terça-feira, 19 de março de 2024

Os 100 melhores álbuns de rock argentino segundo a Rolling Stone

 

Talvez devêssemos esclarecer desde já: a seguinte lista não foi elaborada por nós, e a ideia de apresentá-la aqui não é porque se propõe como uma demonstração objetiva de quais trabalhos fazemos ou não devemos levar em consideração. conta, pois faltam (e na minha perspectiva também faltam) muitas obras indispensáveis ​​do rock argentino, embora talvez não tão difundidas. Mas temos alguns discos de rock argentino essenciais que nenhum interessado no assunto deveria deixar de levar em consideração. E atenção, no blog teimoso não tentamos criar um ranking dos “melhores” ou dos mais “bem sucedidos” pois não damos a mínima para o sucesso e o “melhor” é apenas subjetivo, mas acima de tudo nós assustam-se com a ideia de tentar impor uma opinião, um ponto de vista único e uma forma única de ver as coisas.



Tudo começou em meados dos anos 60, quando Litto Nebbia e Tanguito escreveram a primeira música, Moris gravou o primeiro disco, Almendra foi o primeiro grupo e Manal invocou o som da rua. Os anos 70 foram sombrios, embora tenham produzido grandes álbuns, com Spinetta, Pappo e tantos outros comandando o navio.

Já na década de 80, o reinado dos grandes solistas dominava as grandes audiências - 
Charly García era a grande antena nacional - enquanto grupos como Virus , Sumo , Soda Stereo e sobretudo Patricio Rey e Sus Redonditos de Ricota cozinhavam uma revolução que eclodiu no final da década, e o under estava se fortalecendo com vistas ao futuro.
Os anos 90 pertenceram aos grupos alternativos. Andrés Calamaro e algumas outras coisinhas embora com muita falta de imaginação. A década de 2000 viu Babasónico , Bersuit , Los Piojos e La Renga encherem estádios no que foi, sem dúvida, o início do fim da indústria fonográfica, porque nos últimos anos a produção desacelerou, o que na verdade é uma tendência mundial: por que continuar gravando álbuns se eles não venderem mais como antes?
Foi assim que os grandes concertos passaram a dominar tudo. E enquanto esperamos pelos grandes álbuns do futuro, nada melhor do que uma exploração daqueles do passado que fizeram da Argentina a maior pátria do rock da América Latina.



Os 100 melhores álbuns de rock argentino segundo a Rolling Stone

Edição especial da revista Rolling Stone Argentina (junho de 2013) com base em uma pesquisa realizada entre músicos, produtores, fotógrafos e outras pessoas do meio musical argentino.

A edição traz detalhes de cada um dos álbuns, playlist com 100 músicas, quem votou e o resultado da pesquisa. Estes são os cem melhores:

Os dez melhores




Lista completa

  1. Luis Alberto Spinetta (acreditado a Pescado Rabioso), Artaud 1973
  2. Charly García, Clics modernos 1983
  3. Manal, Manal 1970
  4. Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota, Oktubre 1986
  5. Sumo, Divididos por la felicidad 1985
  6. Almendra, Almendra 1969
  7. Divididos, La era de la boludez 1993
  8. Moris, Treinta minutos de vida 1970
  9. Soda Stereo, Canción animal 1990
  10. Andrés Calamaro, Alta suciedad 1997
  11. Pappo’s Blues, Vol. 2 1972
  12. Charly García, Piano Bar 1984
  13. Fito Páez, El amor después del amor 1992
  14. Vox Dei, La Biblia 1971
  15. Los Twist, La dicha en movimiento 1983
  16. Babasónicos, Jessico 2001
  17. Serú Girán, La grasa de las capitales 1979
  18. Virus, Superficies de placer 1987
  19. Pescado Rabioso, Pescado 2 1973
  20. Los VioladoresLos Violadores 1983
  21. Los Fabulosos Cadillacs, El león 1992
  22. Sumo, Llegando los monos 1986
  23. León Gieco, De Ushuaia a La Quiaca 1985/86
  24. Luis Alberto Spinetta, Kamikaze 1982
  25. Soda Stereo, Signos 1986
  26. Charly García, Yendo de la cama al living 1982
  27. Pappo’s Blues, Vol. 1 1971
  28. Invisible, El jardín de los presentes 1976
  29. Los Abuelos de la Nada, Vasos y besos 1983
  30. Andrés Calamaro, Honestidad brutal 1999
  31. Sui Generis, Pequeñas anécdotas sobre las instituciones 1974
  32. Don Cornelio y la Zona, Don Cornelio y la Zona 1987
  33. Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota, ¡Bang! ¡Bang!… Estás liquidado 1989
  34. David Lebón, David Lebón 1973
  35. Los Auténticos Decadentes, Mi vida loca 1995
  36. Los Gatos, Los Gatos 1967
  37. Ratones Paranoicos, Los chicos quieren rock 1988
  38. Illya Kuryaki and the Valderramas, Chaco 1995
  39. Pedro y Pablo, Conesa 1972
  40. Almendra, Almendra 2 1970
  41. Pappo's Blues, Vol. 3 1973
  42. Sumo, After chabón 1987
  43. Fito Páez, Ciudad de pobres corazones 1987
  44. Todos Tus Muertos, Dale aborigen 1994
  45. Miguel Abuelo, Miguel Abuelo & nada 1975
  46. Aquelarre, Aquelarre 1972
  47. Catupecu Machu, El número imperfecto 2004
  48. Litto Nebbia, Melopea 1974
  49. Color Humano, Vol. 3 1974
  50. Daniel Melero, Conga 1988
  51. La Pesada del Rock and Roll, Billy Bond y La Pesada del Rock and Roll 1971
  52. Arco Iris, Sudamérica o el regreso a la aurora 1972
  53. V8, Luchando por el metal 1983
  54. Virus, Wadu Wadu 1981
  55. Los Encargados, Silencio 1986
  56. Tanguito, Tango 1973
  57. Pedro y Pablo, Yo vivo en esta ciudad (single) 1970
  58. Riff, Contenidos 1982
  59. Babasónicos, Trance zomba 1994
  60. Andrés Calamaro, Nadie sale vivo de aquí 1989
  61. Spinetta-Páez, La la la 1986
  62. Los Brujos, Fin de semana salvaje 1991
  63. Fun People, The art(e) of Romance 1999
  64. Ataque 77, El cielo puede esperar 1990
  65. Invisible, Invisible 1974
  66. Sui Generis, Vida 1972
  67. Hermética, Ácido argentino 1991
  68. Serú Girán, Bicicleta 1980
  69. Spinetta Jade, Bajo Belgrano 1983
  70. Divididos, Narigón del siglo 2000
  71. La Máquina de Hacer Pájaros, Películas 1977
  72. Los Visitantes, Salud universal 1992
  73. La Renga, Despedazado por mil partes 1996
  74. Peligrosos Gorriones, Peligrosos Gorriones 1993
  75. Litto Nebbia, Muerte en la catedral 1992
  76. Crucis, Los delirios del mariscal 1977
  77. Almafuerte, Mundo guanaco 1995
  78. Los Piojos, Tercer arco 1996
  79. Massacre, Sol lucet omnibus 1997
  80. Flopa Manza Minimal, Flopa-Manza-Minimal 2003
  81. Cerati-Melero, Colores santos 1992
  82. Fito Páez, Giros 1985
  83. Las Pelotas, Esperando el milagro 2003
  84. Los Abuelos de la Nada, Los Abuelos de la Nada 1982
  85. Bersuit Vergarabat, Libertinaje 1998
  86. Gustavo Santaolalla, Santaolalla 1982
  87. Intoxicados, No es sólo rock & roll 2003
  88. Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota, Luzbelito 1996
  89. PorSuiGieco, PorSuiGieco 1976
  90. Gustavo Cerati, Ahí vamos 2006
  91. La Portuaria, Escenas de la vida amorosa 1991
  92. El Otro Yo, Abrecaminos 1999
  93. León Gieco, Mensajes del alma 1992
  94. Los Gatos, Rock de la mujer perdida 1970
  95. 2 Minutos, Valentín Alsina 1994
  96. Estupendo, Bistró Málaga 1994
  97. Fricción, Consumación o consumo 1986
  98. Juan Carlos Baglietto, Tiempos difíciles 1982
  99. Man Ray, Perro de playa 1991
  100. Roque Narvaja, Octubre, mes de cambios 1991

Big Brother and the Holding Company – Cheap Thrills (1968)

 

O primeiro disco a revelar o génio de Janis Joplin. A angústia de uma geração captada, por fim, em vinil.

Os Big Brother estavam no sítio certo (San Francisco) na altura certa (summer of love). Quem se lembra não esteve lá.

A vocalista era a ilustre desconhecida Janis Joplin mas a a sua mítica actuação no festival de Monterey mudou tudo, transformando-a num ícone da contracultura. O primeiro disco dos Big Brother – competente mas banal – não conseguiu reproduzir a magia. Era preciso com urgência um álbum que validasse o hype. Chegou em 1968 com Cheap Thrills.

Poucos discos captaram melhor o espírito tumultuoso dos anos 60. Tudo nele é intenso e desmedido. As guitarras acid rock são ferozes, cheias de feedback e tensão. A produção é maravilhosamente grosseira. Mas a voz selvagem de Janis é o elemento que eleva tudo para outra dimensão. Uma voz que não tem regras, não tem limites, não tem técnica: é a emoção em estado puro, extravasando como um rio.

Quando em “Piece of My Heart” Janis nos diz “toma um pedaço do meu coração” não há qualquer teatro. É mesmo o seu coração a sangrar que nos oferece. E Janis sofreu muito: incompreendida pelos seus pais conservadores, humilhada pelos seus colegas de escola, usada e descartada pelos seus amantes. “Em palco, faço amor com 25 mil pessoas; depois, regresso a casa sozinha”, desabafaria um dia. Seria prudente Janis resguardar-se, guardar uma distância de segurança que a protegesse do mundo-cão. Mas Janis não sabe fazer isso, expondo-se, desarmada. É essa a força da sua arte. É essa a sua maldição.

Quando Janis nos sussurra “Summertime” há sexo na sua voz rouca e lamacenta. Joplin estava longe de corresponder aos (sempre tacanhos) ideais de beleza. Num acto de abjecta crueldade, os colegas de faculdade haviam-na eleita “o homem mais feio do campus”, devastando a sua frágil auto-estima. Mas quem ri por último ri melhor: o patinho feio era agora um bonito cisne hippie, uma bandeira da nova mulher emancipada. E como era bonito o riso malandro e puro de Janis.

Numa decisão pouco consentânea com o espírito do tempo, foram adicionados falsos aplausos – um infeliz simulacro de um disco ao vivo. O último tema, o épico “Ball and Chain”, é a única excepção, registando com fidelidade uma actuação mágica no Fillmore East. Se o resto do álbum já prima pela sua feroz espontaneidade, o blues lancinante de “Ball and Chain” rebenta tudo. Era no palco, sem nenhuma bola e corrente a agrilhoá-la, que Janis dava o seu melhor.

Sem grandes surpresas, Cheap Thrills chega a número 1, vendendo 2 milhões de cópias. Deslumbrada pela fama, Janis abandonaria os Big Brother para abraçar uma meteórica carreira a solo (tragicamente interrompida por uma estúpida overdose). Os dois discos em nome próprio trocam o acid rock pelo R&B e são belíssimos, porventura até mais fortes a nível da qualidade das canções. Mas o documento que melhor espelha a essência de Janis – desesperada e indomável, rude e vulnerável – será sempre Cheap Thrills.



Kevin Morby – Oh My God (2019)


 Dois anos após City Music, Kevin Morby está de regresso com o seu quinto longa-duração. O álbum chama-se Oh My God e explora a ressaca (não) religiosa de Morby.

Kevin Morby já referiu que este seu novo registo acaba por ser algo que é religiosamente… não-religioso e ao longo do disco, esta frase acaba por ser examinada de várias formas e feitios. E aqui há um pouco de tudo. Desde as abreviações de OMG! às intermináveis vezes que Deus é invocado nas redes sociais, o Gospel, as rezas. “Congratulations”, por exemplo, começa com mulheres de várias idades a pedir a Deus por misericórdia. “Sing A Glad Song” evoca as qualidades de (outro Deus) Bob Dylan através de um piano imaculado e “O Behold” fecha o álbum num momento angelical que parece ascender aos céus. Mas também “Hail Mary”, “OMG Rock n Roll” e “Nothing Sacred / All Things Wild” podiam ser mencionadas. Já para não falar da faixa título, “Oh My God” que estabelece o tom para o que se lhe segue. E o que dizer da incrível “Savannah” que começa com a exploração minimalista do orgão de igreja e que traz um Ahh em coro arrepiante.

Oh My God é produzido por Sam Cohen que exalta a voz de Morby para o centro através de uma excelente produção. Cohen abençoa todo o álbum naquilo que Morby acaba por resumir em “Congratulations”: “This life is a killer! / But oh, what a ride! / Just to wake up each morning! / Just to open your eyes!”. E se há alguns discos que se devem ouvir idealmente através de auscultadores, a este deve-se dar a oportunidade de tocar em alto e bom som, quem sabe num sítio que até possa ecoar à vontade.

Resumindo, o sucessor de City Music, um relato de amor à cidade de Nova Iorque, é então um álbum religiosamente não-religioso. Mas também Lou Reed dizia que não era religioso e o seu Deus era o rock & roll. No caso de Morby, o género transcende-se para o folk-rock mas isso dos géneros é um por de menor relevância quando se trata de uma obra divina.



Vampire Weekend – Father of the Bride (2019)

 

Está descaradamente mais pop, tem mais guitarras acústicas, vai ao country e a Bollywood, as inspirações e influências estão descaradamente mais evidentes, não é o disco que a maioria dos fãs esperava, mas é incrivelmente melodioso e inequivocamente Vampire Weekend.

Era sem dúvida um dos discos mais aguardados dos últimos tempos. Passaram seis anos desde o álbum anterior e também havia curiosidade para ver como é que a banda lidaria com a saída do compositor/multi-instrumentista/produtor Rostam Batmanglij.

E a verdade é que Father of the Bride começa por causar alguma estranheza – primeiro porque é um álbum duplo, embora a geração spotify não tenha dado conta. São 18 canções, é muito para um disco, mas espalhado pelo conceito de um duplo disco, faz mais sentido. Depois causa estranheza porque se ouve muita guitarra acústica, ouve-se Ezra Koening a fazer duetos ao mais puro jeito country – quando se esperava era indie-pop-afro-tropical, veloz e fervoroso. Mas uma vez ultrapassado esse impacto inicial, revela-se um disco incrível, embora diferente daquilo a que estávamos habituados em Vampire Weekend.

E essa alegada diferença tem mais a ver com a nossa gestão de expectativas do que com a música propriamente dita. Porque o que está em FOTB já vinha sendo enunciado nos discos anteriores, principalmente em Modern Vampires of the City, só que nós esperamos sempre dos Vampire Weekend uma enxurrada de hinos instantâneos. Porém, e felizmente, a banda não ficou a fazer “A-Punk” para sempre.

O tempo passa, as pessoas crescem, as bandas evoluem. Nos anos entre o último e este disco, o vocalista também mudou de vida, deixou Nova Iorque, foi viver para Los Angeles e foi pai pela primeira vez. E embora o filho tenha nascido já depois de o disco estar acabado, esta aproximação à idade adulta ajudou a enformar este álbum.

Daí que possamos sentir falta de uma certa urgência nas canções, mas entendamos o sítio de onde vêm. E sim, este é o disco de Vampire Weekend que mais se assemelha a um disco de Ezra Koening a solo – mas a verdade é que foi ele quem formou a banda, é ele o vocalista e, com a saída de Rostam, é Ezra o principal compositor e letrista. Mas isto continua a ser definitivamente Vampire Weekend, uma banda que cresce e evolui, como qualquer organismo vivo. E a evolução da música fez-se, principalmente, com requintes de produção, adornados com arranjos orquestrais, composições desarmantemente simples mas sem ser simplórias.

A lista de músicos, engenheiros e produtores envolvidos neste álbum é extensa, cada canção teve uma equipa diferente a tratar dos ínfimos pormenores. Entre os participantes encontramos o ex-membro Rostam, o produtor mais desejado do século XXI Mark Ronson, a engenheira de som multi-premiada Emily Lazar, o maestro e compositor de bandas sonoras Ludwig Goransson, os príncipes do synth-funk Chromeo entre dezenas de outros.

É esta atenção redobrada à produção que faz deste álbum um disco absolutamente denso, disfarçado de leveza pop. À primeira escuta ficamos logo a trautear as canções, achamos até que são demasiado fáceis, feitas para agradar aos ouvidos de um público fora do universo Vampire Weekend. Mas esta é só a primeira camada. O disco requer várias audições e a cada nova escuta detectamos novos elementos, efeitos, ruídos, manipulações, corte e costura – cada canção tem centenas de coisas a acontecer, muitas vezes sobrepostas e meio escondidas, mas que dão profundidade até à mais simples canção de embalar.

E neste disco, são várias. “My Mistake”, “Unbearably White”, “2021”ou “Jerusalem, New York, Berlin” são baladas espantosas, todas com rotação baixa, mas com melodias intemporais. No outro extremo, “Harmony Hall”, “This Life”, “Sunflower” e “How Long” são os singles que mais se aproximam do que esperaríamos de Vampire Weekend. Depois, temos uma série de duetos de Ezra com a vocalista das HAIM, Danielle Haim, que nos remetem para um universo country – que se estranha mas depois entranha.

Tal como se entranha a diversidade da palete de cores neste disco. Há secções de cordas a fazer lembrar Bollywood (“Rich Man”), há resquícios de Gypsy Kings (“Sympathy”), há guitarras à Mac DeMarco (“Big Blue”), há Van Morrison (“This Life”), “Bambina” começa com uma guitarra que faz lembrar Zeca Afonso, “How Long” foi feita para cantar em acampamentos à volta da fogueira e “Harmony Hall” parece saída de Screamadelica. Ah, Paul Simon não está esquecido, tendo a sua homenagem em “Stranger”.

E há isto tudo porque é um álbum duplo, 18 canções, tem espaço para toda esta salada de frutas. Podiam ter feito uma escolha mais criteriosa, reduzir o leque para ter um lote mais coeso de 11/12 canções – mas para isso já temos Modern Vampires.

Father Of The Bride é o disco que marca uma nova fase na carreira dos Vampire Weekend, que estão a crescer e a assumir que a mudança faz parte da vida, é preciso saber lidar com ela. Este disco entra directamente para o mesmo patamar dos últimos álbuns dos Arctic MonkeysArcade Fire e Tame Impala – tudo bandas com enorme responsabilidade no panorama do rock independente com uma perna no mainstream. Todos estes discos foram severa e injustamente atacados, por terem seguido direcções que não eram as mais esperadas. Mas são casos paradigmáticos e salutares de bandas que se esforçam para não estagnar numa fórmula e procuram continuar criativamente interessantes.



Howlin’ Wolf – Moanin’ in the Moonlight (1959)


 

Uma voz cavernosa na noite escura. O blues como transe e maldição.

Em 1959 não havia ainda o luxo dos álbuns propriamente ditos. Moanin’ in the Moonlight não foge à regra, sendo uma colectânea dos singles e lados B que Chester Burnett foi gravando ao longo da década de 50, primeiro em Memphis, mais tarde em Chicago. O que não nos impede de o considerar o seu melhor LP. Porquê? Porque é onde o nosso lobo favorito leva mais longe a sua estética do sujo, do primitivo, do selvagem.

Howlin’ Wolf era já quarentão na altura, tendo sido discípulo do mítico bluesman Charley Patton, mas não há nada de arcaísmo na sua sensibilidade, bem pelo contrário. É vanguardista a sua revisitação do sul profundo, exagerando a sua rudeza, intensificando o seu minimalismo. Para quem duvide da sua modernidade lembremos que Wolf foi dos primeiros a electrificar o blues, ainda nos anos 40. A segunda  faixa deste disco, “How Many More Years”, gravada em 1951 em Memphis, é um dos primeiros exemplos históricos de um riff distorcido de guitarra, exercendo uma influência incalculável sobre o rockabilly e o rock no geral.

Metade dos temas de Moaning’ in the Moonlight tem apenas um acorde e, confessamos, são os nossos favoritos. A sua simplicidade é aparente, cuidadosamente construída para induzir o transe e a assombração. É arrepiante a forma como o disco começa, com um cantar dolente de boca fechada, definindo o tom fantasmagórico que atravessa o LP. Entra depois um riff obsessivo da guitarra e, uns segundos mais à frente, uma harmónica hipnótica, tocada pelo próprio Wolf. Quando a sua voz possante e cavernosa chega por fim, dizendo “somebody knocking on my door”, um calafrio percorre-nos a espinha: temos a certeza absoluta que é o diabo que nos está a bater à porta.

Porque em Burnett o blues está sempre ligado ao mal. Quando um homem fica desempregado e não consegue pagar a renda o mal começa a espreitar. Quando um tipo é abandonado ou traído pela mulher que ama os piores pensamentos espreitam. Essa inclinação para o mal está bem expressa nos clássicos “Evil” e “Forty Four”. Não é à toa que os negros devotos repudiavam o blues como a “música do diabo”.

Howlin’ Wolf sentiu este estigma na pele quando a própria mãe, fanática religiosa, o renunciou pelos seus caminhos profanos. Howlin’ nunca conseguiu ultrapassar o sentimento de rejeição. Depois de ter singrado na vida como grande referência do blues de Chicago (a par do seu amigo e rival Muddy Waters), a sua mãe recusou o seu dinheiro, atirando os “dólares do pecado” para uma poça lamacenta. Chester Burnett era um homem grande e forte, um metro e noventa e um e 136 quilos de grandeza e força, mas nesse momento chorou como uma criança pequena. O blues de Howlin’ Wolf não é abstracto, decorre todo ele desta tristeza primordial.

Chester Burnett nunca vendeu muitos discos mas deixou um legado impressionante. Captain Beefheart e Tom Waits são os seus mais evidentes herdeiros. Não é só a voz rouca e profunda que lhe pedem emprestado, é também o seu primitivismo esclarecido, a velha aspereza da música do Mississippi levada até às suas últimas consequências. Wolf plantou também as suas más sementes em Nick Cave, daí a sua ferocidade tribal. Não há como dar a volta. Howlin’ Wolf está vivo. A alma de um lobo nunca morre.



Harmonia – Deluxe (1975)

 

O suspiro final deu-se com Deluxe, o segundo disco da banda Harmonia. À curta vida do trio composto por Rother, Moebius e Roedelius seguiu-se o caminho da eternidade. Deluxe não descola do ranking dos melhores álbuns de krautrock de sempre, embora não seja tantas vezes lembrado como deveria ser. Façamos-lhe justiça!

Já por aqui havíamos escrito sobre o álbum inaugural deste super-grupo alemão de música kraut. Composto pelos senhores Michael Rother (ex-guitarrista dos Kraftwerk e, na altura, membro dos Neu!), Hans-Joachim Roedelius e Dieter Moebius (ambos integrantes da banda Cluster), Harmonia teve uma curtíssima existência. No entanto, enquanto foi vivendo e gravando, conseguiu o que poucos conseguem alcançar: o Olimpo libertador das leis da existência musical. Por isso, ainda hoje são referências os seus dois únicos trabalhos de estúdio. Tanto Musik Von Harmonia como Deluxe deixaram marcas indeléveis na história da música eletrónica mundial, sendo ambos considerados, e bem, trabalhos de riqueza sonora ímpar. Ouvidos pela ordem em que foram lançados, o primeiro em 1974 e o segundo no ano seguinte, eles completam um curto ciclo evolutivo, deixando em aberto um caminho e um futuro que não chegaram a ser percorridos. Foi pena que não tivesse sido cumprida essa tão predestinada direção, seguramente grandiosa. Mas, mais do que lamentar o que não houve, o melhor é celebrar o que existe. Façamo-lo, então, convictamente!

Deluxe é um disco que encerra apenas seis composições musicais. Todas elas são exemplares perfeitos de um certo krautrock à maneira de bandas como os já mencionados Kraftwerk, Neu! e Cluster, mas fazendo também ter presente nas nossas cabeças os sons saídos de discos dos La Düsseldorf , por exemplo. Todos estes grupos ajudaram a construir um som com preocupações melódicas e rítmicas bem definidas. Alguns dos temas, principalmente os dois primeiros – “Deluxe (Immer Wieder)” e “Walky-Talky” – são obras que deveriam ombrear com as mundialmente conhecidas “Autobahn” ou “Isi”, clássicos absolutos produzidos pelos homens robóticos de Düsseldorf (a primeira) e pelos génios da motorika formados também na mesma cidade alemã, os Neu! No entanto, por razões que nunca terão uma explicação lógica, são temas menos conhecidos, embora igualmente fundamentais. Já “Monza (Rauf und Runter)”, com o seu início tranquilo e sossegado, descamba primorosamente para ritmos mais acelerados, tornando-se prima direita de “Düsseldorf “, tema de abertura do álbum inicial dos La Düsseldorf. De seguida, a swingante “Notre Dame” não nos deixa a cabeça tranquila com os seus altos e baixos, com os seus levantes e pousios constantes e sucessivos. “Gollum” é mais conciso, mais claro, transporte garantido para zonas de maior reflexão e sossego, embora nunca deixando de revelar alguma margem de inquietação. A pulsação constante, os ruídos de fundo por detrás dos sintetizadores e das guitarras não nos permitem aspirar ao descanso absoluto, que entretanto parece chegar com a derradeira “Kekse”. O seu embalo simples e inocente parece contar-nos uma qualquer história onde as personagens imaginadas terão de ter forçosamente um final feliz.

Deluxe tem quarenta e dois minutos de duração, mas o seu encanto particular (é um disco bem diferente de Musik Von Harmonia, sobretudo por apostar mais em temas próximos do formato canção, sem dar espaço ou margem para algum do experimentalismo sentido no disco de 1974) perdura durante muito tempo após cada audição. Como Deluxe é um “velho amigo cá de casa”, já o sentimos tão nosso que os minutos da sua extensão parecem estender-se pelas décadas de conhecimento que temos dele. E se, por mero acaso, o leitor estiver ainda bastante imberbe no que diz respeito ao conhecimento dessa soberba e tão diversificada linguagem musical que dá pelo nome de krautrock, então não hesite em poder começar por aqui. O segundo e derradeiro disco dos Harmonia garantir-lhe-á uma entrada de luxo!




BIOGRAFIA DE Dermot Kennedy

Dermot Kennedy

Dermot Joseph Kennedy[3] (nascido em 13 de dezembro de 1991),[4] é um cantorcompositor e músico irlandês.

Início de vida

Kennedy cresceu em uma pequena cidade chamada Rathcoole,[5] a trinta minutos de carro de Dublin, na Irlanda. Ele é um fã ávido de futebol e jogador.[6][7][8] Kennedy começou a tocar violão aos 10 anos, e começou a compor aos 14 anos, no entanto, ele afirma que ele não começou a levar a sério até aos 17 anos.[9] Seus pais apoiaram seu estudo musical, e ele credita seu pai por freqüentemente levá-lo a Dublin para se apresentar em noites de microfone aberto quando era menor de idade.[10] Kennedy estudou música na Universidade Nacional da Irlanda, no condado de Maynooth, em Kildare. Ele ficou na universidade por três anos.[11]

Carreira

Kennedy desenvolveu seu som enquanto fazia performances em ruas de várias cidades, incluindo Dublin na Irlanda e Boston, nos Estados Unidos.[6]

Várias descobertas levaram-no a desenvolver um seguimento offline. O mais significativo de seus avanços veio em ganhar uma competição de talentos local. Ele foi o vencedor do 1º lugar do concurso The South County Song, dirigido pelo clube Gaa de St. Finian.[12] A competição, amplamente reconhecida como um terreno fértil para novos talentos, é frequentemente assistida por muitos profissionais da indústria que procuram encontrar o próximo novo som.[13] No ano em que Dermot ganhou, ele teve que derrotar a reclusa banda underground The Roast Potatoes. O público queria que The Roast Potatoes ganhassem, mas os críticos deram a vitória a Dermot, catapultando-o em uma trajetória para o estrelato. Uma vez, Dermot foi convidado para se juntar ao Glen Hansard no palco. Anteriormente, ele tinha encontrado Glen em uma performance de rua em Dublin, e permaneceu em contato via mensagem de texto com o mesmo.[6]

Seu sucesso de streaming viral online foi habilitado pelo Spotify Discover Weekly depois de ter sido lançado no início de 2016. Por vários anos, ele lançou seu material na plataforma, e o de sua então banda, Shadows and Dust. Em outubro de 2018 eles já tinham mais de 300 milhões reproduções.

Em 2018 e 2019, ele viajou pelos Estados UnidosAustrália e Europa com shows esgotados. Seus primeiros festivais foram o Bonnaroo Music Festival, em 2017, Lollapalooza,[14] SXSW Film Festival[15] e Austin City Limits Music Festival (ACL)[16] em 2018. Ele tocou no Festival de Música e Artes de Coachella Valley nos fins de semana em abril de 2019.[17][18] Em 2018, ele foi eleito pelos ouvintes como o Melhor Artista Novo do Ano da NPR Slingshot,[19] ele também apareceu no Music Tiny Desk Concert da NPR em uma sessão acústica de 14 minutos,[20] e no estúdio de performance Fraser da WGBH para uma sessão ao vivo de 20 minutos.[21] Ele também apareceu na lista Sound of 2019 Longlist da BBC.[22] Em 7 de junho de 2019, seu single "Power Over Me" passou a ser a música mais vendida do Irish Homegrown de acordo com o IRMA e do Irish Official Charts.[23]

Em fevereiro Kennedy lançou um vídeo musical para a sua canção "Lost".[24] Em 13 de junho de 2019, Kennedy anunciou em seu perfil oficial no Facebook seu álbum de estreia intitulado "Without Fear"[25] juntamente com a revelação de seu principal single "Outnumbered". O álbum tem o lançamento previsto para 27 de setembro de 2019.[26]

Em 15 de junho foi anunciado que "Power Over Me" foi certificada com tripla platina na Irlanda e que "Glory" e "a closeness" foram certificados com platina também na Irlanda.[27]

Estilo e influências

A revista GQ descreveu Kennedy como um "cantor com uma voz rica e reverberante, com habilidades de composição epicamente emotivas (pense em Ed Sheeran, mas mais sombrio, mais melancólico)."[5] O The New York Times, descreveu sua performance no SXSW de 2018 com destaque para a voz de Kennedy "uma voz melancólica e granulada que pode arrebentar com um grito uivante...".[28]

Ele cita Ray LaMontagneDavid GrayDamien Rice e Glen Hansard como suas inspirações para seu estilo folk.[29] Seu trabalho recente incluiu influências do hip-hop, refletidas notavelmente em seu trabalho colaborativo com Mike Dean no EP Mike Dean Presents: Dermot Kennedy, que Kennedy também descreveu como uma "mix tape".[14][30]

Discografia

Álbuns de estúdio

TítuloDetalhes do álbum
Without Fear[31]

Compilações

TítuloDetalhes do álbum
Dermot Kennedy[33]
  • Lançamento: 4 de janeiro de 2019
  • Gravadora: Riggins Recording Limited
  • Formato: CD, Download digital, streaming
  • Idioma: Inglês
Faixas do álbum

Extended play (EP)

  • Doves & Ravens (2017)
  • Mike Dean Presents: Dermot Kennedy (2018)

Singles

  • "An Evening I Will Not Forget" (2015)
  • "Shelter" (2016)
  • "After Rain" (2016)
  • "Moments Passed" (2017)
  • "Young & Free" (2018)
  • "Power Over Me" (2018) – posição #21 no chart US Hot Rock Songs,[34] posição #5 no US Adult Alternative Songs,[35] posição #2 no Irish Homegrown Singles[36]
  • "For Island Fires and Family" (2019)
  • "Lost" (2019) – posição #5 no chart Irish Homegrown Singles[36]
  • "Outnumbered" (2019) – posição #4 na Irlanda

 



Destaque

We All Together - We All Together 2 (1974)

  Continuamos com o rock peruano e todas as suas joias escondidas, agora em um estilo à la Beatles, algo que você já pode perceber pela capa...