sexta-feira, 6 de outubro de 2023

“KEEP IT IN MIND” É O NOVO SINGLE DE ELECTRIC MAN

 

Electric Man, projeto a solo de Tito Pires em formato ‘one man band’, edita “Keep It In Mind”, o seu mais recente single, após o lançamento da faixa “Another Take Please” em março deste ano e “Believer” em 2021.

 

Num mundo inundado entre inúmeros influenciadores, esta nova música é um grito de liberdade e um incentivo a pensar pela própria cabeça”, sublinha o artista, que navega numa verdadeira aventura de exploração do it yourself, revelando-se num universo diverso, criativo e dançável, construíndo entre o rock e a música eletrónica, como é a prova dos seus dois discos de longa duração, “Electric Man” e “Electric Domestique”, editados em 2015 e 2017, respetivamente.

Nesta perspetiva, o vídeo que acompanha “Keep It In Mind” é realizado pelo próprio e traduz-se numa hipérbole à mensagem transcrita pela letra da música.

Com a colaboração do músico espanhol Ramos Dual no beat, e a já habitual participação de Pedro Lourenço na masterização, o tema e o videoclipe estão disponíveis digitalmente a partir deste dia 6 de outubro.

JOANA ALEGRE EDITA “UM SÓ DIA”… ÁLBUM-HOMENAGEM À POESIA CANTADA DE MANUEL ALEGRE

 

Joana Alegre acaba de editar nas plataformas digitais e em formato físico o álbum “Um Só Dia”, uma homenagem à poesia cantada de Manuel Alegre. O projeto inclui os temas inéditos da cantora e compositora, musicados a partir da poesia do pai, e conta com as participações de Agir, Ana Bacalhau, Camané, Cristina Branco, Jorge Palma e Vicente Palma.

Com curadoria de Joana Alegre, esta celebração teve início em 2021, com um primeiro espetáculo no Teatro São Luiz, em Lisboa. Com novos arranjos sob a direção musical de André Santos, “Um Só Dia” juntou em palco grandes nomes da música portuguesa na reinterpretação de célebres temas como “Uma Flor de Verde Pinho”, “Corpo Renascido” ou “Trova do Vento que Passa”.

 

Este disco é “uma homenagem e celebração dos 85 anos de vida e poesia cantada de Manuel Alegre, através do tempo e entre gerações”, refere Joana Alegre. A ideia começou a ser desenvolvida em plena pandemia quando, “na saudade e solidão, o poema ‘Lisboa Ainda’ juntou músicos à distância, e essa semente motivou a vontade de um projeto maior que recuperasse grandes canções, juntando novas, em arranjos contemporâneos e a participação generosa de grandes nomes da música portuguesa. Fica agora materializada em álbum esta força agregadora da poesia que se fez música, na partilha entre todos os que se juntaram para cantar e ouvir cantar o poeta”, completa a artista.

 

25º aniversario de Fates Warning: Still Life, 1998


25º aniversario de Fates Warning: Still Life, 1998



Músicas para recordar

Marcella Bella - Abbracciati


Joe Esposito - lady, Lady , Lady " ( 1983 )

 


Bee Gees - Don't Forget To Remember



Yes - Open Your Eyes - Live in Budapest 1998

 Yes - Open Your Eyes - Live in Budapest 1998

Bass, Bass Pedals, Vocals - Chris Squire
Guitars, Vocals - Steve Howe
Lead Vocals, Acoustic Guitar, Percussion - Jon Anderson
Drums, Percussion -- Alan White
Guitar, Vocals - Billy Sherwood
Keyboards, Vocals - Igor Koroshev



quinta-feira, 5 de outubro de 2023

“Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band”(Parlophone, 1967), The Beatles

 


Agosto de 1966. Logo após lançarem o inovador Revolver, os Beatles iniciam uma turnê pelos Estados Unidos para a divulgação do novo álbum. Apesar de rentável e com plateias lotadas, essa turnê norte-americana seria desgastante e tumultuada para o quarteto inglês. A recente entrevista de John Lennon onde ele afirmava que supostamente os Beatles eram mais populares do que Jesus Cristo ainda repercutia. Em cada cidade que iam tocar, eram recebidos com protestos por cristãos conservadores, mas também por manifestações de apoio de beatlemaníacos. Nas entrevistas coletivas, o assunto polêmico persistia. Num show em Saint Louis, um rojão atirado ao palco por alguém mal intencionado, uma clara evidência de que se tratava de uma represália à banda por causa da frase de Lennon.

Findada a estafante turnê, uma coisa ficou clara para os Beatles: a banda não mais faria shows ou turnês. O quarteto se mostrava cansado de todo daquele artificialismo da indústria pop, o excesso de exposição e o pouco tempo para criar coisas mais interessantes. Queria se aprofundar num trabalho mais artístico e instigante, processo, aliás, que já vinha acontecendo com os álbuns Rubber Soul e Revolver. A banda entrou de férias, cada um saiu pelo mundo (Lennon atuou num filme; George Harrison foi para a Índia se aprofundar nas técnicas de cítara com Ravi Shankar; Paul McCartney foi para o Quênia; Ringo foi dedicar mais tempo com a família), e retornaram em novembro para discutir o próximo disco, cuja ideia inicial era voltada para a infância e adolescência dos integrantes da banda, num clima extremamente nostálgico.

Preparando a revolução 

Os Beatles e o produtor George Martin na sessão de
gravação do álbum Sgt. Pepper's Lonely
Hearts Club Band
.
As primeiras faixas gravadas dentro desse conceito nostálgico foram "Strawberry Fields Forever", "When I'm Sixty-Four" e "Penny Lane", a partir de novembro de 1966, quando os Beatles entraram nos estúdios Abbey Road, em Londres, para a produção do próximo álbum ainda sem nome. Sabe-se que uma das inspirações para esse o novo disco era Pet Sounds, obra-prima dos Beach Boys, a qual Paul nunca escondeu sua admiração.

O fato dos Beatles de terem abandonado as turnês, a ausência de notícias e de terem se trancado e se concentrado na produção do novo álbum, deram margem a várias especulações. O que estariam fazendo os quatro, o que estaria por vir após um álbum tão inovador e ousado como Revolver? Alguns críticos acreditavam que nem os Beatles conseguiriam produzir um álbum pop superior a Revolver. Mas o que se comentava também é que o total silêncio significava que a banda estaria em crise e perto fim.

Para conter as fofocas e as especulações sobre o suposto fim do grupo, a EMI e o empresário da banda Brian Epstein, pressionaram o produtor George Martin e os Beatles para que lançassem um single. Em fevereiro de 1967, foi lançado o single “Strawberry Fields Forever" / "Penny Lane", e o público e a crítica especializada tiveram uma ideia do que os Beatles estavam produzindo com tanto silêncio. O que se percebeu é que baseado no single, algo mais inovador estava por vir. "Strawberry Fields Forever" foi composta por Lennon (apesar de registrada como Lennon-McCartney) e se referia a Strawberry Fields, um orfanato dirigido pelo Exército da Salvação, em Liverpool, onde o beatle costumava brincar quando criança nos parques que havia no local. O que se ouve na introdução da música parecendo uma flauta, na verdade é um  Mellotron, um misto de órgão e sintetizador, tocado por Paul. Foi uma das primeiras músicas a empregar o uso desse instrumento. A bela e lúdica "Penny Lane" é sobre uma rua de Liverpool e é carregada de saudosismo nos seus versos. As duas músicas presentes no singles eram um convite ao ouvinte a embarcar numa viagem ao mundo dos sonhos nostálgicos dos Beatles.

George Harrison, Ringo Starr e John Lennon na sessão de gravação de Sgt. Pepper's...
Apesar da boa recepção da crítica, o single não alcançou o topo das paradas. Pela primeira vez em quatro anos, um single dos Beatles não chegava ao 1º lugar durante seu lançamento. Diante dessa performance frustrante, a proposta temática de um álbum baseado nas memórias nostálgicas da infância da banda foi abandonada, e foi decidido que “Strawberry Fields Forever" e "Penny Lane" ficariam de foram do novo álbum. Era um hábito dos Beatles de não incluir num álbum, músicas que já haviam sido lançadas antes em formato single. Mais tarde, George Martin afirmou que devido à qualidade dessas duas músicas, foi um erro a exclusão delas do novo disco.

Paul McCartney na sessão de gravação
de Sgt. Pepper's...
Como nova proposta para o disco, Paul sugere que ela seja baseada numa música composta por ele e que já estava em processo de gravação, a faixa “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, composta por ele estava de férias no Quênia. A ideia para o álbum sugerida por Paul era que os Beatles se passassem por uma banda fictícia, a Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Banda do Clube dos Corações Solitários do Sargento Pimenta) citada na música. A ideia do novo conceito não só foi aprovada como o nome do álbum foi definido: Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.  O grande vitorioso nessa história toda foi Paul que passou a desempenhar um papel importante na concepção do álbum a partir de daí.

Já que os Beatles não fariam mais apresentações ao vivo, eles puderam dar vazão a ideias instrumentais mirabolantes difíceis de serem reproduzidas no palco, ao menos naquela época. A experiência do quarteto com uso de drogas como maconha e LSD serviu de elemento estimulante criativo para a produção de um tipo de música mais ousada e experimentalista. Efeitos sonoros como ruídos de animais, emprego de orquestra com 41 músicos, peças executadas com partitura em branco, nota que só os cães ouvem, foram só algumas das ideias que borbulhavam da cabeça dos Beatles e que George Martin teve que se virar para pô-las em prática. O equipamento de quatro canais usado nos estúdios Abbey Road não daria conta para gravações tão complexas. Foi preciso que os técnicos criassem todo um sistema de conexões de gravadores que pudessem suprir as necessidades de um projeto tão ambicioso.

Produção da capa

John Lennon e Ringo Starr no estúdio onde foram feitas as fotos para a capa e de Sgt. Pepper's...
Enquanto as sessões de gravação ocorriam, em março de 1967 foram feitas as fotos para a capa do álbum, cuja e ideia partiu de um esboço desenhado por Paul McCartney. Para um álbum tão especial e ambicioso, a capa tinha qu estará à altura. Foram contratados os artistas plásticos Peter Blake e Jann Haworth, ambos ligados à pop art e que montaram num estúdio fotográfico um cenário com a presença de 57 personalidades da cultura pop escolhidas pela banda. Elas aparecem reproduzidas ao fundo em colagens fotográficas montadas em papelão em tamanho natural, e dentre elas Albert Einstein, Aleister Crowley, Bob Dylan, Edgar Allan Poe, Karl Marx, Marilyn Monroe, Marlon Brando entre outras figuras importantes. A princípio, Jesus Cristo, Gandhy e Adolf Hitler estariam presentes também, mas para evitar maiores problemas, a ideia de inclusão deles foi descartada. A EMI mostrou-se temerosa com a capa e firmou um acordo com os Beatles, no qual a banda embolsaria a gravadora com o valor de 40 milhões de dólares caso ações judiciais fossem movidas pelos retratados ou descendentes.

Além das celebridades ao fundo, foram incluídos à frente as estátuas em cera dos Beatles trajados em terninhos como estivessem assistindo ao próprio “sepultamento” simbolicamente representado por flores vermelhas que formam o nome da banda. O calor dos holofotes chegou a murchar algumas plantas do cenário. Ao centro, os Beatles “reencarnados” como a Sgt. Pepper Lonely Hearts Club Band, o quatro vestidos em trajes de uma banda marcial em cores fluorescentes. Uma boneca com a inscrição “Welcome The rolling Stones” foi incluída sentada à direita da imagem, gentileza que foi retribuída pelos Rolling Stones na capa do álbum que eles lançaram depois, o também psicodélico Their Satanic Majesties Request, lançado no final de 1967, onde cada um dos Beatles aparece camuflados em meio a flores.  As fotos ficaram por conta de Michael Cooper.

Lançamento

Os Beatles na noite de lançamento do álbum
numa coletiva para a imprensa na casa 

de Brian Epstein.
Após sete meses, 700 horas de gravação e um custo de 25 mil libras esterlinas (uma fortuna na época para gravar um disco; só a capa custou 3 mil libras esterlinas), em  1º de junho de 1967, finalmente Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, o oitavo e tão esperado álbum dos Beatles foi lançado no Reino Unido. Nos Estados Unidos chegou às lojas no dia seguinte. A espera e a demora valeram a pena, o impacto musical e estético do álbum sobre o público e a crítica foi acachapante. A crítica musical caiu de joelho diante do mais novo e ambicioso trabalho dos Beatles, trazendo uma mistura de rock, vandeville, música indiana, cravos barrocos, clima de circo, orquestra sinfônica, truques de gravação e psicodelia. Para o The New York Times era “um novo e dourado renascimento da canção”. O crítico musical do jornal londrino The Times, Kenneth Tynan, afirmou que Sgt. Pepper é "um momento decisivo na história da civilização ocidental".  A revista britânica New Statesman afirmou que o álbum elevou a música pop ao status de obra de arte. Para a revista TimeSgt. Pepper significou “uma evolução histórica no progresso da música”. Dentre os artistas, que adorou o álbum certamente foi Jimi Hendrix que poucos dias após o lançamento tocou a faixa “Sgt. Peppers...” num show.

Comercialmente, o álbum teve um ótimo desempenho durante o seu lançamento. Ficou 27 semanas em 1º lugar em vendas no Reino Unido nas paradas de álbuns e 15 semanas no topo nas paradas dos Estados Unidos. Em três meses, o álbum já havia chegado à marca de 2,5 milhões de cópias vendidas.

Sgt. Pepper faixa a faixa



O álbum abre com a faixa-título na qual se ouve na sua introdução sons de instrumentos como se fizessem uma passagem de som e vozes confusas para logo darem lugar à guitarra distorcida de George Harrison. A canção é um convite para quem ouve o álbum assistir ao espetáculo Sgt. Pepper e sua banda. Logo que termina, ela é interligada à segunda faixa, "With A Little Help From My Friends", na voz do baterista Ringo Starr e que fala sobre amizade e companheirismo. A lisérgica "Lucy In the Sky With Diamonds" gerou polêmica na época por ser considerada uma alusão ao LSD.  Lennon negou afirmando que a música foi composta depois que ele viu um desenho feito por seu filho Julian Lennon (na época com 4 anos). Alice No País das Maravilhas, de Lewis Carrollteria sido uma das inspirações para os versos cheios de fantasia na letra da música. O livro de Carroll foi também referência para outro rock  psicodélico marcante, “White Rabbit”, da banda Jefferson Airplane.

"Getting Better" fala de um sujeito que busca se tornar uma pessoa melhor. No entanto, um trecho da letra carrega um teor machista “I used to be cruel to my woman / I beat her and kept her apart from the things that she loved” (“Eu era cruel com minha mulher e batia nela/E a mantive longe das coisas que ela amava”). Anos mais tarde, Lennon disse numa entrevista que a letra refletia o que ele era quando bem jovem, mas que não era nada do qual ele se orgulhava. A maturidade e a convivência com Yoko Ono deram-lhe outra visão sobre a mulher. “Fixing A Hole” começa com um cravo barroco tocado pelo produtor George Martin na sua introdução, tendo mais à frente George Harrison com uma guitarra distorcida e Ringo conduzindo uma bateria levemente jazzística. A bela canção pop barroca "She's Leaving Home" foi composta por Paul baseado numa notícia de jornal em que uma adolescente deixou a casa dos pais e sumiu.  Paul canta acompanhado por uma pequena orquestra formada por violoncelos, violinos, violas, contrabaixo acústico e harpa. Ela guarda um grau de “parentesco” com “Yesterday” e “Eleanor Rigby”.  Fechando o lado A do album está "Being For The Benefit Of Mr. Kite!" composta por Lennon inspirado num cartaz de circo do século 19 que ele comprou num antiquário. Efeitos sonoros e dois órgãos elétricos (um Hammond e um Lowrey) criam um clima circense psicodélico na música.

Poster comprado por John Lennon e que
serviu de inspiração para
"Being For The Benefit Of Mr. Kite!"
Única canção de George Harrison no álbum, "Within You Without You" abre o lado B do álbum. É uma canção espiritualista, reflete o profundo envolvimento de George com religiosidade e a filosofia hindu. A canção é também a única do álbum em que os Beatles não tocam, George é acompanhado de instrumentos e de músicos indianos. No entanto, há também o emprego de instrumentos ocidentais como violinos e violoncelos. "When I'm Sixty-Four" foi composta por Paul na adolescência, e seus arranjos são no ragtime, gênero musical precursor do jazz e que foi muito popular nos Estados Unidos entre o final do século XIX e começo do século XX. A canção é sobre um jovem que faz planos com a namorada de envelhecer juntos. Em “Lovely Rita", Paul canta que está apaixonado por uma guarda de trânsito chamada Rita. Os backing vocals bem afinados de John e George parecem dar “cor” à música. Um cacarejar de um galo anuncia “Good Morning Good Morning”, rock que traz solos distorcidos de guitarra de George, e se encerra com sons de animais que parecem sair em disparada. "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise)" é uma repetição da faixa-título só que numa versão elétrica e rápida que a primeira. A princípio, seria a faixa de encerramento do álbum.

"A Day In The Life" encerra o álbum com chave de ouro. John imaginou uma orquestra simulando um som “evoluindo do nada até o fim do mundo”. Para tanto, foi convocada um orquestra de 41 músicos que sob a condução de George Martin, executou acordes que iam de notas mais baixas até as notas mais altas possíveis, criando um clima “apocalíptico” e que aparecem no meio e no fim da música. O final “apocalítico” é concluído com um acorde monumental de três pianos executados simultaneamente a 10 mãos: Lennon, Paul, Ringo, George Martin e Mal Evans (roadie dos Beatles). Uma das mais fantásticas músicas dos Beatles, "A Day In The Life" foi talvez a faixa mais trabalhosa para gravar de Sgt. Pepper.  Para gravar uma faixa tão complexa, era necessária uma máquina de oito canais, mas como os estúdios Abbey Road não dispunham de uma mesa dessas foi necessário improvisar usando duas máquinas de quatro canais trabalhando em sintonia, e o mérito para esse improviso se deve ao engenheiro de som Geoff Emerick. No intuito de criar um som imponente nos trechos onde a orquestra faz os acordes do “fim do mundo” como queria Lennon, George Martin quadruplicou os acordes durante a mixagem criando uma ilusão de uma orquestra de 164 músicos. Um processo parecido foi adotado pelo Queen em 1975 ao multiplicar as vozes de Freddie Mercury, Brian May e Roger Taylor para soarem como um imenso coral em “Bohemian Rhapsody".

O sucesso de público e de crítica fez Sgt. Pepper concorrer ao prêmio Grammy no ano seguinte, quando foi premiado em quatro categorias: “Melhor Capa”, “Melhor Engenharia de Som”, “Melhor Álbum Contemporâneo”, “Álbum do Ano” (1º álbum de rock a ganhar nessa categoria).

Paz, amor e Sgt. Pepper




O ano de 1967 foi marcado pelo chamado “Verão do Amor” quando estoura o movimento hippie pregando a paz, a liberdade, o amor livre, a espiritualidade oriental e a expansão da mente através do uso de drogas como o LSD. Eram tempos de grandes transformações comportamentais e turbulências na geopolítica mundial, tendo a Guerra do Vietnã como principal alvo de manifestações pacifistas hippies. Como trilha sonora de um período tão conturbado, astros de rock buscavam reproduzir através da música as sensações provocadas pelas drogas lisérgicas. O experimentalismo sonoro e os efeitos de estúdio, as letras dotadas de fantasias e alegorias poéticas, ajudavam a criar todo um universo lúdico psicodélico, mas sem abrir mão da contestação. Dentro desse contexto musical, várias bandas de rock lançaram álbuns psicodélicos marcantes como o primeiro e autointitulado álbum dos Doors, Surrealistic Pillow (Jefferson Airplane), Are You Experience (The Jimi Hendrix Experience), The Velvet Underground & Nico (Velvet Underground), e mais à frente no final daquele ano, The Piper At The Gates Of Dawn (Pink Floyd), Disraeli Gears (Cream) e Their Satanic Majestic Request (Rolling Stones).

Tropicália Ou Panis Et CircensisSgt. Pepper... serviu
 de inspiração para o disco-manifesto tropicalista.
E foi em meio a esse cenário musical lisérgico que Sgt. Pepper foi lançado e através do qual os Beatles se tornam o “farol” de toda uma geração. O álbum representou a integração dos Beatles com a contracultura psicodélica que se expandia em todo o mundo. George Harrison chegou a frequentar a Haigh-Ashbury, uma esquina em San Francisco que virou a “meca” hippie dos anos 1960. Paul McCartney deu uma entrevista para uma emissora de TV onde disse que havia experimentado LSD. John Lennon comprou u Rolls-Royce e pintou com cores psicodélicas. Os Beatles assinaram um manifesto em apoio à legalização da maconha e assistem a uma palestra e Londres do guru indiano Maharishi Mahesh Yogi.

Além de ter sido o trabalho mais ousado da carreira dos Beatles, Sgt. Pepper representou uma profunda transformação no rock, estimulando a conexão do gênero com a música erudita e com as mais diversas manifestações culturais pelo mundo. No Brasil, o álbum exerceu forte influência sobre o Tropicalismo que integrou as vanguardas da música pop internacional com as mais variadas expressões tradicionais da música popular brasileira. O disco-manifesto tropicalista Tropicalia Ou Panis Et Circencis (1968) foi produzido sob inspiração do conceito de Sgt. Pepper

Legado



Sgt. Pepper  representou um marco do experimentalismo e da ousadia na música pop ao romper com o formato padrão da canção de 3 a 4 minutos. O álbum mostrou que era possível o rock ser um gênero musical desafiador do ponto de vista da criação, mais elaborado, seja nos arranjos, na produção fonográfica ou nas letras.  Se tornou uma das referências para o surgimento do rock progressivo na virada dos anos 1960 para os anos 1970.

A importância de Sgt. Pepper no entanto não reside apenas no campo musical, mas também na área gráfica. Os Beatles já percebiam a importância da capa de disco em Revolver, mas em Sgt. Pepper  extrapolaram. O álbum não só tem uma das capas de disco mais icônicas de todos os tempos como também foi o primeiro álbum a trazer as letras das músicas num encarte. Além disso, trazia como brinde figuras para serem recortadas para brincar como uma imagem de Sgt. Pepper, um bigode,  duas medalhinhas e um suporte com os quatro Beatles com os uniformes da capa.  

Ao longo de 50 anos, Sgt. Pepper continua na lista dos álbuns mais vendidos em todos os tempos. No Reino Unido, é o 3º álbum mais vendido da história do Reino Unido com mais 5 milhões de cópias vendidas. Nos Estados Unidos, até hoje ultrapassou pouco mais de 11 milhões de cópias. Em todo o mundo, 30 milhões de cópias já foram vendidas. Sgt. Pepper  é presença frequente nas listas de melhores álbuns de todos os tempos, como a da revista Rolling Stone, “500 Maiores Álbuns de Todos os Tempos”, onde ficou em 1ºlugar.

Faixas:

Lado A

  1. "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band"            
  2. "With A Little Help From My Friends"   
  3. "Lucy In The Sky With Diamonds"           
  4. "Getting Better"             
  5. "Fixing A Hole"                
  6. "She's Leaving Home" 
  7. "Being For The Benefit Of Mr. Kite!" 

Lado B

  1. "Within You Without You"         
  2. "When I'm Sixty-Four"                
  3. "Lovely Rita"     
  4. "Good Morning Good Morning"             
  5. "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise)"                        
  6. "A Day In The Life"             

Todas as faixas foram compostas por Lennon-McCartney, exceto "Within You Without You", composta por George Harrison.



    
"A Day In The Life" 



Crítica: “A Feast On Sorrow” de Urne: a profundidade sonora da perda. (2023)




​A odisséia musical apresentada por Urne em seu segundo lançamento, “A Feast On Sorrow”, atravessa a vasta extensão de paisagens emocionais com força inabalável e habilidade impecável. Liderada pelo indomável Joe Nally, a banda embarca numa viagem através da reflexão pessoal e do poço profundo das emoções humanas. Como Nally afirma eloquentemente,  “perder pessoas é uma coisa horrível ”, um sentimento que ressoa ao longo deste álbum, servindo como um testemunho comovente do peso de tal perda.

Sobre a produção

A composição musical de “A Feast On Sorrow” incorpora uma abordagem visceral e implacável. O álbum pulsa com raiva, agressão e uma aura inegavelmente mais sombria do que seus lançamentos anteriores, refletindo a recusa da banda em aderir aos limites convencionais. Urne quebra corajosamente preconceitos, demonstrando seu potencial desenfreado à medida que ascendem em direção a um reconhecimento mais amplo na indústria musical. Em essência, Urne possui os ingredientes de uma formidável equipe de salto em altura, superando repetidamente desafios auto-impostos colocados em alturas impressionantes.

Nas profundezas deste álbum estão momentos de profundo impacto, convidando os ouvintes a retornar e absorver as emoções cruas e não filtradas que eles encapsulam. A justaposição de peso brutal e melancolia comovente cria uma experiência auditiva única. A performance de Joe Nally brilha enquanto ele revela seus sentimentos mais íntimos através de gritos angustiados e refrões melódicos elevados e comoventes. Através da sua entrega magistral, os ouvintes são transportados para as profundezas das emoções dos artistas.

Urne colocou tudo de si na criação de uma obra-prima absoluta com “A Feast On Sorrow”. Este álbum os posiciona inequivocamente como fortes concorrentes no ecossistema do gênero no Reino Unido. Cada faixa serve como um testemunho da evolução da banda na vibrante cena metal desta região, mostrando sua habilidade musical e dedicação.

“A Feast On Sorrow” destaca-se como uma exploração profunda do luto e da perda, inspirada nas experiências pessoais de Joe Nally. O álbum navega nessas águas carregadas de emoção com uma mistura notável de gêneros musicais, entrelaçando sem esforço elementos de stoner doom, sludge e thrash metal progressivo. O retorno do ex-baterista James Cook aumenta ainda mais a curiosidade, e o álbum faz jus às expectativas, revelando uma intrincada trama de sonoridade densa.

Ao longo do álbum, o complexo trabalho de guitarra de Angus Neyra impulsiona o poder por trás dos vocais de Joe Nally, resultando em riffs abrasadores e harmonias sulcadas. A fusão de elementos thrash e sludge adiciona uma textura multifacetada à música. Estas camadas musicais sofisticadas são complementadas pelos ritmos dinâmicos e fortes de James Cook, criando uma paisagem sonora cativante.

Ao longo das faixas um ritmo implacável é estabelecido com sua combinação de acordes melancólicos e uma explosão de thrash metal explosivo em contraste com as demais músicas. Você pode descobrir como os diferentes momentos resumem o tema recorrente do álbum:  “Para onde vão as memórias?” Não apenas através de peças épicas de onze minutos, mas as melodias, em geral, percorrem guitarras dissonantes, sequências dramáticas de heavy metal e até elementos hardcore.

> Uma curiosidade sobre o álbum é que ele foi produzido por Joe Duplantier do Gojira, no Silvercord Studios, NY.

Executando o álbum

"A Feast on Sorrow" de Urne é um álbum complexo e carregado de emoção que leva os ouvintes a uma jornada através de temas de sofrimento, perda e experiência humana. O álbum é uma exploração sonora dos demônios interiores da banda e da turbulência de lidar com doenças terminais e envelhecimento, tornando-o um trabalho profundamente pessoal e introspectivo.

O álbum começa com "The Flood Came Rushing In", uma faixa implacável e agressiva que dá o tom para o resto do álbum. A letra da música é uma comovente reflexão sobre a deterioração causada por doenças como a demência, e a música combina com a intensidade do assunto. A combinação de riffs de guitarra thrash e vocais dinâmicos de Joe Nally, variando de gritos guturais a melodias limpas, cria uma sensação de urgência e emoção crua.

Segue “To Die Twice”, oferecendo uma atmosfera mais lenta e reflexiva. A música explora contemplativamente o conceito de sofrimento e a ideia de que experimentá-lo duas vezes é uma maldição. A coda acústica no final adiciona profundidade e contraste ao peso da música, proporcionando um momento de descanso antes das composições mais longas do álbum.


"A Stumble of Words" é um dos destaques do álbum, mostrando a habilidade de Urne em misturar vários elementos musicais com fluidez. Este épico de 11 minutos leva os ouvintes a uma jornada emocional, desde passagens melancólicas até seções cruas e agressivas. A versatilidade vocal de Nally brilha enquanto ele faz a transição de rosnados roucos para cantos clássicos de rock. A complexidade instrumental da música, que inclui ritmos tribais e solos melódicos, demonstra o domínio da banda em seu ofício.


Tanto "The Burden" quanto "Becoming the Ocean", ambos lançados como singles, são faixas de destaque que capturam a essência do som de Urne. "The Burden" combina riffs sincopados com elementos de black metal, enquanto "Becoming the Ocean" desencadeia um ataque implacável de thrash técnico. Ambas as músicas mostram as proezas musicais da banda e sua capacidade de criar composições intensas e memoráveis.


A faixa-título, “A Feast on Sorrow”, surpreende os ouvintes com uma melodia de piano contemplativa antes de mergulhar em riffs pesados. A letra reflete sobre o peso do sofrimento e o custo emocional que isso acarreta. Os contrastes entre as seções pesadas e melódicas da música refletem o tema principal do álbum, a turbulência emocional.


“Peace” serve como um breve interlúdio, proporcionando um momento de reflexão tranquila. Seu tom sombrio contrasta com a intensidade das faixas anteriores, permitindo ao ouvinte recuperar o fôlego antes da reta final.

"O longo adeus / para onde vão as memórias?" serve como o grande final do álbum, com mais de 11 minutos de duração. Esta canção épica explora as consequências emocionais da perda e a possibilidade de uma vida após a morte através das memórias. Combina elementos de metal progressivo com vocais poderosos e um intrincado trabalho de guitarra, oferecendo uma conclusão comovente ao álbum.

Por fim, tudo leva a mencionar que “A Feast on Sorrow” é um álbum magistral que navega habilmente por temas de sofrimento e perda através de uma ampla gama de estilos musicais e emoções. A capacidade de Urne de criar composições dinâmicas, juntamente com os vocais versáteis de Joe Nally, tornam este álbum uma experiência auditiva cativante e carregada de emoção. É uma prova do crescimento e maturidade da banda como músicos, consolidando o seu lugar no mundo da música pesada.

Deduções finais

A sucessão de faixas ao longo do álbum oferece uma montanha-russa de emoções, alternando perfeitamente entre intervalos melódicos e ferocidade intensa, embora às vezes se aprofunde ainda mais no tema abrangente do álbum, a perda de memória e o impacto emocional que isso acarreta. Com acordes melódicos doom e belos solos de guitarra, esta produção destaca a capacidade de Urne de transmitir emoções complexas através de sua música.

O álbum inteiro não ressoa apenas como um triunfo musical, mas também como uma poderosa exploração da experiência humana. A capacidade de Urne de infundir em sua música emoção, energia e mistério os diferencia. Eles abordam um assunto desafiador com graça e autenticidade, criando um álbum lindo e profundamente comovente.

Embora esta última produção de Urne consiga estabelecer um equilíbrio harmonioso entre contundência e melodia, ao incorporar secções melódicas que contribuem para apurar a experiência auditiva e intensificar ainda mais as partes com maior peso musical, em última análise, pode ser classificada como uma obra musical de marcada robustez em metal. Constitui uma delícia inegável para os fãs do género que apreciam a intensidade rítmica característica do headbanging, oferecendo uma sonoridade que provavelmente irá cativar tanto os fãs jovens como aqueles que cultivaram o seu gosto musical em tempos passados, seja com bandas icónicas como Metallica e Slayer na década de 1980 ou com formações contemporâneas como Trivium, Mastodon ou Gojira. Em “Um banquete para a tristeza”,

Concluindo, "A Feast On Sorrow" é um testemunho do crescimento artístico de Urne e de sua capacidade de criar música sólida e de qualidade. Este álbum é um tour de force do heavy metal moderno, uma montanha-russa de emoções e uma reflexão sobre o indomável espírito humano diante da perda e da adversidade. Urne solidificou seu lugar como uma força a ser reconhecida no mundo do metal moderno.

ROCK ART


 


Classic Rock - Curiosidades (Em 05/10/1943: Nasce Steve Miller )

 


Em 05/10/1943: Nasce Steve Miller
Parabéns Steve Miller
Nome de nascença: Steven Haworth Miller
Nascimento: 5 de outubro de 1943 (80 anos)
Milwaukee, Wisconsin, EUA
Gênero(s): Rock, Blues-rock, hard rock,
psychedelic rock, heartland rock, Rock, Blues-rock,
Rock psicodélico, Southern rock, Rock and roll
Ocupação (ões) Músico
Instrumento(s) : Vocais, guitarra, gaita, teclados
Período em atividade: 1962 - atualmente
Grupos musicais: Steve Miller Band (Desde 1967), Caravan (1971 – 1972), Delivery,
The Ardells.
Steve Miller é um guitarrista, cantor e
Compositor, multi-instrumentista, americano, conhecido como líder da Steve Miller Band.
Ele começou sua carreira no blues e blues rock e evoluiu para um som de arena rock mais pop durante meados da década de 1970 até o início da década de 1980, lançando singles e álbuns populares. Miller foi introduzido no Rock and Roll Hall of Fame em 2016.



Cage the Elephant - Social Cues 2019

 

Considerando como Cage the Elephant trouxe para casa o Grammy de Melhor Álbum de Rock por  Tell Me I'm Pretty  em 2017, é um pouco surpreendente que seu sucessor, Social Cues, abandone o produtor estético violento que  Dan Auerbach  trouxe para a banda. Auerbach  ajudou Cage the Elephant a enfatizar os elementos de garagem escondidos em sua música, uma sensibilidade que está ausente em Social Cues. CTE trabalha com o produtor  John Hill , que já dirigiu álbuns de  Florence + the Machine , para este álbum de 2019, mas uma referência melhor para o que eles estão tentando alcançar é  Beck, que aparece no single "Night Running" e se juntou ao grupo em uma turnê de divulgação do álbum. Principalmente em  Colors , o LP de 2017 que lhe rendeu um Grammy de Melhor Álbum Alternativo,  Beck especializado em um pop pan-cultural brilhante e vívido, cujos ecos podem ser ouvidos no Social Cues. Cage the Elephant também pinta Social Cues com tons fortes retirados de uma paleta primária, mas eles não estão especialmente interessados ​​no aqui e agora. Embora possa haver alguns toques de estilo moderno nas margens - eles exibem um gosto particular por baterias eletrônicas - Social Cues bate em uma pulsação iluminada por neon apropriada dos dias de glória da MTV. Um brilho tão brilhante evoca os anos 80, mas como todos os álbuns do Cage the Elephant, Social Cues é uma mistura astuta de elementos familiares cuja origem está fora de alcance. Ao fazer uma mudança de direção tão decisiva, o CTE acaba amortecendo as rajadas de  White Stripes ,  Strokes e  Pixies. que definiu sua primeira década de discos, mas essa mudança também enfatiza como o grupo é, no fundo, artistas pop-pastiche, favorecendo estilo e som em vez de uma música bem aprimorada.




Destaque

CAPAS DE DISCOS - 1969 Bless It's Pointed Little Head - Jefferson Airplane

   C.D E.U - RCA BMG Heritage - 82876 61643 2.  Contracapa  Interior.  Disco.  Booklet.  Booklet.  Booklet.  Booklet.  Booklet. Booklet.