quarta-feira, 4 de outubro de 2023

1910 Fruitgum Company - Simon Says 1967

 

O protótipo do grupo bubblegum, 1910 Fruitgum Company, foi ideia dos produtores da Buddah Records,  Jerry Kasenetz  e  Jeff Katz , também os mentores por trás de fenômenos como  o Ohio Express  e  o Music Explosion A  fórmula Kasenetz Katz  era simples: eles recrutaram músicos de estúdio anônimos (neste caso, os vocalistas  Mark Gutkowski  e  Joey Levine  – também vocalista  do Ohio Express  – junto com os guitarristas  Frank Jeckell ,  Pat Karwan e  Chuck Travis , trompista  Larry Ripleye os bateristas  Rusty Oppenheimer  e  Floyd Marcus ) e gravou prolificamente canções pop leves e fofas que encontraram um público ávido de fãs que procuravam uma alternativa ao rock mais ousado do final dos anos 60. Com a Fruitgum Company de 1910, a  equipe Kasenetz Katz  marcou seu primeiro grande sucesso, o sucesso Top Five de 1968, "Simon Says", lançando a mania do chiclete; nesse mesmo ano eles também marcaram com os singles "1, 2, 3 Red Light" e "Goody Goody Gumdrops", todos os três lançados como faixas-título do primeiro trio de LPs do grupo. "Indian Giver", de 1969, o título retirado do quarto álbum da Fruitgum Company, foi seu último hit no Top Five, e depois de um último LP,  Hard Ride, o grupo se desfez; alguns de seus membros ressurgiram posteriormente no  Kasenetz-Katz Singing Orchestral Circus 





Truth - Truth 1970

 

Este trio de curta duração foi liderado por Michael DeGreve, que era crítico de rock do Los Angeles Times desde 1966. quando tinha apenas 19 anos, colocando-o em contato com lendas como Jimi Hendrix, Janis Joplin e Jim Morrison . Em 1968 ele decidiu mudar seu foco para a produção musical, formando uma banda chamada The Lid. No início de 1970, DeGreve e o baixista John Latin! estavam gravando o álbum cult The Visit com seu amigo Bob Smith, além de tocar com sua própria banda, Truth, junto com um casal de Nova York que também tentava se dar bem como atores. 

Eles logo assinaram com o pequeno selo People (com sede em 6430 Sunset Boulevard), dirigido pelo ex-diretor da Motown A'n'R Mickey Stevenson, que havia se mudado recentemente para Los Angeles e aparentemente estava curioso para se envolver com música hippie. Truth fez seu único álbum com três produtores diferentes - Stevenson, Clarence Paul (ex-produtor da Motown) e Leon Ware (compositor de Ike & Tina Turner, Michael Jackson, Diana Ross e muitos outros). Apesar dessas fortes conexões com a música negra, o som do álbum está mais próximo do pop puro, com folk e ocasionais influências country e psicodélicas, vocais ricos em harmonia e palavras que fazem referência à religião oriental. Talvez eclético demais para agradar o público, foi lançado sem alarde e vendido em pequenas quantidades. Como Latini lembrou desde então, 'Fizemos um show promocional no Palladium em Hollywood, com Blue Cheer e Flash Cadillac & The Continental Kids. Infelizmente, marido e mulher se separaram e o grupo foi deixado de lado.' Quanto a People, sabe-se que apenas um outro disco apareceu nele - Big Brass Four Poster, da cantora de soul Kim Weston. Desde então, foi afirmado que este era o mesmo selo People administrado por James Brown, mas isso parece impreciso, já que o selo de Brown não foi fundado até 1971.



The Freak Scene - Psychedelic Psoul 1967

 

O primeiro e único álbum do Freak Scene é apenas um capítulo da estranha saga do empreendedor psicodélico pioneiro/jornalista  Rusty Evans , cujo primeiro álbum foi  o lançamento  do Deep em 1966, Psychedelic Moods Assim como aquele projeto, o Freak Scene era estritamente um estúdio composto por acompanhantes, e não uma banda completa. No entanto, a reputação do Psychedelic Psoul como um álbum de exploração psicológica é injusta; embora os temas alucinantes e as técnicas de produção empregadas aqui se tornassem clichês do rock da era psicodélica, eles não eram clichês em 1967, quando o estilo ainda estava em sua infância. Na verdade, um forte argumento poderia ser apresentado a favor de  Evans estar à frente da curva. "Mind Bender", por exemplo, com suas recitações dadaístas, pulsação pulsante e guitarras desconexas, antecedeu  o Velvet Undergroundé muito semelhante a "Murder Mystery" por alguns anos. A combinação de manipulação de fita e influências exóticas da música mundial no curta instrumental "Grok!" parece bastante presciente em retrospecto também. Além disso, mesmo que as opiniões mais cínicas se revelassem verdadeiras, e as guitarras invertidas, os tons fuzz e os efeitos "distantes" que transbordavam da maioria das faixas de Psychedelic Psoul fossem incorporados estritamente no interesse do movimento, era tudo feito com habilidade suficiente para que isso realmente não importe, especialmente tantas décadas após o fato. Psychedelic Psoul permanece como uma cápsula do tempo sonora evocativa, embora peças de palavras faladas "tópicos" como "When in the Course of Human Events" reconhecidamente não tenham envelhecido tão bem quanto as músicas mais convencionais do álbum, composições melódicas. Seguidores de Evans' - depois de Freak Scene, ele fez um excelente e atmosférico álbum psych-folk sob o pseudônimo de  Marcus  - pode estar interessado em notar que a faixa de abertura do Psychedelic Psoul, "A Million Grains of Sand", apareceu em diferentes versões em  Psychedelic Moods  e no  álbum Marcus  . 




Crítica Mitski: “The Land Is Inhospitable and So Are We”

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Crítica

Mitski

 : "The Land Is Inhospitable and So Are We"

Ano: 2023

Selo: Dead Oceans

Gênero: Indie, Pop de Câmara

Para quem gosta de: PJ Harvey e Fiona Apple

Ouça: My Love Mine All Mine, I'm Your Man e Star

The Land Is Inhospitable and So Are We (2023, Dead Oceans) é uma evidência incontestável do talento de Mitski. Longe dos sintetizadores eufóricos que marcam o registro anterior, Laurel Hell (2022), e livre de canções minimamente acessíveis, como Nobody e todo o repertório de Be The Cowboy (2018), obra que apresentou o trabalho da nipo-americana à uma parcela ainda maior de ouvintes, a cantora se concentra agora na entrega de um material marcado pelo reducionismo dos elementos. São canções em que limita a construção dos arranjos, porém, estabelece na força dos sentimentos o principal componente criativo.

Composição de abertura do trabalho, Bug Like an Angel sintetiza de forma bastante eficiente tudo aquilo que a cantora busca desenvolver ao longo da obra. Enquanto a guitarra econômico do produtor Patrick Hyland avança em uma captação crua, versos que alternam entre a embriaguez e a sobriedade refletem sobre vícios e as pequenas maldições que herdamos de nossos pais. “À medida em que fui crescendo, aprendi que bebo / Às vezes, uma bebida parece uma família“, confessa Mitski em tom entristecido, mas que em nenhum momento tende ao melodrama, indicativo do completo domínio e equilíbrio da musicista.

São canções que parecem geradas em noites de solidão e momentos de maior vulnerabilidade vividos pela artista, direcionamento que tem sido incorporado desde o introdutório Lush (2012), aprimorado em Puberty 2 (2016), mas que alcança melhor resultado no repertório de The Land Is Inhospitable and So Are We. A diferença em relação a outros trabalhos de Mitski, por vezes centrados em temas existenciais e reflexões sobre o conceito de feminino, diz respeito ao foco em um componente principal: o amor. É como se a musicista explorasse todos os aspectos, sejam eles positivos ou negativos, em torno do sentimento.

O resultado desse processo está na entrega de um repertório essencialmente amplo e ao mesmo tempo contido dentro dele mesmo. São canções que tratam sobre amores desfeitos, confessam sentimentos e detalham uma fragilidade poucas vezes antes vista mesmo dentro de uma obra marcada pela completa vulnerabilidade da compositora. “Meu amor aqui na terra / Me mostrou quanto valia meu coração / Então, quando chegar a minha vez / Você poderia iluminar aqui para ele?“, confessa em My Love Mine All Mine, música em que clama à Lua para que seu amor retorne à Terra em forma de luz mesmo após sua partida.

Interessante notar que mesmo ancorado em um único objeto temático, The Land Is Inhospitable and So Are We em nenhum momento soa como uma obra repetitiva. Parte desse resultado vem não apenas do esforço da artista em mesclar diferentes elementos metafóricos, como na sutileza cósmica explícita nos versos de Star, mas em explorar as múltiplas interpretações sobre o amor. “Você acredita em mim como um deus / Eu te traio como um homem“, canta em I’m Your Man, música em que brinca com a inversão de papéis dentro de uma relação, estrutura potencializada pela fina tapeçaria instrumental, captações de campo e latidos de cães que levam o trabalho para uma outra direção, ampliando consideravelmente os rumos do material.

Vem justamente desses momentos de maior ebulição, como uma fuga do reducionismo talvez excessivo que orienta o trabalho, a real força de The Land Is Inhospitable and So Are We. Da bateria ascendente que ganha forma em The Deal, passando pelos arranjos de cordas e coro de vozes de When Memories Snow, tudo muda em um intervalo de poucos segundos, rompendo com a serenidade indicada pela cantora logo na introdutória Bug Like an Angel. É como se Mitski jogasse com a completa imprevisibilidade das próprias emoções. Um misto de calmaria e caos que traduz em forma de música a força avassaladora do amor.



Crítica Vagabon: “Sorry I Haven’t Called”

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Crítica

Vagabon

 : "Sorry I Haven't Called"

Ano: 2023

Selo: Nonesuch

Gênero: Pop

Para quem gosta de: Georgia e Miya Folick

Ouça: Lexicon e Do Your Worst

Sorry I Haven’t Called (2023, Nonesuch) é uma obra diferente de tudo aquilo que Laetitia Tamko já havia apresentado como Vagabon. Com produção assinada em parceria com Rostam Batmanglij (Carly Rae Jepsen, HAIM), o sucessor do homônimo álbum entregue há quatro anos destaca o esforço da artista camaronesa em dialogar com uma sonoridade cada vez mais acessível, flertando com as pistas, porém, preservando o forte aspecto sentimental que tem sido incorporado desde o introdutório Infinite Worlds (2017), registro que serviu para apresentar o lirismo confessional que marca as composições de Tamko.

Embora amplie o campo de atuação da artista, Sorry I Haven’t Called é uma obra que faz essa transição de forma gradual. Com Can I Talk My Shit? como música de abertura, Tamko e Batmanglij apresentam parte dos elementos que serão incorporado ao longo do registro. Estão lá as batidas eletrônicas, a voz tratada como um instrumento complementar e o uso dos sintetizadores que ora preenchem as bases da canção, ora assumem uma posição de destaque. Pouco mais de três minutos em que a dupla lida com o uso de pequenos acréscimos, combinando melodias e componentes rítmicos de forma deliciosamente acessível.

Com parte dos elementos apresentados logo nos minutos iniciais, Tamko brinca com as possibilidades a cada nova composição. Em Lexicon, por exemplo, enquanto os versos revivem memórias de um antigo relacionamento (“Leve-nos de volta a esse momento / Eu amei como era estar com você“), guitarras marcadas pelo suíngue se completam pela bateria que aponta para os temas dançantes da década de 1970. Nada que impossibilite a construção de faixas capazes de dialogar com o presente, como em Do Your Worst, música em que partilha da mesma fluidez e estrutura explorada por nomes como PinkPantheress.

Interessante notar que mesmo pontuado por momentos de maior transformação, Sorry I Haven’t Called em nenhum momento rompe totalmente com os antigos trabalhos da cantora. Perfeita representação desse resultado pode ser percebida em Carpenter. Naturalmente íntima de tudo aquilo que Tamko havia testado no disco anterior, a faixa não apenas traz de volta a relação da artista com os ritmos e elementos da cultura africana, como potencializa esse resultado. Esse mesmo direcionamento volta a se repetir em Nothing to Lose, composição em que atualiza a base percussiva a partir de uma abordagem puramente eletrônica.

O problema é que algumas das canções parecem ficar no meio do caminho, como ideias incompletas. É o caso de Autobahn, composição que avança em uma medida própria de tempo, se arrastando em meio a sintetizadores reducionistas, e Made Out with Your Best Friend, música que soa como uma versão menos impactante do material entregue nos minutos iniciais. Já outras, como It’s a Crisis, destacam a produção de Batmanglij, porém, de forma negativa, soando como uma repetição das ideias incorporadas durante o desenvolvimento do último trabalho do HAIMWomen in Music Pt. III (2020), em que esteve envolvido.

Ainda assim, prevalece a riqueza de detalhes e boas composições que levam o trabalho de Tamko para um território completamente transformado. Da força das batidas que ganham forma em You Know How, soando como uma canção perdida de Fred Again, passando pelo lirismo melancólico de Anti-Fuck, música que destaca o uso das guitarras em um claro diálogo com os primeiros registros de Vagabon, sobram momentos em que a musicista, sempre em colaboração com Batmanglij, busca se desafiar criativamente, proposta que naturalmente faz de Sorry I Haven’t Called um novo e precioso capítulo na carreira da artista camaronesa.



Crítica Ianaê Régia: “Afroglow”

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Crítica

Ianaê Régia

 : "Afroglow"

Ano: 2023

Selo: Ternário Records

Gênero: R&B, Neo-Soul

Para quem gosta de: Xênia França e Karen Francis

Ouça: Umbigo, Diss e Rotina

Embora enxuto, o curto repertório de Afroglow (2023, Ternário Records), primeiro trabalho de estúdio da cantora e compositora gaúcha Ianaê Régia, compensa na força dos sentimentos incorporados dentro de cada canção. São sete faixas em que a artista nascida no interior do Rio Grande do Sul e hoje residente na capital Porto Alegre se aventura na construção de composições que escancaram a vulnerabilidade dos versos e mergulham em questões raciais. Um delicado exercício criativo que parte das vivências e dores da própria musicista para estreitar laços com o ouvinte em uma obra que vai do recolhimento à celebração.

Inaugurado pela minuciosa Umbigo, o trabalho que tem produção caprichada de Bianca Rhoden se revela aos poucos, detalhando uma combinação entre guitarras e batidas cuidadosamente calculadas. É como um pano de fundo instrumental que prepara o terreno para as vozes da artista gaúcha, sempre em primeiro plano. “Eu tenho ouvidos e você também / Tem gente que parece que não tem / Quem tem umbigo tem do que cuidar / Deixa o meu pra lá“, canta em uma provocativa observação sobre a necessidade sufocante que as pessoas têm de controlar a vida alheia, destacando a poesia afiada que orienta a formação do registro.

Esse mesmo direcionamento contestador fica ainda mais evidente com a chegada do que talvez seja uma das principais canções do disco, Diss. Seguindo a trilha de outras criações do gênero, porém, dotada de um escopo ainda mais amplo, mirando em diferentes alvos, a faixa celebra a herança racial e as conquistas da cantora na mesma medida em que trata sobre usurpação estética das elites brancas. “Já quiseram minha história pausada / Mas as tentativas não decretaram meu fim / Pois, meu bem, eu sou blindada pela maciez da minha toca de cetim“, segue em um misto de canto e rima, destacando a versatilidade e força de Ianaê.

Claro que essa firmeza na composição das letras vem sempre acompanhada por momentos de maior fragilidade emocional, indicando diferentes camadas e as múltiplas vozes que habitam no interior de Ianaê. Em Rotina, por exemplo, logo nos minutos iniciais do trabalho, a artista gaúcha se aprofunda em reflexões sobre saúde mental e a falsa realidade proposta pelas redes sociais. Já em Ponto Sensível, é a temática da afetividade negra que serve de sustento aos versos, transportando o disco para um novo território criativo. É como um preparativo para o que se revela de forma ainda mais sensível na crescente Lina e o Oceano.

Verdadeiro mergulho na mente e nas inquietações da artista gaúcha, a faixa trata sobre a necessidade de seguir em frente e as diferentes máscaras sociais que criamos para resistir ao inevitável peso da opressão diária. “Me perguntam como o é ser leve desse jeito com os outros / Mas esqueceram que todo o peso fica comigo“, canta em meio a pianos cuidadosamente encaixados, destacando a forte carga emocional que serve de sustento aos versos. São frações poéticas que tratam da composição como uma síntese conceitual tudo aquilo que a cantora busca desenvolver criativamente do princípio ao fim do trabalho, em Colore.

Tamanha sensibilidade e esforço em transitar por entre diferentes temáticas faz de Afroglow um precioso exercício de apresentação da artista. Mesmo que muitas das composições que abastecem o disco pareçam ancoradas em questões há muito incorporadas por diferentes nomes da cena brasileira, vide os recentes trabalhos de Xênia França, Tássia Reis e Luedji Luna, notável é o esforço da cantora em imprimir a própria identidade dentro de cada canção. O resultado desse processo está na entrega de uma obra consumida pela melancolia dos versos, mas que em nenhum momento diminui o brilho e força criativa de Ianaê. 



Agnaldo Rayol – Agnaldo Rayol (LP 1958)





Agnaldo Rayol – Agnaldo Rayol (LP Copacabana - CLP 11061, 1958).
Género: MPB, Samba-Canção, Seresta, Bolero.


Agnaldo Coniglio Rayol (Rio de Janeiro, 3 de maio de 1938), mais conhecido apenas como Agnaldo Rayol, é um excelente cantor e actor brasileiro. Com mais de 70 anos de carreira, é conhecido pela voz afinada e o repertório romântico. Iniciou a sua carreira de cantor aos cinco anos de idade na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, no programa Papel Carbono, de Renato Murce. A partir do final dos anos 50, firma-se na sua carreira. Em 1956 foi contratado pela Rádio Tupi e dois anos depois gravou o seu primeiro disco 78 rpm pela gravadora Copacabana. Ainda em 1958, através do mesmo selo, lançou o seu álbum de estreia, com o seu nome como título, incluindo músicas de Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Dolores Duran. Rayol encontra-se em actividade desde 1943.


Faixas/Tracklist:

A1 - Prelúdio (Hervé Cordovil, Vicente Leporace)
A2 - Chão de Estrelas (Sílvio Caldas, Orestes Barbosa)
A3 - Estrada do Sol (Tom Jobim, Dolores Duran)
A4 - Se Você Tem Saudades de Mim (Lina Pesce)
A5 - Queridinha (Amauri Medeiros, Carlos Bolio)
A6 - Passageira Desconhecida (Vadico, Herberto Sales)
B1 - Onde Estará Meu Amor (Lina Pesce)
B2 - Serenata do Adeus (Vinicius de Moraes)
B3 - Chuva (Hervé Cordovil, Armando Rosa)
B4 - Dançar Com Você (Alcuino R. de Oliveira, Dalva R. De Oliveira)
B5 - Eu Não Existo Sem Você (Tom Jobim, Vinicius de Moraes)
B6 - Escala de Cores (Inara Simões de Irajá)

Intervenientes/Personnel:

Agnaldo Rayol - Voz
Acompanhanhado pela Orquestra e Arranjos de Ciro Pereira e Hervé Cordovil





Review: Demons & Wizards – III (2020)



O Demons & Wizards chacoalhou as estruturas do metal quando lançou o seu primeiro disco, em 2000. Afinal, a banda era a união do vocalista alemão Hansi Kürsch com o guitarrista norte-americano Jon Schaffer, ambos as cabeças criativas de dois dos principais ícones do metal dos anos 1990: o Blind Guardian e o Iced Earth.

O debut da dupla é excepcional e um dos melhores discos da década de 2000. Seu sucessor, Touched by the Crimson King (2005), não alcançou o mesmo impacto, apesar de ser um bom disco. E agora, quinze anos depois, Hansi e Jon unem forças novamente em III, álbum lançado dia 21 de fevereiro. Vale informar que, assim como relançou os dois primeiros discos em edições especiais em 2019, a Hellion Records já confirmou que irá disponibilizar o novo trabalho também no Brasil.

Avaliar III passa por avaliar também o que tanto o Blind Guardian quanto o Iced Earth produziram nos últimos quinze anos. Enquanto a banda alemã mergulhou ainda mais na abordagem barroca de sua música, que ficou ainda mais grandiosa e cheia de detalhes e acabou culminando no álbum orquestrado lançado em 2019, o impressionante Legacy of the Dark Lands, o grupo norte-americano viveu tempos conturbados com a rápida passagem de Tim “Ripper” Owens, o retorno e a nova despedida do vocalista Matt Barlow e a efetivação de Stu Block como frontman, tudo isso acompanhado por uma intensa troca de integrantes, o que acentuou ainda mais a sensação de que o Iced Earth é muito mais um projeto solo de Schaffer do que efetivamente uma banda. E no meio disso deu aos fãs discos que variaram entre decepcionantes (o retorno à saga Something Wicked em Framing Armageddon e The Crucible of Man, de 2007 e 2008) e revigorantes (Dystopia, de 2011).

III é vítima disso. Enquanto traz Hansi Kürsch mais uma vez cantando de maneira surreal, do outro lado mostra um Jon Schaffer sem a mesma inspiração de outrora. Essa dicotomia, logicamente, acaba refletida no resultado final do álbum. Some-se isso a uma produção que imprimiu um timbre discutível nas guitarras, que soam um tanto sem força, e percebe-se claramente um dos principais pontos a serem discutidos no disco. Schaffer vem repetindo ideias e dando voltas ao redor da sua abordagem do instrumento já há alguns anos, e isso se repete aqui. Os riffs em alguns momentos soam familiares aos ouvidos, para não usar outros adjetivos. E há uma grande diferença entre soar repetitivo e ter um estilo próprio, que isso fique bem claro.

No outro lado da moeda, Hansi puxa tudo para cima. A abertura, com a sombria e climática “Diabolic”, é um dos destaques do disco, assim como a linda e arrepiante acústica “Timeless Spirit”. “Children of Cain” fecha o trio de grandes canções de III. Temos outros bons momentos em “Split” e “Dark Side of Her Majesty”, e até mesmo uma inusitada influência do AC/DC nos riffs de “Midas Disease”. No entanto, canções fracas como “Invincible” e “New Dawn” mostram o lado não tão positivo do disco.

No geral, III está no mesmo nível de Touched by the Crimson King. É um disco que não chega aos pés da estreia, mas mesmo assim gera momentos de alegria e bateção de cabeça durante a audição. A produção poderia ser melhor e corrigiria alguns problemas, mas se você é fã do projeto e das bandas de seus integrantes certamente irá, como eu, achar o resultado final mais positivo do que negativo.


 

Review: Denner’s Inferno – In Amber (2019)

 


Michael Denner foi guitarrista do Mercyful Fate durante as décadas de 1980 e 1990, participando de forma ativa de clássicos como Melissa (1983) e In the Shadows (1993). Além disso, integrou durante muitos anos a banda de King Diamond, gravando ao lado do Rei Diamante obras-primas como Abigail (1987). In Amber, lançado na Europa em novembro e logo depois aqui no Brasil pela Hellion Records, é o disco de estreia de sua nova banda, o Denner’s Inferno, onde o guitarrista vem acompanhado pelo trio Chandler Mogel (vocal), Flemming Muus (baixo) e Bjarne T. Holm (bateria).

Musicalmente, temos em In Amber um disco de metal tradicional com pegada dos anos 1980 e um grande destaque para as guitarras, tanto nos riffs quanto nos solos. As canções possuem uma pegada bem heavy rock, soam muito orgânicas e sem os vícios comuns ao metal contemporâneo (cheio de pedais duplos, sobreposições e artifícios do tipo), o que imprime uma agradável aura de autenticidade ao disco. A sensação é de ouvir um álbum gravado por uma banda que está encontrando a sua identidade mas mesmo assim já consegue brindar o ouvinte com ótimos momentos, e eles estão em faixas como “Matriarch”, “Sometimes” e “Taxman (Mr. Thief)”.

É preciso mencionar também a onipresente pegada rock and roll do trabalho, o que faz com que ele soe, em diversos momentos, como um disco de classic rock classudo e pronto para conquistar novos fãs - o principal exemplo disso está na ótima e radiofônica “Taxman (Mr. Thief)”.

Se você é fã de Michael Denner desde os tempos do Mercyful Fate, ouça, mas prepare-se para encontrar um trabalho bem menos agressivo e pesado, mas igualmente interessante.



PEROLAS DO ROCK N´ROLL ( MIKE LEWIS - Wuschel - 1971)

 

KRAUTROCK/ FUSION - MIKE LEWIS - Wuschel - 1971



Artista / Banda: Mike Lewis
Álbum: Wuschel
Ano: 1971
Gênero: Krautrock / Jazz Fusion / Prog
País: Alemanha

Comentário: Mike Lewis é um multi-instrumentista nascido no Canadá, porém que fez toda sua carreira musical na Alemanha, sendo membro da Wired e Moosknukkl Groovband. Este é seu primeiro trabalho solo e um dos álbuns mais raros feitos no país, com produção e participação do célebre Conny Plank. Difícil de classificar, atravessa estilos como jazz fusion, krautrock, prog e groove, dominado por jams viajantes de órgão e bateria / percussão (todos tocados por Mike), além do vocal chapado e com letras em inglês. Destaque para a suíte 'Cracked Ice', que ocupa todo o lado B do LP.

Mike Lewis - Wuschel - 1971 (MP3 192 kbps):
https://yadi.sk/d/snyu5Q0itYkZL



Músicos:
Mike Lewis (órgão, bateria, percussão, vocal)
+
Conny Plank (guitarra)

Faixas:
01 Politician Boogie Shuffle 6:21
02 Wuschel Walks 4:18
03 Travellin' Man 5:10
04 Voodoo Woman 4:52
05 Cracked Ice 23:35




Destaque

CAPAS DE DISCOS - 1969 Bless It's Pointed Little Head - Jefferson Airplane

   C.D E.U - RCA BMG Heritage - 82876 61643 2.  Contracapa  Interior.  Disco.  Booklet.  Booklet.  Booklet.  Booklet.  Booklet. Booklet.