domingo, 10 de novembro de 2024

Eduardo Nascimento, “O Vento Mudou” (1967)

 

Lado A: O Vento Mudou / A Lenda do Rochedo

Lado B: Stop Please Don’t Cry / Um Homem Só

Decca, 1967

Em 1967 Nuno Nazareth Fernandes convidou Eduardo Nascimento para cantar O Vento Mudou no Festival da Canção, que então se chamava Grande Prémio TV da Canção Portuguesa. A canção, com música de Nuno Nazareth Fernandes e letra de João Magalhães Pereira que venceu a quarta edição do concurso e ali ganhou passaporte para levar a canção até Viena (na Áustria), que nesse ano acolheu o Festival Eurovisão da Canção. Terminou a noite em 12º lugar, o melhor resultado para uma canção portuguesa até então. E ali ajudou a fazer história já que, um ano depois da holandesa Millie Scott, foi o segundo cantor negro a cantar no concurso internacional, cimentando assim um processo de caminhada rumo a uma maior representação de diversidade na Eurovisão.

O sucesso da canção, que representava a primeira vitória no Festival da Canção para um cantor vindo de uma banda ié ié – os Rocks, que tinham nascido em Luanda cinco anos antes – abriu caminho à edição de um EP a solo com acompanhamento da orquestra de Joaquim Luis Gomes.

Além de O Vento Mudou o EP – o único da discografia a solo de Eduardo Nascimento – inclui ainda A lenda do Rochedo, uma balada não muito distante do registo em voga entre bandas ié ié, embora com arranjo orquestral, Stop Please Don’t Go, canção que ecoa influências de baladas R&B da época e ainda Homem Só, esta mais perto do registo da canção ligeira de então.




MARRS “Pump Up The Volume” (1987)

 

Lado A: Pump Up The Volume

Lado B: Anitiиa (The First Time I See She Dance)

4AD Records, 1987

A história de um dos maiores êxitos do catálogo da 4AD esconde em si uma das mais gritantes narrativas de desentendimento e choque dentro da editora… A bordo das 4AD estavam já os Colourbox, banda visionária na abordagem à construção de canções, tendo trabalhado a ideia da colagem e a atenção ao detalhe dos fragmentos antes de o sampling se ter tornado linguagem corrente na pop. Descontentes com o trabalho na casa que até aí os editara, os não menos interessantes AR Kane bateram à porta da 4AD e Ivo Watts Russel, o editor, deu-lhes guarida. E porque não unir estas duas forças em estúdio? O desafio é lançado mas a coisa não funciona. Identidades e métodos de trabalho bem diferentes acabam por gerar um plano B. Cada banda cria uma canção e dá depois a gravação à outra para a finalizar.

Os Colourbox criam Pump Up The Volume (usando logo ali um sample de uma gravação da dupla de hip hop Ertic B & Rakim). E os AR Kane apresentam Anitiиa (The First Time I See She Dance)… Em comum a produção de ambas as faixas contava com as presenças dos produtores e DJ Chris “C.J.” Mackintosh e Dave Dorrell. Cada banda interferiu sobre a faixa da outra… Mas os Colourbox pedem que o seu tema seja editado na sua discografia… Em seu nome. Mas a ideia original prevalece e o single é lançado como um double A side sob o nome comum MARRS…

A faixa dos Colorbox destacou-se, surgindo uma remistura que valorizava mais ainda a presença de samples. O single acabou transformado num êxito e representou o primeiro caso de grande visibilidade de uma proposta britânica na linha da música house cujos ecos começavam a chegar do outro lado do Atlântico. Apesar do sucesso deste single os Colourbox não voltaram a gravar. E os próprios AR Kane ficaram na 4AD por pouco tempo.

Paulo de Carvalho “Corre Nina” (1970)

Lado A: Corre Nina

Lado B: A Casa da Praia

Movieplay, 1970

Depois de um ponto final na carreira dos Sheiks, Paulo de Carvalho colaborou com dois outros projetos: o Thilo’s Combo e o grupo Fluido, com este último tendo gravado dois EP entre 1969 e 1970. O passo seguinte, antes mesmo de iniciada uma breve colaboração com o espanhol Manolo Diaz e aberto o caminho que o levaria a um primeiro álbum a solo, Paulo de Carvalho teve na edição de 1970 do Festival da Canção – na verdade o VII Grande Prémio TV da Canção – uma primeira apresentação de grande visibilidade em nome próprio.

Apresentou-se ali com Corre Nina, canção com letra de Carlos Portugal e música de Pedro Osório, espelhando os arranjos e a própria linha vocal um certo gosto por ecos da música de outros tempos que então tinham ganho forma em esferas próximas da folk.

A canção acabaria classificada em quarto lugar numa edição atípica do concurso que se realizou num ano em que Portugal não concorreu – como forma de protesto – ao Festival da Eurovisão. Corre Nina teve edição em single pela Movieplay, incluindo no lado B uma canção com música do próprio Paulo de Carvalho e letra de Vasco de Noronha.

O texto de apresentação do cantor que se pode ler na contracapa refere que, depois dos Sheiks, Paulo de Carvalho iniciou “um trabalho artístico de muito mérito servindo-se para isso da sua magnífica voz, rica de cambiantes e dos seus conhecimentos e prática de bateria, viola de seis cordas e baixo. – N.G.

 

Fernando Tordo, “Cavalo à Solta” (1971)

 

Lado A: Cavalo à Solta

Lado B: Aconteceu na Primavera

Phillips, 1971

Fernando Tordo, que se tinha estreado discograficamente com uma segunda formação dos Sheiks, tinha dado os seus primeiros passos a solo ao participar na edição de 1969 do Festival da Canção. Fora então chamado para cantar Cantiga, de José Firmino Morais Soares e José Henrique Rodrigues Dias. No ano seguinte regressou, desta vez também como coautor (com Jaime Queimado) da música em Escrevo às Cidades, com letra de Vítor Manuel Oliveira Jorge. À terceira foi de vez. Não para ganhar (isso aconteceria em 1973, com a Tourada). Mas à terceira foi de vez a capacidade em marcar não só a história do concurso como a da própria canção portuguesa. E aconteceu com a sua primeira parceria (no festival) com José Carlos Ary dos Santos, com quem trabalharia de forma intensa até ao início da década de 80.

Tinham-se conhecido, curiosamente, em 1969, por ocasião de uma ida de Fernando Tordo à sede da editora Valentim de Carvalho, para preparar a edição em disco de Cantiga (que surgiria pouco depois em formato de EP, lançamento algo ofuscado pelo mais marcante single com uma versão de Windmills Of Your Mind desse mesmo ano). Desse encontro nasceram afinidades que pouco depois se começaram a materializar num trabalho em conjunto. Desse labor em comum começaram a surgir canções logo nesse mesmo ano, entre as primeiras estando as que se escutaram então no EP Bem Querer Mal Viver. Contudo, ao Festival da Canção, só concorreram conjuntamente pela primeira vez em 1971.

A história da canção começou com uma melodia que o próprio Fernando Tordo começou a trautear na rua. Correu a casa de João Maria Tudella (que vivia ali perto) e gravou numa bobina essa primeira ideia. Depois, já com Ary dos Santos, as palavras começaram a encaixar na música… E na hora de dar título à canção foi João Maria Tudella quem fez a sugestão. E assim nasceu Cavalo à Solta, que ficou classificado em 3º lugar (Tonicha venceu com Menina e Paulo de Carvalho com Flor Sem Tempo).

Cavalo à Solta surgiu num single, partilhando o lado B com Aconteceu na Primavera, também com música de Fernando Tordo e letra de Ary dos Santos. Os arranjos são de Dennis Farnon e a produção de Luís Villas Boas, a mesma dupla que pouco depois assinaria os mesmos papéis em Tocata, o álbum de estreia de Fernando Tordo.




Electronic “Getting Away With It” (1989)

Lado A: Getting Away With It

Lado B: Lucky Bag (edit)

Factory, 1989

Eram uma dupla, mas com aquela dimensão mítica dos chamados supergrupos (até porque, afinal, juntavam um ex-elemento dos The Smiths à voz dos New Order, nomes maiores do panorama pop/rock britânico de costela indie). Johnny Marr (o guitarrista dos Smiths) e Bernard Sumner (guitarrista dos Joy Division e, depois, vocalista dos New Order) tinham-se já cruzado em 1984 por ocasião de uma colaboração do primeiro num tema dos Quango Quango que o segundo produziu.

Quis a linha-vida de cada um dos músicos que novo cruzamento acontecesse mais perto do fim da década (já depois da separação dos Smiths). A parceria começou por nascer com a vontade de ser uma experiência anónima (pelo menos durante o tempo que levasse alguém a saber quem estaria por detrás da música), mas o envolvimento de Neil Tennant (dos Pet Shop Boys), que soube do projeto através de um designer gráfico elevou inevitavelmente a fasquia para um patamar ainda menos fácil de “esconder”…

E, em dezembro de 1989, com Getting Away With It, uma canção no mínimo perfeita (e que podemos considerar como o hino de despedida dos oitentas), apresentavam-se assim os Electronic. A canção cruzava formas e cores da tradição pop com o fulgor de uma alma animada pelas recentes agitações nos espaços da música de dança (nomeadamente a cultura house). Foi um êxito global, e o sonho do eventual anonimato definitivamente arquivado.

 

sábado, 9 de novembro de 2024

ROCK ART


 

Greenslade - Large Afternoon (2000) Symphonic Prog

 




- Dave Greenslade / keyboards
- Tony Reeves / bass
- John Young (ex ASIA) / keyboard, vocals
- Chris Cozens / drums

1. Cakewalk (4:56)
2. Hallelujah Anyway (6:46)
3. Large Afternoon (4:34)
4. No Room - But A View (3:38)
5. Anthems (6:09)
6. In The Night (5:19)
7. On Suite (6:46)
8. Lazy Days (4:18)
9. May Fair (4:13)





Greg Lake - Songs Of A Lifetime

 




Greg Lake – todos os instrumentos
Jon Michael Engard – guitarras e vocais em Karn Evil 9 April
Laragy Stein – acordeão em You’ve Got To Hide Your Love Away

1.21st Century Schizoid Man
2.Lend Your Love To Me Tonight
3.Songs Of A Lifetime Tour Introduction
4.From The Beginning
5.Tribute To The King
6.Heartbreak Hotel
7.Epitaph/The Court Of The Crimson King
8.King Crimson Cover Story
9.I Talk To The Wind
10.Ringo And The Beatles
11.You’ve Got To Hide/Your Love Away
12.Touch And Go
13.Trilogy
14.Still… You Turn To Me
15.Reflections Of Paris
16.C’Est La Vie
17.My Very First Guitar
18.Lucky Man
19.People Get Ready
20.Karn Evil 9/1st Impression Part 2




Bandas Raras de um só Disco - Moses - Changes (1971)

 



Moses foi um Power trio da Dinamarca que gravou somente um disco. Por ser muito obscuro, tornou-se um item de grande valor pra colecionadores de raridades. A prensagem original foi de apenas 500 cópias, então logo se vê o motivo de sua raridade e obscuridade. E se achar uma das cópias originais, pode se preparar para lhe dar com números de 4 dígitos.

Dificilmente você irá encontrar informações a respeito dos integrantes da banda. Pelo que sei, essas informações você só encontrará no encarte do CD lançado pelo selo Shadoks, que por sinal é um selo de grande respeito entre os ávidos colecionadores de raridades, pois possuem um catálogo invejável pra qualquer outro selo.

O som dos caras é um Blues Rock elétrico bem enérgico e com pitadas de Hard Rock e Psicodelia. Não é muito pesado e não tão bem arranjado (talvez por serem um Power Trio, ou não!!). Uns dizem que lembra uma certa mistura de Blue Cheer com Black Sabbath, porém faltando algumas coisas para atingir isso, literalmente. O que chama atenção mesmo são os solos de guitarra, que fazem um belo trabalho no quesito lisergia. O fuzz monstro é gostoso de ouvir e combina bem com o resto da banda que se mantém em uma levada bem legal e que te faz dar umas balançadas na cabeça. 
Integrantes.

Soren Hojbjerg (Guitarra)
Jorgen Villadsen (Vocais, Baixo)
Henrik Laurvig (Bateria)
 

ROCK AOR - A Chave do Sol - A Chave do Sol (1985)

 



A Chave do Sol foi uma banda formada por Ivan Busic (g,v), Rubens Gióia (g), Roberto Cruz (g/v) e Luis "Tigueis" Antônio (b), gravando assim seu primeiro registro, intitulado The Key. O vinil continha em seu lado A, músicas cantadas em inglês, e no lado B em português, e foi lançado pela gravadora Rock Brigade Records.



Destaque

CAPAS DE DISCOS - 1969 Bless It's Pointed Little Head - Jefferson Airplane

   C.D E.U - RCA BMG Heritage - 82876 61643 2.  Contracapa  Interior.  Disco.  Booklet.  Booklet.  Booklet.  Booklet.  Booklet. Booklet.