, especialmente na bateria que é agressiva, rápida e técnica. Órgão, teclado e sintetizador elevam o som que a faixa quer trazer para o ouvinte. Guitarras e baixo comprem o seu papel sem muita ousadia. A faixa é a prova que fazer música cadenciadas sorte em uma diversificação do talentos dos membros do quinteto, de uma música bem metaleira/pauleira, para algo que é uma mistura de hard-rock com heavy metal, lembrando o Blue Öyster Cult. Uma faixa excelente e surpreendente. "Era" começa de uma forma mais quieta, com os famosos climas que o saudoso Richard Wright, tecladista da banda Pink Floyd, faria certamente em um impossível álbum novo da banda. Mas me quebro de susto quando vem os dois pés na porta, com seu som totalmente nervoso e agressivo, fazendo uma espécie de metal progressivo com o speed metal com as guitarras cheias de efeitos que fazem o ouvido rasgar pelo seu som foderoso. As guitarras são o destaque, por não serem muito rasgadas e distorcidas e que se completam, parecendo os irmãos Young da banda australiana AC/DC. A bateria é um outro destaque, sendo bastante técnica, agressiva e técnica, mas uma diferença que nem eu consigo explicar. O disco se.encerra com o mesmo interlúdio, só que mais curto. "Persephone (Slight Return)" não agrega em nada, tremendo o seu único da mesma forma, violões, flautas e uma voz feminina. Mas de novo, não gostei tanto dos interlúdios que iniciam e encerraram, mas eu entendo a inserção da faixa. Assim se encerra o disco, mas na sua versão deluxe limitadíssima, temos 5 faixas inéditas, mas que não agregam em nada. "The Ward" "Spring MCMLXXIV" são faixas pesadas com elementos de.folk excelentes, mas que não tão empolgantes assim. São faixas que.fariam mais sentido se fossem soltasse em um EP ou singles. Já "Cusp of Eternity", "The Drapery Falls" e "Voice of Treason" foram feitas ao vivo, junto com a Orquestra Filarmônica de Plovdiv, que é uma Filarmônica da Bulgária fundada em 1945. São faixas épicas e que seriam melhor utilizadas em um ao vivo, no estilo do Rush no "Clockwork Angela Tour" (2013), obviamente, não superando o trabalho que o trio canadense conseguiu fazer na turnê do seu último álbum de estúdio, lançado um ano antes. "Sorceress"" é um álbum que me agradou bastante, tanto pela suas letras, quanto pela instrumentalidade dos membros da banda, mostrando que a banda sempre esteve, está e estará em evolução. É difícil fazer um álbum que seja perfeito do início ao fim. Não é um trabalho fácil, é um trabalho impossivel, mas o que o Opeth fez aqui, eu chamaria de épico/lendário. O décimo segundo álbum da banda liderada por Mikael Åkerfeldt, em minha humilde opinião, marcará Opeth na história. É evidente que esse trabalho será cultuado com o passar dos anos, mesmo com os problemas, que na minha visão, possam prejudicar a experiência de se ouvir o álbum. "Sorceress" consegue finalizar essa trilogia iniciado por "Heritage" (2011) de forma brilhante e que fecha as pontas de forma Corsa e sem muitos furos de roteiro. Os erros poderiam até melhorar o que esse disco quis trazer para o publico em geral na visão de algumas visões. As letras de Mikael Åkerfeldt trazem o progressivo de uma forma única em original, junto as habilidades dos músicos que fazem do Opeth serem uma das bandas mais influentes do progressivo contemporâneo e seu tamanho para o gênero musical e para região onde vieram e conseguirem com que os países nórdicos surgem com mais artistas cada vez mais originais. Opeth está no hall das maiores bandas de progressivo da atualidade e do século. Ousaria dizer que seria de todos os tempos. Certamente, um dos melhores álbuns do Opeth e do progressivo contemporâneo.


Review: Grand Funk Railroad – E Pluribus Funk (1971)

 


Um dos maiores e mais importantes power trios norte-americanos, o Grand Funk Railroad influenciou uma pá de bandas com seu vigoroso hard rock executado com uma fúria instrumental que metia medo.

Tendo Mark Farner e Don Brewer à frente revezando-se nos vocais, enquanto Mel Schacher segurava as pontas com seu baixo personalíssimo, o grupo alcançou enorme sucesso durante a década de 1970, transformando-se em um fenômeno de popularidade nos Estados Unidos e, por consequência, em todo o mundo, atraindo multidões aos seus mitológicos shows. Para se ter ideia da dimensão do Grand Funk naquela época, os shows da banda rivalizam em público e gigantismo com os lendários concertos do Led Zeppelin.

Muito disso se deve a esse álbum. E Pluribus Funk, o disco da moeda, foi lançado em 15 de novembro de 1971 e é o quinto trabalho de estúdio do trio (vale mencionar também o ótimo ao vivo Live Album, de 1970). Nele estão algumas composições que se tornariam cavalos de batalha do grupo como "Footstompin' Music", "People Let's Stop the War" e a impressionante "Loneliness", onde os caras são acompanhados por uma orquestra.


Na época o álbum ganhou uma edição especial que vinha em uma embalagem de metal em formato de moeda. Essa edição da época (não os lançamentos posteriores) é bastante rara e disputada avidamente por colecionadores.

Vale citar também que a discografia do Grand Funk Railroad foi relançada em 2002 com todos os discos remasterizados e repletos de faixas bônus. Esse relançamento ocorreu também no Brasil, inclusive com as edições nacionais sendo consideradas melhores que as importadas, fato dificílimo de acontecer. Quem afirmou isso foi o respeitado jornalista Bento Araújo, editor da Poeira Zine e fã declarado do Grand Funk.

Aqui você leva, além das sete faixas originais, quatro bônus: "Live Medley: I'm Your Captain / Closer to Home", "Hooked on Love" , "Get It Together (Recorded in Dayton, OH 4/27/71)" e "Mark Say's Alright (Live)".

Discaço, item básico em toda coleção.



Review: Deftones – Ohms (2020)

 


Durante o estouro do nu metal do início dos anos 2000 você tinha uma nova banda aparecendo a cada semana. Entre as dezenas de Limp Bizkits e Linkin Parks havia esses caras que se destacaram pela excelente musicalidade, o que transformou White Pony (2000) em um dos álbuns mais fortes dessa cena.

Em contraste com a grande maioria dos grupos do estilo, os músicos do Deftones eram instrumentistas muito melhores. Eles passaram por períodos de turbulência e mudanças de formação, mas sempre mantiveram a cabeça erguida. Tudo isso poderia render um grande livro ou filme, já que o grupo está entre os únicos sobreviventes significativos daquela época, ao lado do KoRn e do Slipknot.

A evolução da sonoridade do Deftones ficou clara nos discos que a banda lançou na década de 2010, como Diamond Eyes (2010) e especialmente Koi no yokan (2012). A banda expandiu a sua música e se tornou mais experimental.

Ohms é de longe o melhor álbum da banda norte-americana em uma década. Eles voltaram a gravar trabalhos consistentes, e a produção é simplesmente ótima. Chino Moreno ainda soa bem nos vocais, e isso faz muito diferença. Ohms possui duas canções fantásticas: "Genesis", com grandes sintetizadores atmosféricos, e a excelente faixa título. No entanto, as peças mais experimentais são genuinamente fascinantes, como é o caso de "Pompeji" com seus sons de pássaros e da natureza. "The Spell of Mathematics" talvez seja a música mais fenomenal do trabalho, e se destaca por apresentar um baixo total notável e efeitos de "clap" que graciosamente duram dois minutos e meio e fecham a música em alta.

No geral, a sensação é de que Ohms poderia ter mais músicas. O disco é melhor do que Gore (2016), seu antecessor, e embora não atinja os pontos altíssimos de White Pony mostra uma banda que, depois de vinte e cinco anos de sua estreia, ainda parece imparável.

Não é um trabalho alucinante, mas é um retorno muito bem-vindo.



Review: Caligula’s Horse – Rise Radiant (2020)

 


O quinto álbum dos australianos Caligula’s Horse é uma demonstração potente da identidade que eles gradualmente aprimoraram até este ponto: mestres do rock  e metal progressivo cativante, vibrante e edificante, mas ainda com grande abordagem técnica. Se eles estavam buscando uma declaração direta dessa identidade, cortando os desvios ou gorduras potencialmente desnecessárias, então certamente tiveram sucesso.

Em primeiro lugar, o álbum parece incrível. É incrivelmente bem produzido, com um equilíbrio perfeito entre todos os pequenos detalhes das músicas. Isso complementa o segundo ponto: a banda também está mais concisa do que antes. Eles não perdem tempo, bombardeando o ouvinte com alguns de seus golpes rítmicos mais intensos, que soam muito bem com essa produção polida. Como contraponto aos ritmos de marcantes característicos do djent ouvimos, em algumas faixas, os refrãos extremamente cativantes do vocalista Jim Grey.

Falando estritamente em termos de melodias vocais, este é provavelmente o melhor álbum do Caligula’s Horse. Você vai cansar de apertar o replay em canções como os singles "The Tempest", "Slow Violence" e "Valkyrie". No final, em "The Ascent", a banda nos lembra que também pode escrever canções com múltiplos humores e mudanças dinâmicas. É uma ótima música, mas ainda abaixo de um peso pesado prog na escala de "Graves", presente no disco anterior, In Contact (2017).

De fato, os críticos apontam corretamente que Rise Radiant carece dos surpreendentes momentos "uau" ou da diversidade de estruturas musicais e texturas sonoras que podem ser encontradas em In Contact, que permanecerá como o pico do Caligula’s Horse de um ponto de vista puramente criativo. A suave "Resonate" não está à altura dos "suaves interlúdios" do passado da banda.

Rise Radiant certamente agradará os fãs de longa data e novos ouvintes com a costumeira mistura de letras bonitas e poderosas, desempenho vocal excepcional e guitarras nítidas e vigorosas, todas combinadas e habilmente embaladas em canções individualmente eficazes, talvez melhor do que nunca. Esse disco está repleto de singles poderosos, o que certamente fará com que seja um grande sucesso para a banda. No entanto, a experiência total do álbum, com uma coesão que pode ser percebida como "mesmice" e uma falta de surpresas ou recompensa grandiosa, deixa-o um pouco aquém do melhor que sabemos que a banda pode entregar.

Excelente, mas não dá para chamá-lo de uma obra-prima.



Chuck Berry – Berry Is On Top (1959)


 

Se Little Richard era o filho, e Elvis o espírito santo, Chuck Berry será sempre o pai. Devemos-lhe tudo.

Berry Is On Top, de ’59, diz-se terceiro álbum de estúdio mas mais parece um best of, tantos são os singles demolidores que colige: “Johnny B Goode“, “Roll Over Beethoven“, “Carol“, “Maybellene“, “Little Queenie“; isto não é um disco, é uma declaração de guerra!

Com uma estética dominada pela sua guitarra distorcida – quer no ritmo gingão, quer na bazófia dos solos -, Berry criou o idioma que ainda hoje é o do rock. A sua modernidade é incrível, com a guitarrada de abertura de “Johnny B Goode” a soar mais pesada do que muito rock pussy do século XXI.

Mais: escrevendo as suas canções, e driblando as palavras com desenvoltura, Chuck criou a matriz dominante a partir dos anos 60: rock é autenticidade, pá; faz-te um homem, mas’é, e escreve os teus próprios temas.

Chuck Berry
Com uma estética dominada pela sua guitarra distorcida – quer no ritmo gingão, quer na bazófia dos solos -, Berry criou o idioma que ainda hoje é o do rock.

A nova música, o rock’n’roll, transbordava de vitalidade, tornando Tin Pan Alley um trapo obsoleto; mas também conseguia ser pueril quando queria: “be-bop-a-lula, she’s my baby” não é propriamente Shakespeare, convenhamos. Acontece que Chuck Berry faz a dobradinha, conciliando a rebeldia de Little Richard com a sofisticação literária de Cole Porter. A sua métrica fluida e sincopada, com jogos fonéticos e até palavras inventadas, sobem a fasquia artística da nova ordem para um novo patamar. Na década de 60, os Beatles e os Stones cobririam a parada.

Com as suas vinhetas da vida juvenil, escritas com humor e atenção ao detalhe, Berry ajudou os adolescentes de todo o país a definirem-se enquanto geração, a primeira a ter uma cultura própria e uma música só sua: o vibrante rock’n’roll.

Se Elvis era um branco que amava o rhythm and blues, Chuck Berry era um negro que adorava o country, encontrando-se os dois na mesma vontade de derrubar barreiras raciais. O seu primeiro sucesso, “Maybellene”, tinha um travo country tão forte, que muitos pensavam que Berry era um hillbilly branco. A letra é deliciosa, um homem traído perseguindo de carro a sua namorada infiel, ele no seu modesto Ford, ela no seu luxuoso Cadillac, uma metáfora engenhosa das barreiras de classe e de raça.

Se Little Richard era o filho, e Elvis o espírito santo, Chuck Berry será sempre o pai. Devemos-lhe tudo.



Destaque

Dio - Dream Evil (1987)

  Na segunda e última metade da década de 1980 as bandas de heavy metal pareciam perder as forças fazendo várias mudanças que nem sempre agr...