terça-feira, 3 de outubro de 2023

Marco Antonio Araujo

 



Na década de 70, a Música Popular Brasileira tinha como principal fonte de pensadores não o Rio de Janeiro, e tão pouco a pauliceia desvarada, mas sim, o jeitinho manso, comendo pelas beiradas, dos músicos mineiros. O Clube da Esquina de Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e Toninho Horta fez a segunda revolução da música nacional (a primeira realizada em 1967-68 com a união dos baianos Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa com os paulistas Rita Lee, Sergio Dias e Arnaldo Baptista), transformando o rock lisérgico da Tropicália em um som mais profundo, ampliando os horizontes da Música Popular Brasileira principalmente ao usar de instrumentos acústicos para fazer rock.

O álbum Clube da Esquina (1972) é talvez o maior representante dessa geração, que durante boa parte dos anos 70 foi sinônimo de sucesso em nosso país. Aquele álbum gerou inúmeras consequências e filhos, dentre eles Marco Antônio Araujo.

Marco Antônio começou a desenvolver seus estudos musicais na década de 60, chegando a fazer parte do grupo Vox Populi (que depois transformou-se no Som Imaginário), e durante o início dos anos 70, viveu na Inglaterra, voltando para o Brasil onde aperfeiçoou sua técnica musical, principalmente no violão clássico e no violoncelo. O início de sua carreira como músico foi criando trilhas sonoras para filmes, teatro e balé - no balé ele conheceu sua esposa, Déa Marcia de Souza - e fez parte da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, tocando violoncelo, e onde conseguiu angariar fundos para a realização de seu sonho: a construção de um estúdio próprio de gravação.

O Strawberry Fields Forever foi fundado em 1979, mesmo ano que Marco Antônio passou a ser acompanhado pelo grupo Mantra, formado por Eduardo Delgado (flauta, percussão), Ivan Correa (baixo, futuro Sagrado Coração da Terra), Antonio Viola (violoncelo), Mario Castelo (bateria), Philip Doyle (flugelhorn),  e o irmão Alexandre Araújo (guitarras).

Marco Antônio revelou-se ao mundo através de quatro álbuns essenciais para aprendermos sobre a rock progressivo nacional, deste que foi um dos maiores músicos/compositores que nosso país já viu e ouviu. Como forma de homenagear seus 65 anos, segue uma breve análise sobre sua discografia.

A estreia com o audacioso Influências

A estreia para o Brasil foi batizada Influências, um disco bastante audacioso, a começar pela ótima levada da faixa-título, com seu tema central feito pelo violão elétrico acompanhado por um um naipe de metais formado por Edmundo Maciel e Edson Maciel (trombone) e Amilton Pereira e Mauricio Silva (trompete), e ainda a essencial participação de Eduardo e Alexandre, os principais músicos por detrás das peças criadas por Marco Antônio. 


O talento e genialidade como compositor ficam para as duas suítes do lado B: "Panorâmica", com sua introdução misturando flauta, harmônicos e uma maluca escala de baixo, remetem-nos aos viajantes tempos de Lark's Tongues in Aspic (King Crimson), e transformando-se em uma linda peça com solos alternados de guitarra e flauta, alternando entre momentos pesadíssimos e outros essencialmente leves; "Folk Song", uma suíte dividida em duas partes distintas, a primeira com sons de pássaros, vocalizações e a steel guitar de Alexandre fazendo suas intervenções sobre o dedilhado hipnótico do violão, e a segunda mais popular, alegre e com guitarra, violão, flauta, baixo e bateria trabalhando como se fossem um único instrumento. 

"Cantares" é a canção que considero ideal para ser apresentado ao mineiro, com um incrível arranjo musical para violão, flauta, guitarra e violoncelo. Marco Antônio ainda dá um espetáculo a parte dedilhando seu violão em "Bailado" e "Abertura n° 2", que lembram bastante o Recordando o Vale das Maçãs em sua segunda geração, nos anos 90, sendo que na última, o solo de Eduardo - acompanhado apenas por barulhos percussivos e o dedilhado do violão - é para encharcar os lenços com lágrimas. 

A versão em CD trouxe dois bônus: "Entr'Act I & II", uma tensa peça levada apenas pelo complicado dedilhado de violão clássico e uma insana flauta,  e "Floydiana II", destacando Max Magalhães na introdução, feita com o piano, dessa faixa que é a sequência de um dos grandes sucessos do músico, registrado em seu segundo LP. A ordem das canções também foi alterada em relação a um dos grandes álbuns de estreia do rock progressivo nacional.

O maduro Quando a Sorte Te Solta Um Cisne Na Noite
Entre 04 e 10 de outubro de 1982, Marco Antonio (agora sem o acento, por motivo que desconheço) e o grupo Mantra entraram nos estúdios para a gravação do segundo álbum, Quando a Sorte Te Solta Um Cisne Na Noite, lançado ainda em 1982, o qual é bem mais maduro e belo do que seu antecessor. 

Nele, está contido o maior sucesso da carreira do mineiro, "Floydiana", com a participação de Max Magalhães ao piano e também Sérgio Gomes nas trompas, sendo a versão aqui registrada praticamente idêntica a "Floydiana 2", que entrou no CD de Influências, com sua levada mezzo caipira, mezzo clássica, destacando a imponente sessão com os metais e o lindo solo de flauta feito por Eduardo. 

Marco Antonio cresce como compositor, e pelo menos três faixas são representativas desse salto musical, sendo uma delas "Adagio", uma arrepiante canção com a flauta sendo o principal instrumento, acompanhado sublimemente por piano, violão e violoncelo, este tocado por Antonio Maria Viola. Viola também é responsável pelos preciosos solos da faixa-título, a qual é dedica para ele, e que é uma balada excepcional somente com o violão de Marco Antonio e o piano de Max Magalhães acompanhando os lindos improvisos do violoncelo. 

Grupo Mantra

É nesse álbum que está aquela que considero a melhor canção de Marco Antonio junto do Mantra, a épica "Pop Music", pérola na qual Marco Antônio apresenta-se não somente com o violão Ovation, mas também tocando percussão e um raro instrumento fabricado exclusivamente para ele, a Viola Grávida. Ouvir os dez minutos dessa sonzeira é simplesmente penetrar no paraíso, com todas suas intrincadas variações, os duelos insanos de flauta e guitarra, a inqualificável performance de Marco ao violão, e a pegada forte de Ivan e Castelo tornam esta um dos pilares da música progressiva brasileira, e de dificílima reprodução, mostrando toda a capacidade de Marco Antonio como compositor. 

Uma pena que poucas pessoas deram valor a essa preciosidade nos anos 80. Ainda temos "Alegria", canção que nos remete aos sons nordestinos, levada pelo agitado violão de Marco Antonio e recheado de duelos de flauta e guitarra. 

A versão em CD trouxe três bônus: "Ilustrações", triste e bela peça clássica com o flugelhorn solando sobre o acompanhamento de um quarteto de cordas, "Cavaleiro – trilha Balé Cantares", maluca peça composta na década de 70 para uma apresentação do grupo Corpo, de Belo Horizonte, tendo Marco Antonio dando um show à parte no violão clássico, além de encarnar Jimmy Page ao tocar violão com o arco de violino, e "Sonata para cello e violão", peça clássica que deveria ser apresentada pelos professores de música aos seus alunos, tamanha complexidade da mesma, e um bom exemplo do talento de Marco Antônio não só como compositor, mas como violonista.

Apesar de bem recebido pela crítica, Marco Antonio sabia que podia fazer mais, e assim, largou Minas Gerais rumo ao Rio de Janeiro, onde registrou seu mais audacioso álbum.

O trabalho mais inspirado da carreira de Marco Antonio Araujo
Gravado em janeiro de 1983 nos estúdios Link Comunicações, na cidade maravilhosa, Entre um silêncio e Outro conta com direção musical de Jaques Morelenbaum, responsável pelo violoncelo nas duas suítes que ocupam o LP que é dedicado à professora de Marco Antonio, Esther Scliar, sendo um disco inesquecível e bastante diferente dos seus antecessores. Não há participação do grupo Mantra, apenas uma quarteto de câmara formada por violão, violoncelo (Morelenbaum e Márcio Mallard) e flauta (Paulo Guimarães). 

São apenas duas longas suítes, uma mais encantadora que a outra. "Fantasia n° 2 - Romance", suíte dividida em seis partes - "Prelúdio", "Scherzo", "Interlúdio", "Ária", "Divertimento" e "Coda" - que ocupa o Lado A do vinil, é uma incrível peça musical, emocionalmente forte, com o dolorido violoncelo de Márcio sendo o principal instrumento em solos comoventes, seja sozinho ou acompanhado pelo fantástico arranjo do violão clássico de Marco Antonio, que aqui disputa sua carreira com monstros do violão brasileiro como Turíbio Santos, Elomar e Daniel Wolff de igual para igual não somente na arte de tocar violão, mas também de compor peças clássicas.  

Capa interna de Entre Um Silêncio e Outro

Já "Fantasia n° 3 - Folhas Mortas" conta apenas com o trio Paulo, Jaques e Marco Antonio. Nesta, Marco Antonio é sem dúvidas o grande destaque, com uma performance soberba durante as quatro partes da canção, dividas em "Prelúdio" (somente com violão clássico), "Brincadeira" (solo de flauta), "Só" (solo de violoncelo) e "Trio" (unindo os três instrumentos). A formação clássica abrilhanta-se como uma lua cheia, encantando os ouvidos que ficam extasiados com a audição de um disco perfeito, que talvez seja o que melhor mostra as qualidades de Marco Antônio também como músico. Os que não são acostumados com a música de câmara irão detestar, mas os apreciadores dessa arte irão deliciar-se com talvez o melhor disco do estilo lançado em nosso país, e fácil (para mim) o melhor do mineiro. 

A versão em CD veio com os bônus "Abertura I", peça clássica que lembra composições medievais, tendo como adendo uma virtuosística sessão feita pelo violão, e as versões acústicas para "Abertura II" e "Cantares", ambas originalmente gravadas em Influências, e que casou muito bem na ideia do álbum, com o violoncelo fazendo as linhas da guitarra, e contando ainda com a participação de um pequeno naipe de metais, durante a primeira, e a flauta brilhando ainda mais, fazendo os solos de guitarra da versão original, enquanto o violoncelo emula o solo de baixo, fora que Marco Antônio parece ter evoluído centenas de anos no violão.

Em 1984, é lançada a excelente coletânea Animal Racional, trazendo canções dos dois primeiros álbuns de Marco Antonio, e que vendeu relativamente bem no país, elevando o nome do mineiro entre os apreciadores de música, e angariando cada vez mais elogios de uma mídia que ainda fechava seus ouvidos para o talento do músico e compositor.

O último álbum de Marco Antonio Araujo

Para Lucas, lançado em 1984, o grupo Mantra retorna, adicionando os sintetizadores de José Marcos Teixeira e com um novo baterista, Lincoln Cheib (futuro Sagrado Coração da Terra), além dos já conhecidos Alexandre Araújo (guitarras), Eduardo Delgado (flauta), Ivan Correa (baixo), Max Magaçhães (piano) e Jaques Morelenbaum (violoncelo), e com esse time nasce o álbum clássico de Marco Antonio, que virou referência para uma geração de músicos brasileiros na década de 80, e ainda influencia muitos nomes nos dias de hoje. 

Dedicado ao filho recém-nascido, Lucas divide-se em uma suíte fantástica e três pequenas obras-primas. A suíte é "Lembranças", que ocupa todo o lado A (algo raro para o rock nacional na década de 80) recheada de solos de flauta e guitarra, e uma pegada hardiana que dificilmente encontraremos em outra canção da carreira de Marco Antonio, entrando para a lista de Maravilhas Prog compostas pelo mineiro, e abrindo alguns minutos para ele nos impressionar com um arrepiante tremolo. 

No lado B, estão "Para Jimmy Page", intrincada homenagem ao guitarrista do Led Zeppelin, com Marco Antonio abusando das escalas e afinações diferentes que Page adorava criar, "Caipira", que apesar do nome, em nada tem do esperado "caipirismo" mineiro, mas sim uma composição na mesma linha dos dois primeiros álbuns, e a faixa título, apenas com Marco Antonio dedilhando seu violão acompanhando o solo de sintetizador. 

O CD de Lucas contém como bônus "Brincadeira", uma bonita peça feita apenas com violão clássico e flauta, mais uma vez exaltando todas as qualidades como músico e compositor de Marco Antônio, "Cavaleiro", uma canção mais intimista, feita para flauta, violão e violoncelo e sem elementos de música clássica, destacando as vocalizações acompanhando o violoncelo na segunda parte da canção, e "3rd Gymnopédie", uma dolorida e emocionante apresentação do violoncelo e da flauta acompanhados por sutis acordes de violão, infelizmente os últimos registrados pelas mãos do músico mineiro.

Marco Antonio partiu para sua primeira grande turnê brasileira, acompanhado do grupo Mantra, turnê que ocupou boa parte do ano de 1985. 



No dia 07 de janeiro de 1986, Marco Antonio iria receber o prêmio de melhor instrumentista do Brasil, concedido pela revista Veja, mas repentinamente, dias antes ele sofreu uma hemorragia cerebral, que o levou a um coma profundo e infelizmente, a sua morte, com apenas 36 anos, deixando um legado jamais esquecido por seus fãs, e que trouxe aqui para ser (re)descoberto aos que nunca souberam que o Brasil teve um guitarrista capaz de fazer frente com gigantes do rock progressivo mundial.








Poco - 1969-07-05 - Eagles Auditorium, Seattle



Poço

05/07/1969 
Auditório das Águias
Seattle, WA

OK, para encerrar esta breve olhada em Poco e um mini-tributo à força orientadora de Poco por mais de 50 anos, Rusty Young , aqui voltamos aos primeiros dias de turnê da banda, 1969, mais ou menos após o lançamento de seu primeiro álbum, Pickin' Up the Pieces (1969). Esta é a primeira gravação de show do Poco que eu conheço (infelizmente é uma gravação de público que só tenho em formato Mp3 de 192 kbps de qualidade inferior). Mas mesmo nesta fase, eles já estavam tendo problemas de formação, pois o baixista Randy Meisner saiu durante a mixagem do primeiro álbum (supostamente devido a disputas com Richie Furay), deixando-os com falta de pessoal para a turnê do próximo álbum de estreia. Então Jim Messina fez covers de baixo quando necessário para os shows ao vivo (além de um pouco de guitarra) e a banda continuou temporariamente a turnê como um quarteto. Mais tarde naquele ano, Timothy B. Schmit seria contratado para substituir Randy, e seria um membro importante da banda até 1977 (quando se juntou aos Eagles , para substituir Randy Meisner mais uma vez). Mas aqui temos a jovem banda tocando alguns sets impressionantes, tocando todas as músicas de seu primeiro álbum, bem como várias músicas que mais tarde estariam em seu segundo e terceiro álbuns, Poco (1970) e Deliverin'(1971), bem como alguns que permaneceram inéditos por décadas. Ouça como foi a empolgação inicial em relação a Poco neste programa desde os primeiros dias. Como sempre, é a guitarra pedal steel de Rusty Young e os vocais de Richie Furay que realmente se destacam, assim como seu som e estilo únicos.  


Tracklist:
Set 1 early show
01. Pickin' Up The Pieces
02. Hurry Up
03. My Kind of Love
04. Nothin's Still the Same
05. Just In Case It Happens, Yes Indeed
06. Grand Junction
07. A Child's Claim To Fame
08. Make Me A Smile
09. Nobody's Fool
10. El Tonto De Nadie Regresa

Set 2 late show
11. What A Day
12. Do You Feel It Too?
13. Calico Lady
14. Anyway Bye Bye
15. I Guess You Made It
16. Just In Case It Happens, Yes Indeed
17. Grand Junction
18. Consequently, So Long
19. Pickin' Up The Pieces
20. Short Changed
21. Nobody's Fool
22. El Tonto De Nadie Regresa

Formação:
Richie Furay - guitarra, voz
Jim Messina - guitarra, baixo, voz
Rusty Young - guitarra pedal steel, Dobro
George Grantham - bateria, voz



Association P.C. – Sun Rotation (1971, LP, Germany)




Tracklist:
A1 Idee A 4:29
A2a Scorpion 6:47
A2b Neuteboom 5:42
A2c Scorcussion 5:56
B1 Silence 0:18
B2 Don Paul 3:09
B3 Totemism 16:45
B4 Frau Theunissen 1:10

Musicians:
Bass, Electric Bass – Siggi Busch
Drums – Pierre Courbois
Electric Guitar, Twelve-String Guitar – Toto Blanke
Electric Piano, Organ – Jasper Van't Hof

A Association PC foi fundada em 1969 pelo tecladista holandês Jasper van't Hof junto com o baterista holandês Pierre Courbois e o guitarrista alemão Toto Blanke. O baixista ora era o holandês Peter Krijnen, ora o alemão Sigi Busch. A Association PC lançou seu primeiro disco "Sun Rotation" em 1971. A banda produziu uma síntese de jazz, rock e música de vanguarda lembrando às vezes Soft Machine e foi altamente aclamada no Berlin Jazztage de 1971. "Oitenta por cento da Association PC era eletrônica", Jasper lembra.
Em 1972 a banda lançou seu segundo disco "Erna Morena", o último com Jasper van't Hof que deixou a banda para formar Pork Pie com Charlie Mariano e Philip Catherine. No lançamento de 1973 "Rock Around The Clock" ele foi substituído por O pianista alemão Joachim Kühn. O disco se afastou do som orientado para Canterbury e integrou elementos de free-jazz. Seu último disco, "Mama Kuku" (1974), continha gravações ao vivo de 1973, nas quais a banda foi acompanhada pelo flautista americano Jeremy Steig. A Association PC continuou em turnê até 1975.


Mass Media – Opacità Scura (1978, CD, Italy)




Budgie - In For The Kill (1974)



 

Este post é minha homenagem a Burke Shelley e à maior banda de rock do século 20 - Budgie.

Influenciado por sua cena musical local e, claro, pelos Beatles, Burke Shelley formou o Budgie em 1967 com o baterista Ray Phillips e os guitarristas Kevin Newton e Brian Goddard, mas Newtown saiu no ano seguinte e o antigo Tony Bourge foi contratado como seu sucessor e ele ajudou a produzir a era mais frutífera da banda como co-escritor confiável de Shelley.

O som ouvido em álbuns seminais como o álbum de estreia autointitulado de Budgie (1971), Squawk (1972) e Never Turn Your Back on a Friend (1973) empurrou o hard rock para lugares mais pesados ​​e a banda é amplamente considerada como uma banda de proto-metal que influenciou nomes como Metallica e Van Halen. Muitos fãs de metal provavelmente foram apresentados ao grupo através dos covers de "Crash Course in Brain Surgery" e "Breadfan" do Metallica, enquanto o Van Halen, em seus primeiros dias, era conhecido por fazer um cover da faixa-título do quarto álbum de Budgie, In for the Kill! , lançado em 1974.

Burke Shelley, Tony Bourge, Pete Boot

Entre 1971 e 1982, Budgie lançou um total de 10 álbuns completos e eles se separaram originalmente em 1988. Uma breve reunião ocorreu em 1995 e 1996, onde a banda fez shows únicos antes de se reformar novamente em 1999. Mais um álbum, Você é All Living in Cuckooland, lançado em 2006.


 
The Making Of 'In For The Kill'
Depois que Budgie lançou seu terceiro álbum 'Never Turn Your Back On A Friend' em 1973 (considerado por muitos como seu melhor lançamento), divergências dentro da banda surgiram, resultando na saída do baterista Ray Phillips da banda. Como os compromissos existentes da turnê precisavam ser cumpridos e o agente da banda não queria cancelar a turnê, um baterista substituto teve que ser contratado rapidamente para honrar as datas. Burke lembra: "Quando Ray saiu, tivemos o problema de tentar encontrar alguém para ocupar seu lugar. Pete Boot apareceu porque nosso agente na época disse: 'Não vou cancelar shows só porque Ray Phillips saiu. Vou pegar um baterista substituto'. Nos sentimos obrigados a fazer isso. Ele já conhecia Pete Boot e mande-o junto'.

Pete Boot, Tony Bourge, Burke Shelley

Pete então permaneceu para a gravação de nosso álbum seguinte, 'In For The Kill', devido à pressão da MCA sobre a banda para um novo álbum.

Sete faixas finalmente surgiram das sessões de gravação, incluindo uma versão editada de Zoom Club / Wondering What Everyone Knows.

A maior parte da música gravada para o quarto álbum de estúdio de Budgie foi escrita durante os shows durante as datas de 1974. In For The Kill alcançou a posição 29 nas paradas do Reino Unido em 1974.

Burke Shelley: In For The Kill foi o álbum em que Pete Boot apareceu. Lembro-me de ensaiar as músicas em Barry, no Memorial Hall, durante todo o dia. Era uma questão de fazer Pete ensaiar o set rapidamente. Estávamos tentando escrever músicas, tentando juntar coisas e fazer shows ao mesmo tempo. Embora tenhamos feito o primeiro álbum em alguns dias, a questão é que ele estava escrito e pronto. Quando chegamos ao In For The Kill, acho que tínhamos cerca de três ou quatro músicas, só isso. Tivemos dificuldade em encontrar material e foi tudo apressado, além de haver shows que tínhamos que fazer. Não era como se pudéssemos relaxar fazendo isso.

In For The Kill era um título adequado, nós apenas tentamos. Há algumas músicas boas lá, mas eu teria feito muito mais por elas. Acabou, considerando, muito bom."

Mas as coisas não estavam funcionando com Pete Boot e ele se separou da banda menos de um ano depois de entrar. Seu substituto foi Steve Williams, que permaneceu como baterista de Budgie até o momento. Steve Williams lembra: " In For The Kill é um dos meus álbuns favoritos do Budgie, se as coisas tivessem funcionado de forma diferente em 1973, eu poderia ter tentado fazer isso."


Faixas do álbum

01. In For The Kill:
 Esta é uma música forte no disco e igualmente no palco. De acordo com Burke: "Tem um riff agradável, cortesia de Tony Bourge. Gravamos este sob extrema pressão - foi porque tocamos tanto que não tivemos tempo de cuspir." Um dos destaques do álbum, a faixa-título foi frequentemente tocada pelo Van Halen em seus primeiros shows ao vivo.

Tony Bourge: "In For The Kill. Acho que escrevi este. Um dia, eu estava em casa e estava brincando com algumas ideias que havíamos escrito antes e queria fazer algo que fosse realmente pesado, opressivo pesado, algo que você sentia que iria atravessar uma parede de tijolos, mas eu queria manter isso simples. Pensei em algumas das outras músicas que havíamos feito. Elas geralmente eram fáceis de tocar riffs em E em algum lugar ou G para E, tanto faz, mas realmente abaixando as cordas do baixo e tínhamos feito algumas outras coisas assim, uma que Bourke escreveu .... Guts, e esse foi um moedor simples e muito fácil, e eu acho que era o que gostamos de fazer, é nisso que Budgie era bom em fazer, ou seja, tocar riffs simples e difíceis".


02. Crash Course In Brain Surgery: Esta música foi originalmente gravada na época do álbum de estreia de Budgie como o primeiro single da banda lançado em 1971, embora não tenha sido incluída na prensagem original do álbum (embora a capa o listasse). A faixa foi incluída em In For The Kill devido à falta de material. Posteriormente, regravado pelo Metallica em seu EP Garage Days nos anos 80, o Metallica continuou a citar Budgie como uma grande influência em sua própria música. Ouvindo Crash Course pode-se entender o porquê!

Burke Shelly: "Eu idealisticamente pensei que isso poderia ser uma cura para muitos dos problemas do mundo, incluindo o meu próprio"

Tony Bourge: "Foi uma daquelas faixas que fizemos no palco e deu uma sensação ótima"

03. Querendo saber o que todo mundo sabe:Dois minutos e cinquenta segundos de acústica típica de Burke! Esta é uma música adorável que certamente cria a sensação de calma entre duas tempestades, que fica imprensada entre o esmagador Crash Course e o emocionante Zoom Club, certamente é.
 
04. Zoom Club: Zoom Club rapidamente se tornou um número ao vivo favorito dos fãs e ainda é hoje. Um clube em Frankfurt, na Alemanha, foi a inspiração inicial para o número. Burke lembra: "Tocando em Frankfurt, no Zoom Club. Os americanos precisam comparecer a este clube que funcionava quando a guerra do Vietnã estava acontecendo. Eles eventualmente foram todos para o Vietnã, a maioria deles. Era apenas um daqueles lugares, era era como o último lugar antes de todos irem para a guerra. O Zoom Club era o lugar para onde todos iam.

Tony Bourge: "Essa foi novamente uma das ideias de Burke. Era basicamente sobre um clube em que tocávamos, na Alemanha, onde todos os soldados costumavam ir. Daí as primeiras falas..." Vamos, todos vocês, soldados "


05. Hammer and Tongs: A música foi baseada em mais um riff de guitarra de Tony Bourge.

Burke Shelley: "Era um número blues, mas pesado, que refletia como fomos influenciados pela cena do blues progressivo de meados dos anos 1960, que mais tarde produziu bandas como Cream, Led Zeppelin, Hendrix etc. Tony gostou particularmente das bandas de blues de Chicago."

06. Running From My Soul: Budgie teve que criar material extra para o álbum e rapidamente. Running From My Soul foi uma das últimas adições. Novamente apresentando um excelente trabalho de guitarra de Tony Bourge e vocais clássicos de Burke.

Tony Bourge: Running From My Soul e Living On Your Own: "Eles eram um pouco mais alegres. Burke e eu pensávamos que não queríamos ouvir uma faixa do álbum após a outra apenas para ouvir tudo soando como mesmo, então tentamos constantemente encontrar algumas idéias mais leves usando mais acordes em vez de riffs.

Burke Shelley: "Esta faixa é uma mistura de influências - Chicken Shack, Stan Webb, álbum "Blues Help" do Love Sculptures e todo o resto das bandas de blues do final dos anos 1960."

07. Living On Your Own: Faixa final do álbum e outra bastante trabalhada em estúdio. Burke Shelley: "Lembro-me de usar o estilo de corte de acordes de uma grande banda chamada 'Glass Menagerie'. A seção final é 'Beck's Bolero' revisitada.

Simon Lees, Burke Shelley, Steve Williams (2003)

[Faixas bônus]

08. Zoom Club Edit (Single Edit):   Encurtado para se ajustar às restrições de tempo do a 45 e, claro, 'Radio Station Playtimes'

09. In For The Kill 10. Crash Course In Brain Surgery 11. Zoom Club

Final 3 faixas são faixas regravadas. Gravado no verão de 2003 por Burke Shelley, Steve Williams e Simon Lees com um estúdio móvel durante os ensaios para a turnê de outono de 2003.
[Retirado das notas de capa]

Atenção: RIP Burke Shelley (11 de janeiro de 2022)
É com pesar que anuncio a triste notícia de que Burke Shelley faleceu no dia 11 de janeiro deste ano, aos 71 anos. 
Acabei de ver esta notícia hoje, cerca de 6 meses depois (como perdi essa notícia me deixa perplexo) e estou arrasado. Nada mencionado no site oficial do Budgie, o que é realmente estranho e triste.

Acompanho Budgie desde que lançaram seu primeiro álbum em 1971 e tive a sorte de vê-los tocar ao vivo em 2009, quando finalmente visitaram a Austrália pela primeira vez.

Sem Burke, a banda nunca mais poderá ser a mesma – sua voz e linhas de baixo foram a essência desta grande banda.

Quando vi Burke tocar em 2009, ele tinha a energia de um jovem de 21 anos e uma voz tão boa quanto no dia em que cantou “Guts” pela primeira vez. Mas devo admitir que ele não parecia 100% e suspeito que foi nessa época que sua saúde começou a piorar. O mundo perdeu um músico e artista talentoso, e uma banda que abriu caminho para muitas bandas de heavy metal. Você pode ler mais detalhes em Loudwire.com



tracklist
01 In For The Kill 6:26
02 Crash Course In Brain Surgery 2:37
03 Wondering What Everyone Knows 2:53
04 Zoom Club 9:53
05 Hammer And Tongs 6:52
06 Running From My Soul 3:35
07 Living On Your Own 8:54
[Bonus Tracks]
08 Zoom Club (Single Edit) 3:26
09 In For The Kill (2003 Version) 3:35
10 Crash Course In Brain Surgery (2003 Version) 2:44
11 Zoom Club (2003 Version)


Budgie were:

Burke Shelley - Bass, Vocals
Tony Bourge - Guitar
Pete Boot - Drums







Free LIVE 1971-02-19 Bristol UK

 



LIVE  
Bristol UK 
1971-02-19 


The Band
Paul Rodgers - vocals
Paul Kossoff - guitar
Andy Fraser - bass
Simon Kirke - drums

SET LIST
1. Fire And Water
2. Woman
3. Ride On A Pony
4. I'm A Mover
5. Be My Friend
6. Mr. Big
7. Walk In My Shadow
8. I'll Be Creepin'
9. All Right Now







The Warmbabies - Let's Live Underground

 



Você pode julgar um disco pela capa? Difícil dizer. Mas pelo menos deve lhe dar uma pista sobre o tipo de música que uma banda está tocando. Colocar a foto de um Fireglo Rickenbaker 330 vintage é uma afirmação bastante forte por si só. Considerando Paul Weller, Tom Petty ou John L., para citar alguns, todos jogaram um, isso já deve lhe dar uma dica séria.

Colocar DOZE cordas Rickenbaker 330 é uma afirmação ainda maior. A dúvida não é mais permitida e você sabe exatamente no que está se metendo: rock'n'roll influenciado pelos anos 60 com uma boa dose de power pop dos anos 70 em boa medida.

Os WARMBABIES, todos veteranos da cena rock'n'roll da Riviera Francesa, com certeza sabem como escrever boas músicas com uma seção rítmica realmente forte, guitarras escaldantes e vocais perfeitos para combinar. Este LP está repleto de músicas clássicas do Power Pop. Muito altamente recomendado  !

1) Para os visitantes deste blog que não conhecem vocês, o que vocês diriam sobre The WARMBABIES para se apresentarem? Há quanto tempo vocês estão juntos como banda? Quem toca qual instrumento na banda hoje em dia? Quais são as suas diversas origens individuais?

Serge: Somos um quarteto de rock "clássico" e moramos em Nice, na Riviera Francesa. O Warmbabies, na forma atual, existe há cerca de 5 anos. Com Marc Galliani na guitarra e vocal principal, Olivier "Bratch" Nemejanski na guitarra, Serge Ceccanti no baixo e Daniel Aprosio na bateria. No que diz respeito às nossas diversas origens individuais, mencionaríamos apenas uma: Os Bratchmen.

2) Sobre o álbum "Let's Live Underground", você pode explicar a escolha deste título? O que você pode contar sobre o processo de gravação? Foi uma gravação "ao vivo" em estúdio ou uma gravação faixa por faixa com muitos overdubs? 

Marc : “Let's live underground” é uma das primeiras músicas de “Bratch”, que reorganizamos para minha voz. Um ponto de partida. Os ensaios e shows eram tão distantes que não conseguíamos nos apresentar como banda. Éramos uma banda underground, por força das circunstâncias. 

Serge : O título do álbum foi sugerido pelo designer gráfico. Uma boa ideia que foi aceita por unanimidade! A gravação do álbum foi perturbada pela primeira pandemia mas no final deu-nos muito tempo para refinar alguns títulos. Baixo, bateria e guitarra base foram gravados ao vivo, todo o resto foi regravado. 

3) Vocês usam a tecnologia de gravação digital atual ou vocês só trabalham com máquinas analógicas em estúdios analógicos?

Foto: Sandra Rinaudo
Serge : Nossa escolha foi por um estúdio digital. Mas todos os instrumentos e amplificadores que usamos são analógicos! Todas as guitarras e baixos usados ​​neste disco são equipamentos vintage com mais de 50 anos! Estamos simplesmente fascinados pela beleza e pelo som destes instrumentos antigos.

4) Existe um compositor principal na banda ou todos estão envolvidos de uma forma ou de outra?

Marc : Todo mundo está envolvido. Este álbum não teria sido possível sem um de nós. O material deste disco é feito de músicas antigas de "Bratch" e Marc. O próximo álbum conterá mais músicas de Serge. 

5) Qual é o seu tópico/tópico favorito que surge facilmente quando você escreve a letra de uma nova música?

Marc : O formato pop que gostamos neste projeto combina melhor com canções de amor estúpidas. Alguém disse: Quanto mais estúpidos eles são, mais verdadeiros eles são...

Serge : Amor, pássaros e sol! Mas as próximas músicas serão mais sombrias: Amor perdido, pássaros congelados e chuva!

foto : Richard Prompt
6) Que tipo de música você ouvia quando era adolescente e isso ainda influencia seu trabalho hoje? Quais eram suas bandas favoritas quando era adolescente? Cite 3 bandas que você considera que ainda influenciam seu trabalho hoje.

Marc : Posso citar 4? John, George, Paul e Ringo

Serge : Somos claramente influenciados pelo rock dos anos 60. Mas não só... Vou citar três grupos: Plimsouls, Fleshtones e Teenage Fanclub, mas existem muitos outros.


7) Você tem um novo vídeo no youtube apresentando uma faixa do último álbum? 

Marc : Não temos mais dinheiro para vídeo, então estamos pirateando imagens de nossas músicas. Vamos fazer alguma coisa... Serge : Sem dinheiro, sem tempo, finalmente é realmente útil?

8) O que os espectadores podem esperar de um show do The WARMBABIES? Você está tocando algum cover famoso durante o show?

Marc : Costumávamos tocar Kinks, Big Star, Plimsouls, mas principalmente nossas músicas.

Serge : Gostamos de integrar alguns covers em nossos shows, apenas por prazer.

Foto: Sandra Rinaudo

9) Há alguma banda na França da qual você se considera próximo? musicalmente falando?

Marc : Doc Vinegar de Aubagne

Serge : Pode haver, mas não sabemos...

10) Como você descreveria a música que está tocando? Isso é POWERPOP ou você acha que tem muito mais que isso?

Serge : Nossa música está impregnada da música que amamos. Uma mistura de power pop/rock dos anos 60/rock de garagem, sem dúvida.

Marc : Estamos fazendo nossas coisas com nossas influências, ficaríamos felizes em sermos classificados no power pop, mas isso não foi planejado de forma alguma.

11) Quais são os planos para 2022 no que diz respeito aos WARMBABIES? 

Marc : Gostaríamos de tocar em festivais ou locais legais, especialmente no exterior, Bélgica, Espanha, Norte da França. Com a situação cobiçosa simplesmente não pensamos nisso. Mas também somos acessíveis para solicitações privadas.

Serge : Nós trabalhamos duro em novas músicas. Nosso objetivo é compor a melhor música pop! Gravando no outono, espero.

12) Algo que você queira acrescentar?

Serge : Gravar um álbum para uma banda como a nossa é sempre uma “pequena aventura” arriscada, com muitos problemas para resolver. Concluímos esta missão e estamos muito orgulhosos do resultado!







RARIDADES

Canelle - Canelle (1978)


Ao ouvir este álbum, tive toda a intenção de listá-lo como um grupo do Canadá. Tem aquele som particular que me lembra um lançamento quebequense dos anos 1970, como encontrado no selo Disques Le Tamanoir, por exemplo. Grupos como L'Engoulevent e Breche vêm à mente aqui. Também ouço traços da estreia do Harmonium e até alguns Connivence. No geral, eu a classificaria principalmente como música folclórica francesa com um toque de pop rock. Portanto, não é exatamente a tarifa usual do CDRWL, mas a principal razão para a inclusão é o trabalho de teclado - muitos solos de Moog que são um contraste maravilhoso com a música pop serena. Suponho que você também poderia gritar Sim aqui, quando eles estão em seu humor mais simplista e feliz. Além disso, gostei bastante das melodias. Embora não seja uma liberação prioritária (há algumas idas ao celeiro que você terá que suportar), Ainda acho que muitos de vocês provavelmente gostariam de ouvir este aqui para ouvir algumas vezes.



DISCO PERDIDO (THE THIRD POWER - "Believe" (us 1970)

 


THE THIRD POWER - "Believe"  (us 1970)

  Outro poderoso trio de Rock de Detroit com uma certa atmosfera Cream.  Banda formada em 1969 e no ano seguinte lançou este grande álbum pelo selo Vanguard, o que foi decisivo para suas fracas vendas já que esta gravadora não estava na linha musical de grupos de hard rock. Drew mais tarde tornou-se membro da Silver Bullet Band de Bob Seger.

                  DREW ABBOT guitarra e voz
                  JIM CRAIG bateria e voz 
                  JEM TARGAL baixo e voz 
              

  Perdido em um sonho
     



















SOM VIAJANTE (Amoeba Split "Dance of the Goodbyes" (2010)

 


Esta ousada banda espanhola irrompeu no mundo do rock mais rápido que um esquadrão de cavalaria. Intrigando a crítica e praticamente sem dar chance aos concorrentes, o sexteto liderado por Alberto Villarroya (composição, baixo, guitarras) e Ricardo Castro Varela (teclados, composição, arranjo) apresentou o álbum “Dance of the Goodbyes” ao público mais exigente. E imediatamente surgiram críticas entusiasmadas, o recurso italiano da Internet Progawards nomeou o grupo para o prêmio “Melhor Estreia – 2010”. Porém, o caminho até o topo para os galegos (região noroeste dos Pirenéus) acabou sendo longo. Até 2001, seu único laboratório musical era a formação psicodélica Rama Lama FafafaMas algo dentro deu errado. Ou será que a prolongada experiência simplesmente seguiu o seu curso? Não importa. O principal é diferente: a loja foi fechada silenciosamente, o nome idiota foi retirado de circulação e as sessões sonoras conjuntas continuaram sob o disfarce de Amoeba Split em um formato completamente diferente. A partir de agora, os esquemas táticos dos espanhóis foram ajustados de acordo com as diretrizes recém-selecionadas: os grandes nomes da arte de Canterbury, os luminares do jazz e os clássicos da sinfonia foram considerados modelos. Tendo feito uma gravação demo em 2003, a banda começou a procurar gravadoras. Infelizmente, as coisas não queriam funcionar como esperado. Mas a resistência dos participantes do Amoeba Split , aliada a uma crença fantástica no próprio sucesso, garantiram a vitória.
Linhas de fusão quebradas, o padrão de guitarra afiado do Senor Villarroya, os teclados extensos do maestro Varela, efeitos sonoros de fundo e uma seção rítmica forte - este é o caráter exemplar da introdução sem palavras "Dedicated to Us, But We Weren't Listening". Pelas aparências, este é um esboço completamente antiquado, embora a “retronáutica” claramente não seja um fim em si aqui. A complexa história de "Perfumed Garden" é cantada em inglês pela flautista Maria Thores . Os vocais não estão incluídos na lista de vantagens do conjunto, porém criam um certo clima. Pode-se sentir o sopro leve da dramaturgia do Genesis , enquanto a base cimentadora é o sólido e inteligente jazz-prog. A peça de 10 minutos "Turbulent Matrix" é percebida como uma improvisação em massa impecável; ao mesmo tempo, suporte de saxofone multinível para metaisPablo Añona traz de volta memórias do início da Soft Machine . O afresco épico "Água Abençoada" é construído de acordo com os cânones da arte sinfônica de alta qualidade: camadas de Mellotron, o aroma da fabulosidade, uma chamada instrumental brilhante e o pathos triunfante do órgão no final. Da miniatura de swing "Qwerty" os lutadores do campo Amoeba Split passam para um autoteste total de profissionalismo - a suíte de 23 minutos "Flight to Nowhere", onde a intimidade coexiste com a psicodelia, a racionalidade é intercalada com explosões de emoção, e o autismo do jazz não pode evitar os gestos expressivos do progressivo. Uma grande adição ao material de 2010 é o bônus “Querty Revisited”, incluído três anos depois – um número de big band construído de forma caótica e com uma qualidade super comovente.
Resumindo: um começo maravilhoso e cuidadosamente pensado para uma das equipes mais interessantes do nosso tempo. Recomendo a todos os fãs de Canterbury, jazz e estilos borderline fusion.








Destaque

Hackensack - Up The Hardway (1974)

  Ano:  março de 1974 (CD 2002) Gravadora:  Red Fox Records (Europa), RF 616 Estilo:  Blues Rock, Hard Rock País:  Reino Unido Duração:  45:...